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domingo, 5 de fevereiro de 2017

Anotações sobre a utilidade dos meus poemas

Meus poemas já foram úteis

Hoje escorrem lentos
Pelas frestas da vida
Gotejando tédio e sangue

Hoje andam abúlicos
Pelas vielas dos mortos
Tropeçando em bêbados

Hoje olham vazios
As sujeiras humanas
Morto olho de vidro

Hoje murmuram signos
Nos murais da aldeia
Ninguém lê ou entende

Hoje silenciam murchos
Como velhos rotos
E suas memórias de vento

Hoje rezam devotos
Nas igrejas de cura
Inútil fé apodrecida


Hoje assentam tijolos
Paredes incertas
Erguidas para a queda

Hoje pintam quadros
Mortas as naturezas
E tudo fede

Hoje estripam-se
Vísceras expostas
Mas os olhares desviam

Hoje meus poemas são inúteis

Um comentário:

  1. Amigo, todos poemas são úteis. Todos versos são proféticos. Gosto da sua produção ácida e verdadeira. Também escrevo e de vez em quando entre os meus versos me encontro sem daída. Pulo muros, abro buracos na parede, mas não desisto! Abraços!

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