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terça-feira, 28 de junho de 2011

Para a deputada Myrian Rios, agora o desabafo de uma mãe

Eu visito o Luis Nassif todos os dias

Deputada Miryam Rios,
 
Meu nome é Kharla Tavares e eu sou lésbica. Eu e minha companheira estamos juntas há 12 anos e há 5, adotamos (legalmente, pelas leis dos homens) uma menina. Somos uma família homoafetiva e a nossa filha é uma menina saudável, feliz, que estuda, brinca e tem uma vida regular, como qualquer criança. Ela tem ciência da realidade de sua família e nunca, nem por um segundo, omitimos a nossa relação e a adoção. A nossa vida é baseada em verdade.
Da mesma forma que a Sra. tem o direito de falar o que pensa, eu tenho o direito de dizer o que penso de (e para) pessoas homofóbicas como a Sra., afinal, eu voto, eu pago imposto, eu tenho os mesmos direitos e deveres que qualquer cidadão brasileiro. Por isso não dou a Sra., nem a outro homofóbico qualquer, o direito de me desrespeitar, de insinuar que homessexual é pedófilo. Como deputada (e mãe), a Sra. deveria pensar em suas palavras antes de usar o microfone público para expressar a sua particular opinião.
A Sra. se esconde atrás da religião e como todo religioso fervoroso, reza muito, fala muito e carrega muita culpa, imagino. Sim, a culpa católica persegue o rebanho, enquanto a pedofilia que todos nós sabemos e assistimos na tv, percorrem os corredores e cantos das igrejas.
Eu, como mãe, filha, trabalhadora, cidadã que cumpre seus deveres, brasileira e lésbica, não lhe dou o direito de insinuar inverdades sobre os homossexuais. Primeiro a Sra. deveria usar o seu discurso barato ao líderes das igrejas, porque molestar crianças indefesas, Sra. deputada, é crime, é feio, é vergonhoso, é baixo, é triste.Tenho certeza que minha filha vive em um lar de respeito, de honestidade, de verdade, onde ensinamos a ela o certo e o errado, o que siginifica mentira e verdade. Um lar, sim, um lar que a Sra. deve achar somente ser possível, se for constituído por um homem e por uma mulher.Queira a Sra. ou não, vivemos em um lar, o nosso lar. E a nossa maior preocupação em relação à educação de nossa filha é que ela se torne um adulto feliz, que saiba a diferença entre pessoas como a Sra. e pessoas que realmente lutam por um mundo mais pacífico e mais feliz, independente de seu credo, etnia, religião e partido político.
Para finalizar, quero apenas dizer que é medíocre um ser humano depender tanto de regras santas e se achar soberana, acima do bem e do mal. E de pessoas com esse teor de mediocridade, como o da Sra., eu quero distância e rezo (sim, eu também rezo, porque Deus é para todos, inclusive gays e lésbicas) para que jamais cheguem perto da minha filha.
Kharla Tavares

"Eu não me importo com o que os outros pensam sobre o que eu faço; mas eu me importo muito com o que eu penso sobre o que eu faço. Isso é caráter."

O Ornitorrinco pede a palavra para dizer, valeu Kharla, eles, os LGTB-fóbicos, os intolerantes, os incentivadores da violência é que ficarão acuados e constrangidos. 

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