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quinta-feira, 4 de outubro de 2018

De voar

(À maneira de Guimarães,
possível fosse,
que Rosa não posso)

De arribar sabem as aves, eu não.
Elas voando de muito longe daqui,
vindo de muito longe de lá,
das dobras do mundo.
De migrar sabem as aves, eu não.
De migrar muito sabem as aves, eu não.
O caminho do possível de ir-se,
fosse voando,
de coisa assim não atino,
pouca a minha ciência.
Eu não, que pavor muito me pesa.
De almas leves,
aves de bastante arribar,
crianças ainda, de claro falar,
sendo pedra de dizeres ásperos,
às vezes, é assunto que minha ideia tem.
De ver-se gente de gentil figura,
e galanteios, duvidando de ser assim,
de voo de serena precisão, de lonjuras,
pego a ideia de ir fiando o pano,
nele lançando o que há de vir.
O pano tecido de idéias,
de não-limites, de sem-bordas.
Quando dou por realidade, já arribei,
em asas que, agora, de-voar tenho.
Pouso: é firme o chão daqui,
lugar de ir-se, e desato risos.
É que posso o de voar.
Asas de arribar o sonho.

PAULO ROBERTO CEQUINEL
Antonina, dezembro/2000

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