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domingo, 10 de novembro de 2019

Poema para um preso, qualquer um

Mãos negras seguram as grades.
Há um rosto, e olhos, boca, nariz, cabelos?
As mãos negras pertencem a um rosto?
O rosto não tem nome, todavia.
Se há um rosto, nome algum haverá.
Periferia de becos escuros.
De pessoas sem nome.
Elementos suspeitos, diz a polícia.
Deles não quero saber.
Que apodreçam e morram
Entre baratas e ratos.
Eu sou cidadão de bem.


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