Tiê,
nenhum ar pôde te escapar
Nessa vida o asmático que mais vi respirar
me deixou com seu próprio peito apertado
e o meu com o cheiro do nosso sangue
Fosse antes um anjinho alado
Quem se foi era meu punk sem gangue
que disse sem que eu soubesse
que encontrou revolucionários
depois que parou de procurar a revolução
Antes cantássemos igual canários
cantamos como canta quando late um cão
Meu priminho, meu irmãozão
Quanta dor no coração
Quem me viu nascer
tive que ver morrer
e te ver viver
me deu certeza que ainda existem
flores a crescer.
German Martins, 16/02/2026
XXX---XXX
1. Tiê é o apelido do meu neto Hiago, assassinado em 12/02/26, por um sujeito que é parte da escória humana.
2. German Martins é meio neto, meio filho, que resolveu ser poeta, como prova este poema que fez para o primo.
3. Amo vocês dois, Tiê e German.
Vô Paulo, 23/03/2026.
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