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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Essa tal correlação de forças

Eu visito Viomundo todos os dias

Por Luiz Carlos Azenha
Encontro um velho amigo, que nos bons tempos poderia ser confundido com um cripto-comuno-bolivariano.
Hoje, calvo e alquebrado, conformou-se com a vida de pequeno burguês.
Não perdeu a ternura, nem a capacidade crítica.
Está preocupado com o que define como papel de “zelador do neoliberalismo” assumido pela esquerda brasileira, especificamente pelo PT.
Digo a ele que não é tão trágico assim, que houve avanços concretos dos mais pobres, que é isso o que importa.
Mas ele retruca que, no caso brasileiro, percebe um certo complexo de inferioridade da esquerda no poder, como se ela precisasse de licença dos realmente poderosos para governar.
E lamenta que para justificar o não fazer o argumento é sempre “a tal correlação de forças”.
Abrir os arquivos da ditadura?
– Correlação de forças.
Punir os torturadores?
– Correlação de forças.
Implementar o PNDH?
– Correlação de forças.
Regulamentar os capítulos da Constituição que regem a comunicação?
– Correlação de forças.
Implementar as decisões da Conferência Nacional de Comunicação?
– Correlação de forças.
Debater o aborto?
– Correlação de forças.
– Mas no salário mínimo, onde havia vários comunistas escondidos atrás dos 560 reais… aí não teve correlação de forças.
Pano rápido, muito rápido.

O Ornitorrinco pede a palavra para dizer que poderia muito bem dormir sem essa adequada,  oportuna e precisa cacetada na moleira dos petistas todos. De todo modo, vestirá confortável pijama e retirar-se-á para seus inacreditáveis, nababescos e superfaturados aposentos, deixando claro aos oportunistas de direita e as viuvinhas sem-porvir que não fiquem aí muito animadinhos, meninas e meninos. Da esquerda aceito e discuto críticas, todas as críticas. Da direita, não. Acalmem o fogaréu e orem para o empoeirado das minas gerais ou, quiospariu, para o engomadinho do paraná. É o que lhes resta.

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