Páginas

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Poema dos vagões

As mulheres são agredidas? Vagão rosa.
Os negros são agredidos? Vagão negro.
Os índios são agredidos? Vagão índio.
O povo LGBTT é agredido? Vagão LGBTT.
Os comunistas são agredidos? Vagão comunista.
Os petistas são agredidos? Vagão petista.
Os sem terra são agredidos? Vagão sem terra.
O povo candomblé é agredido? Vagão candomblé.
Os loucos são agredidos? Vagão dos loucos.
O povo sem teto é agredido? Vagão sem teto.
O povo pobre é agredido? Vagão dos pobres.
E os agressores?
Nada, ou pouca coisa, ou porra nenhuma.
Os agressores são livres e felizes.
Os agressores têm o direito de agredir.
Podem agredir quem estiver fora dos vagões.
Os agressores são livres.
Os agressores são felizes.
Os agressores avisam: fiquem aí dentro dos vagões.
Fiquem nos vagões que concedemos.
Se estiverem fora dos vagões e forem agredidos, serão culpados.
Não saiam dos vagões concedidos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Mijando nos cantos: se comentar, não vomite.
Este blogueiro é um gato e, à maneira dos grandes felinos, mija nos limites para demarcar seu território. Pois saibam que O Ornitorrinco veio ao mundo para cumprir sua triste sina de blog sujo, meus amigos, pero, por supuesto y sin embargo, como nossa produção própria será volumosa, vá fazer sujeira em outra freguesia, raivoso comentarista: preconceitos de qualquer tipo, calúnias e postagens anônimas serão descartados no mesmo lixão usado pela Veja e pelo PIG. Se beber, não comente. Se comentar, não vomite.