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Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Direto e reto ao cerne da questão: Fora Gleisi Hoffmann!


Ministra Gleisi: principal articuladora e promotora das internações involuntárias
deve deixar governo


A Frente Nacional Drogas e Direitos Humanos: pela Cidadania, Dignidade e Direitos Humanos na Política sobre Drogas, diante das declarações da ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, relativas à posição do Governo no que concerne ao Projeto de Lei (PL) 7663/2010, de autoria do deputado Osmar Terra, cuja relatoria é do deputado Givaldo Carimbão, vem denunciar a ministra como a principal articuladora e patrocinadora das internações involuntárias – como recolhimento social – e do financiamento público das Comunidades Terapêuticas (CTs), atendendo a motivações pessoais, eleitoreiras, religiosas e fundamentalistas.
Cabe destacar que, no âmbito do governo federal, várias vozes se manifestaram contrárias a esse PL, por entender que esse projeto contradiz a implementação de diversas políticas públicas em curso pelo governo de Dilma Rousseff.

O Ministério da Saúde, em Nota Técnica, datada de 17.10.2012, afirma:
“O projeto de lei em discussão desloca a previsão das modalidades de internação do contexto interdisciplinar constante da lei 10.216/01, reforçado pela resolução nº 448 do Conselho Nacional de Saúde, que prevê o cuidado extra-hospitalar como um papel estratégico para a reinserção familiar e social, e o não isolamento dos indivíduos. Temos na proposta a banalização das internações quando estas são colocadas como ferramenta central para o acolhimento, desconsiderando a diversidade de tratamentos, serviços para os diversos públicos, necessidades e situações”.


O Ministério da Justiça, em Nota Informativa da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas, aponta aspectos inconstitucionais presentes no PL, além da possibilidade de ineficácia na sua aplicação, quando este vincula o grau de imposição de pena à classificação farmacodinâmica, farmacocinética e capacidade de causar dependência:
“Uma vez que a fixação desses critérios demandam estudos muito sofisticados, de longa duração e por vezes bastante controversos. (…) A adoção dos critérios de classificação mencionados poderia implicar na possibilidade de aplicação não uniforme da norma penal com pessoas condenadas pela prática de tráfico da mesma droga, sob as mesmas circunstâncias e com penas distintas o que representa grave prejuízo à ordem jurídico-constitucional.
(…)
Quanto ao Artigo 11 do PL (…), que trata sobre a internação de usuário ou dependente de drogas e altera o Artigo 23 da Lei 11.343/2006, é necessário apontar que a lógica do tratamento (…) disposta na Lei (…), está pautada no princípio do ‘fortalecimento da autonomia e da responsabilidade individual em relação ao uso indevido de drogas (art. 19, III)’.
A mudança pretendida pelo PL poderia acarretar em situações de internação compulsória indiscriminada, isentando o usuário e os dependentes de drogas da responsabilidade que lhe compete no esforço de melhora.
”


O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, por meio da Nota Técnica nº 2013/CGRGS/SNAS/MDS, afirma que:
“(…) o Substitutivo contraria frontalmente as disposições contidas na Lei Complementar nº 101 de 2000 – Lei de Responsabilidade Fiscal, Lei nº 12.708 de 2012 – Lei de Diretrizes Orçamentárias – LDO e a Lei nº 4.320, de 1964, uma vez que não traz no seu texto a previsão expressa de serem transferido recursos públicos apenas a entidade privada sem finalidade lucrativa, podendo-se entender a permissão a qualquer entidade privada. E, ainda, não define a área de atuação da entidade tampouco, estabelece o cumprimento de outros requisitos legais impostas pelas legislações vigentes.
(…) Assim, as entidades, comunidades acolhedoras (“e”), unidades de terceiro setor (“d”) e outras instituições/entidades trazidas no Substantivo, da maneira posta, cria novo procedimento e não observa os normativos da assistência social, no sentido de adotar critérios que demonstrem a adequação dos projetos e das atividades desenvolvidas pelas entidades à legislação vigente, especialmente, à Resolução CNAS nº 33, de 2012 e à Resolução CNAS nº 145/2004 – Política Nacional de Assistência Social (PNAS), configurando-se um verdadeiro retrocesso para essa política pública.
”


Por sua vez, a Secretaria Geral da Presidência, na Nota Técnica nº 0023/2012/GLMP/AL/DAI/SE/SG/PR (SGP), aponta o que segue:
“10. Neste cenário, o Projeto acaba por instituir um sistema paralelo ao Sistema Único de Saúde – previsto constitucionalmente – e ao Sistema de Assistência Social. O SISNAD constitui, por exemplo, unidades próprias de atendimento e acolhimento, com financiamento específico e não submetidas às regras de fiscalização e atenção psicossocial dos sistemas estruturados e competentes.
11. Embora seja preocupação do Governo Federal o incentivo e a regulamentação do adequado funcionamento de unidades de atenção psicossocial suplementares, como as comunidades terapêuticas, não se pode permitir a criação de um sistema de atendimento paralelo ao SUS, quando, na verdade, deve-se buscar aperfeiçoar a articulação entre os órgãos estatais e referidos entes privados, dentro do sistema existente, a fim de atingir as finalidades concernentes ao tratamento de usuários de drogas.
(..)
15. Destaca-se ainda a proposta trazida pela inserção do Art. 8º-J, IV, que expressamente dispõe sobre a intenção de fomentar as parcerias com instituições religiosas, o que claramente afronta o art. 19, I da Constituição Federal
."


A atitude autoritária da ministra, anunciando a sua posição como sendo a posição do governo, vem silenciar o conjunto das discordâncias para impor uma visão retrógrada, reacionária e eleitoreira, que visa exclusivamente beneficiar a si própria, em função da sua candidatura ao governo do Paraná, haja vista as alianças que mantém com a comunidade religiosa.
Com isso fica explícito o consórcio da ministra com as várias igrejas que tem grande interesse em receber recursos públicos para o financiamento das suas “obras assistenciais”, bem como sua adesão às perspectivas valorativas fundamentalistas que não separam a Igreja do Estado e pretendem impor os seus valores morais como guias de conduta universais para os cidadãos. Tais posicionamentos estão expressos no documento intitulado Carta ao Povo Cristão, de autoria da Ministra Gleisi Hoffmann, quando de sua candidatura ao senado, onde ela desnuda suas convicções:
“Muitas vidas já foram retiradas do álcool, das drogas, da violência e reaproximadas a Deus.(…) Por isso penso que as igrejas, podem e devem ser parceiras efetivas do Poder Público nos projetos sociais” (…) “Os valores e princípios que temos em Cristo, garantem por si só, uma sociedade justa e harmoniosa: amor ao próximo, tolerância e a paz como fundamento das nossas ações.”
Atitudes como essas ferem frontalmente o Estado Laico e a possibilidade da produção de políticas públicas republicanas, democráticas e igualitárias, num cenário em que se configura a construção de um arco de alianças reacionárias e conservadoras, onde o elemento da religiosidade de cunho fundamentalista constitui-se em obstáculo para que as racionalidades técnicas possam orientar a definição das prioridades nas políticas sociais.
Portanto, Gleisi Hoffmann é aliada política do Pastor Marcos Feliciano, da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, que se orgulha em afirmar a amizade entre ambos. A ministra é patrocinadora da perspectiva do “recolhimento social” dos miseráveis pela via das internações compulsórias. Gleisi Hoffmann é a madrinha do financiamento com dinheiro público das Comunidades Terapêuticas, em detrimento do SUS e do SUAS. Gleisi Hoffmann se posiciona como uma verdadeira inimiga da Reforma Psiquiátrica, do movimento antimanicomial e das suas conquistas!
Diante disso, entendemos que a Ministra Gleisi Hoffmann não reúne mais as condições políticas de se manter à frente da Casa Civil como uma ministra de todos os brasileiros, uma vez que suas convicções religiosas falam mais alto que as suas responsabilidades políticas de ministra de Estado. Então ela deve renunciar imediatamente!
Se a Ministra Gleisi Hoffmann não é capaz de atuar nos estritos limites estabelecidos pela laicidade do Estado, então, cabe à Presidenta Dilma, substitui-la imediatamente. Ademais, se os seus compromissos políticos eleitorais, com bancadas e igrejas, visam mais o seu benefício pessoal na escalada rumo ao Governo do Paraná que os interesses e benefícios de toda a sociedade brasileira, que tanto lutou e luta por liberdade, justiça, democracia, respeito à diversidade religiosa, sexual e étnica, resta, portanto à Presidente Dilma promover a substituição imediata da ministra!
Fora Gleisi Hoffmann! Fora Feliciano!
Contra o financiamento público das Comunidades Terapêuticas!!
Contra a Internação Compulsória!!!
Contra o PL Osmar Terra/Carimbão!!!!

Assinam esta NOTA:
Associação Brasileira de Redutores de Danos (Aborda)
Associação Brasileira de Saúde Mental (Abrasme)
Coletivo DAR
Movimento Nacional de População de Rua
Conselho Federal de Psicologia (CFP)
Conselho Federal de Serviço Social (CFESS)

segunda-feira, 6 de maio de 2013

O problema não está no crack – está na alma

Copiei da Superinteressante


Denis Russo Burgierman 
De cada 100 pessoas que experimentam crack, algo em torno de 20 tornam-se dependentes. É um número assustador, preocupante, claro, mas é importante notar uma coisa: é a minoria. O crack é mais viciante que a maconha (9%), menos do que o tabaco (32%, a taxa mais alta entre as drogas). Mas a grande questão é a seguinte: o que faz com que algumas pessoas que experimentam as drogas fiquem dependentes e outras não?
Segundo o médico húngaro-canadense Gabor Maté, a resposta é simples: as pessoas que se afundam nas drogas são as mais frágeis. Gabor é um dos especialistas mais respeitados do mundo em dependência e esteve no Brasil esta semana. Sua palestra, no Congresso Internacional sobre Drogas que aconteceu no fim de semana em Brasília, foi imensamente esclarecedora.
“Em 20 anos trabalhando com usuários em Vancouver, eu nunca conheci nenhum dependente que não tivesse sofrido algum tipo de abuso na infância – abuso sexual ou algum trauma emocional muito grave”, ele disse. Ou seja: dependentes de drogas são sempre pessoas com fragilidades emocionais causadas por traumas na infância.
O momento mais polêmico da palestra foi quando ele afirmou algo que ninguém esperava ouvir: “drogas não causam dependência”. Como assim não causam? E aquele bando de gente esfarrapada no centro da cidade? Ele explica: “a dependência não reside na droga – ela reside na alma”. É que quem sofreu abusos severos na infância acaba tendo sua química cerebral alterada e cresce com um eterno vazio na alma. Frequentemente esse vazio acaba sendo preenchido com alguma dependência. “Pode ser uma droga, ou qualquer outro comportamento que traga algum alívio, ainda que temporário: compras, sexo, jogo, comida, religião, internet.”
A cura para a dependência, portanto, não é a destruição da droga: é o preenchimento do vazio na alma. Gabor, aliás, sabe muito bem do que está falando. Ele próprio, afinal, sente esse vazio. Ele nasceu em Budapeste em 1944, durante a ocupação nazista, com a mãe deprimida, o pai preso num campo de trabalhos forçados, os avós assassinados pelos alemães. Quando cresceu, para aliviar a dor emocional que sentia, desenvolveu uma dependência: “virei um comprador compulsivo”.
O sofrimento que Gabor sente está óbvio em seu rosto: nos seus traços trágicos, nos olhos tristes. Mas ele encontrou paz: seu trabalho ajudando dependentes lhe trouxe sentido na vida e esse sentido preencheu, ao menos em parte, o vazio.
Em resumo: crianças que foram muito mal-tratadas acabam virando adultos “viciados”. E aí o que nossa sociedade faz? Trata mal essas pessoas. “Nós punimos as mesmas crianças que falhamos em proteger”, diz Gabor.
Na semana passada, uma pesquisa do Datafolha mostrou que o maior medo dos paulistanos é o de perder seus filhos para as drogas. É um medo compreensível e do qual eu, como um quase pai (minha primeira filha nasce no mês que vem), compartilho. Mas esse medo não pode justificar políticas repressivas e violentas, que impõem tratamento religioso forçado e dá poder ilimitado à polícia. Isso só vai aumentar o estresse na vida de gente que já é frágil – e é sabido que estresse piora a dependência.
Hoje já está claro que o único jeito de lidar com gente que tem um vazio na alma é com compaixão. O que essas pessoas precisam não é de cadeia nem de conversão forçada nem de projetos de lei medievais como o que está tramitando agora no Congresso, com apoio do governo federal – é de compreensão e de ajuda para encontrar algo que ajude a dar sentido para as suas vidas.
Em 2000, uma pesquisa em Portugal revelou que as drogas eram o maior problema do país. No ano seguinte, o governo português teve a coragem de montar um novo sistema, muito mais barato para o contribuinte, comandado pelo ministério da saúde, sem internações compulsórias nem violência policial.
Ano retrasado, a pesquisa foi repetida e drogas nem apareceram na lista dos dez maiores problemas portugueses. O problema havia sido resolvido. Com compaixão.

Exclusivo: imagem chocante do 2º BlogPro Paraná!


               photo by www.shorpy.com/node/175
Com absoluta exclusividade O Ornitorrinco mostra alguns blogueiros sujos que participaram do 2º Blog Pro PR. A partir da esquerda, Jaulo "Cicatriz" Nequinel, especialista em Operações de Flatulência Revolucionária em Elevadores Sociais; Vaulinho "Cramulhão" Xequinel, especialista em Aplicação de Pontapés em Homofóbicos de Obtusa Religiosidade e Daulo "Sangue Ruim" Wequinel, especialista em Depenação e Estripamento de Tucanos Privatistas e em Fabricação e Lançamento de Objetos Esféricos de Papel.  

Bom dia, evangélicos LGBTT-fóbicos: vocês são um bando de jaguaras!

Copiei de Marcos Rolim


SOBRE A “CURA GAY”  

Marcos Rolim

Durante 20 anos, John Paulk integrou a direção de uma organização homofóbica dos EUA chamada Exodus e foi apresentado por cristãos fundamentalistas norteamericanos como um “ex-gay”.
Ele se casou com uma “ex-lésbica” e ganhou dinheiro com palestras, entrevistas e participação em centenas de eventos promovidos pela direita religiosa. A “família perfeita” que eles haviam formado era exibida como a prova do poder de Deus de transformar vidas. Em 2001, entretanto, Paulk foi fotografado em um bar gay em Washington, D.C. Sua carreira como “ex-gay” era uma fraude; assim como muitas outras.

A Assembleia Mundial da Saúde retirou a homossexualidade de sua lista de distúrbios mentais em 1990. Três anos depois, com a nova Classificação Internacional de Doenças (CID-10), a homossexualidade deixou de ser considerada patologia. Desde então, para a ciência pelo menos, a homossexualidade é manifestação da diversidade humana, ponto. A Associação Psiquiátrica Americana (APA) sustenta que as posições que anunciam a “cura” da homossexualidade não são orientadas por estudos científicos, mas por grupos religiosos e políticos que se opõem à cidadania de gays e lésbicas. Em 2000, a entidade aprovou posição oficial sobre o tema das “terapias reparadoras” ou de “conversão” (Therapies Focused on Attempts to Change Sexual Orientation - Reparative or Conversion Therapies) assinalando: “nas últimas 4 décadas terapeutas “reparadores” não produziram qualquer pesquisa científica rigorosa que oferecesse substância às alegadas “curas”. (...) A APA recomenda que os profissionais éticos devam abster-se das tentativas de alterar a orientação sexual dos indivíduos, tendo em mente o ditado médico: ‘Primeiro, não fazer mal’ ”.

Esta conclusão sintetiza o consenso científico sobre o tema que amparou posição adotada no Brasil pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP), na resolução nº 1, de 23 de Março de 1999, que estabelece normas para a atuação dos psicólogos sobre a orientação sexual. Nada disso, entretanto, interessa aos que foram colonizados pelo dogma e que estão dispostos a oferecer sua ignorância e as maldades decorrentes do preconceito em nome de Deus.

No século XX, há uma tentativa impressionante de “curar” homossexuais. Ela foi oferecida pelos nazistas. Eles começaram, em 1933, incendiando a biblioteca de Magnus Hirschfeld (1868-1935), o pioneiro médico defensor dos direitos dos homossexuais. Depois, promoveram Ernest Rüdin (1874-1952), psiquiatra autor da lei de esterilização dos “portadores de taras e heredomanias”. Nesta linha “terapêutica”, homossexuais foram submetidos a neurocirurgias, enquanto outros tiveram seus testículos extirpados.

A possibilidade de “curar” homossexuais é a mais nova bandeira da bancada evangélica no Brasil. Nulidades como marco feliciano (PCS), joão campos (PSDB) e roberto lucena (PV) lideram mais esta frente de intolerância e apreço pelo ridículo. Não há uma vírgula de amor e compreensão em seu ânimo, apenas o fanatismo dos que foram possuídos pela “verdade” – o mais perigoso de todos os fanatismos, em todos os tempos.

E a Ford, ó, fordeu-se todinha!

O Serviço de Alto Falantes Ornitorrinco registra com alegria que a giripoca pia e a lusitana roda.

Quando a Ford se mandou dos pampas, pronto, a culpa era do PT e do ex-governador Olívio Dutra, e tome escândalo na grande imprensa.


Mas agora que a Ford tomou precisamente no olho do cu - desculpem o mau jeito -, silêncio profundo, a menina dormiu.

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Ford se foi, mas terá que pagar R$ 800 milhões. Olívio dá risada
por Claudemir Pereira 

O estranho de tudo é que a mídia tradicional (ninguém me convence do contrário, fazer o que) tinha tudo para estar com a notícia. E não a deu. Por razões que... Bem, deixa assim. Então, o que se vê é a força da internet. Foi um jornal eletrônico, o Sul 21, recém-chegado, que descobriu tudo, publicou e aí os grandões foram obrigados a ir atrás.

Olívio Dutra: um suspiro e uma discreta risada

Me refiro à reportagem de Clarissa Pont, que explica como o Estado do Rio Grande, via o ex-governador Olívio Dutra, processou a Ford (sim, aquela), ganhou e agora (embora ainda exista recurso possível) terá que indenizar a província gaúcha em algo como, em valores atualizados, R$ 800 milhões. É algo como quase metade do empréstimo feito pelo atual governo, a ser pago ao BIRD. Que coisa.

Dá para entender, assim, porque Olívio Dutra, tão espezinhado pela mídia, dê sua risada. Ainda que discreta, como conta o texto da jornalista, que você passa a acompanhar:

“R$ 800 milhões – Esta é a quantia, em valores atuais, que a Ford terá de pagar ao Estado do RS, se perder recurso

Uma década após a montadora Ford rescindir contrato e desistir de construir sua fábrica na cidade de Guaíba, a Justiça Estadual do Rio Grande do Sul condenou a empresa a indenizar o governo do Estado em R$ 134 milhões, valor relativo à época. Hoje, o montante pode ser calculado em cerca de R$ 800 milhões. A decisão dada pela juíza Lilian Cristiane Siman, da 5° Vara da Fazenda Pública de Porto Alegre, em 15 de dezembro de 2009, e noticiada por Sul 21 nesta segunda-feira (31) ainda não é definitiva.

Os valores acertados na sentença, quando atualizados conforme os critérios da mesma, equivaleriam hoje a cerca R$ 800 milhões. Ou seja, quase o valor da segunda parcela do empréstimo acertado entre o Governo Yeda e o Banco Mundial, de US$ 450 milhões. A transação total é de US$ 1,1 bilhão. Esta segunda parcela ainda não pode ser liberada, porque o Estado não cumpriu algumas metas previstas no contrato. 

No caso da Ford, perguntas permanecem ser resposta. A principal delas é o motivo pelo qual a sentença permaneceu tanto tempo sem ser divulgada e, portanto, ignorada pela imprensa gaúcha. Pessoas como o então governador Olívio Dutra, que enfrentou duras críticas na época, desconhecia o resultado até o momento em que foi entrevistado por Sul 21 no início da tarde desta segunda-feira. Quando a reportagem explicou a sentença, escutou do outro lado da linha telefônica um suspiro e uma discreta risada…”