AO FAZER COCÔ, ESTAMOS A FAZER O NÚMERO 2, NÃO É MESMO?
BEM, VOTAR NO 22 É CAGAR DUAS VEZES, E TENHO DITO!
E NÃO HÁ PAPEL HIGIÊNICO QUE RESOLVA TAMANHA MERDA.
Blog sujo e ateu. Entre sem bater.
AO FAZER COCÔ, ESTAMOS A FAZER O NÚMERO 2, NÃO É MESMO?
BEM, VOTAR NO 22 É CAGAR DUAS VEZES, E TENHO DITO!
E NÃO HÁ PAPEL HIGIÊNICO QUE RESOLVA TAMANHA MERDA.
Publicado, quiospa!", em 7 de abril de 2011, aqui neste insalubre blog ateu
A partir de e-mail (que está na rede, não sei exatamente onde) enviado por um estudante de teologia de Boston para Laura Schlessinger, uma personalidade do rádio americano que distribui conselhos para pessoas que ligam para seu show, este Ornitorrinco fez adaptações e o resultado está logo ai a seguir. Recentemente ela, a anta da Laura, disse que a homossexualidade é uma abominação de acordo com Levíticos 18:22 e não pode ser perdoada em qualquer circunstância. Como aqui no Brasil não há, que eu saiba, nenhuma coisa semelhante a esta celebridade religiosa abostada, resolvi dirigir-me ao Padre Reverendo Apostólico, Profético e Milagroso Bispo da Missão Edir R.R. Malafaia Macedo Soares Valdomiro Bolsonaro Feliciano. Se alguém souber de um link para o original, por favor indiquem.
Querido e amado em jesus cristinho Padre Reverendo Apostólico Profético e Milagroso Bispo da Missão Edir R.R. Malafaia Macedo Soares Valdomiro Bolsonaro Feliciano:
Obrigado por ter feito tanto e sem nunca ter passado a sacolinha, para educar as pessoas no que diz respeito às Leis de Deus. Eu tenho aprendido muito com sua pregação na TV, e tento compartilhar o conhecimento com tantas pessoas quantas posso. Quando alguém tenta defender o homossexualismo, por exemplo, eu simplesmente lembro que Levítico 18:22 claramente afirma que isso é uma pouca vergonha e uma abominação abominável e acabo logo com o debate abominável, e decreto o fim de conversa abominável, simples assim, é deus nos iluminando com suas palavras impressas na divina bíblia. Mas eu preciso de sua ajuda, entretanto, no que diz respeito a algumas questões específicas:
a) Queimei em sacrifício num fogaréu santificado e bento um touro zebu de quase 600 kg no domingo, e não era um prosaico churrasco, por saber que isso produz um odor que agrada ao Senhor (Levitico 1:9). Ocorre que meus vizinhos reclamaram que o cheiro não era lá muito agradável para seus narizes insensíveis e heréticos. Devo matá-los, por heresia, já que são também comunistas e ateus incapazes de sentir o olor santificado do êxtase diante de um sacrifício?
b) Deus permite, em Êxodo 21:7, que eu venda minha filha como escrava. Mas o meu problema é que estou precisando cobrir o rombo do meu cheque especial e, lamentavelmente, tenho 3 filhos varões. Posso vender um deles? Dos três, qual devo vender? O que você, sugere como preço adequado? Há alguma bolsa de valores ou algo assim que controle esse comércio tão divino? Deus sábio não deveria garantir que a prole dos cristãos sempre tivesse duas ou três filhas?
c) Deus sabe o que faz e não me permite ter contato com uma mulher enquanto ela está em seu período de impureza menstrual (Levítico 15:19-24). O problema é, apóstolo milagroso, como eu digo isso a ela? Eu tenho tentado, mas a maioria delas toma isso como ofensa, ficam indignadas e prometem convocar reunião do coletivo feminista que existe em todos os partidos de esquerda e não adianta que eu diga que essa é a ordem de deus escrita na bíblia, elas ficam furiosas. O que devo fazer, ó profeta milagroso?
d) Deus escreveu na bíblia, o livro bom e justo e perfeito, e de forma clara e insofismável em Levíticos 25:44, que eu posso possuir escravos, tanto homens quanto mulheres, se eles forem comprados de nações vizinhas. Um amigo meu diz que isso se aplica a todos os nossos vizinhos sul americanos, mas não aos argentinos, porque eles se julgam o centro do mundo e todos os outros é que são seus vizinhos e podem ser por eles subjugados em servidão. Vocês que falam com o pai diretamente todos os dias podem aclarar isso? Por que eu não posso ter umas parelhas de argentinos como escravos? Por que eu não posso, ó senhor dos vinhedos, manter los hermanos produzindo para mim aqueles excelentes vinhos? Posso escravizar meu cunhado argentino, que vive por aqui desde criança, para que ele cumpra tarefas simples como capinar e recolher folhas no meu quintal?
e) Eu tenho um vizinho que insiste em trabalhar aos sábados e o deus da misericórdia, em Êxodo 35:2, claramente afirma que ele deve ser morto. Eu sou moralmente obrigado a matá-lo e com meus próprios recursos? A polícia e a justiça dos homens entenderão e aceitarão meu ato derivado de piedosa ordem divina? Como devo proceder a matança divinamente ordenada no livro divino, com um revólver divino, uma faca abençoada, um tacape iluminado ou com um advogado apresentando uma cobrança milionária impagável? Ou mando o herege ouvir, por 24 horas, bandas de gospel-gosmento?
f) Deus, em Levítico 11:10, piedoso e sábio como só um deus piedoso e sábio pode ser, estabelece que comer moluscos é uma abominação, ainda que menor que a homossexualidade. Pastor eletrônico de milagres incontestáveis, se um homossexual abominado comer moluscos abominados ele será abominado ao quadrado abominado? Aqueles abominados moluscões de cultivo abominado, enormes e abominadamente deliciosos, produzidos na abominada Armação da Penha, em Santa Catarina abominada, são fruto e arte do diabo abominado? Por que deus permite que moluscos abominados se reproduzam de forma abominada e fiquem tentando os bons cristãos como eu?
g) Deus piedoso nos avisa em Levíticos 21:20 que não podemos nos aproximar do seu altar se tivermos algum defeito na visão. Eu admito que uso óculos para perto, para longe e para médias distâncias, e os uso para ontem, para anteontem, para o ano passado e para o século XV. Se eu chegar no altar desse deus tão exigente sem meus óculos e espremendo os zóinho, ele atenderá minhas preces e obrará seus milagres, ou perceberá minha abominável manobra? Conceder-me-á, pelo menos, bons descontos nas óticas que cobram caro pra cacete?
h) Eu uso barba francamente espalhada pelo rosto, coisa já de quase trinta anos, mas a maioria dos meus amigos e familiares remove-a totalmente, inclusive o cabelo das têmporas, mesmo que isso seja expressamente proibido em Levíticos 19:27. Como devemos morrer, pastor profético iluminado? Enquanto não morremos, deus pode nos indicar xampus santos e condicionadores ungidos? Cortar os abominados pelos do nariz é permitido pela bíblia? Os nadadores de ponta que se depilam irão todos pro inferno? Os barbeiros e cabeleleiros constituem parcela abominável da humanidade, mesmo aqueles que não são abomináveis homossexuais?
i) Eu sei que tocar a pele de um porco morto me faz impuro (Levítico 11:6-8), mas comer deliciosas costeletas suínas abominavelmente assadas, com alguma mostarda forte e uma boa cerveja gourmet – sem tocar jamais a pele do pobre e abominável animal morto – bloqueia meu acesso ao paraíso? Se assim é, por que deus permite que as grandes redes de supermercados vendam carne deste abominável e impuro animal que ele mesmo criou? Por que deus poderoso pra caralho permite que o porco sobreviva para nos contaminar? Qual a precisa posição de deus a respeito de um leitão a pururuca ou de uma abominável porção de deliciosos torresmos abomináveis?
Obrigado novamente por nos lembrar que a palavra de deus é eterna, imutável e sempre imediata e perfeitamente compreendida por todos nós.
Paulo Roberto “The Believer” Cequinel
The Abominate Ornitorrinco Company
O Ornitorrinco reconhece ter, liminarmente, cacholinha de poucas e bruxuleantes luzes, mas ousa recomendar a leitura atenta deste artigo.
XXX---XXX
Copiei do indispensável VIOMUNDO
27/06/2026, por Borislav Radmanovich*
Eu estava evitando escrever análises simplesmente porque o que é verdade agora geralmente se torna falso em um ou dois dias, às vezes em poucas horas. No entanto, se encararmos esse caos não como bug, mas como projeto, podemos fazer alguns comentários.
Vamos começar com a guerra da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) contra a Rússia. Aqui está um resumo do que está acontecendo.
Os russos intensificaram suas operações de ataque, assim como a Otan.
Os russos ainda não desferiram o tipo de golpe decisivo que muitos (inclusive eu) estão esperando.
De acordo com todos os relatos, as forças russas atualmente possuem efetivo mais do que suficiente para se envolver em uma grande guerra, e também é inegável que a Rússia mantém a maior parte de seus meios de ataque na reserva. A Rússia está, sem dúvida, se preparando para um grande confronto.
Em terra, os russos avançaram por toda parte, mas a grande notícia é a queda da cidade de Konstantinovka, o que significa que os russos iniciaram a operação para retomar o controle da última parte da República Popular de Donetsk, as fortificações da área urbana de Kramatorsk-Slaviansk. Este é o último bastião da Otan no leste da Ucrânia.
A guerra no sul está se tornando relativamente vantajosa para os russos, que praticamente destruíram a linha de abastecimento da Otan para Odessa.
A Crimeia também sofre e as linhas russas de abastecimento estão sendo afetadas pelos ataques da Otan, mas isso não altera a situação, é apenas mais um incômodo para lidar.
Entretanto, os eurocretinos forneceram à Ucrânia um grande número de drones de longo alcance. A Rússia normalmente intercepta cerca de 90% a 95% deles, o que significa que, quando centenas de drones são lançados contra a Rússia, alguns SEMPRE escaparão às defesas aéreas russas e atingirão algo.
A Rússia é muito grande, tem alvos demais, para defender todos. Em alguns locais, consegue 100% de eficácia ocasionalmente e 90% a 95% na maioria das vezes. Então, alguns drones continuarão a penetrar as defesas e a atingir a Rússia, não importa o que esta faça.
Como a linha de frente é muito maior do que a área da maioria dos países da UE — tem mais de 1000 km de extensão — é tecnicamente impossível deter todos os drones da Otan, que são pouco visíveis nos radares russos e voam baixo.
Para os drones FPV (First Person View, guiados por operador humano) na linha de frente, os russos encontraram a solução: criaram o grupo especial Rubikon, que simplesmente eliminou tantos operadores de drones da Otan que eles não puderam operar como planejado.
No caso de drones de longo alcance, a Rússia decidiu atacar toda a cadeia de entrega à montante: os drones da Otan são lançados de plataformas rebocadas especiais. A Rússia agora está caçando-as. Depois, essas plataformas precisam de caminhões de reboque. A Rússia também está caçando-os.
A seguir, esses caminhões de reboque precisam de gasolina. A Rússia agora está destruindo sistematicamente todos os postos de gasolina no leste da Ucrânia. Os guinchos precisam de peças de reposição e reparos, e a Rússia está destruindo todas as oficinas mecânicas a leste do rio Dniepr.
E, claro, a Rússia também está atacando usinas de energia e refinarias. Em seguida, e isto é MUITO importante, a Rússia começou a explodir as principais instalações de montagem de drones da Otan na Ucrânia (escondidas em correios, lojas de pneus, shoppings, escolas, etc.).
Esta nova política russa funcionará ou falhará. No último caso, a Rússia não terá outra opção senão atacar as fábricas de drones no Reino Unido e na União Europeia (UE).
Os britânicos querem dar aos ucranianos 150.000 drones FPV antes do final do ano (e mais de 350 mísseis de defesa aérea e sistemas de radar terrestres). Parece-me que eles têm um desejo suicida. Ou não?
Zelenski agora está ameaçando a Bielorrússia de uma maneira extremamente detestável e provocadora. Portanto, parece mesmo que a Otan decidiu que uma escalada é uma boa ideia. Isso provavelmente se baseia na noção equivocada de que os EUA estão dispostos a cometer suicídio nuclear para ajudar a UE. Esta nunca foi a verdadeira política dos EUA, nem durante a Guerra Fria nem hoje em dia.
A julgar pela verborragia dos eurocretinos, eles estão absolutamente determinados a entrar uma guerra em grande escala com a Rússia.
Os ataques da Otan à Rússia têm alguns efeitos: 1) o principal é político: o povo russo está furioso e exige uma forte retaliação; 2) o impacto econômico é modesto, já que a maior parte dos danos é fácil de reparar; dito isso, está começando a afetar os preços do gás russo e até a sua disponibilidade em algumas regiões (Crimeia), então isso não pode durar e definitivamente não pode piorar. Em outras palavras, a Rússia terá que fazer algo em relação a esses ataques profundos.
Essa situação, então, não pode se prolongar e definitivamente não se pode permitir que piore ainda mais. Em outras palavras, a Rússia terá de tomar medidas face a estes ataques profundos.
Por todos esses motivos, não vejo nenhuma possibilidade de um desfecho pacífico. A menos que um milagre ocorra, a Rússia atacará a UE. A única dúvida é quando.
Neste momento, Putin está usando o seu capital de credibilidade pessoal para garantir ao povo russo que a contenção (que a Rússia está, obviamente, a praticar) é a política certa: para começar, a Rússia não precisa de imitar o Ocidente e «fazer alguma coisa» para «enviar uma mensagem».
A Rússia não está no negócio de «enviar mensagens», mas sim no negócio de ganhar a guerra, o que significa que cabe ao Estado-Maior russo escolher a melhor forma e o melhor momento para contra-atacar. Embora as pessoas impacientes (como eu) tenham de aceitar o fato de que o Kremlin não se importa com o que pensamos, o Kremlin só se preocupa com o que pensam os generais russos de alta patente, e estes estão claramente se contendo.
Quanto tempo durará esta fase de «contenção» é uma incógnita. Mas os russos não farão nenhum movimento antes de tudo estar perfeitamente alinhado.
Agora, vejamos a guerra dos EUA contra o Irã e o que está acontecendo lá.
Há muitos anos os EUA são incapazes de chegar a um acordo. Um exemplo? O PRIMEIRO ponto do Memorando de Entendimento era o fim de quaisquer ações militares ou ameaças nesse sentido.
Trump sequer esperou 24 horas para renovar as suas ameaças (francamente ridículas).
É verdade que Trump é completamente insano, mas tal como aconteceu com Bush, Obama e Biden, quando o presidente está basicamente ausente, cada agência tem a sua própria política externa: uma para o Departamento de Estado, outra para a Defesa, outra para a CIA, outra para a Energia e ainda outra para o Comércio, etc., etc., etc. Os EUA são uma galinha decapitada a correr de um lado para o outro sem qualquer objetivo concreto.
Os neoconservadores estão em processo de perda de poder. Sim, neste momento, eles detêm todas as posições-chave (especialmente na mídia tradicional sionista dos EUA). Mas o povo dos EUA está finalmente despertando para a realidade de que vive sob um governo de ocupação estrangeira sionista. Isso já está criando ENORMES tensões internas.
Mas a situação piora:
Os neoconservadores e os diversos defensores do «Israel em primeiro lugar» querem A, enquanto a economia dos EUA e a economia mundial precisam de não-A.
Essa é a maior de todas as tensões: por mais que o Trump e a sua gangue desejassem fazer todo o tipo de coisas para punir «os mulás» (um termo sempre racista para descrever o outro lado, mesmo quando os americanos sequer compreendem o que «mulá» significa ou o que é).
Como resultado, a política dos EUA é ainda mais inconsistente do que a da UE. Ou, alternativamente, poderíamos dizer que a UE está cometendo suicídio por causa de seu ódio irracional por tudo que é russo, enquanto os EUA estão cometendo suicídio por causa de seu ódio irracional por tudo que é iraniano. Isso, somado ao narcisismo maligno terminal de TODA a classe dominante ocidental, é a receita perfeita para o desastre.
Aqui, precisamos listar duas verdades incontestáveis:
A UE/Otan não possui os meios militares para fazer nada em relação à Rússia; e
Os EUA não possuem os meios militares para fazer nada em relação ao Irã.
Há apenas uma possível exceção a esses dois axiomas: armas nucleares.
Considerando isso, podemos oferecer mais duas verdades incontestáveis:
Se a UE/Otan usar armas nucleares contra a Rússia, a Europa Ocidental simplesmente desaparecerá como civilização.
Se os EUA e/ou “Israel” usarem armas nucleares contra o Irã, não só não conseguirão alcançar algo concreto (o Irã e o restante do Eixo da Resistência não oferecem alvos lucrativos nem sequer significativos para ataques nucleares). O impacto político de qualquer uso de armas nucleares pelos EUA e/ou por «Israel» resultará no colapso rápido e total da sociedade norte-americana e no fim de «Israel» enquanto país. O fato de os sionistas no poder compreenderem ou não isso não faz qualquer diferença.
A reação política negativa a qualquer uso nuclear pelos EUA e/ou”Israel” resultará no colapso rápido e completo da sociedade americana e no fim de “Israel” como país. Se as sionocracias no poder entendem isso ou não, não faz diferença.
CONCLUSÕES
Ambas as partes constituintes do Ocidente estão claramente em seus últimos suspiros e caminham para uma crise ainda mais profunda.
Afirmo que, no caso da UE/Otan, o destino está selado e nada, nem mesmo a remoção de Starmer, fará diferença. O fato é que a classe dominante da UE/Otan quer uma guerra com os russos e conseguirá o que quer.
A situação com os EUA é muito mais complexa, especialmente agora que o lobby israelense e a economia americana estão em rota de colisão.
Scott Ritter estava certo: mais do que qualquer outra coisa, os americanos se preocupam com o próprio bolso e com a gasolina em seus carros. Isso os coloca firmemente na categoria de “potenciais antissemitas”; é apenas uma questão de tempo.
Se alguém perguntasse a qualquer americano: “Você quer que os EUA cometam suicídio econômico, militar, político e social em nome de Israel?”, cerca de 95% dos americanos diriam “de jeito nenhum”.
Quanto aos remanescentes fanáticos do MAGA e aos fanáticos religiosos inveterados, eles realmente não importam. Quanto à maioria dos judeus americanos, eles se opõem de fato às políticas e ações israelenses.
Neste momento, temos o seguinte: um Comandante-em-Chefe completamente insano e totalmente irresponsável, cercado por aspirantes inexperientes, covardes e estúpidos que não conseguiriam administrar nem uma loja de conveniência, quanto mais um país importante.
Então, qual é o “plano” deles (estou sendo generoso aqui)?
Primeiro, prolongar tudo até novembro, depois reagrupar e atacar novamente. É claro, como se os israelenses concordassem em sair do Líbano até novembro.
Veja bem, eles podem até fazer isso, mas isso não impedirá as operações de combate em Gaza e na Cisjordânia, e, portanto, o Hezbollah não interromperá as operações contra a entidade sionista.
Além disso, os israelenses não podem parar de bombardear o Líbano de qualquer maneira. Então, as chances de Bibi, Smotrich, Ben Gvir, Katz e o resto concordarem em manter um cessar fogo até novembro são altamente improváveis.
A rede de agentes de influência israelenses no EUA (Congresso, mídia, finanças, etc.) continuará a pressionar por políticas semelhantes às de Meir Kahane.
Quem poderia impedir isso, em teoria?
Trump. Ele não está mais na disputa e sua lealdade ao Partido Republicano é muito menor do que a sua lealdade à presidência e ao seu próprio ego. E o que está em jogo agora não é apenas uma derrota militar horrenda contra o IRÃ (!) e não contra a Rússia ou a China.
Sério? Apesar de toda a sua coragem e brilhantes sucessos militares, os iranianos não têm nem uma fração do poder de fogo que a Rússia e a China possuem. Se fossem derrotados pelo Irã, as chances dos EUA contra a Rússia ou a China seriam nulas.
Assim, Trump poderia decidir que o seu legado tem de ser diferente de apenas 1) a pior derrota da história militar dos EUA e 2) a pior crise econômica dos tempos modernos. E como os neoconservadores são uns idiotas incultos, extremamente mal-educados, arrogantes e narcisistas, Trump poderia simplesmente explodir e mandar-lhes dar o fora. Não estou a dizer que isto vá acontecer, apenas que poderia acontecer.
Um cenário muito mais provável é uma verdadeira mudança de regime, ou seja, não a substituição da Coca-Cola pela Pepsi-Cola, mas a remoção de todos os «refrigerantes» do poder, o que significa que uma elite governante diferente substituirá a atual.
Defendo que, embora não saibamos quando isto poderá acontecer, é quase certo que venha a acontecer em algum momento no futuro.
Conclusão: embora já não tenha esperanças nos imbecis da UE/Otan, ainda tenho esperança nos EUA: embora a transição seja longa, caótica e, possivelmente, dolorosa, os EUA têm um potencial real, especialmente se o regime atual (refiro-me a isso em termos técnicos, não como um insulto) for substituído por uma espécie de Confederação de estados norte-americanos com grande autonomia atribuída aos estados.
Acrescente-se a isto uma grande riqueza natural, uma população diversificada e trabalhadora, muita energia e segurança estratégica (ninguém pode nem quer ameaçar os EUA).
Mais cedo ou mais tarde, o hospedeiro (os EUA) livrar-se-á do parasita que atualmente o paralisa, e o país terá um futuro real, não como hegemonia mundial — claro, esse barco já partiu —, mas, mesmo assim, como uma grande potência.
Por último, recomendo não se perder em pormenores como o que Trump disse ontem ou hoje (isso vai mudar 50 vezes de qualquer forma) ou quantos mísseis de longo alcance a Otan pode disparar contra a Rússia. Estas são as árvores, olhem para a floresta.
Algumas observações finais:
Podemos ter a certeza absoluta de que, antes de a colônia sionista se render, os seus líderes usarão armas nucleares e irão explodir a mesquita de al-Aqsa. Não se trata de uma questão de «se», mas sim de «quando».
Existe uma possibilidade concreta de os EUA poderem utilizar armas nucleares contra o Irã. Considero isso menos provável do que «Israel» o fazer, mas também é uma possibilidade real (para um narcisista extremo como Trump utilizar armas nucleares é muito, MUITO preferível a uma humilhante perda de prestígio!).
E a conclusão mais importante: nenhum destes conflitos (na verdade, batalhas diferentes dentro da mesma guerra) será resolvido por meio de negociações.
O Irã e a Rússia terão de derrotar completamente a oposição, tal como a URSS fez em 1945.
Se Kiev será tomada ou não é motivo de discussão, e Washington, ao contrário de Berlim, não será tomada fisicamente — mas o resultado será o mesmo: uma derrota militar completa e abrangente para o Ocidente.
Por ora da minha parte é tudo.
*Borislav Radmanovich é analista geopolítico.
Copiei do indispensável O QUE DE MIM SOU EU
segunda-feira, 27 de abril de 2026
“Ô saudade que eu tava da vida de cachorrada, da vida de putaria” (Gusttavo Lima)
Quando ouvi pela primeira falar em ‘sertanejo universitário’, a ideia que me passou pela cabeça é que se tratava de uma versão mais elaborada do sertanejo ‘mainstream’ que dominava o mercado, também conhecido como ‘sertanejo romântico’, de duplas como Chitãozinho & Xororó, Leandro & Leonardo e Zezé di Camargo & Luciano. O adjetivo ‘universitário’ sugeria, um refinamento estético, algo que teve precedentes com outros estilos musicais populares - como o antigo ‘brega’ e a ‘jovem guarda’ – que, ao dialogarem com públicos mais exigentes e escolarizados, sofreram releituras. Exemplos: Caetano interpretando Peninha e Adriana Calcanhotto reinventando Leno & Lílian.
Fiz uma associação (que se mostrou indevida) com o chamado “forró universitário” dos anos 90, uma derivação do forró ‘pé de serra’ de nomes lendários como os de Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro, conferindo ao ritmo um toque mais pop e urbano, porém sem causar uma ruptura em sua base rítmica, centrada no trio sanfona/zabumba/triângulo e sem romper com seu contexto simbólico, ligado ao cotidiano nordestino.
Para entender melhor esse processo, é preciso recuar um pouco. O sertanejo original (rebatizado de ‘sertanejo raiz’) estava ligado à figura do homem simples do interior (estigmatizado na figura do Jeca Tatu) e à sonoridade da viola caipira. Duplas como Cascatinha & Inhana, Tião Carreiro & Pardinho e Pena Branca & Xavantinho são frutos dessa linhagem que manteve os traços da cultura pura do campo.
A partir dos anos 80/90, o gênero passou por uma transmutação significativa, incorporando a guitarra elétrica, sofrendo influência do pop internacional e adotando padrões inspirados no country norte-americano como o uso de chapéu e figurino de cowboy A ênfase a temas românticos, propiciou-lhe grande sucesso de vendas. Canções como “É o Amor” (Zezé & Luciano) e “Evidências” (Ch & X) marcaram essa fase.
Foi nos anos 2000 que desponta o tal sertanejo universitário que, diferentemente do forró universitário, renegou a essência do ritmo que lhe deu à luz. Nada tem a ver com o estereótipo do homem do interior, sua religiosidade, seus valores simplórios, sua aparência humilde. Em seu lugar, surge o machão individualista, endinheirado, trajado com roupas de grife, jaquetas de couro e penteados estilosos. Visava atingir um público mais ‘descolado’, conectado em novos padrões de comportamento. Para tanto, lançou mão de teclados, sintetizadores e estruturas rítmicas mais dançáveis para seduzir frequentadores de baladas.
O termo ‘universitário’ revela-se ambíguo. Ao contrário do que poderia sugerir, não indica um salto de sofisticação estética, apenas uma estratégia de marketing, um rótulo para fascinar um público mais jovem, urbano e ambicioso em ascender socialmente, inclusive através de formação acadêmica. A explosão do número de faculdades, sobretudo privadas, gerou uma enxurrada de formandos, orientados mais pela lógica de mercado do que pelo rigor acadêmico. Essa mudança de perfil ocasionou um reducionismo de repertório e um menor senso crítico. Esse crescente contingente ‘universitário’ foi capturado pelos neosertanejos que lhes ofereciam produtos de fácil assimilação, compatíveis com suas demandas.
Os representantes do estilo gostam de embalar sua trajetória exitosa na retórica da meritocracia, atribuindo a ‘bênção’ do sucesso a seu pretenso talento. Com isso, constroem a imagem de quem ‘venceu na vida’, desfilando envaidecidos nos palcos como nova elite econômica do entretenimento. Amparados por uma presença digital massiva, convertem a popularidade em negócio, diversificando as receitas com marcas próprias e publicidade, incluindo apostas esportivas (bets), sem contar os cachês milionários.
Em termos artísticos, o sertanejo universitário, apesar do título pretensioso, deu um passo atrás em relação ao sertanejo romântico. As melodias tornaram-se ainda mais previsíveis e sem inspiração, as letras frívolas tratam de relações afetivas descartáveis, exaltação à farra e à bebedeira, reservando à mulher o papel de objeto sexual.
Apesar de exibir invejáveis números no streaming, o subgênero não adquiriu relevância. Os críticos torcem o nariz para ele. São canções banais, sem criatividade, com prazo curto de validade, que não permanecem na memória afetiva. Para aqueles que concebem música como manifestação artística, o sertanejo universitário representa uma completa decepção para um país que possui diversidade rítmica e riqueza melódica que se tornou referência internacional.
Sua expansão, ao contrário do que se imagina, não brotou espontaneamente do gosto popular, mas de uma portentosa engrenagem de impulsionamento financiada pelo agronegócio que ganhou peso com a crescente importância dessa atividade da economia do país. Isso explica a hegemonia do ritmo na programação das emissoras de rádio, sobretudo do interior. Shows, feiras agropecuárias e rodeios bancados por pequenas prefeituras, controladas por políticos vinculados ao agro, ajudaram a bombar o gênero.
A forte ligação com o agro traduz-se na esfera política a alinhamento a valores conservadores. Diferentemente de outros segmentos artísticos, parte expressiva do sertanejo está fortemente vinculada ao bolsonarismo, não raro manifestado em suas preferências políticas. Embora acusem astros como Anitta, Pabllo Vittar, Caetano e Gil por pretensamente usarem recursos da Lei Rouanet, levantamentos demonstram que os 10 maiores beneficiários de recursos públicos provêm todos do mundo sertanejo, liderados por Gusttavo Lima, e Bruno & Marrone.
Dominante no cenário nacional, o gênero encontra resistências como em capitais do Norte/Nordeste como Recife e Belém, onde prevalecem ritmos regionais, e sobretudo no Rio de Janeiro, território livre do sertanejo, onde o ritmo ocupa um modesto 6º lugar na escala de preferência, atrás de MPB, samba/pagode, gospel, rock e funk. Também no exterior, mesmo em países vizinhos, o estilo não pegou. Os gringos que se renderam à bossa nova e ao samba, não se deixaram encantar pelo lenga-lenga sertanejo e sua parafernália tecnológica.
É comum também a comparação com o funk carioca. Ambos são populares, comerciais e criticados pelo teor sexual presente em suas letras. Mas há diferenças marcantes. O sertanejo, por trás de uma postura aparentemente pudica, promove condutas amorais e obscenas, enquanto o funk é premeditadamente chulo e insolente, refletindo o comportamento transgressor das periferias, ambiente de desigualdade e exclusão, tornando-se forma de expressão e pertencimento nesses territórios. Ademais, o funk não tem o suporte financeiro institucional de que dispõe o sertanejo. Sua ascensão nas plataformas de streaming incomoda o sertanejo que usa diversos expedientes para barrá-lo e desacreditá-lo. Apesar de o funk se sobressair nos rankings digitais, foi bloqueado nas emissoras de rádio por pressões econômicas (jabás). Os sertanejos ficaram mordidos com o crescimento do funk, com seu apelo sensorial que conquistou boa parte da juventude pela batida e pela dança.
No fim das contas, o ‘universitário’ do sertanejo diz menos sobre universidade e mais sobre mercado. Representa, na prática, um flagrante empobrecimento artístico, levando os críticos, preocupados com a pauperização musical, a se perguntar até onde vai o fundo do poço.
Postado por sergio sayeg
XXX---XXX
O Ornitorrinco Boquirroto proclama, em alto e bom som:
1. No meu governo, logo após a posse, mandarei prender todos e todas que cantam o tal de sertanejo universitário.
2. Serão levados para Goiás, em área remota e, depois de devidamente esterilizados - para que procriem jamais, ouvirão 24 horas/dia, com o som arregaçado, suas próprias canções, em looping.
3. Aos domingos, para demonstrar a generosidade da minha gestão, ouvirão, nas mesmas condições, musica gospel gosmenta.
4. Estejam, pois, muito bem avisados.
Tiê,
nenhum ar pôde te escapar
Nessa vida o asmático que mais vi respirar
me deixou com seu próprio peito apertado
e o meu com o cheiro do nosso sangue
Fosse antes um anjinho alado
Quem se foi era meu punk sem gangue
que disse sem que eu soubesse
que encontrou revolucionários
depois que parou de procurar a revolução
Antes cantássemos igual canários
cantamos como canta quando late um cão
Meu priminho, meu irmãozão
Quanta dor no coração
Quem me viu nascer
tive que ver morrer
e te ver viver
me deu certeza que ainda existem
flores a crescer.
German Martins, 16/02/2026
XXX---XXX
1. Tiê é o apelido do meu neto Hiago, assassinado em 12/02/26, por um sujeito que é parte da escória humana.
2. German Martins é meio neto, meio filho, que resolveu ser poeta, como prova este poema que fez para o primo.
3. Amo vocês dois, Tiê e German.
Vô Paulo, 23/03/2026.
Poema para Hiago
Tão danado o Hiago lá no alto,
tão Hiago o alto lá danado,
tão alto o danado lá Hiago,
tão meu neto o Tiê lá na nuvem.
O meu menino andaluz
sobre as pedras e voa,
e toma a idéia de ir fiando o pano,
nele lançando o que há-de vir.
O pano tecido de idéias,
de não-limites, de sem-bordas.
Quando der por realidade,
já terá arribado em asas que,
agora, de-voar tem.
Pousa o meu menino,
é firme o chão daqui,
lugar de ir-se,
e desata risos.
É que Hiago pode o de voar
e são suas as asas de arribar o sonho.
(Curitiba, 18 de março de 2011)
Veja a matéria completa aqui, no indispensável DCM.
Um levantamento divulgado pela National Geographic aponta que a inteligência animal vai muito além dos primatas e inclui aves, mamíferos e até insetos. Segundo a publicação, características como memória, emoções, capacidade de comunicação e resolução de problemas são observadas em diferentes espécies, desmontando a ideia de que apenas animais próximos dos humanos apresentam comportamentos complexos.
Eis a lista completa:
– Corvos
– Golfinhos
– Chimpanzés
– Elefantes
– Cachorros
– Ratos
– Formigas
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O Ornitorrinco, cientista amador desocupado, pede a palavra para ressaltar que o gado bolsonarista e patriota não faz parte da lista, como era de se esperar, aliás.
Devo, antes, pedir desculpas, e admito que vou esquecer de muita gente, por saber que vocês não fazem parte disso, e nunca fizeram:
1. ao povo negro dos EUA, até hoje discriminado e morto pelas polícias brancas.
2. aos povos originários, que estavam lá desde sempre, e que foram chacinados e mandados para reservas onde vivem hoje em situação de miséria e de abandono, exceto, talvez, onde funcionam cassinos criminosos.
3. a Bob Dylan, Martin Luther King, Angela Davis e Roberta Flack, Grateful Dead. Jefferson Starship, Muddy Waters, BB King e a todos os bluesmen, a Janis Joplin, Aretha Franklin, Billie Hollyday, Jack Kerouack, Lou Reed, James Taylor, Carole King, Melody Gardot, todos e todas que lutaram contra a porra da guerra no Vietnam.
Bem, pedidas as desculpas necessárias, que serão atualizadas, permitam-me: