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Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.

domingo, 28 de junho de 2026

Duas guerras, a caminho de um mesmo (e trágico) desfecho

O Ornitorrinco reconhece ter, liminarmente, cacholinha de poucas e bruxuleantes luzes, mas ousa recomendar a leitura atenta deste artigo.

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Copiei do indispensável VIOMUNDO

27/06/2026, por Borislav Radmanovich*

Eu estava evitando escrever análises simplesmente porque o que é verdade agora geralmente se torna falso em um ou dois dias, às vezes em poucas horas. No entanto, se encararmos esse caos não como  bug, mas como projeto, podemos fazer alguns comentários.

Vamos começar com a guerra da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) contra a Rússia. Aqui está um resumo do que está acontecendo.

Os russos intensificaram suas operações de ataque, assim como a Otan.

Os russos ainda não desferiram o tipo de golpe decisivo que muitos (inclusive eu) estão esperando.

De acordo com todos os relatos, as forças russas atualmente possuem efetivo mais do que suficiente para se envolver em uma grande guerra, e também é inegável que a Rússia mantém a maior parte de seus meios de ataque na reserva. A Rússia está, sem dúvida, se preparando para um grande confronto.

Em terra, os russos avançaram por toda parte, mas a grande notícia é a queda da cidade de Konstantinovka, o que significa que os russos iniciaram a operação para retomar o controle da última parte da República Popular de Donetsk, as fortificações da área urbana de Kramatorsk-Slaviansk. Este é o último bastião da Otan no leste da Ucrânia.

A guerra no sul está se tornando relativamente vantajosa para os russos, que praticamente destruíram a linha de abastecimento da Otan para Odessa.

A Crimeia também sofre e as linhas russas de abastecimento estão sendo afetadas pelos ataques da Otan, mas isso não altera a situação, é apenas mais um incômodo para lidar.

Entretanto, os eurocretinos forneceram à Ucrânia um grande número de drones de longo alcance. A Rússia normalmente intercepta cerca de 90% a 95% deles, o que significa que, quando centenas de drones são lançados contra a Rússia, alguns SEMPRE escaparão às defesas aéreas russas e atingirão algo.

A Rússia é muito grande, tem alvos demais, para defender todos. Em alguns locais, consegue 100% de eficácia ocasionalmente e  90% a 95% na maioria das vezes. Então, alguns drones continuarão a penetrar as defesas e a atingir a Rússia, não importa o que esta faça.

Como a linha de frente é muito maior do que a área da maioria dos países da UE — tem mais de 1000 km de extensão — é tecnicamente impossível deter todos os drones da Otan, que são pouco visíveis nos radares russos e voam baixo.

Para os drones FPV (First Person View, guiados por operador humano) na linha de frente, os russos encontraram a solução: criaram o grupo especial Rubikon, que simplesmente eliminou tantos operadores de drones da Otan que eles não puderam operar como planejado.

No caso de drones de longo alcance, a Rússia decidiu atacar toda a cadeia de entrega à montante: os drones da Otan são lançados de plataformas rebocadas especiais. A Rússia agora está caçando-as. Depois, essas plataformas precisam de caminhões de reboque. A Rússia também está caçando-os.

A seguir, esses caminhões de reboque precisam de gasolina. A Rússia agora está destruindo sistematicamente todos os postos de gasolina no leste da Ucrânia. Os guinchos precisam de peças de reposição e reparos, e a Rússia está destruindo todas as oficinas mecânicas a leste do rio Dniepr.

E, claro, a Rússia também está atacando usinas de energia e refinarias. Em seguida, e isto é MUITO importante, a Rússia começou a explodir as principais instalações de montagem de drones da Otan na Ucrânia (escondidas em correios, lojas de pneus, shoppings, escolas, etc.).

Esta nova política russa funcionará ou falhará. No último caso, a Rússia não terá outra opção senão atacar as fábricas de drones no Reino Unido e na União Europeia (UE).

Os britânicos querem dar aos ucranianos 150.000 drones FPV antes do final do ano (e mais de 350 mísseis de defesa aérea e sistemas de radar terrestres). Parece-me que eles têm um desejo suicida. Ou  não?

Zelenski agora está ameaçando a Bielorrússia de uma maneira extremamente detestável e provocadora. Portanto, parece mesmo que a Otan decidiu que uma escalada é uma boa ideia. Isso provavelmente se baseia na noção equivocada de que os EUA estão dispostos a cometer suicídio nuclear para ajudar a UE. Esta nunca foi a verdadeira política dos EUA, nem durante a Guerra Fria nem hoje em dia.

A julgar pela verborragia dos eurocretinos, eles estão absolutamente determinados a entrar uma guerra em grande escala com a Rússia.

Os ataques da Otan à Rússia têm alguns efeitos: 1) o principal é político: o povo russo está furioso e exige uma forte retaliação; 2) o impacto econômico é modesto, já que a maior parte dos danos é fácil de reparar; dito isso, está começando a afetar os preços do gás russo e até a sua disponibilidade em algumas regiões (Crimeia), então isso não pode durar e definitivamente não pode piorar. Em outras palavras, a Rússia terá que fazer algo em relação a esses ataques profundos.

Essa situação, então, não pode se prolongar e definitivamente não se pode permitir que piore ainda mais. Em outras palavras, a Rússia terá de tomar medidas face a estes ataques profundos.

Por todos esses motivos, não vejo nenhuma possibilidade de um desfecho pacífico. A menos que um milagre ocorra, a Rússia atacará a UE. A única dúvida é quando.

Neste momento, Putin está usando o seu capital de credibilidade pessoal para garantir ao povo russo que a contenção (que a Rússia está, obviamente, a praticar) é a política certa: para começar, a Rússia não precisa de imitar o Ocidente e «fazer alguma coisa» para «enviar uma mensagem».

A Rússia não está no negócio de «enviar mensagens», mas sim no negócio de ganhar a guerra, o que significa que cabe ao Estado-Maior russo escolher a melhor forma e o melhor momento para contra-atacar. Embora as pessoas impacientes (como eu) tenham de aceitar o fato de que o Kremlin não se importa com o que pensamos, o Kremlin só se preocupa com o que pensam os generais russos de alta patente, e estes estão claramente se contendo.

Quanto tempo durará esta fase de «contenção» é uma incógnita. Mas os russos não farão nenhum movimento antes de tudo estar perfeitamente alinhado.

Agora, vejamos a guerra dos EUA contra o Irã e o que está acontecendo lá.

Há muitos anos os EUA são incapazes de chegar a um acordo. Um exemplo? O PRIMEIRO ponto do Memorando de Entendimento era o fim de quaisquer ações militares ou ameaças nesse sentido.

Trump sequer esperou 24 horas para renovar as suas ameaças (francamente ridículas).

É verdade que Trump é completamente insano, mas tal como aconteceu com Bush, Obama e Biden, quando o presidente está basicamente ausente, cada agência tem a sua própria política externa: uma para o Departamento de Estado, outra para a Defesa, outra para a CIA, outra para a Energia e ainda outra para o Comércio, etc., etc., etc. Os EUA são uma galinha decapitada a correr de um lado para o outro sem qualquer objetivo concreto.

Os neoconservadores estão em processo de perda de poder. Sim, neste momento, eles detêm todas as posições-chave (especialmente na mídia tradicional sionista dos EUA). Mas o povo dos EUA está finalmente despertando para a realidade de que vive sob um governo de ocupação estrangeira sionista. Isso já está criando ENORMES tensões internas.

Mas a situação piora:

Os neoconservadores e os diversos defensores do «Israel em primeiro lugar» querem A, enquanto a economia dos EUA e a economia mundial precisam de não-A.

Essa é a maior de todas as tensões: por mais que o Trump e a sua gangue desejassem fazer todo o tipo de coisas para punir «os mulás» (um termo sempre racista para descrever o outro lado, mesmo quando os americanos sequer compreendem o que «mulá» significa ou o que é).

Como resultado, a política dos EUA é ainda mais inconsistente do que a da UE. Ou, alternativamente, poderíamos dizer que a UE está cometendo suicídio por causa de seu ódio irracional por tudo que é russo, enquanto os EUA estão cometendo suicídio por causa de seu ódio irracional por tudo que é iraniano. Isso, somado ao narcisismo maligno terminal de TODA a classe dominante ocidental, é a receita perfeita para o desastre.

Aqui, precisamos listar duas verdades incontestáveis:

A UE/Otan não possui os meios militares para fazer nada em relação à Rússia; e

Os EUA não possuem os meios militares para fazer nada em relação ao Irã.

Há apenas uma possível exceção a esses dois axiomas: armas nucleares.

Considerando isso, podemos oferecer mais duas verdades incontestáveis:

Se a UE/Otan usar armas nucleares contra a Rússia, a Europa Ocidental simplesmente desaparecerá como civilização.

Se os EUA e/ou “Israel” usarem armas nucleares contra o Irã, não só não conseguirão alcançar algo concreto (o Irã e o restante do Eixo da Resistência não oferecem alvos lucrativos nem sequer significativos para ataques nucleares). O impacto político de qualquer uso de armas nucleares pelos EUA e/ou por «Israel» resultará no colapso rápido e total da sociedade norte-americana e no fim de «Israel» enquanto país. O fato de os sionistas no poder compreenderem ou não isso não faz qualquer diferença.

A reação política negativa a qualquer uso nuclear pelos EUA e/ou”Israel” resultará no colapso rápido e completo da sociedade americana e no fim de “Israel” como país. Se as sionocracias no poder entendem isso ou não, não faz diferença.

CONCLUSÕES

Ambas as partes constituintes do Ocidente estão claramente em seus últimos suspiros e caminham para uma crise ainda mais profunda.

Afirmo que, no caso da UE/Otan, o destino está selado e nada, nem mesmo a remoção de Starmer, fará diferença. O fato é que a classe dominante da UE/Otan quer uma guerra com os russos  e conseguirá o que quer.

A situação com os EUA é muito mais complexa, especialmente agora que o lobby israelense e a economia americana estão em rota de colisão.

Scott Ritter estava certo: mais do que qualquer outra coisa, os americanos se preocupam com o próprio bolso e com a gasolina em seus carros. Isso os coloca firmemente na categoria de “potenciais antissemitas”; é apenas uma questão de tempo.

Se alguém perguntasse a qualquer americano: “Você quer que os EUA cometam suicídio econômico, militar, político e social em nome de Israel?”, cerca de 95% dos americanos diriam “de jeito nenhum”.

Quanto aos remanescentes fanáticos do MAGA e aos fanáticos religiosos inveterados, eles realmente não importam. Quanto à maioria dos judeus americanos, eles se opõem de fato às políticas e ações israelenses.

Neste momento, temos o seguinte: um Comandante-em-Chefe completamente insano e totalmente irresponsável, cercado por aspirantes inexperientes, covardes e estúpidos que não conseguiriam administrar nem uma loja de conveniência, quanto mais um país importante.

Então, qual é o “plano” deles (estou sendo generoso aqui)?

Primeiro, prolongar tudo até novembro, depois reagrupar e atacar novamente. É claro, como se os israelenses concordassem em sair do Líbano até novembro.

Veja bem, eles podem até fazer isso, mas isso não impedirá as operações de combate em Gaza e na Cisjordânia, e, portanto, o Hezbollah não interromperá as operações contra a entidade sionista.

Além disso, os israelenses não podem parar de bombardear o Líbano de qualquer maneira. Então, as chances de Bibi, Smotrich, Ben Gvir, Katz e o resto concordarem em manter um cessar fogo até novembro são altamente improváveis.

A rede de agentes de influência israelenses no EUA (Congresso, mídia, finanças, etc.) continuará a pressionar por políticas semelhantes às de Meir Kahane.

Quem poderia impedir isso, em teoria?

Trump. Ele não está mais na disputa e sua lealdade ao Partido Republicano é muito menor do que a sua lealdade à presidência e ao seu próprio ego. E o que está em jogo agora não é apenas uma derrota militar horrenda contra o IRÃ (!) e não contra a Rússia ou a China.

Sério? Apesar de toda a sua coragem e brilhantes sucessos militares, os iranianos não têm nem uma fração do poder de fogo que a Rússia e a China possuem. Se fossem derrotados pelo Irã, as chances dos EUA contra a Rússia ou a China seriam nulas.

Assim, Trump poderia decidir que o seu legado tem de ser diferente de apenas 1) a pior derrota da história militar dos EUA e 2) a pior crise econômica dos tempos modernos. E como os neoconservadores são uns idiotas incultos, extremamente mal-educados, arrogantes e narcisistas, Trump poderia simplesmente explodir e mandar-lhes dar o fora. Não estou a dizer que isto vá acontecer, apenas que poderia acontecer.

Um cenário muito mais provável é uma verdadeira mudança de regime, ou seja, não a substituição da Coca-Cola pela Pepsi-Cola, mas a remoção de todos os «refrigerantes» do poder, o que significa que uma elite governante diferente substituirá a atual.

Defendo que, embora não saibamos quando isto poderá acontecer, é quase certo que venha a acontecer em algum momento no futuro.

Conclusão: embora já não tenha esperanças nos imbecis da UE/Otan, ainda tenho esperança nos EUA: embora a transição seja longa, caótica e, possivelmente, dolorosa, os EUA têm um potencial real, especialmente se o regime atual (refiro-me a isso em termos técnicos, não como um insulto) for substituído por uma espécie de Confederação de estados norte-americanos com grande autonomia atribuída aos estados.

Acrescente-se a isto uma grande riqueza natural, uma população diversificada e trabalhadora, muita energia e segurança estratégica (ninguém pode nem quer ameaçar os EUA).

Mais cedo ou mais tarde, o hospedeiro (os EUA) livrar-se-á do parasita que atualmente o paralisa, e o país terá um futuro real, não como hegemonia mundial — claro, esse barco já partiu —, mas, mesmo assim, como uma grande potência.

Por último, recomendo não se perder em pormenores como o que Trump disse ontem ou hoje (isso vai mudar 50 vezes de qualquer forma) ou quantos mísseis de longo alcance a Otan pode disparar contra a Rússia. Estas são as árvores, olhem para a floresta.

Algumas observações finais:

Podemos ter a certeza absoluta de que, antes de a colônia sionista se render, os seus líderes usarão armas nucleares e irão explodir a mesquita de al-Aqsa. Não se trata de uma questão de «se», mas sim de «quando».

Existe uma possibilidade concreta de os EUA poderem utilizar armas nucleares contra o Irã. Considero isso menos provável do que «Israel» o fazer, mas também é uma possibilidade real (para um narcisista extremo como Trump utilizar armas nucleares é muito, MUITO preferível a uma humilhante perda de prestígio!).

E a conclusão mais importante: nenhum destes conflitos (na verdade, batalhas diferentes dentro da mesma guerra) será resolvido por meio de negociações.

O Irã e a Rússia terão de derrotar completamente a oposição, tal como a URSS fez em 1945.

Se Kiev será tomada ou não é motivo de discussão, e Washington, ao contrário de Berlim, não será tomada fisicamente — mas o resultado será o mesmo: uma derrota militar completa e abrangente para o Ocidente.

Por ora da minha parte é tudo. 

*Borislav Radmanovich é analista geopolítico.

terça-feira, 12 de maio de 2026

ATENÇÃO, BOLSONARISTAS, MUITA ATENÇÃO!!!

A Anvisa acaba de proibir os seguintes procedimentos:

1. Lavar-se com gasolina, ou álcool ou querosene e, ato contínuo, acender um fósforo!

2. Beber e/ou lavar-se com soda cáustica!

3. Adquirir e consumir alimentos vencidos, ou de aspecto estranho e odor fedorento!
 
4. Adquirir e conduzir bicicletas sem rodas!

5. Adquirir e conduzir motocicletas sem guidões e rodas!
 
6. Jogar-se de prédios, pontes e viadutos!

E, finalmente, vejam que absurdo, que atentado à liberdade de expressão:

7. Untar o dedão na gosma do ódio e da violência e introduzi-lo no seu rabão fascista e sujo e, de inopino, realizar movimento rápido e vigoroso que resulte na completa rasgadura do seu fiofó!

Vocês não vão reagir??? 


terça-feira, 28 de abril de 2026

SERTANEJO UNIVERSITÁRIO

Copiei do indispensável  O QUE DE MIM SOU EU  

segunda-feira, 27 de abril de 2026


“Ô saudade que eu tava da vida de cachorrada, da vida de putaria” (Gusttavo Lima)

Quando ouvi pela primeira falar em ‘sertanejo universitário’, a ideia que me passou pela cabeça é que se tratava de uma versão mais elaborada do sertanejo ‘mainstream’ que dominava o mercado, também conhecido como ‘sertanejo romântico’, de duplas como Chitãozinho & Xororó, Leandro & Leonardo e Zezé di Camargo & Luciano. O adjetivo ‘universitário’ sugeria, um refinamento estético, algo que teve precedentes com outros estilos musicais populares - como o antigo ‘brega’ e a ‘jovem guarda’ – que, ao dialogarem com públicos mais exigentes e escolarizados, sofreram releituras. Exemplos: Caetano interpretando Peninha e Adriana Calcanhotto reinventando Leno & Lílian.

Fiz uma associação (que se mostrou indevida) com o chamado “forró universitário” dos anos 90, uma derivação do forró ‘pé de serra’ de nomes lendários como os de Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro, conferindo ao ritmo um toque mais pop e urbano, porém sem causar uma ruptura em sua base rítmica, centrada no trio sanfona/zabumba/triângulo e sem romper com seu contexto simbólico, ligado ao cotidiano nordestino.

Para entender melhor esse processo, é preciso recuar um pouco. O sertanejo original (rebatizado de ‘sertanejo raiz’) estava ligado à figura do homem simples do interior (estigmatizado na figura do Jeca Tatu) e à sonoridade da viola caipira. Duplas como Cascatinha & Inhana, Tião Carreiro & Pardinho e Pena Branca & Xavantinho são frutos dessa linhagem que manteve os traços da cultura pura do campo.

A partir dos anos 80/90, o gênero passou por uma transmutação significativa, incorporando a guitarra elétrica, sofrendo influência do pop internacional e adotando padrões inspirados no country norte-americano como o uso de chapéu e figurino de cowboy A ênfase a temas românticos, propiciou-lhe grande sucesso de vendas. Canções como “É o Amor” (Zezé & Luciano) e “Evidências” (Ch & X) marcaram essa fase.

Foi nos anos 2000 que desponta o tal sertanejo universitário que, diferentemente do forró universitário, renegou a essência do ritmo que lhe deu à luz. Nada tem a ver com o estereótipo do homem do interior, sua religiosidade, seus valores simplórios, sua aparência humilde. Em seu lugar, surge o machão individualista, endinheirado, trajado com roupas de grife, jaquetas de couro e penteados estilosos. Visava atingir um público mais ‘descolado’, conectado em novos padrões de comportamento. Para tanto, lançou mão de teclados, sintetizadores e estruturas rítmicas mais dançáveis para seduzir frequentadores de baladas.

O termo ‘universitário’ revela-se ambíguo. Ao contrário do que poderia sugerir, não indica um salto de sofisticação estética, apenas uma estratégia de marketing, um rótulo para fascinar um público mais jovem, urbano e ambicioso em ascender socialmente, inclusive através de formação acadêmica. A explosão do número de faculdades, sobretudo privadas, gerou uma enxurrada de formandos, orientados mais pela lógica de mercado do que pelo rigor acadêmico. Essa mudança de perfil ocasionou um reducionismo de repertório e um menor senso crítico. Esse crescente contingente ‘universitário’ foi capturado pelos neosertanejos que lhes ofereciam produtos de fácil assimilação, compatíveis com suas demandas.

Os representantes do estilo gostam de embalar sua trajetória exitosa na retórica da meritocracia, atribuindo a ‘bênção’ do sucesso a seu pretenso talento. Com isso, constroem a imagem de quem ‘venceu na vida’, desfilando envaidecidos nos palcos como nova elite econômica do entretenimento. Amparados por uma presença digital massiva, convertem a popularidade em negócio, diversificando as receitas com marcas próprias e publicidade, incluindo apostas esportivas (bets), sem contar os cachês milionários.

Em termos artísticos, o sertanejo universitário, apesar do título pretensioso, deu um passo atrás em relação ao sertanejo romântico. As melodias tornaram-se ainda mais previsíveis e sem inspiração, as letras frívolas tratam de relações afetivas descartáveis, exaltação à farra e à bebedeira, reservando à mulher o papel de objeto sexual.

Apesar de exibir invejáveis números no streaming, o subgênero não adquiriu relevância. Os críticos torcem o nariz para ele. São canções banais, sem criatividade, com prazo curto de validade, que não permanecem na memória afetiva. Para aqueles que concebem música como manifestação artística, o sertanejo universitário representa uma completa decepção para um país que possui diversidade rítmica e riqueza melódica que se tornou referência internacional.

Sua expansão, ao contrário do que se imagina, não brotou espontaneamente do gosto popular, mas de uma portentosa engrenagem de impulsionamento financiada pelo agronegócio que ganhou peso com a crescente importância dessa atividade da economia do país. Isso explica a hegemonia do ritmo na programação das emissoras de rádio, sobretudo do interior. Shows, feiras agropecuárias e rodeios bancados por pequenas prefeituras, controladas por políticos vinculados ao agro, ajudaram a bombar o gênero.

A forte ligação com o agro traduz-se na esfera política a alinhamento a valores conservadores. Diferentemente de outros segmentos artísticos, parte expressiva do sertanejo está fortemente vinculada ao bolsonarismo, não raro manifestado em suas preferências políticas. Embora acusem astros como Anitta, Pabllo Vittar, Caetano e Gil por pretensamente usarem recursos da Lei Rouanet, levantamentos demonstram que os 10 maiores beneficiários de recursos públicos provêm todos do mundo sertanejo, liderados por Gusttavo Lima, e Bruno & Marrone.

Dominante no cenário nacional, o gênero encontra resistências como em capitais do Norte/Nordeste como Recife e Belém, onde prevalecem ritmos regionais, e sobretudo no Rio de Janeiro, território livre do sertanejo, onde o ritmo ocupa um modesto 6º lugar na escala de preferência, atrás de MPB, samba/pagode, gospel, rock e funk. Também no exterior, mesmo em países vizinhos, o estilo não pegou. Os gringos que se renderam à bossa nova e ao samba, não se deixaram encantar pelo lenga-lenga sertanejo e sua parafernália tecnológica.

É comum também a comparação com o funk carioca. Ambos são populares, comerciais e criticados pelo teor sexual presente em suas letras. Mas há diferenças marcantes. O sertanejo, por trás de uma postura aparentemente pudica, promove condutas amorais e obscenas, enquanto o funk é premeditadamente chulo e insolente, refletindo o comportamento transgressor das periferias, ambiente de desigualdade e exclusão, tornando-se forma de expressão e pertencimento nesses territórios. Ademais, o funk não tem o suporte financeiro institucional de que dispõe o sertanejo. Sua ascensão nas plataformas de streaming incomoda o sertanejo que usa diversos expedientes para barrá-lo e desacreditá-lo. Apesar de o funk se sobressair nos rankings digitais, foi bloqueado nas emissoras de rádio por pressões econômicas (jabás). Os sertanejos ficaram mordidos com o crescimento do funk, com seu apelo sensorial que conquistou boa parte da juventude pela batida e pela dança.

No fim das contas, o ‘universitário’ do sertanejo diz menos sobre universidade e mais sobre mercado. Representa, na prática, um flagrante empobrecimento artístico, levando os críticos, preocupados com a pauperização musical, a se perguntar até onde vai o fundo do poço.

Postado por sergio sayeg

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O Ornitorrinco Boquirroto proclama, em alto e bom som:


1. No meu governo, logo após a posse, mandarei prender todos e todas que cantam o tal de sertanejo universitário.

2. Serão levados para Goiás, em área remota e, depois de devidamente esterilizados - para que procriem jamais, ouvirão 24 horas/dia, com o som arregaçado, suas próprias canções, em looping.

3. Aos domingos, para demonstrar a generosidade da minha gestão, ouvirão, nas mesmas condições, musica gospel gosmenta.

4. Estejam, pois, muito bem avisados. 

segunda-feira, 23 de março de 2026

POEMA PARA TIÊ (por German Martins da Rocha)

 Tiê,

nenhum ar pôde te escapar

Nessa vida o asmático que mais vi respirar

me deixou com seu próprio peito apertado

e o meu com o cheiro do nosso sangue

Fosse antes um anjinho alado

Quem se foi era meu punk sem gangue

que disse sem que eu soubesse

que encontrou revolucionários

depois que parou de procurar a revolução

Antes cantássemos igual canários

cantamos como canta quando late um cão

Meu priminho, meu irmãozão

Quanta dor no coração

Quem me viu nascer

tive que ver morrer

e te ver viver

me deu certeza que ainda existem 

flores a crescer.

German Martins, 16/02/2026

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1. Tiê é o apelido do meu neto Hiago, assassinado em 12/02/26, por um sujeito que é parte da escória humana.

2. German Martins é meio neto, meio filho, que resolveu ser poeta, como prova este poema que fez para o primo.

3. Amo vocês dois, Tiê e German.

Vô Paulo, 23/03/2026.  


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Dor infinita: Hiago, que me inaugurou como avô, foi morto ontem à noite, aos 26 anos

 Poema para Hiago


Tão danado o Hiago lá no alto,

tão Hiago o alto lá danado,

tão alto o danado lá Hiago,

tão meu neto o Tiê lá na nuvem.

O meu menino andaluz

sobre as pedras e voa,

e toma a idéia de ir fiando o pano,

nele lançando o que há-de vir.

O pano tecido de idéias,

de não-limites, de sem-bordas.

Quando der por realidade,

já terá arribado em asas que,

agora, de-voar tem.

Pousa o meu menino,

é firme o chão daqui,

lugar de ir-se,

e desata risos.

É que Hiago pode o de voar

e são suas as asas de arribar o sonho.

(Curitiba, 18 de março de 2011)

domingo, 25 de janeiro de 2026

Os animais e os insetos mais inteligentes do mundo; veja a lista

Veja a matéria completa aqui, no indispensável DCM. 

Um levantamento divulgado pela National Geographic aponta que a inteligência animal vai muito além dos primatas e inclui aves, mamíferos e até insetos. Segundo a publicação, características como memória, emoções, capacidade de comunicação e resolução de problemas são observadas em diferentes espécies, desmontando a ideia de que apenas animais próximos dos humanos apresentam comportamentos complexos.

Eis a lista completa:

– Corvos

– Golfinhos

– Chimpanzés

– Elefantes

– Cachorros

– Ratos

– Formigas

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O Ornitorrinco, cientista amador desocupado, pede a palavra para ressaltar que o gado bolsonarista e patriota não faz parte da lista, como era de se esperar, aliás. 

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Eu proclamo: os EUA são governados por um meliante escroto, um gangster internacional, um fascista alaranjado

Devo, antes, pedir desculpas, e admito que vou esquecer de muita gente, por saber que vocês não fazem parte disso, e nunca fizeram:

1. ao povo negro dos EUA, até hoje discriminado e morto pelas polícias brancas.

2. aos povos originários, que estavam lá desde sempre, e que foram chacinados e mandados para reservas onde vivem hoje em situação de miséria e de abandono, exceto, talvez, onde funcionam cassinos criminosos.

3. a Bob Dylan, Martin Luther King, Angela Davis e Roberta Flack, Grateful Dead. Jefferson Starship, Muddy Waters, BB King e a todos os bluesmen, a Janis Joplin, Aretha Franklin, Billie Hollyday, Jack Kerouack, Lou Reed, James Taylor, Carole King, Melody Gardot, todos e todas que lutaram contra a porra da guerra no Vietnam. 

Bem, pedidas as desculpas necessárias, que serão atualizadas, permitam-me: 

Eu proclamo: os EUA são governados por um meliante escroto, um gangster internacional, 
um fascista alaranjado.
Fuck you, Trump!
Fuck you, USA!

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

A Faria Lima virou sócia da bandidagem e ficou encabulada. Por Moisés Mendes

Copiei do indispensável DCM

Publicado por Moisés Mendes 
Atualizado em 20 de novembro de 2025 às 8:32


A Faria Lima foi, nos últimos anos e quase sempre durante os governos do PT, não a rua-símbolo dos bancos em São Paulo, mas um totem sagrado da sabedoria da macroeconomia sob o ponto de vista do mercado financeiro.
A Faria Lima falava. Ganhou manchetes quase diárias quando do longo debate do arcabouço fiscal – que está de volta – e foi presença permanente, com vozes anônimas impositivas, na abordagem de metas de inflação, juros e pautas daí derivadas.
A Faria Lima, sem rosto, sem fontes, como se fosse uma abelha-rainha do mercado, dizia o que era bom e ruim para o país. Achou que o golpe contra Dilma era bom, assim como o encarceramento de Lula. Desde a Operação Carbono Oculto, de outubro, não é mais assim.
A Faria Lima das fintechs que lavam dinheiro para o PCC é a mesma de Daniel Vorcaro, que cuidava das poupanças do centrão. Os bancos, que em outros tempos eram manchete em maus momentos por quebradeiras clássicas, agora são vizinhos do mundo da bandidagem explícita.
Não há mais manchetes alertando que a Faria Lima pede corte de gastos sociais, que Lula subestima a inflação, que o governo vai implodir no ano que vem, que não aumentem o imposto dos ricos. A Faria Lima é agora reduto de facções criminosas sócias do mercado e de líderes da direita.
Em 1995, quando quebrou e sofreu intervenção do Banco Central, o Banco Nacional empregava mais de 40 mil pessoas. O Master tinha agora exatos 515 funcionários. Muitas das fintechs que lavam dinheiro sujo têm meia dúzia de empregados, mas movimentaram mais de R$ 90 bilhões do crime organizado em um ano, até agosto de 2025.
O mercado bancário, que continua abrigando um Itaú e um Bradesco, acolheu novos players com nomes esdrúxulos – como T10 Bank, 2Go Bank, InvBank, BK Bank, 4TTBank, Soffy.
O Master de Daniel Vorcaro operava lá da Faria Lima, de onde saíam as ameaças a Lula, sem os nomes dos autores, sem nenhuma identificação, apenas com o alerta de que os recados eram do mercado.
Lula não era apenas patrulhado pelos que sabiam o que deveria ser feito. Era quase coagido a fazer o que a Faria Lima mandava e resistia do jeito que dava às chantagens dos donos do dinheiro.
Podem dizer que grandes bancos que davam forma ao que seria a Faria Lima não têm ligação com o PCC e seus sócios nesse mercado. Sim, mas todos, por índole, por vocação para a ação predatória e especulativa, todos fazem parte da mesma família.
As fintechs associadas ao PCC são as irmãs mais novas dos bancões. Todos sabiam o que as irmãs faziam, ou no mínimo desconfiavam, mas elas deveriam ser aceitas porque eram assim mesmo, meninas atrevidas e sem limites do novo mercado do século 21.
Os bancos analógicos sobreviventes, que ainda ocupam seus latifúndios na Faria Lima, são do tempo em que os parceiros quebravam e comprometiam a imagem do setor por envelhecimento generalizado.
Eram os velhos bancos que sempre dependeram da proteção de respeitáveis coronéis da política. Hoje, as fintechs dependem da blindagem do tenente Guilherme Derrite, a mando de Tarcísio de Freitas. Um homem da Rota é o protetor da Faria Lima.

Moisés Mendes - é jornalista em Porto Alegre, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim) - https://www.blogdomoisesmendes.com.br/

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O ORNITORRINCO BOCA-ABERTA E SEM-NOÇÃO, NÃO SABENDO MAIS ONDE TEM OU NÃO A PORRA DO HÍFEN, PROCLAMA QUE DESDE 1975 TEM CONTA NO BANCO DO BRASIL, DE ONDE SAÍREI DIRETO PARA MINHA CREMAÇÃO, E QUE JAMAIS TEREI CONTA OU QUALQUER TIPO DE CONTACTO COM AS TAIS FINTECS, ARAPUCAS QUE EXISTEM APENAS NAS NUVENS, SEM UMA AGENCIA QUE SEJA AQUI EM CURITIBA, ONDE EU  EU POSSA ENTRAR, CHAMAR O GERENTE E MANDAR O SUJEITO PARA OS QUINTOS ENXOFROSOS DO INFERNO.

terça-feira, 7 de outubro de 2025

7 de outubro: dois anos de crimes do estado sionista e genocida de Israel contra o povo palestino

Copiei do  indispensável BRASIL 247

José Reinaldo Carvalho (Jornalista, editor internacional do Brasil 247 e da página Resistência: http://www.resistencia.cc)

Um quadro dantesco de genocídio: mortes, destruição, fome e deslocamento maciço em Gaza desde 7 de outubro de 2023, configurando o holocausto do século 21

07 de outubro de 2025, 03:47 h

247 - Dois anos após 7 de outubro de 2023, data em que combatentes do Hamas romperam as defesas israelenses na operação chamada “Dilúvio de Al Aqsa”, o Estado de Israel segue promovendo violência maciça e sistemática em Gaza, com consequências devastadoras: mortes, fome, destruição de infraestrutura e deslocamento em massa. A denúncia dessa tragédia vem dos dados de organismos internacionais.

É preciso acrescentar a cumplicidade escancarada do imperialismo estadunidense, tanto no governo Biden quanto neste segundo mandato de Donald Trump.

A ação palestina contra o brutal cerco, bloqueio e inomináveis atos de violência israelense contra a população de Gaza foi respondida militarmente por Israel sob a forma de um inaudito genocídio.

Naquele 7 de outubro, o sistema de defesa de Israel foi superado pela ofensiva dos combatentes de Gaza, que proclamaram a luita heroica contra o “tempo de devastação e assassinato”.

Conforme dados oficiais palestinos e de agências da ONU, o estado sionista desencadeou uma ofensiva que já matou mais de 66 mil pessoas em Gaza e danificou ou destruiu cerca de 78% das construções da Faixa, incluindo centenas de milhares de casas. Reescrevo agora este panorama sob um viés mais aprofundado e com ênfase na responsabilidade dos EUA.

Mortes, feridos e destruição em números

Reportagerm da Telesur compilou dados reveladores do genocídio. Segundo o Ministério da Saúde palestino, até agora mais de 66 mil pessoas foram mortas em Gaza e 156.758 ficaram feridas. Levantamentos do UNOSAT/UNITAR apontam danos maciços: 102.067 estruturas “destruídas”, 17.421 severamente danificadas, 41.895 moderadamente danificadas e 31.429 possivelmente danificadas, somando 192.812 estruturas afetadas — cerca de 78% do total edificado — incluindo cerca de 282.904 casas danificadas.

Nos dois últimos anos, Israel despejou sobre Gaza uma violência militar sem paralelo: cerca de 300 toneladas de explosivos foram lançados por quilômetro quadrado desde outubro de 2023 — vinte vezes mais do que os EUA utilizaram no Vietnã. Nada disso, porém, quebrou a determinação de um povo que luta para existir.

Em paralelo, a geografia da Faixa de Gaza foi redesenhada por corredores militares e sucessivas ordens de deslocamento.

Colapso do sistema de saúde

Relatório da Organização Mundial da Saúde (10 de setembro) afirma que 94% dos hospitais de Gaza foram destruídos ou estão fora de operação, empurrando os poucos serviços ativos para a superlotação crítica. Em maio, 19 dos 36 hospitais ainda operavam, muitos de forma parcial. O Health Cluster registrou que os hospitais Al‑Shifa e Al‑Ahli, na Cidade de Gaza, “estão operando com quase 300% da capacidade”.

Educação, água e saneamento sob escombros

De acordo com a UNRWA (Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Médio), 90% das escolas foram destruídas ou severamente danificadas e aproximadamente 660 mil crianças estão sem aulas. Por sua vez, a Oxfam estima a destruição de 1.640 km de redes de água e esgoto; em áreas do norte, o acesso da população não chega a 7% dos níveis pré‑conflito, elevando o risco de doenças hídricas.

Na agricultura, a perda de terras férteis aumentou de 5,36% (outubro de 2023) para 33,13% (fevereiro de 2024), o que corresponde a 120 km² de áreas essenciais para a produção local de alimentos, segundo a comissão da ONU citada.

Patrimônio cultural devastado

Entre 7 de outubro de 2023 e 18 de agosto de 2025, a UNESCO contabilizou danos em pelo menos 110 bens culturais em Gaza, incluindo 13 locais religiosos, 77 edifícios históricos, nove monumentos, um museu e sete sítios arqueológicos. Entre as perdas, estão o cemitério romano no norte da Faixa e a Grande Mesquita de Al‑Omari, quase totalmente destruída. A organização PEN America relata a destruição de universidades, 11 bibliotecas — entre elas a Biblioteca Pública de Gaza — e editoras e livrarias, como a Samir Mansur.

Ocupação e corredores militares

Relatos de uma comissão independente da ONU indicam que as operações do exército israelense cobriram 278 km² — cerca de 75% do território de Gaza —, com o OCHA (Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários das Nações Unidas) apontando presença operacional e ordens de evacuação em 87,8% da Faixa (julho de 2025). A ONU reconhece cinco e cita quatro corredores que atravessam o território da Faixa de Gaza: Filadélfia, Netzarim, Magen‑Oz e Morag. Este último, anunciado em abril de 2025, recebeu o nome de um assentamento evacuado no plano de retirada de 2005.

A fome como arma de guerra, segundo especialistas da ONU

Em finais de setembro, eram 640 mil pessoas em situação catastrófica de fome, 1,14 milhão em emergência e 396 mil em crise alimentar. A Telesur cita em reportagem o alerta do relator especial da ONU para o direito à alimentação, Michael Fakhri: “Israel está matando Gaza de fome. É genocídio. É um crime contra a humanidade . É um crime de guerra”.

A privação deliberada de alimentos a civis é considerada crime de guerra em diversos ordenamentos e no direito internacional, amparada nas Convenções de Genebra, na Resolução 2417 do Conselho de Segurança (2018) e na emenda de 2019 ao Estatuto de Roma que tipifica a fome também em conflitos não internacionais.

Cumplicidade sob Biden

No governo Biden, os EUA não atuaram como moderador: mantiveram e até aceleraram o fluxo de armas e recursos que alimentam o massacre em Gaza. O governo Biden aprovou pacotes de ajuda militar e suplementares, muitas vezes utilizando mecanismos urgentes para atropelar trâmites normais de revisão no Congresso.

Em 2024, por exemplo, o Congresso aprovou um pacote de US$ 95 bilhões em auxílio militar e “humanitário” a Israel. Também durante o governo Biden, os EUA remeteram bilhões em garantias de empréstimos e venda de armamentos avançados a Israel. Relatórios advindos de Think Tanks e da imprensa mostraram que o governo Biden usou ordens executivas e “renúncias rápidas” para acelerar entregas de armas (inclusive já compradas) mesmo diante de alertas sobre possíveis violações de direitos humanos no uso dessas armas.

Mesmo quando membros da comunidade diplomática ou do Departamento de Estado identificavam violações graves ou riscos de genocídio, não houve recuo significativo. O manto diplomático dos EUA agiu como escudo no âmbito internacional: vetos sistemáticos a resoluções das Nações Unidas que condenavam o cerco ou exigiam cessar-fogo, bloqueios de investigações independentes e veto a ações do Conselho de Segurança. Em suma: Biden manteve a engrenagem de guerra, ainda que em tese com “apelos humanitários” pontuais.

A escalada com Trump: descaramento e intensificação

No retorno de Donald Trump como presidente, a cumplicidade dos EUA com o regime de Netanyahu não foi apenas continuidade: tornou-se impulso explícito ao massacre. Trump, enviou novos volumes de armas e retirou até condicionantes previamente impostos — aquilo que se apresentava como “tempero diplomático” sob Biden, com ressalvas e obstruções pontuais, sob Trump é escancarado.

Poucos meses após assumir, a administração Trump notificou o Congresso de vendas de armas à Israel que ultrapassam US$ 7,4 bilhões em munições e kits de orientação, além de reverter memorandos do governo anterior que impunham condicionamentos ao apoio militar israelense. Em março deste ano, Trump aprovou um pacote de quase US$ 3 bilhões em bombas e veículos de combate, incluindo bombas Mk-84 e kits de orientação JDAM — todo o tipo de artefato usado com brutalidade nos ataques sobre Gaza.

Em um movimento mais forte, o governo acelerou a entrega de US$ 4 bilhões em ajuda militar prometida a Israel. Ainda, enquanto muitos governos europeus impunham embargos ou suspendiam licenças de armas, o governo Trump revogou restrições que Biden havia introduzido em nome de respeito a direitos humanos. Trump também apresentou plano audacioso: em fevereiro de 2025, anunciou que os EUA “tomariam conta” da administração da Faixa de Gaza, deslocariam sua população e a reconstruiriam sob a tutela americana, numa proposta que beira o etnocídio e a limpeza étnica expressa.

Esse projeto mostra, sem disfarces, que o alinhamento entre Trump e Netanyahu não é apenas militar, mas ideológico: ambos almejam reformatar o Oriente Médio sob a égide do expansionismo israelense, com os Estados Unidos operando como braço executor e patrocinador inconteste.

Trump e Netanyahu : diplomacia do genocídio

Não pode haver neutralidade diante deste horror e é preciso gritar que a cumplicidade estadunidense não é “apoio”: é corresponsabilidade. Por que as mortes seguem crescendo? Porque enquanto Israel despeja bombas, os EUA enviam armas. Enquanto Gaza é reduzida a escombros, os EUA vetam resoluções na ONU e barram investigações. Esse mecanismo garantiu impunidade total ao regime genocida de Netanyahu.

A funcionalidade dessa parceria é clara: os Estados Unidos mantêm Israel como satélite estratégico no Oriente Médio, contrapondo-se ao Irã e aos movimentos de resistência. Assim, o massacre em Gaza é parte de uma guerra mais ampla de dominação regional.

A venda constante de armamentos aos israelenses garante rentabilidade à indústria bélica norte-americana, ao passo que legitima o discurso de “defesa” e “segurança” que serve como álibi moral para a dominação.]

A blindagem diplomática dos EUA permite a Israel agir com virtual impunidade perante instâncias internacionais, como a Corte Penal Internacional ou o Conselho de Direitos Humanos, enquanto acusações graves de crimes de guerra e genocídio são engavetadas.

Em plena vigência do segundo mandato de Donald Trump, diante da carnificina contínua em Gaza, celebra-se o cinismo político de um sistema que vende morte como estratégia de hegemonia. O silêncio de potências que se diziam defensoras dos direitos humanos já não é mera omissão: virou ato de colaboração com o assassinato em escala industrial.

A tragédia de Gaza, que atravessa dois anos completos, expõe o caráter estrutural e predatório do sistema imperial: enquanto o povo palestino é bombardeado, empobrecido e privado de condições mínimas para sobreviver, os EUA arcam com a pecha de executor e protecionista de um regime genocida — e falham irrevogavelmente como ator humanitário no palco global.

Netanyahu e o projeto de poder que redesenha o Oriente Médio

Dois anos depois da operação “Dilúvio de Al Aqsa”, Gaza segue como um território devastado e o epicentro de uma estratégia que ultrapassa a retaliação militar. A resposta de Israel, segundo as declarações do genocida-mor do século 21, Benjamin Netanyahu, só terminaria “com o extermínio do Hamas e a modificação completa do mapa político regional”.

Essa ameaça deu forma a uma política de guerra expandida, que hoje envolve o Líbano, o Irã e o próprio equilíbrio geopolítico do Oriente Médio.

Logo após o início da atual etapa do genocídio em outubro de 2023, Israel intensificou as operações no sul do Líbano, mirando posições do Hezbollah e assassinando alguns de seus principais líderes. A ofensiva visando a golpear o eixo de resistência regional, provocou a escalada mais grave entre os dois países desde 2006.

Mas Netanyahu foi além. Em 2024, ordenou bombardeios maciços no Líbano e, no ano seguinte, conduziu uma guerra de 12 dias contra o Irã, marcada por ataques aéreos de alta intensidade, revelando por meio dessas ações agressivas, até onde o estado expansionista de Israel quer chegar. Ao projetar uma guerra permanente.

A ofensiva israelense, que contou com todo o respaldo od imperialismo estadunidense, prossegue como parte de um projeto de reconfiguração geopolítica. Netanyahu já não fala apenas de segurança, mas de hegemonia regional, de contenção do Irã e de um novo desenho territorial. A guerra contra o Hamas foi o ponto de partida; o alvo real é o “novo Oriente Médio”.

E o custo é pago pelas populações civis — palestina, libanesa e iraniana — que vivem sob o ruído incessante dos drones e a sombra da fome. O silêncio ou a neutralidade dos países que se dizem defensores dos direitos humanos já não é diplomacia: é cumplicidade.

Gaza tornou-se não apenas o epicentro de uma tragédia humanitária, mas também o espelho em que se reflete a crise do sistema imperialista nas primeiras décadas do século 21.

Netanyahu ameaça mudar o mapa político do Oriente Médio. Para alcançar o objetivo, não se detém diante dos mais abomináveis crimes, o principal deles a limpeza étnica na Palestina, levando a um nível mais devastador a saga criminosa dos seus antecessores que fizeram a Nakba nos finais dos anos 1940. 

quinta-feira, 11 de setembro de 2025

Luiz Fux é um cagão absoluto

Como diria Braga Neto, especialista de alto coturno em pintura de meio fio, Luiz Fux é um cagão.

Já meu primo Faulo Voberto Dequinel, o Breve, afirmaria que, sob a toga pomposa de Fux, esconde-se um cagão absoluto, que poderá visitar a merda da Disney, com visto assinado pelo meliante escroto chamado Donald Trump.

Então, tá, togado cagão do rabo mole: absolve todo o núcleo que comandou a tentativa de golpe mas, vejam que coisa mais linda e cheia de graça, condena o Mauro Cid, coronelzinho saca-trapo da Michele Bolsonaro, por tentar abolir o estado democrático de direito.

Prolato, pois, minha irrecorrível sentença: tenho nojo derramado e definitivo de luiz fux, assim, em minúsculas.