SOBRE O BLOGUEIRO

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Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Hortografia

No final de semana visitarei a hortografia que meu pai mantem com crapicho em seu sítio e quero colher:
1. baldes de crases da groelândia;
2. maços generosos de hipérboles do bigorrilho;
3. ramos de tomilho revolucionário, cultivado exatamente como em fazendas orgânicas da ultra esquerda vegana e virginal;
4. mancheias de teses fosforescentes e hidropônicas que, cultivadas em condições ideiais de temperatura e pressão, jamais são alcançadas pelas durezas reais da vida; 
5. mandiocas de leveza saltitante;
6. goiabas anacrônicas de origem grega;
7. feijão budista, tão perfeito que jamais provoca flatulência reformista;
8. agrião do himalaia, curtido em sal rosa e nas teorias das ligas bolcheviques das universidades;
9. chuchu sem gluten e lactose, muito apreciado pelos ambientalistas de prédio, os mais radicais, aliás;
10. ramas de delações premiadas não apenas estéreis, mas, histéricas.
E venderei tudo por 1,99, menos as teses hidropônicas e fosforescentes, que dou de graça.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Lula, o demiurgo

Minha inoxidável amiga Andrea Caldas tem avisado, urbi et orbi, sobre o quão perigoso Lula é para as esquerdas virginais e para a classe trabalhadora e, mais ainda, proclamou que não votará no "demiurgo".

Quando não conheço o significado de alguma palavra, minha primeira providência é dizê-la em voz alta, para dela extrair signos ocultos, e soletro cada sílaba como quem experimenta um vinho em pequenos goles em busca de sabores e sensações.


- De-mi-ur-go. De-mi-ur-go! DE-MI-UR-GO!!!


Meu lulismo algo degenerado faz-me arrepios porque, sem saber ainda o significado, os sons exalados do de-mi-ur-go de Andrea mostraram-me que a palavra carrega em suas entranhas sinônimos aparentados com o mal supremo e mesmo com o mau, o feio e com Clint Eastwood, e remeteram-me prontamente a Hugo Chávez, a Rafael Correa, a Evo Morales, a Mujica, mas não me peçam explicações que minha cacholinha iletrada será incapaz disso.

---XXX---

Proponho que o adjetivo seja o centro tático da campanha da esquerda virginal e purinha-sem-mistura, que deverá promover formidáveis Caravanas Anti Demiúrgicas pelo Brasil, denunciando o quão perigoso, deletério e malvadão é Lula, falando dos caminhões de som e dos palcos:

- O Lula é DEMIURGO! O LULA É DEMIURGO! NÃO VOTEM NELE!

Se algum dos 8 presentes perguntar que porra é demiurgo, o animador do comício saltitante deverá ler um papelzão com as explicações abaixo. 


---XXX---

Demiurgo, segundo o filósofo grego Platão (428-348 a.C.), o artesão divino ou o princípio organizador do universo que, sem criar de fato a realidade, modela e organiza a matéria caótica preexistente através da imitação de modelos eternos e perfeitos.
Demiurgo, em seitas cristãs de inspiração platônica e no gnosticismo, é o ser intermediário de Deus na criação do mundo, responsável pelo mal que não poderia ser atribuído ao Criador supremo.
substantivo masculino
Demiurgo (grego, δημιουργός, demiourgos), significa "o que trabalha para o público, artífice, operário manual", demios significando "do povo" (como em demos, povo) e -ourgos, "trabalhador" (como em ergon, trabalho.
No sentido de "trabalhador para o povo", a palavra foi usada em todo o Peloponeso, com exceção de Esparta, e em muitas partes da Grécia, como sinônimo de um alto magistrado. No pensamento cosmogônico de Platão, o termo designa o artesão divino - causa da alma do mundo - que, sem criar de fato o universo, dá forma a uma matéria desorganizada imitando as essências eternas, tendo os deuses inferiores, criados por ele, como tarefa a produção dos seres mortais. No pensamento gnóstico, o demiurgo, criador do mundo é distinto do Deus supremo e em geral considerado mau.

---XXX---

Mas, se algum dos presentes fizer cara de paisagem e perguntar a que horas o Lula vai discursar, bem vocês tratem de sair de fininho, naturalmente de fininho revolucionário.

Dez lágrimas

Uma ou duas melancolias
Penduram-se na parede das memórias
Duas ou três tristezas
Agarram-se inúteis em mim
Depois de tanto tempo
Quatro ou cinco lembranças
Avoam sem rumo e não pousam jamais
Seis ou sete certezas
Jazem ali no canto 
Oito ou nove risadas 
Desatam-se quase tristes hoje
Dez lágrimas 
Suspendem-se no ar
Congelando-se 
Entre o que sou de fato
E o que pretendi ser