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Hoje, às 17:31, a propósito deste texto sobre o fim do mundo, um cristão anônimo, bisonha e tipicamente cagão, obrou a seguinte pataquada religiosa:
"Ué?! Não aprovou o comentário que eu escrevi no dia 22/11/2011??? A
verdade dói não é? Você não faz idéia de como a minha fé no Verdadeiro
DEUS e Salvador JESUS CRISTO aumentou quando você teve medo de aceitar a
verdade estampada no blog.
FALAR MAL DOS CRISTÃOS É MOLE!! QUERO VER SER HOMEM PRA SE SUJEITAR À
VONTADE DO SENHOR JESUS EM OBEDIÊNCIA A DEUS. Que o Senhor Jesus Cristo
te livre de todo o mal e tenha misericórdia de você."
Meio sem "parpite" neste dia chuvoso e com minha conexão mais instável que os neurônios da maioria dos acometidos pelo mal da fé religiosa, e tomado pelo tal do "espírito natalino", decidi responder ao cristão sem nome e, por supuesto, muito valentão. Vamos lá, e por partes, como nos ensina Jack, o Estripador:
Não me responsabilize, anônimo obtuso, pelo súbito aumento da sua fé, e preste muita atenção: não saia proclamando que a minha recusa [de não publicar o seu primeiro comentário] foi um sinal de deus, ou bullshit assemelhada. O incremento deve-se apenas à sua inacreditável obtusidade e, saiba que sua fé, feito um câncer destrambelhado, aumentará todos os dias, o que poderá um problemão, meu caro. Quer ver?
Um câncer fora de controle pode atingir outras partes do corpo, o que os médicos chamam de metástase. Com a fé acontece a mesma coisa, só que único órgão atingido pela metástese da fé é sempre o cérebro. Aí, prezado, fodeu tudo: as pessoas tornam-se incapazes de pensar, o que me parece ser já o seu caso, e isso não tem cura conhecida.
A metástese da fé destrambelhada que atinge e devasta o cérebro de pessoas como você explica, com efeito, porque apenas humanos são capazes de dobrar-se à vontade de deuses inexistentes, de modo que admito que você, anônimo obtuso de merda, está completamente certo: tem que ser muito e completamente homem para cometer semelhante asneira.
Em compensação, morsas, gambás, leões, minhocas, o vírus da gripe asiática, ornitorrincos e uns poucos humanos ateus, seguem suas vidas sem medo, sem culpas e, mortos, suas carcaças desaparecerão, exata e precisamente como a sua. Simples assim.
De outra banda você deve refletir sobre sua compulsão pelo anonimato, meu caro anônimo de merda: isso é um perigo. Imagine que nós dois morramos no mesmo dia e hora e imagine que estejamos os dois naquela fila imensa de gente desencarnada à espera da sua destinação final.
Um daqueles burocratas de deus olhará minha ficha e, sei disso, determinará: "Paulo Roberto Cequinel, você irá imediatamente para os quintos dos infernos!" e eu, ateu resignado, assistirei pelo resto da minha existência às sessões da Câmara Municipal de Antonina do Deus Me Livre e, quiospariu!, aos sermões do Apóstolo Valdomiro.
Na sua vez, o burocrata olha sua ficha e pergunta: "Qual o seu nome, seu abostado? Não lhe deram um nome, seu cocozinho de rato desprezível?"
Você, protegido por sua fé obtusa - mas acometido pela metástase que já lhe comeu o cérebro - dirá com o fervor dos ungidos: "Eu sou muito homem e sempre obedeci às vontades de jesus, das autoridades todas, do guarda da esquina, dos meus gerentes e dos meus pastores! Não preciso de nenhum nome, deus sabe quem eu sou!"
E o burocrata, de saco celestialmente cheio, redarguirá: "Deus até pode saber, bosta sem nome, mas eu não sei e nesta fase do processo, quem manda nesta porra sou eu, entendeu?"
E pronto, estrumezinho inominado, você será mandado para o que chamam de Setor de Cristãos Cagões Anônimos de Merda (SCCAM) e viverá a angústia eterna de não saber se irá para o céu ou, confundido com um dos milhões de cristãos anônimos de merda, acabará internado forever na casa de satanás.
Termino dizendo que se o patifão jesus me livrasse dos anônimos da sua laia, acredite, já estaria de bom tamanho. Mas nem isso ele consegue.
(Sei o teor do seu próximo comentário)