SOBRE O BLOGUEIRO

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Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.
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quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Eu desisto

O amanhecer foi eclipsado, no dia 3 de outubro, por sinistras sombras do atraso. O que estou vendo  desde ainda antes do primeiro turno, em verdade me deixa exausto e quase doente, e isso não é culpa de ninguém. É que sou assim mesmo, exageradamente derramado, sempre fui de entregar-me por completo para as causas nas quais acredito. Ingenuidade minha, é claro.

Admito que cai na armadilha do atraso religioso, do fundamentalismo, da intolerância e da campanha política disputada com métodos sujos e inacreditavelmente sórdidos que atingiram a honra de Dilma Rousseff e de petistas em geral, de uma maneira que eu jamais pude imaginar ver um dia. Não encontro quem defenda o patife do serra e não há quem seja capaz de apontar uma única e mísera razão para nele votar. Os que votam não o fazem em favor do pulha, mas transformam o voto em expressão de ódio doentio contra o PT. Não votam a favor, vomitam ódio contra qualquer coisa que signifique progresso, avanço, diminuição da pobreza e melhoria das condições de vida dos brasileiros.  

Quase aos sessenta anos confesso não agüentar mais, realmente não agüento mais. É impossível para mim lutar contra isso, contra a baixaria, o preconceito, a mentira, sem ser do meu jeito, sem bater de frente contra esses adoradores do fogaréu da inquisição. Impossível não apontar e nomear os patifes de batina, os patifes de terno e os patifes todos, sempre com voz muito doce, que são capazes de mentir, de adulterar, de falsificar a verdade. Eu estou de saco cheio disso.  

Não consigo entender do que as pessoas têm medo. Somos, os petistas, os de esquerda, os que tentamos o tempo todo abrir portas para luz e ar entrarem, somos gente monstruosa que não sabe criar filhos e netos, somos ladrões, somos assassinos, somos torturadores? Como podem ter medo se fomos nós, precisamente nós, que fizemos a vida das pessoas mudar para melhor, e ainda antes da eleição de Lula, quando lutávamos nos movimentos sociais, nos sindicatos? Como podem acreditar que vamos fechar igrejas e templos, que vamos tomar casas das pessoas, que vamos impedir o exercício do direito de cada pessoa viver sua fé e sua crença? Como podem acreditar nisso?

Vi hoje santinhos de Serra com mensagens falando em Jesus e isso é uma das coisas mais abjetas que já em minha vida. Como as pessoas podem acreditar neste patife oportunista e sem escrúpulos? Como podem considerar que nós é que somos a ameaça? Como não percebem que a ameaça é Serra, é a Opus Dei, e a TFP?    

Como não entendem que a ameaça é Serra e o fim dos programas sociais, com o fim do ciclo de desenvolvimento econômico? Como podem esquecer que o canalha foi ministro do governo do desemprego, da corrupção varrida para debaixo do tapete, da privatização?

Como não entendem que a Petrobras está neste moimento sob ataque, que as riquezas do pré-sal serão entregues por essa gente às empresas transnacionais? Como não percebem que o povo brasileiro está sob ataque dessa gente atrasada e violenta?

Eu tentei durante pouco mais de um mês de blog mostrar o que considero estar ocorrendo. Não me sinto culpado por não ter conseguido, ou por ter conseguido muito pouco, se é que consegui. Afinal, estamos lutando contra interesses estabelecidos de muitos tipos, todos muito poderosos e, para piorar as coisas todas, pensando bem, devo reconhecer que cometi alguns erros.

Fui muito duro e exagerado, e admito mesmo que alguns possam ter ficado ofendidos com as coisas que escrevi e disse, especialmente o Reginaldo Gouvea, a quem peço desculpas mais uma vez.   

Creio que devo também pedir desculpas aos muitos cristãos de mente arejada por minhas diatribes anti-religiosas, reafirmando que não estou em guerra contra religião alguma, mas enfatizando que setores católicos e evangélicos mais atrasados, nocivos, intolerantes e medrosos é que estão em guerra contra o povo brasileiro, contra o Estado laico, contra o progresso. O patife do Serra surfa nesta lama formada por água benta falsificada e pelos detritos da baixaria produzida nos porões da sua campanha.

Não falo, ou pelo menos vou fazer um esforço tremendo para não escrever mais sobre estas eleições, até o dia 31, informando que acredito, sim, na vitória de Dilma, ainda que por pequena margem. Antes, então, que eu tenha uma síncope, tentarei aquietar minha completa indignação e vou tratar, aqui no blog, tanto quanto seja possível, das bobagens todas que ocupam minha cachola. Vou tratar de preservar-me um pouco para meus filhos, para meus netos, e um pouco para mim, ora essa.

Eu sei porque voto em Dilma: Paulo, Luciano e Jean, meus filhos; meus netos Hiago, German, Luna, João, Catarina e Mariana, que está a caminho.

Vocês que votam no atraso, bem, façam isso. Mas que vai amanhecer, isso vai.