SOBRE O BLOGUEIRO

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Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Deuses mequetrefes, patifezinhos barbudos que vivem nas nuvens

Copiei a imagem de Quebrando o tabu 

Não pretendendo, nem remotamente, ofender a porra da fé de quem quer que seja, permitam-me, entretanto: vocês todos, crentes diversos, têm muita sorte por não haver nenhum deus, unzinho que seja. Explico.
Tamanho é o ódio que vocês vomitam que, houvesse um deuzinho de merda, um daqueles bem mequetrefes, um daqueles patifezinhos barbudos de R$ 1,99 (a caixa com 100) tenho certo que vocês, seus cagões em cristo, queimariam nos quintos enxofrosos do inexistente inferno forever. 
Deus nenhum é tão filho da puta quanto suas crenças doentias, seus merdas.

sábado, 17 de janeiro de 2015

Criem seus filhos para respeitarem o corpo da mulher

Copiei de Quezia Gurgel

 

Raspei o cabelo.
Raspei em protesto à acusação da minha mãe de que "mulher que é estuprada tem culpa, pois provocou". Raspei porque abusaram de mim E EM NENHUMA DAS VEZES A CULPA FOI MINHA. 
Raspei porque tenho nojo dessa cultura de estupro que justifica "ah, mas homem você sabe..." enquanto culpabiliza mulheres. Raspei porque meu corpo pertence somente a mim e tenho a liberdade de usar a roupa que quiser, beber o quê e quanto quiser e sair e voltar o horário que quiser. 
Homens andam sem blusa e usam shorts. E não são estuprados. 
Homens bebem e voltam pra casa tarde. E não são estuprados.
Homens andam em lugares escuros e não tentam se proteger de possíveis estupradores.
Por que eu não teria OS MESMOS DIREITOS? Por que meu direito de ir e vir é cerceado/limitado? Por que não posso usar short num calor de quase 40ºC? Por que não posso beber sem correr o risco de tocarem meu corpo de forma indevida?
Entendam: a culpa é SEMPRE do agressor, nunca da vítima.
A culpa é de quem passa a mão na bunda da mulher no ônibus. A culpa é de quem embebeda uma moça a fim de se aproveitar dela. A culpa é de quem rouba um beijo numa boate. A culpa é de quem não entende que é "não" e continua insistindo. 
Mães e pais, por favor, não criem suas filhas para terem medo. Criem seus filhos para respeitarem o corpo da mulher.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Chorume religioso

Copiei a imagem daqui

Ao fim e ao cabo, devo dizer que vocês que clamam por respeito à fé das pessoas aceitaram a chantagem milenar das religiões as quais, todas elas, nos desrespeitam cotidianamente.
Desrespeitam e matam as mulheres e o povo LGBTT, desrespeitam e matam os valores e a cultura os povos originários quando saem em expedições para catequizá-los, em pleno século XXI, como fazem os lazarentos evangélicos e sua sede de sangue, no Brasil e na África.
Desrespeitam todos nós quando pretendem impor a todos seus valores morais arcaicos, atrasados e mortais.
Com efeito, as pessoas não são iguais. Há crentes que não são misóginos, ou machistas, ou LGBTT-fóbicos mas, puta que os pariu, nos cultos e funções religiosas, sentam-se ao lado de jaguaras misóginos, machistas e lgbtt-fóbicos. 
Mas as religiões são iguais: lixões fedidos a céu aberto, com toneladas de machismo, sexismo, lgbtt-fobia, racismo, misoginia, genocídio, intolerância, etc e tal e cousa e lousa, incluindo o silêncio cúmplice dos crentes que não não pensam assim.
Não quero ser respeitado.
Quero apenas que as pessoas reconheçam que jogo muito limpo.
Religiões não merecem respeito. Definitivamente.
(Crente: aquele que crê. Pode ser católico, evangélico, budista ou muçulmano. Ou espírita, umbandista, ou qualquer outra religião de merda).

sábado, 10 de janeiro de 2015

Porradas!

Slaugther: Rocky Mountain Way
 

Helloween: Hocus Pocus
 

Poeminha para quem é LGBTT-fóbico

A fé obtusa apaga as luzes? 
Nós acendemos de novo!

Eles fecham portas e janelas? 
Nós escancaramos!

Eles odeiam? 
Nós amamos!

Eles se borram de medo? 
Nós aceitamos!

Eles se benzem? 
Nós acarinhamos!

Eles ameaçam?
Nós lutamos!

Eles são muitos?
Nós somos o mundo!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Califa Ibn Rousseff investe contra a liberdade de imprensa no Brasil

Copiei de Pedro Munhoz

Começam a pulular por aqui as "análises" que comparam o atentado na França com a inglória, sangrenta e cruel perseguição (rysos) que a Califa Ibn Rousseff tem engendrado contra a liberdade de imprensa no Brasil.
De repente, todo mundo aqui no Gigante Acordado é Charlie. Mainardi, o enfant terrible de meia idade cuja função intelectual é desfilar impropérios rococós contra o Partido dos Trabalhadores lá em Veneza, transmutou-se em Charlie. Felipe Moura Brasil, colunista de Veja e editor daquele livro do Mestre Olavo sobre ser um idiota também é Charlie. La Sheherazade, musa do senso comum, campeã do cristianismo de várzea e rainha dos comentaristas de portais de notícia, adivinhem! também é Charlie.
Não vi se o Constantino foi declarado Charlie ou não, mas tenho certeza que ele é Charlie. Gentilli é Charlie, Lobão é Charlie, somos todos Charlie.
Nesse país onde a presidenta, pessoalmente, sai por aí disparando tiros de Kalishnikov contra todos que a criticam; onde as pessoas não ousam criticar o PT por medo da morte; onde as redes de televisão foram alvo de atentados a bomba por parte de militantes petistas mascarados, se você não for Charlie, meu amigo, você está contra o Charlie.
Agora, peço a licença dos meus amigos Charlies para assistir um pouquinho de Globonews, enquanto eu me indigno com a falta de liberdade de expressão em meu país. Pela atenção, obrigado.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Como funciona a regulação da mídia em outros países

Copiei de DCM
Publicado na BBC Brasil

O PT aprovou uma resolução política que pede a criação de um novo marco regulatório para a mídia. O presidente do partido, Rui Falcão, afirmou que a presidente Dilma Rousseff se comprometeu a fazer uma consulta pública sobre a questão no segundo semestre.

Tema polêmico no Brasil, a regulação da mídia ocorre de formas distintas pelo mundo.

Nos Estados Unidos e na Argentina, as normas regulam principalmente temas econômicos – é este tipo de regulação que a presidente Dilma diz querer discutir no próximo mandato.

No Reino Unido, um escândalo de escutas ilegais realizadas por tabloides levou ao estabelecimento de regras polêmicas para jornais, revistas e sites.

Na Venezuela, opositores apontam para restrições à liberdade de expressão, mas movimentos sociais dizem que a lei aumentou o número de meios de comunicação comunitários.

A BBC Brasil mostra como funcionam as regras nestes quatro países.

EUA: Foco é regulação econômica

Os Estados Unidos não têm uma Lei de Imprensa, e a regulamentação da mídia no país é feita por diferentes legislações.

No caso das telecomunicações (rádio, TV aberta e a cabo, internet e telefonia móvel e fixa), a regulação está a cargo da Federal Communications Commission (Comissão Federal de Comunicações, ou FCC, na sigla em inglês), agência independente do governo criada em 1934.

A FCC se dedica principalmente a regular o mercado, com foco nas questões econômicas. O órgão é responsável por outorgar concessões.

A propriedade cruzada de meios de comunicação é proibida. Assim, uma mesma empresa não pode ser proprietária de um jornal e de uma estação de TV ou de rádio na mesma cidade.

Há também regras que impõem certos limites sobre o número de estações de TV e rádio que uma mesma empresa pode controlar em determinado mercado. Esses limites variam de acordo com o tamanho do mercado e têm o objetivo de impedir que um mesmo grupo controle totalmente a audiência em determinado local.

No caso do conteúdo, há no país o entendimento de que este deve ser regulado pelo próprio mercado e pela opinião pública.

No entanto, a FCC age em casos de abuso, quando há a percepção de descumprimento de regras, como a que proíbe a exibição de cenas “indecentes” na TV.

Um dos casos notórios ocorreu em 2004, na exibição do Super Bowl – a final da temporada de futebol americano –, evento que costuma ter a maior audiência televisiva do país.

No show do intervalo, transmitido pela rede CBS, o cantor Justin Timberlake puxou a blusa de Janet Jackson, deixando aparecer seu seio.

Apesar de a imagem ter sido mostrada por menos de um segundo, a FCC multou a CBS em US$ 550 mil – decisão que depois foi revertida.

Outra regra determina que canais de TV dediquem pelo menos três horas semanais a programas infantis educativos.

A atuação da FCC é acompanhada pelo Congresso americano, a quem a agência presta contas periodicamente. Além disso, o Judiciário também pode intervir.

No caso de mídia impressa, a ideia é que mercado e opinião pública se encarreguem da regulação. Casos de difamação, calúnia e outros tipos de injúria costumam gerar processos na Justiça e resultar na aplicação de multas pesadas.

Venezuela: Debate acalorado sobre liberdade de imprensa

Protestos, golpe de Estado e polarização política. Esse é o contexto que antecede a aprovação da lei de meios de comunicação na Venezuela.

A lei Resorte – Responsabilidade Social em Rádio e Televisão – entrou em vigor em 2005, três anos após o chamado “golpe midiático” contra o então presidente Hugo Chávez. A mídia apoiou abertamente o golpe contra Chávez três anos antes e não noticiou as manifestações populares que se seguiram, pedindo a sua volta ao poder.

A atuação dos meios de comunicação privados nesse episódio teria sido utilizada como motor para uma contraofensiva do Executivo para regular a atuação da imprensa venezuelana.

Um dos pontos mais polêmicos da aplicação da lei ocorreu em 2007, quando a concessão do canal RCTV – o mais assumido canal de oposição – para operar no sinal aberto não foi renovada. Críticos acusaram o governo de retaliação política.

De acordo com a lei, cabe ao Estado decidir se renova ou não a concessão de frequências de rádio e televisão. O tempo máximo de cada período caiu de 25 para 15 anos, prorrogáveis ou não. A hereditariedade no setor está proibida.

Outro aspecto controvertido é o que proíbe a transmissão de eventos ao vivo que possam “incitar a violência” e a “desordem pública”. O principal fator de polêmica se deve a que a decisão sobre esses riscos seja feita por uma comissão do governo sem participação de representantes da mídia.

“Analisar o que pode ou não incitar a violência é muito difícil em um país onde há uma confrontação entre dois modelos políticos e onde os meios estavam organizados em dois grupos, pró e antigoverno”, afirmou à BBC Brasil Mariclein Stelling, do Observatório Global de Meios de Comunicação.

“Mas enquanto os meios forem utilizados com fins políticos, a lei será necessária”, opinou.

Em 2010, a lei foi reformada e seu alcance passou a abranger também a internet. Um dos pontos polêmicos é a punição prevista para o provedor de internet ou página que não restrinja “sem demora” o acesso a mensagens que incitem o ódio.

“É uma lei regressiva e contraria o direito à liberdade de expressão”, avalia Marianela Balbi, diretora do IPYS (Instituto Prensa y Sociedad). Na sua opinião, a lei é desnecessária. “Há crimes tipificados no Código Penal e em outros regulamentos que podem ser aplicados sem restringir a liberdade de expressão.”

A norma, no entanto, é aplaudida por movimentos sociais como um passo importante para a democratização dos meios de comunicação e como uma via que permitiu a expansão de meios comunitários.

Estão em atividade 37 TVs e 244 rádios comunitárias no país. A maioria recebeu equipamentos e formação técnica do próprio governo para começar a operar.

A violação da lei Resorte determina sanções como a suspensão do sinal por 72 horas ou a revogação da concessão no caso de reincidentes. A lei ainda estabelece que 50% da programação deve ser reservada a produções nacionais.

Reino Unido: Regras duras após abusos de tabloides

Classificada pela presidente Dilma Rousseff como uma das “mais duras” do mundo, a legislação do Reino Unido para regulação da mídia surgiu na esteira do escândalo de escutas ilegais feitas por tabloides britânicos.

A lei visa à regulação da atividade de jornais e revistas. Além dela, há outra regulação, mais antiga, para emissoras de TV e rádio.

Em 2011, uma comissão judicial, coordenada pelo juiz Brian Leveson, passou a analisar desvios de ética na mídia após um escândalo envolvendo principalmente tabloides. Em um dos casos, um jornal hackeou o telefone de uma estudante assassinada e apagou mensagens da caixa eletrônica, o que deu à família e à polícia a esperança de que ela pudesse estar viva.

O relatório final do chamado inquérito Leveson afirmou que a imprensa “causou dificuldades reais e, algumas vezes, estragos na vida de pessoas inocentes, cujos direitos e liberdades foram desprezados”.

Um dos desdobramentos da investigação foi a criação, em novembro deste ano, do Press Recognition Panel, painel que supervisiona um órgão de autorregulação e tem poder de aplicar multas de até um milhão de libras (R$ 4 milhões) às publicações, além de impor direito de resposta e correções a jornais, revistas e site noticiosos.

A filiação dos veículos ao novo sistema não é obrigatória, mas há diversos “incentivos” para que façam parte: por exemplo, o veículo que não integrar o órgão precisa pagar as custas judiciais dos processos de acusação, mesmo se sair vencedor.

À época da criação do órgão, os principais jornais britânicos disseram que o modelo poderia sujeitar os veículos à interferência indevida de políticos.

Até o momento, apenas o Daily Telegraph aderiu ao novo sistema. A expectativa é que o Financial Times não se envolva, mas os outros dois grandes jornais, Independent e Guardian, deixaram a possibilidade de adesão em aberto. O órgão deve entrar em funcionanmento pleno no ano que vem.

Emissoras de rádio e TV, por sua vez, são reguladas por outro órgão, o Ofcom. O órgão também é responsável pela telefonia, serviços postais e internet.

Entre as atribuições do Ofcom estão garantir a pluralidade da programação de TVs e rádios, garantir que o público não seja exposto a material ofensivo, que as pessoas sejam protegidas de tratamento injusto nos programas, e que tenham sua privacidade invadida.

Argentina: Lei gera atritos entre governo e mídia

Na Argentina, a chamada Ley de Medios foi aprovada em outubro de 2009, durante o primeiro governo da presidente Cristina Kirchner. Mas ainda hoje sua aplicação ainda gera polêmicas.

A lei define regras para emissoras de TV e rádio. O objetivo é a “regulação dos serviços de comunicação” e o desenvolvimento de mecanismos destinados à “promoção, desconcentração e fomento da concorrência com o fim de baratear, democratizar e universalizar” a comunicação.

A lei fixa o limite de licenças e área de atuação do setor por cada pessoa que assuma um investimento. Os prestadores de serviço de TV por assinatura não poderão ser titulares de um serviço de TV em uma mesma região. A lei também estabelece limites de alcance de audiência para TV a cabo e emissoras privadas. Já a TV pública tem alcance nacional.

A legislação define também que os canais abertos de televisão deverão “emitir no mínimo 60% de produção nacional”, “30% de produção própria que inclua noticiários locais” e, no caso das TVs nas cidades com mais de um 1,5 milhão de habitantes, “pelo menos 30% de produção local independente”.

A lei surgiu em meio à disputa entre o governo e os meios de comunicação críticos do “kirchnerismo” – a dinastia política que governa o país desde Nestor Kirchner, antecessor e marido da atual presidente, que governou entre 2003 e 2007 e morreu em 2010.

Ao defender a criação da lei, a presidente e outras autoridades do governo argumentaram que a comunicação é “um direito humano” e que é necessário defender “o fim dos monopólios” e a “pluralidade de vozes”. Em meio à discussão, o ex-presidente Kirchner ergueu cartazes em atos públicos contra o maior grupo de mídia da Argentina, o grupo Clarín. Nos cartazes, a frase “o Clarín mente”.

Os dois artigos da Lei de Meios que mais geraram polêmicas se referem à “pluralidade de licenças” e a restrição das “propriedades paralelas dos grupos de imprensa no país”.

Para opositores e para as empresas de mídia, as medidas atentam contra “o direito adquirido”, a “propriedade privada” e a “liberdade de expressão”. Porém em outubro do ano passado, após uma série de disputas judiciais, a Suprema Corte de Justiça entendeu que as normas são constitucionais.

Segundo opositores, o Clarín foi o mais afetado pela medida, já que deveria abriar mão de mais da metade das suas cerca de 200 concessões de TV a cabo e aberto em diversas regiões do país. Outros grupos de mídia também teriam de fazer o mesmo.

Em diferentes ocasiões, representantes do Grupo Clarín sugeriram, porém, que a lei os afetava por questões políticas e acabaria “beneficiando grupos estrangeiros”, incluindo telefônicas com licenças de TVs no país.

Após a manutenção da legislação pela Justiça argentina, o Grupo Clarín entregou um “plano de adequação voluntária” à lei, mas o caso ainda está nos tribunais.

Oração do carreirista bem sucedido na grande mídia brasileira

O Serviço de Alto Falantes Ornitorrinco cumprimenta os presentes nesta fétida quermesse em louvor de São Roberto Marinho dos Sonegadores e de Santo Otávio Frias da Ditabranda.
Copiei a imagem daqui
Merval Pereira, jaguarinha sarnento
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Copiei de Nilson Lage

Meu companheiro Patrão, eu Te amo.
Por Ti, companheiro, abdico de todos os meus sonhos.
Apoiado nos mais renomados teóricos, abandonarei a impossível objetividade por Ti, Patrão, que me sustentas e me dás oportunidade única de conviver em glória com o poder dos oráculos.
Se, por bondade, me deres a graça de um salário melhor e me honrares colocando-me no aquário onde mora o poder, juro perante Ti, apagarei todos os pensamentos que possam ofender Tuas sensibilíssimas e nobres Alma e Bolso. E mais: 
Vigiarei aqueles que intentarem matérias desviantes e pautas inconvenientes.
Se persistirem, os acrescerei à listagem do próximo passaralho, que submeterei à Tua augusta e sábia decisão.
Como perdigueiro, caçarei Teus inimigos camuflados de repórteres e chargistas.
Se me deres a honra de participar das reuniões que iluminas, farei, conTigo, o contraponto certo, discordando sempre em detalhes e até mesmo dando espaço para que me corrijas e , assim, se amplie Teu amor-próprio e confirme-se a correta intuição que flui de Tua superior inteligência.
Se, para meu delírio supremo, concederes-me espaço para emitir opinião própria, buscarei alguma que Te agrade, ó Nobre Senhor, e o farei com criatividade enorme, em nome da paixão que me une a Ti.
Mentirei, se preciso for.
Caluniarei, se perceber que isso Te serve.
Espero, assim, alcançar o sucesso – talvez um acento na Academia de Letras ou um lugar à Tua direita em algum de Teus memoráveis jantares.
Serás sempre o alvo de minha dedicação, até que me despeças
E, se por acaso isso ocorrer, sairei de cabeça erguida, ciente do dever cumprido e disposto a a outro patrão servir, como Te sirvo.
Com a mesma dedicação e empenho.

sábado, 3 de janeiro de 2015

Os mortos na insana, nociva e sanguinária "Guerra às Drogas"

Copiei da LEAP BRASIL  

Durante a recente campanha para as eleições ao cargo de governador do Estado do Rio de Janeiro, um dos candidatos disse durante um debate: “Policial morto; farda em outro”. A frase não chega a ser uma novidade. Novidade foi ter sido verbalizada com naturalidade e sem nenhum repúdio imediato, quer por parte da imprensa, quer por parte da maioria das entidades de defesa de direitos humanos.
Pouco depois, em 28 de novembro, podiam-se ler os seguintes títulos de reportagens sobre a morte do cabo do Exército, Michel Mikami, no complexo de favelas da Maré: “Baleado na cabeça, cabo se torna o primeiro militar morto na Maré” (www. http://oglobo.globo.com/rio/baleado-na-cabeca-cabo-se-torna-primeiro-militar-morto-na-mare-14694567) ou “Rio tem primeira morte de militar do Exército após pacificação” (http://brasil.estadao.com.br/noticias/rio-de-janeiro,rio-tem-primeira-morte-de-militar-do-exercito-apos-pacificacao,1599576). Também aqui sobressai a naturalidade com que a morte é noticiada. Os títulos sugerem que se trata apenas de uma primeira morte; uma morte esperada; a primeira de outras mortes futuras.
Em cada um dos últimos onze meses, em média, nove policiais militares foram assassinados — 85 em dias de folga e 18 em serviço, de janeiro até às 21h do dia 26 de novembro. Em 2013, 111 agentes morreram assassinados. Estes números devem ser constantemente atualizados, já que as mortes não param.
As mortes de policiais ou, agora, de militar, que, ocupando favelas, foi levado a atuar em desviada função policial, assim como as mortes de moradores dessas mesmas favelas, são faces de uma mesma moeda: a insana, nociva e sanguinária política de “guerra às drogas”. 
Enquanto entidades de direitos humanos se preocuparem apenas com o fim dos autos de resistência, com a existência de polícias militares, com busca de verdades de fatos acontecidos há quarenta anos; enquanto falarem de genocídio de jovens negros, sem tocar no real motivo da matança, sem reivindicar o fim da insana, nociva e sanguinária política de “guerra às drogas”, nada fará sentido. 
Os jovens negros – que são 77% dos jovens, com idade entre 15 e 24 anos, vítimas de homicídios dolosos anualmente no país – e os policiais que tombam em serviço ou fora dele não morrem por acaso. Não há um mal misterioso no ar que tira vidas. A principal causa dessas mortes tem nome: a insana, nociva e sanguinária política de “guerra às drogas”. 
Bairros são criminalizados; pessoas são marcadas como alvo; e tudo continua intocado e não dito nas salas onde as decisões que arbitram sobre vida e morte são tomadas.
Quem morre são sempre os mesmos: de um lado, policiais e agora militar de baixa patente; de outro, apontados “traficantes” de chinelos e bermudas. Todos facilmente repostos por seus empregadores. Morrem ainda os tantos inocentes, moradores das favelas, ocupadas ou não, pegos no fogo cruzado.
Desde a proibição da produção, do comércio e do consumo das arbitrariamente selecionadas drogas tornadas ilícitas, essa guerra nunca surtiu efeito: morrem mais pessoas; encarceram-se sobreviventes; apreendem-se mais e mais drogas tornadas ilícitas – e essas se tornam cada vez mais potentes, mais diversificadas e mais acessíveis. Qual o sentido da manutenção desta política? Quem lucra com isso?
Enquanto funcionários da Organização das Nações Unidas e governantes e legisladores dos Estados que a formam, arbitrariamente decidem, na segurança de seus gabinetes, quais drogas devem ser postas na ilegalidade, enquanto esses funcionários, governantes e legisladores, na segurança de seus gabinetes, ignoram o evidente fracasso de sua destrutiva política e insistem em aplicar as criminalizadoras convenções internacionais e leis nacionais sobre as substâncias proibidas, colegas de farda enterram seus companheiros, mães e pais enterram seus filhos, companheiras/os ficam viúvas/os e nenhuma peça nesse tabuleiro é alterada de posição.
Enquanto a disputa toma contornos de guerra, com vinganças pessoais e até institucionais, nada muda. São sempre os mesmos que morrem. Nessa guerra não há vencedores. Só há perdedores.
Ouçamos a palavra de um policial, que conhece bem essa inútil, insana, nociva e sanguinária guerra: “A guerra, ao contrário do que mostram os filmes, não é heroica. Ela é suja. Ela fede. Eu participei de um filme. Participei de uma cena, que retratava a morte do herói do filme. A cena foi muito real, muito bem feita. Foi filmada em uma favela. Mas, ao final da cena, fiquei com a sensação de que faltava alguma coisa. Faltava. O sangue cenográfico não fede. O sangue de verdade tem um cheiro muito forte. Dentre as inúmeras razões por que sou a favor do fim do proibicionismo, é que eu estou cansado dessa guerra. Eu gostaria muito que essa insanidade, que essa guerra, que não interessa aos policiais, que não interessa à sociedade, tenha fim. Estou muito cansado disso. Estou muito cansado de ver policiais morrendo. Essa guerra é suja. Não tem como mexer com sujeira sem sujar as mãos.” Inspetor Francisco Chao, porta-voz da LEAP, no Seminário “Drogas: Legalização + Controle” (http://www.leapbrasil.com.br/noticias/informes?ano=2014&i=310&mes=11).