SOBRE O BLOGUEIRO

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Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.
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quarta-feira, 3 de abril de 2024

Poeminha para Francisco e Miguel

Estive com os dois menininhos ontem
E eles me alumiaram de novo
Chico quer morar num sobrado
Pra ter um quarto lá em cima
Miguel decidiu que será astronauta
Embora não descarte ser tatuador como o pai
Vieram os dois aqui pra casa
E fizemos um lanche matador
Incluindo pão com xaxixo
Exigência expressa de Miguel
E vocês ousam ainda enfrentar-me
Tendo eu, além dos dois menininhos,
Mais seis netos?
Vocês vejam aí, meninos e meninas 
Eu sou um avô invencível
 

 


quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Poema perdido

acabo de perder um poema
apareceu de repente
um verso solto no ar
na minha cabeça e nas nuvens
o poema não nasceu
não veio a lume
sem nome não existe
poema poema poema
poema perdido
poema extraviado
poema inútil
mais um





sexta-feira, 2 de outubro de 2020

Anotações sobre poemas inúteis

tenho feito uns poemas

e neles vagas lembranças

aparecem-me do nada

ou da fumaça dos incêndios

surgem imprecisos

invadem-me nebulosos

e cheiram carnes queimadas

os poemas que me ocorrem

nunca são completos

são pedaços de memórias 

lembranças sem muito sentido

os poemas entretanto 

sempre me acodem e não fazem nada 


segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Esperançazinha

Mirrada escondida
Esperançazinha
Assustada tremida
Olhinhos de muito medo
Corruíra pânico
Esperançazinha
Recolhida no canto
O que faço com meus netos
Que mundo entrego a eles

Eu não sei
Se não posso hoje
Dar a eles nenhuma esperançazinha
Perdoem-me
Eu não pude
Nós não conseguimos
Nem mesmo a esperançazinha

quarta-feira, 1 de julho de 2020

Pouso

Quase aos setenta decidi que ao perceber que vou estatelar-me no chão, tratarei de apreciar os prazeres do vôo até o fim. 

Lá embaixo, depois, verei o que fazer.

sexta-feira, 26 de junho de 2020

Fique em casa!

perto da rodoviária
sob alguma marquise
tiritando no frio de curitiba

um morador de rua
enrolado em trapos quase limpos
um qualquer
qualquer um

vê no ponto de ônibus um cartaz
FIQUE EM CASA!

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Poeminha para Luna, Francisco e Miguel

(Atualizado em 04/01, 11h25)

Luna está aqui comigo, a olhar-me do retrato
E Luna alumia-me, como sempre
Amo você, minha menina

Francisco escreveu uns tantos bilhetes ontem
Eu amo você
Eu amo voseis (para vó duda também)
Você é um vovô maravilha
Eu te amo vovó
Você é uma vovó emqrivieu

Eu gosto de voceis do fundo do coração

E acordou bem cedo
E escreveu mais um eu amo você
Acordou-me cuidado
E avisou-me
Que iria dormir com a vó duda
Piazote danado, né não?

Miguelito tem quase três anos
Almoçando, comendo sozinho,
Acertou o nariz com a colher e esclareceu
Eu aceltei meu popio naliz 
Antes do banho avisou-me
Eu tilei minha popia falda
Comendo bolo, ontem,
Acabou com qualquer discussão
É uma delícia
É de duzentos leais!


Amo vocês Luna, Francisco, Miguel,
Hiago, German, Catarina, João e Mariana.

domingo, 10 de novembro de 2019

Poema para um preso, qualquer um

Mãos negras seguram as grades.
Há um rosto, e olhos, boca, nariz, cabelos?
As mãos negras pertencem a um rosto?
O rosto não tem nome, todavia.
Se há um rosto, nome algum haverá.
Periferia de becos escuros.
De pessoas sem nome.
Elementos suspeitos, diz a polícia.
Deles não quero saber.
Que apodreçam e morram
Entre baratas e ratos.
Eu sou cidadão de bem.


quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Prenhez

Prenhez de dúvidas
E de muito perguntar
Prenhez de não sei nunca soube
Prenhez de ontem de amanhã
Prenhez de duvidar perguntar
De ontem amanhã
Das dúvidas do não saber
Do não perguntar



sábado, 28 de outubro de 2017

ILUSÕES

Aqui e ali
Dou-me para ilusões
Por exemplo
Ontem acreditei
Que entendo o mundo
E, muito pior,
Que sei como consertar tudo
E olhe que não sou
Um esquerdista flamejante
Sou apenas 
Um petista reformista
Um petralha lazarento

sábado, 14 de outubro de 2017

POEMINHA Nº 1 PARA MIGUEL

dois oceanos nos seus olhos
um, pacífico inteiro
outro, atlântico de tormentas
tem riso desatado do meu menino
não viverei muito mais
mas tua presença
agora e hoje
justifica-me pleno
sou seu avô invencível
(miguel, 8 meses, tem agora um poeminha do avô)

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Dez lágrimas

Uma ou duas melancolias
Penduram-se na parede das memórias
Duas ou três tristezas
Agarram-se inúteis em mim
Depois de tanto tempo
Quatro ou cinco lembranças
Avoam sem rumo e não pousam jamais
Seis ou sete certezas
Jazem ali no canto 
Oito ou nove risadas 
Desatam-se quase tristes hoje
Dez lágrimas 
Suspendem-se no ar
Congelando-se 
Entre o que sou de fato
E o que pretendi ser

terça-feira, 23 de maio de 2017

TEMPO DE POESIA?

É mesmo tempo de poesia?

É possível poesia hoje?

Sempre haverá poesia

E tempo para poesia e poetas

Os que escrevem
Cantam Pintam
Avoam Alumiam
Ou, por necessário,
Quebram a porra toda

E para quem luta
Poesia de berros
Consignas Invasões
Porradas Palavrões

Somos poetas inteiros
Homens Mulheres
Luta de poesia
Poesia que não aceita
O que está posto
Poesia que não se rende
Não se entrega
Poesia derramada
Como a nossa luta

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Palavras

palavras escaras
cicatrizes abertas
pus escorrido fedor
invadem meus escritos
sílabas despencadas
meu espanto
palavras açoitam
ventania deserto
palavra areia escorrida
palavras escolhidas escondem
ódio preconceito morte
punhais de palavras
perfuram memórias de sangue
palavras alumiam dizem
palavras redimem anunciam
palavras dispensáveis
palavras avoam em meus escritos
sílabas desabam feito penas
letras flutuam sem sentido
palavras fazem nada
letras de venenos precisos
palavras matam
em meus ásperos escritos
não domo palavras
palavras coices
não podem 
ser montadas

domingo, 15 de janeiro de 2017

POEMA DAS CABEÇAS SEM NOME

Mais cabeças foram decepadas
No presídio de não sei onde
Separadas de corpos cujos nomes desconheço
Mais cabeças foram decepadas
De corpos mortos muito tempo antes
Porque invisíveis
Não quero saber dessas cabeças decepadas
Não quero que encontrem o corpo de onde vieram
Quero morte e sangue
Não quero que saibam da mãe pai irmão filho neto
Não quero que a cabeça decepada pense
Não quero que o corpo apartado seja humano
Quero a cabeça e o corpo no lixo
No lixo da minha cabeça e do meu corpo

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Dos meus poemas


dos poemas que me ocorrem
metade me abandona
metade me acolhe

da metade que abraça
metade não me entende
metade me provoca

da metade que atiça
metade não fala sério
metade me convoca

da metade chamadeira
metade eu não entendo
metade me alumia

da metade que alumbra
metade é lusco-fusco
metade é vagalume

da metade que avoa luz
metade é muito longe
metade me ofusca azul

da metade que me cega
metade me faz tropeçar
metade me faz saber
que sou poeta enganador
que de metades suprimidas
não faz poemas e rimas
apenas lança malabares nos semáforos
pendura confeitos nos retrovisores
quando muito e se tanto
poeta de rimas incompletas
avoando sem rumo em poemas pelo meio