SOBRE O BLOGUEIRO

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Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.
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quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Caralho, o cara pode ser honesto!

Copiei do Carcará


Caralho, o cara pode ser honesto!

Vasculham a vida do sujeito há 41 anos. E não é qualquer vasculhamento, vasculhação, vasculhatório. É hard vasculhation; coisa da pesada - DEIC, DEOPS, SNI, OBAN, PF, MPF, PGR, CIA, FBI, INTERPOL, Mossad e o escambáu. E nada! É tanta gente de olho no cara, de ouvido, de nariz e de pele, que parece estupro coletivo. E a broxada é online.

Caralho, o cara pode ser honesto!

Cheiram o nordestino de cima abaixo e só acham cheiro de carne-seca, suor e resquícios de caninha. Vigiam o cabra com olhos de todo tipo: verdes, azuis, vermelhos, negros, digitais, analógicos, do capeta. E nada! Nada! Nem um dedo!

A gente ouve: não boto a mão no fogo por ele, como não boto a mão no fogo por ninguém. Gente das mesmas linhas amigas suspeitam como todos suspeitam de todos. As suspeitas humanas, civilizatórias, ocidentais "Mas é claro que ele meteu a mão!" Gente amiga que duvida? Imagine a gente inimiga? Ou seja, quase todo mundo duvida.

E quase todo mundo é gente pra-ca-ra-lho! Como essa gente não acha nada, sai com as saídas dos saideiros banais de allways; ah, ele usa laranjas! Como é nordestino, chupador de laranjas de beira de estrada, sabe bem chupar uma amarelinha. E chupa tão bem que ninguém consegue achar nem o bagaço.

Cadê os laranjas?! Ai se aparecesse um ou umazinha... nem que tivesse virado suco! Nada! Nem uma laranja! Nem o caldo! Aí começa a bater uma tristeza nesse povo. Uma tristeza secular, ancestral. Uma impotência milenar, uma sensação de tamanha incompetência que atormenta todo aparato de vigilância planetária. E aí cumpadi, surge o que não deveria surgir. Aquilo, aquele pensamento invasivo, perturbador, a-pa-vo-ran-te que não deveria aparecer.

Caralho, o cara pode ser honesto!

Porra, honesto é foda!

Podia ser tudo menos isso. O macho honesto? Não combina! O cara era pobre, miserável, carrega todo esse know-how, essa retaguarda eleitoral de lenhar e agora ainda é... honesto? Pense o perigo disso! Destoa! Destoa de tudo o que sabemos, ouvimos, conhecemos. Destoa da cidade, destoa do cinema, do congresso, do planalto, destoa da história da humanidade. Não pode. Um merda honesto contamina o resto. É como um careta no meio de mil chapados. É como um vegano no balcão de um açougue. Destoa, não bate.

O cara honesto é só o que o faltava pra desmontar tudo que montamos. Como deixaram ele entrar? Quem abriu a porta? Quem deu a cadeira pra ele sentar? Prum bicho desse não se abre a guarda. Cadê o responsável?

Pô, dotô, não dá pra identificar. Porque não foi um só, ou foi dois, ou foi três. Monte de gente que abriu a porta pra ele entrar, botou a cadeira pra ele sentar e até o tapete pra ele passar. Vermelho, viu? Mais de milhão de gente, milhões, 60, 70 milhões... sei lá dotô! Sei que foi gente pra-ca-ra-lho. E agora dotô? O que a gente faz com essa coisa ruim? Prende?

(Por Arthur Andrade)