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Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.
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terça-feira, 30 de outubro de 2012

E aí petistas, e aí meus companheiros e companheiras, vocês farão apenas a contagem de quantas prefeituras conseguimos e de quantos vereadores elegemos? O jogo se esgota nisso?

Copiei de Com Texto Livre

Nunca houve tanto ódio na mídia conservadora do Brasil

Os textos de Demétrio Magnoli, Ricardo Noblat, Merval Pereira, Reinaldo Azevedo, Augusto Nunes, Eliane Catanhede, entre outros, são fontes preciosas para as futuras gerações de jornalistas e estudiosos da comunicação entenderem o que Perseu Abramo chamou apropriadamente de “padrões de manipulação” na mídia brasileira
 
Os brasileiros no exterior que acompanham o noticiário brasileiro pela internet têm a impressão de que o país nunca esteve tão mal. Explodem os casos de corrupção, a crise ronda a economia, a inflação está de volta, e o país vive imerso no caos moral. Isso é o que querem nos fazer crer as redações jornalísticas do eixo Rio – São Paulo. Com seus gatekeepers escolhidos a dedo, Folha de S. Paulo, Estadão, Veja e O Globo investem pesadamente no caos com duas intenções: inviabilizar o governo da presidenta Dilma Rousseff e destruir a imagem pública do ex-presidente Lula da Silva. Até aí nada novo.
Foto: Demétrio Magnoli, representante do Instituto Millenium (reprodução)
Tanto Lula quanto Dilma sabem que a mídia não lhes dará trégua, embora não tenham – nem terão – a coragem de uma Cristina Kirchner de levar a cabo uma nova legislação que democratize os meios de comunicação e redistribua as verbas para o setor. Pelo contrário, a Polícia Federal segue perseguindo as rádios comunitárias e os conglomerados de mídia Globo/Veja celebram os recordes de cotas de publicidade governamentais. O PT sofre da síndrome de Estocolmo (aquela na qual o sequestrado se apaixona pelo sequestrador) e o exemplo mais emblemático disso é a posição de Marta Suplicy como colunista de um jornal cuja marca tem sido o linchamento e a inviabilização política das duas administrações petistas em São Paulo.
O que chama a atenção na nova onda conservadora é o time de intelectuais e artistas com uma retórica que amedronta. Que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso use a gramática sociológica para confundir os menos atentos já era de se esperar, como é o caso das análises de Demétrio Magnoli, especialista sênior da imprensa em todas as áreas do conhecimento. Nunca alguém assumiu com tanta maestria e com tanta desenvoltura papel tão medíocre quanto Magnoli: especialista em políticas públicas, cotas raciais, sindicalismo, movimentos sociais, comunicação, direitos humanos, política internacional… Demétrio Magnoli é o porta-voz maior do que a direita brasileira tem de pior, ainda que seus artigos não resistam a uma análise crítica.
Agora, a nova cruzada moral recebe, além dos já conhecidos defensores dos “valores civilizatórios”, nomes como Ferreira Gullar e João Ubaldo Ribeiro. A raiva com que escrevem poderia ser canalizada para causas bem mais nobres se ambos não se deixassem cativar pelo canto da sereia. Eles assumiram a construção midiática do escândalo, e do que chamam de degenerescência moral, com o fato. E, porque estão convencidos de que o país está em perigo, de que o ex-presidente Lula é a encarnação do mal, e de que o PT deve ser extinguido para que o país sobreviva, reproduzem a retórica dos conglomerados de mídia com uma ingenuidade inconcebível para quem tanto nos inspirou com sua imaginação literária.
Ferreira Gullar e João Ubaldo Ribeiro fazem parte agora daquela intelligentsia nacional que dá legitimidade científica a uma insidiosa prática jornalística que tem na Veja sua maior expressão. Para além das divergências ideológicas com o projeto político do PT – as quais eu também tenho -, o discurso político que emana dos colunistas dos jornalões paulistanos/cariocas impressiona pela brutalidade. Os mais sofisticados sugerem que a exemplo de Getúlio Vargas, o ex-presidente Lula cometa suicídio; os menos cínicos celebraram o “câncer” como a única forma de imobilizá-lo. Os leitores de tais jornais, claro, celebram seus argumentos com comentários irreproduzíveis aqui.
Quais os limites da retórica de ódio contra o ex-presidente metalúrgico? Seria o ódio contra o seu papel político, a sua condição nordestina, o lugar que ocupa no imaginário das elites? Como figuras públicas tão preparadas para a leitura social do mundo se juntam ao coro de um discurso tão cruel e tão covarde já fartamente reproduzido pelos colunistas de sempre? Se a morte biológica do inimigo político já é celebrada abertamente – e a morte simbólica ritualizada cotidianamente nos discursos desumanizadores – estaríamos inaugurando uma nova etapa no jornalismo lombrosiano?
Para além da nossa condenação aos crimes cometidos por dirigentes dos partidos políticos na era Lula, os textos de Demétrio Magnoli , Marco Antonio Villa, Ricardo Noblat , Merval Pereira, Dora Kramer, Reinaldo Azevedo, Augusto Nunes, Eliane Catanhede, além dos que agora se somam a eles, são fontes preciosas para as futuras gerações de jornalistas e estudiosos da comunicação entenderem o que Perseu Abramo chamou apropriadamente de “padrões de manipulação” na mídia brasileira. Seus textos serão utilizados nas disciplinas de ontologia jornalística não apenas com o exemplos concretos da falência ética do jornalismo tal qual entendíamos até aqui, mas também como sintoma dos novos desafios para uma profissão cada vez mais dominada por uma economia da moralidade que confere legitimidade a práticas corporativas inquisitoriais vendidas como de interesse público.
O chamado “mensalão” tem recebido a projeção de uma bomba de Hiroshima não porque os barões da mídia e os seus gatekeepers estejam ultrajados em sua sensibilidade humana. Bobagem! Tamanha diligência não se viu em relação à série de assaltos à nação empreendidos no governo do presidente sociólogo! A verdade é que o “mensalão” surge como a oportunidade histórica para que se faça o que a oposição – que nas palavras de um dos colunistas da Veja “se recusa a fazer o seu papel” – não conseguiu até aqui: destruir a biografia do presidente metalúrgico, inviabilizar o governo da presidenta Dilma Rousseff e reconduzir o projeto da elite ‘sudestina’ ao Palácio do Planalto.
Minha esperança ingênua e utópica é que o Partido dos Trabalhadores aprenda a lição e leve adiante as propostas de refundação do país abandonadas com o acordo tácito para uma trégua da mídia. Não haverá trégua, ainda que a nova ministra da Cultura se sinta tentada a corroborar com o lobby da Folha de S. Paulo pela lei dos direitos autorais, ou que o governo Dilma continue derramando milhões de reais nos cofres das organizações Globo e Abril via publicidade oficial. Não é o PT, o Congresso Nacional ou o governo federal que estão nas mãos da mídia.
Somos todos reféns da meia dúzia de jornais que definem o que é notícia, as práticas de corrupção que merecem ser condenadas, e, incrivelmente, quais e como devem ser julgadas pela mais alta corte de Justiça do país. Na última sessão do julgamento da ação penal 470, por exemplo, um furioso ministro-relator exigia a distribuição antecipada do voto do ministro-revisor para agilizar o trabalho da imprensa (!). O STF se transformou na nova arena midiática onde o enredo jornalístico do espetáculo da punição exemplar vai sendo sancionado.
Depois de cinco anos morando fora do país, estou menos convencido por que diabos tenho um diploma de jornalismo em minhas mãos. Por outro lado, estou mais convencido de que estou melhor informado sobre o Brasil assistindo à imprensa internacional. Foi pelas agências de notícias internacionais que informei aos meus amigos no Brasil de que a política externa do ex-presidente metalúrgico se transformou em tema padrão na cobertura jornalística por aqui. Informei-lhes que o protagonismo político do Brasil na mediação de um acordo nuclear entre Irã e Turquia recebeu atenção muito mais generosa da mídia estadunidense, ainda que boicotado na mídia nacional. Informei-lhes que acompanhei daqui o presidente analfabeto receber o título de doutor honoris causa em instituições européias, e avisei-lhes que por causa da política soberana do governo do presidente metalúrgico, ser brasileiro no exterior passou a ter uma outra conotação. O Brasil finalmente recebeu um status de respeitabilidade e o presidente nordestino projetou para o mundo nossa estratégia de uma America Latina soberana.
Meus amigos no Brasil são privados do direito à informação e continuarão a ser porque nem o governo federal nem o Congresso Nacional estão dispostos a pagar o preço por uma “reforma” em área tão estratégica e tão fundamental para o exercício da cidadania. Com 70% de aprovação popular, e com os movimentos sociais nas ruas, Lula da Silva não teve coragem de enfrentar o monstro e agora paga caro por sua covardia.Terá a Dilma coragem com aprovação semelhante, ou nossa meia dúzia de Murdochs seguirão intocáveis sob o manto da liberdade de e(i)mprensa?
Jaime Amparo Alves, jornalista, doutor em Antropologia Social, Universidade do Texas em Austin – amparoalves@gmail.com
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PIG e eleições 2012: a vã tentativa de gozar com o bigolin ou o clitóris alheios

Os colunistas a soldo do PIG, por não poderem admitir que o PT foi o grande vencedor destas eleições municipais, tratam de enfatizar o crescimento - real e consistente, diga-se - do PSB, e não escondem que estão a torcer para que o governador Eduardo Campos, de Pernambuco, migre para a oposição em 2014.
Como o que lhes resta por ora é a cambaleante candidatura de Aécio Neves, que aspira muita coisa, se me permitem a imagem talvez um pouco grosseira, isso é vã tentativa de gozar com o bigolin ou o clitóris alheios.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Reunião de pulhas

 

Eles se merecem, sem nenhuma dúvida, mas o PT já esteve juntinho com o filhodaputa do Roberto Jeferson. 

Temos que derrotar o Serra e a direitona? É óbvio que temos. 

Mas nas eleições de 2014 a laia do Roberto Jeferson e gente assemelhada estará com o PT? Quem nos garante que os Altos Ofinoses não decidirão que devem os petistas ajeitar e lubrificar o fiofó para esta gente? 

Eu só não quero ser lá muito chato, meus amigos petistas, mas está difícil, está muito difícil dar pau no Roberto Jeferson e defender o pulha do Gugu Fruet, vocês não acham?

Um e outro, afinal, nos chamaram de quadrilheiros, não se esqueçam.

Vocês vejam aí, meninos e meninas, o que pode ser feito, o que pode ser explicado, ou o que não pode ser explicado, ou o que depende apenas de fé, que significa, é bom lembrar, acreditar sem ver. 

O PT hodierno quer ser puro pra caralho aqui, é levemente pragmático acolá e rasteiramente jaguara logo ali adiante e, na média, os capas pretas pensam que a militância estará sempre a postos forever.
 
Bem, a velha e boa militância petista está de saco cheio.

Sim, eu sei que agora é mais confortável contratar melancólicos agitadores de bandeiras a módicos R$ 30,00 por dia.

Não fazem perguntas, não ficam enchendo o saco de ninguém: recebem e se mandam, embora, se receberem mais uns vintão, até podem dar uns gritinhos e ensaiar um coro patético de "fulano, fulano, fulano!" no comício da noite.

Na parede da memória, etc.

Há algo de novo por trás dos azarões

Copiei de Carta Maior

Há algo de novo por trás dos azarões
 
Os candidatos que surpreenderam por suas intenções de voto em algumas cidades do país podem não ser apenas “azarões”. Talvez sejam a face mais evidente de um fenômeno político que junta fé, dinheiro e comunicação de massa.

Os casos mais gritantes têm sido, até o momento, Celso Russomano, em São Paulo, e Ratinho Jr., em Curitiba. Mas eles não são os únicos. Ao contrário, expressam uma fórmula que tem feito sucesso. Não é um fenômeno que tende a tomar conta da política brasileira. Não representa um setor social majoritário. Não se vincula a um rígido padrão de classe. Mas se trata de uma maneira de se fazer política que tem ganhado corpo paulatinamente.

Uma legião de candidatos a prefeito, vice-prefeito e vereador será eleita fazendo uso dessa receita. Estarão alinhados aos que já têm assento federal. Segundo o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP, 2011), a bancada evangélica eleita em 2010 mais que dobrou em relação à de 2006, passando de 36 integrantes para 73 parlamentares.

A fórmula garante sucesso pessoal, financeiro e político. É um meio de vida que tem na política um de seus braços; na comunicação, sua voz; na religião, sua plataforma.

Embora retrógrado em vários sentidos, o neoconservadorismo religioso é um fenômeno de novo tipo. Por sua relação umbilical com a religião e a comunicação de massa, não se equipara a qualquer espécie anterior de populismo. O neoconservadorismo também é uma novidade em relação ao velho conservadorismo elitista, golpista e liberal. Aquele conservadorismo da Marcha da Família com Deus pela Liberdade, de 1964, e que fez da Teologia da Libertação seu principal inimigo, nos anos 1970 e 1980, colhe agora o fruto do que plantou: o maior retrocesso do catolicismo em todos os tempos, seu afastamento entre os mais pobres, sua dificuldade em modernizar-se.

Segundo os dados do Censo de 2010, os evangélicos foram o segmento religioso que mais cresceu no Brasil nos últimos 10 anos. Saltaram de 15,4% da população para 22,2%. Passaram de 26,2 milhões para 42,3 milhões de brasileiros. Em 1980, esse percentual era de apenas 6,6%. (IBGE, 2010)

Os católicos, que em 2010 ostentaram um poderoso número de 64,6% da população, coincidentemente têm seu menor percentual no Rio de Janeiro (45,8%), estado onde o conservadorismo ortodoxo e o combate à Teologia da Libertação tinha sua organização mais consistente e sua liderança mais expressiva, Dom Eugênio Sales, arcebismo do Rio por 30 anos.

Não é na chamada “nova” classe média que o segmento evangélico mais cresce. É entre mais pobres. Mais de 60% dos pentecostais recebem até 1 salário mínimo. A segunda maior proporção está entre os sem religião (59,2% deles são pobres). Os católicos têm apenas a terceira maior proporção nessa faixa de renda (55,8% ).

O neoconservadorismo gosta de Estado, de políticas sociais, da promoção da igualdade. Talvez por razões cristãs, mas também porque se beneficiam dos tempos de bonança. Podem obter retribuição crescente dos fiéis que se julgam recompensados por alcançarem uma graça (emprego, pagamento de dívidas, aumento de salário, um tratamento médico).

Demagogos modernos
As características socioeconômicas ajudam a entender, mas são insuficientes para explicar o fenômeno por completo. Elas precisam ser vistas à luz da montagem de uma poderosa máquina política a serviço do neoconservadorismo religioso. Os nomes lançados à disputa municipal não foram escolhidos por sua posição na hierarquia religiosa. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, apenas 765 candidatos se declararam "sacerdote ou membro de ordem ou seita religiosa", sendo apenas 37 os candidatos a prefeito (apenas 0,24% do total), 39 vice-prefeitos (0,26%) e 689 (0,16%) os candidatos a vereador nessa condição, incluindo todas as denominações religiosas. (TSE, 2012)

A relação dos candidatos com suas igrejas é certamente um senhor reforço, na medida em que estão colados aos pastores que fazem sua pregação eleitoral de forma ostensiva, no púlpito e com o dinheiro dos fiéis, e a siglas partidárias patrocinadas por tais igrejas. Mas, para que os candidatos sejam competitivos, precisam de algo mais. Esse algo mais atende pelo nome de comunicação de massa.

Em um sistema eleitoral no qual as campanhas são muito curtas, o eleitor é cego diante de muitos candidatos, e o comunicador reina. O maior problema de um candidato é se tornar conhecido. O segundo é evitar ser rejeitado (conhecido negativamente).

O comunicador tem um horário eleitoral gratuito todo santo dia à sua disposição, conquistado, é bem verdade, por dotes pessoais. Ele deve ter talento na arte de atrair a atenção, de mobilizar paixões e ódios, de mexer com o sentimento das pessoas. Quando isso envolve pregação religiosa, a fidelidade tem tudo para ser bastante forte. O suficiente para aguentar três meses de campanha sob fogo cruzado.

O neoconservadorismo religioso pode ser uma novidade também por colher os frutos de um processo plantado desde 1997, quando se abriu espaço para uma nova leva de emissoras de rádio e TV e à renovação de antigas concessões. Em muitos casos, elas mudaram de dono e foram parar nas mãos de organizações religiosas, a ponto de se ter formado uma grande rede nacional de emissoras diretamente associada a uma dessas igrejas. Além disso, se tornou prática costumeira o aluguel de tempo de TV para programas de pregação religiosa. Algo aconteceu naquela época que transformou os evangélicos em uma força de grande peso midiático, antes mesmo de se tornarem uma força política e social de maior expressão.

Max Weber, no seu famoso texto em que distinguia os políticos que viviam para a política daqueles que viviam da política, chamava a atenção para o fato de que o jornalista havia se tornado o grande demagogo moderno. Tomava a expressão em seu sentido clássico, ou seja, referindo-se a quem tinha o talento especial de ser um mestre na arte de convencer o público a tomar partido, a se decidir a favor ou contra uma opção.

A velha mídia tem feito um convite diário à demagogia por meio da esculhambação do entendimento sobre a política. A disseminação da descrença nas instituições faz grassar o moralismo rasteiro e a fé ritualística que disputa o lugar do debate sobre propostas. O neoconservadorismo agradece. Mesmo seus representantes mais toscos têm muito mais a dizer do que os candidatos engomados e da predileção indiscreta da mídia mais tradicional.

Antonio Lassance é cientista político e pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). As opiniões expressas neste artigo não refletem necessariamente opiniões do Instituto.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Capachos do mundo, uni-vos!

Copiei a imagem de Guilherme Bessa

O Serviço de Alto Falantes Ornitorrinco, ao cumprimentar os presentes nesta grandiosa quermesse em louvor de Nossa Senhora das Coligações Improváveis, convida os interessados em assumir função tão indispensável - a de capacho de quem manda - para palestra com famosos e bem sucedidos puxa-sacos de nomeada e de diferentes extrações e origens.



sábado, 21 de abril de 2012

domingo, 15 de maio de 2011

Classificados

No meu governo prometo concluir esta obra sem aumentar abusivamente os gastos com papel higiênico.
Candidato a prefeito, por qualquer partido, experiência e safadeza comprovadas. Faço coligações e surubas ideológicas, vou ali no escurinho e atrás de qualquer muro, e viro “os zóinho”, e canto qualquer gospel que surja. Sou contra a ditadura gay, contra o aborto e a favor das igrejas todas, e prometo cargos e acertos lucrativos em licitações. Não sou de esquerda, nem de direita, nem de centro, nem de cima, nem de baixo, nem de lado, mas se necessário assumo qualquer posição, desde que discretamente. Tratar pessoalmente, jamais por telefone ou por escrito. Mensagens e piscadelas discretas para este blog, aos cuidados de “candidato”.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Algumas propostas iniciais para um programa de governo para Antonina

Minha querida amiga Rosangela Basso, dos tempos bicudos da construção da CUT e da Oposição na APP-Sindicato, hoje levemente doidinha, pergunta se deve transferir seu título do Rio do Janeiro para Antonina de modo a poder votar em mim, o famoso Nenhum Deles e inexorável vencedor das próximas eleições aqui na terra de Valle Porto, belo nome que pretendo registrar como marca de azeitonas pra ver se consigo um reforço orçamentário para 2011.  

Boa ideia, querida amiga, na verdade excelente ideia. Para todos os fins de direito, você está sendo nomeada a Coordenadora Oficial do Processo de Transferência de Títulos Eleitorais de Petistas-Abortivos para a Comarca de Antonina. Nosso objetivo estratégico é que eu tenha alguma coisa entre 28 mil e 43 mil votos, isso numa cidade que tem 19 mil habitantes e uns 13 mil eleitores. Seria uma vitória acachapante, avassaladora e tão incontestável que me permitiria, já no primeiro dia do meu mandato, adotar, determinar e fazer cumprir as seguintes medidas, de modo que, no meu governo:

1. Serão sumariamente fechadas as espeluncas denominadas Pisa na Barata, Leão Dourado, Carimbózinho, Clube Primavera e merdas assemelhadas.
2. Estará expressamente proibida a contratação de bandas falsificadas de axé-music para o nosso carnaval e, do mesmo modo, estarão proibidas bandas desta porcaria chamada axé-music, ainda que autênticas bandas desta imundície baiana chamada de axé-music.
3. Nossas formidáveis e valentes escolas de samba terão que trabalhar o ano todo para viabilizar o desfile no carnaval. No meu governo, se me permitem, não haverá dinheiro público para coisa alguma relacionada ao carnaval se não houver garantia de retorno equivalente na forma de impostos devidamente recolhidos por todos os empresários que ganham uma puta grana durante o chamado tríduo momesco, mas recolhem impostos como se estivessem em pleno mês de maio de 1942, na Alemanha sob intenso bombardeio aliado. No meu governo, oh formidáveis empresários, não haverá nenhuma conversa mole do tipo me-engana-que-eu-gosto.  
4. Haverá a unificação das festas religiosas hoje existentes, a da padroeira nossa senhora do pilar e a marcha para jesus, numa celebração ecumênica pela vida, pela paz, pela manutenção de portas e janelas sempre abertas e contra a intolerância e a discriminação.
5. O senhor Eduardo Bó será aclamado, em praça pública, como o Único e Legítimo Procurador Permanente e Incondicional de Defeitos, Problemas e Cagadas de Quaisquer Pessoas e Instâncias Municipais, Estaduais, Federais e Galáticas, e ele será declarado o Mais Preparado e Superior Antoninense Jamais Nascido (para entender, vá na Mixórdia de Antonina e acesse a palavradobó) .
6. Duplas de sertanejo-universitário, grupos de forró-universitário, bandas de adoração e de gospel gosmento, grupos de pagodeiros-românticos e porcarias semelhantes serão impedidos de ingressar em nosso município, e serão denunciados por atentado violento ao pudor, bem como carregamentos de chuchu e “catupiry” de pizzarias.

Sou candidato a prefeito e há uma profecia garantindo que serei eleito, e sou ateu, bocudo, coxa-branca e estou em paz. Vai encarar-me ou vai votar no Luis Carlos, ou na Mônica, ou no José Luiz, o “bolinadinho”?

Se eu fosse você eu ligava pra mim.