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Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.
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terça-feira, 12 de abril de 2022

A oposição à chapa Lula-Alckmin ultrapassou os limites do razoável

Gilberto Maringoni (copiei do indispensável DCM)

Corre o risco de cair na sabotagem aberta

Juro que não consigo entender a carga pesada que alguns ativistas de esquerda – gente de valor – fazem contra a chapa Lula-Alckmin. Os resultados desastrosos do primeiro turno francês batem na nossa cara, depois dos quatro candidatos progressistas sequer terem se sentado para traçar uma tática comum, que poderia ter levado Jean-Luc Melénchon à segunda volta.

Tenho duas impressões sobre a tentativa de torpedear a chapa progressista brasileira, que unifica vários partidos.

A PRIMEIRA é a sensação que os que a atacam são insensíveis não apenas a fascistização do governo Bolsonaro e seus apoiadores, mas à gosma social que o sustenta. Os últimos sete anos, com três governos que investiram pesado na desconstrução de regras e parâmetros públicos de convivência, geraram monstros sociais incontroláveis. As Forças Armadas viraram um lumpesinato fardado, as polícias estão incontroláveis, diversos bandos milicianos fortemente armadas estão prontos para botar fogo no circo nos próximos meses, entre outras coisas. Diante disso, os detratores da chapa Lula-Alckmin atuam como se estivéssemos na Suíça, com as condições normais de temperatura e pressão garantidas até outubro;

A SEGUNDA IMPRESSÃO vem de um purismo infantilóde que descortina oportunismo cru. Alguém acha, sinceramente, que Alckmin tem posições mais neoliberais do que Antonio Palocci e Henrique Meirelles – que elevaram a selic a 26,5% em 2003 e o superávit primário para 4,8% do PIB em 2005 (índice sequer tentado nos anos FHC)?

Ou que a fé mercadista do governador suplanta a de Dilma Rousseff, que dobrou o desemprego em 15 meses e chegou a dizer – ao jornal belga Le Soir, em junho de 2015 – que não havia outro caminho a não ser o alucinado ajuste fiscal que arrebentou nossa economia?

Alckmin seria mais conservador que José Eduardo Cardozo, que ofereceu ao ex-governador a Força Nacional para reprimir os protestos de 2013? Seria um direitista mais extremado que Dias Tóffoli, Luís Fux, Luís Roberto Barroso, Edson Facchin e outros juristas de confiança do PT?

Pela composição de forças, a chapa Lula-Alckmin não parece ser nem melhor e nem pior do que as administrações do período 2003-16. Assim como aqueles governos, a chapa não tem em seu horizonte qualquer perspectiva de transformação social.

Ocorre que a política gira e a Luzitana roda. Hoje, mesmo um governo mediano e tímido é preferível à barbárie em curso. As oposições de esquerda ao longo dos 13 anos petistas foram incapazes de gerar um programa de desenvolvimento factível e realista. Não adianta brigar pelas aparências agora.

Assim, repito: investir contra a chapa Lula-Alckmin não apenas atrapalha, mas objetivamente sabota a única tentativa viável de nos tirar do abismo e de recolocar o Brasil no rumo da democracia.

XXX---XXX

Em fevereiro, agorinha, postei um Comunicado urbi et orbi para a esquerda punheteira (veja aqui), o qual, ao fim e ao cabo, diz a mesma coisa que este texto do Gilberto Maringoni, com quem, aliás, já troquei caneladas virtuais. 

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Leblon, sábado, calor do cão, porta do Bracarense

Copiei do DCM
image

Gilberto Maringoni

– Ei, Joca!

– Caralho, Armínio!

– O Edmar ta vindo aí. Que surpresa! Achei que você tava direto em Brasília…

– Pois é. Fiquei de novembro até agora. Como o pontapé inicial tá dado, vim pegar um sol de fim de semana.

– Foi no estádio?

– Não O Fogão vai me dar uma dor de cabeça que eu não preciso agora.

– Mas me conta, como anda a coisa lá? A mulher pega muito no pé?

– Nada…

– Ei, ó o Edmar chegando. Vem com o Ilan.

– Pô, Ilan, tu perdeu peso, mas não a barriga, hein?

– Mas tu aluga, hein, Joca?…

– Gente, peraí. O Joca ta me contando aqui como anda a coisa por lá. Diz aí, Joca, tu já entrou pro PT?

– Deus me livre, Mínio, Deus me livre. Além de tudo, não carece…

– Mas como tá lá?

– Tá ótimo. Nem uma contrariedade, nem nada. Cheguei, falei pra presidente…

– Tu não chama ela de presidentA?

– Fala sério! Pra mim é presidente e acabou.

– E ela não chia?

– Sei lá, pra mim, não…

– Mas vai, conta.

– Então, cheguei lá, no primeiro dia e ela me chamou. Tava ela e aquele gaúcho…

– O Miguel?

– Isso, o Miguel e o Aloísio. Aí eu falei, sabe, presidente, a senhora me chamou, mas eu tenho uma linha. E aí ela me cortou…

– Eu sabia. Ela corta, berra, xinga…

– Tá maluco? Nada disso. Ela me cortou pra dizer assim. Seu Joaquim. Ela me chama de seu Joaquim. Seu Joaquim, nós chamamos o senhor…

– Senhor? Ela te chama de senhor?

– Tudo na moral, no maior respeito. Seu Joaquim, nós chamamos o senhor porque sabemos qual sua orientação e damos carta branca. A coisa tá feia, o mercado ta arisco, o investimento caiu e nós não podemos brincar em serviço. O senhor indique quem tem de indicar, faça o que tem de ser feito e nós vamos conversando aí…

– Como é que é?

– É, cara. Senti que os caras tão no mato sem cachorro e querem que eu resolva.

– Sei. O Mr. Wolf, do Pulp Fiction. “I solve problems”.

– Pensei isso na hora. Fazem a merda, lambuzam tudo e aí chamam Mr. Wolf. Quase falei “I solve problems”…

– Mas o Aloísio, todo metido a desenvolvimentista, todo Unicamp, todo, todo, não chiou?

– Edmar, deixa eu te falar. Esse é o que menos chia. Ninguém ali chia. Eles estão apavorados com o mercado, com a balança comercial, com a queda dascommodities, com a China, com a transmissão disso no emprego, com o teto da meta e o caralho. Tão com o cu na mão, se me entende. Fizeram uma campanha tosca, sabem que mentiram pra cacete e tão se borrando todos. Topam qualquer coisa!

– Topam tudo?

– Acho que menos beijar na boca! Se o Aécio tivesse levado, Mínio, aí você ia ver o que é bom pra tosse. O Serra – que ta meio gagá – ganhou força com a eleição. Ia fazer aquela demagogia de política industrial, investimento etc. Aqui não tem disso. Querem resolver problemas.

– Mas e aquele abaixo assinado, o Belluzzo, a Conceição, a Unicamp?

– Fala pra mim, Ilan: quem no governo quer saber deles? Quantos votos têm?

– E o esporro que ela deu no Nelson?

– Mas o Nelson é meio PT, ela não respeita muito o Nelson. Ele cagou com aquele negócio do salário mínimo e teve o troco. Eu não entro nessa. De mais a mais, resolvi testar.

– Testar?

– É, testar.

– Peraí, antes de você contar, vamos pedir alguma coisa? Caipirinha de vodka pra todo mundo? E aquele bolinho de carne seca invencível?

– Pede lá. Então, logo que fui nomeado, quis fazer um teste. E fui pesado. Falei pra presidente – coisa que o Nelson não fez – , olha, vamos fazer um superávit baixo, mas não podemos sangrar o empresariado, se não, não dá nem para começar o trabalho.

– Você é um filho da puta, hahahahaha!

– Calma, Edmar. Isso é só o intróito… Falei, vamos ter de mudar algumas coisas aí no seguro-desemprego, nas pensões e tal. E ela pulou.

– Pulou, como?

– Ficou puta da vida, disse que tinha falado na campanha que não mexeria e tal, aquela história da vaca tussa e o cacete. E aí veio o Aloísio e serenou os ânimos.

– Esse topa tudo!

– Topa, Mínio, topa. Eu entrei com um argumento baixo – números -, mas é o que ela gosta. Olha lá, clima tenso, ela chiando, o Aloísio tentando acalmá-la. E eu soltei a bomba: vamos economizar R$ 18 bilhões só nisso, presidente. E não vamos mexer com quem está na ativa, com quem tem poder de mobilização. Vai ter uma semana de chiadeira e acaba.

– Eu falo, tu é um filho da puta! Rárárárá!! E ela topou?

– Na hora, Edmar! Esse foi o teste. Se o PT que é o PT topa mexer com os assalariados, o resto sai na urina. Abrir o capital da Caixa, arredondar para menos o reajuste do mínimo – que ninguém nota, pois são dois reais, mas dá um puta efeito -, aumentar os juros da casa própria… Tudo vem na banguela, na descida…

– Tu tem carta branca, então?

– Mais do que você teria, Mínio. E depois que o Rui, na reunião do diretório lá deles falou que minha nomeação era assunto encerrado, acabou!

– E você ainda veio com aquela de “patrimonialismo”… Rááráráráárárárá!!!

– Pois é… Coloquei na última hora no discurso. E isso fodeu com o Guido, que engoliu seco. Ele e o PT, o Lula e o escambau. Mas eles adoram. Adoram tudo o que faço. E ela fez comigo uma coisa que não faz nem com o PMDB: me deu o ministério de porteira fechada. Vou nomear todos vocês!

– Não fode, Joca.

– E agora?

– Agora é isso, já avisei, Ilan. Dois anos de ajuste pesado, vai ter solavanco, vai ter porrada, a base pode chiar um pouco, a CUT vai gritar, mas a vida é assim. Eu falo de novo: eles estão fodidos, cagados, com o cu na mão. E não tem meio ajuste. É até o talo. Vamos abrir mais empresas, vender o que dá para ser vendido, mexer na CLT, aprovar a terceirização e deixar o pessoal gritar. Sangue frio eu tenho, vocês sabem. E eles não têm culhão para ir pra cima do empresariado, dos bancos…

– E ela?

– Ela fez a escolha dela. E agora não tem volta atrás.

– Putz, você é mesmo um filho da puta, Joca, um grande filho da puta. E sabe que com o Aécio, eu teria mais dificuldade, até pela oposição do PT…

– Pois é, Mínio. Anulamos quem poderia se opor.

– Agora, vem cá… E essas alas do PT. E a esquerda?

– No PT não tem mais nada. Só tenho receio de um cara de esquerda, que de vez em quando, ainda conversa com a presidente… E pode criar confusão…

– Quem? O chefe lá do MST? O garoto do Sem Teto? Os malucos do PSOL e do PSTU?

– Cê ta na lua, mesmo, né, Ilan? Nada disso. Esses tão fora!

– O Lula?

– Puta que o pariu! Vocês não lêem nem jornal. Ficam nessa história de mercado, mercado e não sabem o que acontece no mundo.

– Então quem, porra?

– O Delfim, o cara mais à esquerda que ela ainda ouve…

(Estupor geral)

– O Delfim.

(Gargalhadas estrepitosas, enquanto chegam as caipirinhas e os bolinhos)


Sobre o Autor: Gilberto Maringoni, professor de Relações Internacionais da UFABC e candidato do PSOL ao governo de São Paulo, em 2014

terça-feira, 8 de julho de 2014

Foi-se Plínio, o radical tranquilo. Alevantem-se, combatentes de esquerda!

Copiei de Gilberto Maringoni


Morreu Plínio de Arruda Sampaio.
Morreu pouco antes de uma derrota histórica da Seleção brasileira.
Duas tristezas num dia só.
Plínio nasceu no exato dia em que assassinaram o presidente da Paraíba – assim eram chamados os governadores -, no processo que deflagrou o início da Revolução de 1930. Ao longo do tempo, sua vida política o aproximou dos ideais de outro 26 de julho. Essa é também a data em que um grupo de barbudos tentou tomar de assalto o quartel Moncada, em Santiago de Cuba, em 1953. O comandante da ação era um grandalhão falante, cujo nome ecoaria mundialmente pelas seis décadas seguintes, Fidel Castro Rúiz.
Plínio tinha uma aparência de senador romano de filmes da Metro. Testa alta, nariz proeminente e olhar seguro. A voz calma e límpida e os gestos firmes não eram correspondiam à sua idade atual. Mesmo quando fazia um discurso incisivo contra o agronegócio ou em defesa de uma ação mais radicalizada por parte dos setores populares, pareciao mais moderado dos homens. No fundo, poderia ser definido como um radical tranqüilo. “Se não fizesse política, o câncer teria me levado”, ironizou ao se recuperar de um tumor no estômago, há quase dez anos.
MILITANTE
“Ele era antes de tudo um militante”, sintetiza sua esposa, Marieta Ribeiro de Azevedo Sampaio, com quem estava casado desde 1954, época em que se formou em Direito pela Faculdade do Largo de São Francisco. “Quando eu o conheci, dois anos antes, ele já era um militante”.
Ligado à Igreja, Plínio deu seus primeiros passos na política através da Juventude Universitária Católica, organização surgida a partir da Ação Católica Brasileira. Em 1959, foi nomeado subchefe da Casa Civil de Carvalho Pinto, governador do Estado. Ali coordenou o Plano de Ação, um amplo programa de planejamento e de intervenção integrada de todas as esferas do Estado no desenvolvimento. Ainda nos anos 1950, entrou para o Partido Democrata Cristão (PDC), que tinha em André Franco Montoro (1916-1999) um de seus principais líderes.
Façamos as contas: foram quase 84 anos de vida e 62 de atividade política incessante. Plínio vinha de uma família de produtores de café e fez uma trajetória raríssima. De posições inicialmente moderadas, ao longo dos anos ele percorreu um caminho que o levou cada vez mais à esquerda. “Eu vim da direita”, costuma brincar. É um exagero. Mas contam-se nos dedos os ativistas com origem familiar abastada que transitaram rumo à esquerda socialista. No Brasil, possivelmente o caso mais notável seja o de Caio Prado Jr., com quem Plínio conviveu. O ex-Secretário Geral do Partido Comunista Italiano (PCI), Enrico Berlinguer (1922-1984) é outro. Se formos aos mais notáveis, vale lembrar que Friedrich Engels (1820-1895) era filho de um industrial inglês e Fidel Castro tinha um pai latifundiário.
Eleito deputado federal em 1962, Plínio logo se tornaria relator do plano de reforma agrária do governo João Goulart (1962-1964). A antipatia dos setores mais conservadores da sociedade foi imediata.
GOLPE E EXÍLIO
Não deu outra: quando foi deflagrado o golpe de 1964, Plínio estava na primeira lista de cassações, juntamente com Luiz Carlos Prestes, João Goulart, Leonel Brizola, Miguel Arraes, Francisco Julião, Darcy Ribeiro, Celso Furtado e dezenas de outros.
No exílio, ele trabalhou na FAO (órgão da ONU que trata das questões relativas à agricultura e à alimentação), em Santiago do Chile e, a partir de 1970, nos Estados Unidos. Assessorou programas de reforma agrária em quase duas dezenas de países da América Latina e da África.
O ex-deputado voltou ao Brasil antes da Anistia. Chegou em 1976 e tornou-se professor da Fundação Getulio Vargas, após ter concluído um mestrado em Economia Agrícola na Universidade Cornell.
Tomou parte nas intensas lutas sociais que marcaram o final da ditadura. Ingressou primeiro no Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e logo saiu para fundar o Partido dos Trabalhadores, em 1980, após as formidáveis greves do ABC paulista, lideradas por Luís Inácio Lula da Silva.
PT E CONSTITUINTE
Eleito deputado constituinte, em 1986, Plínio bateu-se por um projeto de reforma agrária que erradicasse o latifúndio. Com a paulatina destruição do texto constitucional, realizada por mais de 60 emendas, nos anos 1990, ele mostrava certo desencantamento com os rumos da Carta de 1988. Em palestra realizada há seis anos no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), em Brasília, o ex-parlamentar foi ácido: “O breve resumo histórico das idas e vindas do processo de elaboração da Constituição Cidadã impõe a conclusão de que o texto promulgado em de 1988 foi fruto de uma ilusão. Baseava-se no falso pressuposto de que a nova ordem econômica e política neoliberal, então hegemônica em todo o mundo capitalista desenvolvido, ainda não havia fechado as portas para o prosseguimento de projetos de construção nacional nos países de sua periferia”.
Dirigente petista, membro da coordenação da campanha Lula à presidência em 1989, Plínio foi o principal formulador da política agrária do partido por muitos anos. Foi líder da agremiação na Câmara e candidato a governador pelo PT, em 1990. Tornou-se presidente da Associação Brasileira pela Reforma Agrária (ABRA) e um dos mais importantes colaboradores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Membro da corrente majoritária do PT, a Articulação, aos poucos ele se tornou um aliado da esquerda partidária.
Paulatinamente desencantado com os rumos do PT, após a eleição de Lula, em 2002, Plínio foi candidato à presidência da legenda em 2005. Sua maior contrariedade estava com a política econômica capitaneada por Antonio Palocci e Henrique Meirelles, o que entendia ser uma continuidade da orientação adotada durante o governo Fernando Henrique Cardoso.
PSOL E CANDIDATURA
Em setembro daquele ano, juntamente com cerca de dois mil militantes de todo o país, ele deixa a legenda que ajudou a fundar e filia-se ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).
Em 2006, Plínio sai novamente candidato ao governo de São Paulo. “Tivemos quase 450 mil votos com um orçamento de cerca de R$ 20 mil reais. Os publicitários calculam, em campanha, que um voto custa, em média, de R$ 10 a R$ 15. Multiplicados pelo número de sufrágios, temos esses dispêndios milionários em campanhas. Pois gastamos cerca de R$ 0,04 por voto. Um fenômeno!”, dizia ele.
Aos 80 anos, este intelectual da ação encarou uma de suas mais árduas batalhas. Foi candidato à presidência da República pelo PSOL. Viajou incansavelmente pelo País. Destacou-se em todos os debates televisivos, enfrentando campanhas milionárias. Criticou frontalmente a política monetária do Banco Central de juros altos e sobrevalorização cambial e a não efetivação da reforma agrária.
Sempre que perguntado quais os melhores anos de sua longa trajetória, Plínio repetia um bordão:
“São aqueles que ainda vou viver”.
No 8 de julho, um câncer o levou. De alma limpa e seguramente com a sensação de ter vivido muito bem a vida.
Deixa viúva dona Marieta, seis filhos e 12 netos.
Pode-se concordar ou discordar das posições de Plínio. Mas não se pode ignorar a admirável trajetória desse comunista que acreditava em Deus, como ele mesmo se definia. (Gilberto Maringoni)