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Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.
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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Nota oficial da CUT e da FUP: Anotações sobre a Teologia da Governabilidade e a privatização do Pré-Sal

Aquele meu primo bocudo, Jaulo Foberto Lequinel, o Boquirroto - do qual mantenho prudente distância, devo reconhecer que tem completa razão quando diz esse é mais um dos lamentáveis movimentos relacionados a Teologia da Governabilidade, que significa, em apertada síntese, manter-se acocorado indefinidamente.  
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Copiei da CUT

Nota oficial: CUT e FUP repudiam privatização do pré-sal

O Senado Federal deu na noite desta quarta-feira (24), um dos golpes mais brutais na classe trabalhadora e no povo que mais necessita de investimentos públicos em Educação e Saúde.

Os senadores aprovaram um projeto de José Serra (PSDB-SP) que privatiza o Pré-Sal. Isso significa que o Senado abriu mão da soberania nacional e de todos os investimentos gastos com a pesquisa na área de petróleo e gás nos últimos anos. A luta feita em todo o Brasil para que os recursos oriundos do Pré-Sal sejam investidos na melhoria da educação e da saúde dos brasileiros foi ignorada pelo Senado.

Para garantir a aprovação do Substitutivo ao PLS 131 apresentado pelo senador Romero Jucá (PMDB/RR), o governo fez um acordo com a bancada do PSDB e parte da bancada do PMDB.

O projeto retira a obrigatoriedade de a Petrobrás de ser a operadora única do Pré-Sal e a participação mínima de 30% nos campos licitados, como garante o regime de partilha - Lei 12.351/2010. Se for aprovado pela Câmara e sancionado pela presidenta Dilma Rousseff, a Petrobrás deixará de ser a operadora única do Pré-Sal e terá que provar ao Conselho Nacional de Política Energética se tem condições ou não de manter a exploração mínima de 30% em cada campo que for licitado.

Essa aprovação é um golpe no projeto democrático-popular, voltado para a distribuição de renda, geração de emprego e investimentos em políticas públicas que melhorem a vida dos brasileiros, que vem sendo eleito desde 2002.

Para a CUT-FUP, o governo renunciou a política de Estado no setor petróleo e permitiu um dos maiores ataques que a Petrobrás – única empresa que tem condição de desenvolver essa riqueza em benefício do povo brasileiro - já sofreu em sua história. Fazer acordo para aprovar o projeto de Serra é o sinal mais claro de que o governo se rendeu as chantagens e imposições do Parlamento e do mercado, rompendo a frágil relação que tinha com os movimentos sociais e sindical, criando um constrangimento para os senadores que mantiveram a posição em defesa do Brasil.

O governo precisa aprender que é preferível perder com dignidade do que ganhar fazendo concessões de princípios.

A CUT, a FUP e os movimentos sociais estarão nas ruas para lutar contra este projeto que entrega a maior riqueza do povo brasileiro as multinacionais estrangeiras.

Vagner Freitas 

Presidente Nacional da CUT

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Teologia da Governabilidade

Não há o que Temer!

A Eduardo o que é de Cunha.

A Calheiros o que é de Renan.

Acocora-te, petista pragmático,

E dá ao PMDB o que é do PT. 

E o Deus Mercado, 

Criador das coisas e seres, 

e dos Paraísos Fiscais, 

Enviou Levy, Apascentador do Arrocho,

Para mostrar quem manda.

Não há o que Temer!

terça-feira, 7 de abril de 2015

Anotações sobre governabilidade, vômitos e ilá-lia-li-lá-rá

Sai Pepe Vargas e entra Michel Temer, e o PMDB agora manda nesta porra.

O PT foi se acocorando, se entregando, se escondendo, foi virando os zóinho na gosma da governabilidade e deu nisso.

Levy põe o ajuste fiscal em nosso rabo, sem cuspe, Temer é o cara da articulação política e fará tabelinha com Renan Calheiros e Eduardo Cunha, patifes notórios e lustrosos.

Haja gel lubrificante, meninos e meninas. 

Haja estômago.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Lula puxa freio de mão no começo da subida da ladeira e mina entusiasmo para enfrentar a direita

Tinha começado a escrever alguma coisa sobre o discurso de Lula, mas este texto fala tudo o que eu pretendia. É foda, meninos e meninas da estrelinha.
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Copiei do Blog do Paulinho

Por Carlos Bandeira - Fórum

Frustração. Foi essa sensação que tomou conta dos militantes dos sindicatos, movimentos populares e organizações de juventude combativos que participaram da plenária dos movimentos sociais na quadra dos bancários.

A proposta original da plenária era animar a militância para as batalhas, discutir uma plataforma e organizar as lutas do próximo período, para enfrentar a ofensiva dos setores conservadores.

Ou seja, o momento era de organizar a tropa para encarar a guerra declarada no dia 15 de março.

O discurso do ex-presidente Lula, no entanto, foi um banho de água fria, com a defesa intransigente do governo Dilma, sem apresentar nenhuma contrapartida para as forças progressistas. Em resumo, ele disse que as pautas dos movimentos popular não serão atendidas, mas mesmo assim devem sustentar o governo.

O economia brasileira passa por um momento bastante complicado, em um quadro de crise econômica mundial. No entanto, o governo tem apresentado como remédio medidas que representam perdas para os trabalhadores.

Qual a contribuição o capital financeiro, os especuladores, as grandes indústrias e redes do setor de serviços, enfim, os milionários darão para enfrentar a crise?

Lula não deu uma palavra sobre essa questão. Pelo contrário. Afirmou que o governo quer melhorar a vida dos mais pobres sem mexer no patrimônio dos mais ricos. Até mesmo a bandeira da reforma política, a dita prioridade do PT, não apareceu no discurso do ex-presidente.

Para sustentar esse discurso, Lula leu manchetes de grandes jornais que, em 2003 e 2007, anunciavam o fracasso do seu governo. Ou seja, quem apostar contra Dilma agora errará como fizeram aqueles que agiram dessa forma antes…

Depois de 12 anos, os governos liderados pelo PT não fizeram reformas que mudassem a correlação de forças na sociedade, como a reforma política, mudanças no Poder Judiciário, a reforma tributária e a democratização dos meios de comunicação.

O problema é que nessa década os inimigos das mudanças sociais se organizaram, ganharam músculos e colocam suas artilharias contra o governo, promovendo protestos de massa, em um quadro de crise econômica sem perspectiva de retomada.

A jornada de lutas das forças progressistas no dia 13 de março demonstrou o potencial do movimento sindical, popular e organizações de juventude de crescer em um cenário de enfrentamento.

Era o início de um processo de lutas, com uma perspectiva multiplicadora a nível nacional, que poderia mudar a correlação de forças, ganhar corpo e colocar a esquerda na ofensiva no médio prazo.

No entanto, Lula puxou o freio de mão no começo da subida da ladeira, minando o entusiasmo daqueles que desejam ir além da defesa do governo e querem ir pra cima dos inimigos do povo brasileiro.

Foi no sentido contrário, inclusive, do presidente da CUT Vagner Freitas, que afirmou que não se deve admitir corte de direitos, criticou os ajustes do governo e o papel do ministro Joaquim Levy, cobrou taxação sobre fortunas e limites às remessas de lucro para o exterior.

O ex-presidente crê que será possível passar por essa violenta tempestade sem fazer enfrentamentos e anuncia de antemão que, nesses quatro anos de governo Dilma, nada será feito nesse sentido.

Os governos Lula/Dilma resistiram até agora porque a direita evitou levar a guerra até as últimas consequências, à espreita para o melhor momento do bote. Agora, ela quer.

E não se vence uma guerra sem luta. Bandeiras brancas não derrotam tanques, canhões e mísseis. Nem o George Soros, as 7 Irmãs do Petróleo, a Globo, o Gilmar Mendes e o Sérgio Moro.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Pobre militante do PT

Copiei do Blog do Bepe

É de doer o coração o padecimento do militante do Partido dos Trabalhadores. Entregue à própria sorte, em meio à arena dos leões, ele tenta resistir como pode ao massacre midiático contra o governo do seu partido. Mas a solidão é grande. Diante de toda sorte de ataques sórdidos, vilanias e infâmias, o governo da presidenta Dilma adota o silêncio como tática suicida de luta. Seduzida, talvez, por aconselhamentos de marqueteiros ou paralisada diante de sua falta de jeito e vocação para a refrega política, a presidenta e seu círculo mais próximo de colaboradores conseguem não se incomodar com o escrachado movimento de desestabilização do seu governo que está em curso.

Quem abre os jornais e revistas, assiste aos noticiários da TV ou ouve as emissoras de rádio dedicadas a notícias tem contato com um país que está se desmanchando. O Brasil é terra arrasada. Tudo culpa do governo federal. A gestão da água é, constitucionalmente, responsabilidade dos governos estaduais. Não importa a omissão e a incúria de Alckmin no caso Cantareira. A culpa é da Dilma. Nunca se investiu tanto  em produção e linhas de distribuição de energia elétrica como nos governos Lula e Dilma. Mas não há tréguas no terrorismo sobre racionamento e apagão, que, aliás, nunca se concretizam,. Dia e noite a imprensa bate na tecla da falta de planejamento e investimento do governo atual.

Tudo isso muito bem ancorado pelo destaque avassalador do festival de denúncias, delações premiadas e disse me disse da Operação Lava Jato. Afinal, para a mídia, quem inventou a corrupção no Brasil foi o PT. Se aproveitando desse terreno fértil, a marcha do golpismo andou algumas casas nos últimos dias com a tabelinha entre o jornalismo canalha da Veja e FHC. Transbordando ressentimento por todos os poros devido à sua monumental rejeição no meio do povo, o ex-presidente chegou até a encomendar parecer jurídico para dar ares de legalidade ao golpe paraguaio que prega.

E o mais chocante é que o governo, mesmo ante atmosfera tão carregada, se mantenha impávido no seu autismo político. A barbeiragem na condução da eleição para a presidência da Câmara dos Deputados parece também não ter afetado os áulicos do Planalto. A eleição de um ultraconservador, inimigo de todas as causas progressistas, para comandar a Câmara e a estarrecedora constatação de que o governo conta, para o que der e vier, com apenas 138 deputados (a votação de Arlindo Chinaglia) seria motivo mais do que suficiente para um freio de arrumação do governo no que toca à sua relação com a base parlamentar, partindo de uma autocrítica sobre a tática utilizada. Que nada, pela versão oficial, o "governo nada tem a ver com a disputa da Câmara."

Enquanto isso, o militante do PT enfrenta o cunhado reacionário no almoço de família, sendo obrigado a ouvir da tia, do primo e dos amigos também a ladainha "só votei no PT e na Dilma porque você pediu, mas estou arrependido." Ouvir na padaria e nos botequins da vida que o seu partido é sinônimo de corrupção já faz parte do calvário cotidiano do petista. Mas, ainda que de forma quixotesca, ele resiste. Com todo abandono, ainda marca presença nas redes sociais e até nas ruas. Só que paciência e abnegação têm limites. É visível o desânimo que vai tomando conta dessa galera. Pudera. Sem explicações públicas minimamente convincentes, o governo adota um ajuste fiscal penalizando somente os trabalhadores, coisa que qualquer tucano assinaria embaixo. Segue-se um mês de silêncio. O debate com a militância está interditado.

É importante que, mesmo sem a regulação da mídia (debate que o governo perdeu o timing para travar com a sociedade e que agora ficou ainda mais difícil com a eleição de Cunha para Câmara), o governo dispõe de instrumentos para enfrentar a batalha da comunicação e disputar a opinião pública. Não os utiliza porque não quer. Se a Secom parasse de empanturrar de dinheiro o monopólio da mídia, diversificando e democratizando sua milionária verba publicitária, e se a presidenta Dilma e seus ministros adotassem uma linha articulada e permanente de defesa do governo, não deixando ataque sem resposta, já seria um alento. Por que não utilizar com frequência a cadeia nacional de rádio e TV ?

Só não vê quem não quer: Lula e Dilma são os alvos dessa grande engrenagem golpista que inclui o PIG e parte considerável do Judiciário, do Ministério Público e da Polícia Federal. E se continuar com esse ar blasé, fingindo não ver que vivemos tempos de guerra, o governo será derrotado no parlamento, nos tribunais e, o que é pior, nas ruas.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Leblon, sábado, calor do cão, porta do Bracarense

Copiei do DCM
image

Gilberto Maringoni

– Ei, Joca!

– Caralho, Armínio!

– O Edmar ta vindo aí. Que surpresa! Achei que você tava direto em Brasília…

– Pois é. Fiquei de novembro até agora. Como o pontapé inicial tá dado, vim pegar um sol de fim de semana.

– Foi no estádio?

– Não O Fogão vai me dar uma dor de cabeça que eu não preciso agora.

– Mas me conta, como anda a coisa lá? A mulher pega muito no pé?

– Nada…

– Ei, ó o Edmar chegando. Vem com o Ilan.

– Pô, Ilan, tu perdeu peso, mas não a barriga, hein?

– Mas tu aluga, hein, Joca?…

– Gente, peraí. O Joca ta me contando aqui como anda a coisa por lá. Diz aí, Joca, tu já entrou pro PT?

– Deus me livre, Mínio, Deus me livre. Além de tudo, não carece…

– Mas como tá lá?

– Tá ótimo. Nem uma contrariedade, nem nada. Cheguei, falei pra presidente…

– Tu não chama ela de presidentA?

– Fala sério! Pra mim é presidente e acabou.

– E ela não chia?

– Sei lá, pra mim, não…

– Mas vai, conta.

– Então, cheguei lá, no primeiro dia e ela me chamou. Tava ela e aquele gaúcho…

– O Miguel?

– Isso, o Miguel e o Aloísio. Aí eu falei, sabe, presidente, a senhora me chamou, mas eu tenho uma linha. E aí ela me cortou…

– Eu sabia. Ela corta, berra, xinga…

– Tá maluco? Nada disso. Ela me cortou pra dizer assim. Seu Joaquim. Ela me chama de seu Joaquim. Seu Joaquim, nós chamamos o senhor…

– Senhor? Ela te chama de senhor?

– Tudo na moral, no maior respeito. Seu Joaquim, nós chamamos o senhor porque sabemos qual sua orientação e damos carta branca. A coisa tá feia, o mercado ta arisco, o investimento caiu e nós não podemos brincar em serviço. O senhor indique quem tem de indicar, faça o que tem de ser feito e nós vamos conversando aí…

– Como é que é?

– É, cara. Senti que os caras tão no mato sem cachorro e querem que eu resolva.

– Sei. O Mr. Wolf, do Pulp Fiction. “I solve problems”.

– Pensei isso na hora. Fazem a merda, lambuzam tudo e aí chamam Mr. Wolf. Quase falei “I solve problems”…

– Mas o Aloísio, todo metido a desenvolvimentista, todo Unicamp, todo, todo, não chiou?

– Edmar, deixa eu te falar. Esse é o que menos chia. Ninguém ali chia. Eles estão apavorados com o mercado, com a balança comercial, com a queda dascommodities, com a China, com a transmissão disso no emprego, com o teto da meta e o caralho. Tão com o cu na mão, se me entende. Fizeram uma campanha tosca, sabem que mentiram pra cacete e tão se borrando todos. Topam qualquer coisa!

– Topam tudo?

– Acho que menos beijar na boca! Se o Aécio tivesse levado, Mínio, aí você ia ver o que é bom pra tosse. O Serra – que ta meio gagá – ganhou força com a eleição. Ia fazer aquela demagogia de política industrial, investimento etc. Aqui não tem disso. Querem resolver problemas.

– Mas e aquele abaixo assinado, o Belluzzo, a Conceição, a Unicamp?

– Fala pra mim, Ilan: quem no governo quer saber deles? Quantos votos têm?

– E o esporro que ela deu no Nelson?

– Mas o Nelson é meio PT, ela não respeita muito o Nelson. Ele cagou com aquele negócio do salário mínimo e teve o troco. Eu não entro nessa. De mais a mais, resolvi testar.

– Testar?

– É, testar.

– Peraí, antes de você contar, vamos pedir alguma coisa? Caipirinha de vodka pra todo mundo? E aquele bolinho de carne seca invencível?

– Pede lá. Então, logo que fui nomeado, quis fazer um teste. E fui pesado. Falei pra presidente – coisa que o Nelson não fez – , olha, vamos fazer um superávit baixo, mas não podemos sangrar o empresariado, se não, não dá nem para começar o trabalho.

– Você é um filho da puta, hahahahaha!

– Calma, Edmar. Isso é só o intróito… Falei, vamos ter de mudar algumas coisas aí no seguro-desemprego, nas pensões e tal. E ela pulou.

– Pulou, como?

– Ficou puta da vida, disse que tinha falado na campanha que não mexeria e tal, aquela história da vaca tussa e o cacete. E aí veio o Aloísio e serenou os ânimos.

– Esse topa tudo!

– Topa, Mínio, topa. Eu entrei com um argumento baixo – números -, mas é o que ela gosta. Olha lá, clima tenso, ela chiando, o Aloísio tentando acalmá-la. E eu soltei a bomba: vamos economizar R$ 18 bilhões só nisso, presidente. E não vamos mexer com quem está na ativa, com quem tem poder de mobilização. Vai ter uma semana de chiadeira e acaba.

– Eu falo, tu é um filho da puta! Rárárárá!! E ela topou?

– Na hora, Edmar! Esse foi o teste. Se o PT que é o PT topa mexer com os assalariados, o resto sai na urina. Abrir o capital da Caixa, arredondar para menos o reajuste do mínimo – que ninguém nota, pois são dois reais, mas dá um puta efeito -, aumentar os juros da casa própria… Tudo vem na banguela, na descida…

– Tu tem carta branca, então?

– Mais do que você teria, Mínio. E depois que o Rui, na reunião do diretório lá deles falou que minha nomeação era assunto encerrado, acabou!

– E você ainda veio com aquela de “patrimonialismo”… Rááráráráárárárá!!!

– Pois é… Coloquei na última hora no discurso. E isso fodeu com o Guido, que engoliu seco. Ele e o PT, o Lula e o escambau. Mas eles adoram. Adoram tudo o que faço. E ela fez comigo uma coisa que não faz nem com o PMDB: me deu o ministério de porteira fechada. Vou nomear todos vocês!

– Não fode, Joca.

– E agora?

– Agora é isso, já avisei, Ilan. Dois anos de ajuste pesado, vai ter solavanco, vai ter porrada, a base pode chiar um pouco, a CUT vai gritar, mas a vida é assim. Eu falo de novo: eles estão fodidos, cagados, com o cu na mão. E não tem meio ajuste. É até o talo. Vamos abrir mais empresas, vender o que dá para ser vendido, mexer na CLT, aprovar a terceirização e deixar o pessoal gritar. Sangue frio eu tenho, vocês sabem. E eles não têm culhão para ir pra cima do empresariado, dos bancos…

– E ela?

– Ela fez a escolha dela. E agora não tem volta atrás.

– Putz, você é mesmo um filho da puta, Joca, um grande filho da puta. E sabe que com o Aécio, eu teria mais dificuldade, até pela oposição do PT…

– Pois é, Mínio. Anulamos quem poderia se opor.

– Agora, vem cá… E essas alas do PT. E a esquerda?

– No PT não tem mais nada. Só tenho receio de um cara de esquerda, que de vez em quando, ainda conversa com a presidente… E pode criar confusão…

– Quem? O chefe lá do MST? O garoto do Sem Teto? Os malucos do PSOL e do PSTU?

– Cê ta na lua, mesmo, né, Ilan? Nada disso. Esses tão fora!

– O Lula?

– Puta que o pariu! Vocês não lêem nem jornal. Ficam nessa história de mercado, mercado e não sabem o que acontece no mundo.

– Então quem, porra?

– O Delfim, o cara mais à esquerda que ela ainda ouve…

(Estupor geral)

– O Delfim.

(Gargalhadas estrepitosas, enquanto chegam as caipirinhas e os bolinhos)


Sobre o Autor: Gilberto Maringoni, professor de Relações Internacionais da UFABC e candidato do PSOL ao governo de São Paulo, em 2014

sábado, 29 de novembro de 2014

Santa Anfilóphia da Governabilidade, rogai por nós!

Copiei a imagem daqui
Nem pense nisso!

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Copiei de Maria Fernanda Arruda

Se ninguém percebeu, o fanatismo governista criou um novo critério para o absurdo. Deixou-se de considerar uma coisa absurda por ser "contrária à razão", como nos ensinaria o titio dicionário. Absurdo, agora, é um adjetivo que denota a origem da medida e não a racionalidade dela. Em outras palavras, o que vem do governo jamais será tido como absurdo. Absurdo é o outro, absurda é toda alternativa.

Há um mês, Kátia Abreu e Joaquim Levy seriam nomes absurdos para o ministeriado. Pareceriam oriundos de uma lista que petistas lançaram com falsos nomes de possíveis ministros de um governo Aécio(na verdade, Kátia Abreu é ainda mais estrionicamente ruralista que o Eduardo Sciarra, que estava em tal lista, e Armínio Fraga e Levy se equivalem em muitos e muitos sentidos). Mas, uma observação mais aprumada nos mostra que não são nomes absurdos, afinal, vieram do governo. O governo deveria, aliás, fornecer um carimbo de não-absurdecência, a ser marcado nas testas dos novos ministros, um "selo inmetro de concessão autorizada pelo discurso da governabilidade". Facilitaria os blogs petistas saberem o que dizer sobre o ministeriado.

A opinião deixa de ser um espaço construtivo e torna-se um espaço reativo. "Você é contra ou a favor de X?" "Espera um pouco, deixa eu googlear o que a Dilma pensa sobre o assunto" virou uma conversa plenamente plausível nos dias de hoje. O juízo deixou de ser uma atividade investigativa de nosso íntimo para ser uma busca pela fonte governamental da razão. Pensar passou a ser a busca pela opinião do governo. E graças aos céus, temos o google para nos ajudar a pensar.

Ou, ou, ou, talvez, quem sabe, absurda seja outra coisa. Precisamos comprometer os petistas a declararem, afinal, qual o limite intransponível da direitice. Qual medida, mesmo que tomada pela Dilma, é absurda num governo que se diz de esquerda? Qual o reductio ad absurdum tão absurdo que supere qualquer possibilidade de justificação de origem? Por incrível que pareça, tem gente afirmando que o fim do auxílio desemprego é uma medida de esquerda! Tem que ter um critério, não é possível. Até o mais anti-moralista dos humanos, aquele que nega com todas as forças a bipolaridade "bem vs mal", sabe que atropelar uma criancinha carregando um bebê-foca é algo maligno. Em suma, qual o atropelamento de bebê-focas das medidas de governo?

Não, não se trata de uma luta para transformar a sociedade. É apenas uma disputa para manter-nos capazes de conversar com nossos amigos petistas.

Desabafo!

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Ajoelhou, tem que rezar, governo Dilma!

O Serviço de Alto Falantes Ornitorrinco, ao cumprimentar os fiéis presentes nesta grandiosa e interminável quermesse em louvor de Nossa Senhora das Fogueiras Santas, considera algo exagerado afirmar que "o governo é pró homofobia, sem dúvida", como faz Benjamin Bee, notável militante LGBTT.
Mas o governo não pode reclamar que pessoas lúcidas como ele pensem assim: depois de tanto acocorar-se diante dos picaretas LGBTT-fóbicos da frente parlamentar evangélica, queriam o quê, meninos e meninas? Loas e hurras?
Bem feito, PT cagão. 

Bem feito, Dilma. 
Fizeram suas escolhas, de modo que paguem a porra do preço.
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Copiei do meu amigo Benjamin Bee

"Os fundamentalistas querem sair por aí dizendo que o "homossexualismo é pecado". O governo não quer. O governo quer que eles digam isso nos púlpitos das igrejas. O governo é pró homofobia, sem dúvida. Porque o homofóbico vai ao púlpito dizer que o "homossexualismo é pecado" porque a lei permite. A homofobia então segue o percurso, vai até a casa do crente onde tem crianças e adolescentes, de lá para as escolas, das escolas para as ruas, para gaudio dos fundamentalistas. Danem-se as vítimas, sejam LGBTs ou não. Os LGBTs sofrerão diretamente e os não LGBTs sofrerão por tabela porque viverão a contradição. Não terão a chance de viver num mundo coerente.
Só a homofobia equiparada ao racismo dará segurança a todos. O Senado vai ter que entender isso senão passará atestado de caduco."