SOBRE O BLOGUEIRO

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Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.
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quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

A mulher é culpada, ou a criação do mundo segundo os meakambuts

Este é o relato da criação do mundo segundo os costumes e crenças da tribo nômade dos meakambuts, que vive em remotas cavernas nas florestas de Papua-Nova Guiné.

"No princípio, Api, o espírito da Terra, veio a caverna Kopao e encontrou rios cheios de peixes, o mato repleto de porcos e muitos salgueiros, mas não havia pessoas.
Api pensou: esse seria um bom local para as pessoas, e abriu uma passagem estreita no topo de Kopao.
As primeiras pessoas a sair foram os awins, depois vieram os imboins e outros grupos e finalmente os meakambuts, e estavam todos nus, e se espremeram pela passagem, ofuscados pela luz.
Havia ainda outras pessoas lá dentro, mas depois de os meakambuts saírem, Api fechou a fenda, e os outros permaneceram lá dentro, mergulhados em completa escuridão.
Os awins, os imboins e meakambuts se espalharam pelas montanhas e viveram em abrigos nas rochas. Fizeram machados de pedra, arcos e flechas, e a caça foi boa.
Não havia ódio, nem matanças, nem doenças, e a vida era bela e tranquila, e todo mundo tinha o estômago cheio.
Naqueles tempos, homens e mulheres viviam em abrigos separados e, à noite, os homens iam a uma caverna especial para cantar.
Mas numa noite um deles fingiu que estava doente e não foi, e quando viu os outros cantando se esgueirou até a caverna das mulheres e fez sexo com uma delas.
Ao voltar, os homens sentiram que uma coisa muito errada havia acontecido.
Um deles sentiu inveja, outro sentiu ódio, outro, mais ódio, e outro, muita tristeza.
Foi quando os homens aprenderam todas as coisas ruins, e também quando a feitiçaria começou."
(Revista National Geographic, fevereiro 2012, páginas 124 e 125)

Pois é, cristãos em cristo, sentem aqui ao pé do fogo; isso, sejam bem vindos, se abanquem, meninos e meninas. Vamos lá?

Perceberam que os meakambuts e os cristãos contam o começo do mundo de forma muito semelhante? Um espírito, uma força superior, um diretor de uma agência de publicidade, o deltan dallagnol ou o sérgio moro, sei lá, um belo dia alguém acordou entediado e decidiu criar o mundo, os homens e as flores, a Frente Parlamentar Evangélica e, é claro, tendo criado os coxinhas de merda e os anônimos acanalhados que infestam o blog do tutuca, resolveu dar cabo da corrupção e do PT. 

Api, O Grande Patifão Esfumaçado ou Gervásio, diretor geral de suprimentos, botam a mão no queixo, pensam, franzem o cenho e ó, vou criar isso e vou criar aquilo, e criam, e não chamam nem os estagiários. 

Criado o mundo, no começo é alegria, fartura, cantoria, amor e paz, borboletas e passarinhos e muita comida. Na terra dos meakambuts e no paraíso cristão, atentem, tudo igualzinho.

Mas os meakambuts e vocês, amigos cristãos, acreditam piamente que uma mulher cometeu - ó que horror! -, essa coisa gosmenta chamada pecado e, a partir daí, o mundo destrambelhou: ódio, inveja, guerras, imposto de renda, matanças, proliferação desenfreada de deputadões e senadores golpistas, geraldo alckmin, josé serra, roberto freire, beto richa, rafael greca, roedor pai e ratinho junior, república de curitiba, datenas, coxinhas diversos, jaguarinhas golpistas e sarnentos, etc e tal e cousa e lousa.  

E qual o terrível pecado cometido pela mulher, seja a anônima meakambuts, seja nossa gloriosa Eva? Sexo, ó que horror, tirem as crianças da sala, ó que horror, que coisa suja, sim, a primeira trepada foi uma torpe invenção feminina!

Sendo possível, seja honesto caro cristão em cristo, e trate de reconhecer que as duas alegorias sobre a criação do mundo são meras e patéticas invenções humanas, e são em tudo semelhantes, cada qual inevitavelmente permeada pelas circunstâncias de tempo, lugar, costumes, cultura, modo de vida, etc. 

Seja honesto e reconheça que a alegoria cristã é tão "consistente" quanto a dos meakambuts, povo primitivo e nômade que vive nas florestas remotas da Papua-Nova Guiné.

E, por favor, não ouse proclamar-se superior, prezado cristão, àquele povo. 

Eles, ainda que vivam em plena floresta, onde imagino existam muitas cobras, nos pouparam da inacreditável conversa mole da pérfida serpente falante que engambelou a pobre da Eva e, veja que legal, pelo menos dividiram a invenção do pecado entre o homem curioso e literalmente muito metido, e a mulher que resolveu experimentar a coisa.

Mas numa coisa os neakambuts são muito, mas muito superiores aos cristãos: não escreveram nenhuma porcaria de bíblia ou livro sagrado e, portanto, não andam a matar em nome de Api, não têm intermináveis horas de programas religiosos na televisão e entre eles não existe nenhum picareta como o Valdomiro, o Edir Macedo, o Silas Malafaia, nenhum padreco da renovação carismáticas e, aleluia!, nenhuma banda de gospel gosmento.

Ó glória, ó Api!
O sanque de Api tem poder!
Ó glória, ó menezes!

domingo, 23 de dezembro de 2012

Não, ainda não estou no inferno. Sinto muito, irmões cristões em cristo

Copiei de Maria Nanquim
Gravações obtidas por nossa reportagem mostram, ao contrário do que muita gente pensa, que eu, Saulo Çoberto Xequinel ainda não estou no inferno. Explico.

Tenho 60 anos e já fiz meu check-in, a bagagem foi despachada e aguardo a chamada para meu último voo, se é que depois de morto alguém pode voar.

Como tenho modestos planos para viver mais uns vinte anos, e sem deixar de cometer os excessos com a moderação devida, não adianta a torcida e os abaixo-assinados dos cristãos católicos e evangélicos aqui de Antonina do Cacete a Quatro porque, simples assim, daqui não saio e daqui ninguém me tira!

De modo que, irmões cristões em cristo, parem de congestionar o 0800 do Inferno Corporation, continuem pagando o dízimo e até o juízo final, quando nos encontraremos nas margens dos lagos enxofrosos do cramulhão.