Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.
(O texto, claramente dispensável, acho, é obrada minha)
Talvez eu perca alguns amigos, mas arrisco: dizem, à boca pequena, que há grupúsculos trotskistas que realizam cerimônias secretas para cultuar, reverencialmente, reluzentes picaretas de gelo. Ó, que horror, Ormitorrinco, que horror!
Há muitas interpretações para o
vídeo abaixo, dependendo do seu grau de envolvimento com animais. O fato dado: esses
chimpanzés ficaram décadas em um laboratório – alguns deles por 30 anos – e o
flagrante é da primeira vez que eles viram a luz do sol.
O que acontece? Eles se abraçam
antes de pisar em direção à liberdade, talvez com medo do que há nesse novo e
tão iluminado lugar, talvez comemorando seu feito.
Outro fato. Eles ficam
encantados, como não poderia deixar de ser, porque liberdade é mesmo uma coisa
encantadora.
…a grande maioria das vezes sinto
vergonha por ser humano…
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Com efeito, o
vídeo nos permite muitas leituras e, metido como sempre, o Ornitorrinco
Ateu e Apreciador de Bacon Crocante pede a palavra para lembrar aos ilustres
passageiros que as religiões, as big ones, especialmente o cristianismo e suas variações, o
judaísmo e o islamismo, as religiões são, sobretudo, lamentáveis criações humanas
nas quais, todos os dias, sacerdotes diversos e de diferentes níveis
hierárquicos aprisionam seus seguidores nos cubículos escuros da fé obtusa, no
breu dos dogmas insustentáveis e no buraco negro do medo e da culpa, justamente
para tornar impossível a descoberta da luz da vida, aquela que é verdadeiramente libertadora.
Os chimpanzés claramente inebriados parecem os fiéis que, um belo
dia, abriram portas e janelas dos seus templos e e descobriram que de verdade mesmo é só vida.