SOBRE O BLOGUEIRO

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Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.
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segunda-feira, 23 de março de 2026

POEMA PARA TIÊ (por German Martins da Rocha)

 Tiê,

nenhum ar pôde te escapar

Nessa vida o asmático que mais vi respirar

me deixou com seu próprio peito apertado

e o meu com o cheiro do nosso sangue

Fosse antes um anjinho alado

Quem se foi era meu punk sem gangue

que disse sem que eu soubesse

que encontrou revolucionários

depois que parou de procurar a revolução

Antes cantássemos igual canários

cantamos como canta quando late um cão

Meu priminho, meu irmãozão

Quanta dor no coração

Quem me viu nascer

tive que ver morrer

e te ver viver

me deu certeza que ainda existem 

flores a crescer.

German Martins, 16/02/2026

XXX---XXX

1. Tiê é o apelido do meu neto Hiago, assassinado em 12/02/26, por um sujeito que é parte da escória humana.

2. German Martins é meio neto, meio filho, que resolveu ser poeta, como prova este poema que fez para o primo.

3. Amo vocês dois, Tiê e German.

Vô Paulo, 23/03/2026.  


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Dor infinita: Hiago, que me inaugurou como avô, foi morto ontem à noite, aos 26 anos

 Poema para Hiago


Tão danado o Hiago lá no alto,

tão Hiago o alto lá danado,

tão alto o danado lá Hiago,

tão meu neto o Tiê lá na nuvem.

O meu menino andaluz

sobre as pedras e voa,

e toma a idéia de ir fiando o pano,

nele lançando o que há-de vir.

O pano tecido de idéias,

de não-limites, de sem-bordas.

Quando der por realidade,

já terá arribado em asas que,

agora, de-voar tem.

Pousa o meu menino,

é firme o chão daqui,

lugar de ir-se,

e desata risos.

É que Hiago pode o de voar

e são suas as asas de arribar o sonho.

(Curitiba, 18 de março de 2011)