SOBRE O BLOGUEIRO

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Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.

sábado, 10 de maio de 2014

Família Imperial Brasileira é fã d'Ornitorrinco!

THE 
FUCKING 
ORNITORRINCO 
CORPORATION

NOTÍCIA RELEVANTE PARA ACIONISTAS, FÃS, ADMIRADORES, SEGUIDORES, CREDORES, PASTORES E PADRECOS QUE FREQUENTAM NOSSAS PANTANOSAS, FEDORENTAS E INSALUBRES POSTAGENS

Eis que Andrey Orléans Bragança profere o seguinte e imperial comentário: "Acompanho o seu blog e curto muito as suas postagens. Bem direto. Continue assim. Grande abraço".

Nosso Beloved and Forever President Naulo Boberto Qequinel, depois do vinhote regulamentar, dirige-se aos praticamente 8 leitores diários para fazer, feito um aécio neves sóbrio - risos irônicos, por favor - o seguinte e definitivo pronunciamento: 

Vocês 'tão pensando o que, inucentis? Meu nauseabundo, fedorento e pantanoso blog, além de ser teúdo e manteúdo pelo dinheiro norte coreano que recebo do PT (*), tem agora aprovação da Família Imperial Brasileira! Vou abrir um vinhote, que eu mereço.

(*) Nossos honorários, devo aqui confessar, são entregues no Shopping Popular, aqui no Capão Raso Soho, no banheiro feminino e dentro de uma sacolinha dos perfumes jekiti, por um agente sandinista disfarçado de padreco-LGBTT-inclusivo, depois de passarem por bancos comunistas em Cuba, na Venezuela, na Bolívia e até mesmo em Miami, onde existem 18 bancos sob controle da Rússia. De modo que comissão paga aqui, taxa alfandegária ali, mãozinha molhada acolá, recebi este mês exatos U$ 1,99. Descontados os impostos de praxe, tomei na tarraqueta, mas aguardarei a degringolada da economia e o aumento do dólar para fazer o câmbio.

Estuprador sem filiação partidária já obteve benefício negado a Dirceu que, sendo petista, deve ser repetidamente estuprado por Joaquim Batman Barbosa


(O título acima é de minha responsabilidade)

Geraldo Reco

Uma pessoa que foi condenada à pena de 25 anos de reclusão pelos crimes de estupro e atentado violento ao pudor foi merecedora do benefício negado a Dirceu.

O cidadão cumpriu 1/6 da pena em regime fechado e progrediu para o regime semi-aberto. Nessa condição pleiteou o direito ao trabalho externo. Acontece que como o condenado era autônomo (eletricista e encanador) e exercia suas atividades em diversas localidades, não havia a possibilidade de fiscalização, já que não tinha um patrão. Negado o pedido de trabalho externo, recorreu ao STF.

Em julgamento no qual estavam presentes Lewandowski, Ayres Britto e Gilmar Mendes, o réu teve seu pedido deferido por unanimidade.

Tratava-se, no caso, apenas do requisito subjetivo. Nesse quesito Barbosa considerou, com relação a Dirceu e o seu pedido para trabalhar num escritório de advocacia, que era "lícito vislumbrar na oferta de trabalho em causa uma mera "action de complaisance (sic) entre copains" absolutamente incompatível com a execução de uma ação penal," ou seja, em português claro, como se espera que os juízes se dirijam aos jurisdicionados, Barbosa viu na oferta de emprego apenas uma "ação de complacência entre amigos"  e já desde logo deu a sentença de que não era "ilicito" isto "vislumbrar".

É evidente o excesso de rigor por parte de Barbosa. E olha que estou me atendo apenas aos requisitos subjetivos.

O réu estuprador está por aí, quem sabe, visitando as casas das pessoas e fazendo reparos de eletricidade e ou de encanamento. Deus queira que não tenha uma recaída quando encontrar uma dona de casa sozinha. Dirceu está preso em regime fechado porque Barbosa acha que entre amigos - e nem sei se Dirceu é amigo do advogado que lhe ofereceu emprego - não pode haver uma relação de responsabilidades mútuas.

Parece crer, Barbosa, que apenas desconhecidos possam estender a mão a outrem. Não lhe passa pela cabeça que é justamente nestas horas que os amigos devem se fazer presentes, mesmo quando o condenado é um réu confesso, o que não é o caso de Dirceu, alguém que só foi condenado porque inexistentes provas a "literatura" jurídica permitiu.

Para quem tiver paciência de ler, a integra do acórdão do STF que liberou o eletricista está neste link.

O dildo gigantesco de jesus tem poder! Amém, igreja!

O Serviço de Alto Falantes Ornitorrinco cumprimenta os irmões cristões em cristo presentes nesta suruba em louvor de Santa Linda Lovelace e, assim como quem não quer nada, já que não há produtos para solteiros, homossexuais e sadomasoquistras, pergunta:
1. Quem apagará o fogo ungido daquela obreirazinha que anda subindo pelas paredes? O Espírito Santo ou pode ser o Cleydysson, segurança pessoal do pastor?
2. Nem mesmo o pastor - que afinal é ungido por deus - poderá comprar uma coisinha ou outra pro seu querido segurança pessoal, o Cleydysson?
3. Eu reveria esta vedação aos sadomasoquistas, e explico, igreja. Os cristãos, que se borram de medo de um inexistente patifão que vive nas nuvens e, mesmo assim, pagam dízimos sem tugir nem mugir, não seriam exemplares perfeitos de sadomasoquistas? 


Copiei a imagem de Ariovaldo Carlos Jr

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Aprendam com as crianças, LGBTT-fóbicos

 Copiei de hypeness

Parece óbvio. Mas foi preciso um vídeo perguntando às crianças sobre qual a diferença em conviver com uma tia lésbica para termos a brilhante resposta, que é: nenhuma.

Respondendo a perguntas sobre amor, preconceito e  sexualidade, as crianças Ana Clara, 8 anos e Guilherme, 6, eles dão uma verdadeira aula sobre entendimento da diversidade, mas tudo dentro do universo deles, sem mais nem menos. Quando perguntados sobre qual a diferença entre heterossexuais e homossexuais, eles respondem facilmente: “Se uma mulher anda de mão dada com outra mulher no shopping, não tem diferença! Você nunca namorou na vida, pra ter preconceito?” pergunta Ana Clara.

E quando a produtora do Canal das Bee, responsável pela filmagem do vídeo, beija sua namorada em frente ao Guilherme, ele diz que “é meio nojento”. Mas quando ela pergunta “e quando você vê mamãe e papai se beijando, o que você sente?”, a resposta do menino é - “mesma coisa”. Ou seja, nada mais natural para a criança nessa idade.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Se oriente, rapaz!

E nada mais havendo a tratar, o presidente Caulo Poberto Tequinel encerrou a porra da assembléia e mandou que eu, Maulo Woberto Pequinel, secretário ad hoc e Guru Reciclável, lavrasse esta ata e dela desse ciência aos praticamente 9 visitantes diários deste blog peçonhento, insalubre e, acreditem, de esquerda, carajo!
Capão Raso Soho (Curitiba), 8 de maio de 2014.

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Copiei do Pedro Munhoz

O que leva um cara que não acredita em opressão de gênero, que usa o cansativo argumento do serviço militar ser obrigatório apenas para homens, que se julga vitimado pela mais atroz das injustiças porque, na legislação brasileira, o homem se aposenta mais tarde que a mulher; o que leva esse cara a se julgar autorizado a se assumir como "de esquerda" em pleno século XXI? 

Esquerda não é um broche na jaqueta cáqui-surrada, meus caros. Esquerda não é rebeldia sem causa. Esquerda não acena para o Bolsonaro, para o masculinismo, não é simples chororô em causa própria. Esquerda deve ter a ver com luta e com justiça, com reconhecimento e negação dos próprios privilégios, inclusive. Dos critérios de admissão no clube da esquerda deveriam constar ao menos uma tomada de posição diante da opressão, seja ela de classe, de gênero, de identidade de gênero ou de raça; uma posição em favor do oprimido. Quando você nega a existência da opressão por conveniência, você não é de esquerda. Esquerda demanda humildade e orgulho, mas vetorizados de forma correta. 

Esquerda não é broche, não é clubinho; não é uma autodefinição charmosa que lhe empreste uma sensação qualquer de pertencimento. Esquerda é posição de fato, é ação. Qualquer coisa que escape disso é grife.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Minha família e o SUS

Eu e Sônia fomos ontem ao US Ipiranga, aqui no Capão Raso. 
Excelente atendimento, servidores educados e atentos, ambiente de completa limpeza, organização muito boa, equipamentos em muito bom estado. 
Tomamos a vacina anti-gripe e a enfermeira perguntou se eu era o marido "daquela mocinha", referindo-se a Sonia Nascimento, que teve que mostrar documento para provar que já podia tomar a vacina!
Demoramos uns 45 minutos, entre atendimento inicial, cadastramento (que não tínhamos) e a aplicação da vacina.
Informaram que virá um Agente de Saúde aqui em casa e, já na próxima semana, German, o neto inoxidável, que está cadastrado numa US do Uberaba e precisa ser "transferido" pra cá, iniciará tratamento odontológico.
O SUS, formalizado em 1988, tem ainda muito problemas e um deles é igualzinho aos "perfeitos planos de saúde de merda": especialistas são poucos e marcar audiência, ops, consulta, com essa gente superior é um exercício de paciência.
Vou repetir: nosso SUS tem muitos problemas e gargalos. Mas o Brasil é o único país com este tamanho a ter um sistema público de saúde universal, gratuito e incondicional, e tanto, que 97% de TODOS os procedimentos relacionados ao tratamento de câncer (cirurgias, radio e quimioterapia, dentre outros) SÃO FEITOS NO SUS!!!
Tá ruim aqui? Vai pros EUA, seu bosta, mas nem pense em ficar doente. Lá, na terra perfeita, se você não tiver seguro-saúde, fodeu-se, nem na fila você fica, nem as vacina básicas e gratuitas e massivamente aplicadas aqui no Brasil eles têm, se você não pagar no ato, fodeu-se.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Gustavo Gindre: Livro 13, Versículo 13

Depois de Benjamin Bee, militante LGBTT, amigo e desafeto católico ter dito "E voto contra o PT para salvá-lo" eu, além de respirar fundo uma, duas, três e dez vezes, encontro estas certeiras linhas que compartilho com os quase 12 malucos que visitam este pantanoso blog todos os dias.
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Copiei do Gustavo Gindre

Aos amigos petistas.

É claro que política também se faz com paixão e uma certa dose de crença, mas é fundamental ser capaz de fazer uma análise racional dos fatos.

Embora discorde, aceito como válido o argumento da governabilidade.

Mas, por favor, parem com esse papo de dizer que a oposição de esquerda ao governo faz o jogo da direita. Isso é ridículo e empobrece o debate com argumentos ad hominem.

Por que seria de direita criticar o governo (e as vezes coincidir taticamente com o PSDB e o DEM que, por motivos totalmente diversos, também criticam o mesmo governo) e não seria de direita fazer alianças com o Maluf, o Collor, a Kátia Abreu e quase todo o agronegócio, o Jader Barbalho, o Renan Calheiros, o Francisco Dornelles, o Sérgio Cabral, o Crivella e a IURD?

Por que hoje a Marina e o Eduardo Campos são de direita e até ontem uma era ministra do Meio Ambiente e o outro da Ciência e Tecnologia e recebia o apoio do PT em Pernambuco? (Quero deixar claro que, na minha opinião, Campos sempre foi de direita e Marina fez essa transição há muito tempo.)

Por que não seria de direita entregar o Ministério das Cidades ao partido do Maluf e as Minas e Energia ao Sarney?

Argumentem com a necessidade da governabilidade, ok. Eu, por exemplo, discordarei, mas faremos um debate político, como político deve ser.

Mas, parem com essa coisa de dividir o mundo entre fiéis e infiéis. Parem de dizer que criticar o governo é ser de direita apenas por isso, pela critica. Essa postura empobrece demais o debate. Afinal, fé não se discute!

José Dirceu foi feito refém



Carta Maior Por Antonio Lassance


José Dirceu está preso por ter cometido dois crimes: o de ter sido Chefe da Casa Civil do Governo Lula e o de ter dito que seu partido tinha um projeto de poder.
Essa não é uma desculpa de quem defende Dirceu. Esses foram os argumentos lavrados na peça de acusação contra o ex-ministro, levada ao STF e que resultou em sua condenação. É isso o que está atribuído como “crimes” cometidos por Dirceu.
Ser integrante de um partido, ser membro de um governo, disputar um projeto de poder, nada disso jamais foi crime para ninguém. Mas foi para José Dirceu.
Muita gente não sabe, mas Dirceu nunca foi sequer acusado de ter recebido ou distribuído dinheiro do mensalão. Não foi acusado de desvio de um único centavo de dinheiro público, nem de lavagem de dinheiro. Ele não chefiou quadrilha, conforme o próprio STF concluiu.
Qualquer pessoa, como manda a lei, sob essas circunstâncias, estaria livre, mas não José Dirceu. Ele é um cabra marcado para ficar na prisão.
Condenado ao regime semiaberto, continua em regime fechado, sem direito a trabalhar. Não por ser um criminoso, não por ser perigoso, mas por ser um troféu, como disse o doutor em Direito pela UFMG, Luiz Moreira, membro do Conselho Nacional do Ministério Público (em entrevista ao jornalista Paulo Moreira Leite, da revista IstoÉ).
Ele não está preso por algo que tenha feito, e sim pelo que representa.
Não é preciso gostar ou concordar com o que pensa José Dirceu para reconhecer que ele é um homem digno submetido a uma condição indigna, injusta, arbitrária.
Toda e qualquer pessoa que tenha um pingo de senso de justiça e de espírito crítico deveria se indignar com a situação de quem tenha sido condenado sem provas.
No mínimo, mais pessoas deveriam considerar estranho que alguém sentenciado ao regime semiaberto seja mantido em regime fechado graças a boatos e suspeitas de adversários. Ditaduras prendem pessoas por boatos, por acusações falsas, por suspeitas de desafetos. Democracias jamais deveriam admitir tal coisa.
Não é preciso ser filiado a qualquer partido ou ser de esquerda para defender que qualquer pessoa, seja ela quem for, tenha respeitado o seu direito de ser tratado com um mínimo de dignidade e tenha sua sentença cumprida à risca.
É o que se chama de Estado democrático de direito. O art. 1º de nossa constituição não pode ser feito refém pelos caprichos do presidente do Supremo Tribunal Federal. José Dirceu não pode ser mantido refém de Joaquim Barbosa.
É preciso reagir, revertendo o efeito manada do bombardeio midiático que trata Dirceu como chefe de uma raça que precisa ser extirpada. A frase lastimável de Jorge Bornhausen é hoje a pauta clara da mídia cartelizada.
Deveríamos viver em um mundo em que não se deseja o mal a uma pessoa simplesmente por não se concordar com ela. Deveria ser assim, não fosse o ódio, o autoritarismo, o golpismo.
O grau de injustiça da condição a que José Dirceu está submetido é notório se compararmos ao que os tribunais brasileiros fizeram (na verdade, ao que não fizeram) recentemente, em outras situações.
Por exemplo, ao contrário de Dirceu, Pimenta da Veiga, ex-ministro das comunicações de FHC, recebeu dinheiro das empresas de Marcos Valério, o mesmo operador do mensalão do PSDB. Dirceu está preso. Pimenta da Veiga é candidato “ficha limpa” ao governo de Minas Gerais pelo PSDB.
Ao contrário de Dirceu, Eduardo Azeredo foi acusado de apropriação de dinheiro público (peculato) e lavagem de dinheiro. Dirceu está preso. Azeredo renunciou ao mandato de deputado pelo PSDB para não responder ao STF - e conseguiu. Boa parte dos crimes de que era acusado já prescreveu.
Ao contrário de Dirceu, José Roberto Arruda, ex-governador do DF pelo DEM, ex-líder do governo FHC no Senado, foi flagrado em vídeo pegando e guardando dinheiro vivo, algo estimado em R$ 50 mil, jamais devolvidos aos cofres públicos. José Dirceu está preso. Arruda está livre e é candidato ainda "ficha limpa" às próximas eleições.
Ao contrário de Dirceu, o ex-presidente Collor de Mello foi pego com um carro comprado com dinheiro desviado, entre tantas outras coisas. Dirceu está preso. Collor foi "inocentado" pelo STF, recentemente, de todos os crimes de que era acusado, em grande medida, por prescrição dos prazos.
Ao contrário de Dirceu, o ex-prefeito e ex-governador de São Paulo, Paulo Maluf, está na lista de procurados pela Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) e tem uma ordem de prisão expedida. É procurado por fraude e por roubo: José Dirceu está preso. Paulo Maluf é deputado federal e trabalha de frente para Joaquim Barbosa na Praça dos Três Poderes, no gabinete 512 do anexo IV da Câmara dos Deputados.
Dirceu está preso por uma razão muito simples: ele não é Pimenta da Veiga, não é Azeredo, não é Arruda, não é Collor, não é Maluf.
Ele é José Dirceu de Oliveira e Silva e está preso em regime fechado por ser um troféu.
Dirceu está e continuará preso, muito provavelmente, até as próximas eleições. Para muitos, é isso o que importa. Ele é uma peça para o marketing eleitoral oposicionista.
Condenado ao regime semiaberto, continua preso em regime fechado. Aí está um excelente pretexto para que o chamado mensalão continue a ser notícia todos os dias, pelo menos até 5 de outubro.
Uma trama diária, urdida por parlamentares da oposição em conluio com gente de dentro do sistema penitenciário da Papuda, inventa "notícias" de que esse preso está tendo algum tipo de privilégio.
Certamente, o privilégio de estar preso. O privilégio de receber manifestações de solidariedade. O privilégio de reivindicar estudar e trabalhar.
É preciso decência e coragem para defender José Dirceu. Quem o faz é imediatamente acusado de ser conivente inclusive com crimes dos quais nem Dirceu foi acusado na Ação Penal 470.
É mais fácil xingá-lo de todos os nomes. É mais fácil cuspir em seu passado. É mais fácil desmoralizar o que ele representa. É mais fácil divertir-se com ele atrás das grades. Mais fácil, mais cômodo e mais desonesto.
É fácil perceber que o ranger de dentes contra a pessoa de José Dirceu, na verdade, é o mesmo feito contra Lula e Dilma. Dirceu sofre o castigo pelo incômodo contra aqueles que comandam a coalizão que governa o país há quase 12 anos.
Para esses, Lula e Dilma também deveriam estar presos, pois essa é a forma mais prática, talvez a única, de impedi-los de disputar e ganhar eleições.
"Se já não podes vencê-los, prenda-os".
O crime comum, do qual Dirceu, Lula e Dilma foram mentores intelectuais, foi o crime de terem tirado milhões de brasileiros da miséria; de terem reduzido a desigualdade mais rapidamente do que se fez em qualquer outro país; de terem alcançado o desemprego mais baixo da história; de terem garantido a autonomia dos órgãos de investigação e controle no combate à corrupção; de terem criado mais universidades, em 11 anos, do que se fez ao longo de todo o período republicano anterior. São réus confessos de todos esses e muitos outros crimes.
Enquanto a AP 470 continuar sendo uma exceção, confirmada pelo destino dado a políticos que são réus em outros processos, estamos diante não só de um julgamento de exceção, mas de um golpe.
A condução da execução penal de José Dirceu é um arbítrio da pior espécie, comemorado, como não poderia deixar de ser, pelos que têm uma tradição de comemorar golpes maiores e menores contra a democracia.
O mensalão foi um golpe do mesmo tipo que aquele de editar um debate, à vésperas de uma eleição, em favor de um dos candidatos.
Foi um golpe similar àquele de vestir camisas do PT nos estrangeiros que sequestraram o empresário Abílio Diniz, para que a imagem dos sequestradores, fotografada e televisionada, fosse associada à sigla.
A oposição de direita pratica golpes como quem toma seu café da manhã - como se fosse a coisa mais natural do mundo, como golpistas contumazes que são. Cercados de corruptos, posam de éticos. Atolados na lama, falam em limpar o país. Golpistas profissionais são assim.
Se não se pode banir um partido político, em plena democracia, a ideia é tentar reduzi-lo a pó para ser cheirado por uma oposição em busca de euforia.
Uma direita sem projeto, sem nenhuma vocação de militância e de luta social, sem a cara e sem a fala do povo brasileiro mais humilde sente um prazer monstruoso por condenar quem os tem.
Tais atributos, hoje e sempre, sentenciaram o destino dos que cometem os crimes de tentar mudar o país e de fazer o povo entrar nos palácios pela porta da frente.
É por isso que José Dirceu está e continuará preso, ainda um bom tempo, sem o direito de trabalhar.
É por isso que devemos nos indignar e exigir que, ao menos, a sentença dada pelo STF seja fielmente cumprida.

"Mensalão é a maior mentira já contada no país. E foi contada pelo STF"

Copiei do Gilson Sampaio
(Vocês precisam conhecer a Ameba Lobotomizada que ele cria, meninos e meninas)
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Via CartaCapital
joaca 

Najla Passos

Brasília - O advogado João dos Santos Gomes Filho tinha todos os motivos para só pensar em comemorações, ao deixar o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça (23). Com a confirmação da adoção do in dubio pro reo como critério de desempate, o ex-deputado e ex-presidente do Diretório Regional do PT no Pará, Paulo Rocha, que ele defendeu, foi absolvido da acusação por lavagem de dinheiro, a única que pesava contra ele no julgamento do “mensalão”. Em etapa anterior, seu outro cliente, o ex-líder do governo na Câmara, deputado Professor Luizinho (PT-SP), foi absolvido por maioria da mesma imputação, e também a única contra ele.
João Gomes, no entanto, saiu se dizendo contrariado como cidadão. Homem de esquerda, embora sem filiação partidária, chegou a embargar a voz quando, questionado por Carta Maior sobre qual seria o legado deste julgamento, falou sobre os prejuízos impostos ao Partido dos Trabalhadores. “Eu, João dos Santos Gomes Filho, profissional, no patrocínio de dois apontados neste processo, saio absolutamente tranquilo em relação a eles: fez-se justiça. Mas o todo desta festa - absolutamente degradante – me machuca enquanto cidadão”, desabafou.
Desde o início do julgamento, ele sempre demonstrou uma postura diferenciada da dos demais advogados, que optaram por defesas técnicas e comedidas. Em plenário, admitiu a prática do caixa dois e comprovou que cada centavo repassado pelo “valerioduto” a seus clientes ou supostos intermediários foram destinado ao pagamento de dívidas da campanha eleitoral. Sempre subiu o tom para criticar a teses adotadas pelos ministros que colocavam em risco as garantias individuais. “Não construímos heróis, não construímos mitos. Estamos manchando a nossa própria historia. E eu estou a falar do garantismo, porque esta era a corte da garantia”.
Em um momento de maior tensão, chegou a bater boca com jornalistas que pressionavam pela condenação a qualquer custo. “O julgamento foi feito sob uma pressão midiática de direita muito grande. É como se a direita quisesse justiçar os anos e os projetos políticos do Partido dos Trabalhadores. Mas não vai. A história está aí e nós estamos dando uma resposta muito clara nas urnas”, justificou, nesta terça.
Rechaçou, com ênfase, o momento escolhido pelo STF para julgar a ação penal. Como exemplo dos prejuízos acarretados pela agenda arbitrária, citou a condenação do ex-presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), que renunciou a sua candidatura à prefeitura de Osasco (SP). “O reflexo disso, e do que se usou disso durante a eleição, foi de uma grandeza tão grande que sujeitou um homem bom como o deputado João Paulo a estar condenado por 45 dias sem nem saber a pena que vai cumprir. Isso não tem paradigma histórico. Nós discutimos culpa e deixamos para o final as penas”.
Foi justamente com base na condenação imposta à Cunha que ele extraiu o que considera o legado mais negativo deste julgamento. “Juridicamente falando, considero a questão do ato de ofício não integrar a tipicidade relativa ao crime de corrupção, porque seria esta a situação que diria se houve ou não houve um ‘mensalão’”, observou. Para o advogado, o STF fez uma opção política muito clara ao mudar sua jurisprudência para recepcionar a ideia de que houve compra de apoio político.
“Luiz Inácio Lula da Silva, operário, que disputou três eleições à presidência antes de ganhar a primeira, não pactuaria com este tipo de política. José Dirceu, estudante que largou da própria família para viver no exílio, enfrentou uma ditadura, tem uma história que o precede e que não sustenta esta tese. José Genoino, guerrilheiro do Araguaia, cabra extraordinário, um homem que largou da família para defender a pátria, jamais participaria disso. Houve, sim, irregularidade. Mas dizer que houve compra de apoio político para construção de uma base aliada é a maior mentira que já contaram para este país. E foi contada aqui nesta corte”, concluiu.