SOBRE O BLOGUEIRO

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Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.
Mostrando postagens com marcador luta contra a LGBTT-fobia. Mostrar todas as postagens
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quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Eu sou gay. Entenderam ou tenho que desenhar mais uma vez?

Indispensável. Divido com meus praticamente 9 leitores este texto magnífico de Ely Veríssimo, que copiei de Maju Giorgi, inoxidável amiga e Mãe Pela Igualdade.

Eu sou gay. Não sinto atração física por pessoas do mesmo sexo que eu, mas sou gay. Não sofro todos os dias ofensas e risinhos dos colegas de trabalho, mas sou gay. Não corro o risco - ou talvez corra - de ser surrado nas ruas de madrugada por ser homossexual, mas sou gay. Não tive que explicar, constrangido, pro meu pai ou minha mãe, que gosto de pessoas do mesmo sexo e que isso é apenas a minha forma de amar, que não há nada de anormal nisso, mas sou gay. Nunca tentaram me levar pra uma igreja neopentecostal e expulsar de mim o demônio do pecado pra que eu fosse curado do homossexualismo, mas sou gay. Nunca fui chamado de afeminado e de jogador de frescobol, mas sou gay. Nunca disseram, em voz alta na sala de aula e com voz melosa o meu nome, mas sou gay. Nunca tentaram passar a mão na minha bunda pra saber seu eu iria gostar ou reagir, mas eu sou gay. Nunca fui cercado por um grupo de machões - na verdade, homossexuais enrustidos, e com medo de que eu os revelasse por ser igual a eles - e espancado até a beira da morte, mas eu sou gay. Nunca tive que explicar para um policial que fui surrado por ser gay e ter que suportar dele o riso de deboche, enquanto ignorava completamente minha queixa e adulava meus agressores, mas eu sou gay. Nunca tive vontade de dar cabo minha vida porque não podia ser o que eu sou, sem sofrer todo tipo de execração pública de grupos políticos e religiosos sectários e que tentam infundir em mim e naqueles iguais a mim, uma vergonha tão grande de ser, que a morte parece uma saída melhor e mais doce, mas eu sou gay. Eu não sofri estas coisas na pele, mas eu as sofro todos os dias na alma ao ver estes absurdos cometidos por gente que se diz servo de Deus, guardiões da moral e da família, defensores dos bons costumes, contra pessoas que só querem o direito de amar e serem amados. Eu sou gay.

Ely Veríssimo, Diretor do Sindicato dos Servidores da Justiça Federal

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Aprendam com as crianças, LGBTT-fóbicos

 Copiei de hypeness

Parece óbvio. Mas foi preciso um vídeo perguntando às crianças sobre qual a diferença em conviver com uma tia lésbica para termos a brilhante resposta, que é: nenhuma.

Respondendo a perguntas sobre amor, preconceito e  sexualidade, as crianças Ana Clara, 8 anos e Guilherme, 6, eles dão uma verdadeira aula sobre entendimento da diversidade, mas tudo dentro do universo deles, sem mais nem menos. Quando perguntados sobre qual a diferença entre heterossexuais e homossexuais, eles respondem facilmente: “Se uma mulher anda de mão dada com outra mulher no shopping, não tem diferença! Você nunca namorou na vida, pra ter preconceito?” pergunta Ana Clara.

E quando a produtora do Canal das Bee, responsável pela filmagem do vídeo, beija sua namorada em frente ao Guilherme, ele diz que “é meio nojento”. Mas quando ela pergunta “e quando você vê mamãe e papai se beijando, o que você sente?”, a resposta do menino é - “mesma coisa”. Ou seja, nada mais natural para a criança nessa idade.

terça-feira, 4 de março de 2014

Toda forma de amor vale a pena, toda forma de amor vale amar. O resto é preconceito.

O Serviço de Alto Falantes Ornitorrinco cumprimenta os fanáticos presentes nesta perigosa quermesse em louvor de São Marco Bolsonaro Feliciano, protetor de todos os LGBTT-fóbicos, e divide com vocês, bando de obtusos, este texto leve, lindo, delicado e certeiro. 
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Copiei de Lorraine Tavares

Querida família,

Passei algum tempo analisando cuidadosamente essa foto e algumas outras que tirei com minha namorada, pra tentar entender de que forma ela pode ser tão agressiva e/ou escandalosa a ponto de ter causado tanto alvoroço entre vocês.

O que vejo na foto são atos de afeto e carinho. Não quero expor ninguém, mas entendo que isso não é tão comum entre os casais de nossa família, que tem fortes históricos de violência doméstica, abusos psicológicos, traição e desavenças, além de vínculos afetivos rompidos de forma traumática. E ainda assim eu não entendo como a foto possa ter os agredido de alguma forma. Sobretudo porque não é nenhuma novidade que eu seja publicamente amorosa com quem eu amo.

Entendo que pra vocês pode ser confuso o fato de que eu me relaciono igualmente com homens e mulheres, os amo de igual forma e vivo publicamente essas relações. Mas não projetem em mim a confusão de vocês: eu não estou confusa. Não quero chamar atenção nem me compreendo como uma pessoa pervertida. Meu único escândalo é ser intensa e vívida em meus vínculos de afeto. Mas ainda assim, não vejo como isso possa ser o suficiente para que eu seja alvejada por questionamentos furiosos e preconceituosos da parte de vocês.

Não é a primeira vez que sou violentamente questionada acerca dos meus relacionamentos com mulheres, e se não está claro para vocês, quero explicitar novamente que não é uma fase: eu gosto igualmente de homens e mulheres. Não vejo por que esconder algumas relações enquanto vivo explicitamente outras só porque vocês são lesbofóbicos ou bifóbicos (com exceção da minha família nuclear: Rodrigo, George, Geraldo. Seus lindos.)

Sou expansiva, exposta e intensa, e isso não vai mudar por causa do preconceito alheio. Espero que vocês compreendam isso e não fiquem se doendo, pois eu não estou. Estou feliz, amando e sendo amada. Aceita que dói menos.

Beijos cheios de amor,

Da ovelha colorida da família 

"Toda forma de amor vale a pena, toda forma de amor vale amar"

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Transempregos.com.br: vamos divulgar esta bela iniciativa

A página foi colocada ontem no ar e precisa da máxima divulgação.

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O TransEmpregos é um site que visa facilitar a colocação de pessoas trans* (travestis e transexuais) no mercado de trabalho, e possibilitar que empresários e recrutadores contatem essas pessoas, que muitas vezes não podem demonstrar todo o talento que possuem pois não são contratadas por possuírem uma condição diferente da maioria.


Se você é uma pessoa trans* e está em busca de emprego, cadastre o seu currículo, para isso, crie seu usuário clicando em "Conectar/Cadastrar" no canto superior direito da página.


Se você é empresário(a) / recrutador(a) e está em busca de pessoas talentosas, e sua empresa também se preocupa com justiça social, cadastre suas vagas de emprego em nosso site.

www.transempregos.com.br

Tem alguma sugestão ou dúvida? 
Envie um e-mail para 
transempregos@gmail.com


segunda-feira, 9 de setembro de 2013

E por falar nisso, Jean Cequinel, quando você arrumará finalmente a esbórnia que é o seu quarto?

O Serviço de Alto Falantes Ornitorrinco cumprimenta os LGBTT-fóbicos de merda presentes nesta abominável quermesse em louvor de São Silas Feliciano da Intolerância e do Ódio e declara: untem o dedo na gosma do preconceito, enfiem no cu e, de inopino, rasguem, seus jaguaras!
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Copiei de Blue Bus

Garoto revela no Facebook que é gay, mãe responde pedindo que ele arrume o quarto

Demonstrando o amor incondicional que uma mãe tem por um filho, a mãe de Zach Gibson respondeu de forma afetuosa e bem humorada o post divulgado pelo garoto no Facebook em que ele revela sua homossexualidade. Michelle escreveu uma carta, a fotografou e divulgou na rede social, deixando claro que o filho tem seu total apoio e que não é sua orientação sexual que a preocupa, e sim a bagunça que toma conta do seu quarto.
Veja abaixo a carta na íntegra e em seguida a traduçao. Via Neatorama.

teen-came-out-mom-letter
“Zach, eu fiquei surpresa com seu post no Facebook em que você revela que é gay. Eu quero que você saiba que eu te amo incondicionalmente. Eu te amo com minhas ações, não apenas com minhas palavras. Eu tenho muito orgulho de você. Você é a pessoa mais corajosa que eu conheço. Eu sempre lutarei por você. A sua orientação sexual não te define. Você continua sendo o garoto que ganhou meu coração para sempre. A única coisa que me preocupa é o número de copos de refrigerante e garrafas de chá vazios no seu quarto. Jogue eles fora antes que as formigas tomem conta. Te amo, sempre, Mamãe”

domingo, 3 de março de 2013

Os números da matança: bom dia, LGBTT-fóbicos de merda!

Anônimo homofóbico de merda trouxe esta "extraordinária contribuição" ao meu blog: "Bem, como o comentário vai pro lixo mesmo... Lembrando que muitos desses que morreram, foram mortos por homossexuais, ou você acha que só pelo cara ser ativo, bancar o "homem", deixa de ser gay? Eu só não entendo tanta ira, revolta e "atitude" simplesmente por gostarem de dar o cú, tão nobre causa da vossa existência". 
Como existem incontáveis imbecis como este, atualizo os números da matança em curso, embora não tenha nenhuma expectativa que entendam porque todos nós devemos lutar pelos direitos do povo LGBTT e pela imediata criminalização da homofobia. 
De minha parte, fodam-se!
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Com informações de Quem a Homofobia Matou Hoje?

homofometro2013b51

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

A que ponto chega a homofobia?

O Serviço de Alto Falantes Ornitorrinco cumprimenta os presentes nesta perigosa quermesse em louvor de Nossa Senhora da Intolerância e permite-se lembrar a todos que não precisamos ser gays para lutar pelos direitos e pela dignidade do povo LGBTT.
(Na primeira noite eles levaram os comunistas, etc). 
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A que ponto chega a homofobia?
Débora Diniz
Antropóloga, professora da Universidade de Brasília e pesquisadora do Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero (Anis)

Essa pergunta não é minha, mas da mãe de uma estudante do curso de agronomia da Universidade de Brasília. Como outras vítimas da violência homofóbica, a estudante se mantém anônima. Conhecemos parte de seu sofrimento descrito pelo boletim de ocorrência policial: o braço foi imobilizado e as pernas estão escoriadas. A mulher anônima foi agredida por um homem que a resumia à “lésbica nojenta” enquanto a chutava caída no chão. A surra foi o instrumento disciplinador encontrado para extravasar sua repugnância por quem desafia a norma heterossexual. Não bastava surrá-la, era preciso nomeá-la como um ser abjeto — “lésbica nojenta”.

Não me importa conhecer as razões desse sujeito homofóbico. A verdade é que só há desrazões em jogo quando a repulsa homófoba se crê legítima para torturar os corpos fora da norma heterossexual. A estudante anônima, protegida pela voz de sua mãe, experimentou a rejeição pelo corpo que a apresenta ao mundo. A surra disciplinadora buscava impedir um dos direitos mais fundamentais dessa jovem mulher: o de mover-se livremente, o de ir e vir sem medo que seu corpo novamente a exponha à fúria de quem a rejeita como igual. E isso em um dos espaços mais livres de discriminação como deveria ser o campus de uma universidade pública.

Mas a verdade é que não há espaço livre da homofobia. A homofobia nos acompanha — seja na injúria agressiva dos banheiros ou nos cartazes que inquietam quem passeia pelos corredores da UnB por inquirir a nós, mulheres, se gostamos de apanhar. Pintar os banheiros com flores ou arrancar os cartazes são medidas de higiene pública, mas não enfrentam a origem da homofobia. Apenas temporariamente silenciam a voz soberana do poder. Sim, esse é um jogo em que as jovens mulheres lésbicas já iniciam a vida adulta perdendo: vivemos em uma ordem sexual que as ignoram, as reprimem e, quando possível, disciplinam seus corpos sob a força da tortura. Se não for em casa, será na rua onde aprenderão que sua sexualidade é abjeta.

Imagino que “lésbica nojenta” ecoe na alma dessa solitária vítima da homofobia. Queria poder compartilhar com ela sua dor, mas não posso. O corpo que sente raiva ou vergonha é o dela, não o meu. Minha indignação tampouco é suficiente para devolver-lhe a dignidade ferida pela surra. A partir de agora ela se descreverá como uma mulher sobrevivente da violência homofóbica. Outras mulheres lésbicas poderão se aproximar da sobrevivente e oferecer-lhe a tranquilidade do grupo, mas nem elas serão capazes de acalmar a dor de sentir-se “nojenta” aos olhos de um desconhecido. Juntas, precisamos repetir: você não é nojenta. Mas isso não será suficiente para acalmá-la ou silenciar a homofobia que a amedronta.

Há 20 anos, quando era estudante da UnB, não via minhas colegas lésbicas de mãos dadas. Elas se escondiam no segredo do próprio corpo. Imagino a solidão em que viviam: um segredo que as impediam de se anunciar a partir de algo tão essencial à existência como é a sexualidade. Mas algo mudou: hoje, minhas alunas se anunciam, se mostram como desejam ser para quem as admira ou rejeita. Mas a mudança não foi ainda suficiente. Minhas estudantes temem essa liberdade conquistada — assim como a estudante anônima, elas experimentam injúrias, constrangimentos e pequenas violências cotidianas sobre quem se anunciam ser no campo sexual.

Minha indignação ao caso não se resume à minha existência feminina ou às minhas convicções feministas sobre a igualdade sexual. É mais do que isso. Como professora da UnB, acredito na potência do pensamento, na força do exemplo e, o mais importante, na capacidade humana de mudar seus conceitos e limites morais. Espero que esse homem homófobo, desconhecido e protegido pela covardia da violência, seja um de nossos estudantes. Convido-o a apresentar-se, anunciar-se em suas desrazões, submeter-se ao escrutínio público. Diferente de seus modos, o submeteremos às regras da legalidade, mas fundamentalmente às regras pedagógicas de uma universidade: convido-o a ser meu estudante. Apresente-se. Quero mirá-lo como enfrenta um ser desconhecido a ser disciplinado pela igualdade.
(Correio Braziliense).

sábado, 26 de janeiro de 2013

Bom dia, cristãos LGBTT-fóbicos: já xingaram um gay hoje?

O Serviço de Alto Falantes Ornitorrinco, ao cumprimentar os devotos presentes nesta grandiosa e letal quermesse em louvor da Virgencita do Ódio aos Gays, divide com seus praticamente 9 leitores diários esta reflexão do meu amigo Benjamin Bee, ativista LGBTT com quem, recentemente, troquei botinadas estando eu, desavisado, sem as caneleiras de praxe. 
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Copiei do Benjamin Bee


A homofobia é mesmo intensamente perversa. Tão perversa que se volta inclusive contra os próprios homofóbicos.

Alguém aí disse para se parar de pregar contra a homossexualidade. Mas é exatamente isso! A igreja nunca mencionou homossexuais, só agora nos últimos anos saíram com essa febre de gayzismo, atacar homossexuais em cada esquina com discursos de ódio disfarçados de “pacíficos”.

O mal que causam se volta contra os próprios católicos.

Falar da homossexualidade, sequer mencioná-la, pra quê? Deixem os homossexuais seguirem seu destino.

A igreja prega sexo exclusivamente dentro do casamento entre homem e mulher. Então o que é que se tem que falar contra os que não querem esse sexo “santo”? Cuidem dos católicos que estão abandonando a igreja por falta de santidade à volta.

Claro, que santidade? Vocês estão preocupados em eliminar os homossexuais da vida, do mundo, ao invés de buscar a própria santidade.

Preocupem-se com o matrimônio e deixem o casamento civil a Cesar. Que baboseira é essa de que casamento civil ameaça a paz? Só se for a paz dos machistas, do poder do homem sobre a mulher. A quem pensam que enganam?

Não se dão conta de que quando falam dos homossexuais, o que quer que seja, estão injuriando-os porque não há razão para falar deles, e se falam é para achincalhar a vida deles. Que necessidade se tem de falar de homossexuais bem ou mal, se a igreja prega exclusivamente o sexo entre marido e mulher? Católicos não vão casar com gays ou lésbicas.

Se falam de homossexuais é porque querem atingi-los e induzir os mais fracos a fazê-lo também. Deve ser maravilhoso para vocês se masturbarem com a ideia de um mundo sem homossexuais.

Jean Wyllys tem razão. Vocês são genocidas.

Veja aqui o mais autêntico, pungente e amoroso sentimento católico a respeito.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Notícias da matança: Relatório Anual de Assassinato de LGBTT em 2012

Copiei de Entre Nós

O Grupo Gay da Bahia (GGB) divulga mais um Relatório Anual de Assassinato de Homossexuais (LGBT) relativo a 2012. Foram documentados 338 assassinatos de gays, travestis e lésbicas no Brasil, incluindo duas transexuais brasileiras mortas na Itália. Um assassinato a cada 26 horas! Um aumento de 27% em relação ao ano passado (266 mortes), crescimento de 177% nos últimos sete anos.

Os gays lideram os “homocídios”: 188 (56%), seguidos de 128 travestis (37%), 19 lésbicas (5%) e 2 bissexuais (1%). Em 2012 também foi assassinado brutalmente um jovem heterossexual na Bahia, confundido com gay, por estar abraçado com seu irmão gêmeo. O Brasil confirma sua posição de primeiro lugar no ranking mundial de assassinatos homofóbicos, concentrando 44% do total de execuções de todo o planeta. Nos Estados Unidos, com 100 milhões a mais de habitantes que nosso país, foram registrados 15 assassinatos de travestis em 2011, enquanto no Brasil, foram executadas 128 “trans”. O risco, portanto, de uma trans ser assassinada no Brasil é 1.280% maior do que nos Estados Unidos.

O GGB, que há mais três décadas coleta informações sobre homofobia no Brasil denuncia a irresponsabilidade dos governos federal e estadual em garantir a segurança da comunidade LGBT: a cada 26 horas um homossexual brasileiro foi barbaramente assassinado em 2012, vítima da homofobia. Nunca antes na história desse país foram assassinados e cometidos tantos crimes homofóbicos. A falta de políticas públicas dirigidas às minorias sexuais mancha de sangue as mãos de nossas autoridades.

Crimes por região, estado e capital 
Apesar de São Paulo ser o estado onde mais LGBT foram assassinados, 45 vítimas, Alagoas com 18 homicídios é o estado mais perigoso para homossexuais em termos relativos, com um índice de 5,6 assassinatos por cada milhão de habitantes, sendo que para toda a população brasileira, o índice é 1,7 vítimas LGBT por milhão de brasileiros. Paraíba ocupa o segundo lugar, com 19 assassinatos e 4,9 crimes por milhão, seguido do Piauí com 15 mortes, 4,7 por milhão de habitantes. No outro extremo, os estados onde registraram-se menos homicídios de LGBT foram o Acre – aparentemente nenhuma morte nos últimos dois anos, seguido de Minas Gerais, cujas 13 ocorrências representam 0,6 mortes para cada milhão de habitantes, Rio Grande do Sul e  Maranhão com 0,7, Rio de Janeiro com 0,8 e São Paulo, 1,07 mortes por cada milhão de habitantes.

Como nos anos anteriores, o Nordeste confirma ser a região mais homofóbica do Brasil, pois abrigando 28% da população brasileira, aí concentraram-se 45% das mortes, seguido de 33% no Sudeste e Sul, 22% no Norte e Centro Oeste. Embora Manaus tenha sido a capital onde foi registrado o maior número de assassinatos, 14, numero altíssimo se comparado com os 12 de  São Paulo, em termos relativos, Teresina é a capital mais homofóbica do Brasil, com 15,6 homicídios para pouco mais de 800 mil habitantes, seguida de Joao Pessoa, com 13,4 mortes para 700 mil. Maceió ocupa o terceiro lugar, com 10,4 assassinatos para pouco mais de 900 mil habitantes, enquanto S.Paulo  teve 12 mortes de LGBT, o que representa 1,05 para mais de 11 milhões de moradores.

Não se observou correlação evidente entre desenvolvimento econômico regional, escolaridade, religião,  raça, partido político do governador e maior índice de homofobia letal.

A pesquisa
Segundo o coordenador desta  pesquisa, o Prof. Luiz Mott, antropólogo da Universidade Federal da Bahia, “a subnotificação destes crimes é notória, indicando que tais números representam apenas a ponta de um iceberg de violência e sangue, já que nosso banco de dados é construído a partir de notícias de jornal, internet e informações enviadas pelas Ongs LGBT, e a realidade deve certamente ultrapassar em muito tais estimativas. Dos 338 casos, somente em 89 foram identificados os assassinos, sendo que em 73% não há informação sobre a captura dos criminosos, prova do alto índice de impunidade nesses crimes de ódio e gravíssima homofobia institucional/policial que não investiga em profundidade tais homicídios. Impunidade observada não apenas  no pobre e homofóbico Nordeste, como no Rio Grande do Norte, com 9 dentre 10 crimes impunes, mas também no rico e civilizado Sul, como no Paraná, que dos 19 homocídios, 15 permanecem impunes. Para o Presidente do Grupo Gay da Bahia, Marcelo Cerqueira, “o mau exemplo vem da própria  Secretária Nacional de Segurança Pública, Regina Mick, que declarou recentemente que ‘não existem no Brasil crimes com conotação homofóbica’, ignorando a crueldade da homofobia cultural que estigmatiza e empurra as travestis para a marginalidade, assim como o efeito pernicioso dos sermões dos fundamentalistas ao demonizar os gays, acirrando sobretudo entre os jovens o ódio anti-homossexual.”

Perfil das vítimas
Quanto a idade, 7% dos LGBT tinham menos de 18 anos ao serem  assassinados, sendo o mais jovem um adolescente gay paulista de 13 anos que se suicidou por não aguentar o bullying que vinha sofrendo em casa e na escola.  Suicidas homossexuais também são considerados vítimas da homofobia. 44% desses mortos tinham menos de 30 anos e 8% mais de 50. A faixa etária que apresenta maior risco de assassinato, 57%, situa-se entre 20-40 anos. A vítima mais velha tinha 77 anos, Wilson Brandão de Castro, proprietário de uma sauna em Belo Horizonte, assassinado com 7 tiros.

Quanto à composição racial, chama a atenção o desinteresse dos jornalistas e policiais em registrar a cor dos LGBT assassinados, apenas 42% das vítimas são identificadas e dentre estas, há pequena superioridade de pardos e pretos, 53% para 47% de brancos. Os/as pretos são o menor grupo vítima da homofobia letal, 7,5%, estando ausentes no segmento das lésbicas.

Os homossexuais assassinados exerciam 48 diferentes profissões, confirmando a presença do “amor que não ousava dizer o nome” em todas as ocupações e estratos sociais. Predominam as travestis profissionais do sexo, 72 das vítimas (45%), seguidas de 19 comerciantes, 16 professores, 9 cabeleireiros e empresários, 7 pais de santo, 2 políticos e jornalistas, etc.

Quanto à causa mortis, repete-se a mesma tendência dos anos anteriores, confirmando pela violência extremada, tratar-se efetivamente tais mortes do que a Vitimologia chama de crimes de ódio: 115 dos assassinatos foram praticados com armas de fogo, 88 com arma branca (faca, punhal, canivete, foice, machado, tesoura), 50 espancamentos (paulada, pedrada, marretada), 8 foram queimados. Constam ainda afogamentos, atropelamentos, enforcamentos, degolamentos, asfixia, empalamentos e violência sexual, tortura.  Oito das vítimas levaram mais de uma dezena de golpes ou projéteis: José Pedro do Santos, de Ibititá, BA, morreu com mais de 30 facadas; Dimitri Cabral,  gay de 20 anos de Campina Grande, PB, foi morto com 19 tiros.

O padrão predominante é o gay ser assassinado dentro de sua residência, com armas brancas ou objetos domésticos, enquanto as travestis e transexuais são mortas na pista, a tiros. Um dos crimes mais chocantes ocorreu em fevereiro de  2012: gay Wilys Vitoriano, negro, 26 anos, foi encontrado morto, dentro da casa em que morava, no centro de Vila Velha, ES: “o cenário na casa era de horror. Havia manchas de sangue em várias partes da residência. A vítima estava apenas de sunga e apresentava 68 perfurações no corpo, causadas por diferentes objetos cortantes e na parede da casa de um dos vizinhos, apareceu uma pichação com os dizeres: VIADOS”.

Em Alagoas, no município sertanejo de Olivença, 10 mil habitantes, a travesti Soraia, 39 anos, foi amordaçada, teve pedaços de madeira introduzidos no ânus e o pênis queimado com álcool. Sobreviveu alguns dias, com muitas dores, exalando odor de podridão, até que foi operada, sendo retirado do intestino grosso um pedaço de madeira de  15 cm, morrendo logo a seguir com infecção generalizada.

Em abril, outro crime bárbaro chocou a cidade de Bequimão, no Maranhão. Um adolescente de 14 anos foi assassinado pelo padrasto de 25 anos porque não aceitava que o enteado fosse gay assumido. A vítima foi encontrada enterrada em um terreno nas proximidades de onde morava e segundo a polícia, havia indícios que o garoto teria sido enterrado vivo pelo padrasto, que conseguiu fugir.

2012 fica marcado como o ano em que mais lésbicas foram assassinadas em toda história do Brasil: 19, sendo que nos anos anteriores oscilaram os crimes lesbofóbicos entre 1 a 10 casos anuais. Durante os mandatos de FHC foram assassinadas 27 lésbicas, enquanto no governo Lula/Dilma mataram 44, um aumento de 63% nos últimos 9 anos. Na Bahia, em agosto último, duas lésbicas de 22 e 25 anos, vivendo juntas com a aprovação de suas famílias, foram covardemente assassinadas a tiros quando andavam de mãos dadas no centro comercial de Camaçari. Em Salvador, após uma discussão, um vizinho invadiu a casa de outro casal de lésbicas de 19 e 22 anos, esfaqueando-as, causando a morte da mais jovem. Dentro do segmento LGBT, as travestis e transexuais são as mais vulneráveis face aos crimes letais: contando com uma população estimada em 1 milhão de pessoas, o risco de uma trans ser assassinada é 9.354% maior do que a soma das demais categorias, gays/lésbicas/bissexuais, que juntas devem representar por volta de 19 milhões de pessoas, ou seja, 10% da população brasileira, tomando como referência o Relatório Kinsey.

Assassinos
Quanto aos autores destes crimes homofóbicos, a mídia é extremamente lacunosa, já que apenas 1/4 dos homicidas foram identificados nos inquéritos policiais. Destes, 17% tinham menos de 18 anos, demonstrando o altíssimo índice de homofobia entre os jovens, 85%  abaixo de 30 anos. 21% desses crimes foram praticados por 2 a 4 homens, aumentando ainda mais a vulnerabilidade da vítima. Predominam entre estes criminosos, seguranças particulares, rapazes de programa e ocupações de baixa remuneração, muitos destes crápulas já com passagem pela polícia e uso de revólver, já que 44% das mortes foram praticadas com arma de fogo.

Crimes Homofóbicos
Seriam todos esses 338 assassinatos crimes homofóbicos? O Prof.Luiz Mott é categórico: “99% destes homocídios contra LGBT têm como agravante seja a homofobia individual, quando o assassino tem mal resolvida sua própria sexualidade e quer lavar com o sangue seu desejo reprimido; seja a homofobia cultural, que pratica bullying e expulsa as travestis para as margens da sociedade onde a violência é endêmica; seja a homofobia institucional, quando o Governo não garante a segurança dos espaços freqüentados pela comunidade lgbt ou como fez a Presidente Dilma, vetou o kit anti-homofobia, que deveria ter capacitado mais de 6 milhões de jovens no respeito aos direitos humanos dos homossexuais.” Para o analista de sistemas Dudu Michels, “quando o Movimento Negro, os Índios ou as Feministas divulgam suas estatísticas, não se questiona se o motivo de todas as mortes foi racismo ou machismo, porque exigir só do movimento LGBT atestado de homofobia nestes crimes hediondos? Ser travesti já é um agravante de  periculosidade dentro da intolerância  machista dominante em nossa sociedade, e mesmo quando um gay é morto devido à violência doméstica ou latrocínio, é vítima do mesmo machismo que leva as mulheres a serem espancadas e perder a vida pelas mãos de seus companheiros, como diz o ditado, ‘viado é mulher tem mais é que morrer!”

Um crime emblemático
Na avaliação dos responsáveis pela manutenção deste Banco de Dados, dentre os 338 assassinatos de LGBT documentados em 2012, o mais emblemático é o caso de Lucas Fortuna, 28 anos, jornalista de Goiânia, destacado ativista gay, morto aos 19-11-2012 por dois assaltantes numa praia na região metropolitana de Recife. Seu corpo com o rosto desfigurado foi encontrado com profundas marcas de espancamento. Irresponsavelmente o Departamento de Homicídios de  Pernambuco declarou tratar-se de latrocínio, descartando ódio homofóbico. Presos os dois assassinos confessaram ter na mesma noite assaltado quatro indivíduos, limitando-se a roubar-lhes o celular. No caso de Lucas, espancaram-no, saltaram em cima de seu corpo e jogaram-no ao mar de um penhasco de dez metros. Porque mataram com tanto ódio apenas o gay? Homofobia! A imprensa considerou Lucas Fortuna o “Herzog dos gays”!

O Grupo Gay da Bahia disponibiliza em seu site http://homofobiamata.wordpress.com/ o banco de dados completo com todas as notícias de jornal, vídeos, tabelas e gráficos sobre todos os 338 assassinatos de LGBT de 2012, assim como o manual “Gay vivo não dorme com o inimigo” como estratégia para erradicar esse “homocausto”.

Solução contra crimes homofóbicos
Para o Presidente do GGB, Marcelo Cerqueira, “há quatro soluções emergenciais para a erradicação dos crimes homofóbicos: educação sexual para ensinar à população a respeitar os direitos humanos dos homossexuais; aprovação de leis afirmativas que garantam a cidadania plena da população LGBT, equiparando a homofobia ao crime de racismo; exigir que a Polícia e Justiça investiguem e punam com toda severidade os crimes homo/transfóbicos e finalmente, que os próprios gays, lésbicas e trans evitem situações de risco, não levando desconhecidos para casa e acertando previamente todos os detalhes da relação. A certeza da impunidade e o estereótipo do gay como fraco, indefeso, estimulam a ação dos assassinos.”

Para ler o relatório completo, clique aqui.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Você é do povo LGBTT? Pois compre spray de pimenta

Petista no exílio que sou, divido com meus quase 9 visitantes diários este texto de Walter Silva que dá uma porrada muito bem dada no governo do PT que, a meu ver, permanece acocorado e se borrando de medo diante da imundície que se reúne na frente parlamentar evangélica.
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Copiei de Walter Silva

Faz um mês que Lucas Fortuna morreu. E junto com ele morreram mais de 300 LGBTs durante o ano. Com certeza que ano que vem deve passar dos 400.
O legislativo do Brasil não costuma legislar para as pessoas LGBTs, não importa a sigla partidária ou histórico simpatizante de partido.
A Parceria Civil registrada de Marta Suplicy, no remoto ano de 1995, nunca saiu da gaveta, embora a PCR de Marta fosse somente uma tentativa de salvaguardar alguns direitos patrimoniais para casais do mesmo sexo, inferior ao casamento e inferior à união estável. Em resumo, era uma migalha jurídica miserável, uma vergonha, uma chaga aberta no coração de uma Constituição que afirma que "diante da lei todos são iguais". E não é que até mesmo essa esmola jurídica foi rotundamente recusada? A voz de alguns gafanhotos fundamentalistas da seita dos cristãos, um bando de corruptos ordinários encastelados no congresso nacional, se elevou acima dos valores da própria Carta Magna e também dos direitos humanos internacionais, e mais uma vez nós pessoas LGBT ouvimos "NÃO" para nossas demandas.
Não, eu não acredito que vão criminalizar a homofobia, e não acredito que vão equiparar a homofobia ao crime de racismo. Não, eu não confio na Maria do Rosário. E não, eu não confio no Paim.
E não, eu não acredito no governo, não acredito quando dizem que vão tomar providências contra a homofobia, não acredito em uma só palavra deste governo.
E não, eu não acredito na existência dos tais e misteriosos "evangélicos que são contrários à homofobia", os quais a ministra do Rosário referiu-se afirmando que vai buscar o apoio junto a eles.
A PEC do Jean nunca há de ser aprovada. Desnecessário dizer que quando dezenas de gerações passarem, todos os gays deste país já poderão livremente contrair matrimônio, arrancando à força do judiciário e da Constituição o cumprimento da lei maior, que apregoa que "todos são iguais".
Enquanto os militantes de partido insistem em culpar a religião de forma difusa, um porque são ateus e dois porque são partidários, os fundamentalistas deitam e rolam, afinal interessa a quem mesmo responsabilizar, para além do fundamentalismo religioso, a estreita associação daqueles com a politicalha que costuma rifar nossos direitos não é mesmo?
Resolução de ano novo: adquirir rapidamente um lote de spray de pimenta.
As instituições desta sociedade são homofóbicas e portanto cúmplices dos assassinos, não sendo dignas da minha confiança; sou eu então que devo assumir a responsabilidade de proteger minha vida. E aconselho outros a fazerem o mesmo; spray de pimenta é um frasco pequeno, discreto, e não tão caro.
Spray de pimenta, porque somos frágeis, desarmados e estamos sob grave ameaça.
Spray de pimenta, porque homenagens póstumas interessam pouco para os mortos. Spray de pimenta porque a horda de assassinos costuma agir em grupo, avançar cheios de raiva obtusa e músculos, e municiados com barras de ferro, paus e pedras.
Spray de pimenta ou seu rostinho bonito todo quebrado em fotos de protesto de redes sociais.

E eu só queria traduzir do inglês a seguinte frase: Silas Malafaia is a son of a bitch e deu nisso!

Eu não próprio Malafaia Silas ou qualquer sou seus ódios. I Hate the Fags dos populares palavras mais criados por God religiões. O inteiro louvor álbum de 79 músicas jogar uma oração longa e progressiva de vocês são lixo bichas, aleluia!

Como tal, carregado tenho eu com prazer todo o ouvir grande verdade o álbum odeia deus os bichas, ouvir com prazer, aleluia!

Se gostar taxar e você gostar e compartilhar aleluia com o seu disco amigos cristianos love jesus, dízimo salvar pagamento no banco, bichas god odeia, aleluia!

Suposto representação de love, jesus pecador ama, aleluia pecado hates god hates fags and as bichas, aleluia!

Pode ignorante alguém este ajudar aleluia Ornitorrinco em inglês, francês, javanês e grande show no céu lida com pensamentos da religião?

Ó glória, ó menezes! 

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Promessa para 2013: bando de LGBTT-fóbicos, nós seguimos de pé e lutando


APESAR DE VOCÊS…

Este final de ano tem sido bem surreal para o movimento LGBT. Agora neste finzinho de ano, tivemos muitas campanhas que foram se ligando uma a outra sem nos dar descanso ou folego. Tivemos que lidar com a matéria da Veja das cabras e espinafre, em seguida com a morte de Lucas Fortuna, com a Cura gay no congresso, com a agressão a André Baliera e agora com Paulo Paim como relator da PL122.
Lucas Fortuna e André Baliera nos chamaram a atenção por serem meninos militantes, carismáticos, mas não vamos nos esquecer de todos os anônimos vitimas de homofobia neste ano, e deixo aqui Lucas Fortuna e André Baliera representando a nós todos. Lucas Fortuna, tinha a mesma profissão do meu filho, André Baliera tem  o mesmo nome, os dois quase a mesma idade que ele. Aos pais dos dois, deixo todo meu carinho. Aos pais dos homofóbicos agressores de André Baliera  e aos próprios, digo de cabeça erguida que meu filho é gay, mas tem cérebro, princípios, caráter, respeito ao próximo, sentimentos, um futuro brilhante pela frente e a FICHA LIMPA.
Deixo a vocês minhas condolências por terem colocado monstros acéfalos e insensíveis no mundo. E espero sinceramente do fundo do meu coração que JAMAIS estejam na posição dos pais de André, porque ver um filho ser agredido apenas por existir, é muito complicado. Apesar de todas as intempéries, sinto um movimento muito mais coeso, principalmente na parte que me toca. Tenho visto a cada dia o engajamento dos pais na nossa luta que é diária e ininterrupta e que levaremos para 2013 armados de toda nossa força e nosso amor por nossos filhos.
Quero deixar aqui, meu agradecimento ao meu sempre povo LGBT por esse ano de 2012, a todos, todos que me acompanharam na minha coluna, no face, no twitter, no chat, no telefone, pessoalmente…enfim, vocês, que me deram forças para lutar, que me deram idéias, que me deram as mãos, que me colocaram em campanhas e projetos que só me fizeram crescer, aprender que estiveram ao meu lado nas derrotas e nas vitórias… MUITO OBRIGADO!!! FELIZ NATAL, NATEU, SOLSTÍCIO E UM FELIZ E COLORIDO 2013 PARA TODOS !!!

Deixo com vocês as cartas emocionadas de alguns pais que soltaram a voz e escreveram aos pais dos homofóbicos depois da morte de Lucas e da agressão ao  André…
PAULO ROBERTO CEQUINEL E SONIA FERNANDES DO NASCIMENTO
Já são 312 os(as) LGBTT’s assassinados(as) no Brasil em 2012: significa que 312 famílias vivem a dor infinita da perda e enterram não apenas seus corpos mutilados, torturados e humilhados, mas sepultam seus sonhos e seus projetos. Já são 312 os(as) LGBTT’s assassinados(as) no Brasil em 2012. Há uma matança em curso e nós – que somos uma família LGBTT – temos o dever incontornável de proteger nossos filhos, e estamos a fazer, e do nosso jeito. Já são 312 os(as) LGBTT’s assassinados(as) no Brasil em 2012. Não, não nos peçam tolerância, nem paciência, não nos peçam para falarmos baixinho ali nos cantos, ali nas dobras, e não ousem pedir respeito por sua fé obtusa que é origem da LGBTT-fobia. Já são 312 os(as) LGBTT’s assassinados(as) no Brasil em 2012. Nossos filhos podem e devem andar de cabeça erguida, e são portadores do direito inalienável de viverem sua sexualidade e de serem felizes, e estamos com eles incondicionalmente porque, simples assim, não têm do que envergonhar-se, não são doentes a precisar de “cura”, não são abominações: são seres humanos – imperfeitos como é próprio e inevitável – que querem respeito e não privilégios: quem deve envergonhar-se são vocês, famílias contaminadas pelo ódio doentio e pela LGBTT-fobia que é, sim, doença que carece de tratamento e de cura. Já são 312 os(as) LGBTT’s assassinados(as) no Brasil em 2012 e nós não queremos mais que famílias como a nossa sejam atingidas pela dor infinita da perda e enterram não apenas seus corpos mutilados, torturados e humilhados, mas sepultam seus sonhos e seus projetos. Já são 312 os(as) LGBTT’s assassinados(as) no Brasil em 2012 e esta barbárie precisa ter fim.
DAGOBERTO HAELE ARNAUT E TÂNIA REGINA GROSSI ARNAUT
Quero acreditar que vocês não se deram conta de que estavam criando dois homofóbicos. A homofobia, como de resto todas as formas de preconceito, entra pela mente adentro dos meninos ao observarem o que fazem os seus pais. Afinal, um é o herói do outro. Cada vez que você bateu em seu filho, você, sem se dar conta, ensinou que é legítimo bater no mais fraco. Cada vez que ele chorou e você o chamou de mulherzinha, você ensinou que o homem é mais forte e melhor que a mulher, e ensinou também que um homem com jeito de mulherzinha é desprezível. Eu sei que vocês queriam criar dois homens de bem. A gente sabe que as palavras, o discurso, fazem parte da educação que se dá aos filhos, mas o que determina mesmo o que eles serão quando adultos é o nosso exemplo. O mal está feito. Eles espancaram com violência um jovem que eles julgaram desprezível porque tinha sim um jeito de mulherzinha. Aquele desprezo que foi incutido em suas mentes explodiu de forma trágica. Mas ainda é tempo de ajuda-los a serem homens de bem. Não os apoie na tentativa de dissimular o que fizeram. Não os apoie em inventar uma estória para se apresentarem como vítimas ou mal compreendidos. Chegou a hora de lhes ensinar que um homem que não se responsabiliza pelo que faz é que é desprezível.
MARIA AUXILIADORA FERREIRA
Hoje fiquei sabendo do ataque sofrido pelo jovem André Baliera em uma das ruas mais movimentadas de S Paulo e que graças interferencia de testemunhas ele não foi morto. O que choca ainda mais, é saber que a agressão foi feita por outros dois jovens que se acharam no direito de surrar alguem por sua orientação sexual. Um dos agressores, teve a petulancia de falar , que bateu porque ele respondeu aos seus insultos: “se tivesse seguido seu caminho….”. A irmã de um deles achou que estavamos fazendo alarde “afinal ele nem morreu”. Como toda família, sentimos medo quando nossos filhos homossexuais saem para passear e se divertir, mas sentimos mais medo daquelas pessoas, que posam de bons cidadãos e saem por aí batendo nos outros por não aceitarem que eles tiveram a coragem de enfrentar preconceitos e serem felizes. Não sei o que foi ensinado aos seus filhos, mas com certeza eles não aprenderam, que todo mundo tem os mesmos direitos. Vão ter que aprender na cadeia e servir de exemplo para outros homofóbicos de plantão. Sou uma “Mãe pela Igualdade” e vamos lutar sempre para que nossos filhos tenham os mesmos direitos de todos. Direito de estudar, trabalhar, se divertir e amar quem eles escolherem. Não vamos deixar a homofobia matar nossos jovens. Voces choram porque seus filhos estão presos. Muitas mães choram até hoje por não terem mais seus filhos, porque foram brutalmente mortos por homofóbicos. Homofobia tem que ter fim.
CLARICE CRUZ PIRES
Senhores pais e mães dos homofóbicos. Vou resumir minha trajetória de vida ao criar meus filhos sozinha. Tenho um filho homossexual. Com um mês e meio da minha gravidez quase perdi meu filho, foi uma luta constante, hospital, casa, repouso, hospital, casa, repouso, durante 7 meses até meu filho nascer, prematuro. Quando ele tinha 30 dias de vida contraiu pneumonia, aquele ser tão pequeno, tão frágil, tão magrinho, lutou, lutou, lutou e conseguiu sobreviver. Fiquei viúva com 3 filhos, com idade de 11, 9 e 4 anos, e uma situação financeira péssima. Lutei para criar meus filhos com amor ensinando a eles o respeito principalmente pelo ser humano. Consegui com a ajuda de Deus, somente ter no meu lar 3 homens honestos, e principalmente homens que respeitam o próximo. Senhores pais, tenho certeza que os senhores não gostariam de estar no meu lugar, passando noites sem dormir quando meu filho sai, achando que poderá encontrar um homofóbico em qualquer lugar e só pelo fato de ser homossexual, apanhar ou até perder a vida, que tanto ele, os médicos e eu lutamos pela sua sobrevivência. Sei que seus filhos não são monstros como estão dizendo, ainda é tempo de parar e pensar.
GEORGINA MARTINS
Mensagem que enviei à mãe do Diego Mosca: Sra Elaine, gostaria de lhe dizer que também sou mãe como a Sra, tenho três filhos e um deles é gay, como o rapaz que foi agredido pelo seu filho. Por causa de pessoas assim como o seu filho, eu tenho muito medo que o meu saia de casa, tenho muito medo que ele seja agredido pelo fato de ser gay , porque pessoas como o seu filho andam pelas ruas agredindo homossexuais. Por que isso Sra Elaine? Não consigo entender porque a sexualidade do meu filho e de tantos outros gays possa incomodar tanto assim o seu filho. Na minha casa, desde muito pequena aprendi com meus pais que não devemos fazer com o outro aquilo que não queremos que faça conosco, e acho isso tão simples, tão fácil de seguir. É assim que ensinei aos meus três filhos: dois heteros e um gay, dos quais tenho muito orgulho. Gostaria que a senhora se colocasse no lugar da mãe do rapaz agredido para poder entender a dor dela, o medo dela de saber que seu filho, como tantos outros, pode não voltar pra casa só porque é gay. Talvez a senhora não tenha culpa dessa atitude violenta do seu filho, mas penso que ainda pode tentar corrigi-la; penso que ainda há tempo de transformar o seu filho em um homem de verdade; penso isso porque acredito no humano, penso isso porque quero acreditar que seu filho não é um monstro.
Majú Giorgi
Uma Mãe pela Igualdade

E então, cristãos NÃO LGBTT-FÓBICOS, até quando vocês permanecerão em silêncio?

O Serviço de Alto Falantes Ornitorrinco cumprimenta os presentes nesta perigosa quermesse em louvor de São Malafaia da LGBTT-fobia e, por necessário, pergunta aos cristãos NÃO HOMOFÓBICOS: até quando vocês permanecerão em silêncio, permitindo que os cristãos LGBTT-fóbicos continuem sua faina odiosa que consiste em vomitar seu preconceito obtuso que, sem qualquer sombra de dúvida, fermenta o ódio que produziu as 317 mortes de LGBTT's em 2012? Até quando vocês permitirão que a matança prossiga?
Desculpem-me a dura franqueza: que silencia diante da intolerância, torna-se intolerante por omissão.
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Copiei a imagem de Uma Outra Opinião

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Bom dia, fanáticos religiosos: eis parte da sua obra, e não tentem tirar o fiofó da reta, bando de obtusos!

O Serviço de Alto Falantes Ornitorrinco, ao enfatizar ser necessário proclamar sempre que a LGBTT-fobia produtora desta matança tem origem nas religiões e em seus livros sagrados e letais, reproduz o texto de Brasil de Fato e, ao final, por inteiramente pertinente comentário de Walter Silva.
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Copiei de Brasil de Fato
Homofobia no Brasil: estatística de guerra
Assassinato de 1,3 mil pessoas em seis anos revela que poder público do Brasil pouco faz para enfrentar o problema
11/12/2012
Pedro Rafael, de Brasília (DF)

O relógio é implacável. A cada intervalo de 28 horas um cidadão ou cidadã homossexual é assassinado no país. Tristemente, gays, lésbicas e travestis mortos se convertem em uma estatística que se conta aos milhares. Os números beiram ao absurdo de um conflito armado.
O Grupo Gay da Bahia (GGB) organiza essas informações há pelo menos três décadas e os registros têm aumentado nos últimos anos. De 2007 até a primeira semana de dezembro de 2012, o Grupo calcula um total de 1.341 homicídios contra a população LGBT (sigla para lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais).
Somente de um ano para cá, o número de assassinatos cresceu 14%, saltando dos 266 registros em 2011 para 308 esse ano, que ainda nem terminou. Uma estatística que supera, e muito, a média anual de mortes de palestinos ante a intervenção militar de Israel. O Centro de Informação Israelense para os Direitos Humanos nos Territórios Ocupados contabilizou 115 mortes de civis na Faixa de Gaza, no decorrer do ano passado, por exemplo.
O antropólogo Luiz Mott, fundador do GGB, classifica esse tipo de violência como um “homocausto”.
“Lamentavelmente, vivemos um apagão em termos de políticas públicas para a comunidade LGBT e o país se vê incapaz de erradicar a homofobia”, afirma.

Horror
Por trás dos números alarmantes, as histórias das vidas ceifadas pela homofobia carregam uma característica trágica em comum: a crueldade. Na madrugada de 18 de novembro último, o jornalista goiano Lucas Fortuna, de 28 anos, foi assassinado em uma praia de Cabo do Santo Agostinho, litoral de Pernambuco. Militante LGBT reconhecido nacionalmente, Fortuna recebeu golpes de faca, foi espancado e morreu por afogamento. A violência foi tamanha que o jovem ficou com o rosto quase irreconhecível, segundo parentes e amigos que viram o corpo no Instituto Médico Legal do município. A Polícia Civil ainda investiga o caso, mas as evidências indicam crime de ódio.
“Essas mortes têm como características grande número de golpes, tiros, uso de múltiplos instrumentos para tirar a vida. A prática de tortura é o que torna mais graves tais assassinatos, que devem ser caracterizados como crime de ódio mesmo”, aponta Luiz Mott. Depois de Lucas Fortuna, o GGB já registrou outros 12 assassinatos com a mesma motivação homofóbica, ocorridos em 11 unidades da federação. No mais recente, ocorrido em 30 de novembro, a vítima Lucas Fernandes Ferraciolly, de Londrina (PR), tinha apenas 18 anos e foi alvejada com tiros na cabeça quando saia de uma boate. Outro homossexual, Antônio Carlos de Oliveira, 34 anos, foi morto a pedradas em um bairro de Natal (RN), na madrugada de 24 de novembro. Uma travesti de Cuiabá (MT), conhecida por Fernanda, foi morta com inúmeros golpes na cabeça e teve o corpo carbonizado sobre a própria cama, em um bairro da cidade, no último dia 21 de novembro.

Mais denúncia
Especialistas ouvidos pelo Brasil de Fato atribuem o aumento do número de mortes por homofobia nos últimos anos a uma visibilidade maior da causa LGBT. “Não acho que tenha havido retrocesso nos últimos anos, o que está havendo é um aumento das notificações de crimes que antes não eram registrados dessa maneira. Sempre se espancou gays no Brasil a uma taxa muito alta”, afirma o advogado e professor da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), Alexandre Bahia, especialista em direito homoafetivo.
Para o deputado federal Jean Wyllys (Psol-RJ), coordenador da Frente Parlamentar mista pela cidadania LGBT, o número de crimes é uma resposta de setores conservadores ao protagonismo político cada vez maior da comunidade gay no Brasil. “É uma reação à própria visibilidade e conquista política, e mudança na representação, na qual o meu mandato é um exemplo desse espaço. As paradas de orgulho LGBT se tornaram eventos de massa e se inscreveram no calendário nacional, nós temos avanço por um lado, mas reacionarismo de outro como própria resposta ao avanço”, examina.
Mesmo com o maior reconhecimento social dessa população, tudo o que diz respeito aos direitos civis esbarra na hostilidade dos espaços de poder, como o Congresso Nacional. “Se observarmos as pesquisas que são feitas com a população geral, fica claro que a maioria não é a favor que essa situação de violência por homofobia continue. A classe política é que não toma partido ou, se toma, é para reforçar o discurso conservador”, aponta Alexandre Bahia.
“Quase todos esses políticos são de interesse do fundamentalismo religioso no Brasil, mas não apenas no Congresso Nacional. As pessoas se esquecem, porém, que as assembleias legislativas e as câmaras de vereadores estão tomadas por fundamentalistas religiosos e isso é muito mais grave porque os vereadores e deputados estaduais estão mais em contato com a base, que fi ca muito mais à mercê desses políticos do que os parlamentares reacionários no Congresso”, observa Jean Wyllys.
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O Centro de Informação Israelense para os Direitos Humanos nos Territórios Ocupados contabilizou 115 mortes de civis na Faixa de Gaza, no decorrer do ano passado.
No Brasil, este ano, 314 pessoas LGBT foram mortas.
É estatística de Guerra.
De acordo com o site "Quem a homofobia matou hoje?", os assassinatos são, em geral, marcados pela violência extrema. Além da arma de fogo, muitas vítimas foram mortas por armas brancas – faca, foice, machado – espancamento e enforcamento. Há ainda casos de degolamento, tortura e carbonização. Essas características indicam que se tratam não de ocorrências banais, mas de crimes de ódio contra a população LGBT.
Os números são sub notificados,não correspondendo à totalidade dos casos, que é muito maior.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Meu filho é gay e eu estou bem!

Estar bem com o meu filho gay é saber que criei um ser saudável
NEREIDA VERGARA*
A frase do título faz parte de uma brincadeira entre mim e o meu filho de 18 anos, que é gay. Ele sempre diz que vai mandar fazer uma camiseta com essa mensagem, para eu andar por aí, mostrando que se pode ter um filho gay e não ser infeliz. Chegamos a essa conversa depois de fazer uma generalização de que há um grupo grande de pessoas que sempre olha pra mim, a mãe, como alguém que deu à luz uma coisa de outro mundo. Não posso sair de braço com o meu filho, ou ir com ele ao shopping, ou sair para jantar sem que alguém observe e pense: bah, coitada, que esforço está fazendo. Pois aqui, sem nenhuma pretensão de pregar moral a quem quer que seja, digo, posso dizer: eu estou bem.
Há motivos, é claro, para eu ter essa visão. Como não sou cega, sempre vi no meu menino características que não eram comuns nos outros. Desde antes dos três anos, mostrava interesse pelos brinquedos da irmã, por roupas e coisas de menina. Sempre foi sorridente, faceiro e amigo. Na escolinha, fez aulas de balé junto com as meninas (o que me rendeu uma porção de caras feias de pais de outros meninos que achavam que o gosto dele podia "contaminar"). E eu fui assim desafiando a ordem, colocando meu filho em aulas de balé, de patinação artística, de desenho. Nunca proibi que brincasse de Barbie, da mesma forma que não proibi que a irmã brincasse de Power Rangers ou gostasse de álbuns de figurinhas de futebol.
Teve uma época, na pré-adolescência, que meu menino fez o papel do conquistador! Me contava de meninas que havia beijado, teve um grupo de amigos só de meninos (a maioria ainda amigos dele até hoje, e todos héteros, salvo alguma surpresa de que eu não tenha sido informada). Eu ouvia o que ele dizia, me divertia até, mas os meus olhos não me enganavam. Sempre vi a natureza dele, e amei essa natureza. Assim como amo a irmã dele, hétero, linda, rebelde, tatuada, de cabelo raspado, colorido. E eu nunca vi anormalidade em mim ao aceitar isso dentro do meu coração, porque pais aceitam filhos portadores de deficiências, aceitam filhos dependentes químicos, filhos mulherengos, alcoólatras, porque, enfim, são filhos, nasceram de nós.
Estar bem com o meu filho gay é saber que criei um ser saudável, que tem um bom coração, que vai ter respeito por quem amar, pelos filhos que tiver.
Acho que se a gente se preocupasse apenas em enxergar o que está na frente dos nossos olhos já seria um grande passo para que um filho homossexual fosse encarado como qualquer filho. Pois é o que ele é. Nasce assim. Como eu nasci cabeçuda e baixinha e sou muito grata por meu pai e minha mãe terem me amado mesmo assim. Enganar-se a respeito dos outros é uma escolha que a gente faz e a frustração decorrente disso atormenta muitos pais de homossexuais. Não adianta esperar o que não vai acontecer, nem querer que seu filho que gosta de menino case com uma linda moça para fazer a infelicidade de ambos e a sua felicidade.
Quem chegou até aqui na leitura deste texto pode estar pensando: o que essa mulher está pretendendo ao se expor assim e ao expor seu filho? Explico. Sou partidária da ideia de que dizer a verdade em voz alta nos liberta. Sempre tive a certeza de estar protegendo o meu menino, de estar dando a ele o direito de crescer e se desenvolver como a pessoa que ele nasceu. Seria hipócrita da minha parte dizer que o aceito da porta para dentro e ensinar que da porta pra fora deveria ser outro, com base naquilo que a sociedade convencionou como aceitável. Acredito que antes de a gente discutir as camadas de aceitação das pessoas ditas normais às pessoas gays (se são discretos, travestis ou transformistas) ou o direto das pessoas gays (a união homoafetiva, a adoção de crianças, a criminalização da homofobia) em relação aos nossos, os ditos normais, nós, os pais de gays, devemos, enfim, abandonar o tal do armário (estereótipo social dos mais revoltantes).
Quero muito que um dia essa minha visão predomine, que os meus filhos possam ser admirados pelo caráter, inteligência e originalidade, e que os filhos deles, os lindos netos que eu ainda vou ter, vivam num mundo em que a homossexualidade, entre outras milhares de diferenças que nós, humanos, temos, não precise ser uma causa.
*Jornalista
Artigo Publicado no Site Opinião ZH

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

O "rock das aranha" não me deixa mentir

Copiei de Walter Silva

Sabe o que me deixa extremamente irritado?
É gente que não faz nada pela causa dos direitos civis da comunidade LGBT vir criticar quem faz alguma coisa.
A chusma dos conservadores por exemplo (e nisto incluo também alguns gays de direita).
Essas pessoas são inúteis como carrapatos, mas consideram que sua opinião é extremamente importante e merece ser ouvida.
Chegam ao cúmulo do despropósito de afirmar que as mudanças sociais ocorrem por conta própria, sem interferência de agentes sociais; em um tipo de "salto evolutivo".
Isso é um grande desrespeito.
É cuspir nos túmulos dos escravos que lutaram pela liberdade.
É ignorar que as sufragistas foram vítimas de prisão,violência e difamação.
É fingir não saber que as pessoas hoje têm amigos gays e falam disso abertamente porque os pioneiros criaram um lastro onde todos podem se apoiar; eu queria é ver alguém defender um gay lá nos anos 70 ou 60.
Basta lembrar de certos ícones da contracultura; nem mesmo eles aceitavam a homossexualidade. O "rock das aranha" não me deixa mentir...
Eu aceito críticas sim.
Dos que lutam ao meu lado.
(Walter Silva)

Carta Aberta para JR Guzzo, jaguara sarnento que escreve no esgoto midiático chamado Veja

(o título é o xingamento são de minha integral responsabilidade)

Carta de Repúdio ao artigo de Veja "Parada Gay, Cabras e Espinafre"
Por Maria Claudia Canto Cabral em Mães pela Igualdade

Senhor Editor de Veja:

Nós, Mães pela Igualdade, repudiamos o texto "Parada Gay, Cabra e Espinafre", publicado na edição de 11 de novembro de 2012, e o fazemos no exercício pleno de nossa condição de mães, geradoras de vida, "esteio das famílias", como gostam de nos tratar os conservadores. Portanto, na condição daquelas que defendem diretos, vida e família.

Direito, como bem define Miguel Reale é FATO+VALOR+NORMA. O fato já o temos LGBT – Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transsexuais e Travestis existem. Valor(es) são vários: dignidade da pessoa humana, igualdade, liberdade, intimidade, ir e vir, segurança, saúde, educação entre outros), faltam apenas as normas, que o Congresso Nacional teima em não votar.

Defendemos a vida DIGNA, para todo ser humano [ou não humano] nascido vivo. Exigimos respeito aos nossos filhos e filhas LGBT – Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transsexuais e Travestis. Exigimos respeito às nossas famílias, contribuintes do Estado. Exigimos que nossos filhos e filhas e que nossas famílias sejam honradas plenamente, por sermos todxs sujeitxs de direitos.

Somos família, somos célula mater da sociedade. Somos famílias plurais, que como tais acolhem a diversidade e a livre expressão dos seres que a compõem. Nós, as mães, somos genitoras dos humanos e em nossos ventres está a chave da sobrevivência e preservação da espécie.

Os pais, que conosco apoiam filhos e filhas, acolhendo com honra sua orientação sexual, constituem elementos fundamentais não apenas a preservação da vida em sentido estrito – vida no planeta – como também em seu sentido mais amplo: vida digna, com respeito a direitos de todos e todas LGBTH – Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transsexuais, Travestis e Heterossexuais. Não aceitamos tal desrespeito e deboche para com nossxs filhxs.

Defendemos os direitos de nossos filhos e filhas, todos, e em especial xs LGBT – Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transsexuais, Travestis, que:

Se casem, como todo e qualquer outro humano adulto;

Adotem crianças, antes que as ruas as adotem;

Nossas crianças e adolescentes sejam incluídos e acolhidos plenamente na escola;

Professores e professoras sejam qualificados para lidar com as diferenças de orientação sexual e de identidades de gênero;

A violência física, moral, psíquica perpretada em razão de orientação sexual ou identidades de gênero seja severamente punida; e

Crimes contra a vida sejam agravados quando perpetrados em razão de orientação sexual ou identidades de gênero de suas vítimas.

Não queremos direitos especiais ou privilégios, queremos direitos para nossas famílias e mães são leoas em defesa de suas crias. Nós, Mães pela Igualdade, somos leoas na defesa de nossos filhos e filhas LGBTH – Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais, Travestis e Heterossexuais e exigimos que a revista se retrate na próxima edição, esclarecendo a população que ainda crê nas letras lidas em seu conteúdo, sobre orientação sexual e identidades de gênero.

Por fim, declaramos que a coragem de nossos filhos e filhas LGBT – Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transsexuais e Travestis de assumir quem são, andando pelas ruas de cabeça erguida é para nós motivo de muito orgulho.

Mães pela Igualdade

www.maespelaigualdade.blogspot.com

maespelaigualdade@gmail.com

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

O casório da cabra

O Serviço de Alto Falantes Ornitorrinco cumprimenta os devotos presentes nesta quermesse em louvor de São Reinaldo Azevedo da Merda Anunciada e, estupefacto, divide com seus quase 9 leitores diários este brilhante texto a respeito de mais um cagalhão produzido pela Veja, esgotão midiático que vocês, almeidinhas de merda, encontram nos consultórios da vida.
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Copiei de 100 Homens

Eu criei um jeito de saber se devo ou não ler algumas coisas. Quando enxergo a palavra “homossexualismo” no meio do texto, passo batido. O mesmo acontece ao ver “Valerie Solanas” e “Scum Manifesto”. Recentemente incluí “Femen” nessa lista.
Porque, por mais que existam correntes diferentes na militância, ninguém que fala a sério desses assuntos sequer considera utilizar tais termos.
Só que hoje rolou um artigo assinado por J.R. Guzzo, publicado na revista Veja. O título? “Parada gay, cabra e espinafre”. Você com certeza está pensando “o que uma coisa tem a ver com a outra?”. Pois é. Nada, exceto na cabeça do articulista de Veja e de seu diretor de redação que deixou tal aberração ser publicada.
Acabei de ver o deputado Jean Wyllys dizer que fazer piada da Veja é inútil. Eu tendo a concordar na maioria dos casos, mas quando um texto atinge níveis absurdos de preconceito, simplesmente não dá para ficar quieta.
Uma coisa é quando a gente vê esses blogs com 0 comentários em cada postagem. Dá para ignorar. A Veja, por outro lado, é a revista mais lida do país, gostemos disso ou não. Segundo informação do site da Abril, a tiragem semanal da revista ultrapassa 1,2 milhão de exemplares. Cada revista é lida por, em média, oito leitores (porque fica em consultórios, salões de beleza, etc.)
São quase nove milhões de pessoas lendo; não dá para simplesmente ignorar.
Fingir que essa revista não tem importância é ser muito ingênuo ou muito burro. Tem, sim. Pode não ter diretamente na sua vida, mas a Veja é, sim, a revista mais importante do país.
Bom, isto posto, passemos à análise do texto publicado na edição dessa semana. Eu não vou copiá-lo inteiro; a @bruxaOD já o fez (e vocês encontram aqui). O artigo é todo ruim, mas algumas partes parecem saídas de uma obra de realismo fantástico. Uma obra ridícula, diga-se de passagem.
O *autor* começa assim: “Já deveria ter ficado para trás no Brasil a época em que ser homossexual era um problema.”. Eu não poderia concordar mais. Você até pensa que pode ser um texto positivo, apontando como ainda somos preconceituosos, como  a vida sexual do outro ainda nos  importa, etc, etc. Mas ele não poderia terminar nessa frase. Ele vai além.
Na segunda frase ele manda um “homossexualismo”, o que já seria motivo para eu deixar o texto de lado, como disse no início do post. Porém, Guzzo comete verdadeiras atrocidades:
Ainda agora, na eleição municipal de São Paulo, houve muito ruído em tomo do infeliz “kit gay” que o Ministério da Educação inventou e logo desinventou, tempos atrás, para sugerir aos estudantes que a atração afetiva por pessoas do mesmo sexo é a coisa mais natural do mundo.
Mas é, moço. É a coisa mais natural do mundo.
Mas aí é que está: apesar de sua aparente ineficácia como caça-votos, dizer que alguém é gay, ou apenas pró-gay, ainda é uma “acusação”.
Verdade. Não é louco isso? Chamar alguém de “gay” (ou mulherzinha, viadinho, bichona) É ofensivo. Em 2012.
Para a maioria das famílias brasileiras, ter filhos ou filhas gay é um desastre – não do tamanho que já foi, mas um drama do mesmo jeito.
E o seu texto, senhor Guzzo, será lido por incontáveis pais e mães por aí – eles continuarão morrendo de medo dos filhos um dia se assumirem homo ou bissexuais. Well done!
O kit gay, por exemplo, pretendia ser um convite à harmonia – mas acabou ficando com toda a cara de ser um incentivo ao homossexualismo, e só gerou reprovação.
(segure o vômito a cada vez que esse senhor usa a palavra “homossexualismo”.)
Gerou reprovação de quem? Quem achou que era um incentivo à homossexualidade? É um incentivo à aceitação da diversidade, o que é bem diferente.
O fato é que, de tanto insistirem que os homossexuais devem ser tratados como uma categoria diferente de cidadãos, merecedora de mais e mais direitos, ou como uma espécie ameaçada, a ser protegida por uma coleção cada vez maior de leis, os patronos da causa gay tropeçam frequentemente na lógica – e se afastam, com isso, do seu objetivo central.
Os gays lutam pelo quê? Pelo direito de não serem discriminados na rua. De se casarem legalmente. Isso é querer mais ou mais direitos? Esses direitos já não são garantidos a quem é hetero? Os gays não querem ter MAIS direitos; querem ter os MESMOS direitos.
E ele ainda arremata o parágrafo com um “estão se afastando do seu objetivo central”. Adoro essa gente que não conhece uma vírgula da militância e diz o que o OUTRO deve fazer. Só que não.
O primeiro problema sério quando se fala em “comunidade gay” é que a “comunidade gay” não existe – e também não existem, em consequência, o “movimento gay” ou suas “lideranças”. Como o restante da humanidade, os homossexuais, antes de qualquer outra coisa, são indivíduos.
Não estou falando? É ele quem sabe o que é a militância, minha gente! Que gênio!! Ah, guardem a frase do “os homossexuais, antes de qualquer coisa, são indivíduos”. Em breve ele irá se contradizer nisso.
Na verdade, a única coisa que têm em comum são suas preferências sexuais – mas isso não é suficiente para transformá-los num conjunto isolado na sociedade, da mesma forma como não vem ao caso falar em “comunidade heterossexual” para agrupar os indivíduos que preferem se unir a pessoas do sexo oposto.
Aqui o autor usa uma falsa simetria. Indico este texto do Tulio Vianna a respeito.
Outra tentativa de considerar os gays como um grupo de pessoas especiais é a postura de seus porta-vozes quanto ao problema da violência, imaginam-se mais vitimados pelo crime do que o resto da população. (…) Os homossexuais são vítimas de arrastões em prédios de apartamentos, sofrem sequestros-relâmpago, são assaltados nas ruas e podem ser mortos com um tiro na cabeça se fizerem o gesto errado na hora do assalto – exatamente como ocorre a cada dia com os heterossexuais; o drama real, para todos, está no fato de viverem no Brasil. E as agressões gratuitas praticadas contra gays? Não há o menor sinal de que a imensa maioria da população aprove, e muito menos cometa, esses crimes; são fruto exclusivo da ação de delinquentes, não da sociedade brasileira.
Risos eternos. É a mesma falácia de quem diz que não existe violência de gênero. Nem todos os crimes perpetrados contra mulheres, gays ou negros são por causa do machismo, homofobia ou racismo. Mas há crimes cometidos SÓ por causa disso.
Evidente que a “imensa maioria da população brasileira” não concorda com isso. Imaginem se 100 milhões de brasileiros cometessem crimes. De qualquer tipo. Pois é.
Qualquer artigo na imprensa que critique o homossexualismo é considerado “homofóbico”; insiste-se que sua publicação não deve ser protegida pela liberdade de expressão, pois “pregar o ódio é crime”. Mas se alguém diz que não gosta de gays, ou algo parecido, não está praticando crime algum – a lei, afinal, não obriga nenhum cidadão a gostar de homossexuais, ou de espinafre, ou de seja lá o que for. Na verdade, não obriga ninguém a gostar de ninguém; apenas exige que todos respeitem os direitos de todos.
Outra preguiça: quando levantam o discurso da “liberdade de expressão”. Sou super a favor de qualquer liberdade; no entanto, as pessoas devem ser responsabilizadas pelo que fazem ou dizem. O que se espera é isso: responsabilização.
E, nossa, o espinafre deve ficar realmente muito chateado quando alguém não gosta dele, né? Ops, espinafre não é gente? Hum. Aguarde que já já o autor coisifica DE NOVO os homossexuais.
Há mais prejuízo que lucro, também, nas campanhas contra preconceitos imaginários e por direitos duvidosos. Homossexuais se consideram discriminados, por exemplo, por não poder doar sangue. Mas a doação de sangue não é um direito ilimitado – também são proibidas de doar pessoas com mais de 65 anos ou que tenham uma história clínica de diabetes, hepatite ou cardiopatias.
Eu também não posso doar sangue, pois sou tatuada e “promíscua”. Lá na década de 1980, quando o HIV ainda era um vírus quase desconhecido, tal restrição até fazia sentido. Hoje, com o avanço da medicina, manter tais proibições é puro preconceito. Não existe mais “grupo de risco” baseado no que se faz na cama. Diabéticos e cardiopatas não doam sangue porque isso pode fazer mal a eles mesmos (como pessoas até 50 quilos). Hepatite é transmissível pelo sangue.
O mesmo acontece em relação ao casamento, um direito que tem limites muito claros. O primeiro deles é que o casamento, por lei, é a união entre um homem e uma mulher; não pode ser outra coisa. Pessoas do mesmo sexo podem viver livremente como casais, pelo tempo e nas condições que quiserem. Podem apresentar-se na sociedade como casados, celebrar bodas em público e manter uma vida matrimonial. Mas a sua ligação não é um casamento – não gera filhos, nem uma família, nem laços de parentesco.
Os limites foram impostos por quem?
Se casais homossexuais podem livremente viver como casais, celebrar bodas e manter uma vida matrimonial, isso não é um casamento? Daí você pode se perguntar por qual razão, então, os gays querem um papel. Porque sim. Porque faz parte da nossa cultura, porque é válido para questões de herança, para o plano de saúde, para comprar um apartamento.
Um homem também não pode se casar com uma cabra, por exemplo; pode até ter uma relação estável com ela, mas não pode se casar. Não pode se casar com a própria mãe, ou com uma irmã, filha, ou neta, e vice-versa. Não poder se casar com uma menor de 16 anos sem autorização dos pais, e se fizer sexo com uma menor de 14 anos estará cometendo um crime. Ninguém, nem os gays, acha que qualquer proibição dessas é um preconceito. Que discriminação haveria contra eles, então, se o casamento tem restrições para todos?
Essa parte é, talvez, a mais inacreditável. Como pode? E, aparentemente, a direção da revista achou SUPER bacana, porque a ilustra do artigo… é uma cabra.
A mais nociva de todas essas exigências, porém, é o esforço para transformar a “homofobia” em crime, conforme se discute atualmente no Congresso. Não há um único delito contra homossexuais que já não seja punido pela legislação penal existente hoje no Brasil. Como a invenção de um novo crime poderia aumentar a segurança dos gays, num país onde 90% dos homicídios nem sequer chegam a ser julgados? A “criminalização da homofobia” é uma postura primitiva do ponto de vista jurídico, aleijada na lógica e impossível de ser executada na prática. Um crime, antes de mais nada, tem de ser “tipificado” – ou seja, tem de ser descrito de forma absolutamente clara. Não existe “mais ou menos” no direito penal; ou se diz precisamente o que é um crime, ou não há crime. O artigo 121 do Código Penal, para citar um caso clássico, diz o que é um homicídio: “Matar alguém”. Como seria possível fazer algo parecido com a homofobia? Os principais defensores da “criminalização” já admitiram, por sinal, que pregar contra o homossexualismo nas igrejas não seria crime, para não baterem de frente com o princípio da liberdade religiosa. Dizem, apenas, que o delito estaria na promoção do “ódio”. Mas o que seria essa “promoção”? E como descrever em lei, claramente, um sentimento como o ódio?
Esse parágrafo me irrita sobremaneira. Isso porque, para quem não entende muito bem como acontece a tipificação de um crime, pode parecer fazer sentido. Mas só parece. É evidente que há meios de se tipificar um crime de ódio. Não é porque o ódio é um “sentimento” que ele não pode ser mensurado.
No mesmo artigo 121 citado pelo articulista existe a forma tipificada do crime, conforme abaixo:
§ 2º - Se o homicídio é cometido:
I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe;
II - por motivo fútil;
III - com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum;
IV - à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido;
V - para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime.
Nossa, como vamos identificar o que é um motivo torpe ou fútil, senhor Guzzo? Pois é. É por isso que as pessoas estudam doutrina e jurisprudência! Direito não é a mera aplicação das leis, meu caro.
Os gays já percorreram um imenso caminho para se libertar da selvageria com que foram tratados durante séculos e obter, enfim, os mesmos direitos dos demais cidadãos.
Opa! Menos o casamento, porque isso aí é só pra quem pode procriar.
Bom, acabei copiando quase todo o artigo. Há outras frases escritas por esse senhor que renderiam verdadeiras teses de mestrado. É muita merda e preconceito junto. Há um longo caminho pela frente, amigos. Sigamos.