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Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.
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domingo, 25 de fevereiro de 2024

Pronunciamento do Secretário-Geral de Médicos Sem Fronteiras, Christopher Lockyear, ao Conselho de Segurança da ONU

Copiei de Médicos Sem Fronteiras (MSF)

22 de fevereiro de 2024

Senhora presidente, excelências, colegas,

No momento em que pronuncio estas palavras, mais de 1,5 milhão de pessoas estão encurraladas em Rafah. Pessoas que foram violentamente forçadas a irem para esta faixa de terra no sul de Gaza estão arcando com as consequências da campanha militar de Israel.

Vivemos sob o medo de uma invasão terrestre.

Nossos temores são baseados na nossa própria experiência. Há apenas 48 horas, quando uma família estava ao redor de uma mesa de cozinha em uma casa que abrigava funcionários de MSF e suas famílias em Khan Younis, um projétil de 120mm disparado por um tanque rompeu as paredes do local e explodiu, iniciando um incêndio, matando duas pessoas e deixando outras seis com queimaduras severas. Cinco dos seis feridos são mulheres e crianças.

Havíamos tomado todas as precauções possíveis para proteger os 64 trabalhadores humanitários e membros de suas famílias de um ataque desse tipo, notificando as partes em conflito sobre a localização e marcando claramente o edifício com uma bandeira de MSF. Apesar das nossas precauções, nosso prédio foi atingido não apenas por um disparo de tanque, mas por tiros intensos. Algumas pessoas ficaram presas no prédio em chamas enquanto os disparos contínuos atrasavam a chegada de ambulâncias ao local. Hoje pela manhã, olho para fotos que mostram a extensão catastrófica dos danos e vejo vídeos de equipes de resgate retirando corpos carbonizados dos escombros.

Isto tudo é extremamente familiar – forças israelenses atacaram nossos comboios, detiveram nossos funcionários e destruíram nossos veículos com tratores, e hospitais foram bombardeados e invadidos. Agora, pela segunda vez, um dos abrigos onde estavam nossos funcionários foi atingido. Ou este padrão de ataques é intencional ou é um indicativo de incompetência negligente.

Nossos colegas em Gaza têm medo de que, conforme eu pronuncio hoje essas palavras, eles sejam punidos amanhã.

Senhora Presidente, todos os dias nós testemunhamos o horror inimaginável.

Nós, assim como tantos outros, ficamos horrorizados pelo massacre praticado pelo Hamas em Israel em 7 de outubro, e ficamos horrorizados pela reação de Israel. Sentimos a angústia das famílias cujos entes queridos foram feitos reféns em 7 de outubro. Sentimos a angústia das famílias daqueles detidos arbitrariamente de Gaza e da Cisjordânia.

Como humanitários, ficamos perplexos com a violência contra civis.

Estas mortes, destruição e deslocamentos forçados são o resultado de escolhas políticas e militares que desrespeitam flagrantemente as vidas de civis.

Estas escolhas poderiam ter sido feitas, e ainda podem ser feitas, de maneira muito diferente.

Por 138 dias, testemunhamos o sofrimento inimaginável da população de Gaza.

Por 138 dias, temos feito tudo que é possível para efetuar uma resposta humanitária relevante.

Por 138 dias, temos assistido à destruição sistemática de um sistema de saúde que apoiamos há décadas. Temos assistido aos nossos colegas e pacientes serem mortos e mutilados.

Esta situação é o ponto culminante de uma guerra travada por Israel contra toda a população da Faixa de Gaza— uma guerra de punição coletiva, uma guerra sem regras, uma guerra a qualquer preço.

As leis e os princípios dos quais dependemos coletivamente para permitir a assistência humanitária estão agora corroídos ao ponto de perderem seu significado.

Senhora Presidente, a resposta humanitária em Gaza é uma ilusão —uma ilusão conveniente que perpetua a narrativa de que esta guerra está sendo travada em linha com leis internacionais.

Apelos por mais assistência humanitária ecoaram nesta sala.

Ainda assim, em Gaza temos cada vez menos a cada dia—menos espaço, menos medicamentos, menos comida, menos água, menos segurança.

Já não falamos mais de intensificar a ação humanitária; falamos de sobreviver mesmo sem o mínimo necessário.

Hoje, em Gaza, os esforços para prover assistência são irregulares, episódicos e totalmente inadequados.

Como podemos oferecer ajuda que salva vidas em um ambiente onde a diferença entre combatentes e civis não é levada em conta?

Como podemos manter qualquer tipo de resposta quando trabalhadores médicos são alvejados, atacados e demonizados por atender aos feridos?

Senhora Presidente, ataques a serviços de saúde são ataques à humanidade

Não restou nada que possa ser chamado de um sistema de saúde em Gaza. Os militares de Israel desmantelaram hospitais, um após o outro. O que restou é tão pouco diante de tamanha carnificina que é simplesmente absurdo.

A desculpa dada é a de que as instalações médicas foram usadas para fins militares, embora não tenhamos visto qualquer prova verificada de maneira independente de que isso tenha ocorrido.

Em circunstâncias excepcionais nas quais um hospital perde seu status de local protegido, qualquer ataque deve atender aos pricípios de proporcionalidade e cautela.

Ao invés da aderência à lei internacional, vemos a inutilização sistemática de hospitais. Isto tem deixado inviáveis as operações de todo o sistema médico.

Desde 7 de outubro, fomos forçados a evacuar nove instalações de saúde distintas.

Há uma semana, o hospital Nasser foi invadido. O pessoal médico foi forçado a sair apesar de ter recebido garantias reiteradas de que poderia ficar para continuar atendendo aos pacientes.

Estes ataques indiscriminados, assim como os tipos de armas e munições utilizadas em áreas densamente povoadas, mataram dezenas de milhares de pessoas e mutilaram outros milhares.

Nossos pacientes têm ferimentos catastróficos, amputações, membros esmagados e queimaduras graves. Eles precisam de atendimento especializado. Precisam de reabilitação longa e intensiva.

Médicos não podem tratar estes ferimentos em um campo de batalha ou nas cinzas de hospitais destruídos.

Não há leitos, medicamentos e suprimentos suficientes.

Cirurgiões não tiveram escolha a não ser realizar amputações sem anestesia em crianças.

Nossos cirurgiões estão ficando até sem gaze para impedir que seus pacientes sangrem. Eles usam uma vez, espremem o sangue, lavam, esterilizam e reutilizam para o próximo paciente.

A crise humanitária em Gaza deixou grávidas sem cuidados médicos por meses. Mulheres em trabalho de parto não podem aceder a salas de parto. Estão dando à luz em barracas de plástico ou edifícios públicos.

Equipes médicas agregaram um novo acrônimo ao seu vocabulário: WCNSF — sigla em inglês para criança ferida sem familiar sobrevivente.

As crianças que sobreviverem a esta guerra não vão carregar apenas os ferimentos visíveis das lesões traumáticas, mas também os invisíveis—aqueles causados pelos reiterados deslocamentos, medo constante e por testemunhar membros da família serem literalmente despedaçados diante de seus olhos. Essas feridas psicológicas têm levado crianças tão pequenas como de 5 anos nos dizer que preferiam estar mortas.

Os riscos para o pessoal médico são enormes. Todos os dias, temos feito a escolha de prosseguir com o nosso trabalho diante do perigo cada vez maior.

Estamos apavorados. Nossas equipes estão mais do que exaustas.

Senhora Presidente, isso tem de parar.

Nós, junto com o resto do mundo, temos acompanhado de perto o modo como este Conselho e seus membros têm abordado o conflito em Gaza.

Reunião após reunião, resolução após resolução, este órgão não conseguiu endereçar de maneira efetiva este conflito. Vimos membros deste Conselho deliberarem e agirem com atraso enquanto civis morrem.

Estamos perplexos com a disposição dos Estados Unidos de usar seus poderes como membro permanente do Conselho para obstruir os esforços para a adoção da mais evidente das resoluções: uma pedindo um cessar-fogo imediato e sustentado.

Por três vezes este Conselho teve a oportunidade de votar por um cessar-fogo que é tão desesperadamente necessário, e por três vezes os Estados Unidos usaram seu poder de veto, mais recentemente na última terça-feira.

Uma nova proposta de resolução feita pelos Estados Unidos pede de maneira ostensiva por um cessar-fogo. Apesar disso, ela é no mínimo falaciosa.

Este Conselho deveria rejeitar qualquer resolução que obstrua ainda mais os esforços humanitários no terreno e leve este Conselho a endossar de maneira tácita a violência contínua e as atrocidades em massa em Gaza.

A população de Gaza precisa de um cessar-fogo não quando seja “viável” mas agora. Eles precisam de um cessar-fogo sustentado, não “um período temporário de calma”. Qualquer coisa que fique aquém disso é negligência grosseira.

A proteção de civis em Gaza não pode estar condicionada a resoluções deste Conselho que instrumentalizem o humanitarismo para ocultar objetivos políticos.

A proteção de civis, de infraestrutura civil, de trabalhadores da saúde e de instalações de saúde recai, antes de mais nada, sobre as partes envolvidas no conflito.

Mas é também uma responsabilidade coletiva, uma responsabilidade que recai sobre este Conselho e seus membros individuais, como aderentes à Convenção de Genebra.

As consequências de deixar que o Direito Humanitário Internacional torne-se letra morta repercutirão muito além de Gaza. Isto será um fardo duradouro em nossa consciência coletiva. Não se trata apenas de inação política, tornou-se cumplicidade política.

Há dois dias, uma equipe de MSF e suas famílias foram atacados e pessoas morreram em um lugar onde havia sido dito a elas que estaria protegido.

Hoje, nosso pessoal está de volta ao trabalho, arriscando mais uma vez a vida pelos pacientes.

O que vocês estão dispostos a arriscar?

Nós exigimos as proteções prometidas sob o Direito Humanitário Internacional.

Exigimos um cessar-fogo de ambas as partes.

Exigimos que haja espaço para transformar a ilusão da assistência em assistência realmente significativa.

O que vocês farão para que isso seja possível?

Muito obrigado, Senhora Presidente.

XXX---XXX

Palavra do Ornitorrinco Ateu: Ah, dirão os nazi-sionistas que estão a praticar - há quase 80 anos - genocídio contra o povo palestino, ah, dirão, isso é antissemitismo.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2023

Dicionário sionista, por Jeferson Miola

Copiei do indispensável DCM

Publicado por Jeferson Miola

Atualizado em 26 de dezembro de 2023 às 22:13



Charge: Latuff

Governo de Israel: cruel regime colonial e de Apartheid

Forças de Defesa de Israel [FDI]: Exército de terror, devastação e extermínio de crianças, mulheres, idosos e demais palestinos indefesos

Guerra até o fim: limpeza étnica e genocídio ao estilo “solução final” de Adolfo Hitler

Defesa do Estado de Israel: invasão de territórios palestinos com colonos sionistas armados que promovem violências e brutalidades contra palestinos, destroem suas casas, roubam suas terras e instalam colônias fascistas-militares

Guerra contra o Hamas: genocídio de manual, segundo definição de ex-diretor do Comissariado de Direitos Humanos da ONU

Operação direcionada: invasão de hospital com tanques, armamentos pesados, soldados e destruição de escolas, hospitais, infra-estrutura, mesquitas, igrejas, edifícios e residências na Faixa de Gaza

Aprender as lições necessárias: praticar assassinatos recreativos, inclusive de reféns israelenses

Esforço “supremo” para resgatar reféns: pretexto para assassinar crianças, mulheres, pessoas idosas, jornalistas, funcionários da ONU, médicos, socorristas



Charge: Latuff

Ordem de deslocamento: armadilha para forçar 1,5 milhão de pessoas se confinarem no sul de Gaza para serem bombardeadas e assassinadas pelas FDI

Corredor humanitário: brete exclusivo por onde palestinos transitam como alvos fáceis de assassinato pelas FDI

Zona de combate ativa: território palestino invadido, ocupado e devastado

Alerta de bombardeio: sinal tardio de lançamento de bombas e foguetes em campos de refugiados e assentamentos

Porta-voz: disseminador de mentiras e manipulador da realidade ao estilo Joseph Goebels

Direito de veto na ONU: defesa do direito supostamente divino do regime sionista de Apartheid executar o genocídio do povo palestino e roubar seu território

---xxx---

O Ornitorrinco Palestino - que jamais foi anti semita, seus merdas! - declara, de um lado, seu apoio incondicional à luta do povo palestino e, de outra banda, proclama que o genocídio em curso, há décadas, pelo estado nazi-sionista de Israel precisa ser imediatamente impedido.

VIVA O POVO PALESTINO!

domingo, 13 de julho de 2014

Todos nós, brasileiros, temos agora um amigo, um parente, um familiar, um amigo, um ente querido que foi morto pelas forças de ocupação dos fransionistas

Copiei de Daniel Moraes

O que você faria?
Imaginemos um hipotético povo descendente dos francos – vamos aqui chama-los de Fransionistas – que vive espalhado pelo mundo, em diversos países, como a Tunísia, Marrocos etc. Como eles não têm um Estado próprio, e por estarem sofrendo duras discriminações num desses países onde estão espalhados, eles fundam um movimento chamado Fransionismo.
Esse movimento afirma que esses fransionistas são descendentes dos descendentes dos descentes de Nicolas de Villegagnon, um personagem quase esquecido que governou, por alguns poucos anos, onde hoje é o Rio de Janeiro no século XVI, até daqui emigrar. Em função dessa ancestralidade, eles (pasmem!) afirmam que têm o direito legítimo sobre o Sudeste no nosso país, onde nós brasileiros vivemos há séculos com nossa cultura, nosso povo e nossa história.
Em seguida, uma vez que a América do Sul possui as maiores reservas de água do planeta, e uma das maiores reservas de petróleo submarino do mundo, as grandes potências mundiais, como EUA, Inglaterra e França, rapidamente apoiam o fransionismo para que milhões de francionistas de todo mundo imigrem subitamente para o Brasil e façam da noite para o dia um país deles aqui dentro do nosso país, dentro de nossas cidades de nossos bairros, de nossas ruas.
E eles vêm, ao milhões. Adentram nosso território e, com ajuda das forças armadas americanas, simplesmente fundam um Estado Fransionista no meio do Sudeste brasileiro!
Eu, você, sua família, nosso povo agora viveremos sob domínio cultural, político, econômico, legal, religioso e linguístico de um povo que mal conhecemos que só governou por aqui por míseras décadas há muitos, muitos séculos atrás.
Eis que nossos homens e mulheres brasileiros e brasileiras, junto com nossas Forças Armadas tentam bravamente impedir essa invasão. Porém, os invasores com financiamento e apoio militar esmagador dos EUA, nos derrotam e roubam a região Sudeste do Brasil e fazem de nós brasileiros que aqui vivemos, um povo sem cidadania, sem carteira de identidade, sem título de eleitor, sem assistência médica.
O português não é mais ensinado nas escolas e nosso cristianismo vira minoritário e passa a ser hostilizado. Nossa história e nossa cultura serão sufocadas; nossa tv e jornais agora são deles, na língua deles. Seremos governado por políticos deles, sob suas leis.
Os fransionistas ocupam São Paulo fazendo dela sua capital. Em algumas cidades de periferia nós, os antigos brasileiros, agora sem nacionalidade, somos aglomerados e então cercados por gigantes muros eletrificados e vigiados por guardas armados das poderosas Forças Armadas fransionistas que atiram em quem ousar atravessá-los. Nossos irmãos, pais e filhos estão a viver em guetos, desempregados, e nossas casas têm escassez de comida e de matérias básicas.
Mas eles querem mais. Não bastando o Sudeste, o Estado Fransionsita está se expandindo e já está ocupando o Centro Oeste e o Sul do que era o antigo Brasil antes da invasão. Ano a ano eles ocupam e colonizam o que resta do nosso antigo país. A meta deles é tomar todo o nosso antigo território porque, segundo as lendas deles, a Amazônia era a terra prometida pelo deus deles ao patriarca Villegagnon.
Mas os brasileiros são honrados e lutam. Em algumas dessas pequenas cidades-gueto onde nós estamos concentrados sob péssimas condições de vida, com água e luz racionadas, bravos brasileiros resistem como podem. Criamos um movimento de resistência contra o invasor e seu processo de colonização cada vez mais brutal sobre nosso povo. Fazemos bombas caseiras que, toscas, arremessamos sem direção às suas cidades numa tentativa inútil, porém desesperada de desestabilizá-los. Nossas crianças jogam, inocentemente, pedras sobre seus tanques de guerra.
A resposta do invasor é, há anos, nos bombardear com mísseis, nos fuzilar em nossas ruas, destruir nossas pobres casas com tanques que esmigalham nossas residências até o pó. Vivemos há anos com nossos pais, mães, filhos, amigos sendo destroçados por mísseis fransionistas. Os pedaços dos corpos de nossas mães e de nossos bebês, vimos espalhados carbonizados pelas nossa vizinhança.
Vimos também nossos filhos serem esfolados com artilharia de fósforo branco, uma violenta arma química de destruição em massa – proibida pelas leis internacionais – que provoca terríveis queimaduras e intoxica ao virar fogo em contato com ar. Essas imagens de horror estão em nossas mentes e nossos corpos. São nosso pesadelo cotidiano. E elas nos inflamam ainda mais à luta.
Mas eles dizem que somos nós os terroristas por não aceitarmos a invasão deles em nossa terra! Só aceitam dialogar conosco se nós admitirmos que eles têm o legítimo direito de ter soberania sobre a nosso território que eles tomaram posse. Não cedemos, porém. E eles, então, continuam nos bombardeando, destruindo ainda mais nossas precárias cidades e nos aniquilando dia a dia.
Todos nós, brasileiros, temos agora um amigo, um parente, um familiar, um amigo, um ente querido que foi morto pelas forças de ocupação dos fransionistas. Estamos em pânico, indefesos, chocados, reféns em nossa própria terra. A Comunidade Internacional, dominada pelos interesses geopolíticos dos EUA nada faz. Vivemos um monstruoso horizonte de vermos nossas esperanças se esvairem, assim como se esvaem o nosso povo, nossa história, nossas vidas, nossas famílias.
E você? O que faria nesse cenário de terror?
Ou melhor, o que você fará diante da história real de horror por que passa a Palestina?
‪#‎freepalestine‬

sábado, 18 de dezembro de 2010

O verdadeiro anti-semitismo

Eu visito o Blog do Bourdoukan todos os dias

Por Abdel Latif Hasan Abdel Latif, palestino, médico

Anti-semitismo é um termo inexato para descrever a perseguição sofrida por judeus na Europa, em especial durante o século XIX.

O termo é inexato porque a maioria dos judeus na Europa são descendentes de convertidos aos judaísmo no século IX e X. e principalmente dos khazares.

Os Khazares constituíam um império de tribos turcas na Ásia central e Rússia, que adotou o judaísmo como religião oficial do império, dando origem à população judaica na Europa oriental, em especial Rússia e Polônia.

A perseguição contra judeus na Europa foi motivada por questões religiosas, políticas e  sobretudo econômicas.

A situação atual modificou-se de forma radical.

Os judeus gozam de situação privilegiada em termos econômicos, culturais e políticos.  Não sofrem restrições de acesso a postos importantes e cobiçados.

Hoje, são os palestinos, árabes e muçulmanos, as grandes vítimas da perseguição, discriminação e massacres nas mãos dos novos anti-semitas – os “sionistas” e  simpatizantes.

Enquanto muitos estudiosos questionam a origem semita dos atuais judeus, não há dúvida alguma de que os árabes (gênero) e os palestinos (espécie) são povos semitas, que nunca abandonaram sua terra, muito menos sua história na região.

O Estado sionista não apenas ocupou a Palestina Histórica e expulsou a maioria do seu povo desde 1948, mas discrimina os palestinos que continuam vivendo em suas casas e terras no que é hoje conhecido como Israel.

Exemplo disso  é uma declaração recente feita por centenas de rabinos israelenses. O “decreto” religioso proíbe aluguel ou venda de casas para cidadãos árabes que vivem em Israel e ameaça aqueles que violarem essa ordem de serem isolados “excomungados” e punidos.

Segundo a bula religiosa, “qualquer um que venda ou alugue casa para árabes causa grande prejuízo aos judeus, uma vez que os goym tem estilo de vida diferente do nosso e o objetivo deles é nos prejudicar sempre”.

Até hoje, mais de trezentos rabinos influentes em Israel assinaram o decreto.

O chefe do movimento, rabino Shmuel Eliahu, da cidade de Safad, é conhecido por suas declarações e posições racistas contra a minoria palestina em Israel.

O que causou o movimento do rabino é a presença de alguns alunos árabes,  que estudam em uma faculdade local e são vítimas de agressões racistas diárias por parte  da comunidade judaica da cidade.

A solução encontrada pelos religiosos judeus é proibir os árabes de morar na cidade.

Vale lembrar que Safad é uma cidade palestina, construída pelos cananitas, há três mil anos e seu nome em aramaico significa Fortaleza. Situa-se no litoral norte da Galiléia.

No século XVI, um pequeno grupo de judeus religiosos, fugindo da perseguição na Espanha e em Portugal, após a expulsão dos árabes da Andaluzia, instalou-se na cidade. Eles viviam em harmonia e paz com os árabes-palestinos da cidade até o início do século XX.

A chegada dos novos imigrantes sionistas, com a intenção de expulsar os nativos e criar um Estado exclusivo para os judeus em toda Palestina, deu início a um novo capítulo na História da cidade e da região.

Safad foi ocupada no início de maio de 1948 por forças militares isarelenses, poucos dias antes da criação do Estado judeu.

Sua população árabe-palestina foi expulsa e suas casas foram destruídas. A população de várias aldeias circunvizinhas foi massacrada, como por exemplo, as aldeias de Saasa, Ein Zeitun e várias outras localidades.

Nas ruínas dessas aldeias, os sionistas construíram fazendas para os imigrantes judeus recém-chegados, parques nacionais ou simplesmente deixaram a terra abandonada.

Safad, hoje, é uma cidade totalmente judaica. Os árabes nativos da região não apenas foram expulsos e proibidos de retornar a suas terras, mas são proibidos de comprar ou alugar casas  e terras na cidade.

Para os religiosos judeus, a proibição baseia-se no Torah. Dizem que no Torah está escrito que “Deus  deu a terra de Israel  ao povo de Israel. O mundo é tão grande e Israel tão pequena, mas todos a cobiçam. Isso é injusto”. São as palavras do rabino Yusef Sheinin, um dos líderes do movimento.

A “justiça” desse rabino é estranha. Ele prega não apenas expulsar um povo de sua pátria, mas discriminar a minoria desse povo que ainda vive na sua terra.

O que o mundo não deve aceitar e permitir é  uma “justiça” desse naipe, que ainda usurpa o nome de Deus para encobrir práticas de ódio.

Outro rabino do assentamento Beit Il, dentro dos territórios palestinos ocupados desde 1967, líder do movimento  Gush Emunin, Shlomo Aviner, declarou que “os árabes são 25% dos cidadãos de Israel e não devemos permitir que criem raízes aqui”.

Os palestinos não precisam criar raízes na terra, porque suas raízes são a própria terra. A cidade de Safad é exemplo disso: uma cidade cananita milenar, com nome aramaico (Aram = Síria) e alma árabe, onde viviam antes da invasão dos sionistas, muçulmanos e cristãos e judeus, em um mesmo espaço, com respeito e harmonia.

Os sionistas transformaram Safad em um gueto.

Colonos, que enfrentam dificuldades em criar laços com a terra e os povos onde vivem , falando de raízes, é  pura hipocrisia.

A bula dos rabinos de Israel mostra a crise que uma sociedade racista e colonialista enfrenta para se afirmar e auto-definir.

O racismo, discriminação, expansionismo e militarismo são instrumentos indispensáveis não apenas para construir essas comunidades coloniais, como também para mantê-las.

A discussão sobre o decreto religioso envolveu vários setores da sociedade israelense: religiosos e seculares, da esquerda e  da direita. Os rabinos ditos moderados emitiram opinião que se mostrou tão racista quanto à dos extremistas.

Um dos rabinos considerados moderados, Haim Drucman, tentou amenizar os efeitos das declarações dos rabinos favoráveis aos pogroms contra os palestinos dentro de Israel.

Segundo Drucman, “é necessário diferenciar entre árabes leais ao Estado Judeu e árabes não confiáveis”. “Os primeiros devem ter direitos e devem ser tratados de forma diferente, mas os outros devem ser expulsos”. O rabino não explicou como ser leal a um Estado, que exclui e se define como não seu, exclusivo de outro grupo.

A minoria árabe-palestina do Estado judeu (25%) é considerada uma ameaça, “a bomba demográfica” e a única solução, segundo muitos políticos sionistas é a expulsão dos palestinos.

Israel não é Estado de todos os seus cidadãos, como qualquer outro Estado normal do mundo, mas Estado de uma parcela da população, cidadãos judeus. Os árabes em Israel são cidadãos de terceira categoria, tratados como estrangeiros na sua própria terra, e temem a toda hora serem expulsos de suas casas.

O que Israel quer de fato é a redefinição de conceitos humanos básicos, como liberdade, direitos humanos, cidadania, igualdade e fraternidade.

A ideologia sionista pode ser definida como nazi-sionista, uma vez que baseia-se nos mesmos fundamentos nazistas da pureza racial e mito da supremacia e separação total entre grupos  e etnias diferentes. O decreto do rabinato é irmão das leis de Nuremberg.

Em um artigo publicado no jornal Israel Hoje, em 13/12/2010, a jornalista Amona Alon, sugeriu que é obrigação de Israel mostrar ao mundo que a desigualdade não é discriminação, mas apenas reflexo de diferenças entre povos diferentes. Os brancos da África do Sul não foram tão longe.

Segundo a jornalista, as medidas tomadas por Israel, para forçar seu caráter de exclusividade judaica, são necessárias e justificáveis, mesmo contrariando os ideais liberais. O que a jornalista sugere é que os judeus em Israel tem direitos que os não judeus não podem ter. Fim da isonomia. Sua lógica é distorcida, racista, retrógrada e oportunista, já que certamente se qualquer outro Estado tomasse essas medidas discriminatórias contra os seus cidadãos judeus, seria acusado de crime, racismo, perseguição anti-semita.

Em resumo, a lógica israelense se funda nas seguintes asserções:

1º Tenho direito de ser racista e o mundo deve aceitar isso, porque é a  maneira  da minha auto-afirmação;

2º É direito meu praticar a discriminação contra os árabes cidadãos de Israel, porque é a única forma de manter o caráter de exclusividade judaica do Estado.

3º É meu direito viver em guerra permanente, já que é a garantia da minha existência, porque a paz verdadeira  é justa e isso representa ameaça a meus privilégios.

4ª Matar e causar sofrimento é a única maneira encontrada por Israel para sobreviver, já que precisa subjugar a população nativa, para manter seus privilégios.

Isso não é lógica, isso é patológico! Essas anomalias e taras ameaçam o mundo!