SOBRE O BLOGUEIRO

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Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.
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sábado, 17 de setembro de 2022

"Hino" ao inominável ou, como diria meu primo Jaulo Foberto Tequinel, fuck you brochanaro!

 "Hino" ao inominável

(Carlos Rennó, Chico Brown, Pedro Luís & Artistas Brasileiros)


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Vejam o mais recente cagalhão expelido pela boca fétida de 
brochanaro (aconteceu ontem, em Londrina)
 

Copiei do indispensável Tijolaço
(Fernando Brito)

Jair Bolsonaro sempre se supera. Em Londrina, ontem, mostrou toda a extensão da irracionalidade e do ódio que carrega.

“O Brasil é um país que não tem problemas outros. O único problema que nós temos aqui é o PT, composto de pessoas que vieram dos rincões, dos grotões, daqueles locais onde nada poderia sair dali a não ser esse tipo de gente”.

Esqueça o atraso, esqueça a fome, o déficit de educação, as precariedades da Saúde, as queimadas na Amazônia e no Pantanal, a falta de moradias, esqueça tudo: o problema é o PT, viu?

O problema é essa gente que saiu dos “rincões” e dos “grotões”, do interior e de lugares distantes. Como por exemplo, você, que veio – ou seus pais, ou seus avós vieram – do interior, à procura de trabalho e progresso para a sua família.

Que nojo para um país que se construiu com gente que veio de longe, dos rincões e grotões daqui e de fora, para os que vieram fugindo da pobreza de todas as partes do mundo.

Como fez, aliás, aliás, a própria família do ex-capitão, filhos de imigrantes e que rodaram com ele por por pequenas cidades do interior paulista. Será que serve para ele a ideia de que “nada poderia sair dali a não ser esse tipo de gente”?

Quem quiser ajudar a manter alguém que pensa assim no comando de um país formado por gente que veio de rincões e grotões daqui ou de todo o planeta, o faça, renegue suas origens e esbofeteie seus antepassados.

sábado, 1 de janeiro de 2022

A direita brasileira é, antes de tudo, burra

Copiei do indispensável Tijolaço

que visito todos os dias


A escolha ainda é difícil para a direita?

Fernando Brito, 01/01/2022

A direita brasileira é, antes de tudo, burra.

Erra e repete erros, até o ponto que que se expõe a ser atropelada e esmagada pelos fatos.

O Estadão, aquele que achava “uma escolha muito difícil” da decisão sobre escolher a mediocridade fascistoide de Bolsonaro e alguém que não tinha (e não tem) o menor sinal de radicalismo esquerdista como Fernando Haddad, agora vem, nos seus editoriais, alertar que “eleitor será instado a escolher os rumos do País” numa opção entre “o bolsonarismo [que] não foi solução para o lulopetismo” e o “lulopetismo [que] não é solução para o bolsonarismo”.

Será que, a esta altura, os ilustrados representantes da direita paulistana ainda não aprenderam que seu “murismo” – ou “morismo”? – é a raiz mais profunda de sua perda de credibilidade?

Não tem a coragem de dizer que, proclamando-se antibolsonaro, se tiverem de optar , o preferem?

Acham que tentar igualar figuras tão distintas quando o ex e o atual presidente – “um dos aspectos mais perversos da similaridade entre Lula e Bolsonaro é o modo como tratam as classes mais pobres” – convence alguém que está vendo, todos os dias, que sai de casa, desfilar uma multidão de miseráveis e abandonado? Alguém que lê, em suas próprias páginas, que se formam filas por restos e ossos, retrato explícito de nossa volta ao árido mapa da fome?

Pensam que o povo é burro feito eles, a ponto de não saber o que é realidade e o que é propaganda?

Não conseguem entender que pessoas lúcidas, mesmo conservadoras, já fizeram a “escolha difícil” e preferem Lula, apesar das críticas que lhe possam ter, como o personagem que pode dar fim, ou quase isso, à barbárie bolsonarista?

Não é pouco Geraldo Alckmin admitir-se candidato a vice-presidente em nome disso, mas a eles a conta é assim: o ex-governador “vai perder votos”.
 
Será? Votos não se perdem ou ganham em contas de papel de pão, mas com coerência.

Mas o Estadão, que publicou receitas de bolo para protestar contra a censura, já não tem a coragem de dizer que, numa eleição onde sete em cada dez brasileiros estão fazendo a decisão que importa de verdade, prefere ficar no Moro, digo, no muro, como se a eleição fosse uma brincadeira de uni-duni-trê e não uma escolha muito fácil entre democracia e barbárie.
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O Ornitorrinco Metido a Besta, ontem, começou a escrever singela postagem sobre as recentes declarações do joão amoedo (veja o cartoon acima), que inventou uma bosta de um partido, o tal do novo (sic!!!) para chamar de seu, mas como é próprio para quem tem cacholinha tão desapetrechada, não conseguiu dar conta do tema.
Eis que hoje leio no Tijolaço, do Fernando Brito, quase tudo o que eu pretendia escrever, de modo que compartilho com meus quase 7 leitores diários.   

terça-feira, 19 de abril de 2016

Miriam, as sementes do teu ódio brotaram. E a colheita maldita é Bolsonaro

Copiei do Tijolaço
cuervos

POR FERNANDO BRITO 

Muitas vezes critiquei aqui Miriam Leitão.

Como quase todos que transitam da esquerda para a direita, ela tornou-se não apenas uma propagandista feroz do neoliberalismo como a mais simbólica ave de agouro de toda alternativa a ele.

Hoje, porém, não posso senão ter piedade da pessoa e da profissional.

É que Míriam “caiu na besteira” de escrever, ontem à tarde, um post criticando Jair Bolsonaro e sua defesa da ditadura e da tortura.

Miriam, melhor que nós, como uma mulher que foi torturada, sabe o que é isso.

Então, imagino como deva se sentir ao ler as dezenas de comentários de seus leitores.

Xingam-na, acusam-na, defendem o apologista da ditadura e dos torturadores.

Sinto muito, Miriam, mas é isso o que brotou de tua semeadura de ódio.

É este país da intolerância que você ajudou a produzir.

Não importa que você chamasse Reinaldo Azevedo de pitbull: até os lulus da Pomerânia, atiçados e diante da presa ferida, exibem as presas tingidas de sangue.

É a gente como eles que você se uniu, na prática: aos Bolsonaro, aos Azevedos, aos Felicianos, aos Cunha.

Politicamente – os que te ofendem, agridem, xingam – são tua prole.

Se você aceitou dividir tantas causas com esta gente, como há de espantar-se agora?

Nenhum castigo é maior que olhar em torno de si e ver que reuniu um mundo de monstros.

Porque o que reunimos, Miriam, acaba sendo espelho daquilo que nos tornamos.

PS. Aos comentaristas, recordem-se disso e não cedam ao ódio. Ninguém, muito menos uma mulher, merece ser desrespeitado. Se nos igualamos no ódio e na agressão, seremos iguais como eles ficaram iguais.

sábado, 7 de março de 2015

Tijolaço ao Dr CRM: core diante desta negra !

Copiei do Conversa Afiada
 

"Somos médicos por vocação, não nos interessa um salário, fazemos por amor", afirmou Nelson Rodrigues, 45.

"Nossa motivação é a solidariedade", assegurou Milagros Cardenas Lopes, 61

"Viemos para ajudar, colaborar, complementar com os médicos brasileiros", destacou Cardenas em resposta à suspeita de trabalho escravo. 

"O salário é suficiente", complementou Natasha Romero Sanches, 44.

Poucas frases, mas que soam como se estivessem sendo ditas por seres de outro planeta no Brasil que vivemos.

O que disseram os primeiros médicos cubanos do grupo que vem para servir onde médicos brasileiros não querem ir deveria fazer certos dirigentes da medicina brasileira reduzirem à pequenez de seus sentimentos e à brutalidade de suas vidas, de onde se foi, há muito tempo, qualquer amor à igualdade essencial entre todos os seres humanos.

Porque gente que não se emociona com o sofrimento e a carência de seus semelhantes, gente que se formou, muitas vezes, em escolas de medicina pagas com o imposto que brasileiros miseráveis recolheram sobre sua farinha, seu feijão, sua rala ração, gente que já viu seus concidadãos madrugando em filas, no sereno, para obter um simples atendimento, gente assim não é civilizada, não importa quão bem tratadas sejam suas unhas, penteados os seus cabelos e reluzentes seus carros.

Perto desta negra aí da foto, que para vocês só poderia servir para lavar suas roupas e pajear seus ricos filhinhos, criados para herdar o "negócio" dos pais, vocês não passam de selvagens, de brutos.

Vocês podem saber quais são as mais recentes drogas, aprendidas nos congressos em locais turísticos, custeados por laboratórios que lhes dão as migalhas do lucro bilionário que têm ao vender remédios. Vocês podem conhecer o último e caro exame de medicina nuclear disponível na praça a quem pode pagar. Vocês podem ser ricos, ou acharem que são, porque de verdade não passam de uma subnobreza deplorável, que acha o máximo ir a Miami.

Mas vocês são lixo perto dessa negra, a Doutora – sim, Doutora, negra, negrinha assim!- Natasha é, eu lhes garanto.

Sabem por que? Por que ela é capaz de achar que o que faz é mais importante do que aquilo que ganha, desde que isso seja o suficiente para viver com dignidade material. Porque a dignidade moral ela a tem, em quantidade suficiente para saber que é uma médica, por cem, mil ou um milhão de dólares.

Isso, doutores, os senhores já perderam. E talvez nunca mais voltem a ter, porque isso não se compra, não se vende, não se aluga, como muitos dos senhores, para manter o status de pertenceram ao corpo clínico de um hospital, fazem com seus colegas, para que dêem o plantão em seus lugares.

Os senhores não são capazes de fazer um milésimo do que ela faz pelos seres humanos, desembarcando sob sua hostilidade num paìs estrangeiro, para tratar de gente pobre que os senhores nao se dispõem a cuidar nem querem deixar que se cuide.

Os senhores nao gritaram, não xingaram nem ameaçaram com polícia aos Roger Abdelmassih, o estuprador, nem contra o infeliz que extorquiu R$ 1.200 para fazer o parto de uma adolescente pobre, nem contra os doutores dos dedos de silicone, nem contra os espertalhóes da maternidade paulista cuja única atividade era bater o ponto.

Eles não os ameaçaram, ameaçaram apenas aos pobres do Brasil.

Estes aí, sim, estes os ameaçam. Ameaçam a aceitação do que vocês se tornaram, porque deixaram que a aspiração normal e justa de receber por seu trabalho se tornasse maior do que a finalidade deste próprio trabalho, porque o trabalho é um bem social e coletivo, ou então vira mero negócio mercantil.

É isto que estes médicos cubanos representam de ameaça: o colocar o egoísmo, o consumismo, o mercantilismo reduzidos ao seu tamanho, a algo que não é e nem pode ser o tamanho da civilização humana.

Aliás, é isso que Cuba, há quase 55 anos, representa.

Um país minúsculo, cheio de carências, que é capaz de dar a mão dos médicos a este gigante brasileiro.

E daí que eles exportem médicos como fonte de receita? Nós não exportamos nossos meninos para jogar futebol? O que deu mais trabalho, mais investimento, o que agregou mais valor a um país: escolas de medicina ou esteiras rolantes para exportar seus minérios?

É por isso que o velhíssimo Fidel Castro encarna muito mais a juventude que estes yuppies coxinhas, cuja vida sem causa cabe toda dentro de um cartão de crédito.

Eu agradeço à Doutora Natasha.

Ela me lembrou, singelamente, que coração é algo muito maior do que aquele volume que aparece, sombrio, nas tantas ressonâncias, tomografias e cateterismos porque passei nos últimos meses.

Ele é o centro do progresso humano, mais do que o cérebro, porque é ele quem dá o norte, o sentido, o rumo dos pensamentos e da vida.

Porque, do contrário, o saber vira arrogância e os sentimentos, indiferença.

E o coração, como na música de Mercedes Sosa, una mala palabra.

Por: Fernando Brito

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Nós ganhamos Bolsa-Família todo ano… Muito maior, e ninguém me xinga




Copiei do Tijolaço

Fernando Brito

Recebo um e-mail do Ângelo, um camarada que não vejo há uns 30 anos, mas que foi um dos envolvidos na primeira "manifestação subversiva" que vi e entendi, depois de uns "tios" estranhos que passaram uns dias lá por casa logo após o golpe de 64.

Ângelo, seus irmãos – filhos do velho Alberto, um homem admirável – e outros moleques se revoltaram quando os outros moradores de um conjunto de prédios modestos na Rua Cabuçu, no Lins de Vasconcelos, subúrbio do Rio, decidiram fazer muros em volta dos edifícios, separando a garotada que crescia junto e junto fazia suas traquinagens.

E picharam os muros novinhos: "vocês estão ficando ricos?" "Pensam que a gente é vaca para botar em curral?"

Pois o Ângelo, neste e-mail, chama-me a atenção para algo que nunca vi ninguém dizer, embora obvio.

Que nós, classe-média – e também os ricos – também ganhamos um bolsa família do Governo, bem maior que o dos pobres...

Pois não é que descontamos, por cada dependente, neste ano de 2014, exatos R$ 2.156,52 no imposto de renda, por ano?

Isso mesmo, R$ 179,71 mensais.

Esta lá, na tabela da Receita Federal.

Portanto, é dinheiro que a gente deixa de pagar de imposto e que se soma às nossas disponibilidades, como diz o Ângelo, para comprarmos o que quisermos, do feijão até bebidas e artigos supérfluos. Ninguém tem nada com isso e os R$ 179, 71 contam para cada filho, não importa se eu tenha um ou 18 bacuris.

Seria dinheiro do Governo e passa a ser meu, seu, nosso.

Mas os pobres do Bolsa-Família só levam R$ 35 por rebento, ou R$ 42, se forem adolescentes.

Com um máximo de cinco semoventes miúdos, aliás.

Somando com o benefício básico, de R$ 77, não dá nem R$ 300 reais por mês, ou mais um pouco, se tiver criança pequena, etc…

Menos do que eu descontaria com dois filhos, só.

Mas eu também ganhei – e muitos ganham – também o "Bolsa-Escola", porque podemos abater mais R$ 3.230,46 por ano com escola particular por cada filho, ou mais R$ 270 por filho estudando, sem limite de filhos.

Por filho, note bem.

Nem falamos no plano de saúde, aliás.

E aí, diz o Ângelo, eu posso beber umas e outras com essa grana que deixo de pagar de imposto, e ninguém tem nada com isso.

Ninguém nos xinga por isso.

Ninguém diz que a gente se enche de filhos para ficar com mais dinheiro, em vez de recolher impostos.

Ninguém nos chama de vagabundos, de inúteis, de parasitas.

Mas diz dos pobres.

Como pergunta o meu amigo de tempos "imemoriais": "Quer dizer que bolsa família pra bacana pode, pobre é que é vagabundo e não pode receber?"

Ângelo, você não se corrige, daqui a pouco vai querer pichar uns muros na Rua Cabuçu.

Se me chamar, eu vou com você.