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Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.
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sábado, 27 de janeiro de 2018

Lula precisa morrer

Copiei do FB de Fernando Horta

A classe média brasileira já decidiu isto. Se a morte for real tanto melhor, mas a morte política deve ser levada a efeito. E isto porque Lula é um arquivo ambulante. Lula é uma ofensa que anda e fala para este grupo.
Lula é a prova que a classe média brasileira não consegue melhorar de vida sem auxílio do governo. Uma classe média que só tem carro por programa de redução de impostos e concessão de crédito via bancos públicos. Uma classe média que só tem seus filhos na universidade por causa do ProUni e Fies. Uma classe média que só financiou casa pela abertura de linhas de crédito com juros subsidiados. Que só tem um emprego melhor por causa de um governo que distribuiu riqueza. 
O bar que vive majoritariamente de vender víveres para o dinheiro do bolsa família. A lojinha de celular que vive de atender demanda da classe baixa com dinheiro, graças ao pleno emprego e à programas sociais. O salão de beleza que aumentou a freguesia e recebe pessoas cujo emprego foi garantido pelo aquecimento das linhas de produção da construção civil, estaleiros, petróleo e etc.. A revenda de carro que só aumentou suas vendas quando os mais pobres puderam colocar seus filhos em universidades financiadas pelo governo.
Para esta gente, Lula é a testemunha do fracasso da sua meritocracia. Tudo o que ganharam nos últimos anos - e não o tinham feito no tempo de Collor ou FHC - depõe contra sua auto-estima. Não foi Deus, não foi o seu "esforço" ... não, não foi. Foram programas de governo de um metalúrgico que cresceu - este sim - por si só.
É a vergonha do "meritocrata" que monta negócio com linha de financiamento especial para pequena empresa criada pelo metalúrgico, que leva ao ódio. Aquele que não aceita e esconde que sua melhora de vida não é fruto majoritário do seu trabalho. Se assim o fosse, como ele sempre trabalhou, porque a melhora seria só nos últimos anos? Lula é o símbolo de que tudo o que esta gente sempre falou e se conveceu é uma mentira.
Cada vez que Lula fala, a classe média reconhece sua mediocridade. Cada palara é uma lembrança de que ela, classe média, só é hoje mais rica por causa do "analfabeto" que gerenciou um país.
O ódio a Lula é um misto de inveja, vergonha, baixa auto-estima uma grande dose de ignorância. A casa da praia é financiada pelas linhas da Caixa, o carro pelo Banco do Brasil com redução de imposto, o filho está na universidade com financiamento do governo e o emprego era por causa das desonerações e programas de incentivo do governo. Mas Lula e Dilma nunca fizeram nada. Foi Deus. Deus e o trabalho de quem parece que não trabalhou antes de 2003 e já está vendo que seu trabalho sozinho não sustenta seus sonhos. Mas não foi Lula ...

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Nós ganhamos Bolsa-Família todo ano… Muito maior, e ninguém me xinga




Copiei do Tijolaço

Fernando Brito

Recebo um e-mail do Ângelo, um camarada que não vejo há uns 30 anos, mas que foi um dos envolvidos na primeira "manifestação subversiva" que vi e entendi, depois de uns "tios" estranhos que passaram uns dias lá por casa logo após o golpe de 64.

Ângelo, seus irmãos – filhos do velho Alberto, um homem admirável – e outros moleques se revoltaram quando os outros moradores de um conjunto de prédios modestos na Rua Cabuçu, no Lins de Vasconcelos, subúrbio do Rio, decidiram fazer muros em volta dos edifícios, separando a garotada que crescia junto e junto fazia suas traquinagens.

E picharam os muros novinhos: "vocês estão ficando ricos?" "Pensam que a gente é vaca para botar em curral?"

Pois o Ângelo, neste e-mail, chama-me a atenção para algo que nunca vi ninguém dizer, embora obvio.

Que nós, classe-média – e também os ricos – também ganhamos um bolsa família do Governo, bem maior que o dos pobres...

Pois não é que descontamos, por cada dependente, neste ano de 2014, exatos R$ 2.156,52 no imposto de renda, por ano?

Isso mesmo, R$ 179,71 mensais.

Esta lá, na tabela da Receita Federal.

Portanto, é dinheiro que a gente deixa de pagar de imposto e que se soma às nossas disponibilidades, como diz o Ângelo, para comprarmos o que quisermos, do feijão até bebidas e artigos supérfluos. Ninguém tem nada com isso e os R$ 179, 71 contam para cada filho, não importa se eu tenha um ou 18 bacuris.

Seria dinheiro do Governo e passa a ser meu, seu, nosso.

Mas os pobres do Bolsa-Família só levam R$ 35 por rebento, ou R$ 42, se forem adolescentes.

Com um máximo de cinco semoventes miúdos, aliás.

Somando com o benefício básico, de R$ 77, não dá nem R$ 300 reais por mês, ou mais um pouco, se tiver criança pequena, etc…

Menos do que eu descontaria com dois filhos, só.

Mas eu também ganhei – e muitos ganham – também o "Bolsa-Escola", porque podemos abater mais R$ 3.230,46 por ano com escola particular por cada filho, ou mais R$ 270 por filho estudando, sem limite de filhos.

Por filho, note bem.

Nem falamos no plano de saúde, aliás.

E aí, diz o Ângelo, eu posso beber umas e outras com essa grana que deixo de pagar de imposto, e ninguém tem nada com isso.

Ninguém nos xinga por isso.

Ninguém diz que a gente se enche de filhos para ficar com mais dinheiro, em vez de recolher impostos.

Ninguém nos chama de vagabundos, de inúteis, de parasitas.

Mas diz dos pobres.

Como pergunta o meu amigo de tempos "imemoriais": "Quer dizer que bolsa família pra bacana pode, pobre é que é vagabundo e não pode receber?"

Ângelo, você não se corrige, daqui a pouco vai querer pichar uns muros na Rua Cabuçu.

Se me chamar, eu vou com você.