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Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.
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quinta-feira, 26 de março de 2015

Viado, você vai morrer! Vai morrer de AIDS! Vai morrer passando fome, porque seu pai te expulsou de casa, porque tem vergonha de você!

Copiei de Fabricio Longo (Portal Forum)

“Viado, você vai morrer! Vai morrer de AIDS! Vai morrer passando fome, porque seu pai te expulsou de casa, porque tem vergonha de você. Vai morrer agora, no meio da rua, levando porrada até ficar irreconhecível. Ninguém vai te ajudar, sua bicha. Você vai morrer porque não é gente. Vai morrer porque merece!”

Tudo isso escutei em uma fração de segundo, enquanto o carro de onde o grito de “bicha” saiu cantava pneu para longe de mim. 

Que segurança é essa que faz alguém se sentir confortável para sair de seu espaço e xingar outra pessoa? Sei lá, eu poderia estar armado, reagir de alguma forma... Mas não, a bichinha nunca reage. A bicha tem vergonha de ser bicha porque cresceu ouvindo que isso era errado, então mesmo que se ache uma diva, vai acessar essa vergonha quando a homofobia for esfregada em sua cara. A bicha não reage e por isso quem não é bicha se sente tão superior.

Não consigo entender a necessidade de me chamar de bicha, de viado, de boiola, etc. Em primeiro lugar, não perguntei nada. Em segundo lugar, eu estava presente em todas as vezes que fiz sexo com outro homem, de forma que tenho plena ciência da minha homossexualidade, obrigado.

Essa “vontade incontrolável” de apontar a bichice alheia é estrutural. A cada “viado” lançado como um tapa ou como um tiro, alguém morre de verdade. Uma parcela inteira da população é reduzida a uma mesma coisa marginal, que precisa ser eliminada. Uma coisa que é acusada de promover uma “ditadura” quando pede socorro, às custas de meia dúzia de selinhos de novela.

Viados, vocês vão morrer!

Vão morrer porque são covardes. Vão morrer porque engolem esse papo de que são “menos homens”, quando na verdade aguentam uma barra muito mais pesada do que os “pequenos príncipes” que são o orgulho da família. Vão morrer porque não devolvem os socos e principalmente porque tem vergonha.

Viados tem vergonha de quem dá pinta, de quem “faz escândalo”, de quem “não se dá ao respeito”. Se envergonham, também, das travestis e das “sapatões caminhoneiras”. Tudo que é fora da norma, é motivo de vergonha. Dar a bunda, tudo bem, mas por favor no sigilo. Quem levanta bandeira é um chato e quem reclama de alguma coisa é “vitimista”. Viados são tão obcecados por imitar alguma normalidade que tudo precisa ser normativo, “como manda o figurino”. Menos a parte de gostar de homem, claro! Isso está liberado, é “vida íntima que não interessa ninguém” e – obviamente – quanto mais macho for o cara, melhor.

Bichas, parem. Que morte horrível...

Sou viado e morri um pouco quando me negaram uma boneca, e muito mais quando meus amiguinhos de escola me “deram um gelo” porque comprei uma caneta rosa. Morri quando me assumi, porque sendo um anormal eu tive que passar pela experiência de COMUNICAR à minha família sobre o que eu gosto ou não gosto de fazer na cama. Para piorar, o papo sobre camisinha – que poderia ser apenas sobre prevenção em geral, cuidado, amor próprio, sei lá – tinha um único subtexto: AIDS!

Morri quando acharam que eu queria virar uma mulher, um estilista, um cabeleireiro ou uma Drag Queen. Não que essas coisas todas não sejam fabulosas, mas ninguém merece ter todos os estereótipos do mundo jogados na cara ao mesmo tempo. E se eu só quisesse ser livre? Eu teria me assumido alguma coisa, caso essa “coisa” não estivesse sendo gritada a cada passo meu? Todo mundo vai morrer um dia, mas eu fui abortado em vida pela homofobia de vocês!

Ninguém precisa me matar. Eu morri quando a Câmara foi tomada por uma bancada conservadora e fundamentalista, ao mesmo tempo em que as bichas nos aplicativos gritavam que não votariam em viado. Morri quando alguém disse que preconceito é “questão de gosto” e que o ódio é “opinião pessoal”. Morri a cada ataque homofóbico na Rua Augusta, a cada travesti assassinada e a cada lésbica estuprada. Morro sempre que um gay é homofóbico. Eu sou todas as bichas porque quando alguém se sente no direito de me chamar assim, apaga minha individualidade para me transformar em alvo. E isso mata qualquer esperança.

Sempre que apontam minha diferença, eu escuto um “Viado, você vai morrer”. Entretanto, a pior parte disso é olhar em volta e não enxergar o senso de comunidade nos outros gays. É perceber que a gente não vai morrer porque merece, mas porque ACREDITA que merece.

Viados, parabéns. Os homofóbicos não terão trabalho algum. Vocês vão morrer e eles estarão no camarote, será o próprio “suicídio assistido”!

sexta-feira, 13 de março de 2015

Hoje eu contei para o meu irmãozinho que eu era gay

Copiei de Lucas Vasconcelos

Após muitos anos desde que descobri a respeito da minha sexualidade, sobre o gênero que desperta uma paixão realmente autêntica em mim, finalmente cheguei a decisão de confiar a minha realidade a essa pessoinha com quem mais me importo na vida.
Dividi isso de maneira bem pedagógica, tentando criar uma analogia sobre as pessoas e suas cores favoritas. Dizendo que têm pessoas que gostam mais de preto, ou branco, ou azul, ou amarelo, ou vermelho; explicando sobre o quão legal isso fazia do mundo. Que todos podemos gostar de cores diferentes, e ainda assim sermos felizes e respeitados ao colorir nosso mundo com elas.
Ele parecia saber que eu ia confessar algo. Mergulhou num estado quieto e pensativo durante a explicação inteira, e então, por fim, resolvi assumir minha sexualidade. Ele continuou me olhando, bem calmo e sorrindo, tão natural, e eu então o questionei:
"Tu sabe o nome que se dá a quem gosta de pessoas iguais, John? Homens que gostam de outros homens, e mulheres que gostam de outras mulheres?"
Eu estava preparado para soltar a palavra "gay", já na ponta da língua quando ele simplesmente me escancara a verdadeira resposta:
"Amor?"
E então eu chorei.
"Não chora", ele disse me abraçando.
Ele me olhou com aqueles olhos, cheios de inocência e de mesmo tons que os meus, e eu senti que pela primeira vez ele me enxergava como eu realmente era. Um irmão que ele amava, um amigo que ele jamais perderia e, mesmo uma pessoa qualquer com uma preferência diferente por quem se apaixonar, mas ainda assim uma pessoa igual a qualquer outra. Eu soube disso pela resposta dele. Pela bondade em cada palavra. Uma criança de oito anos de idade soube encarar algo tão natural com mais maturidade que muito adulto. Mais que meus próprios pais, inclusive, que sempre me negaram o direito de confidenciar isso ao meu irmão.
Aproveitem pra aprender da pureza deles, que a maioria esquece ao crescer, pois eu acho que as maiores verdades dessa vida estão no coração dos pequenos.
E a vida continua como se nada tivesse mudado.
E do fundo do coração, eu agradeço por isso.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Bodas de Prata: Toni Reis e David Harrad contam sobre seus 25 anos de casados

1. Num dia de 1992 David Harrad apareceu no Sindipetro PR/SC e nos solicitou a impressão de um panfleto do Grupo Dignidade. Era uma segunda-feira e eu o atendi, lembro disso vivamente, e recordei ter lido, no domingo, no extinto Estado do Paraná matéria muito legal sobre ele e Toni Reis.
2. David e Toni, meninos e meninas, certamente são seres humanos imperfeitos, por serem completamente humanos - porra! - de modo que devemos todos proclamar a coragem absoluta dos dois.
3. David Harrard - que decidiu ser brasileiro - e Toni Reis vocês dois são completamente lindos.
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Símbolo da união homoafetiva no Brasil, militantes do movimento LGBT comemoram em família 

David (esquerda da foto) e Toni, com o filho adotado e os outros dois que atualmente estão no período de convivência e guarda provisória (foto: Franklin de Freitas) 

Símbolos da luta pelos direitos homoafetivos no Paraná e no Brasil, o casal Toni Reis e David Harrad vão completar 25 anos de união no próximo dia 29 de março. Pelas redes sociais, eles já fazem o convite para festejar a data marcante, e em família, já que os dois são pais adotivos de dois meninos e uma menina. Apesar da comemoração, eles relembram o quanto difícil foi chegar até este momento.

A história do casal começou a ser escrita em março de 1990, na Inglaterra. Toni havia acabado de se formar em Letras pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Vítima de preconceito e discriminação durante a faculdade por conta de sua sexualidade, o paranaense, natural de Coronel Vivida, resolveu conhecer outros lugares após terminar o curso.

“Eu cheguei à conclusão que o preconceito e a discriminação em relação à homossexualidade era uma questão cultural, e então resolvi conhecer outras culturas. Fiz um plano para morar dois anos na Europa, passando seis meses em quatro países: Espanha, Itália, Inglaterra e França”, conta o fundador do Grupo Dignidade.

Um ano após começar a viagem, o paranaense desembarcou na Inglaterra, mais precisamente em Londres. Certa noite quando ia para casa, desceu do metrô na estação de Highgate, na região norte da cidade. Um homem que havia descido no mesmo local chamou sua atenção. Era David Harrad, um inglês nascido na pequena cidade de Bollington.

"Eu o seguia, ele percebeu e parou para conversar. Eu lembro que disse que era italiano, pois achava que existia muito preconceito a respeito dos brasileiros e não queria estragar aquele momento. Conversamos, embora com dificuldades — eu quase não falava inglês e ele não falava italiano, apenas francês. Fomos andando a pé até minha casa e marcamos um encontro para dali uma semana. Nos encontramos novamente e então começamos a namorar", recorda.

Não demorou para que o namoro virasse casamento. Ainda em Londres, David chegou um dia na casa do Toni e anunciou que ali estava para ficar. Foram jantar em um restaurante brasileiro com amigos, onde trocaram alianças.

Em novembro de 1991, o casal deixou Londres para morar no Brasil. Em Curitiba, fundaram o Grupo Dignidade, em 1992. Ao mesmo tempo em que lutavam pelo direito dos homossexuais, também iniciavam a guerra para ficarem juntos. "O David veio ao Brasil como turista. Quando o primeiro visto estava por vencer, procuramos a Polícia Federal (PF) para saber como fazer para o David poder ficar no Brasil. As opções para conseguir um visto permanente eram três: investir US$ 300 mil em um empreendimento comercial, ter um filho com uma brasileira ou casar com uma brasileira. Não eram opções viáveis", conta Toni.
O inglês ainda conseguiu renovar o visto de turista uma vez. Depois viajou de novo para a Inglaterra e voltou, novamente como turista. "Depois de um tempo, ficou irregular. Não havia outro jeito", diz Toni. Em 1996, dois agentes da PF bateram na porta do casal. "Houve uma denúncia sobre a estada irregular do David no Brasil. Ele foi autuado e teve o prazo de oito dias para sair do país. Sentimos que estávamos sendo discriminados. Se fosse um casal de homem e mulher, sendo um deles estrangeiro, teriam direito de pedir o visto de permanência."

Para permanecerem juntos, o casal teve de lutar (e muito). O caso acabou ganhando destaque e até mesmo o programa dominical Fantástico fez uma matéria sobre a situação. Para ajudar o filho, a mãe de Toni, que ainda morava no interior do Paraná, ofereceu-se para se casar com David. A notícia, então, ganhou repercussão internacional e mexeu com o governo brasileiro.

"Vários deputados federais, inclusive a Marta Suplicy, articularam com o governo uma solução para o David poder ficar, pelo menos com visto temporário. Ele prestaria consultoria na área que já vinha trabalhando voluntariamente no Grupo Dignidade, na questão da prevenção da AIDS com gays."

O drama, porém, demorou para chegar ao fim. A cada dois anos, David enfrentava o sufoco na hora de renovar o visto temporário. Em 2002, já não tinha mais como renovar. O casal, então, fez uma denúncia ao Conselho Nacional de Combate à Discriminação. O resultado foi uma nova resolução do Conselho Nacional de Imigração permitindo a concessão de visto permanente a companheiro (a) estrangeiro (a), independente do sexo. Em 2005, quase 14 anos depois de vir morar no Brasil, David finalmente recebeu seu visto de permanência.

Primeira adoção demorou seis anos

Se uma luta chegava ao fim, outra começava a ser travada. "Por volta do ano 2000, quando já estávamos juntos há 10 anos, começamos a conversar sobre a possibilidade de adoção de filhos. Não foi uma decisão apressada, levamos em torno de quatro anos até decidir que gostaríamos de adotar. Conversamos, inclusive, com a mãe do Toni várias vezes sobre isso antes do falecimento dela, em 2003. Em agosto de 2005, após a emissão do meu visto de permanência, demos entrada com um pedido de adoção conjunta. Pelo que sabemos, fomos o primeiro casal gay a solicitar adoção conjunta na nossa Vara da Infância e Juventude", relata David. 
Como não haviam precedentes, o juiz e sua equipe demoraram quase três anos para dar um parecer sobre o pedido. E a decisão era de que o casal poderia adotar somente meninas e que tiessem mais de 10 anos de idade.

"Recorremos da decisão por acharmos discriminatória. Em 2009, o Tribunal de Justiça do Paraná entendeu unanimemente que não deveria haver qualquer restrição. Em maio de 2011, seis anos após entrarmos com o pedido de adoção, o Supremo Tribunal Federal reconheceu, de forma unânime, que a união estável homoafetiva se equipara com a união estável heterossexual. Assim, pudemos adotar nosso primeiro filho."

No mesmo ano, graças à decisão do STF, o casal conseguiu formalizar a união no cartório, tornando-se o primeiro casal no Paraná e o segundo no Brasil a formalizar a união. Desde então, a família só cresceu. Além de Alysson, de 14 anos, o casal está no período de convivência e com a guarda provisória de mais duas crianças: Jéssica, de 11 anos, e Felipe, 9. "A relação familiar vai bem. Assim como qualquer outra família com vários filhos, tem momentos de desentendimento, mas o diálogo e o consenso são bons remediadores", finalizam os dois.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

O sinistro deputadão federal Ronaldo Fonseca (Pros-DF), que quer proibir a adoção de menores por casais homoafetivos, é um abominável filho da puta em cristo

O Serviço de Alto Falantes Ornitorrinco declara, com a ênfase necessária, que o sinistro deputadão federal Ronaldo Fonseca (Pros-DF), evangélico de merda, é exemplo de pessoa abominável. Um filho da puta em cristo, ao fim e ao cabo.
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Copiei de Toni Reis
 
Toni Reis, David Harrad e os três filhos de 11, 7 e 4 anos

Embora não esteja previsto na legislação, o direito de homossexual à adoção de crianças tem sido garantido pela justiça brasileira. Apesar disso, representantes de setores mais conservadores da sociedade no Congresso, como o deputado federal Ronaldo Fonseca (Pros-DF), querem acabar com o nobre ato. Ele propôs a proibição da adoção de menores para casais homoafetivos, contida no projeto que discute o Estatuto da Família, em tramitação na Câmara dos Deputados.

Fonseca apresentou, na segunda-feira passada (17), um substitutivo que define como família apenas a união – estável ou casamento – entre homens e mulheres e seus descendentes. O documento estabelece também que seja incluído no currículo escolar a disciplina “Educação para família”, além da criação de Conselhos de Família e da Semana Nacional de Valorização da Família.

O projeto, apresentado em outubro de 2013, tramitou de forma incomum para temas polêmicos como este. A Mesa Diretora autorizou a criação do colegiado especial, formado majoritariamente por parlamentares conservadores e evangélicos, como Ronaldo Fonseca (Pros-DF), pastor da Assembleia de Deus. Apenas quatro são ligados aos setores mais progressistas, como as petistas Érika Kokay (DF), Iara Bernardi (SP) e Margarida Salomão (MG) e Manuela D’Ávila (PCdoB-RS). Compõe também o grupo Marco Feliciano (PSC-SP), Eurico (PSB-PE) e Jair Bolsonaro (PP-RJ).

“A realidade que temos hoje é união estável e casamento civil de pessoas do mesmo sexo, não abarcados pelo artigo 226 da Constituição Federal, mas sustentados por decisão do Suprmeo Tribunal Federal (STF) e Conselho Nacional de Justiça (CNJ), recebendo o status de família ‘homoafetiva’”, justificou o parlamentar no documento.

Em resposta, a deputada Érika Kokay garantiu resistir ao ato. “Vamos fazer uma guerrilha regimental para impedir a aprovação desta proposta fascista”, disse em entrevista.

Segundo ela, o primeiro passo foi pedir para que o projeto do Estatuto da Família, do ex-deputado Sérgio Barradas Carneiro (PT-BA), seja analisado. A autorização da Secretaria-Geral da Mesa forçaria a discussão das duas propostas e um novo calendário de discussão.

Resistente - Apesar de afirmar ter consciência das transformações sociais, Fonseca ressalta não fazer sentido proteger tais relações. “Dela não se presume reprodução conjunta e o cumprimento do papel social que faz da família ser base da sociedade”, opinou no documento.

Definidos no material como “casais de mero afeto”, os homossexuais seriam proibidos da adoção, como prevê o artigo 16 da proposta. Ela modificaria o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e tornaria indispensável que os adotantes fossem “casados civilmente ou mantenham união estável, constituída nos termos do artigo 226 da Constituição Federal, comprovada a estabilidade da família”.

O artigo constitucional reconhece para efeito da proteção do Estado “a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar”. Desse modo, o projeto do Estatuto da Família tornaria obrigatório a norma legal, ainda que não seja considerada atualmente.

Para o secretário de Educação da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), Toni Reis, a ação do deputado é, além de um acinte à cidadania, uma tentativa de conquistar alguns minutos de fama.

Ele, que vive em uma relação homoafetiva há 25 anos e adotou três crianças, conta que o STF interpreta esses casos com base no artigo 5º da Constituição. O texto assegura que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.

“Esta é uma cláusula pétrea e tem muito mais força que o artigo 226, utilizado pelo deputado Fonseca”, analisa.

“(O deputado) deveria preocupar-se com assuntos mais importantes, em vez de com quem as pessoas dormem”, provocou Reis.

Para ele, caso a aprovação ocorra no Congresso, a proposta será inviabilizada no Executivo. “A presidenta Dilma jamais sancionaria tal acinte e, caso o fizesse, a comunidade LGBT recorreria ao STF, que sempre se mostrou favorável ao ato”, argumenta.

Adoção no Brasil - O Cadastro Nacional de Adoção, ferramenta criada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), tem 32.854 pretendentes. Há 5.618 crianças à espera de uma família e, destas, quase a metade são classificadas como pardas e, a maioria, tem mais de cinco anos de idade.

Não há lei que autorize a adoção por casais homoafetivos, no entanto, a justifica brasileira garante o direito resguardado pelos serviços de assistência social, que define ser o melhor para a criança. A guarda única ainda é mais comum nesses casos. Nessa modalidade, apenas uma pessoa tem a adoção formalizada.

Toni Reis e seu companheiro, David Harrad, passaram por processo de sete anos para adotar os filhos.


Por Rebeca Ramos, da Agência PT de Notícias

domingo, 23 de novembro de 2014

Pelo direito de ser

Maju Giorgi, das formidáveis Mães pela Igualdade, é uma das pessoas mais lindas e corajosas que conheço. 
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Copiei do Estadão

Na semana em que o estudante Marcos Vinícius Macedo Souza, de 19 anos, homossexual, morreu esfaqueado em frente ao Ibirapuera - o mais importante parque de São Paulo -, um levantamento com base nos números do Disque 100 revelou que a cada hora um gay sofre algum tipo de violência no Brasil. O criminoso não levou dinheiro, celular ou documentos de Marcos, o que reforça a hipótese de que o jovem tenha sido vítima de homofobia.

O País lidera o ranking mundial de assassinatos de homossexuais e uma pesquisa do Grupo Gay da Bahia apontou que, no ano passado, um homossexual foi morto a cada 28 horas. Para a jornalista e ativista Maju Giorgi, membro do grupo Mães Pela Igualdade - que apoia e defende a orientação sexual de seus filhos - o Brasil pode ficar na contramão da história. Maju foi uma das protagonistas do ato “Revolta da Lâmpada”, domingo passado na Av. Paulista, que lembrou o ataque com lâmpadas fluorescentes a três homossexuais ali em 2010. Para hoje, estava previsto um “Velaço” no Ibirapuera, em homenagem a Marcos Vinícius. 

Maju saiu do armário junto do filho. Desde que soube da homossexualidade de André, juntou a família e fez seu primeiro ato de militância. “Mandei o André viajar porque não queria que ele tivesse de lidar com isso. Chamei a obrigação para mim e disse: ‘Se alguém discriminar meu filho aqui dentro, nunca mais olho na cara’”. Aos 48 anos, casada e com dois filhos, ela não briga mais apenas pela aceitação social de André, que vai se casar em breve com o namorado. “Sabe aquele gay da periferia com pai e mãe evangélicos, teleguiados por pastor? Eu luto por esse”. 

A luta é desgastante, ela diz, mas as conquistas valem o esforço: “Já ouvi de adolescentes de 15 anos: ‘Não me matei por sua causa’”. Semana passada, a ativista brasileira foi procurada pela Human Rights Watch. A ONG dedicada aos direitos humanos quer conhecer a real situação da causa LGBTTT no País. “A gente vai falando, vai falando... Uma hora começam a escutar”. 

A pesquisa divulgada quinta-feira diz que, a cada hora, um gay sofre algum tipo de violência no Brasil. A questão está se agravando?
Esse dado não foi surpresa para mim. Aliás, se você considerar todo bullying homofóbico que o gay sofre dentro da escola, a violência deve ser muito maior. Os casos do levantamento são os que você fica sabendo. E os que não se sabe? Nós estivemos no centro da pauta política nas últimas eleições e, toda vez que o debate sobre a causa gay avança, o conservadorismo reage. Toda luta por liberdade acontece que nem maré: vai e volta, tem avanços e retrocessos. Até que um dia ela avança e não volta mais atrás. 

O que falta para esse momento chegar?
As pessoas deixarem ser egoístas e darem o direito de o outro ser o que é. No Brasil é todo mundo muito egoísta. E não temos um Obama, um François Hollande ou um Pepe Mujica. O Executivo não tem só que falar, como faz a Dilma, “vamos criminalizar”. Falar, minha filha, falo eu também e não acontece nada. O que tem de fazer é o que fez o Hollande na França: peitar, enfrentar, articular o Congresso e aprovar a lei. Você não pode discriminar por religião, que é uma opção, e pode discriminar o direito de ser gay, que é uma condição? Como pode? É um absurdo. 

Argentina e Uruguai são os primeiros países da América Latina a legalizar o casamento gay. O Brasil está atrasado nesse debate?
Muito atrasado. Porque o Brasil tem uma bancada religiosa forte e, em nosso País, não se respeita a laicidade do Estado. O Uruguai tem um presidente que não tem medo de bancada, não faz conchavo. Já nós dependemos apenas do Judiciário que, entra governo, sai governo, é composto por humanistas e defensores da Constituição. Porque o Congresso Nacional do Brasil é homofóbico e o Executivo é rendido, sequestrado. O Brasil está ficando na contramão da história. 

A sra. mencionou as eleições. Em um dos debates, o candidato Levy Fidelix disse que os gays precisam de ‘ajuda psicológica’...
É, inclusive fui gritar na porta do Levy. Ele estava destilando o ódio. É o famoso afiador de faca. Não mata com as próprias mãos, mas incentiva o louco a matar. Percebemos que, depois disso, a violência aumentou absurdamente. A palavra para o ser humano daquele tipo é esta: leviano. Leviano Infidelix. Que importância tem a opinião de uma pessoa que nunca viveu, nunca sofreu, não faz a menor ideia do que seja essa realidade? 

Foi por isso que a sra. declarou, sobre o momento atual, que ‘estão querendo empurrar nossos filhos de volta para o armário?’ 
Eu me referia àqueles que são contra a liberdade. Silas Malafaia (pastor da Assembleia de Deus), Jair Bolsonaro (deputado federal pelo PP-RJ), João Campos (deputado federal pelo PSDB-GO)... Quando olho o perfil dessas pessoas, vejo uma aura de maldade. Porque acho que meu filho tem direito à felicidade plena e ele só vai conseguir fora do armário - sendo quem ele é.

O que a sra. espera do Congresso recém-eleito, o mais conservador desde 1964? 
Primeiro quero ver que conservadorismo é esse. Acredito que o conservadorismo político e econômico do Congresso aumentou, mas não necessariamente o de costumes. Só o PSDB de São Paulo está mandando para Brasília três deputados federais ligados à causa gay: Floriano Pesaro, Mara Gabrilli e Bruno Covas. Você não pode colocar os conservadores no mesmo saco. Por exemplo, a “elite branca paulistana” é conservadora do ponto de vista político, mas extremamente inclusiva com os gays. Então vamos aguardar e ver. 

Como a polícia trata o gay hoje? 
Com desdém. A maioria dos policiais é homofóbica. A polícia faz parte da sociedade. Se a sociedade é homofóbica, a polícia também é. E aqui no Brasil ela tem essa mania de pôr a culpa na vítima. É a mulher que estava com a saia curta, é o gay que estava não sei quê... Ou você está dentro da caixinha ou não existe. Ou se encaixa no padrão que o conservadorismo considera certo ou você não existe. Vai ser perseguido. É um círculo vicioso que tem que ser quebrado. É cultural, muito complicado. Não adianta eu, Jean Wyllys, João Nery (um dos primeiros brasileiros a fazer mudança de sexo), Márcia Rocha (travesti, militante e empresária), falarmos dia e noite sobre essas coisas. É preciso mais gente debatendo o tema para quebrar esses estigmas culturais que foram construídos durante séculos. 

As novelas têm tratado bastante do tema. Em sua opinião, elas mais combatem ou mais reforçam a homofobia?
Depende do autor. Alguns são realmente capazes de sensibilizar e a gente morre do coração de tanta sensibilidade. Outros só reforçam o estigma e prestam um desserviço a nossa causa. É o caso desse jornalista gay que aparece na novela das 8 (personagem Téo Pereira, interpretado por Paulo Betti, em Império, na Rede Globo). Já o primeiro beijo gay (na novela Amor à Vida, entre os personagens Niko e Félix) foi sensibilidade pura. Porque ali a dramaturgia conseguiu o que a militância tenta: separar a sexualidade do afeto. Na realidade, o homofóbico quando olha para o gay vê apenas o sexo - nunca o afeto. Nossa briga é para que se veja o afeto. Porque meu filho sempre falou para mim: mãe, se não existisse sexo, eu ia ser gay do mesmo jeito. Porque é o coração, não é genital.

Quando a sra. percebeu pela primeira vez que seu filho era gay?
Ainda criança. Quando ele tinha 5 anos, falei para meu irmão: ele é gay. Meu irmão falou: ‘Ah não, imagina. Como você já pode saber?’. Mas sabia. E tive dez anos para me preparar. Por mais que me achasse preparada, a hora que ele me falou o chão se abriu debaixo de meus pés. Me senti péssima. Não por ele ser gay. Porque para mim tanto faz, é meu filho do mesmo jeito. O problema é que você sabe toda a discriminação que vai sofrer. No caso dele, sofreu mesmo. Além de todo o bullying na escola, sofreu três ataques homofóbicos. Tenho certeza absoluta de que meu filho pensou em se matar muitas vezes. Apesar de ter uma família inclusiva e ter para onde voltar. Porque apesar de ser honesto, trabalhador, não ser criminoso, não encher a paciência de ninguém, ele é um pária da sociedade. A criança judia sofre preconceito na rua e volta para o colo da mãe judia. A criança negra sofre o racismo na rua e volta para o colo da mãe negra. A criança LGBTTT não tem para onde voltar. E muitas vezes ela sofre mais homofobia dentro de casa que na rua. Veja o pai que matou um filho de 8 anos porque o menino foi lavar louça. Uma criança linda de morrer, e o cara esfacelou o rim do menino na pancada porque o filho queria lavar louça. É para esse lugar que a criança LGBTTT volta. Um lugar onde ela é torturada e não tem colo de ninguém. 

Que ataques seu filho sofreu? 
Uma vez, ele estava andando em Taboão da Serra, cuspiram nele e chamaram de veado. Outra vez tava no McDonald’s da Av. Faria Lima na hora do almoço. Quando se levantou para sair, as amigas que estavam com ele escutaram um pitboy falar ‘vamos pegar o veado’. Elas começaram a gritar e os seguranças do McDonald’s pararam um táxi e puseram meu filho dentro. Então você acha que a gente consegue dormir à noite? Tenho uma amiga da Mães pela Igualdade que a filha foi apedrejada. Apedrejada. Ano de 2014, mundo ocidental. Como a gente dorme à noite? A gente não dorme. O André Baliera (estudante de Direito da USP, agredido em 2012) foi espancado às 17h na Henrique Schaumann (avenida movimentada da zona oeste de São Paulo). Você dorme à noite? Não tem como.

E como foi o terceiro ataque homofóbico que seu filho sofreu?
Ele acabara de sair de férias e foi para Natal, no Rio Grande do Norte. Sofreu um ataque homofóbico que durou horas. Horas. Uma coisa horrorosa. Filme de terror. Ele estava na praia com o namorado, os dois tinham acabado de chegar lá e foram abordados por um cara que os roubou e dizia: ‘Ah, branquinho, vou te levar ali no mato para te estuprar’. ‘Você é lindo, branquinho. Vou te estuprar.’ ‘Se você falar que te roubei para alguém vou te matar. E para mim é fácil porque mato veado todo dia. Você é só mais um.’ 

Ainda assim os casais gays devem andar de mãos dadas e enfrentar olhares na rua?
Claro. Você quer um melhor jeito de militar pela causa do que esse? É dizer: eu estou aqui, eu existo e vocês vão ter que me engolir. Com certeza! Até para banalizar a história. Porque tudo que vira natural deixa de ser manchete. Sair do armário é um ato político. Se todo mundo se esconder, a gente não sai do lugar. 

A postura do papa Francisco em sinalizar uma abertura na Igreja Católica de diálogo sobre os gays aponta para novos tempos de progresso no debate?
Vou falar bem claramente meu ponto de vista: o papa não pode mudar a religião. Existem dogmas e os dogmas têm que ser seguidos. Mas o papa dizer para parar com a perseguição é fantástico. É humano. Não tenho a menor expectativa de um dia ver um gay casando na Igreja Católica. A expectativa que tenho é que religiosos peçam para parar de perseguir. Hoje você está vendo o dalai-lama, Desmond Tutu e o papa Francisco fazendo isso. Agradeço aos três porque é um avanço muito grande, e não espero que eles desconstruam a própria religião. Meu filho é devotíssimo de Nossa Senhora e acho que ele também não espera casar na Igreja Católica.

sábado, 27 de setembro de 2014

Jovem é agredido e queimado vivo em ritual de ‘purificação de gays’ em BH

Copiei de Superpride

Um jovem gay de 19 anos foi brutalmente torturado em Betim, região metropolitana de Belo Horizonte, durante um "ritual de purificação", segundo informações do jornal O Tempo. Homossexual assumido, ele já havia sido agredido por dois homens na semana passada e acredita ser alvo de homofobia. O caso foi registrado na 4ª Delegacia de Polícia de Betim, e é investigado como tentativa de homicídio e crime religioso.

Em depoimento à polícia, a vítima relatou que na última quarta-feira (17), e em plena luz do dia, foi abordado na rua por dois homens que estavam dentro de uma Kombi branca - os mesmos que o agrediram dias antes. Ele teve a barba e os cabelos queimados, os braços machucados e chegou a perder a consciência.

"Eles estavam com facas e me obrigaram a entrar no veículo", afirma o rapaz, que recebia agressões no abdômen e ao mesmo tempo escutava orações. "Eles pediam perdão pelos meus pecados, pediam que eu fosse salvo". Após as agressões, os meliantes enrolaram um objeto feito de lã no braço da vítima e atearam fogo. "Desmaiei. Não sei se pelo cheiro da fumaça, pela dor ou pelo estresse do momento", afirmou o jovem ao jornal.

A vítima foi abandonada em uma rua próxima do local onde foi abordado [foto] e foi socorrido pelo namorado e um amigo. Ao seu lado foi encontrada uma carta, que dizia fazer uma "limpeza em Betim e trazer o fogo da purificação a cada um que andar nas ruas declarando seu 'amor' bestial".
(24 de setembro de 2014 às 15:44)



quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Carta aberta aos mandantes intangíveis da morte do menino João Antonio Donatti

Para Silas Malafaia, Marco Feliciano, Edir Macedo e demais pastores trambiqueiros, picaretas e apatifados; Marisa Lobo e sua abjeta e doentia psicologia-cristã; Padre Paulo Ricardo, Miryan Rios e demais padres e bispos católicos apatifados e igualmente trambiqueiros e picaretas; João Campos, sinistro deputadão-chefe da Frente Parlamentar Evangélica, pocilga fedorenta onde se reúnem os porcos que vomitam ódio travestido de "defesa da família"; LGBTT-fóbicos de todas as extrações e origens.

Prezados jaguaras sarnentos:

Em Goiânia, João Antonio Donatti, 18 anos, foi encontrado morto, brutalmente torturado, pernas e pescoço quebrados e, em sua boca, um bilhete sinistro: "vamos acabar com essa praga".

O menino João era gay e sua família vive hoje dor infinita que nunca terminará: as lágrimas secam, mas o punhal estará lá para sempre.


Temos 6 filhos e sete netos. Dos filhos, o mais novo e a mais nova são LGBTT, e saíram do armário faz muito tempo: não se escondem, não negam sua sexualidade, não fingem e nós os amamos e, pai e mãe imperfeitos que somos, temos o dever irrenunciável de proteger nossa família, decisão que proclamamos sempre que é necessário, como agora.

Enfatizamos que temos o dever irrenunciável de proteger nossos filhos, muito especialmente de gente como vocês, acima elencados. 

Gente da sua laia, bando de pulhas, ameaça nossos filhos e nossa família, de forma evidente e pornográfica, em cultos e missas e nas abomináveis transmissões de TV, em cadeia nacional. Vocês fazem isso todos os dias, dia após dia. 

Vocês não escreveram o bilhete, não quebraram as pernas e o pescoço, não mataram o menino João.


Mas vocês todos são os mandantes intangíveis do assassinato de João e dos outros mais de 200 LGBTTs mortos em 2014.


Vocês (ainda) não mandam ninguém sair pelo Brasil matando gays, nem mesmo estimulam abertamente seus seguidores obtusos a agredirem pessoas LGBTTs. Ainda não fazem isso, mas se pudessem, tropa de lazarentos, nós sabemos que fariam isso.

Na África, gente da sua laia prega em nome de deus, sem rodeios, "morte aos gays!"


Vocês todos são melífluos, modelam bem suas vozes de picaretas experientes (nas missas, nos cultos, no parlamento ou em consultórios), e são capazes até mesmo de falar em respeito, e de amor ao próximo.


Mas quando puxam seus livros supostamente sagrados - e fumegantes feito metralhadoras - só fazem disparar rajadas de ódio e, quando vomitam que os gays são "aberrações e abominações", ou que "sentimentos homoafetivos são podres", ou que "gays são doentes e precisam de cura", ou que o povo LGBTT "ameaça o futuro da humanidade" vocês todos, bando de canalhas absolutos, estão a estimular que obtusos mortais acabem "com essa praga". 


Vocês fazem a semeadura do ódio e todos são os mandantes intangíveis da matança e suas mãos estão sujas de sangue porque, aqui e ali, as sementes que vocês plantam germinam e pronto, mais um LGBTT será morto, mais uma família será tocada pela tragédia absoluta da perda de um dos seus.

De nossa parte, jaguaras sarnentos e notórios mandantes de assassinatos, seguiremos nossa modesta caminhada pela vida e pelo mundo de cabeça erguida: nós amamos. Vocês odeiam.

Paulo Roberto Cequinel
Sonia Fernandes do Nascimento
German Martins da Rocha (*)


(*) German é neto meio doidinho, mas não tem culpa: afinal, mora conosco desde que nasceu há 10 anos e, quando ouviu-me ler para Sônia o texto, disse, de prima: "eu assino!". Assinado está, meu menino.   

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Eu sou gay. Entenderam ou tenho que desenhar mais uma vez?

Indispensável. Divido com meus praticamente 9 leitores este texto magnífico de Ely Veríssimo, que copiei de Maju Giorgi, inoxidável amiga e Mãe Pela Igualdade.

Eu sou gay. Não sinto atração física por pessoas do mesmo sexo que eu, mas sou gay. Não sofro todos os dias ofensas e risinhos dos colegas de trabalho, mas sou gay. Não corro o risco - ou talvez corra - de ser surrado nas ruas de madrugada por ser homossexual, mas sou gay. Não tive que explicar, constrangido, pro meu pai ou minha mãe, que gosto de pessoas do mesmo sexo e que isso é apenas a minha forma de amar, que não há nada de anormal nisso, mas sou gay. Nunca tentaram me levar pra uma igreja neopentecostal e expulsar de mim o demônio do pecado pra que eu fosse curado do homossexualismo, mas sou gay. Nunca fui chamado de afeminado e de jogador de frescobol, mas sou gay. Nunca disseram, em voz alta na sala de aula e com voz melosa o meu nome, mas sou gay. Nunca tentaram passar a mão na minha bunda pra saber seu eu iria gostar ou reagir, mas eu sou gay. Nunca fui cercado por um grupo de machões - na verdade, homossexuais enrustidos, e com medo de que eu os revelasse por ser igual a eles - e espancado até a beira da morte, mas eu sou gay. Nunca tive que explicar para um policial que fui surrado por ser gay e ter que suportar dele o riso de deboche, enquanto ignorava completamente minha queixa e adulava meus agressores, mas eu sou gay. Nunca tive vontade de dar cabo minha vida porque não podia ser o que eu sou, sem sofrer todo tipo de execração pública de grupos políticos e religiosos sectários e que tentam infundir em mim e naqueles iguais a mim, uma vergonha tão grande de ser, que a morte parece uma saída melhor e mais doce, mas eu sou gay. Eu não sofri estas coisas na pele, mas eu as sofro todos os dias na alma ao ver estes absurdos cometidos por gente que se diz servo de Deus, guardiões da moral e da família, defensores dos bons costumes, contra pessoas que só querem o direito de amar e serem amados. Eu sou gay.

Ely Veríssimo, Diretor do Sindicato dos Servidores da Justiça Federal

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Sobre o pai gay

Meu amigo Walter Silva publicou em seu face o texto que reproduzo a seguir.

"Um estudo publicado recentemente na National Academy of Sciences americana revelou um fenômeno curioso.
O cérebro de pais e mães se torna hiper ativo durante o tempo que eles passam cuidando dos filhos, respondendo a estímulos emocionais e cognitivos.
Nas mães ocorre uma intensificação cerebral justamente nas áreas mais "emotivas".
Ruth Feldman, autora do estudo e professora de psicologia e neurociência, disse que nos pais heterossexuais, a ativação emocional mais intensa ocorre somente na ausência da mãe.
Mas isso é lugar comum.
O que me interessa é a segunda conclusão do estudo; 48 pais gays também foram avaliados na pesquisa.
E descobriu-se que o cérebro de um dos pais gays vai reagir exatamente igual o cérebro da mãe heterossexual, funcionando desta forma o tempo todo, ao passo que o cérebro do outro vai operar de acordo com o esperado no pai heterossexual.
Feldman concluiu que a plasticidade do cérebro dos pais gays permitiu essa adaptação biológica, apresentando aquilo que ela chamou de "condição de parentalidade ideal", não detectando nenhuma desvantagem no arranjo homoafetivo.
MAS E AGORA HEIM SEUS REAÇA COXINHA???"

Então surgiram os seguintes comentários, que enriqueceram o debate. E eu, ó, fiquei quietinho ali no canto, só aprendendo.

Diogo Petersen: muito interessante e curioso.

Tiago J Silva: Ótimo estudo.

Jean Tempest: Em suma a pesquisa esta dizendo que existe sempre uma "mãe" e um "pai" em qualquer arranjo homoafetivo onde haja uma criança?

Walter Silva: Não querido. A pesquisa está dizendo que estereótipos de gênero são falsos.

Diogo Petersen: preciso pensar um pouco mais sobre o assunto, pois tive uma impressão semelhante ao de Jean Tempest, mas achei q eu tinha viajado. Ao mesmo tempo q ela diz q "esteriotipos de gêneros são falsos", a pesquisa aponta q uma das mentes dos homens acabam ocupando o perfil da mãe.
Mas para uma relação familiar saudável isso é realmente necessário? O papel do pai e da mãe? não podendo ser mãe e mãe, ou pai e pai?

Paulo Duarte: Entendo que o que foi dito é que qualquer cérebro pode se adaptar a função de cuidador. No caso de casais heteros a ativação do cérebro do homem só costuma ocorrer na ausência da mãe (justamente quando estes têm que desempenhar a função de cuidador principal em nossa cultura). No casal de dois homens pelo menos um assume a função de cuidador principal. Coisa similar, imagino, deve ocorrer em casais lésbicos. O que essa pesquisa parece mostrar é que o cérebro masculino pode se adaptar a essa função de cuidador, seja hetero ou gay. Chamar o cuidador principal de "mãe" do casal é apenas uma interpretação cultural do fenômeno.

Daniel Silva: Uma senhora interpretação cultural. O gênero também está nas minúcias.

Diogo Petersen: preciso juntar tudo e v no q dá.

Daniel Silva: Aproveite a greve e junte.

Paulo Duarte: Acho que é necessário separar o que é conteúdo da pesquisa e o que é apresentado pelas matérias de divulgação científica e interpretado por seus leitores. Até onde pude ler, a pesquisa nega a existência de um "cérebro de mãe", já que homens, de qualquer orientação sexual, também são capazes de adaptar-se a função. Mas algumas matérias de fato colocam nos termos que Jean apresentou: em casais gays um é a mãe. A distorção é muito forte. Para os outro cenários leventados por Ricardo serão necessárias outras pesquisas, do jeito que a ciência deve funcionar, colocando um pouco de conhecimento de cada vez. O resto, são extrapolações nem sempre muito responsáveis dos divulgadores.

Walter Silva: A pesquisa demonstrou que os cérebros de homem e de mulher funcionam da mesma forma quando se exige que ambos cuidem bem dos filhos.O pai heterossexual, assim como o pai gay que tem menos contato com o filho, vai apontar um distanciamento emocional maior. A mãe hetero, assim como o pai gay que tem mais contato com o filho, vão se especializar mais nesse cuidado. Eu não vi nenhuma tentativa de sugerir que gay se comporta como mulher. Essa pesquisa é muito importante, considerando que a homoparentalidade de mulheres é bem mais pesquisada que a dos pais gays. Vários estudos indicam que casais lésbicos criam muito bem seus filhos. Pais heterossexuais solteiros também são capazes de se comportar de modo emotivo e afetivo semelhante à mães.

Daniel Silva: E outra coisa. Não existe "apenas uma interpretação cultural" neste caso. Gênero e sexualidade são construções culturais que influenciam profundamente a sociedade, inclusive constituindo hierarquias e verticalidades tanto relacionalmente (homem x mulher, masculinidade x feminilidade). O que Paulo (e Jean, acredito) estão demonstrando é que, por mais que pesquisas demonstrem e desconstruam isto, estes construtos socialmente compartilhados e vividos são muito poderosos e estão atuando num nível tão básico que parecem muito naturais.
Não é um juízo sobre a pesquisa necessariamente, mas como estas questões estão imbricadas.

Daniel Moraes: Perfeito, Daniel Silva. Eu estava começando a escrever, mas vc escreveu o que eu iria dizer.
"Estes construtos socialmente compartilhados e vividos (homem x mulher, masculinidade x feminilidade) são muito poderosos e estão atuando num nível tão básico que parecem muito naturais."
Exatamente.

Daniel Moraes: A adoção "automática" de um código neuro-linguístico maternal por parte de um dos pais e paternal por parte do outro pai é ao meu ver apenas a confirmação de que o papéis de gênero que nos socializam no meio heteronormativo no qual estamos inseridos são tão sólidos que moldam nossas percepções, ações e identidade.
Esses pais nada mais estão fazendo que adotar os papeis sociais que nós conhecemos. 
Aqui não estou fazendo juízo de valor, se isso é bom ou ruim... mas apenas constatando um fenômeno. 
E, como o Walter bem disse, esses papéis podem muitas vezes ser influenciados tb pela simples presença mais constante de um pai mais próximo que outro (mas tb não podemos deixar de averiguar se essa divisão entre proximidades de um e distancia de outro já não é ela mesma uma reprodução de papéis dicotômicos de gênero).
Enfim... a discussão é boa. 
O fato é... papais héteros não são essenciais, naturais ou mesmo necessários como condição sine qua non.
A família tradicional é apenas mais uma dentre tantas outras possíveis.

Daniel Moraes: Eu e meu marido estamos amadurecendo a ideia de adoptar uma criança. E não temos divisões de gênero entre nós. Cá em casa não existem tarefas minhas ou dele. Dividimos tudo, em todos os aspectos. Todos.
Não obstante, eu tenho certeza que eu serei reconhecido socialmente como a "mãe" e ele como "pai". Não sei se inconscientemente eu estarei adotando uma linguagem de gênero (nesse caso maternal) que aprendi, ou então se apenas serei o pai carinhoso (pq sou mais afetivo que Alexandre) e por isso os outros é que me lerão por meio da lente do binarismo de gênero e por isso me verão como mãe.
Não sei. 
Mas o resultado dessa pesquisa se confirmará aqui em casa, por certo rsrs.