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Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.
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sexta-feira, 1 de abril de 2016

Anotações sobre a conjuntura: o mico do pato, o justiceiro moro e o traíra temer

Copiei do Roberto Elias Salomão

Ainda não dá para ver o fim dessa história de impeachment. Fazer previsões seria ocioso e até perigoso. Mas já é possível apontar elementos que marcam esse período de 17 meses (é, desde novembro de 2014) como um dos mais torpes e ridículos da história. As instituições, o poder econômico, a mídia e seus titulares deixaram cair a máscara de uma forma antes inimaginável. Sem esquecer nem por um minuto a gravidade da situação, lembro alguns episódios grotescos, que não devem nos dar vergonha do Brasil, mas sim acentuar a necessidade de uma grande vassourada (não a do Jânio, muito menos a do Moro) no país.

1. O juiz Cunha - o comandante do processo de impeachment na Câmara é, por certo, um cidadão impoluto, possuidor das mais estimáveis qualidades morais... Tem tanta autoridade para julgar possíveis irregularidades de Dilma como teria Paulo Maluf de examinar a prestação de contas do governo.

2. O bufão Temer - qualquer que seja o desfecho deste processo, o vice-presidente Michel Temer sairá marcado como um traíra. É isso que dá trazer um cavalo de Troia para dentro da muralha.

3. O justiceiro Moro - comandou uma fraude, desde o início. Pode ser um herói aos olhos de muita gente desavisada, mas não para a Fiesp, Globo, Cunha ou Aécio, que o tem simplesmente como um serviçal. A ausência de controle gera a incúria, como intimar o capoteiro, e a recuos como o pedido de desculpas ao STF, o que não o livrou, porém, de ser massacrado no Supremo.

4. O playboy Aécio - iniciador do processo de desestabilização do governo Dilma, minutos depois de sua derrota nas urnas, dissoluto, descontrolado e chegado a aditivos, não merece a confiança nem do povo que foi às ruas pedir o impeachment. Junto com Alckmin, foi escorraçado da Paulista pelos manifestantes.

5. A República de Curitiba - até o prefeito de Curitiba disse se orgulhar dessa criação que é uma das mais hediondas do período. Tem um precedente: a República do Galeão, que tinha como fim encurralar o governo de Getúlio Vargas e o levou ao suicídio. Num caso como no outro, o significado é o mesmo: golpe.

6. A massa de manobra - nas manifestações pelo impeachment, houve de tudo, desde pilantras assumidos, protofascistas, aproveitadores até gente protestando sinceramente contra a corrupção. Mas o traço que os unia era a ignorância do fato de que, caso Dilma caia, serão postos de lado, sem sequer um agradecimento.

7. O vexame da OAB - A Ordem protocolou pedido de impeachment, o que já é uma vergonha. Mas ainda teve de aguentar a humilhação por parte de Cunha, que qualificou o pedido como “atrasado”. Atrasado, de fato, mas não o suficiente para manchar, mais uma vez, a história da entidade.

8. O mico do pato - a Fiesp, digna representante da classe “produtiva”, que tanto esbraveja contra os desmandos do governo e paga filé para os manifestantes, usou indevidamente o pato de um artista holandês. Não pagou o pato, pagou o mico.

9. O mundo e o golpe - na véspera do 52º aniversário do golpe militar (que foi em 1º de abril), em mais de 30 cidades fora do Brasil houve protestos contra o novo golpe. O significado político é enorme, bem como o supremo ridículo dessa elite golpista aos olhos do mundo.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Hoje, quem é da luta, deve reverenciar os trabalhadores da educação do Paraná

Copiei a linda imagem daqui

Eu estava no Centro Cívico na tarde hoje, no meio daquele mar de trabalhadoras(es) da educação, e vi uma das mais emocionantes demonstrações de coragem - e olhe que já vi muita coisa nas nossas greves da Petrobras - quando aquele mar de gente enfrentou a Polícia Militar e reafirmou a ocupação da Assembleia Legislativa, obrigando os ratões que apoiam Beto Engomadinho Richa a encerrar a sessão.
Este velhote, que estava presente no dia 30 de agosto de 1988, quando o calhorda do Álvaro Dias soltou a cavalaria contra o povo da educação, sente-se feliz pelo privilégio de ter testemunhado o dia 12 de fevereiro de 2015, outro momento histórico.
Quero manifestar meu respeito incondicional às companheiras e aos companheiros que dirigem a APP, vocês são lindos, vocês me comovem, vocês são foda!
Escolhi estes textos que, a meu juízo, explicam muito bem os amplos signos que relampeiam nos céus da luta permanente do povo brasileiro.


Copiei de Roberto Elias Salomão

A monumental vitória dos trabalhadores da educação e demais servidores estaduais combina-se com a estrondosa derrota de Beto Richa e seus apoiadores. A conclusão óbvia é que Richa e trabalhadores são incompatíveis.
Em quatro dias, Richa viu sua base de apoio parlamentar implodir (perdeu 15 deputados) e os que lhe ficaram fiéis (?) se desmoralizarem; foi marcado como caloteiro; e ele próprio marcou os deputados como subservientes, que tudo fazem para agradar o seu senhor. Mas o pior para ele foi ter provocado uma reação de massa que há muito não se via por aqui.
Isso é o mais importante, o outro lado, o nosso lado. Quem viu aquela massa aguentar três dias de ocupação do plenário, com todo o desconforto, quem viu o cerco à Assembleia hoje, debaixo de um sol escaldante; quem viu a enorme bravura desses trabalhadores ao derrubar pela segunda vez os portões da Assembleia e fazer recuar o bloqueio policial, debaixo dos gases lacrimogêneo e de pimenta, das balas de borracha e dos cães; quem viu o grito de “vitória!” na boca de milhares de pessoas; quem viu tudo isso não esquece. E agradece. A gente precisa disso para continuar viva.
Comparem essas demonstrações de grandeza com o festival de covardia e pusilanimidade proporcionado pelo governador e seus amigos, e terão a exata noção da terrível luta que se trava hoje. É uma questão de sobrevivência, para ambos os lados. Resta escolher o lado. Quem ainda tem dúvidas, não vai ficar nessa situação por muito tempo. A realidade não vai permitir.
---xxx---
Copiei de Andrea Caldas

A RESISTÊNCIA DERROTOU A INEXORABILIDADE DO AJUSTE

O dia 12 de fevereiro ficará marcado, para o Paraná e o país, como a data que celebrou a derrota do discurso da inevitabilidade dos cortes - de um lado só - para garantir o equilíbrio das contas públicas.
Trabalhador@s em educação do Paraná, em luta contra o desmonte da escola pública e a redução de direitos trabalhistas, galvanizaram apoios entre os mais variados movimentos e setores sociais.
A aula pública de cidadania espraiou-se por praças e ruas, em cada canto do estado.
Contudo, sempre havia o risco e o medo da derrota.
Afinal, a institucionalidade é poderosa. Beto Richa tem maioria no parlamento, tem a força policial e recebeu apoio do Judiciário para manter a sessão fora do ambiente do plenário da Assembleia, ocupado pelos persistentes manifestantes, há três dias e noites.
Além de tudo, o clima geral de necessidade de ajuste fiscal e "esforço cívico" colocava os trabalhador@s na condição de algozes do Estado.
Mas el@s teimaram com garra e coragem. Transformaram a dor da humilhação e da desvalorização em combustível da organização. Ao somarem forças, ganharam apoios, e os milhares de lutador@s reencontraram-se com muitos mais.
Em meio a bombas e gás de pimenta, empurraram com a força da determinação o cordão de isolamento da PM, que recuou.
Abriram caminhos e romperam os muros.
Os deputados, em maioria para decidir os destinos dos servidores, tremeram, esconderam-se e não resistiram.
A sessão foi suspensa. Os projetos foram retirados.
A onipotência da correlação de forças da governabilidade institucional viu-se tonta diante da mobilização e unidade social.
Que esta seja uma lição entoada em cada canto deste país, nas lutas que seguirão.
Que esta seja uma lembrança a ser recordada pelos educador@s a cada dia do seu suado trabalho.
Vocês não estão sós.
Nós não estamos sós e nos inspiramos na coragem de vocês.
Hoje e nos dias que virão, todos queremos ser "trabalhador@s em educação do Paraná".
A lição marxiana do "tudo que era sólido se desmancha no ar" encontrou sua realização nos gramados e galerias da Assembleia Legislativa do PR, prenhe de esperança e ousadia, trazida pela luta, cada vez mais coletiva.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Trabalhadores ocupam a Assembleia e impedem votação de mensagem de Beto Richa


Uma enorme massa de professores, funcionários de escolas e servidores estaduais ocupou nesta terça-feira a Assembleia Legislativa, em protesto contra a votação do pacotaço do governador Beto Richa. A ocupação se deu por volta das 18 horas, logo após os deputados terem aprovado, por 34 votos a 19, a transformação do plenário em Comissão Geral, expediente que garante a aprovação sumária de projetos de lei.

Centenas de PMs mantiveram-se de prontidão, aparentemente obedecendo a uma ordem de não investir contra os manifestantes, mesmo no momento em que estes derrubaram as grades da Assembleia em dois pontos e entraram, aos milhares.

A ocupação impediu a votação das mensagens do governador. Os deputados da base governista (que sofreu 13 defecções durante os últimos dois dias) foram escoltados pelos PMs para fora do plenário.

A movimentação - Desde as 5 horas da manhã, os trabalhadores começaram a se concentrar em frente à Assembleia. Muitos ônibus de todas as regiões do Paraná foram chegando. Por volta das 9 horas, já havia milhares de manifestantes e um enorme caminhão de som. Os PMs guardavam a entrada da Assembleia.

De repente, um tumulto: um PM agarra um professor pelo pescoço e o conduz ao Gabinete de Segurança da Casa, para ser indiciado. Segundo o PM, o professor o teria desacatado. Para o presidente da APP-Sindicato, Hermes Leão, no entanto, “essa truculência é totalmente injustificável”. Fora, os professores gritavam; “Educação! Educação!”- para o PM e para o governador Beto Richa.

Por volta das 13h30, uma parte dos manifestantes foi autorizada a entrar. Depois de muita negociação, com eles entraram também os estudantes. Todos entoavam: “A nossa luta/unificou/estudante, funcionário e professor!”. A massa lotou as galerias, aplaudindo os deputados que falavam contra as mensagens do governo e vaiando o único deputado que se manifestou a favor, o líder Luiz Cláudio Romanelli (PMDB).

Quando Romanelli começou a se referir ao substitutivo geral que estava apresentando, afirmando que se mantinham todos os direitos dos servidores, os manifestantes que ocupavam as galerias exploriram; “Não tem acordo! Não tem acordo!”

Fora dos portões da Assembleia, milhares de manifestantes gritavam “Richa caloteiro!” e “Retira! Retira!”.

O momento crucial foi quando da votação do requerimento para a instalação de Comissão Geral. Sob protesto dos deputados de oposição, o requerimento foi colocado a voto: 34 a favor, 19 contra. No ato, os portões da Assembleia foram derrubados e os manifestantes a ocuparam. O presidente da Casa, deputado Ademar Traiano, anunciou: “Suspendo a sessão em razão da invasão da Assembleia”. E mais não disse.

Com o ar condicionado desligado, sem água e nenhuma comodidade, os manifestantes mantiveram a ocupação.

Sessão suspensa, Traiano pode convocar os deputados para continuá-la nesta quarta-feira pela manhã.

Recuos do governo não dão resultado - Desde segunda-feira, corria o rumor de que o governo recuaria nos pontos que afetavam diretamente educadores e servidores em geral (fim dos quinquênios e anuênios, restrição ao auxílio-transporte e outros, para poder aprovar aquilo que, de um lado e de outro, se considerava o essencial: as mudanças na Prevdência, que permitiriam a entrada imediata no caixa estadual de quase R$ 3 bilhões.

A intenção foi confirmada pelo substitutivo geral. No entanto, não houve jeito. Vários deputados centraram sua fala na condenação justamente das mudanças na Previdência, contra as quais houvera inclusive um posicionamento da OAB-PR. O deputado Professor Lemos, líder do PT, disse que o Fundo Financeiro, para o qual serão destinados os R$ 8 bilhões da Previdência (o governo deve a ela outros R$ 7 bilhões), acabarão em pouco tempo: “O Fundo já nasce deficitário, com um furo de R$ 54 milhões mensais. Desse jeito, os servidores não terão aposentadoria”.

Não deu. Tinham razão os manifestantes: “Não tem acordo!”

Autor: Roberto Elias Salomão - Liderança do PT

sábado, 3 de maio de 2014

O PT somos nós, é o maior partido já construído pelo povo brasileiro

Copiei de Roberto Elias Salomão

No processo de eleições diretas do PT do ano passado, fui candidato a presidente estadual. Cansei de ouvir, nos debates, coisas como “lá vem o Salomão com a AP-470”, “outra vez o Salomão cobrando posição sobre a AP-470”. Ouvi também militantes altamente qualificados afirmarem que a AP-470 não estava no centro da conjuntura. Certo, posso até discutir se estava no centro ou na ponta, mas em algum lugar estava- e está. Outros disseram que perdemos o debate sobre o mensalão. Como assim, perdemos? Travamos essa luta em algum lugar?
A situação começou a mudar com as prisões de Dirceu, Genoíno e Delúbio em 15 de novembro. Lá, a militância do PT deu uma demonstração extraordinária de revolta, de solidariedade. Simpatizantes acorreram em massa ao partido, buscando filiação. Mais forte ainda foi a realização das vaquinhas para pagar as multas dos petistas condenados. Foi, como disse um companheiro, uma bofetada na cara do Joaquim Barbosa. E hoje, quem fala contra a AP-470, quem pede sua anulação e a libertação dos companheiros não está mais sozinho.
Para estes milhares de militantes, pouco importa se essa farsa de julgamento tira votos. Há valores mais altos em jogo.
A apropriação desses valores pela militância do PT, sua defesa intransigente, me leva a concluir que o PT ainda é O partido. Ressalve-se: nem sempre o partido coincide com sua direção, nem sempre coincide com as propostas que são feitas por seus dirigentes, nem sempre coincide com a pusilanimidade de um ministro da Justiça ou de um ministro-chefe da Casa Civil, nem sempre coincide com as ações da presidenta da República ou mesmo do ex-presidente.
São esses valores que nos fazem reconhecer num Jean Wyllys, numa Luiza Erundina, irmãos que, mesmo em outros partidos e circunstancialmente em oposição ao PT, não se deixam apequenar e são parceiros da nossa utopia.
Ainda há muita lenha seca para queimar. Qualquer julgamento sobre o PT que não leve em conta o referencial simbólico hoje assumido por milhões de pessoas peca pela base. O PT somos nós, é o maior partido já construído pelo povo brasileiro. Fugir da raia é apenas uma forma de fuga - e não a mais edificante.