De: prcequinel@yahoo.com.br
Para: acsgabinete@mec.gov.br
Aluizio Mercadante - Ministro da Educação A/C Nunzio Briguglio Filho
(Assessoria de Comunicação Social)
(Enviado às 18:53 horas)
Li, coisa de uns dez dias, esta inacreditável declaração do Ministro Aluízio Mercadante:
“Precisamos fazer uma pesquisa mais aprofundada e cuidadosa sobre como construir um diálogo que respeite a diversidade em todas as suas formas, a pluralidade. Vamos ter que estudar mais a fundo a homofobia e como dialogar [com os setores da sociedade], porque o enfrentamento direto, eu acho que não vai ajudar. Simplesmente lançar um material didático, produzir um vídeo e lançar na escola, isso não vai resolver”.
Quer pesquisas, ministro?
Mande um dos seus assessores que pesquise e lhe apresente os números mais recentes e constate que todos os dias, religiosamente (se me permite a ironia), um integrante do povo LGBTT é assassinado, no mais das vezes com requintes de extrema crueldade.
Quer diálogo, ministro?
Eu também gostaria de conversar com as imundícies que se reúnem na frente parlamentar do ódio religioso, inclusive e especialmente com os petistas, para entender porque meu filho mais novo, que é gay e decidiu viver sua sexualidade aberta e publicamente, constitui ameaça às famílias e mesmo à nossa existência, mas não há tempo para sentar-me com quem não quer dialogar, ministro: meu menino pode ser alcançado pelo ódio de origem religiosa a qualquer momento.
Quer estudar mais a fundo e compreender a homofobia, ministro?
Pois eu não tenho nem tempo e muito menos paciência para aprender o que já sei: o ódio de origem religiosa está a discriminar, humilhar, ameaçar e a matar o povo LGBTT, e no Brasil a matança é diária, e eu tenho o dever incontornável de amar e defender meu filho.
Quer mesmo saber mais sobre homofobia, ministro?
É
simples, basta chamar as famílias atingidas pela tragédia da violência
LGBTT-fóbica, as entidades e militantes LGBTTs e meninos e meninas
adolescentes que abandonaram a escola por conta da intolerância e do
preconceito.
Se
um governo do PT é incapaz de enfrentar a bancada do ódio religioso, se
o governo que ajudei a eleger se borra de medo diante dos arreganhos de
imundícies como Garotinho, Marco Feliciano e João Campos, trate,
ministro, de chamar a CUT, as bases do PT, a militância LGBTT de
esquerda, convoque as famílias atingidas pela violência endêmica
praticada contra o povo LGBTT, chame homens e mulheres de fé e de boa
vontade que não são intolerantes: nós os enfrentaremos, ministro.
Eles
é que devem envergonhar-se do que pregam e fazem, eles é que devem
ficar acuados, eles é que devem temer a lei, a justiça e a nossa luta,
mas permita-me a dura e necessária franqueza, ministro: o governo que
ajudamos a eleger tem o dever de levantar-se e encarar essa gente
obtusa. De frente!
Eles são muitos? Nós somos o mundo!
Paulo Roberto Cequinel
(Para Jean, meu filho. Sou seu pai, menino, incondicionalmente. Amo você.)
