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Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.
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quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Fura greves anônimos


Modesta homenagem aos meus companheiros e minhas companheiras que, sob a liderança da Federação Única dos Petroleiros (FUP/CUT), farão greve por tempo indeterminado contra o desmonte da Petrobras.
---xxx--- 

Se o seu caso é furar greve, o problema é seu. Agora, se o seu caso e fazer greve, o “problema” é nosso.

O fura-greves é um problema social de proporções dramáticas. Os atingidos pela doença não dormem direito, têm problemas de relacionamento com sua própria família (há registros de rejeição), têm palpitações e pesadelos. Em suma, o fura-greves é um infeliz.

Pesquisadores descrevem que os primeiros sintomas costumam manifestar-se um pouco antes da data-base da categoria: falta de ar e de apetite, palidez acentuada, suor nas mãos, ansiedade. Nesta fase, o tratamento pode resultar em cura mais rapidamente.

Na fase mais aguda a cura é mais complicada porque os sintomas são acreditar sempre no que a empresa e o chefe dizem, dizer que o movimento têm interesses políticos e, principalmente, ocorrência de desmaios diante da simples audição da palavra greve. 

O tratamento pode requerer internação e, até recentemente alguns psiquiatras defendiam, nesta fase, a aplicação de terapias de choque. Esta forma de tratamento, contudo, vem sendo abandonada.

Dados disponíveis indicam que o país gasta, por ano, mais de 10 bilhões de dólares com a doença, considerando-se os custos com diagnóstico, profilaxia, internação, acompanhamento final e indenizações diversas. 

Mas, para estes infelizes trabalhadores, finalmente uma boa notícia. Os sindicatos desenvolveram, recentemente, uma terapia revolucionária: os Grupos de Fura Greves Anônimos, os F-GA. Já há, inclusive, registros de curas totais e centenas de recuperações parciais. Selecionamos alguns depoimentos.

J.A.F. (37 anos): “Eu não tinha paz, minha vida era um inferno. Começei furando pequenos movimentos de atraso e, quando dei por mim, estava completamente viciado em furar greves. Contei meu drama nas reuniões e todos me entenderam. Hoje sou um homem feliz, minha família me respeita, os vizinhos e amigos voltaram a falar comigo. Recomendo o tratamento”.

C.V.S. (23 anos): “Minhas namoradas me abandonavam quando descobriam que eu era viciado e dependente. Minha primeira namorada, o único e verdadeiro amor da minha vida, quando soube do meu vício desesperou-se e entrou para um convento. Meus amigos me evitavam. Minha dependência era tão grande que pelo menos umas três vezes eu tentei furar greves de outras categorias, já que a nossa não estava em campanha salarial. Uma vergonha. Mas agora tudo mudou. O tratamento nas reuniões do F-GA me recuperou totalmente. Hoje sou um novo homem”.

M.G.S (27  anos): “Eu ainda não me curei totalmente, mas estou muito animado: já participei de movimentos de atrasos e tenho comparecido a todas as assembléias, sem nenhuma recaída. As reuniões são ótimas e acredito que estarei completamente curado nas próximas semanas”.

Se você conhece algum fura greve, não o abandone. Converse com ele, especialmente aqueles que não reconhecem o seu próprio vício, que são os casos mais graves, e devem merecer nossa atenção. Sugira que eles procurem a terapia do sindicato, a única que pode curar o vício e a dependência. Convide-o a comparecer nas reuniões dos grupos de Fura Greves Anônimos.

sábado, 25 de abril de 2015

A propósito da greve do povo da educação que será retomada na próxima segunda feira

Poeminha do fura greve

Eu furo greve
Eu não faço greve
Mas se minha bundona 
de fura greve 
ficar exposta
Eu preciso justificar 
o fato de ser um 
fura greve de merda
E construo catedrais com minhas justificativas
Eu amo meus alunos
O sindicato é do pt
A democracia precisa ser respeitada
E a putaqueospariu 
Eu preciso chegar em casa, 
no fim do dia,
E ser capaz de olhar-me no espelho
Mas não sou capaz de olhar-me no espelho
Baixo os olhos
E não me encaro
Sou fura greve
Não faço greve
Não sou capaz de assumir minha decisão
Sem acusar os outros
Mas, se a greve resultar 
em ganhos para todos, 
Eu aceito as conquistas que 
os outros tiveram
Eu aceito, 
sem nenhuma vergonha na cara,
As conquistas obtidas por aqueles que ousaram fazer a porra da greve
Eu sou um bosta
Eu furo greves