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Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.
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quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Imprensa francesa confirma o que a FUP denuncia há tempos: “A gestão Parente-Temer está entregando nossas reservas estratégicas a preço vil”

O Serviço de Alto Falantes Ornitorrinco cumprimenta os presentes nessa grandiosa quermesse em louvor de Notre Dame dos Entreguistas e Notre Dame dos Vira-Latas. 
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Copiei do Viomundo

por Conceição Lemes

Na última quarta-feira (21/12), a Petrobras fechou um acordo com a petroleira francesa Total estimado em US$ 2,2 bilhões.
Ele prevê a cessão à Total dos direitos de exploração destas áreas do pré-sal: 22,5% do campo de Yara e 35% do campo de Lapa, que começou a operar no dia anterior na Bacia de Santos.
O acordo envolve ainda compartilhamento de terminal de regaseificação e transferência de fatias em térmicas, entre outros negócios.
Para a imprensa francesa, a Total fez um bom negócio com a Petrobras.
O Les Echoes (tradicional diário francês de economia) destaca (o negrito é nosso):
Esses campos “guardam reservas gigantescas de petróleo e o valor pago foi interessante.
(…) as reservas do grupo francês serão acrescidas de 1 bilhão de barris, a um custo estimado entre US$ 1,75 e US$ 2,4 o barril. Nas reservas adquiridas anteriormente pela companhia, o preço do barril custou US$ 2,55."
A Radio France Internationale, também conhecida como RFI, em matéria transmitida para o mundo inteiro na sexta-feira, 23 de dezembro , conclui:
“a Total pagou pouco em relação ao que vai lucrar extraindo o petróleo brasileiro”.
A RFI é uma rádio pública francesa, com sede em Paris.

O Viomundo conversou com João Antônio de Moraes, diretor da Federação Única dos Petroleiros (FUP), sobre essa repercussão.
Viomundo – O que achou da avaliação da imprensa francesa?
João Antonio de Moraes — Só confirma o que a FUP e os movimentos sociais vêm denunciando há bastante tempo. A gestão Pedro Parente-Michel Temer está entregando nossas reservas de petróleo a preço vil.
Veja bem. É a imprensa francesa assumindo que a França está levando grande vantagem em cima do Brasil ao se apossar de nossas reservas de petróleo a um preço muito aquém do mercado internacional.
Viomundo – O que significa esse acordo com Total?
João Antônio de Moraes – Perda de soberania energética. Ele fere a nossa soberania energética, independentemente do preço.
E, mais uma vez, confirma que o golpe, longe de ser para combater a corrupção, veio para entregar as riquezas do nosso povo e liquidar os direitos trabalhistas. A questão energia também estava no centro dos golpes contra Getúlio Vargas e João Goulart.
Viomundo – Explique melhor.
João Antônio de Moraes – Nos anos 50, houve uma tentativa de golpe contra o presidente Getúlio Vargas. Foi logo após a criação da Petrobras.
Já João Goulart, depois de tomar posse, havia dito que iria nacionalizar as refinarias de petróleo. Na sequência, ele foi vítima de um golpe. E a exemplo desses dois golpes, o contra a presidenta Dilma veio para entregar as nossas riquezas.
Viomundo – Supondo que o preço fosse justo, valeria a pena vender esses ativos à Total?
João Antônio de Moares – Ainda assim seria ruim para o Brasil, pois o país perderia controle sobre reservas extremamente estratégicas. As áreas sob o controle da Petrobras garantem o abastecimento do Brasil. Já sob o controle da Total garantem o abastecimento da França.
Viomundo – O que fazer?
João Antônio de Moraes — Mais do que lamentar, a gente tem que lutar e resistir para impedir que essa situação continue. E nisso os blogs da imprensa alternativa, progressista, como o Viomundo, têm um papel importante em divulgar o que a grande mídia esconde todos os dias.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

As relações pessoais de Pedro Parente com FHC e o mercado financeiro

Copiei da FUP - Federação Única dos Petroleiros

Quando assumiu a Presidência da Petrobrás, a primeira declaração de Pedro Parente ao mercado foi de que não haveria indicações políticas na empresa. A mídia inteira festejou sua nomeação, tratando-o como um gestor da área técnica, a despeito de sua indicação ter sido feita pelo PSDB, mais precisamente, por interferência de Fernando Henrique Cardoso, com quem tem relações de longa data.

Como se sabe, Pedro Parente participou ativamente do governo tucano nos dois mandatos de FHC, nos anos 90, onde foi secretário executivo no Ministério da Fazenda, titular em quatro outros ministérios – Orçamento e Gestão, Casa Civil, Planejamento e Minas e Energia -, além de ter coordenado a Câmara de Gestão de Energia Elétrica, quando ficou conhecido como o “ministro do apagão”. Também ocupou por quatro anos o Conselho de Administração da Petrobrás, chegando a presidi-lo, em 2002.

O que nem todo mundo sabe é que a relação entre Parente e FHC vai além da política, pois são também sócios em uma das empresas de investimento que pertencem ao atual presidente da Petrobrás: a Sarlat Empreendimentos e Participações Ltda, criada em 2013, com foco no mercado imobiliário e capital social de R$ 1,94 milhão. Seu escritório está localizado no bairro de Itaim Bibi, em São Paulo, no mesmo endereço da Prada Assessoria, grupo de gestão financeira e consultoria empresarial onde Pedro Parente é sócio fundador e cuja especialidade é maximizar fortunas de milionários brasileiros.

A relação íntima do presidente da Petrobrás com o ex-presidente da República evidencia os aspectos político e ideológico de sua nomeação. O projeto de gestão que vem implementando na estatal é o mesmo que o PSDB conduziu no passado. A diferença é que hoje a Petrobrás tem muito mais ativos para entregar ao mercado e beneficiar os amigos do rei. O legado das privatizações tucanas, aliás, é atender aos interesses particulares de amigos, parentes e apadrinhados políticos.

Nas delações premiadas feitas por ex-diretores da Petrobrás durante as investigações da Lava Jato, foram revelados vários esquemas de corrupção período FHC, inclusive o recebimento de propinas para beneficiar o filho do ex-presidente em contratos com as termelétricas, quando Pedro Parente estava no Conselho de Administração da empresa e à frente do ministério do apagão.

Tratado como exemplo de gestor pela mídia, o executivo carrega em seu currículo processos por improbidade administrativa e gestão temerária, por beneficiar os amigos de FHC com recursos e bens públicos. Pedro Parente responde a ações nas 20° e 21° Varas Federais de Brasília por ter causado em 1994 um rombo de R$ 2,9 bilhões ao Estado, quando autorizou o Banco Central a socorrer financeiramente os bancos Econômico e Bamerindus, que estavam em processo de falência.

Mais tarde, ele tornou a ter o seu nome envolvido em mais um episódio de favorecimento aos banqueiros amigos de FHC. Foi durante a privatização do Sistema Telebrás, em 1998, quando autorizou o Banco do Brasil a emitir sem garantias cartas de fiança para o consórcio em que o Grupo Opportunity disputava o leilão da Tele Norte Leste. No ano seguinte, a imprensa teve acesso a gravações telefônicas do presidente da República, que foram interceptadas e cujos diálogos revelaram esquemas para favorecimento do banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunity. O fato ficou conhecido na época como o “escândalo do grampo do BNDES”. Pedro Parente era secretário executivo do Ministério da Fazenda e presidente do Conselho de Administração do Banco do Brasil.

Não é à toa que o presidente da Petrobrás é considerado pelo mercado o homem certo para conduzir os negócios da empresa. Ele mesmo já disse ao que veio, quando defendeu recentemente a venda de ativos para investidores estrangeiros que participavam da Rio Oil & Gas: “Aproveitem essa oportunidade, porque não vai existir no mundo outra tão boa quanto essa no setor de óleo e gás”. Nunca foi tão necessário defendermos a Petrobrás de sua diretoria.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Nota oficial da CUT e da FUP: Anotações sobre a Teologia da Governabilidade e a privatização do Pré-Sal

Aquele meu primo bocudo, Jaulo Foberto Lequinel, o Boquirroto - do qual mantenho prudente distância, devo reconhecer que tem completa razão quando diz esse é mais um dos lamentáveis movimentos relacionados a Teologia da Governabilidade, que significa, em apertada síntese, manter-se acocorado indefinidamente.  
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Copiei da CUT

Nota oficial: CUT e FUP repudiam privatização do pré-sal

O Senado Federal deu na noite desta quarta-feira (24), um dos golpes mais brutais na classe trabalhadora e no povo que mais necessita de investimentos públicos em Educação e Saúde.

Os senadores aprovaram um projeto de José Serra (PSDB-SP) que privatiza o Pré-Sal. Isso significa que o Senado abriu mão da soberania nacional e de todos os investimentos gastos com a pesquisa na área de petróleo e gás nos últimos anos. A luta feita em todo o Brasil para que os recursos oriundos do Pré-Sal sejam investidos na melhoria da educação e da saúde dos brasileiros foi ignorada pelo Senado.

Para garantir a aprovação do Substitutivo ao PLS 131 apresentado pelo senador Romero Jucá (PMDB/RR), o governo fez um acordo com a bancada do PSDB e parte da bancada do PMDB.

O projeto retira a obrigatoriedade de a Petrobrás de ser a operadora única do Pré-Sal e a participação mínima de 30% nos campos licitados, como garante o regime de partilha - Lei 12.351/2010. Se for aprovado pela Câmara e sancionado pela presidenta Dilma Rousseff, a Petrobrás deixará de ser a operadora única do Pré-Sal e terá que provar ao Conselho Nacional de Política Energética se tem condições ou não de manter a exploração mínima de 30% em cada campo que for licitado.

Essa aprovação é um golpe no projeto democrático-popular, voltado para a distribuição de renda, geração de emprego e investimentos em políticas públicas que melhorem a vida dos brasileiros, que vem sendo eleito desde 2002.

Para a CUT-FUP, o governo renunciou a política de Estado no setor petróleo e permitiu um dos maiores ataques que a Petrobrás – única empresa que tem condição de desenvolver essa riqueza em benefício do povo brasileiro - já sofreu em sua história. Fazer acordo para aprovar o projeto de Serra é o sinal mais claro de que o governo se rendeu as chantagens e imposições do Parlamento e do mercado, rompendo a frágil relação que tinha com os movimentos sociais e sindical, criando um constrangimento para os senadores que mantiveram a posição em defesa do Brasil.

O governo precisa aprender que é preferível perder com dignidade do que ganhar fazendo concessões de princípios.

A CUT, a FUP e os movimentos sociais estarão nas ruas para lutar contra este projeto que entrega a maior riqueza do povo brasileiro as multinacionais estrangeiras.

Vagner Freitas 

Presidente Nacional da CUT

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Fura greves anônimos


Modesta homenagem aos meus companheiros e minhas companheiras que, sob a liderança da Federação Única dos Petroleiros (FUP/CUT), farão greve por tempo indeterminado contra o desmonte da Petrobras.
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Se o seu caso é furar greve, o problema é seu. Agora, se o seu caso e fazer greve, o “problema” é nosso.

O fura-greves é um problema social de proporções dramáticas. Os atingidos pela doença não dormem direito, têm problemas de relacionamento com sua própria família (há registros de rejeição), têm palpitações e pesadelos. Em suma, o fura-greves é um infeliz.

Pesquisadores descrevem que os primeiros sintomas costumam manifestar-se um pouco antes da data-base da categoria: falta de ar e de apetite, palidez acentuada, suor nas mãos, ansiedade. Nesta fase, o tratamento pode resultar em cura mais rapidamente.

Na fase mais aguda a cura é mais complicada porque os sintomas são acreditar sempre no que a empresa e o chefe dizem, dizer que o movimento têm interesses políticos e, principalmente, ocorrência de desmaios diante da simples audição da palavra greve. 

O tratamento pode requerer internação e, até recentemente alguns psiquiatras defendiam, nesta fase, a aplicação de terapias de choque. Esta forma de tratamento, contudo, vem sendo abandonada.

Dados disponíveis indicam que o país gasta, por ano, mais de 10 bilhões de dólares com a doença, considerando-se os custos com diagnóstico, profilaxia, internação, acompanhamento final e indenizações diversas. 

Mas, para estes infelizes trabalhadores, finalmente uma boa notícia. Os sindicatos desenvolveram, recentemente, uma terapia revolucionária: os Grupos de Fura Greves Anônimos, os F-GA. Já há, inclusive, registros de curas totais e centenas de recuperações parciais. Selecionamos alguns depoimentos.

J.A.F. (37 anos): “Eu não tinha paz, minha vida era um inferno. Começei furando pequenos movimentos de atraso e, quando dei por mim, estava completamente viciado em furar greves. Contei meu drama nas reuniões e todos me entenderam. Hoje sou um homem feliz, minha família me respeita, os vizinhos e amigos voltaram a falar comigo. Recomendo o tratamento”.

C.V.S. (23 anos): “Minhas namoradas me abandonavam quando descobriam que eu era viciado e dependente. Minha primeira namorada, o único e verdadeiro amor da minha vida, quando soube do meu vício desesperou-se e entrou para um convento. Meus amigos me evitavam. Minha dependência era tão grande que pelo menos umas três vezes eu tentei furar greves de outras categorias, já que a nossa não estava em campanha salarial. Uma vergonha. Mas agora tudo mudou. O tratamento nas reuniões do F-GA me recuperou totalmente. Hoje sou um novo homem”.

M.G.S (27  anos): “Eu ainda não me curei totalmente, mas estou muito animado: já participei de movimentos de atrasos e tenho comparecido a todas as assembléias, sem nenhuma recaída. As reuniões são ótimas e acredito que estarei completamente curado nas próximas semanas”.

Se você conhece algum fura greve, não o abandone. Converse com ele, especialmente aqueles que não reconhecem o seu próprio vício, que são os casos mais graves, e devem merecer nossa atenção. Sugira que eles procurem a terapia do sindicato, a única que pode curar o vício e a dependência. Convide-o a comparecer nas reuniões dos grupos de Fura Greves Anônimos.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Petrobrás afronta trabalhadores: FUP e Sindicatos retiram-se da reunião

O Serviço de Alto Falantes Ornitorrinco saúda os presentes nesta quermesse em louvor de Nuestra Senhora del Petismo Pragmático e, por pertinente, lembra aos estimados ouvintes que as barbaridades que a Petrobras SEMPRE praticou, permanecem após mais de 12 anos de governos do PT, e isso tudo com inúmeros ex-companheiros sindicalistas ocupando cargos de alto relevo.
Permitam-me a dura franqueza: são uns bostas movidos a altos salários.


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Copiei da FUP

Após dois meses de silêncio em relação à Pauta pelo Brasil (veja abaixo as principais reivindicações), aprovada pelos petroleiros durante a 5ª Plenafup e protocolada no dia 07 de julho, a direção da Petrobrás afronta a organização sindical. Na reunião desta quinta-feira (03) com a FUP e seus sindicatos, a empresa comunicou que a campanha reivindicatória não será mais realizada coletivamente, em uma mesa unificada com as subsidiárias.

A gestão Bendine quer aplicar na negociação coletiva o mesmo modelo de desintegração que está tentando impor ao Sistema Petrobrás. A proposta da empresa é de fatiar a negociação em reuniões separadas com cada subsidiária, através de uma Comissão com três representantes das áreas de negócio, onde o RH Corporativo ficará em segundo plano, dando apenas suporte nas reuniões.

A FUP repudiou veementemente esse ataque à organização sindical e reafirmou que a prioridade da categoria neste momento é a discussão da Pauta pelo Brasil. A Federação e seus sindicatos se retiraram da reunião, reafirmando que os petroleiros farão o que for preciso para impedir o desmantelamento do Sistema Petrobrás e qualquer tentativa de diferenciação entre os seus trabalhadores. É inadmissível o fatiamento da empresa, seja através da venda de ativos ou da imposição de mesas de negociação desintegradas.
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Deflagrar a greve

Nesta quinta-feira, 03, a FUP protocolou na Petrobrás e na Transpetro aviso de greve por tempo indeterminado a partir da zero hora de domingo (06). A Federação solicitou também a negociação de efetivos mínimos e de cotas de produção para assegurar as necessidades essenciais da população, como determina a Lei de Greve.

Na sexta-feira, 04, a FUP e seus sindicatos se reúnem em mais um Conselho Deliberativo para discutir a organização e construção da greve por tempo indeterminado.
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Pauta pelo Brasil

- Por uma política de SMS que garanta o direito à vida e rompa com o atual modelo de insegurança que já matou 16 trabalhadores só este ano;

- Pelo fortalecimento da Petrobrás como empresa integrada de energia, através da manutenção da BR Distribuidora e incorporação da Transpetro;

- Para que as riquezas do pré-sal sejam exploradas pela Petrobrás, em benefício do povo brasileiro;

- Contra a venda de ativos e pela conclusão das obras do Comperj, da Refinaria Abreu e Lima e da Fafen-MS;

- Pela preservação da política de conteúdo nacional, com construção de navios e plataformas no Brasil.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Eis aqui um petroleiro porreta, chutando o saco entreguista de Aloysio Nunes, jaguara paulista do PSDB

Copiei Brasil 247

Resposta ao senador Aloysio Nunes,

Prezado senhor senador,

Estava num ônibus da viação 1001, linha Macaé-Rio de Janeiro, quando peguei o meu celular para aquela corriqueira passadinha pela time line do Facebook, e vi que o senhor se referiu a um grupo de trabalhadores o qual eu participo, a Federação Única dos Petroleiros (FUP), como "vagabundos".

Aliás, Serra esteve em Macaé em outro dia. Será que ele anda de ônibus, ou mesmo carro, pela a região dos lagos, como eu faço?

Sinceramente acho difícil, e também uma pena, devido a falta de zelo que muitos parlamentares têm com o dinheiro publico nacional em busca de confortos supérfluos e desnecessários. Mas isso e assunto para outro momento...

Agora gostaria de falar sobre o "vagabundos". Ora senhor senador, vossa excelência argumentou que "Brasília não há grandes instalações da Petrobras" (aliás, escrevendo sem acento, como todo bom entreguista). Fico tentando imaginar, então, o que vossa excelência deve ter falado para seu colega de chapa eleitoral!

Coisas do tipo: "Aécio, deixa de ser vagabundo! Como pode ser um dos mais faltosos do senado?" ou mesmo "não há atividades legislativas mineiras no Rio, quem paga essas suas viagens?"

Outra coisa que chamou atenção na mensagem de vossa excelência, foi a maneira que o senhor nos acusou de "agredir" quem não concorda com a opinião contrária.

Olha senhor senador Aloysio, confesso que não consegui evitar a lembrança de um vídeo seu se oferecendo para uma relação homossexual ativa com um blogueiro, quando foi perguntado (somente perguntado, veja só, não acusado) sobre um possível envolvimento no trensalão.

Aqui entre nós, qual sua lógica senhor senador? Acha democrático partir para a agressão física e verbal e fica chateado quando recebe alguns gritos de entreguista?

Me desculpe, mas para mim não faz muito sentido.

Por fim, senhor parlamentar, deixo a você a resposta de uma pergunta sua, e ainda alguns outros questionamentos, com a certeza de que o debate dialético e transparente é importante para avançarmos em conhecimento e maturidade.

Nesse sentido, lhe informo que quem "paga nossos serviços" é toda a categoria petroleira do país. De maneira espontânea, uma vez que devolvemos nossa parte do imposto sindical e procuramos arrecadar apenas o desconto voluntário de cada petroleiro e petroleira sindicalizada.

Com essa nossa política, nós do Sindipetro Norte Fluminense por exemplo, temos uma das maiores taxa de filiados do Brasil e construímos, junto com a FUP, um dos melhores, quiça o melhor, acordo coletivo da América Latina.

Usamos esse dinheiro para, entre muitos outros serviços, garantir a soberania nacional no setor energético, coisa que seu projeto de lei quer tirar.

Ou vossa excelência acha mesmo que a Chevron (só exemplo, tá? Nada a ver
com o Serra ou Wikileaks) vai vir tirar petróleo aqui da nossa terra com o mesmo compromisso social que da Petrobrás?

Agora eu lhe pergunto senhor Senador: vossa excelência dorme tranquilo sabendo que trabalha recebendo um honorário oriundo de uma taxação extremamente injusta?

Acha ético um terno bem bacana ou uma comitiva inútil pra Venezuela ser paga mediante impostos de brasileiros e brasileiras que recebem até três salários mínimos?

E aquelas duas fazendas que valem um real cada, hein? Uma pechincha um pouco
surpreendente, não acha!? Eu até lhe faria uma proposta, mas minha moral não permite que eu entre num negócio tão desproporcional. Nem se algum amigo meu me emprestasse fácil 300 mil reais eu faria algo desse calão.

No mais, estou disposto a realizar qualquer outro esclarecimento que por ventura vossa excelência queira saber.

Atenciosamente,

Tadeu Porto

Petroleiro, Fupista e diretor do Sindipetro Norte Fluminense

quarta-feira, 23 de março de 2011

O pré-sal e o tsunami na geopolítica do petróleo

Eu visito Viomundo todos os dias

por João Antônio de Moraes*
Uma nova ordem mundial começa a alterar a geopolítica do petróleo e, mais do que nunca, precisamos entender este processo e tratar o pré-sal como uma riqueza extremamente estratégica. O acidente nuclear no Japão, as mudanças políticas no Norte da África e no Oriente Médio e a visita de Barack Obama ao Brasil são fatos correlatos que colocam em alerta os movimentos sociais na defesa da nossa soberania energética.
O tsunami japonês varreu, pelo menos temporariamente, os planos de expansão nuclear de dezenas de países que apostam nesta fonte de energia como principal alternativa para reduzir a dependência de hidrocarbonetos (óleo e gás natural). A tendência é que estes recursos se tornem cada vez mais estratégicos para saciar a fome de energia do planeta. Hoje os combustíveis fósseis (petróleo, carvão e gás) são responsáveis por mais de 80% da matriz energética global. As estimativas da Agência Internacional de Energia são de que o consumo de petróleo continue aumentando em termos absolutos, ultrapassando nos próximos dez anos a marca de 100 milhões de barris por dia.
Em função disso, já estamos assistindo à corrida das principais nações em busca de novas fronteiras produtoras de petróleo e gás para garantir suas necessidades de abastecimento. Não por acaso, o Brasil foi o primeiro pouso de Barack Obama na América Latina. Por trás de sua “cordial” visita, estão intenções nada amistosas. Os Estados Unidos são o maior consumidor de petróleo do planeta (utilizam 25% da produção global) e também o mais vulnerável em meio à onda de revoltas que assola o Norte da África e o Oriente Médio, principal fonte abastecedora do país.
Em troca de petróleo, o império norte-americano tem apoiado e sustentado ditaduras e governos autoritários nestas regiões, intervindo militarmente sempre que seus interesses são ameaçados. É o que está acontecendo agora na Líbia, da mesma forma como aconteceu no Irã, no Iraque e no Afeganistão. Mas as movimentações de peças no tabuleiro de xadrez do mundo árabe levam os analistas políticos a acreditarem que uma nova coalizão de forças colocará em xeque a posição confortável que os Estados Unidos usufruíam no Oriente Médio até então.
Para que Washington diminua sua dependência da região, o Brasil é a bola da vez. Com o pré-sal, nosso país será uma das maiores reservas de petróleo do planeta e é de olho nesta riqueza que os Estados Unidos vêm tentando fechar acordos e parcerias com o governo brasileiro e a Petrobrás. A FUP e os movimentos sociais são contrários à tese de que o pré-sal deve fazer do Brasil um grande exportador de petróleo. Queremos que este estratégico recurso seja explorado de forma sustentável para desenvolver toda a sua cadeia produtiva. Desde a construção de navios e plataformas até a indústria petroquímica e plástica.
É desta forma que o país irá gerar emprego e renda e não exportando petróleo cru para abastecer países ricos, como os Estados Unidos, que durante décadas exploram e usufruem de recursos energéticos alheios para sustentar seus absurdos níveis de consumo. O pré-sal, como disse a presidenta Dilma, é o passaporte para que as gerações futuras tenham um país desenvolvido, com oportunidades para todos. Mas isso só será possível investindo na cadeia produtiva do petróleo aqui no Brasil, fomentando a indústria nacional, gerando emprego e renda para milhões de brasileiros.

* João Antônio de Moraes é coordenador geral da Federação Única dos Petroleiros

O Ornitorrinco pede a palavra para dizer que lembro desse companheiro, ainda cheirando cueiros, lá pelos anos 90, época de duros embates contra a direita no movimento sindical petroleiro. Eu sempre disse que, se não o estragassem na capação, seria um baita quadro. Este texto e sua condição de coordenador nacional da nossa Federação provam que o capador era dos bons.