SOBRE O BLOGUEIRO

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Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.
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sábado, 25 de junho de 2016

"Sim, ele é beijoqueiro, um fofo, mas como ele beija também os meninos, alguns pais se incomodaram, menino beijando menino"

Copiei da Ju Foltran
(Grupo Nacional Mães Pela Diversidade)


Hoje fui chamada na direção. Cheguei na escola do meu filho caçula no horário habitual e a professora falou que a diretora queria falar comigo sobre o Theo, que tem 4 anos e meio. Meu coração gelou, afinal, o que seria? Peguei meu pequeno pelas mãos, mas a professora me puxou: "não, deixe ele aqui, vá só". Perguntei do que se tratava e a professora disse que alguns pais reclamaram do comportamento do Theo, mas que eu ficasse tranquila. Estranhando muito, fui, e no caminho pensei em mil coisas e ao mesmo tempo, em nada. Afinal, o que ele poderia ter feito de tão grave para tanto? Aquele menino tão doce, tão meigo, tão sensível!!! Mas também tão traquino!!! Não diferente das outras crianças que vejo ali no Centro de ensino infantil, que atende a galerinha de 4 e 5 anos. Como pode algum pai se incomodar com o comportamento dele? A gente passa por ali tão rápido, pra deixar, pra buscar, ou pra participar das reuniões. O que teria acontecido?!?! A diretora repetiu as palavras da professora. E completou que a reclamação havia acontecido mais de uma vez. E eu perguntei: que comportamento? Cheia de tato, a diretora disse: "ele gosta de beijar". Eu ri e disse que o Theo é carinhoso e beijoqueiro. Ela concordou: "Sim, ele é beijoqueiro, um fofo, mas como ele beija também os meninos, alguns pais se incomodaram, menino beijando menino". Eu ri novamente: "se ele tivesse batido teriam reclamado?" Provavelmente não os mesmos pais, porque bater "é coisa de menino", mas demonstrar afeto, não. Eu continuei e falei: "eu vou conversar com ele sobre respeitar quem não quer ser beijado, mas jamais direi a ele que beijar é errado e espero que a escola faça o mesmo". A diretora me olhou com um ar de alívio. Estava esperando outra reação, na certa. E disse: "não faríamos isso, reprimir uma demonstração de carinho, e apenas falamos com a senhora porque é nosso dever atender as demandas de todos". Claro que não acreditei muito nela e também não concordei com a forma de abordagem. A escola perdeu uma oportunidade de ensinar. Aquele pai é que deveria ser chamado, aquele que não quer meu filho perto do dele (!!!), que acha que afeto não é coisa de menino, que meninos não podem se tocar e serem carinhosos, que meninos não podem demonstrar que gostam uns dos outros. O Theo beija na rua e é beijado em casa. E se esse comportamento gerou sua primeira "advertência", vejo que estou no caminho certo. Quis compartilhar aqui por saber que muito do sofrimento das famílias lgbt tem raiz em situações como essas e que não são questionadas. Aliás, sofrimento do mundo todo, que cria pessoas com sérias dificuldades emocionais. Como seria o mundo se a demonstração de afeto não fosse subtraída das possibilidades de vivência de meninos??? Bom, espero que nesses tempos sombrios, a gente possa encontrar meios de atuar junto às nossas crianças, permitir que elas cresçam como são: doces e amorosas. E que a ignorância e a estupidez não as brutalizem tão cedo.

sábado, 27 de novembro de 2010

E desse sangue que os teus anais falam, Reginaldo?

Eu visito  o 
Blog da Cidadania 
todos os dias

"Sábado, fim da manhã, dou uma escapada do escritório. Fui trabalhar em um dia em que costumo dedicar ao descanso porque precisava “preparar” a viagem de negócios que começo a fazer no dia seguinte.
Preciso almoçar. Café e cigarros, ininterruptamente – consumo um e outro sem perceber, quando trabalho ou escrevo –, fizeram-me cair a pressão.
O bar serve uma das feijoadas mais honestas da região da Vila Mariana. De carro, chego lá em 5 minutos.  Gasto mais cinco esperando pela comida e mais dez para comer. Antes da uma estarei de volta.
Meu escritório está na região há quase 15 anos. Vários conhecidos freqüentam o estabelecimento em que matarei a fome. Ao chegar lá, cumprimentam-me e me convidam a sentar à mesa repleta de garrafas de cerveja vazias.
Hesito. São pessoas que têm por costume fazer comentários que me desagradam. A educação, porém, fala mais alto e aceito. Encaro a turma que têm os olhos injetados pelo álcool.
Alguns dos homens, estando todos na mesma faixa etária que eu, mencionam a entrevista com Lula e começam a fazer piadinhas próprias da mentalidade política e ideológica que infesta a parte de São Paulo em que vivo.
Permaneço impassível e calado. Percebem que não estou achando graça. Um deles, menos grosseiro, resolve mudar de assunto:
– E o Rio, hein! Que tragédia!
Percebo que é outro tema que não vai prestar e me abstenho de comentários. Dedico-me à excelente batidinha de limão que servem ali.
Um outro decide escancarar a bocona: “Sabe qual é o problema do Rio?”. Percebendo que vem pedrada, mas já começando a me irritar, pergunto qual seria o “problema do Rio”.
– Pretos, cara. Notou que são todos pretos?
– Todos, quem, cara-pálida?
– Todos. Bandidos, moradores da região. Tudo preto. Esse é o problema do Rio.
Reflito, antes de responder. Ao menos em uma coisa esse demente tem razão: a tragédia carioca tem cor. Realmente, bandidos e população atingida por eles são negros em expressiva maioria. Então respondo:
– Mas a culpa não é deles, é sua. São racistas como você que fizeram com que mesmo depois de mais de um século do fim da escravidão os negros continuassem mergulhados nessa tragédia…
– Mas…
– Aqueles traficantes quase todos negros, um dia foram crianças que se inebriaram pelo poder que os bandidos exercem sobre essas comunidades.
A mesa com seis homens de meia idade fica em silêncio, perplexa com o que acabara de ouvir. Levanto-me, vou até o caixa, pago pela comida que não comi, subo no carro, sem me despedir de ninguém, e vou embora sem almoçar.
Já não havia mais fome.
Levo comigo, porém, uma certeza: a tragédia no Rio tem cor. Existe por conta dessa cor.
Aquelas populações, pela cor da pele, foram mantidas em guetos miseráveis, longe das preocupações dos setores exíguos e preconceituosos da sociedade que fingem que a culpa é dos governantes."

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

O Onitorrinco gostou e recomenda

Leiam este belo e pertinente texto de Luiz Henrique Ribeiro da Fonseca, A hipocrisia e o preconceito da elite reacionária, lambido diretamente dos Amigos do Jekiti.  
Se quiser outros textos do Luiz  veja aqui.

O ORNITORRINCO é, reconhecidamente, blog sujo, ordinário e, embora tenha jeitão de bobo, cara de bobo, andar de bobo e comportamento de bobo, mas o problema insolúvel para muita gente é que ele não é bobo.