SOBRE O BLOGUEIRO

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Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.
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quarta-feira, 9 de setembro de 2015

"O SUS deveria adotar o modelo de gestão privada"

Copiei do Blog do Mário

por Weden Alves no Facebook

Aí vem a Unimed paulistana, que cobra mensalidade, e vai à falência. Deixando 744 mil pessoas na mão.

Isto porque:

Não é responsável pela vacinação de milhões de pessoas.

Não realiza cirurgias complexas sem a ajuda do SUS.

Não é responsável pela Samu.

Não tem que manter um posto para cada 12 mil pessoas, UPA para cada 50 e hospital para cada 150 mil.

Não distribui remédios estratégicos.

Não banca medicações caras.

Não investe em pesquisa.

Não faz milhares de transplantes por ano.

Não fiunciona com um quarto dos recursos do seu similar britânico.

Não é sacaneada diariamente pelo Jornal Nacional e pelas novelas da Globo.

Que falta muito para o SUS ser o nosso ideal, não há dúvida.

Mas é bom parar de repetir lugar comum - que isso não é saudável.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Ser ou não ser contra: esta não é a questão

Pois só uma mulher mmesmo para botar ordem na casa
ou, melhor ainda, 
para colocar a discussão sobre
o aborto na sua correta dimensão
Lambido de Café & Aspirinas,
já incluido na Mixórdia de blogs 

O aborto é uma discussão séria que está sendo reduzida a um embate eleitoreiro entre Serra e Dilma. O aborto acontece todos os dias, queiramos ou não, sejamos nós contra ou a favor. As mulheres fazem aborto há centenas de anos, é o método contraceptivo mais antigo, por muitos considerado mais seguro e menos prejudicial à saúde do que a pílula. Desde que feito por um médico e em condições adequadas, óbvio.

A discussão que precisa ser travada sem descanso é o que fazer para que as mulheres parem de morrer por abortar em casa, usando agulhas de tricô, ou em consultórios podres, nas mãos de açougueiros. Esta sim é uma questão séria, de saúde pública, para a qual todos, repito, todos os governos viram as costas.


Por medo de tratar de um assunto que envolve questões morais e religiosas e com isso perder alguns currais eleitorais e apoios financeiros de empresários conservadores ligados a igrejas poderosas, os governantes estão deixando milhares de mulheres morrerem todos os anos. O aborto clandestino é a quarta causa de morte materna no Brasil. Das 87 milhões de mulheres que sofrem todo ano no planeta com o peso de uma gravidez indesejada, mais da metade aborta. Das 46 milhões de mulheres que optam por abortar, 18 milhões o fazem em condições precárias, de forma insegura, insalubre, porque não têm recursos próprios e porque não há amparo legal para que esse procedimento seja realizado em hospitais públicos. Dessas 18 milhões de mulheres abandonadas por seus governantes, 70 mil morrem, ou no momento do aborto ou por infecções consequentes. São dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), não foram inventados por mim, e são baseados em abortos relatados - o número concreto de abortos clandestinos ninguém sabe.


Grande parte dessas mulheres aborta porque já tem filhos e não pode arcar financeiramente com mais uma vida, especialmente nesse novo mundo em que as mulheres se tornam cada vez mais as provedoras do lar. Estas deixam órfãos, pra completar a desgraça. Enquanto políticos demagogos e fanáticos religiosos discutem se é criminosa ou não a interrupção de uma vida embrionária, milhares de crianças estão perdendo suas mães para o aborto clandestino. Mães que são tratadas como criminosas pelo poder público, quando deveriam ser amparadas e orientadas.


E agora, Zé? E agora, Dilma? Quais são seus planos pra evitar o assassinato dessas milhares de mulheres brasileiras, essa chacina que acontece anualmente nas barbas dos nossos governantes? O que vocês propõem para estancar o sangue de milhares de ex-rainhas do lar, hoje chefes de família apavoradas e desamparadas?


Esta é a minha questão, e é urgente.

domingo, 19 de setembro de 2010

Tucanos Anônimos

Se o seu caso votar no Serra, o problema é seu.
Agora, se o seu caso é votar certo, o problema é nosso.

O tucano eleitor de serra é um problema social de proporções dramáticas. Os atingidos pela síndrome não dormem direito, têm problemas de relacionamento com sua própria família (há casos de rejeição, por parte de filhos e cônjuges), têm palpitações e pesadelos. Em suma, o eleitor tucano é profundamente infeliz.
        
Pesquisadores da Chechenia (calma, não é o que você está pensando) descrevem que os primeiros sintomas costumam manifestar-se cerca de um ano antes das eleições: falta de ar e de apetite, palidez acentuada, suor nas mãos, ansiedade. Nesta fase, o tratamento pode resultar em cura mais rapidamente.

Na fase mais aguda a cura é mais complicada. Neste estágio os sintomas são acreditar piamente no que a revista Veja e o PIG publicam, afirmar que estamos caminhando para uma ditadura, ter  pesadelos com estrelas e lulas subindo pelas paredes e, em alguns casos, podem ocorrer desmaios diante da simples visão da foto de um barbudo qualquer. O tratamento requer internação e, até recentemente alguns psiquiatras defendiam, nesta fase da doença, a aplicação de terapias de choque. Esta forma de tratamento, contudo, vem sendo abandonada.
        
Dados indicam que o país gasta, por ano, mais de 10 bilhões de dólares com a doença, considerando-se os custos com diagnóstico, profilaxia, internação, acompanhamento final e indenizações diversas.
        
Mas, para estes infelizes brasileiros e brasileiras, finalmente uma boa notícia. Surgiu uma terapia revolucionária: os Grupos de Tucanos Anônimos, os TA. Já há, inclusive, registros de curas totais e centenas de recuperações parciais. Selecionamos alguns depoimentos.
        
J.A.F. (37 anos): “eu não tinha paz, minha vida era um inferno. Comecei votando em vereadores do psdb e, quando dei por mim, estava completamente viciado nisso. Contei meu drama nas reuniões e todos me entenderam. Hoje sou um homem feliz, minha família me respeita, os vizinhos e amigos voltaram a falar comigo. Recomendo o tratamento”.

C.V.S. (23 anos): “minhas namoradas me abandonavam quando descobriam que eu era viciado e dependente. Minha primeira namorada, o único e verdadeiro amor da minha vida, quando soube do meu vício desesperou-se e entrou para um convento. Meus amigos me evitavam. Minha dependência era tão grande que pelo menos umas três vezes eu invadi a escola onde voto e tentei votar no psdb no mês de janeiro, quando não havia eleição alguma. Uma vergonha. Mas agora tudo mudou. O tratamento nas reuniões do TA me recuperou totalmente. Hoje sou um novo homem”.

M.G.S (27  anos): “eu ainda não me curei totalmente, mas estou muito animado: já participei de uma carreata de uns petistas aqui da cidade, e tenho comparecido a todas as atividades da campanha, sem nenhuma recaída, acho que não voto nem no beto richa, nem no serra, que deus me ajude. As reuniões são ótimas e acredito que estarei completamente curado nas próximas semanas”.

Se você conhece algum tucano não o abandone. Converse com ele, especialmente aqueles que não reconhecem o seu próprio vício, que são os casos mais graves, e devem merecer nossa atenção. Sugira que eles procurem a terapia oferecida por um governo de corte popular e democrático, a única que pode curar o vício e a dependência. Convide-o a comparecer nas reuniões dos grupos de Tucanos Anônimos.