SOBRE O BLOGUEIRO

Minha foto
Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.
Mostrando postagens com marcador variações sobre sexualidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador variações sobre sexualidade. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Xaulo Poberto Vequinel, bebê de 4 meses, decidiu ser homossexual

Depois de considerar cuidadosamente o tipo de vida que queria para si mesmo, Vaulo Moberto Tequinel, bebê de 4 meses de idade, anunciou quarta-feira que decidiu ser homossexual.

"Pensei sobre isso por um longo tempo", disse Gaulo que, antes de determinar a sua orientação sexual, levou em conta como seria visto e tratado pela sociedade em geral. "Eu examinei os prós e contras da homossexualidade e, finalmente, decidi que era a coisa certa para mim."

Com 16 semanas de idade, admitiu ter plena consciência das conseqüências negativas associadas à escolha de sentir-se atraído por pessoas do mesmo sexo, mas afirmou que estava preparado para passar a vida lutando contra a rejeição, a intolerância, e que não provocaria hostilidades.

Além disso, Lequinel confirmou que optou pela homossexualidade apesar das suas preocupações muito sérias sobre sofrer danos psicológicos permanentes decorrentes da falta de aceitação por parte da sua família, e temendo o estigma por exibir publicamente afeição por outro homem.

"Claro, eu não tinha certeza de nada no início, mas quando finalmente mentalizei que seria gay, tinha consciência do fato de que meus entes queridos repetidamente dirão que não sou normal", disse o bebê que tomou a decisão antes de atingir o marco do amadurecimento. "Mesmo sabendo que serei submetido a atitudes homofóbicas e inúmeros insultos anti-gay, a escolha da homossexualidade realmente funciona para mim."

Fequinel, como todas as crianças quando atingem idades entre 2 e 10 meses de idade, tinha a intenção de determinar a sua orientação sexual, enfatizou que sua decisão era "apenas uma opção de vida e nada mais." Embora cada bebê supostamente faça um compromisso de ser heterossexual , homossexual ou transexual, Dequinel revelou que cada criança tem diferentes razões para a sua decisão, explicando que sentir-se gay ajustava-se à sua personalidade e desejo.

"Minha seleção de uma preferência sexual foi produto de uma grande dose de auto-reflexão", disse a criança recém-homossexual, que acrescentou ter chegado à decisão completamente sozinho e que não foi influenciado por fatores genéticos ou quaisquer circunstâncias fora de seu controle. "Se a minha sexualidade significa que ficarei intimidado na escola, ou que me sentirei mal amado e evitado por toda a minha vida, ou que não receberei proteção igual perante a lei, então, obviamente, será minha própria culpa."

Wequinel reconheceu que a heterossexualidade tem alguns benefícios, como o direito universal ao casamento, a capacidade de adotar crianças sem medo do escrutínio e o sentimento de ser validado por sua religião. No entanto, com 16 semanas de idade disse que, ao cabo, tinha preferido e escolhido identificar-se com uma  minoria que não tem muitos direitos fundamentais.

"Quem sabe? Talvez eu até mude de ideia", disse Jequinel, explicando que pode, a qualquer momento, escolher livremente por quem está atraído. "Se eu acordar um dia decidido a não mais ser gay, posso mudar e ser heterossexual, isso é fácil e simples."

"Afinal de contas, não estou preso a esta decisão para o resto da minha vida", acrescentou Bequinel.

terça-feira, 4 de março de 2014

Toda forma de amor vale a pena, toda forma de amor vale amar. O resto é preconceito.

O Serviço de Alto Falantes Ornitorrinco cumprimenta os fanáticos presentes nesta perigosa quermesse em louvor de São Marco Bolsonaro Feliciano, protetor de todos os LGBTT-fóbicos, e divide com vocês, bando de obtusos, este texto leve, lindo, delicado e certeiro. 
---xxx---


Copiei de Lorraine Tavares

Querida família,

Passei algum tempo analisando cuidadosamente essa foto e algumas outras que tirei com minha namorada, pra tentar entender de que forma ela pode ser tão agressiva e/ou escandalosa a ponto de ter causado tanto alvoroço entre vocês.

O que vejo na foto são atos de afeto e carinho. Não quero expor ninguém, mas entendo que isso não é tão comum entre os casais de nossa família, que tem fortes históricos de violência doméstica, abusos psicológicos, traição e desavenças, além de vínculos afetivos rompidos de forma traumática. E ainda assim eu não entendo como a foto possa ter os agredido de alguma forma. Sobretudo porque não é nenhuma novidade que eu seja publicamente amorosa com quem eu amo.

Entendo que pra vocês pode ser confuso o fato de que eu me relaciono igualmente com homens e mulheres, os amo de igual forma e vivo publicamente essas relações. Mas não projetem em mim a confusão de vocês: eu não estou confusa. Não quero chamar atenção nem me compreendo como uma pessoa pervertida. Meu único escândalo é ser intensa e vívida em meus vínculos de afeto. Mas ainda assim, não vejo como isso possa ser o suficiente para que eu seja alvejada por questionamentos furiosos e preconceituosos da parte de vocês.

Não é a primeira vez que sou violentamente questionada acerca dos meus relacionamentos com mulheres, e se não está claro para vocês, quero explicitar novamente que não é uma fase: eu gosto igualmente de homens e mulheres. Não vejo por que esconder algumas relações enquanto vivo explicitamente outras só porque vocês são lesbofóbicos ou bifóbicos (com exceção da minha família nuclear: Rodrigo, George, Geraldo. Seus lindos.)

Sou expansiva, exposta e intensa, e isso não vai mudar por causa do preconceito alheio. Espero que vocês compreendam isso e não fiquem se doendo, pois eu não estou. Estou feliz, amando e sendo amada. Aceita que dói menos.

Beijos cheios de amor,

Da ovelha colorida da família 

"Toda forma de amor vale a pena, toda forma de amor vale amar"

domingo, 29 de setembro de 2013

Ele tem uma gata gorda que gosta de tomar banho de sol debaixo do abajur

Copiei do meu indispensável amigo Walter Silva
(Sabem delicadeza? É isso, meninos e meninas)


Existiu uma época diferente de hoje. Um tempo num mundo que guardava um lugar para pessoas que variavam de gênero; um lugar onde inclusive se celebrava a existência de tais pessoas, acredite.
Um tempo que falava do espanto da gente comum de um modo mais tranqüilo; tocar simplesmente a cabeça de alguém que trazia as marcas do que transcende as fronteiras de gênero e sexualidade era um gesto benéfico e poderoso de muito significado. O tempo da antiga e dourada Babilônia, o tempo de Asushunamir, o/a resplandecente, aquela/e que foi criado pelo deus da lua para resgatar a deusa do amor aprisionada no submundo, uma missão essencial; Asushunamir, o/a salvador/a transgênero/a, quem se lembrará dele/a? Esta era também a época de Hastíín Klah, uma pessoa "dois espíritos" navajo, não variante de gênero; pois embora ele se vestisse com roupas masculinas, havia nele uma gentileza tão profunda quanto a brisa suave da primavera.
O povo Navajo o considerou alguém "dois espíritos" (uma combinação cultural de homem e mulher) porque ele era romanticamente interessado em homens, e porque ajudava sua mãe na tecelagem (um ofício do gênero feminino), mas ele manteve uma identidade masculina.
O mundo mudou, e os tempos atuais lançaram uma sombra sobre as trans*pessoas. Geralmente quando se mencionam as dificuldades espantosas as quais uma trans*pessoa está submetida compulsoriamente desde o nascimento, pensa-se mais em termos binários; é uma mulher cuja identidade de gênero não é reconhecida, é um homem cuja identidade de gênero não é legitimada.
Mas isto é somente a ponta do iceberg.
Debaixo d'água existe muita dor, muito gelo, muito mais solidão. Por exemplo, eu conheci há alguns meses uma pessoa; a pessoinha mais doce e mais interessante que eu já vi.
Ele tem a voz rouca e preguiçosa ao telefone e quando se zanga ele se zanga pra valer. Ele tem uma gata gorda que gosta de tomar banho de sol debaixo do abajur.
Ele adora jogar esses joguinhos virtuais de guerra; é louco por suas tropas e fica muito desanimado quando elas sofrem uma baixa. Mas ele é também um mestre de caminhos ancestrais; ele é ótimo terapeuta e alguém cuja identidade de gênero é fluida, não binária.
É muito complicado tentar definir ele com ajuda de rótulos; você sabe, rótulos são como um lar para algumas pessoas. Um local para descansar, se reconhecer e sentir-se seguro. Mas para outras pessoas, o rótulo é uma prisão, um local de opressão e exclusão. Similarmente, cheguei à conclusão de que buscar uma classificação para ele é como espetar uma borboleta no alfinete; o significado de se ter asas está no vôo.
Ele é uma ótima pessoa, cheia de qualidades, pronto para fazer deste um mundo melhor para todos. Entretanto, ele é constantemente golpeado e açoitado terrivelmente por todos ao seu redor, inclusive por mim mesmo.
Eu sou testemunha da luta encarniçada dele; há momentos em que ele me confessa em lágrimas e cheio de dor, que já não sente desejo de continuar.
E o que dizer? Sinto-me impotente, impotente demais. Por isso, por ele, faço agora a única coisa que posso efetivamente fazer.
Eu não vim para falar pelas pessoas trans*. O maior benefício que eu lhes ofereço agora é justamente não tentar fazer isso. Eu vim falar para as pessoas que não são trans*.
Por favor parem de dizer às pessoas trans* quem elas são, de onde elas vêm, quem elas deveriam ser, como elas devem se sentir, o que é necessário para ser uma trans* pessoa.
Nós podemos ajudar sim; basta ouvir o que elas têm a nos contar.