SOBRE O BLOGUEIRO

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Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Enquanto isso, no Centro de Controle do Universo...

Copiei a imagem daqui

Não fui levado coercitivamente pra Polícia Federal!

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DAS 2 EX-ESPOSAS, 2 FÃS, 6 AMIGOS, 1.345 DESAFETOS DIVERSOS, 13.675 INIMIGOS FIGADAIS E INUMERÁVEIS CREDORES DESOLADOS 
DE PAULO ROBERTO CEQUINEL

NOTA OFICIAL PRA CACETE

No dia em que esta tranqueira comemora praticamente 32 anos vimos a público esclarecer que o pilantra, embora tenha trabalhado na Petrobras, jamais recebeu grana ou qualquer espécie de agradinho de empreiteiras e fornecedores ou, como ele mesmo declarou, "nem uma porra de uma canetinha, véi!".

Assim sendo, não são verdadeiras as notícias de que tenha sido levado coercitivamente, a mando do juiz Moro, a Grande Esperança Branca, à sede da Polícia Federal.

Curitiba do Cacete A Quatro, 6 de fevereiro de 2015.

XAULO ZOBERTO REQUINEL
Desafeto Matrícula 56.876/PR

Os canalhas também envelhecem

Copiei do Jornal GGN


Por Ronaldo Souza

Há cerca de 22 anos ouvi de um professor a frase que dá título a esse texto e jamais a esqueci.

Não tenho nenhuma dúvida de que ele a ouvira em algum lugar e adotou.

Somente algum tempo depois percebemos, eu e mais três colegas, que ele próprio foi um dos grandes canalhas com quem tivemos oportunidade de conviver mais de perto por algum tempo.

Sem saber, ao dizer aquela frase, que até hoje nunca ouvi de outra boca, ele me ajudou a entender melhor gente como ele.

Vejo na imprensa a seguinte declaração de Fernando Henrique Cardoso:

"No passado, seriam golpes militares. Não é o caso, não é desejável nem se veem sinais. Resta, portanto, a Justiça. Que ela leve adiante a purga; que não se ponham obstáculos insuperáveis ao juiz, aos procuradores, delegados ou à mídia. Que tenham a ousadia de chegar até aos mais altos hierarcas".

Em uma matéria do Brasil 247, lê-se:

"Bem ao seu estilo de não comprometer-se diretamente com seus próprios atos – até hoje FHC não admite que teve qualquer responsabilidade no apagão energético ocorrido em seu governo -, Fernando Henrique não admitiu, inicialmente, que o pedido do parecer tivesse sido uma iniciativa de um funcionário do Instituto FHC. Mas foi descoberto".

A matéria se reporta ao parecer do advogado tributarista Ives Gandra em que ele diz que "existem elementos jurídicos para o impeachment de Dilma Rousseff".

Quem poderia esperar um parecer jurídico de tamanha leviandade de um advogado renomado aos 80 anos?

Importou-lhe saber que o seu parecer representa tão somente uma peça que se pretende incorporar ao planejamento do golpe do impeachment da presidenta que tomou posse há apenas 1 mês e sobre cuja integridade não paira nenhuma dúvida?

Ele sabe que o seu parecer tem somente esse objetivo.

Não lhe incomodou sequer a possibilidade de chamuscar a sua credibilidade pela contestação do seu parecer por outros profissionais, como já o fizeram vários advogados, entre os quais Fabio de Sá e Silva, Percival Maricato e Tarso Violin, que definiu como "mais uma mácula no currículo do advogado", não apenas por ser frágil, mas por não ter respaldo jurídico?

Justifica-o o valor pago, segundo a imprensa entre 100 e 150 mil reais, valor de cada parecer emitido por ele?

Descobriu-se, para espanto de todos, que foi o advogado de Fernando Henrique Cardoso, José Oliveira Costa, quem pediu o parecer ao advogado tributarista Ives Gandra.

O homem que, ao comprar votos de parlamentares, episódio denunciado pela imprensa à época, alterou a Constituição Brasileira para conseguir a reeleição.

O homem que promoveu a maior venda do patrimônio do povo brasileiro no episódio que ficou conhecido como "A Privataria Tucana", sobre o qual também é farta a documentação que comprova a ilicitude das negociações.

O homem que quebrou o país 3 vezes e 3 vezes foi ao FMI de pires na mão.

O homem sob cujo governo o país sofreu o maior apagão de energia da sua história, com enormes prejuízos para a nação...

Deu para trabalhar de forma dissimulada e cínica contra a estabilidade democrática do país, a mesma pela qual imaginávamos que um dia ele lutou.

Sabe-se de há muito da corrosão de FHC pela vaidade e inveja, mas agora o ex-professor, ex-sociólogo, ex-presidente, ex-tudo, extrapolou.

Fernando Henrique Cardoso também envelheceu.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Beto Richa é um jaguara engomadinho e sarnento! Todo apoio à luta dos trabalhadores e das trabalhadoras da Educação!

Copiei da APP-Sindicato
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Carta às mães, pais, responsáveis e à comunidade paranaense

EDUCADORES(AS) DENUNCIAM CAOS NAS ESCOLAS PÚBLICAS DO PARANÁ

Vimos a público manifestar repúdio ao desrespeito com que o Governador Beto Richa(PSDB) está tratando a educação pública do Paraná. Resultado: o mau uso do dinheiro público e a desorganização na gestão do Estado instalaram o caos nas escolas estaduais.

As escolas iniciam o ano letivo com dívidas, pois o Estado não repassou dinheiro do Fundo Rotativo (repasses de recursos às escolas para despesas com materiais de limpeza e diversos). As escolas estão sem merenda, pois a mesma ainda não foi entregue.

Também há falta de professores, pois não há previsão de contratação de professores/as temporários antes do início das aulas. Quanto aos funcionários das escolas, o Governo demitiu cerca de 3.000 quando o número que havia já não era suficiente. As escolas não terão como funcionar!

Os/as estudantes, no dia 09 de fevereiro, deveriam ser recebidos na escola com toda a estrutura necessária. Infelizmente não será esta a realidade. Encontrarão professores/as e funcionários/as desmotivados/as, pois não receberam valores que são de direito, como auxílio alimentação e 1/3 de férias.

Além disso, o Governo não pagou a rescisão dos contratos de 29 mil professores/as contratados temporariamente (PSS) e tenta aprovar na Assembleia Legislativa retirada de direitos conquistados ao longo dos últimos anos, como o PDE (mestrado para capacitação de professores/as).

Dívidas do Governo com a Educação:

- 29 mil professores/as sem pagamento: aproximadamente R$ 130 milhões.

- Salários/valores em atraso de 2014: aproximadamente R$ 90 milhões.

- 1/3 de férias: aproximadamente: R$ 150 milhões.

É possível começar as aulas com tanta desorganização? É possível algum profissional, SEM SALÁRIO, trabalhar com carinho e dedicação como a educação necessita?

PACOTAÇO E DESRESPEITO atinge toda a população: No final de 2014 o Governador Beto Richa enviou aos(às) deputados(as) vários projetos de lei que aumentaram os impostos para a maioria da população. Aumentou em 40% o IPVA e a tarifa de ICMS de mais de 95 mil produtos.

Repudiamos todo o desrespeito com que o governador Beto Richa e sua equipe de governo têm tratado a educação pública do nosso Estado. Chamamos todos e todas a lutar conosco em defesa da qualidade da educação pública para nossos/as estudantes. Pedimos o apoio a toda sociedade para que os/as trabalhadores/as da educação possam ter condições dignas e humanizadas de trabalho.

PEC 99/11: A porra da bancada evangélica volta a atacar o estado laico

O Serviço de Alto Falantes Ornitorrinco reafirma que a Frente Parlamentar Evangélica é um ajuntamento indecoroso de picaretas de diversas extrações que chafurdam na gosma nojenta do preconceito, da exclusão, da intolerância e do mais abjeto ódio travestido de pregação religiosa. Temos todos nós, homens e mulheres imperfeitos mas tomados de verdadeira boa-fé, que lutar contra esta formidável tropa de jaguaras sarnentos.
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Copiei do Todd Tomorrow
(O título acima é meu) 
 

A Proposta de Emenda Constitucional 99/11 (http://bit.ly/1D2UksS), do João Campos (PSDB) foi desarquivada, conforme as previsões mais sinistras. O que ela diz:

"Acrescenta ao art. 103, da Constituição Federal, o inciso X, que dispõe sobre a capacidade postulatória das Associações Religiosas para propor ação de inconstitucionalidade e ação declaratória de constitucionalidade de leis ou atos normativos, perante a Constituição Federal."

A PEC 99/11 é um ataque direto a laicidade estatal garantida pela Constituição Federal em vigor que determina a separação entre Estado e Igreja. Essa proposta dá privilégios a algumas igrejas em detrimento de outras e é da bancada fundamentalista religiosa do Congresso Nacional, que pretende tornar o Brasil uma teocracia. 

Todas as pessoas e religiões devem ser respeitadas e a busca por privilégios dessas denominações que anseiam por poder a todo custo deve ser impedida pelo bem de todos os brasileiros. Manter o Estado Laico é a garantia de que todos possam exercer livremente suas crenças e fé. 

A PEC 99/11 é uma afronta a esses direitos que todos os brasileiros possuem e faz parte de um projeto de poder de políticos ligados a igrejas que se corromperam pelo poder. Um verdadeiro estupro ao Estado Laico, findando de uma vez por todas a determinação constitucional que separa Estado e Igreja.

Você está na mira do patifão esfumaçado que vive nas nuvens

Copiei a imagem assustadora daqui

Poucos sabem que a fábrica de armas Pietro Beretta (uma das maiores do mundo) é controlada pela holding SpA Beretta, que tem como acionistas majoritários Gussalli Ugo Beretta e, vejam que coisa mais linda e doce, o notório IOR (Instituto para Obras de Religião, mais conhecido como Banco do Vaticano), instituição privada fundada em 1942 por Pio XII - chamado, nas quebradas, de "Papa de Hitler" - com sede na Cidade do Vaticano.
De modo que, cristões em cristo, considerando que o inexistente patifão esfumaçado que vive nas nuvens os tem na alça de mira, melhor mesmo é amar o exigente sniper, ou um tiro misericordioso arrebentará seus miolos.
Ó, glória, ó menezes! 

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

O êxtase gozoso da governabilidade

História inventada a partir de History,
tudo a mando de Gilson, o Sampaio.

Um petista mumificado encontrado na Cantareira, na posição de extremada governabilidade, "não estaria morto", de acordo com um especialista que é também médico on-line do Dalai Lama.

Segundo Xaulo Coberto Bequinel, famoso monge dado a picaretagens diversas, o homem mumificado estaria a apenas uma etapa de se tornar um peemedebista na vida real.

Os restos mumificados foram encontrados em 27 de janeiro, na província de Santa Rita das Concessões.

Exames ainda precisam ser concluídos, mas acredita-se que a múmia tenha em torno de 12 anos de idade e foi preservada em óleos derramados de cargos e prebendas. Contudo, o monge insiste que o petista mumificado, na verdade, está em uma "meditação muito profunda" e em um estado espiritual raro e muito especial conhecido como 'tukdam' (algo como "o êxtase gozoso da governabilidade").

Nos últimos 12 anos, acredita-se que ocorreram em torno de 400 casos semelhantes com monges petistas. "Eu tive o privilégio de cuidar de alguns governistas-meditadores que estavam em um estado tukdam", disse Bequinel, de acordo com notícia divulgada pelo Estado de Antonina.

"Se a pessoa é capaz de permanecer neste estado por mais de três semanas seu cérebro gradualmente encolhe e, no final, tudo o que resta da pessoa é o seu cabelo, unhas e a estrelinha do PT. Normalmente, neste caso, as pessoas que vivem ao lado do petista enxergam um arco-íris que brilha no céu durante vários dias. Isso significa que ele encontrou um "corpo de arco-íris da governabilidade". 

Roubo do monge petista mumificado

O petista mumificado também virou história de polícia. Seu corpo havia sido roubado de uma outra parte do país e seria vendido no mercado negro. Um homem de 55 anos, identificado como Eduardo, o Cunha, chegou a esconder a múmia em sua própria casa, a Câmara dos Deputados.

Depois do 3º calote, Beto Engomadinho Richa ganha música de professores

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Eu o Zé do Chapéu

Em 1989 estivemos eu e Gilmar Carneiro (notável dirigente dos bancários de SP e Secretário-Geral da CUT Nacional) numa reunião com ele, onde hoje é a sede do HSBC (o Palácio Avenida), mas não recordo do que tratamos.
Em janeiro de 1990, Collor eleito, um dos nomes cogitados para o Ministério do Trabalho era justamente o Zé do Chapéu. Pois a TV Iguaçu (cujo dono era o Paulo Pimentel) me chamou para uma entrevista no jornal do meio-dia (eu era Secretário-Geral da CUT/PR).
Lembro que falei enfaticamente que era uma provocação aos trabalhadores que o Collor nomeasse para Ministro do Trabalho logo o dono do banco que era o vice-campeão nacional de reclamações trabalhistas (só "perdia" pro Bradesco).
Antes da entrevista fui devidamente maquiado, encheram minha cara de pó-de-arroz e, terminado o programa, mandei-me apressado até uma loja de CDs usados, a Raridade Discos, da qual eu era freguês.
Pois o dono olhou espantado minha cara maquiada e eu entendi o mico, fui até o banheiro e lavei o rosto.
Depois, um jornalista da TV Iguaçu me disse que o Paulo Pimentel determinou que eu nunca mais fosse chamado.
Para que tudo fique muito bem estabelecido, devo dizer que o Zé do Chapéu foi e sempre será um completo filho da puta.


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Copiado do ContextoLivre

Do jornalista José Maschio, em seu Facebook:

O ex-ministro Zé Eduardo de Andrade Vieira, o Zé do Chapéu, nunca perdoou o ex-presidente FHC pela perda de seu banco, o Bamerindus, para o HSBC. Esse ressentimento o levou a denunciar o esquema de Caixa 2 na reeleição de FHC. Eu chegava de viagem e, ainda no aeroporto de Londrina, sou comunicado pela direção do jornal (Folha de S. Paulo) que a pauta do dia era procurar Vieira. O assunto era a batalha do ex- ministro para recuperar o seu Bamerindus.
No trajeto do aeroporto até minha casa, na roça em Cambé, Vieira me atendeu por telefone. Gentil, não se negou a falar sobre as lutas para recuperar o banco e mais: contou o esquema de Caixa 2 na reeleição de FHC.
Cheguei em casa e liguei de volta para o jornal. Bateu desespero em Cleusa Turra, na época da Secretaria de Redação da Folha. A entrevista, por celular, não havia sido gravada. Turra temia que Vieira não reiterasse as denúncias depois de a matéria ser publicada.
Com a reportagem pronta, liguei novamente para Vieira e fui até a sede da Folha de Londrina, jornal que ele dirigia. Não só me atendeu como acrescentou novas informações e aceitou gravar novamente a entrevista feita antes por telefone. No outro dia, a manchete da Folha era o Caixa 2 do tucano.
Essa historinha mostra um pouco da personalidade do Zé do Chapéu, que morreu ontem aos 76 anos. Amado por uns, odiado por outros, arrogante, e às vezes suave, Vieira era um retrato da nossa classe dominante. Em julho de 2012, fiz minha última entrevista com Vieira, para o boletim da Faep, sobre os 20 anos do Senar.
Debilitado, não era nem sombra do Zé do Chapéu político. E, ao final da entrevista, fomos conhecer o seu orgulho na fazenda em Joaquim Távora (PR), a criação de bovinos de leite. Vieira aproveitou que Milton Dória (o Miltinho) estava a fotografar distante de nós, para perguntar. Eu conheço esse rapaz, quem é ele? Milton Dória havia sido, por anos, seu editor de fotografia na Folha de Londrina. Aliás, havia sido demitido pelo próprio Vieira, que achava um absurdo jornalista ganhar mais que bancário.
(No Tijolaço)
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O jornalista Palmério Dória, no best-seller “O Príncipe da Privataria” relata no capítulo 8, “Sobra de campanha: 130 milhões de reais”, descreve como Serjão, o Sergio Motta, tucano, líder da campanha de Fernando Henrique, tomou dinheiro de José Eduardo:
“A gente tem despesas. Temos um grupo político”.
“Tá bom Serjão”, concorda José Eduardo enfim. “De quanto vocês precisam?”
“Uns 100 milhões pra começar”.
“Serjão, sabe quanto é que essa campanha vai custar? Todinha?… No máximo 40 milhões. Se você repete essa história para alguém vai ficar mal pra você.”
Depois, numa entrevista, Andrade Vieira confirmou:
“Foram 30 milhões de caixa oficial e cerca de 100 milhões de reais de contribuições extra-oficiais, ou seja, sem recibo.”
Onde foi parar o dinheiro?
“Provavelmente no exterior. Debaixo do colchão é que não está,” disse Andrade Vieira.
Vieira disse ainda que Sergio Motta cuidava das “compras e pagamentos do presidente”.
Os tucanos jamais processaram Andrade Vieira.
Cujo banco, o Bamerindus, foi trucidado pelo Presidente Fernando Henrique, provavelmente em retribuição.
Portanto, os necrológios do PIG sobre Andrade Vieira incorreram nessa irrelevante lacuna: como ele contribuiu com o Caixa Dois dos imaculados tucanos.
Não fosse o PiG, eles, os tucanos, não passavam de Resende…
Mudando de assunto, completamente: de que vive o Cerra?
(Conversa Afiada)

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Meu manifesto pela igualdade: sobre ser travesti e ter sido aprovada em uma universidade federal


Hoje, eu tive minha sobrancelha raspada por minha mãe, emocionada por eu ter sido a primeira pessoa de minha família a ser aprovada na Universidade Federal de Pernambuco. O que pra ela é uma realização pessoal de mãe que, diga-se de passagem, sempre me incentivou a estudar, para mim, uma travesti negra, é uma conquista com imenso valor simbólico.
Desde muito cedo, o âmbito educacional deixou o mais explicito possível suas dificuldades em compreender as particularidades de minha vida: aos 6 anos, desejando ser a Power Range Rosa, aos 13 usando lenços na cabeça, aos 18 implorando pelo meu nome social e, logo, o reconhecimento de minha identidade de gênero. Nenhuma foi atendida. Nenhuma foi levado a sério como algo que eu, enquanto um ser humano, preciso daquilo para me construir e ter minha subjetividade.
Se ontem a professora tirou a boneca de minha mão, hoje o Reitor diz não ter demanda para meu nome social.
Eu existo! Nós existimos!
As violências por conta de minha identidade sempre trouxeram retaliações em salas, corredores e banheiros durante toda minha permanência na escola. Lembro-me de, inúmeras vezes, minhas amigas entrando em rodas feitas por rapazes para me bater e tentarem me salvar. "Para com isso! Deixa ela!"
Não era só comigo, mas fui a única que aguentei. Vi, de pouco em pouco, outras possíveis travestis e transexuais desaparecendo daquele ambiente, porque ele nunca simbolizou um espaço de acolhimento, educação e aprendizagem. Mas sim de opressão, dor e rejeição.
Uma vez encontrei na rua com uma das que estudou comigo. Eu voltava do curso, ela ia se prostituir. "Mulher, o que tu ainda faz em lugares desse?", ela me perguntou. Indignada, aliás. Ela me questionava com a testa franzida porque eu insistia em permanecer em um lugar que, cada vez mais, desmarcava que eu não era bem-vinda. Quando fui?
Os banheiros femininos estão com as portas fechadas, o nome nas cadernetas não pode ser alterado e os olhares de escárnio estão por todas as partes. De corredor à sala, de banheiro à secretaria.
"O que ela faz aqui?", se perguntam diariamente ao me ver andando na luz do dia. Afinal, eu, enquanto travesti, devo ser uma figura noturna. Assim, sedimentando a posição que a sociedade me atribuiu: de sub-humana. E quando falo isso, meus queridos, estou sendo o mais honesta que posso.
Olhe ao seu redor! Quantas travestis e mulheres trans você se depara no seu dia a dia? Quantas estão na sua sala de aula? Quantas te atendem no supermercado? Quantas são suas médicas?
Espere até as 23hrs. Procure a avenida mais próxima. As encontrará. Porque lá, embaixo do poste clareando a rua escura, é onde nós fomos condicionadas a estar por uma sociedade internalizadamente transfóbica.
Quando vi minha aprovação, foi uma alegria por eu ter tido uma conquista, mas para além disso, eu tive a consciência de forma imediata, que dentro de minhas perspectivas de vida, ver uma pessoa como eu em um espaço acadêmico é algo utópico. Até quando será? Até quando minhas irmãs irão ter que ser submetidas a essas condições de vida?
Sem moradia, sem estudo, sem trabalho. Se prostituindo por 20 reais.
Onde está a dignidade?
Não somos iguais. Eu, travesti, não sou igual a você. Eu, travesti, além de ter batalhado por minha entrada, a partir de agora irei batalhar por minha permanência.
Optei por Pedagogia com a esperança de poder ser um diferencial. De finalmente pautar a busca por uma educação que nos liberta e não mais nos acorrente.
A escolha é apenas uma: lutar ou lutar. E eu, Maria Clara Araújo, escolhi ser um símbolo de força.
A revolução será travesti!