Setores da "esquerda"
brasileira comemoram a conquista de Trípoli por parte dos "rebeldes"
apoiados pelo imperialismo, saudando uma pretensa vitória popular contra uma
"ditadura sanguinária" conduzida por Kadafi há 42 anos.
Por Humberto Alencar
Auxiliados pelos ataques aéreos contra diversos alvos civis e militares na
Líbia, os contrarrevolucionários conquistaram importantes posições na capital
do país nos últimos dias, desalojando o exército líbio e forçando o governo do
país a desaparecer, se não de momento, para sempre de cena.
Os "argumentos" para comemorar a aparente vitória do imperialismo são
os mesmos usados para condenar governos soberanos e anti-imperialistas que
existem no Oriente Médio: A brutalidade da ditadura, a repressão aos movimentos
sociais, aos trabalhadores, às mulheres, os "crimes" contra os
direitos humanos.
Na maioria das vezes esses "argumentos" são dados pela mídia
ocidental, controlada pelo imperialismo e que está a serviço da burguesia. A
extrema-esquerda acredita que uma intervenção estrangeira abriria caminho para
uma revolução, para a libertação desses povos. Mas os fatos desmentem essa
crença.
A Líbia, sob governo de Kadafi, fez alianças econômicas e políticas com vários
governos imperialistas europeus, nomeadamente França e Itália. Algo que é usado
pela extrema-esquerda como prova de que o governo líbio estava intimamente
ligado ao imperialismo.
Ao mesmo tempo das rebeliões na Tunísia e no Egito – quando os ditadores foram
substituídos por "gestores de crise", abafando o processo
revolucionário – a mídia começou a apresentar indícios de revolta na Líbia.
O país do norte da África encontra-se entre Tunísia e Egito. As condições
econômicas da maioria da população líbia, de suas camadas médias, eram melhores
que as de seus vizinhos orientais e ocidentais, isso no entanto não serviria
para evitar uma revolta contra o poder vigente.
Setores descontentes da sociedade viram naquele momento uma oportunidade para
tentar desencadear um processo revolucionário. Esses setores têm fortes
contradições entre si. Estão ligados à antiga monarquia do rei Idris, à
burguesia alijada do usufruto das riquezas nacionais, aos religiosos e aos
inimigos dos clãs no poder.
Em fevereiro, a mídia apresentou os tais indícios de revolta. Ao mesmo tempo,
mostrou cenas de repressão aos revoltosos. Dias depois, a mídia foi invadida
por relatos de massacres provocados por "forças leais a Kadafi" –
como se não houvesse um exército regular líbio de defesa – contra civis
indefesos. Em contraste, vários jornalistas independentes negaram essas
notícias.
A Líbia é um país de 6,5 milhões de habitantes que se dividem em centenas de
tribos, ao longo da costa do Mediterrâneo, já que o centro e o sul do país não têm
nada mais que um grande deserto.
O imperialismo, diante da ameaça das revoluções em seus aliados do norte da
África, não tomou qualquer atitude para evitar crimes contra os manifestantes.
Não houve reação à repressão na Tunísia ou no Egito. Ao perceber que a situação
caminhava para a perda do controle, o imperialismo preferiu substituir seus
fantoches, como ocorreu nos países citados.
No Oriente Médio a situação também se degradou. As ditaduras do Iêmen e do
Barein provocam um grande derramamento de sangue para conservar seu poder,
obtendo auxílio do imperialismo e de países como Catar, Emirados Árabes Unidos
e Arábia Saudita. No entanto, nenhuma ação concreta é tomada pelo imperialismo
contra seus amigos.
Em editorial publicado na semana passada, o Portal Vermelho situa o momento
histórico naquela região, mostra o caráter do governo Kadafi e de sua superação
histórica, mas argumenta contra a intervenção imperialista porque ela se
destina a aniquilar a defesa dos interesses dos povos, de seus direitos e da
soberania nacional.
"Muamar Kadafi foi a seu tempo um líder nacionalista e anti-imperialista
e, nas condições de profundo atraso econômico-social herdadas do colonialismo,
fez louváveis esforços para construir uma nação soberana e dar proteção social
a seu povo. Em circunstâncias históricas adversas, a liderança de Kadafi
tornou-se caricata, ele próprio fez alianças com o inimigo e seu governo já não
reunia condições de defender a independência do país e promover o progresso
social", diz o editorial.
O petróleo, do qual a Líbia tem 3% das reservas mundiais, é o motivo direto da
intervenção. Não faz sentido o imperialismo agredir um aliado, como
pretensamente dizem os trotsquistas do PSTU em relação a Kadafi, ao mesmo tempo
que lambem as feridas de outro aliado, o ditador iemenita Ali Abdulá Salé, para
conter a rebelião no mundo árabe.
Não faz sentido que "amigos" de Kadafi, como Berlusconi e Sarkozy,
dêem o pontapé inicial na agressão. Fossem assim, "amigos do líder líbio,
teriam agido exatamente como agiram com Salé. Fossem "amigos de Kadafi,
teriam deixado o líder líbio tomar conta dos contrarrevolucionários, já que
estes estavam praticamente encurralados em Bengazi, prestes a cair, quando a
agressão da Otan teve início.
Diante de uma crise econômica catastrófica, haveria maneira melhor e mais
barata de evitar uma nova rebelião, em território de um país que essa esquerda
crê ser submisso aos interesses dos agressores?
De que gente é feita a tal "insurreição popular" de que fala o PSTU,
sobre os contrarrevolucionários do CNT? O jornalista brasileiro Pepe Escobar –
não comunista – descreve com grande propriedade os grupos que compõem os tais
"rebeldes" que realizaram a "insurreição popular", em um
artigo publicado na revista Asia Times e reproduzido no Vermelho:
"Conflitos étnicos e tribais estão a ponto de explodir. Muitos dos
berberes das montanhas do oeste, que entraram em Trípoli vindos do sul no fim
de semana, são salafitas linha (muito) dura. O mesmo se deve dizer da 'nuvem'
salafitas/Irmandade Muçulmana da Cirenaica – que recebeu instrução diretamente
de agentes da CIA-EUA que estão na região. Dado que esses fundamentalistas
'usaram' os europeus e norte-americanos para aproximar-se do poder, ninguém
duvide que se organizarão rapidamente como furioso grupo guerrilheiro, caso
sintam-se marginalizados pelos chefões da Otan.
A tal grande 'revolução' com base em Bengazi, que foi vendida ao Ocidente como
movimento popular, sempre foi mito. Há apenas dois meses, os 'revolucionários'
armados mal chegavam a mil. A Otan então decidiu construir ela mesma um
exército mercenário – que reuniu os tipos mais assustadores, de ex-membros de
um esquadrão da morte colombiano a pessoal recrutado no Catar e nos Emirados
Árabes Unidos, associados a tunisianos desempregados e membros das tribos
inimigas da tribo de Kadafi.
O pessoal é esse, acrescido de esquadrões de mercenários alugados pela CIA –
salafitas em Bengazi e Derna – e a gangue da Irmandade Muçulmana, gente da
equipe da Casa de Saud.
O chefe, Mustafa Abdel-Jalil, foi ministro da Justiça de Kadafi de 2007 até
desertar, dia 26 de fevereiro de 2011, estudou direito civil e sharia na
Universidade da Líbia. Talvez esteja habilitado a cruzar lanças retóricas com
os fundamentalistas islâmicos em Benghazi, al-Baida e Delna, mas pode usar seus
conhecimentos para fazer avançar seus interesses em algum novo arranjo do
poder.
Mahmoud Jibril, presidente do conselho executivo do TNC, estudou na
Universidade do Cairo e, depois, na University of Pittsburgh. É a principal
conexão com o Catar: trabalhou na gestão do patrimônio de Sheikha Mozah, esposa
superpoderosa do emir do Catar.
Há também o filho do último rei da Líbia, rei Idris, que Kadafi derrubou há 42
anos (em golpe sem derramamento de sangue). A Casa de Saud adoraria ver nascer
uma nova monarquia no norte da África. E o filho de Omar Mukhtar, herói da
resistência contra o colonialismo italiano – figura mais secular".
Historicamente, os contrarrevolucionários trotsquistas sempre trataram como
verdadeiras as informações plantadas e disseminadas pela CIA. Foi sob esse
prisma que analisaram o revisionismo que grassou nos Partidos Comunistas no
poder na Europa Oriental.
Foi sob esse prisma que defenderam as contrarrevoluções na Hungria e na
Tchecoslováquia e que analisaram o movimento liquidacionista social-democrata
polonês Solidarnosc, de Lech Walesa, ícone dos trotsquistas brasileiros na
década de 1980.
Enquanto Gorbatchov desmontava o que restara do socialismo na União Soviética –
e o próprio país –, afirmavam que ali havia uma revolução socialista em curso.
Hoje fazem loas aos "rebeldes" líbios e, indiretamente, às forças de
agressão do Pacto Militar do Atlântico Norte.
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O Ornitorrinco,
The Fake Stalinist, pede a palavra para dizer que não tem mais paciência com o
onanismo descontrolado dos meninos do PSTU.
Tem uns, os
posadistas, que até acreditavam que OVNI’s trariam forças revolucionárias, ou
coisa assim, e parecem, todos, integrantes de seitas messiânicas empenhadas em
purificar o mundo com as labaredas do fogaréu revolucionário.
Para esses
alucinados, se a realidade não se enquadra nos seus manuais delirantes e nas
suas consignas juvenis, bem, o problema é a realidade.
Titio Stalin
fez-lhes um favor inestimável: transformou Trotski em mártir e a picareta de
gelo em símbolo místico-religioso. Haja saco.