SOBRE O BLOGUEIRO

Minha foto
Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.
Mostrando postagens com marcador dos meus poemas inúteis. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador dos meus poemas inúteis. Mostrar todas as postagens

sábado, 17 de junho de 2023

Traficante

Levo palavras nos bolsos
Umas letras na carteira
Trafico algumas ideias
Essas coisas que faço
Podem ser perigosas
A meganha costuma odiar
E eles não cometem excessos
Ao contrário
São treinados para matar

Não moro em perifas precárias
Estou um pouco mais longe
E posso fazer minhas traficâncias de ideias
Aqui nos espaços virtuais
Grande merda, cequinel

terça-feira, 30 de maio de 2023

Poema para as prisões sinistras

a constituição precisa alumiar
as celas sinistras do sistema prisional
juízes, juízas, 
promotores e promotoras 
precisam abandonar apostilas 
resumos e macetes de cursinhos de merda
e meter os sapatenis e os saltos agulha 
nos esgotos a céu aberto das periferias
nas celas há seres humanos imperfeitos
como aliás somos os que estamos aqui livres
ou supostamente livres
observem e não esqueçam dos presos e presas
algo como 70% são negros e negras
mas há magistrados e promotores
que consideram os canalhas 
deltan dallagnol e sergio moro como heróis

quinta-feira, 11 de maio de 2023

Poemor

uso poemas

de menos letra

minos o lotre

munos lavra

uso poemos

de mais o sal

menos lua

uso poemes

que não sei 

se poemos

terça-feira, 27 de setembro de 2022

Pequena e dispensável proclamação de um velhote cheio de filhos, filhas, netos e netas

Em tempos tão assustadores

Deixo de lado a razão e gosto 

E quero ser tocado direto no coração

Para emocionar-me sem limites

Chorar em face de um discurso do 

Casagrande que vi hoje

Ou para ouvir de novo a canção Lula-lá

Penso nos filhos, os seis, 

Nos netos, os oito, e nos dois que estão vindo

E me penduro na mais derramada esperança

Menos por mim que já estou indo

E mais pelos filhos, os seis

Paulo, Jean, Soraya, Nayre, Luciano, Eivor

E pelos netos, os oito,

Hiago, Luna, German, João, 

Catarina, Mariana, Francisco e Miguel

E Joaquim e Tereza

Que logo chegarão 

segunda-feira, 26 de setembro de 2022

Inspirou-me, creio, o clássico Clube da Esquina

Da noite escura de muito susto
Haverá de amanhecer, eu sei
Da noite escura do ódio
Sei que amanhecerá nosso abraço
Da noite escura de muitas armas 
Amanhecerão meus netos invencíveis
Da noite escura dos assaltos 
Amanheceremos inteiros 
Da noite escura de gritos 
Amanheceremos sussurros
Da noite escura de ameaças
Amanheceremos serenos
Da noite escura de bolsonaros
Amanheceremos plenos de LULA

sexta-feira, 29 de julho de 2022

Anotações sobre bom senso, equilíbrio e ação política

Eu não tenho equilíbrio. 

Nunca tive bom senso. 

Não quero ter equilíbrio.

Não faço política me equilibrando.

Nunca fiz.

Não gosto de consensos.

Consensos, no mais das vezes, 

Servem para manter as coisas como estão.

Sou um desiquilibrado nato.

Sou um caso perdido.

Caio e quebro a cara, 

todos os dias.

Não faz mal.

Saio com a cara solenemente quebrada.

Mas com a cabeça erguida, sempre.

Sempre.

Para Paulo Jr, Luciano e Jean, filhos.

Para Hiago, Luna, German, João, Catarina, Mariana, 

Francisco e Miguel, netos e netas.

domingo, 24 de julho de 2022

Garagem classe média

Não sei se pode ter poesia
Ou algum verso inútil
Aqui na garagem do meu prédio
Há um amontoado de carros
Dessa classe média
Meio muito estúpida
Eu mesmo parte disso
Não sei o que faço
Nem o que devo dizer
Sobre esta gente incapaz
Que só faz sair pela manhã
Para voltar para a garagem
No fim do dia
Para pagar as contas todas
E morrer de medo todos os dias
Exatamente como eu

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

Poema para quem matamos todos os dias

Era só um morador de rua
Era um gay qualquer ou nenhum
Um índio inútil
Um sem terra invasor
Uma mulher qualquer e nenhuma 
Que precisava saber-se submissa
Era um preto suspeito
Uma preta de cabelo ruim
Era algum que eu não via
Era um preso decapitado
Não era meu vizinho de condomínio
Não era aquele branquelo racista
Não era para que eu me preocupasse
E nós os matamos todos os dias

domingo, 16 de maio de 2021

Uns poema pra explicar

tem umas ocasião de tristeza
e de tanto sofrimento
que penso nuns poema pra explicar
mas os verso tudo coitado
não dão conta das dor
e o poema incapaz
dá uma volta no céu
e estatela no chão
os poema avoam um pouco
eu permito e deixo que suba
mas trato de faze eles
pousar na vida de novo