Umas letras na carteira
Trafico algumas ideias
Essas coisas que faço
Podem ser perigosas
A meganha costuma odiar
uso poemas
de menos letra
minos o lotre
munos lavra
uso poemos
de mais o sal
menos lua
uso poemes
que não sei
se poemos
Em tempos tão assustadores
Deixo de lado a razão e gosto
E quero ser tocado direto no coração
Para emocionar-me sem limites
Chorar em face de um discurso do
Casagrande que vi hoje
Ou para ouvir de novo a canção Lula-lá
Penso nos filhos, os seis,
Nos netos, os oito, e nos dois que estão vindo
E me penduro na mais derramada esperança
Menos por mim que já estou indo
E mais pelos filhos, os seis
Paulo, Jean, Soraya, Nayre, Luciano, Eivor
E pelos netos, os oito,
Hiago, Luna, German, João,
Catarina, Mariana, Francisco e Miguel
E Joaquim e Tereza
Que logo chegarão
Eu não tenho equilíbrio.
Nunca tive bom senso.
Não quero ter equilíbrio.
Não faço política me equilibrando.
Nunca fiz.
Não gosto de consensos.
Consensos, no mais das vezes,
Servem para manter as coisas como estão.
Sou um desiquilibrado nato.
Sou um caso perdido.
Caio e quebro a cara,
todos os dias.
Não faz mal.
Saio com a cara solenemente quebrada.
Mas com a cabeça erguida, sempre.
Sempre.
Para Paulo Jr, Luciano e Jean, filhos.
Para Hiago, Luna, German, João, Catarina, Mariana,
Francisco e Miguel, netos e netas.