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Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.
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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

O que a Dilma fez em 2011. E ninguém soube

 O Ornitorrinco Exilado, tomado pelo mais genuíno espírito cristão, dedica esta postagem às nossas queridas viuvinhas sem-porvir que choram desvairadas por são josé serra atingido, por santa marina esverdeada e por santa heloísa helena do trotsquismo-udenista, e que deveriam, pelo menos, depilar suas horrorosas perninhas peludas. Por oportuno, apresentamos nossos preços promocionais para este inconstante verão: 
 SALÃO DE BELEZA ORNITORRINCO
Chapinha do Moralismo: R$ 49,99
Escova da Indignação: R$ 44,99
Depilação Virilha: R$ 149,99
Depilação do Sovaco Partidário: R$ 14,99
Depilação Ética: R$ 56,78
Mechas de Oportunismo: R$ 67,99
Deplumagem Tucana: R$ 343,99
Sombras da Privataria: a combinar
Luzes da Privataria: a combinar
Penteado para CPI: R$ 123,99
Maquiagem para CPI: R$ 56,99 
Descoloração Ideológica: R$ 1.599,99
Peeling da Corrupção: R$ 456,99
Escova Tucana: R$ 67,99

Copiei do indispensável Conversa Afiada

Sem a BBC, o Churchill perdia a Guerra

Através do Tijolaço, o ansioso blogueiro assistiu à excelente exposição de fim de ano da Presidenta Dilma Rousseff, que também pode ser vista no Blog do Planalto.

Apesar dos pesares, e da crise que a Globo dissemina 24h por dia, foi um ano brilhante.

Que calou a boca da Oposição.

Porém, através do PiG (*), a Oposição conseguiu engessar a agenda política do pais.

No país onde se realizou a maior roubalheira numa privatização latino americana – agora revelada, em parte, pelo “Privataria Tucana”-, o PiG estabeleceu que a questão é a corrupção, o “malfeito”.

(A outra parte será conhecida na CPI da Privataria.)

E o Álvaro Dias, o Farol de Alexandria e o Padim Pade Cerra empunham a bandeira da Moral e da Ética.

Como diz o motorista de taxi, “esse país não tem jeito”…

Como assim, “não tem jeito”?, pergunto.

A roubalheira, diz ele.

Quem rouba ?, pergunta o ansioso blogueiro, ao passar por uma rua arborizada da Cidade de São Paulo, no bairro de Higienópolis.

Os políticos, diz ele.

Os políticos, indistintamente.

Ou seja, o Ali Kamel ganhou.

Conseguiu equiparar o Lupi ao Ricardo Sergio de Oliveira, ao Preciado, ao Rioli.

Acompanhe, agora, amigo navegante, o que a Presidenta mostrou no pronunciamento de fim de ano.

E ninguém soube.

Começa que ela usou a palavra “emprego” sete vezes, em dez minutos.

Como se sabe, os oito anos de Governol Cerra/Fernando Henrique se notabilizaram pelo desemprego.

Quem tinha emprego garantido eram banqueiros de investimento, “brilhantes“ gestores de fundos na Privataria.

Dilma preside o “pleno emprego”, apesar da crise Global da Urubologa.

Lembrou ela, o Brasil criou em 2011 a bagatela de 2,3 milhões de empregos.

Num único ano.

Voce viu isso nos jornais do Ali Kamel, amigo navegante ?

Uma comparação entre o desemprego no mundo e o “pleno emprego”no Brasil ?

Qual o destaque que os jornais do Ali Kamel deram ao salario minimo que vai abrir 2012 ?

E sobre a redução de impostos ?

O PiG (*) e seus colonistas (**) só falam de “carga tributária”, a mais alta do mundo (no Farol era maior …).

A Dilma reduziu os impostos de 5 milhões de pequenas empresas e empreendedores individuais.

Reduziu os impostos sobre geladeiras, fogões e maquinas de lavar.

Levou para zero impostos que incidem sobre massa, farinha e pão.

O Ali Kamel mostrou isso, amigo navegante ?

Não, o Ali Kamel gosta é do “malfeito”.

Até 2014, contou a Presidenta, a Caixa e o Banco do Brasil, que anunciam no jornal nacional – e no Conversa Afiada – vão aplicar R$ 125 bilhões no Minha Casa Minha Vida.

Em 2011 a Dilma entregou 341 mil casas.

Vai entregar outras 400 mil.

E tem 500 mil em construção.

O Ali Kamel tratou disso ?, amigo navegante, logo ele, que, segundo o Florisbal, tem que dar mais atenção à Classe C.

Classe C.

Deve ser proibido falar disso no jornalismo da Globo, porque Classe C traz logo à cabeça o Nunca Dantes e a Presidenta.

E os da pobreza extrema ?

O programa Brasil sem Miséria – contou a Presidenta no Natal – localizou 407 mil famílias que não conseguiam, sequer, ser beneficiadas.

E já recebem, em boa parte, o Bolsa Familia, aquele programa que a grande estadista chilena Monica Cerra considera um incentivo à vagabundagem.

A Presidenta revelou que um milhão e 300 mil crianças e adolescentes foram incorporadas em 2011 ao Bolsa Famiia.

Ou seja, vão receber educação e assistência médica.

Que horror, amigo navegante !

Um milhão e trezentas mil crianças !

Por que o aviãozinho da Globo não acha uma criança dessas ?

Deve ser uma avaria no radar do Ali Kamel.

Diante da notável política tucana de São Paulo de combater o crack com a “Cracolândia”, a Presidenta teve que se esforçar muito para conceber um plano à altura da engenhosidade tucana de São Paulo.

Assim, criou o programa “É possível vencer”, com R$ 4 bilhões para curar e ressocializar os viciados em crack.

Nada será como a “Cracolândia”, uma politica que a Organização Mundial de Saúde vai disseminar mundo afora.

Mas, a Dilma tenta.

E o Pronatec ?, que até 2014 vai levar 8 milhões de jovens para o mundo do Emprego.

Outro dia, no Entrevista Record, este ansioso blogueiro entrevistou o Lincoln Silva, que saiu de uma cidadezinha no Sul da Bahia, fez o ProUni, entrou no Senac e foi um dos primeiros a se beneficiar do “Ciência sem Fronteiras”, do Mercadante: Lincoln vai estudar um ano com tudo pago, na Rochester University, no Norte do Estado de Nova York, uma das referencias mundiais em design gráfico.

Isso é uma ofensa à elite que o Ali Kamel representa !

Uma agressão ideológica !

Dar Educação e Emprego a um filho de costureira com ouriveres, como o Lincoln.

Dilma falou nove vezes em Emprego.

Você sabia disso, amigo navegante ?

Que a palavra “Emprego“ é uma marca do Governo Dilma ?

Pois é, amigo navegante, quem manda você e o Bernardo se curvarem ao PiG ?

A questão, amigo navegante, não é só a necessidade de o Governo prestar contas e a sociedade saber o que o Governo faz.

Por exemplo: a Presidenta vai passar o Réveillon numa base da Marinha na Bahia.

Onde passará o Cerra ?

A questão não é fazer “propaganda” dos feitos do Governo.

É a Democracia, Bernardo.

A Política é a linguagem da Democracia, diz o Ciro Gomes.

“Linguagem”, ou “Política” diz este ansioso blogueiro, quer dizer “Comunicação”, “Retórica” – Padre Vieira, Churcill, não é isso ?

Como diz o Comparato, “comunicação” é um Direito do Homem.

Segundo os Iluministas da Revolução Francesa, no século XVIII.

Já imaginou, amigo navegante, se o Churchill não tivesse a rádio (pública) da BBC ?

Perdia a Guerra, porque muitos ingleses (na elite e, portanto, na mídia) eram cripto-nazistas.

Bernardo, os amigos navegantes entendem que a Ministra da Casa Civil queira ser Governadora do Paraná.

Mas, Bernardo, tira o Franklin da gaveta !

Paulo Henrique Amorim

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(**) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG que combateram na milícia para derrubar o presidente Lula e, depois, a presidenta Dilma. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta  costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse  pessoal aí.


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Salão de Beleza Ornitorrinco
Tabela de Preços

Chapinha do Moralismo: R$ 49,99
Escova da Indignação: R$ 44,99
Depilação Virilha: R$ 149,99
Depilação Sovaco Partidário: R$ 14,99
Depilação Ética: R$ 56,78
Mechas de Oportunismo: R$ 67,99
Deplumagem Tucana: R$ 343,99
Sombras da Privataria: a combinar
Luzes da Privataria: a combinar
Penteado para CPI: R$ 123,99

sábado, 3 de dezembro de 2011

28 de setembro de 2010: Lucia Hippolito vota na Marina


O Ornitorrinco Orgânico Mas Perfeitamente Reciclável dedica este texto às viuvinhas sem-porvir de santa marina esverdeada e (agora) de santa heloísa helena grasnenta que, nos dias de hoje, ali na feiramar e na ponta da pita, debulham-se em copiosas lagrimas sob a luz do luar

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28 de setembro de 2010
Lucia Hippolito vota na Marina. Por que a Globo trocou de candidato
Kelly bag com havaiana verde: ideal para ir à Fundação Roberto Marinho
Amigo navegante sugere visitar o Blog da Lucia Hippolito.
Lá está:
A candidata do Blog é a Bláblárina Silva que, segundo a Hippolito, tem “a cara do Brasil” (esconjuro!).
Nada mais natural.
O PiG fora de São Paulo já sabe: o "jenio" tem essa propriedade: ele perde.
A Bláblárina é o “novo”.
O “chic”.
O “radical chic” do West Side.
O Natura: perfumado, mas nem tanto.
O radical que entra nas colunas sociais.
O radical que sabe onde fica Kyoto.
Que morde mas não aperta.
Que, se for preciso, pára de morder.
O radical que adora os filmes do Fernando Meirelles.
Come barra de cereal para não engordar.
Odeia bife de tira.
Cerveja, cachaça?
Não, vinho branco não muito gelado.
Que já foi de esquerda, de direita, mas agora viu a Luz.
O radical que trocou a “teoria da dependência” pelo Al Gore.
Usa Havaianas com Kelly bag.
Pobreza?
Aumento do salário mínimo?
Índice de Gini?
Nada disso: calota polar, CO2, gás estufa – isso é o que importa.
Distribuir renda?
O importante é distribuir oxigênio.
Precisamos garantir a sobrevivência da espécie (dos ricos).
Não mudar nada.
Se for para mudar alguma coisa, trocar a calça americana por calça de linho cáqui.
Perder com a Bláblárina é mais chic do que perder com o Serra – que, além de tudo, é muito feio.
E, na Globo, tudo isso tem uma vantagem: um dos filhos do Roberto Marinho – eles não têm nome próprio – é “verde”, um ecologista militante de coquetel.
A última vez em que esteve na Amazônia foi, provavelmente, numa escala do jatinho em Manaus, a caminho dos Hamptons.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Prestem atenção, histéricas viuvinhas sem-porvir: não apostem em santa heloísa grasnenta helena ou em santa marina esverdeada porque delas até o PIG já desistiu

Eu visito o Limpinho & Cheiroso todos os dias 
Cuspiram no prato que comeram e dançaram
Emir Sader, via Carta Maior

Heloísa Helena e Marina Silva, duas candidaturas que poderiam levar à construção de forças alternativas no campo da esquerda, fracassaram. Não pela votação que tiveram, mas justamente pela forma como as obtiveram, não puderam acumular forças para poder construir uma força própria. Erros similares levaram a desfechos semelhantes.

Se lançaram como se fossem representantes de projetos alternativos, diante do que caracterizavam como abandono desse caminho por parte do PT e do governo Lula ou, no caso, especificamente da Marina, de não contemplar as questões ecológicas. Ambas tiveram em comum, seja no primeiro turno, como no segundo, a definição de uma equidistância entre Lula e Alckmin, no caso de HH, entre Dilma e Serra, no caso da Marina.

Foi um elemento fundamental para que conquistassem as graças da direita – da velha mídia, em particular – e liquidassem qualquer possibilidade de construir uma alternativa no campo da esquerda. Era uma postura oportunista, no caso de HH, alegando que Lula era uma continuação direta de FHC; no caso da Marina, de que já não valeriam os termos de direita e esquerda.

O fracasso não esteve na votação – expressiva, nos dois casos –, mas na incapacidade de dar continuidade à campanha com construção de forças minimamente coerentes. Para isso, contribuiu o estilo individualista de ambas, mas o obstáculo político fundamental foi outro, embora os dois tenham vinculações entre si: foi o oportunismo de não distinguir a direita como inimigo fundamental.

Imaginem o erro que significou acreditar que Lula e Alckmin eram iguais? Que havia que votar em branco, nulo ou abster-se? Imaginem o Brasil, na crise de 2008, dirigido por Alckmin e seu neoliberalismo?

Imaginem o erro de acreditar que eram iguais Dilma e Serra? E, ao contrário de se diferenciar e denunciar Serra pelas posições obscurantistas sobre o aborto, ficar calada e ainda receber todo o caudal de votos advindos daí, que permitiu a Marina subir de 10 a 20 milhões de votos?

Não decifraram o enigma Lula e foram engolidas por ele. O sucesso efêmero das aparições privilegiadas na Globo as condenou a se inviabilizar como líderes de esquerda. Muito rapidamente desapareceram da mídia, conforme deixaram de ser funcionais para chegar ao segundo turno, juntando votos contra os candidatos do PT. E, pior, o caudal de votos que tinham arrecadado, em condições especiais, evaporou. Plínio de Arruda Sampaio, a melhor figura do PSOL, teve 1% de votos. Ninguém ousa imaginar que Marina hoje teria uma mínima fração dos votos que teve.

Ambas desapareceram do cenário político. Ambas brigaram com os partidos pelos quais tinham sido candidatas. Nenhuma delas se transformou em líder política nacional. Nenhuma força alternativa no campo da esquerda foi construída pelas suas candidaturas.

Haveria um campo na esquerda para uma força mais radical do que o PT, mas isso suporia definir-se como uma força no campo da esquerda, aliando-se com o governo quando ha coincidência de posições e criticando-o, quando ha divergências.

O projeto político do PSOL fracassou, assim como o projeto de construção de uma plataforma ecológica transversal – que nem no papel foi construída por Marina –, reduzindo-as a fenômenos eleitorais efêmeros. O campo político está constituído, é uma realidade incontornável, em que a direita e a esquerda ocupam seus eixos fundamentais. Quem quiser se intervir nele, tem de tomar esses elementos como constitutivos da luta política hoje.

Pode situar-se no campo da esquerda ou, se buscar subterfúgios, pode terminar somando-se ao campo da direita ou ficar reduzido à intranscendência.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Nojo sem fim: viuvinhas-sem porvir reunem-se para falar contra o MST, contra a Venezuela, contra as FARC e para dizer que a PM deveria ter sido mais rigorosa contra os estudantes na USP. Nojo sem fim, eu repito

Eu visito Maria da Penha Neles todos os dias
  
O botox, o peeling e o sorry periferia

Considero esse vídeo um primor do jornalismo brasileiro.
Foi lindo ver estampada em botox e peeling a ideologia das damas que marcharam com Deus pela liberdade na juventude e hoje, com outros modos - mas as mesmas intenções -, seguem coerentemente seu caminho em defesa da ditadura.
E o encerramento do vídeo, com a "não-elite" limpando o chão foi por demais eloquente! Uma edição digna de um Coppola!
Parecia a versão feminina da reunião de Corleone com Barzini, Tataglia, etc.



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O Ornitorrinco Enojado, antes de retirar-se para um canto qualquer para aquela vomitada inevitável declara, modéstia à parte, que é o criador das expressões "viuvinhas sem-porvir", "viuvinhas de são josè serra atingido" e "viuvinhas de santa marina esverdeada", e lembra que em várias postagens já havia falado dessa gente. O filmete permite que pela primeira vez, pelo menos neste blog imundo, imagens mostrem a cara esticada dessa gente hipócrita. Nojo, meus amigos, nojo definitivo e sem limites. Esse povo nojentamente e completamente filho-da-puta aposta no golpe. Como é adequado, quem registrou a reunião das madames esticadas, ensandecidas e golpístas foi a Folha de São Paulo. Os dentistas e médicos que insistem em nos oferecer, em suas salas de espera, a imundície da Veja estão a reclamar, e dizem, "assim não vale!".

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

A invisibilidade dos “indignados”

 


Os caras-pintadas de 20 de setembro de 2011 conheceram a invisibilidade do próprio fracasso. Foi patético, mas de um didatismo exemplar.

Por Gilson Caroni Filho (*)

O jogo é repleto de velhos subterfúgios. A grande imprensa, na tentativa de desconstruir o legado do governo Lula, organiza o movimento, mas não pode revelar o sujeito do enunciado. As últimas manifestações contra a corrupção, urdidas nas oficinas do Instituto Millenium, não evidenciam apenas o vazio de uma oposição sem projeto. Vão além. Seus verdadeiros objetivos são por demais ambiciosos para serem expostos à luz do dia. Na verdade, o que se tem em mente é o combate às políticas de redistribuição de renda e os diversos programas de inclusão social levados a cabo nos últimos nove anos de governo petista.
Para tanto, as redações interagem com os “indignados” das redes sociais, apresentados como protagonistas de uma nova esfera pública singular. Sem organicidade, enraizamento e ojeriza a qualquer coisa que remeta a práticas políticas transformadoras, os “movimentos espontâneos” são a imagem espelhada de tantos setores que endossam a verdadeira corrupção a ser combatida: aquela que promove a concentração de renda, de terras e a exclusão social, além de assegurar os privilégios das corporações midiáticas.
Mais uma vez, é preciso voltar no tempo para apreender a dinâmica do ocultamento das taxonomias, pressuposto básico para a eficácia do poder simbólico, da capacidade, cada vez mais limitada, de formatar antigas agendas.
Terça-feira, 20 de março de 2007. Mais uma vez, “empenhado” em repor a verdade factual de episódio recente da política brasileira, Ali Kamel, diretor-executivo de jornalismo da TV Globo, voltava à página de “Opinião” do jornal da família Marinho. Desta vez escreveu um artigo que tinha por título “Collor”. Como de hábito, uma redação formalmente correta, escorreita e elegante. Como sempre, uma petição de meias verdades. Algo como um Legacy com problemas no mapa aeronáutico e no painel do tranponder. Se a história tomasse a forma de um Boeing, uma colisão inevitável teria que desaparecer do noticiário do Jornal Nacional.
Dizendo-se chocado com a “reação do Senado ao discurso de estréia de Fernando Collor” na quinta-feira (15/3), o jornalista abria o artigo manifestando indignação com a forma como o ex-presidente classificou seu impeachment: “Uma litania de abusos e preconceitos, uma sucessão de ultrajes e acúmulo de violações das mais comezinhas normas legais”.
Para Kamel, a passividade dos senadores deu margem a uma perigosa releitura da história. Segundo ele, o que Collor queria caracterizar como momento de arbítrio, foi, na verdade, “um exemplo pleno do funcionamento de nossa democracia”. Até aqui não havia o que objetar ao texto do segundo cargo de maior importância na hierarquia da Central Globo de Jornalismo. Os problemas começavam quando, após relato detalhado do funcionamento da CPI e do julgamento de Collor pelo STF, Kamel explicitava o que o levou a escrever o artigo: “A preocupação com os jovens, que não conhecem essa história”. Se a motivação fosse sincera, deveria, então, contar o processo histórico inteiro, não se atendo apenas a seus momentos finais.
Teria que recordar que o ex-presidente foi uma aposta de Roberto Marinho para dar início à desconstrução do Estado, conforme solicitava o receituário neoliberal. O criador do maior conglomerado de mídia e entretenimento do Brasil não hesitou em jogar sujo para assegurar a vitória do “caçador de marajás” em 1989.
A apresentação do debate de Fernando Collor e Luiz Inácio Lula da Silva, às vésperas do segundo turno da eleição presidencial de 1989, é um exemplo dos métodos empregados por Roberto Marinho quando resolvia intervir na política. Em matéria para o Estado de S.Paulo (8/8/2003), José Maria Mayrink revela que…
“…Roberto Marinho não gostou da edição que a Rede Globo fez no noticiário da tarde e determinou que o diretor de jornalismo, Alberico Souza Cruz, reeditasse o material. Seu argumento era que estava parecendo que Lula ganhara o debate quando, de fato, o vencedor havia sido Collor. O episódio provocou uma crise interna na emissora e levou o candidato do PT a dizer que perdeu a eleição por causa da TV Globo”.
Em sua dissertação de mestrado, “Marajás e Caras-Pintadas: a memória do governo Collor nas páginas de O Globo”, o professor e jornalista Luis Felipe Oliveira mostra como a mídia construiu representações identitárias que marcaram o período Collor, da ascensão ao impeachment. Da necessidade de apresentar, acatando a agenda do neoliberalismo ascendente, o serviço público como algo oneroso, inoperante e injusto, nasceu a funcionalidade do “marajá”. Um construto tão eficaz quanto simplificador.
Para os fins deste artigo, é interessante reproduzir como a Globo afirma suas representações negando o princípio do contraditório. Segundo Luis Felipe…
“…no esforço de representar o marajá, foi preciso evitar que as pessoas identificadas como tal pudessem apresentar ao leitor a sua versão. Nas poucas oportunidades em que permitiu aos acusados o direito de se manifestar, O Globo selecionou e redigiu de tal forma as informações que elas acabavam por corroborar as denúncias das quais os servidores estariam se defendendo. Recursos como este não foram usados apenas com os supostos marajás. Os governadores que não aderiram à caça também eram apresentados nas matérias de O Globo de tal maneira que suas intervenções não faziam efeito”.
O protagonismo da Globo na consolidação da imagem de Collor junto à parcela expressiva do eleitorado foi inegável. Marinho nunca ocultou que escondeu suas cartas. Foi enfático quando declarou à imprensa que “até as acusações, o Collor era para mim motivo de orgulho” (Estado de S.Paulo, 12/9/1992).
Deixemos claro que entre a Globo e Collor não houve relação de causalidade. Um precisava do outro para atingir seus fins. Era um típico caso de afinidade eletiva, formatado do princípio ao fim.
Convém lembrar que as Organizações Globo só abriram espaços para as manifestações públicas quando a sustentabilidade de Collor se tornou inviável. Em momento algum houve inflexão ética. Imolaram um personagem para manter intacto o projeto. Na mobilização pelo impeachment, a conhecida antecipação histórica de Roberto Marinho se fez presente. Os caras-pintadas eram o retorno do movimento estudantil como farsa. A ação política teatralizada neutralizava qualquer possibilidade contra-hegemônica. O espetáculo sobrepujava as contradições históricas. A TV Globo aparecia como vanguarda de um processo que, inicialmente, buscou esvaziar.
Já era possível antever, em meados de 1992, que o saldo final do movimento seria favorável às forças conservadoras. O clamor pela ética, quando acompanhado de vazio político, sempre produz um vaudeville burguês. A edição do Jornal Nacional de 2/10/1992, dia do impeachment, foi o modelo acabado da informação espetacularizada. Mostrou multidões concentradas em diversas capitais e terminou ao som de “Alegria, Alegria”, de Caetano Veloso.
Ainda que reposta parcialmente, a história da Globo e seu candidato talvez explique melhor porque, segundo Kamel, “este é um país em que o decoro pode ser quebrado sem infringir o Código Penal”. Sem meias verdades, encontraremos as digitais do império de Roberto Marinho no que há de mais indecoroso no Brasil. Quem sabe, até o próprio DNA do monopólio informativo.
E que nenhum leitor pense que, passados 18 anos, a Globo atualizou seus métodos. Continua fiel seguidora da velha sentença de Nélson Rodrigues: “Se as versões contrariam os fatos, pior para os fatos.” Nos critérios de noticiabilidade da emissora não há lugar para fiascos.
Pior para os gatos-pingados que, no vazio de suas palavras de ordem, perdidos no centro do Rio de Janeiro, ficaram no limbo das editorias que tanto apostaram no êxito das articulações. Os caras-pintadas de 20 de setembro de 2011 conheceram a invisibilidade do próprio fracasso. Foi patético, mas de um didatismo exemplar.
*Gilson Caroni Filho detém um “Traço de Mestre”.

terça-feira, 29 de março de 2011

Dilma e a mídia: não morder a isca

Eu leio Altamiro Borges todos os dias

Emiliano José*
Antes que fossem concluídos os 30 dias do governo Dilma, estabeleceu-se, em alguns órgãos da mídia hegemônica, um curioso debate em torno da personalidade da presidenta, descoberta agora como uma mulher decidida, capaz, com um estilo próprio, e simultaneamente, o discurso de que ela rompia com o estilo Lula, e que isso seria muito positivo. Deixava sempre trair o profundo preconceito contra Lula, pela comparação entre uma presidenta letrada (que cumprimenta em inglês a secretária Hillary Clinton…) e o outro, com seu português, essa língua desprezível. Não se sabe se seriam esquizofrenias da mídia hegemônica, ou táticas confluentes destinadas a diminuir o extraordinário legado do presidente-operário e a camuflar a continuidade de um mesmo projeto político.

Não custa tentar avaliar essa operação. Durante a campanha, a mídia seguiu a orientação de que Dilma era uma teleguiada, incapaz de pensar por conta própria. No governo, como era inexperiente, seria manipulada por Lula. Bem, ocorre que foi eleita. O que fazer diante da esfinge? Nos primeiros momentos, cobra que ela fale o tanto que Lula falava. Dilma, que tem estilo próprio, ao contrário do que a mídia dizia, seguia adiante, sem subordinar-se às cobranças. Toca o governo com toda firmeza, que é o que importa. Não se rende às expectativas midiáticas, sinal de uma personalidade forte, muito distante da figura de fácil manipulação que se tentou esculpir antes.

As coisas estão no mundo, minha nega, só é preciso entendê-las, é Paulinho da Viola. A mídia não raramente passa batida diante das coisas que estão no mundo. Ou tenta dar a interpretação que lhe interessa sobre a realidade já que de há muito se superou a idéia de um jornalismo objetivo e imparcial por parte de nossa mídia hegemônica. Todo o esforço para separar Lula e Dilma é inútil. Parece óbvio isso. Mas, não para a mídia. Ela prossegue em sua luta para isso. Lula e Dilma, e lá vamos nós com obviedades novamente, são diferentes. Personalidades diversas. E o estilo de um e de outro naturalmente não são os mesmos. O que não se pode ignorar é que Dilma dá continuidade ao projeto político transformador iniciado com a posse de Lula em 2003. Essa é a questão essencial.

Dilma seguirá com as políticas destinadas a superar a miséria no Brasil, tal e qual o fez Lula nos seus oito anos de mandato, coisa que até os adversários reconhecem, e o fazem porque as evidências são impressionantes. Mexeu-se para melhor na vida de mais de 60 milhões de pessoas, aquelas que saíram da miséria absoluta e as que ascenderam à classe média. Agora, a presidenta pretende aprofundar esse caminho, ao situar como principal objetivo de seu mandato combater a miséria absoluta que ainda afeta tantas pessoas no Brasil. Essa é a principal marca de esquerda desse projeto: perseguir a idéia de que é possível construir, pela ação do Estado, um país mais justo, que seja capaz de estabelecer patamares dignos de existência para a maioria da população. O desenvolvimento tem como centro a distribuição de renda, e o crescimento econômico deve estar a serviço disso. Aqui se encontram Dilma e Lula. O resto é procurar pêlo em ovo.

A terrorista cantada em prosa e verso pela mídia durante a campanha virou agora a heroína dos direitos humanos, e nós saudamos a chegada da mídia na defesa dos direitos humanos quando se trata de outros países. Que maravilha, do ponto de vista de pessoas que amargaram tortura e prisão no Brasil, ver a presidenta recebendo as Mães da Praça de Maio na Argentina e se emocionando com elas. E condenando qualquer tipo de violação dos direitos humanos no mundo.

No caso da mídia, seria muito positivo que ela também apoiasse a instalação da Comissão da Verdade para apurar a impressionante violação dos direitos humanos no Brasil durante a ditadura militar. Foi Lula que encaminhou o projeto da Comissão da Verdade, apoiando proposta do então ministro Paulo Vannuchi. As últimas eleições consagraram o projeto político desse novo Brasil que começou em 2003. Dilma está sabendo honrar a confiança que foi depositada nela, uma digna sucessora de Lula.

A mídia não descansará em seus objetivos. O de agora é o de tentar desconstruir Lula, tarefa que, cá pra nós, é pra lá de inútil pela força não apenas do carisma extraordinário do ex-presidente operário, mas pelo significado real das políticas que ele conseguiu levar a cabo, mudando o Brasil pra valer. Com esse objetivo, a desconstrução de Lula, elogia Dilma e destrata Lula. Este, naturalmente, não está nem aí. Sabe que a mídia hegemônica nunca gostou dele, nunca vai gostar. Ele é uma afronta às classes conservadoras, às quais a mídia hegemônica pertence. A existência dele como o mais extraordinário presidente de nossa história afronta a consciência conservadora. Ele seguirá seu caminho de militante político, cujos compromissos políticos sempre estiveram vinculados ao povo brasileiro, às classes trabalhadoras de modo especial, às multidões.

O segundo passo, mesmo que não consiga nada com o primeiro, que seria desconstruir Lula, será o de vir pra cima da presidenta, que ninguém se engane. Nós não temos o direito de nos iludir. As classes conservadoras mais retrógradas não podem aceitar um projeto como este que vem sendo levado a cabo desde 2003, quando Lula assumiu. A mídia hegemônica integra as classes conservadoras, é a intérprete mais fiel delas. Por isso, não cabe a ninguém morder essa isca. As diferenças de estilo entre Lula e Dilma são positivas. E é evidente que uma nova conjuntura, inclusive no plano mundial, reclama medidas diferentes, embora, como óbvio para quem quer enxergar as coisas, dentro de um mesmo projeto global de mudanças do País, sobretudo com a mesma idéia central de acabar com a miséria extrema em nossa terra. O povo brasileiro sabe o quanto recolheu de positivo do governo Lula. E tem consciência de que estamos no mesmo rumo sob a direção da presidenta Dilma. Viva Lula. Viva Dilma.

* Emiliano José é jornalista, escritor, deputado federal (PT/BA). Texto publicado no sítio de CartaCapital, que também merece sua visitação diária.

O Ornitorrinco pede a palavra para lembrar que não apenas a chamada mídia hegemônica, o glorioso PIG, apresentava Dilma como mera invenção do petismo búlgaro-abortivo, mulher manipulável e que, se eleita, seria controlada por Lula. Aqui mesmo em terras capelistas Reginaldo GouveaTutuca mais de uma vez teceram loas a tais porcarias.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Curso Básico de Maquiagem

Eu visito Reginaldo Gouvea todos os dias
(a direita não ficará sem resposta)

Reginaldo, o Gouvea, é uma das nossas mais fogosas viuvinhas sem-porvir, e das mais desnorteadas: queda por longos períodos em sua janela a suspirar de saudades e a clamar pela volta de santa marina esverdeada e de são josé serra atingido, e acaba de publicar postagem sobre a ida da nossa Presidenta Dilma ao programa da Ana Maria Braga, e comenta, ao final: “Tenho certeza que não iremos ficar sem resposta, olha a argumentação (COMO FICA A TAL SUPOSTA  PIG), resposta evasivas nem responda.
Aos poucos a maquiagem vai saindo...”

Tentaremos, RG, e faremos mesmo um esforço hercúleo para responder. Vamos lá, então?

1. O Governo Federal não faz coisa alguma sem consultar-me, como todos sabem nesta cidade, e cito exemplos. O Guido Mantega ligou-me para dizer que promoveria cortes orçamentários e eu, prontamente, respondi que era contra cortes orçamentários, cortes de cabelo, cortes cirúrgicos, cortes de tecido e que, além do mais, Reginaldo e Tutuca iriam me encher o saco; o Paulo Bernardo, por sua vez, queria minha opinião sobre o Programa Nacional de Banda Larga e eu, prontamente, respondi que era contra banda larga, banda estreita, banda de axé, banda gospel, banda heavy-metal, banda marcial e que, além do mais, Reginaldo e Tutuca iriam me encher o saco.

2. Infelizmente, entretanto, sobre Dilma ir a programas na TV não me consultaram (ou eu não estava em casa, ou o telefone estava ocupado), mas eu teria dito, como sempre faço, que sou contra esse negócio de ir a programas de auditório, programas de reabilitação, programas de limpeza de pele, programas de fidelidade ou de milhagem e que, além do mais, Reginaldo e Tutuca iriam me encher o saco.

3. Não tenho, prezada viuvinha ansiosa, muita experiência com maquiagem, mas lembro de passagem deliciosa em minha vida. No início de 1990, discutia-se a formação do ministério de Collor e um dos nomes era o do então senador e dono do Bamerindus, o Andrade Vieira, que poderia ocupar o Ministério do Trabalho. Pois bem, compareci a um programa de entrevistas na TV Iguaçu (eu era Secretário-Geral da CUT-PR) e me perguntaram sobre o que eu achava do homem vir a ser o Ministro do Trabalho. Como sempre faço, disse que era frontalmente contra, porque seria uma aberração ter como ministro do Trabalho o dono do banco que era o vice-campeão nacional de reclamações trabalhistas ajuizadas (só perdia para o Bradesco) e que, além do mais e premonitoriamente, Reginaldo e Tutuca iriam me encher o saco, etc. e tal e cousa e lousa.

4. Calma, RG, não se esqueça que você mesmo pediu argumentação robusta, lembra? Acontece que fui convencido a aplicar um pó-de-arroz ou coisa parecida porque isso evitaria que minha cara “brilhasse” demais por conta da iluminação do estúdio. Bem, aplicaram o pó, fizemos o programa (Jornal do Almoço, se não me engano), e fui embora sem remover a maquiagem, RG, pode isso? Só descobri porque fui até a Raridade Discos e o vendedor me olhou com a devida cara de espanto. Como você vê, prezado RG, não posso mesmo ajudá-lo com esse negócio de maquiagem.

5. Você afirma que a maquiagem, aos poucos, vai saindo. Como não entendo do assunto, devolvo-lhe a bola:
a) A maquiagem que está sumindo é a da Dilma, a do governo federal ou a do PT? Ou é a minha, aquela de 1990?
b) Quando uma maquiagem qualquer decide sair ela manda algum torpedo, deixa um bilhetinho na geladeira, utiliza um pombo correio para explicar as razões da sua decisão, ou simplesmente abre a porta e se manda?
c) Existe algum lugar para onde maquiagens sumidas se escondem para não serem incomodadas? Há alguma estatística a respeito disso? Quantas maquiagens saem da cara das pessoas, por ano e por grupo de 100 mil habitantes? A tendência é de aumento ou de diminuição dos casos? Com qual idade, em média, maquiagens decidem sair, ainda na infância, ou na adolescência, ou já na terceira idade?
d) Existe algum software que recupere maquiagens sumidas?

 

6. Eu sei muito bem que você não acredita na existência do PIG, e tão convictamente que deve ter renovado sua assinatura da Veja, ganhando Caras de nhapa por dois anos. Sinto desapontá-lo, mas o PIG, Partido da Imprensa Golpista, tem até trilha sonora, viuvinha sem-porvir, e feita pelos Beatles, é mole? Eis a tradução, para facilitar.

 

6. Foi bom para você? Para mim foi, sei lá, UAU!

 

Porcos

(George Harrison)

Beatles, Álbum Branco


Você tem visto os porquinhos
Rastejando na lama?
E para todos os porquinhos
A vida está ficando pior
Sempre tendo sujeira para
brincarem

Você tem visto os grandes porquinhos
Em suas camisas brancas engomadas?
Você irá encontrar os grandes porquinhos
Remexendo a sujeira
Sempre com camisas limpas para
brincarem

Em sua pocilga com todos os seus fundos
Eles não se importam
com o que está rolando
Em seu olhos existe algo faltando
O que eles precisam é uma boa palmada

Em todo lugar há muitos porquinhos vivendo
A vida porca
Você pode vê-los jantando fora
Com suas esposas porquinhas
Agarrando garfos e facas para
comerem seu bacon


sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

A política de recuperação do salário-mínimo

Ornitorrinco pede a palavra para dizer que:
1. Eis a minha resposta para as viuvinhas do consórcio do atraso, de são josé serra atingido e de santa marina esverdeada, esclarecendo que essa tropa não está preocupada, realmente preocupada, com salários ou direitos de trabalhadores. Querem mesmo é manter sua faina permanente: bater raivosamente no governo Dilma.  
2. Reginaldo, o Gouvea, anda meio descompensado, o pobre, pois até expressões xulas deu para usar, coisa que só acontecia aqui neste meu blog insalubre, comprovando mesmo que estão, as viuvinhas, em desespero.
3. Para não especular sobre as razões pelas quais Vicentinho, como relator, apoiou a proposta de R$ 545,00, nada melhor que o próprio explicar-nos as coisas todas.
4. Tenho por este paraibano arretado respeito integral e definitivo, considerando-o um dos sindicalistas mais lúcidos com quem pude conviver, no final dos anos 80, quando fiz parte da direção Nacional da CUT, por ele presidida.
5. Pago o preço político por decisões que o governo Dilma está a pagar e, como á próprio, pagará até 2014. É da vida, e lembro às desconsoladas que, se o mundo dá voltas, a história, ó, segue adiante. Estrebuchem e joguem-se no chão, e depois tomem um banho frio.Costuma dar certo.

 
Vicente Paulo da Silva (Vicentinho, PT-SP)

A política de valorização do salário mínimo adotada pelo governo Lula, agora seguida pelo governo da presidente Dilma Rousseff, garantiu ganhos reais de 53% acima da inflação ao trabalhador dessa faixa de renda.Reajuste muito acima dos ganhos de todas as categorias.
A proposta em gestação pelo governo obedece ao acordo firmado por Lula com as centrais sindicais. É por isso que a presidenta da República se comprometeu a encaminhar ao Congresso Nacional proposta de política de longo prazo de reajuste do salário mínimo, conforme estabelece a Lei n° 12.255, de 15 de junho de 2010. Foi essa lei que fixou o salário mínimo em R$ 510 e determinou 31 de março de 2011 como data-limite para a fixação das regras de reajuste até 2023. Essa norma deve ficar no marco do acordo fechado com as centrais sindicais em 2010, em que a correção foi determinada pela soma do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos anteriores com a inflação do ano imediatamente anterior.
Minha posição é cumprir o acordo entre as centrais sindicais e o governo, de valorização permanente do salário mínimo com o valor de R$ 545 agora e com perspectiva de grande aumento para o ano que vem, com reajuste previsto de pelo menos 13%. Por que cumprir o acordo? É preciso manter a palavra entre as partes. Na minha experiência como sindicalista a vida inteira, briga é briga mas, quando se faz acordo, ele precisa ser cumprido. Será muito ruim para as centrais  sindicais, para os trabalhadores e para todos nós, sentarmos à mesa de negociação após ter descumprido o acordo anterior. Que credibilidade teremos quando não cumprimos a nossa parte?
Quem é assalariado sabe que, como disse Dilma, a manutenção de regras estáveis que permitam ao salário mínimo recuperar o seu poder de compra é pacto deste governo com os trabalhadores. Asseguradas as regras propostas, os salários dos trabalhadores terão ganhos reais sobre a inflação e serão compatíveis com a capacidade financeira do Estado brasileiro.
Eu compreendo e não concordo com a postura do PSDB e do DEM. Afinal, eles não fizeram acordo nem no período Lula, muito menos no do FHC. Período este de arrocho dos salários dos trabalhadores, incluindo a desvalorização do salário mínimo. Foi graças ao nosso governo que tivemos reajustes do mínimo acima da inflação e ganhos reais. Isso, sem dúvida, é muito mais importante.
Aos meus irmãos das centrais sindicais: eu compreendo e apóio a importância da luta pela antecipação do reajuste previsto para 2012. A luta é legítima. Entretanto, se nas negociações não for possível avançar, vamos garantir o acordo. Temos várias lutas a serem enfrentadas aqui na casa, pela jornada de  40 horas semanais sem redução de salário, pelo fim do fator previdenciário, pela regulamentação da terceirização para evitar a precarização do trabalho, pela PEC do trabalho escravo, pela defesa da convenção 158 da OIT e pela correção da tabela do imposto de renda, dentre outras. A luta continua.
Nós, do PT, apoiamos unanimemente a política de salário mínimo adotada pelo governo Lula e mantida pelo governo Dilma. Depois de séculos de exploração, nossa população mais humilde vê-se representada por um governo com uma sensibilidade social que desde 2003 levou o Brasil a um outro patamar no cenário das nações, com crescimento econômico, distribuição de renda e redução das desigualdades sociais.
Vamos ao debate!