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Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.
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quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Emiliano Cunha: O meu voto não é para mim. O meu voto é para o Outro.


Eu sou o negro/pardo/pobre tingindo de pluralidade as castas alvas classes do Ensino Superior.
Eu sou a assinatura na carteira de trabalho dos mais de 4 milhões de novos trabalhadores formais.
Eu sou a primeira conversa do primeiro contato do Invisível Social com um médico cubano/argelino/alemão/australiano/uruguaio/marciano.
Eu sou a comida na boca de um povo que, pela primeira vez na história, saiu da linha da fome, mas que não saiu nos jornais.
Eu sou a mãe que recebe auxílio para alimentar os filhos e garantir o mínimo de cidadania e humanidade.
Eu sou a inflação controlada e a economia firme durante um terremoto econômico mundial.
Eu sou a empregada doméstica com sua profissão regulamentada.
Eu sou a certeza da corrupção se tornar crime hediondo.
Eu sou a esperança clara da Reforma Política.
Eu sou a desigualdade atingindo os menores índices da história do Brasil.
Eu sou os cofres públicos revigorados depois de uma desenfreada e desastrosa abertura para o capital estrangeiro.
Eu sou o dólar em patamares mais realistas.
Eu sou a Classe C invadindo shoppings, comprando carros e exercendo, pela primeira vez, o poder da escolha.
Eu sou a criança dormindo em um quarto de verdade pela primeira vez, a família jantando em uma sala e depois assistindo à TV a cabo num canal qualquer.
Eu sou o churrasco de domingo com os vizinhos ao lado, que também têm sua casa agora.
Eu sou a viagem ao exterior do pesquisador sem fronteiras.
Eu sou o cinema e a arte brasileira recebendo importante e fundamental investimento em todos elos da cadeia produtiva.
Eu sou a arte também entendida como exercício da cidadania, da diversidade, como bem simbólico e não só material.
Eu sou o jovem que pode optar por uma ampla oferta de formação técnica.
Eu sou o Estado forte e presente.
Eu sou 13 por essas e muitas outras razões.
Eu sou o meu voto.
O meu voto não é para mim.
O meu voto é para o Outro.
Emiliano Cunha

sábado, 3 de dezembro de 2011

Quem são os dois milicos de merda, oficiais covardões que escondem o rosto diante desta mulher altiva?

Li, no indispensável Com Texto Livre, notícia sobre o lançamento do livro A vida quer coragem, do jornalista Ricardo Amaral, que relata a trajetória de Dilma Rousseff da luta armada ao Planalto. 

O que chamou minha atenção na foto, até agora inédita, que mostra Dilma, altiva e firme depois de 22 dias de tortura, em interrogatório na Auditoria Militar do Rio de Janeiro, foi os dois milicões de merda, oficiais completamente covardões, escondendo o rosto.

Seria muito esclarecedor que alguém descobrisse suas identidades, o que não deve ser lá muito difícil, para que o Brasil soubesse os nomes destes dois filhos-da-puta fardados.    

terça-feira, 29 de março de 2011

Dilma e a mídia: não morder a isca

Eu leio Altamiro Borges todos os dias

Emiliano José*
Antes que fossem concluídos os 30 dias do governo Dilma, estabeleceu-se, em alguns órgãos da mídia hegemônica, um curioso debate em torno da personalidade da presidenta, descoberta agora como uma mulher decidida, capaz, com um estilo próprio, e simultaneamente, o discurso de que ela rompia com o estilo Lula, e que isso seria muito positivo. Deixava sempre trair o profundo preconceito contra Lula, pela comparação entre uma presidenta letrada (que cumprimenta em inglês a secretária Hillary Clinton…) e o outro, com seu português, essa língua desprezível. Não se sabe se seriam esquizofrenias da mídia hegemônica, ou táticas confluentes destinadas a diminuir o extraordinário legado do presidente-operário e a camuflar a continuidade de um mesmo projeto político.

Não custa tentar avaliar essa operação. Durante a campanha, a mídia seguiu a orientação de que Dilma era uma teleguiada, incapaz de pensar por conta própria. No governo, como era inexperiente, seria manipulada por Lula. Bem, ocorre que foi eleita. O que fazer diante da esfinge? Nos primeiros momentos, cobra que ela fale o tanto que Lula falava. Dilma, que tem estilo próprio, ao contrário do que a mídia dizia, seguia adiante, sem subordinar-se às cobranças. Toca o governo com toda firmeza, que é o que importa. Não se rende às expectativas midiáticas, sinal de uma personalidade forte, muito distante da figura de fácil manipulação que se tentou esculpir antes.

As coisas estão no mundo, minha nega, só é preciso entendê-las, é Paulinho da Viola. A mídia não raramente passa batida diante das coisas que estão no mundo. Ou tenta dar a interpretação que lhe interessa sobre a realidade já que de há muito se superou a idéia de um jornalismo objetivo e imparcial por parte de nossa mídia hegemônica. Todo o esforço para separar Lula e Dilma é inútil. Parece óbvio isso. Mas, não para a mídia. Ela prossegue em sua luta para isso. Lula e Dilma, e lá vamos nós com obviedades novamente, são diferentes. Personalidades diversas. E o estilo de um e de outro naturalmente não são os mesmos. O que não se pode ignorar é que Dilma dá continuidade ao projeto político transformador iniciado com a posse de Lula em 2003. Essa é a questão essencial.

Dilma seguirá com as políticas destinadas a superar a miséria no Brasil, tal e qual o fez Lula nos seus oito anos de mandato, coisa que até os adversários reconhecem, e o fazem porque as evidências são impressionantes. Mexeu-se para melhor na vida de mais de 60 milhões de pessoas, aquelas que saíram da miséria absoluta e as que ascenderam à classe média. Agora, a presidenta pretende aprofundar esse caminho, ao situar como principal objetivo de seu mandato combater a miséria absoluta que ainda afeta tantas pessoas no Brasil. Essa é a principal marca de esquerda desse projeto: perseguir a idéia de que é possível construir, pela ação do Estado, um país mais justo, que seja capaz de estabelecer patamares dignos de existência para a maioria da população. O desenvolvimento tem como centro a distribuição de renda, e o crescimento econômico deve estar a serviço disso. Aqui se encontram Dilma e Lula. O resto é procurar pêlo em ovo.

A terrorista cantada em prosa e verso pela mídia durante a campanha virou agora a heroína dos direitos humanos, e nós saudamos a chegada da mídia na defesa dos direitos humanos quando se trata de outros países. Que maravilha, do ponto de vista de pessoas que amargaram tortura e prisão no Brasil, ver a presidenta recebendo as Mães da Praça de Maio na Argentina e se emocionando com elas. E condenando qualquer tipo de violação dos direitos humanos no mundo.

No caso da mídia, seria muito positivo que ela também apoiasse a instalação da Comissão da Verdade para apurar a impressionante violação dos direitos humanos no Brasil durante a ditadura militar. Foi Lula que encaminhou o projeto da Comissão da Verdade, apoiando proposta do então ministro Paulo Vannuchi. As últimas eleições consagraram o projeto político desse novo Brasil que começou em 2003. Dilma está sabendo honrar a confiança que foi depositada nela, uma digna sucessora de Lula.

A mídia não descansará em seus objetivos. O de agora é o de tentar desconstruir Lula, tarefa que, cá pra nós, é pra lá de inútil pela força não apenas do carisma extraordinário do ex-presidente operário, mas pelo significado real das políticas que ele conseguiu levar a cabo, mudando o Brasil pra valer. Com esse objetivo, a desconstrução de Lula, elogia Dilma e destrata Lula. Este, naturalmente, não está nem aí. Sabe que a mídia hegemônica nunca gostou dele, nunca vai gostar. Ele é uma afronta às classes conservadoras, às quais a mídia hegemônica pertence. A existência dele como o mais extraordinário presidente de nossa história afronta a consciência conservadora. Ele seguirá seu caminho de militante político, cujos compromissos políticos sempre estiveram vinculados ao povo brasileiro, às classes trabalhadoras de modo especial, às multidões.

O segundo passo, mesmo que não consiga nada com o primeiro, que seria desconstruir Lula, será o de vir pra cima da presidenta, que ninguém se engane. Nós não temos o direito de nos iludir. As classes conservadoras mais retrógradas não podem aceitar um projeto como este que vem sendo levado a cabo desde 2003, quando Lula assumiu. A mídia hegemônica integra as classes conservadoras, é a intérprete mais fiel delas. Por isso, não cabe a ninguém morder essa isca. As diferenças de estilo entre Lula e Dilma são positivas. E é evidente que uma nova conjuntura, inclusive no plano mundial, reclama medidas diferentes, embora, como óbvio para quem quer enxergar as coisas, dentro de um mesmo projeto global de mudanças do País, sobretudo com a mesma idéia central de acabar com a miséria extrema em nossa terra. O povo brasileiro sabe o quanto recolheu de positivo do governo Lula. E tem consciência de que estamos no mesmo rumo sob a direção da presidenta Dilma. Viva Lula. Viva Dilma.

* Emiliano José é jornalista, escritor, deputado federal (PT/BA). Texto publicado no sítio de CartaCapital, que também merece sua visitação diária.

O Ornitorrinco pede a palavra para lembrar que não apenas a chamada mídia hegemônica, o glorioso PIG, apresentava Dilma como mera invenção do petismo búlgaro-abortivo, mulher manipulável e que, se eleita, seria controlada por Lula. Aqui mesmo em terras capelistas Reginaldo GouveaTutuca mais de uma vez teceram loas a tais porcarias.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Curso Básico de Maquiagem

Eu visito Reginaldo Gouvea todos os dias
(a direita não ficará sem resposta)

Reginaldo, o Gouvea, é uma das nossas mais fogosas viuvinhas sem-porvir, e das mais desnorteadas: queda por longos períodos em sua janela a suspirar de saudades e a clamar pela volta de santa marina esverdeada e de são josé serra atingido, e acaba de publicar postagem sobre a ida da nossa Presidenta Dilma ao programa da Ana Maria Braga, e comenta, ao final: “Tenho certeza que não iremos ficar sem resposta, olha a argumentação (COMO FICA A TAL SUPOSTA  PIG), resposta evasivas nem responda.
Aos poucos a maquiagem vai saindo...”

Tentaremos, RG, e faremos mesmo um esforço hercúleo para responder. Vamos lá, então?

1. O Governo Federal não faz coisa alguma sem consultar-me, como todos sabem nesta cidade, e cito exemplos. O Guido Mantega ligou-me para dizer que promoveria cortes orçamentários e eu, prontamente, respondi que era contra cortes orçamentários, cortes de cabelo, cortes cirúrgicos, cortes de tecido e que, além do mais, Reginaldo e Tutuca iriam me encher o saco; o Paulo Bernardo, por sua vez, queria minha opinião sobre o Programa Nacional de Banda Larga e eu, prontamente, respondi que era contra banda larga, banda estreita, banda de axé, banda gospel, banda heavy-metal, banda marcial e que, além do mais, Reginaldo e Tutuca iriam me encher o saco.

2. Infelizmente, entretanto, sobre Dilma ir a programas na TV não me consultaram (ou eu não estava em casa, ou o telefone estava ocupado), mas eu teria dito, como sempre faço, que sou contra esse negócio de ir a programas de auditório, programas de reabilitação, programas de limpeza de pele, programas de fidelidade ou de milhagem e que, além do mais, Reginaldo e Tutuca iriam me encher o saco.

3. Não tenho, prezada viuvinha ansiosa, muita experiência com maquiagem, mas lembro de passagem deliciosa em minha vida. No início de 1990, discutia-se a formação do ministério de Collor e um dos nomes era o do então senador e dono do Bamerindus, o Andrade Vieira, que poderia ocupar o Ministério do Trabalho. Pois bem, compareci a um programa de entrevistas na TV Iguaçu (eu era Secretário-Geral da CUT-PR) e me perguntaram sobre o que eu achava do homem vir a ser o Ministro do Trabalho. Como sempre faço, disse que era frontalmente contra, porque seria uma aberração ter como ministro do Trabalho o dono do banco que era o vice-campeão nacional de reclamações trabalhistas ajuizadas (só perdia para o Bradesco) e que, além do mais e premonitoriamente, Reginaldo e Tutuca iriam me encher o saco, etc. e tal e cousa e lousa.

4. Calma, RG, não se esqueça que você mesmo pediu argumentação robusta, lembra? Acontece que fui convencido a aplicar um pó-de-arroz ou coisa parecida porque isso evitaria que minha cara “brilhasse” demais por conta da iluminação do estúdio. Bem, aplicaram o pó, fizemos o programa (Jornal do Almoço, se não me engano), e fui embora sem remover a maquiagem, RG, pode isso? Só descobri porque fui até a Raridade Discos e o vendedor me olhou com a devida cara de espanto. Como você vê, prezado RG, não posso mesmo ajudá-lo com esse negócio de maquiagem.

5. Você afirma que a maquiagem, aos poucos, vai saindo. Como não entendo do assunto, devolvo-lhe a bola:
a) A maquiagem que está sumindo é a da Dilma, a do governo federal ou a do PT? Ou é a minha, aquela de 1990?
b) Quando uma maquiagem qualquer decide sair ela manda algum torpedo, deixa um bilhetinho na geladeira, utiliza um pombo correio para explicar as razões da sua decisão, ou simplesmente abre a porta e se manda?
c) Existe algum lugar para onde maquiagens sumidas se escondem para não serem incomodadas? Há alguma estatística a respeito disso? Quantas maquiagens saem da cara das pessoas, por ano e por grupo de 100 mil habitantes? A tendência é de aumento ou de diminuição dos casos? Com qual idade, em média, maquiagens decidem sair, ainda na infância, ou na adolescência, ou já na terceira idade?
d) Existe algum software que recupere maquiagens sumidas?

 

6. Eu sei muito bem que você não acredita na existência do PIG, e tão convictamente que deve ter renovado sua assinatura da Veja, ganhando Caras de nhapa por dois anos. Sinto desapontá-lo, mas o PIG, Partido da Imprensa Golpista, tem até trilha sonora, viuvinha sem-porvir, e feita pelos Beatles, é mole? Eis a tradução, para facilitar.

 

6. Foi bom para você? Para mim foi, sei lá, UAU!

 

Porcos

(George Harrison)

Beatles, Álbum Branco


Você tem visto os porquinhos
Rastejando na lama?
E para todos os porquinhos
A vida está ficando pior
Sempre tendo sujeira para
brincarem

Você tem visto os grandes porquinhos
Em suas camisas brancas engomadas?
Você irá encontrar os grandes porquinhos
Remexendo a sujeira
Sempre com camisas limpas para
brincarem

Em sua pocilga com todos os seus fundos
Eles não se importam
com o que está rolando
Em seu olhos existe algo faltando
O que eles precisam é uma boa palmada

Em todo lugar há muitos porquinhos vivendo
A vida porca
Você pode vê-los jantando fora
Com suas esposas porquinhas
Agarrando garfos e facas para
comerem seu bacon


sábado, 15 de janeiro de 2011

Grandes questões da parte tucana da humanidade: existe a palavra presidenta?

Reginaldo, o Gouvea, pergunta entre perplexo e preocupado e a meio caminho entre aturdido e algo desarvorado: Querido Ornitorrinco, existe a palavra presidenta e, se não existe, podemos pedir o impeachment da búlgara abortiva?

Pois o Ornitorrinco, não tão querido assim, vamos logo avisando, responde ao nosso querido tucano-esverdeado do Bairro Alto que, pobrezinho, foi recentemente depenado na disputa eleitoral, instando-o a prestar muita atenção, que não vamos repetir.

Sim, prezado RG, existe a palavra presidenta e ela significa, desde que esteja antecedendo o nome limpo, digno e bonito de Dilma Rousseff: 

1. primeira mulher a presidir o Brasil, fato histórico e cheio de signos importantes.

2. mulher corajosa que, muito jovem, quase adolescente, foi presa e barbaramente torturada pela milicada-varonil, gente muito valente quando andava em bandos armados a sequestrar e a matar  brasileiros e brasileiras que ousavam lutar contra a tirania.

Fixados os significados, os signos e as luzes todas da palavra e de Dilma, enfatizamos que não há nenhuma possibilidade de terceiro turno ou de impeachment, tucanada estrebuchante. Muito ainda há para ser feito, e tanto que, a  depender deste Ornitorrinco de merda, vocês não voltarão a governar o Brasil tão cedo. Tratem pois de enfiar a violinha desafinada no saco e não apostem um centavo no Aécio Neves, ou no Beto Richa ou em qualquer tucano paulista adorador de  josé maria escrivá, de são josé serra atingido e agora, do polacão voador João Paulo II, transformado em beato, creio eu.

De todo modo, se não existir, o Ornitorrinco no uso das suas atribuições decreta que está criada a palavra presidenta apenas para poder dizer, alto e bom som: Viva a Presidenta Dilma Rousseff!!!
Viva a luta das mulheres brasileiras!!!
Viva a vitória do povo brasileiro!!!
 

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Celebração da decência política, do feminismo e dos brasileiros


Eu visito VioMundo todos os dias
Texto publicado em Carta Maior


Hugh O’Shaughnessy, The Independent

A mulher mais poderosa do mundo começará a andar com as próprias pernas no próximo fim de semana. Forte e vigorosa aos 63 anos, essa ex-líder da resistência a uma ditadura militar (que a torturou) se prepara para conquistar o seu lugar como Presidente do Brasil.
Como chefe de estado, a Presidente Dilma Rousseff seria mais poderosa que a Chanceler da Alemanha, Angela Merkel e que a Secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton: seu país enorme de 200 milhões de pessoas está comemorando seu novo tesouro petrolífero. A taxa de crescimento do Brasil, rivalizando com a China, é algo que a Europa e Washington podem apenas invejar.
Sua ampla vitória prevista para a próxima eleição presidencial será comemorada com encantamento por milhões. Marca a demolição final do “estado de segurança nacional”, um arranjo que os governos conservadores, nos EUA e na Europa já tomaram como seu melhor artifício para limitar a democracia e a reforma. Ele sustenta um status quo corrompido que mantém a imensa maioria na pobreza na América Latina, enquanto favorece seus amigos ricos.
A senhora Rousseff, filha de um imigrante búlgaro no Brasil e de sua esposa, professora primária, foi beneficiada por ser, de fato, a primeira ministra do imensamente popular Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ex-líder sindical. Mas com uma história de determinação e sucesso (que inclui ter se curado de um câncer linfático), essa companheira, mãe e avó será mulher por si mesma. As pesquisas mostram que ela construiu uma posição inexpugnável – de mais de 50%, comparado com menos de 30% – sobre o seu rival mais próximo, homem enfadonho de centro, chamado José Serra. Há pouca dúvida de que ela estará instalada no Palácio Presidencial Alvorada de Brasília, em janeiro.
Assim como o Presidente Jose Mujica do Uruguai, vizinho do Brasil, a senhora Rousseff não se constrange com um passado numa guerrilha urbana, que incluiu o combate a generais e um tempo na cadeia como prisioneira política.
Quando menina, na provinciana cidade de Belo Horizonte, ela diz que sonhava respectivamente em se tornar bailarina, bombeira e uma artista de trapézio. As freiras de sua escola levavam suas turmas para as áreas pobres para mostrá-las a grande desigualdade entre a minoria de classe média e a vasta maioria de pobres. Ela lembra que quando um menino pobre de olhos tristes chegou à porta da casa de sua família ela rasgou uma nota de dinheiro pela metade e dividiu com ele, sem saber que metade de uma nota não tinha valor.
Seu pai, Pedro, morreu quando ela tinha 14 anos, mas a essas alturas ele já tinha apresentado a Dilma os romances de Zola e Dostoiévski. Depois disso, ela e seus irmãos tiveram de batalhar duro com sua mãe para alcançar seus objetivos. Aos 16 anos ela estava na POLOP (Política Operária), um grupo organizado por fora do tradicional Partido Comunista Brasileiro que buscava trazer o socialismo para quem pouco sabia a seu respeito.
Os generais tomaram o poder em 1964 e instauraram um reino de terror para defender o que chamavam “segurança nacional”. Ela se juntou aos grupos radicais secretos que não viam nada de errado em pegar em armas para combater um regime militar ilegítimo. Além de agradarem aos ricos e esmagar sindicatos e classes baixas, os generais censuraram a imprensa, proibindo editores de deixarem espaços vazios nos jornais para mostrar onde as notícias tinham sido suprimidas.
A senhora Rousseff terminou na clandestina VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária Palmares). Nos anos 60 e 70, os membros dessas organizações sequestravam diplomatas estrangeiros para resgatar prisioneiros: um embaixador dos EUA foi trocado por uma dúzia de prisioneiros políticos; um embaixador alemão foi trocado por 40 militantes; um representante suíço, trocado por 70. Eles também balearam torturadores especialistas estrangeiros enviados para treinar os esquadrões da morte dos generais. Embora diga que nunca usou armas, ela chegou a ser capturada e torturada pela polícia secreta na equivalente brasileira de Abu Ghraib, o presídio Tiradentes, em São Paulo. Ela recebeu uma sentença de 25 meses por “subversão” e foi libertada depois de três anos. Hoje ela confessa abertamente ter “querido mudar o mundo”.
Em 1973 ela se mudou para o próspero estado do sul, o Rio Grande do Sul, onde seu segundo marido, um advogado, estava terminando de cumprir sua pena como prisioneiro político (seu primeiro casamento com um jovem militante de esquerda, Claudio Galeno, não sobreviveu às tensões de duas pessoas na correria, em cidades diferentes). Ela voltou à universidade, começou a trabalhar para o governo do estado em 1975, e teve uma filha, Paula.
Em 1986 ela foi nomeada secretária de finanças da cidade de Porto Alegre, a capital do estado, onde seus talentos políticos começaram a florescer. Os anos 1990 foram anos de bons ventos para ela. Em 1993 ela foi nomeada secretária de minas e energia do estado, e impulsionou amplamente o aumento da produção de energia, assegurando que o estado enfrentasse o racionamento de energia de que o resto do país padeceu.
Ela fez mil quilômetros de novas linhas de energia elétrica, novas barragens e estações de energia térmica construídas, enquanto persuadia os cidadãos a desligarem as luzes sempre que pudessem. Sua estrela política começou a brilhar muito. Mas em 1994, depois de 24 anos juntos, ela se separou do Senhor Araújo, aparentemente de maneira amigável. Ao mesmo tempo ela se voltou à vida acadêmica e política, mas sua tentativa de concluir o doutorado em ciências sociais fracassou em 1998.
Em 2000 ela adquiriu seu espaço com Lula e seu Partido dos Trabalhadores, que se volta sucessivamente para a combinação de crescimento econômico com o ataque à pobreza. Os dois se deram bem imediatamente e ela se tornou sua primeira ministra de energia em 2003. Dois anos depois ele a tornou chefe da casa civil e desde então passou a apostar nela para a sua sucessão. Ela estava ao lado de Lula quando o Brasil encontrou uma vasta camada de petróleo, ajudando o líder que muitos da mídia européia e estadunidense denunciaram uma década atrás como um militante da extrema esquerda a retirar 24 milhões de brasileiros da pobreza. Lula estava com ela em abril do ano passado quando foi diagnosticada com um câncer linfático, uma condição declarada sob controle há um ano. Denúncias recentes de irregularidades financeiras entre membros de sua equipe quando estava no governo não parecem ter abalado a popularidade da candidata.
A Senhora Rousseff provavelmente convidará o Presidente Mujica do Uruguai para sua posse no Ano Novo. O Presidente Evo Morales, da Bolívia, o Presidente Hugo Chávez, da Venezuela e o Presidente Lugo, do Paraguai – outros líderes bem sucedidos da América do Sul que, como ela, têm sofrido ataques de campanhas impiedosas de degradação na mídia ocidental – certamente também estarão lá. Será uma celebração da decência política – e do feminismo.

O Ornitorrinco pede a palavra para dizer, feliz e satisfeito, que no próximo sábado o Brasil que vem mudando tanto nos últimos 8 anos, estará sob a presidência de uma mulher pela primeira vez. Não tenho a menor idéia se este governo dará conta de todos os problemas que ainda temos que enfrentar e resolver, mas, no que me diz respeito, especialmente depois da patifaria da campanha tucana, ver Dilma assumindo e nos governando já é uma vitória e nosso esforço e militância terão valido a pena. Agora, é cobrar e manter o povo mobilizado.

domingo, 10 de outubro de 2010

Ateu convicto, lembro de Mateus 25, 31-46 e afirmo que voto em Dilma porque ela é uma pessoa iluminada que procura dar de comer a quem tem fome e água a quem tem sede, cuidar de quem está enfermo. E faz isso não se enfiando em igrejas e templos, para rezar furiosamente, mas governando para quem precisa

Lambido de O Escrevinhador

Por Frei Betto*
Conheço Dilma Rousseff desde criança. Éramos vizinhos na rua Major Lopes, em Belo Horizonte.
Ela e Thereza, minha irmã, foram amigas de adolescência.
Anos depois, nos encontramos no presídio Tiradentes, em São Paulo. Ex-aluna de colégio religioso, dirigido por freiras de Sion, Dilma, no cárcere, participava de orações e comentários do Evangelho.
Nada tinha de “marxista ateia”.
Nossos torturadores, sim, praticavam o ateísmo militante ao profanar, com violência, os templos vivos de Deus: as vítimas levadas ao pau-de-arara, ao choque elétrico, ao afogamento e à morte.
Em 2003, deu-se meu terceiro encontro com Dilma, em Brasília, nos dois anos em que participei do governo Lula. De nossa amizade, posso assegurar que não passa de campanha difamatória -diria, terrorista- acusar Dilma Rousseff de “abortista” ou contrária aos princípios evangélicos.
Se um ou outro bispo critica Dilma, há que se lembrar que, por ser bispo, ninguém é dono da verdade.
Nem tem o direito de julgar o foro íntimo do próximo.
Dilma, como Lula, é pessoa de fé cristã, formada na Igreja Católica.
Na linha do que recomenda Jesus, ela e Lula não saem por aí propalando, como fariseus, suas convicções religiosas. Preferem comprovar, por suas atitudes, que “a árvore se conhece pelos frutos”, como acentua o Evangelho.
É na coerência de suas ações, na ética de procedimentos políticos e na dedicação ao povo brasileiro que políticos como Dilma e Lula testemunham a fé que abraçam.
Sobre Lula, desde as greves do ABC, espalharam horrores: se eleito, tomaria as mansões do Morumbi, em São Paulo; expropriaria fazendas e sítios produtivos; implantaria o socialismo por decreto…
Passados quase oito anos, o que vemos? Um Brasil mais justo, com menos miséria e mais distribuição de renda, sem criminalizar movimentos sociais ou privatizar o patrimônio público, respeitado internacionalmente.
Até o segundo turno, nichos da oposição ao governo Lula haverão de ecoar boataria e mentiras. Mas não podem alterar a essência de uma pessoa. Em tudo o que Dilma realizou, falou ou escreveu, jamais se encontrará uma única linha contrária ao conteúdo da fé cristã e aos princípios do Evangelho.
Certa vez indagaram a Jesus quem haveria de se salvar. Ele não respondeu que seriam aqueles que vivem batendo no peito e proclamando o nome de Deus. Nem os que vão à missa ou ao culto todos os domingos. Nem quem se julga dono da doutrina cristã e se arvora em juiz de seus semelhantes.
A resposta de Jesus surpreendeu: “Eu tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; estive enfermo e me visitastes; oprimido, e me libertastes…” (Mateus 25, 31-46). Jesus se colocou no lugar dos mais pobres e frisou que a salvação está ao alcance de quem, por amor, busca saciar a fome dos miseráveis, não se omite diante das opressões, procura assegurar a todos vida digna e feliz.
Isso o governo Lula tem feito, segundo a opinião de 77% da população brasileira, como demonstram as pesquisas. Com certeza, Dilma, se eleita presidente, prosseguirá na mesma direção.

*Frei Betto é frade dominicano, escritor e jornalista.

A resposta que demoliu o senador Agripino Maia,apoiador de Serra, ou falando bem claro, meridianamente claro: esta é uma das inúmeras razões pelas quais voto Dilma Rousseff, mulher brasileira de fibra e de infinita coragem que, jovenzinha, teve a grandeza de pegar em armas para enfrentar a feroz ditadura dos milicos torturadores que hoje, já de pijamas e de mãos dadas com fundamentalismo religioso e com o brilho sinistro do fogaréu da inquisição votam no Serra