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Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.
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terça-feira, 7 de outubro de 2025

7 de outubro: dois anos de crimes do estado sionista e genocida de Israel contra o povo palestino

Copiei do  indispensável BRASIL 247

José Reinaldo Carvalho (Jornalista, editor internacional do Brasil 247 e da página Resistência: http://www.resistencia.cc)

Um quadro dantesco de genocídio: mortes, destruição, fome e deslocamento maciço em Gaza desde 7 de outubro de 2023, configurando o holocausto do século 21

07 de outubro de 2025, 03:47 h

247 - Dois anos após 7 de outubro de 2023, data em que combatentes do Hamas romperam as defesas israelenses na operação chamada “Dilúvio de Al Aqsa”, o Estado de Israel segue promovendo violência maciça e sistemática em Gaza, com consequências devastadoras: mortes, fome, destruição de infraestrutura e deslocamento em massa. A denúncia dessa tragédia vem dos dados de organismos internacionais.

É preciso acrescentar a cumplicidade escancarada do imperialismo estadunidense, tanto no governo Biden quanto neste segundo mandato de Donald Trump.

A ação palestina contra o brutal cerco, bloqueio e inomináveis atos de violência israelense contra a população de Gaza foi respondida militarmente por Israel sob a forma de um inaudito genocídio.

Naquele 7 de outubro, o sistema de defesa de Israel foi superado pela ofensiva dos combatentes de Gaza, que proclamaram a luita heroica contra o “tempo de devastação e assassinato”.

Conforme dados oficiais palestinos e de agências da ONU, o estado sionista desencadeou uma ofensiva que já matou mais de 66 mil pessoas em Gaza e danificou ou destruiu cerca de 78% das construções da Faixa, incluindo centenas de milhares de casas. Reescrevo agora este panorama sob um viés mais aprofundado e com ênfase na responsabilidade dos EUA.

Mortes, feridos e destruição em números

Reportagerm da Telesur compilou dados reveladores do genocídio. Segundo o Ministério da Saúde palestino, até agora mais de 66 mil pessoas foram mortas em Gaza e 156.758 ficaram feridas. Levantamentos do UNOSAT/UNITAR apontam danos maciços: 102.067 estruturas “destruídas”, 17.421 severamente danificadas, 41.895 moderadamente danificadas e 31.429 possivelmente danificadas, somando 192.812 estruturas afetadas — cerca de 78% do total edificado — incluindo cerca de 282.904 casas danificadas.

Nos dois últimos anos, Israel despejou sobre Gaza uma violência militar sem paralelo: cerca de 300 toneladas de explosivos foram lançados por quilômetro quadrado desde outubro de 2023 — vinte vezes mais do que os EUA utilizaram no Vietnã. Nada disso, porém, quebrou a determinação de um povo que luta para existir.

Em paralelo, a geografia da Faixa de Gaza foi redesenhada por corredores militares e sucessivas ordens de deslocamento.

Colapso do sistema de saúde

Relatório da Organização Mundial da Saúde (10 de setembro) afirma que 94% dos hospitais de Gaza foram destruídos ou estão fora de operação, empurrando os poucos serviços ativos para a superlotação crítica. Em maio, 19 dos 36 hospitais ainda operavam, muitos de forma parcial. O Health Cluster registrou que os hospitais Al‑Shifa e Al‑Ahli, na Cidade de Gaza, “estão operando com quase 300% da capacidade”.

Educação, água e saneamento sob escombros

De acordo com a UNRWA (Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Médio), 90% das escolas foram destruídas ou severamente danificadas e aproximadamente 660 mil crianças estão sem aulas. Por sua vez, a Oxfam estima a destruição de 1.640 km de redes de água e esgoto; em áreas do norte, o acesso da população não chega a 7% dos níveis pré‑conflito, elevando o risco de doenças hídricas.

Na agricultura, a perda de terras férteis aumentou de 5,36% (outubro de 2023) para 33,13% (fevereiro de 2024), o que corresponde a 120 km² de áreas essenciais para a produção local de alimentos, segundo a comissão da ONU citada.

Patrimônio cultural devastado

Entre 7 de outubro de 2023 e 18 de agosto de 2025, a UNESCO contabilizou danos em pelo menos 110 bens culturais em Gaza, incluindo 13 locais religiosos, 77 edifícios históricos, nove monumentos, um museu e sete sítios arqueológicos. Entre as perdas, estão o cemitério romano no norte da Faixa e a Grande Mesquita de Al‑Omari, quase totalmente destruída. A organização PEN America relata a destruição de universidades, 11 bibliotecas — entre elas a Biblioteca Pública de Gaza — e editoras e livrarias, como a Samir Mansur.

Ocupação e corredores militares

Relatos de uma comissão independente da ONU indicam que as operações do exército israelense cobriram 278 km² — cerca de 75% do território de Gaza —, com o OCHA (Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários das Nações Unidas) apontando presença operacional e ordens de evacuação em 87,8% da Faixa (julho de 2025). A ONU reconhece cinco e cita quatro corredores que atravessam o território da Faixa de Gaza: Filadélfia, Netzarim, Magen‑Oz e Morag. Este último, anunciado em abril de 2025, recebeu o nome de um assentamento evacuado no plano de retirada de 2005.

A fome como arma de guerra, segundo especialistas da ONU

Em finais de setembro, eram 640 mil pessoas em situação catastrófica de fome, 1,14 milhão em emergência e 396 mil em crise alimentar. A Telesur cita em reportagem o alerta do relator especial da ONU para o direito à alimentação, Michael Fakhri: “Israel está matando Gaza de fome. É genocídio. É um crime contra a humanidade . É um crime de guerra”.

A privação deliberada de alimentos a civis é considerada crime de guerra em diversos ordenamentos e no direito internacional, amparada nas Convenções de Genebra, na Resolução 2417 do Conselho de Segurança (2018) e na emenda de 2019 ao Estatuto de Roma que tipifica a fome também em conflitos não internacionais.

Cumplicidade sob Biden

No governo Biden, os EUA não atuaram como moderador: mantiveram e até aceleraram o fluxo de armas e recursos que alimentam o massacre em Gaza. O governo Biden aprovou pacotes de ajuda militar e suplementares, muitas vezes utilizando mecanismos urgentes para atropelar trâmites normais de revisão no Congresso.

Em 2024, por exemplo, o Congresso aprovou um pacote de US$ 95 bilhões em auxílio militar e “humanitário” a Israel. Também durante o governo Biden, os EUA remeteram bilhões em garantias de empréstimos e venda de armamentos avançados a Israel. Relatórios advindos de Think Tanks e da imprensa mostraram que o governo Biden usou ordens executivas e “renúncias rápidas” para acelerar entregas de armas (inclusive já compradas) mesmo diante de alertas sobre possíveis violações de direitos humanos no uso dessas armas.

Mesmo quando membros da comunidade diplomática ou do Departamento de Estado identificavam violações graves ou riscos de genocídio, não houve recuo significativo. O manto diplomático dos EUA agiu como escudo no âmbito internacional: vetos sistemáticos a resoluções das Nações Unidas que condenavam o cerco ou exigiam cessar-fogo, bloqueios de investigações independentes e veto a ações do Conselho de Segurança. Em suma: Biden manteve a engrenagem de guerra, ainda que em tese com “apelos humanitários” pontuais.

A escalada com Trump: descaramento e intensificação

No retorno de Donald Trump como presidente, a cumplicidade dos EUA com o regime de Netanyahu não foi apenas continuidade: tornou-se impulso explícito ao massacre. Trump, enviou novos volumes de armas e retirou até condicionantes previamente impostos — aquilo que se apresentava como “tempero diplomático” sob Biden, com ressalvas e obstruções pontuais, sob Trump é escancarado.

Poucos meses após assumir, a administração Trump notificou o Congresso de vendas de armas à Israel que ultrapassam US$ 7,4 bilhões em munições e kits de orientação, além de reverter memorandos do governo anterior que impunham condicionamentos ao apoio militar israelense. Em março deste ano, Trump aprovou um pacote de quase US$ 3 bilhões em bombas e veículos de combate, incluindo bombas Mk-84 e kits de orientação JDAM — todo o tipo de artefato usado com brutalidade nos ataques sobre Gaza.

Em um movimento mais forte, o governo acelerou a entrega de US$ 4 bilhões em ajuda militar prometida a Israel. Ainda, enquanto muitos governos europeus impunham embargos ou suspendiam licenças de armas, o governo Trump revogou restrições que Biden havia introduzido em nome de respeito a direitos humanos. Trump também apresentou plano audacioso: em fevereiro de 2025, anunciou que os EUA “tomariam conta” da administração da Faixa de Gaza, deslocariam sua população e a reconstruiriam sob a tutela americana, numa proposta que beira o etnocídio e a limpeza étnica expressa.

Esse projeto mostra, sem disfarces, que o alinhamento entre Trump e Netanyahu não é apenas militar, mas ideológico: ambos almejam reformatar o Oriente Médio sob a égide do expansionismo israelense, com os Estados Unidos operando como braço executor e patrocinador inconteste.

Trump e Netanyahu : diplomacia do genocídio

Não pode haver neutralidade diante deste horror e é preciso gritar que a cumplicidade estadunidense não é “apoio”: é corresponsabilidade. Por que as mortes seguem crescendo? Porque enquanto Israel despeja bombas, os EUA enviam armas. Enquanto Gaza é reduzida a escombros, os EUA vetam resoluções na ONU e barram investigações. Esse mecanismo garantiu impunidade total ao regime genocida de Netanyahu.

A funcionalidade dessa parceria é clara: os Estados Unidos mantêm Israel como satélite estratégico no Oriente Médio, contrapondo-se ao Irã e aos movimentos de resistência. Assim, o massacre em Gaza é parte de uma guerra mais ampla de dominação regional.

A venda constante de armamentos aos israelenses garante rentabilidade à indústria bélica norte-americana, ao passo que legitima o discurso de “defesa” e “segurança” que serve como álibi moral para a dominação.]

A blindagem diplomática dos EUA permite a Israel agir com virtual impunidade perante instâncias internacionais, como a Corte Penal Internacional ou o Conselho de Direitos Humanos, enquanto acusações graves de crimes de guerra e genocídio são engavetadas.

Em plena vigência do segundo mandato de Donald Trump, diante da carnificina contínua em Gaza, celebra-se o cinismo político de um sistema que vende morte como estratégia de hegemonia. O silêncio de potências que se diziam defensoras dos direitos humanos já não é mera omissão: virou ato de colaboração com o assassinato em escala industrial.

A tragédia de Gaza, que atravessa dois anos completos, expõe o caráter estrutural e predatório do sistema imperial: enquanto o povo palestino é bombardeado, empobrecido e privado de condições mínimas para sobreviver, os EUA arcam com a pecha de executor e protecionista de um regime genocida — e falham irrevogavelmente como ator humanitário no palco global.

Netanyahu e o projeto de poder que redesenha o Oriente Médio

Dois anos depois da operação “Dilúvio de Al Aqsa”, Gaza segue como um território devastado e o epicentro de uma estratégia que ultrapassa a retaliação militar. A resposta de Israel, segundo as declarações do genocida-mor do século 21, Benjamin Netanyahu, só terminaria “com o extermínio do Hamas e a modificação completa do mapa político regional”.

Essa ameaça deu forma a uma política de guerra expandida, que hoje envolve o Líbano, o Irã e o próprio equilíbrio geopolítico do Oriente Médio.

Logo após o início da atual etapa do genocídio em outubro de 2023, Israel intensificou as operações no sul do Líbano, mirando posições do Hezbollah e assassinando alguns de seus principais líderes. A ofensiva visando a golpear o eixo de resistência regional, provocou a escalada mais grave entre os dois países desde 2006.

Mas Netanyahu foi além. Em 2024, ordenou bombardeios maciços no Líbano e, no ano seguinte, conduziu uma guerra de 12 dias contra o Irã, marcada por ataques aéreos de alta intensidade, revelando por meio dessas ações agressivas, até onde o estado expansionista de Israel quer chegar. Ao projetar uma guerra permanente.

A ofensiva israelense, que contou com todo o respaldo od imperialismo estadunidense, prossegue como parte de um projeto de reconfiguração geopolítica. Netanyahu já não fala apenas de segurança, mas de hegemonia regional, de contenção do Irã e de um novo desenho territorial. A guerra contra o Hamas foi o ponto de partida; o alvo real é o “novo Oriente Médio”.

E o custo é pago pelas populações civis — palestina, libanesa e iraniana — que vivem sob o ruído incessante dos drones e a sombra da fome. O silêncio ou a neutralidade dos países que se dizem defensores dos direitos humanos já não é diplomacia: é cumplicidade.

Gaza tornou-se não apenas o epicentro de uma tragédia humanitária, mas também o espelho em que se reflete a crise do sistema imperialista nas primeiras décadas do século 21.

Netanyahu ameaça mudar o mapa político do Oriente Médio. Para alcançar o objetivo, não se detém diante dos mais abomináveis crimes, o principal deles a limpeza étnica na Palestina, levando a um nível mais devastador a saga criminosa dos seus antecessores que fizeram a Nakba nos finais dos anos 1940. 

segunda-feira, 9 de outubro de 2023

Palestina: Apartheid sionista e o colonialismo de Israel são as causas da conflito

Copiei do indispensával BRASIL 247


A ação militar do Hamas é uma resposta aos assassinatos, desmandos e humilhações de homens, mulheres e crianças nos territórios ocupados por Israel

Neste fim de semana Israel foi sacudido por uma ofensiva militar do Hamas, surpreendente e inédita, que lançou mais de 2000 mísseis, impactando fortemente na população israelense que habita nas margens próximas aos territórios palestinos.

A operação batizada de "Tempestade Al-Aqsa" conduzida pelo Hamas demonstrou ampla capacidade de combate, levando o conflito para diversas cidades e aldeias ocupadas por colonos israelenses. Trata-se de um ataque que revelou as fragilidades do Exército e dos serviços de inteligência de Israel.

A reação de israelense foi declarar “estado de guerra”, com um ataque bombardeando o densamente povoado território da Faixa de Gaza, região sob controle do Hamas.

A ação militar do Hamas é uma resposta aos assassinatos, desmandos e humilhações de homens, mulheres e crianças nos territórios ocupados por Israel, com as incursões constantes do Exército israelense.

A questão de fundo da atual escalada do conflito, é o desrespeito aos acordos estabelecidos sobre a criação de um estado nacional palestino soberano, com fronteiras definidas e viabilidade econômica. Vale lembrar que os Acordos de Oslo – que completaram 30 anos de sua assinatura no mês de setembro – não só foram violados, como Israel intensificou o processo de ocupação de territórios na Cisjordânia.

Até mesmo a fórmula política do estabelecimento de “dois Estados” – israelense e palestino – hoje é praticamente inviável. Nos últimos anos, os sucessivos governos israelenses abandonaram qualquer perspectiva de negociação com os palestinos sobre temas como o fim da criação de novos assentamentos, o respeito aos acordos acerca da questão das fronteiras de 1967 e da reivindicação histórica da capital do futuro Estado Palestino ser sediada em Jerusalém Oriental.

As milhares de vítimas – mortas, feridas e mutiladas – são o resultado direto da política terrorista do governo de Bibi Netanyahu, apoiado política e militarmente pelo imperialismo norte-americano. É o terrorismo do estado sionista, o principal responsável pela escalada do conflito. Os palestinos são as vítimas e reagem com as armas do oprimido.

É uma questão de princípio reconhecer o direito de rebelião ao povo palestino. Em artigo publicado, neste sábado(7), na New Left Review, o escritor e ativista político Tariq Ali escreveu: “Israel é um Estado nuclear, armado até aos dentes pelos EUA. A sua existência não está ameaçada. São os palestinos, as suas terras, as suas vidas que são. A civilização ocidental parece disposta a ficar de braços cruzados enquanto são exterminados. Eles, por outro lado, levantam-se contra os colonizadores”.

A ação militar do Hamas recolocou na agenda mundial a “Questão Palestina”, o que demanda dos organismos internacionais e das articulações multilaterais dos países árabes uma solução política para deter a escalada de genocídio praticado pelos sionistas e medidas imediatas no sentido de garantir a existência do estado nacional palestino.

Israel conta novamente com os Estados Unidos e as decadentes potências europeias para continuar a criminosa ofensiva contra os direitos nacionais do povo palestino. O conflito é mais um embate em curso que desgasta a política dos Estados Unidos na região, e isola mais ainda o Estado de Israel.

Portanto, cabe também a esquerda partidária e social no Brasil a urgente tarefa de organizar um efetivo e potente movimento de solidariedade aos palestinos — contra a guerra de extermínio e o apartheid sionista.

Jornalista e escritor. Atua também na imprensa sindical. Militante do Partido dos Trabalhadores (PT), em Curitiba. Autor dos livros ‘Brasil Sem Máscara – o governo Bolsonaro e a destruição do país’ (Kotter, 2022) e de ‘Lava Jato, uma conspiração contra o Brasil’ (Kotter, 2021).


terça-feira, 15 de julho de 2014

10 mentiras de Israel sobre o genocídio contra os palestinos

Imagem copiada daqui

Copiei de Thomas de Toledo

Por Thomas de Toledo

O método de propaganda de guerra do regime sionista de Israel origina-se da mesma técnica que o oficial nazista Joseph Goebbels formulou para Hitler, que consiste na máxima de que “uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”. Assim, espalham uma série de mentiras que são exaustivamente marteladas pela mídia privada paga, até que finalmente caíam na condição de “verdade do senso comum”, naturalizando a ocupação, o apartheid e o genocídio contra os palestinos. Eis algumas dessas mentiras:
1) Este conflito é religioso e o povo de Israel foi eleito por Deus: apesar de a Palestina ser sagrada para as três grandes religiões monoteístas (judaísmo, cristianismo e islamismo), o atual conflito tem causas geopolíticas. Ele surgiu quando judeus sionistas migraram para a Palestina para disputar essas terras com habitantes nativos, mas se intensificou após a fundação de Israel em 1948. Neste conflito, a religião é manipulada afim de se conquistar aliados: assim, muitos cristãos desinformados acreditam se tratar de uma guerra bíblica de hebreus contra filisteus, que virtualmente ocorrera há mais de 3 milênios, mas que na verdade não possui nenhum vínculo direto com os atuais acontecimentos. Acreditar em um Deus único pressupõe crer que este Deus seja o mesmo para todos, e não que tenha um povo que esteja acima dos outros.
2) Há dois lados iguais em guerra: na verdade, o que existe é uma força militar ocupante, a 5a maior do planeta, que enfrenta um povo desarmado. Os palestinos não possuem exército, marinha ou aeronáutica. Quanto aos grupos guerrilheiros que lutam pela libertação da palestina, suas armas são artesanais e nem se comparam às israelenses, que incluem artefatos químicos e nucleares de última geração. O arsenal gigantesco de Israel é maior e mais moderno do que o de todos os países árabes juntos. Aos palestinos comuns, restaram apenas pedras como forma de reação ou atos pacíficos que costumam ser brutalmente reprimidos e na maioria das vezes resultam em mortes.
3) Israel ataca para se defender: sempre que Israel deseja realizar uma operação militar, cria um pretexto que a justifique, uma chamada “covert operation”. Em geral, culpam os palestinos pela morte de um israelense ou acusam os palestinos de tramarem um atentado terrorista ou atirarem foguetes contra Israel. Isto ocorre pelos palestino, mas sempre como forma de reação, dada a violência da resposta israelense, que sempre mata dezenas, centenas ou até milhares de vezes mais do que os palestinos. Quando Israel realiza uma dessas intervenções militares, os danos à infraestrutura e o número de vítimas nos palestinos são incalculavelmente maiores, sem poupar mulheres, crianças e mesmo idosos. Aliás, o pretexto atual que Israel usa para justificar tantos assassinatos de crianças é que os palestinos as usam como escudos humanos. Isto é um absurdo, pois as cidades que Israel ataca são densamente povoadas e por isto é impossível não ter vítimas civis em meio a pesados bombardeios de caças F16 e helicópteros Apache. Israel é na verdade é o agressor e não a vítima.
4) A paz interessa aos palestinos e aos israelenses: Israel não deseja a paz e por isto faz a guerra. O projeto sionista, em fato, se baseia em duas ideias: da Pequena Israel, que seria um país entre o Rio Jordão e o Mar Mediterrâneo; e da Grande Israel, que expandiria seus territórios do Rio Nilo ao Rio Eufrates. Ambas as configurações não possuem respaldo histórico, mas a segunda é uma aberração em todos os sentidos, visto que o Nilo sempre pertenceu ao Egito e os Rios Eufrates e Tigre formaram as civilizações da Mesopotâmia, hoje conhecida como Iraque. De qualquer forma, o primeiro obstáculo a este projeto chama-se Palestina e por isto, enquanto Israel não expulsar todos os palestinos de suas terras, ainda não terão concretizado o projeto sionista. Há outro fato pouco divulgado que é a lucratividade da ocupação israelense: com palestinos trabalhando em condições de trabalho análogas à escravidão e ainda pagando impostos à Israel, os custos com as prisões, muros de segregação e check-points acabam por ser pagos pelos próprios palestinos, o que torna a guerra e a ocupação extremamente lucrativas à Israel. Os palestinos são também cobaias da indústria bélica israelense, que exporta ao mundo produtos de altíssima tecnologia, sempre testados em campo de batalha nos próprios palestinos.
5) Os palestinos são culpados pelo fracasso nas negociações: como observado, é um equívoco achar que Israel tem algum interesse no processo de paz. Israel é o lado militarmente mais forte. Está internacionalmente blindado pelo apoio incondicional recebido dos Estados Unidos, da União Europeia e da OTAN. Tem o apoio da maior parte da mídia ocidental. Ainda conta com banqueiros sionistas que subsidiam ambiciosos gastos militares e com a ocupação. Portanto, se o projeto de Israel é tomar todo o território palestino, basta seguir fazendo o que sempre fez, que um dia finalmente conseguirá concluir a expulsão de todos os palestinos de suas terras e o assassinato dos que resistirem. Aliás, os palestinos tinham 100% das terras, passaram a ter 45% em 1947, cerca de 35% em 1967 e com as negociações de paz de 1993, hoje possuem controle de menos de 22% da Palestina histórica. A quem interessa portanto a paz e quem ganha com a guerra?
6) Tudo que Israel deseja é um lar para os judeus: judaísmo é uma religião e existem judeus em quase todos os países do mundo com lar, emprego, saúde e educação. A ideia de criar um Estado judeu foi uma invenção do movimento sionista, que estimulou migrações para a Palestina, onde menos de 5% da população era judia e viviam em paz com os árabes. Ocorre que os palestinos que habitavam a terra jamais foram consultados se queriam um “lar judeu” em cima de onde moram e por isto são forçados a deixarem suas casas e os que resistem são mortos. Os judeus, assim como os muçulmanos, cristãos, ateus, budistas, hinduístas, etc têm direito a ter um lar e a preservarem sua cultura, mas jamais podem fazer isto destruindo outros. Afim de justificar o projeto do “lar judeu”, Israel acaba por cometer um crime impagável com a memória: destrói achados arqueológicos palestinos e de outros povos que habitaram a região, de modo adulterar a história para que não haja questionamentos sobre a legitimidade de seus intentos.
7) Os palestinos são terroristas e defendem o fim de Israel: estigmatizar um povo é sempre um equívoco, em especial quando se trata tudo o que vem da resistência palestina como terrorismo e os bombardeios e assassinatos em massa de Israel como formas de defesa. Há grupos palestinos que defenderam no passado o uso de homens-bomba como última forma de luta, dadas as condições desiguais do conflito em que os palestinos sequer possuem armas, mas mesmo tais organizações radicais hoje não usam mais esta tática. Já Israel defende abertamente o terrorismo de Estado como forma de punição coletiva e se utiliza de armas químicas, prisões, torturas, demolições de casas e os piores tipos de humilhação afim de conquistar seus objetivos militares. Há grupos na Palestina que defendem o fim do Estado de Israel (não o fim dos judeus!), da mesma forma que há partidos políticos (aliás com muitos membros no parlamento israelense) que são contrários à criação de um Estado Palestino e defendem a expulsão de todos não-judeus da região.
8) Os judeus foram vítimas do holocausto e por isto têm carta branca para agir como quiserem: isto é um absurdo sem tamanho, mas é frequentemente usado como argumento. Em primeiro lugar, as vítimas do holocausto não foram apenas judeus, mas comunistas, eslavos, homossexuais, ciganos, maçons, etc. Segundo, que já está fartamente documentado que judeus sionistas colaboraram com os nazistas para matarem os judeus não-sionistas. Terceiro, que um erro jamais poderá justificar o outro. Quarto, que quem realizou o Holocausto foi a Alemanha nazista e quem pagou por este crime foram os palestinos que nunca tiveram nada a ver com Hitler. Quinto, que o Holocausto se tornou uma poderosa arma de propaganda de Israel, pois toda vez que este país é contestado, ele traz à tona a memória dos judeus mortos em massa pelo nazismo. Assim, basta uma personalidade visitar Israel, que é logo convidada a colocar flores no memorial do Holocausto e a chorar pelos judeus no Muro das Lamentações.
9) Israel é uma ilha democrática no meio de ditaduras medievais: Enquanto Israel for autoproclamado como um Estado judeu, é uma teocracia religiosa e não uma democracia. Israel garante a liberdade democrática apenas a quem não fere os interesses do projeto sionista. Nesta “democracia”, somente os judeus possuem direitos civis, mas quem não é um deles é tratado como cidadão de segunda classe, sem direitos políticos ou sociais. Portanto, Israel é uma “democracia” seletiva, segregacionista, racista, ou para melhor dizer, um regime de apartheid. Israel pode ter belas e modernas cidades, muitos cientistas que receberam prêmio nobel, mas nada disto justifica a existência, em pleno século XXI de um regime de ocupação e de apartheid baseado na ideia de superioridade racial e religiosa.
10) Criticar israel é antissemitismo: este é um mito que faz com que muitas pessoas se calem perante os crimes de Israel. Na verdade Israel é um Estado antissemita por que discrimina os árabes que, assim como os judeus, são semitas. Deste modo, se cria uma muralha ideológica que confunde a religião do judaísmo com o projeto sionista de um Estado judeu. Aliás, há em todo o mundo movimentos de judeus anti-sionistas, muitos deles filhos de vítimas do holocausto, que comparam os crimes do Estado de Israel, feitos em nome do judaísmo, ao que o nazismo fez com os judeus. Em fato, Israel procura sistematicamente negar a própria existência do povo palestino e isto é uma forma de antissemitismo.
Como se pode observar, há muita desinformação propositadamente difundida com o objetivo de dar o tempo necessário a Israel para expulsar ou matar todos os palestinos que habitam a Palestina e anexar suas terras. Para anular a resistência internacional, Israel possui um dos mais eficientes serviços de inteligência no exterior, que sempre é denunciado por cometer assassinatos em qualquer lugar do mundo. Além deles, Israel tem um eficiente lobby político que atua nos Estados Unidos, na União Europeia e cada vez mais nos países emergentes, inclusive no Brasil, onde já efetivaram diversos acordos comerciais e militares, todos obscuros e sem debate com a sociedade. Vale ainda mencionar que muitos banqueiros são sionistas e financiam os grandes órgãos de imprensa internacional que jamais renegaram vultuosas somas de dinheiro para sustentar ideologicamente o sionismo.
Portanto, o que ocorre na Palestina não é uma guerra: é um genocídio. Genocídio quer dizer assassinado deliberado de pessoas de uma mesma etnia, nacionalidade ou religião. Em plena era da informação, com as notícias circulando em tempo real, é inaceitável que um genocídio que já dura quase 7 décadas permaneça ocorrendo. Por isto, enquanto o sionismo significa racismo, apartheid e genocídio, defender a causa palestina é lutar pela vida, pela paz e pela humanidade, pela soberania e autodeterminação dos povos.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Poema para a Palestina

Copiei a imagem daqui
---xxx---

Por que Israel mata crianças: 
porque crianças são o futuro.
Por que Israel mata mulheres: 
porque mulheres são reprodutoras 
de palestinos, 
de vida palestina, 
de futuro palestino. 
Por que mulheres velhas: 
porque são a memória. 
Por que mulheres jovens: 
porque são esperança de futuro. 
É isso: é matar o passado 
e a esperança de futuro. 
Não me peçam pra defender isso.