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Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.
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domingo, 31 de dezembro de 2017

Lula, a Esfinge

Copiei do FB de Gustavo Conde

Dia pródigo para falar de Lula. Todo mundo só pensa em Lula, seja para odiar, seja para amar. Eu tento pensá-lo como um homem, um político, um estrategista, um formulador, um ex-presidente. Sem ele, não existe história do Brasil de 1978 para cá.

Odiar Lula é um grande e infame exercício de nulidade mental, preguiça intelectual, má fé existencial e mau-caratismo eleitoral. Critique Lula, mas argumente. Não deixa a baba escorrer pelo canto da boca.

Algo muito singelo que posso prospectar da leitura burra que se faz de Lula desde os anos 2000 é que muita gente acha que ele é socialista. A esses, eu só posso lançar um olhar de comiseração. Até a resposta retórica de Lula os ofendia: "sou metalúrgico" (e eles continuavam não entendendo). Chato explicar. Chato desenhar.

Basta dizer que a origem política de Lula é o sindicato. Não tem nada de romântico, nem de intelectual, nem de salvacionismo, nem de utopia. O socialismo é que foi atrás de Lula, porque Lula o aceitou e o compreendeu melhor que os próprios socialistas.

Qual socialista no mundo produziu uma política pública como a do bolsa-família (que, mais do que sua função ética de levar comida na mesa do pobre, ainda incendiou a economia, fazendo o país sair daquele marasmo econômico da era FHC)?

Qual socialista no mundo foi tão absurdamente democrático, perdendo três eleições majoritárias e, ainda assim, submeteu-se a mais um processo eleitoral?

Qual socialista no mundo teve 258.823.579 de votos ao longo de 30 anos de vida pública (e, pasmem, continua liderando pesquisas de opinião)?

Qual socialista no mundo foi tão perseguido pela imprensa, pela elite, pelo racismo, pela justiça e pelo ódio?

Qual socialista no mundo dialogou com tantas forças do tecido democrático com tanta desenvoltura e resultados: empresariado, movimentos sociais, entidades religiosas, sindicatos, imprensa, organizações não governamentais, sociedade civil, estudantes?

Qual socialista no mundo acumulou 300 bilhões de dólares de reservas internacionais?

Qual socialista no mundo pagou uma das maiores dívidas externas do planeta?

Qual socialista no mundo emprestou dinheiro ao FMI?

Qual socialista no mundo criou um banco para fazer frente ao FMI?

Qual socialista no mundo teve um Celso Amorim como chanceler?

Não se trata de colocar o socialismo em xeque, mas apenas de restituir alguma cifra de realidade ao argumento. Todo intelectual sério sabe que Lula nunca foi socialista e que isso é um dado fantástico: não é preciso ser socialista para lutar pela igualdade e pela democracia.

Lula é a prova de que a gestão pública não aceita a burocracia do pensamento acadêmico como elemento irradiador de políticas. Isso não é o papel de um líder histórico. Um acadêmico no poder é um desastre da natureza.

Cargos da dimensão de uma presidência de um país continental em desenvolvimento não é um trampolim carreirista qualquer: é uma responsabilidade que transcende as ambições mesquinhas de toda e qualquer classe média semi letrada. Compreender essa dimensão é tarefa hercúlea para a classe média, cognitivamente falando.

Essa faixa 'pequeno-burquesa' - só para evocar e agradar os socialistas remanescentes - ainda fantasia que Lula deveria ter sido um Fidel Castro. Ele deveria ter "eliminado" seus adversários políticos.

Ora, ora, ora. Curioso ver como o caudilho autoritário não está em Lula, mas em seus críticos. Reclamam que Lula fez alianças com coronéis, mas o que afinal eles queriam? Que Lula matasse os coronéis? Os coronéis do PMDB?

Sim, era o que eles achavam razoável. A solução dessa turma para os adversários é ELIMINAR o adversário. É a sofisticação estratégica deles. É por isso que a democracia não é para fracos. É por isso que a democracia exige coragem e humildade ao mesmo tempo. É por isso que eles não entendem a democracia.

Lula é uma esfinge para esses anti-analistas, mestres da não argumentação. Para eles, tudo é rótulo, tudo é estereótipo, tudo é frase feita, tudo é comunismo. Eles mal conseguem entender o que é racismo, quanto mais o que é política.

Pena que a história não seja uma donzela recatada e do lar. Ela não segue a lógica primitiva dos seres não argumentativos. A história gosta de conteúdo.

Para a história, o golpe é só um elemento narrativo extremamente poderoso. Um antissujeito, uma perturbação, um "tranco" semiótico que prepara a retomada da progressão e dos protagonismos das personagens principais.

E uma personagem de narrativa histórica que se preze não pode ser "transparente", visível a todo e qualquer leitor. Ela exige uma face enigmática, esfíngica, caso contrário anula-se o elemento de suspense.

Tudo isso só para dizer o seguinte: continuem não compreendendo o Lula. Ele se alimenta da não compreensão de vocês.

domingo, 8 de outubro de 2017

A classe média apoia Bolsonaro

Copiei do FB de Miguel Rios

A força eleitoral de Bolsonaro está na classe média.

É homem, tem carro divido no carnê a perder de vista, curso superior e mora em prédio com brinquedoteca, churrasqueira e piscina na cobertura.

É o cara que odeia o PT e a esquerda porque acha que cota racial e bolsa família trouxeram o comunismo bolivariano para o Brasil.

É o cara que tem amigos gays, mas desde que não levantem bandeiras e saibam que ele é que sabe o que é homofobia e o que não é.

É o cara que não é racista porque diz que a empregada doméstica é da família.

É o cara que tem trocentos grupos no WhatsApp para se informar sobre a política nacional e compartilhar notícias-memes sobre Jean Wyllys.

É o cara a favor do armamento para matar bandido, que se julga um kingsman, de pontaria infalível e jura inexistir a possibilidade de apontá-la em discussões de trânsito ou nas reuniões de condomínio.

É o cara que ensina menino a ser o bodinho solto atrás das cabritas é menina a ser recatada princesa Disney, mas combate ideologia de gênero nas escolas para não sexualizar as crianças.

É o cara que vê doutrinação nas ciências sociais, nos livros, nos museus, nas galerias de arte e fará boicote ao que nunca daria audiência mesmo.

É o cara que reclamava de tudo ser homofobia e racismo, mas que agora vê pedofilia em tudo.

É o cara que se fez altamente presente no Fora Dilma é completamente ausente no Fora Temer, mas que se diz totalmente combativo à corrupção.

Conhece esse cara? Ele te dá bom dia no elevador, publica selfies exibindo privilégios, aparece nas TLs pra ficar sempre do lado oposto às pautas dos movimentos sociais e não larga de ficar preso em engarrafamento só pra exibir o status de ter carro do ano.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Gustavo Castanõn: Carta aos companheiros do PT

O Serviço de Alto Falantes Ornitorrinco não sabe se concorda com tudo, mas admite que parou pra pensar.
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Copiei do FB de Gustavo Castañon

CARTA AOS COMPANHEIROS DO PT

Agora que bloqueei mais uma leva de fanáticos da minha página, gostaria de falar sério com vocês, numa boa.
Parem com essa história de chamar de oportunistas e traidores os que tentam construir uma alternativa para a esquerda a Lula. 
Se você não chama, não é o suficiente. Você tem obrigação de admoestar seus companheiros para deixar de fazê-lo.
Não é só porque isso é abjeto. Isso seria infantil de minha parte lastimar.
É porque nesse momento de isolamento máximo do PT esse é um comportamento verdadeiramente irracional. E ambos sabemos que a perseguição ao PT só começou. Vocês precisam de nós.
Ninguém aqui torce para o impedimento de Lula, estamos também, de acordo com nossa interpretação do momento político, desesperados, lutando para restaurar a democracia brasileira.
Estamos fazendo isso no melhor de nossos julgamentos, assim como vocês.
O PT pode não precisar, mas o Brasil precisa desesperadamente de um plano B a Lula.
Se vocês não concordam com os nossos paciência, nós também não concordamos com seu plano A.
A culpa por a maioria da esquerda não ver mais em Lula uma alternativa de transformação não é de Ciro ou do PSOL, é única e exclusivamente de Lula e dos 13 anos de poder do PT.
Tenho certeza de que, independentemente da campanha criminosa da mídia e do judiciário contra Lula, nem o PSOL nem o PDT o apoiariam numa candidatura a presidência. 
Sim, somos pequenos, mas é no debate eleitoral que se cresce e todos sabem que nossa resposta é frente sim, adesão ao projeto partidário do PT não. 
Por motivos semelhantes, esses partidos muito diferentes acham que essa não é a resposta para o país.
Apelos a unidade de esquerda que não passem pela liderança de Lula e ao mesmo tempo pela construção de outra candidatura que não a dele, são apelos falsos.
Sim, grande parte do povo brasileiro reconhece nele sua liderança, mas a esquerda não. Não mais.
Além disso, Lula será quase certamente condenado antes das eleições. Sinceramente, não acredito que alguém pense que não. O cenário de colapso social que poderia evitar isso ainda não está dado.
A definição de uma candidatura do campo, ou de várias, só se dará com o desenlace jurídico da questão Lula.
Mas não resta a Lula outro caminho agora que não seguir com sua candidatura, assim como não resta outro caminho ao PSOL e ao PDT que seguir com as suas.
Só que unidade não se constrói em torno de pessoas, mas de agendas mínimas.
Se alguém quer construir a unidade da esquerda agora, deveria estar promovendo um profundo debate nacional para construção de uma agenda mínima entre partidos populares e sindicatos.
Nós estamos tentando fazê-lo com o movimento por um novo projeto nacional. Que poderia ganhar outra dimensão com a participação efetiva de Lula.
Se vocês não querem lutar por nada disso, nos deixem trabalhar sem ofensas e sabotagens. Sei que isso parece um pedido ingênuo, mas a esquerda cobrará essa atitude em breve, e mais uma vez não adiantará culpá-la pelos resultados de suas decisões.
Quem ama o país e nosso povo, estará votando no mesmo candidato no segundo turno de 2018.
Estamos e estaremos juntos, mas não em tudo.
Abraços, companheiros!

domingo, 14 de maio de 2017

Eu não votarei em Ciro Gomes, nem em eventual segundo turno. Trata-se de um completo jaguara

Veja o inteiro teor da entrevista na BBC Brasil  

Vamos por partes, como nos ensina o magistério cirúrgico de Jack, o Estripador.

1. Li hoje, na BBC Brasil, a entrevista de Ciro Gomes.

2. Sempre o considerei um fanfarrão boquirroto, um leão-de-chácara de bailão de beira de estrada, mas, ainda assim, nele votaria em eventual segundo turno, especialmente se o PT e Lula o apoiassem.

3. Não votarei jamais nesse jaguara, acabou.

4. Não há contexto que explique as seguintes afirmações.

5. "Lula é o grande responsável por este momento político trágico que o Brasil está vivendo".

6. "Dito isso, tenho dito que não gostaria de ser candidato se o Lula for. Por quê? Não é propriamente uma homenagem a ele, é porque na hora em que for candidato ele racha o país em bases odientas, rancorosas, violentas, como nós estamos assistindo aos lulistas e antilulistas".

7. Trata-se, a meu definitivo juízo, de um completo filho da puta e nele não votarei.

8. E espero que ele não peça desculpas, eu não as aceito.

9. Hipocrisia por hipocrisia, fico com a minha.

10. E tenho, modestamente, dito.

domingo, 19 de março de 2017

Mijadinha básica nos cantos

Aqui, desocupado, concluo o que quero.

1. Ciro Gomes baixe sua bolinha.

2. Ciro Gomes deixe de ser valentão bêbado de bailão.

3. Ciro Gomes respeite Lula.

4. Ciro Gomes respeite o PT.

5. Ciro Gomes respeite a militância do PT.

6. Ciro Gomes coloque o PDT na sua devida perspectiva.

7. Ciro Gomes pare com bravatas e venha fazer política.

8. Ciro Gomes não me faça mandar você à merda.

9. Ciro Gomes, não sendo o Lula, votarei em você.

10. Ciro Gomes esteja avisado, entretanto.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Por que a Globo está atacando Lula com tanta fúria

Copiei do DCM
Por Paulo Nogueira

Valentemente, assim que os donos determinaram, os jornalistas da Globo pararam de falar no impeachment de Dilma.
Um deles, Erick Bretas, tratou até de trocar a foto de perfil de seu Facebook. Ele tinha colocado a inscrição “gave over” (fim de jogo), por ocasião de uma manifestação anti-Dilma, para a qual conclamara seus seguidores.
Trocou-a, com a nova orientação patronal, por uma bandeira do Brasil.
Agora, com a mesma valentia com que recuaram instantaneamente, os editores, colunistas e comentaristas da Globo avançam, novamente sob ordens patronais, contra Lula.
Todas as mídias da Globo vêm sendo usadas para investir contra Lula, por conta, naturalmente, de 2018.
Tevê, jornal, rádio, internet – são os Marinhos e seus porta-vozes contra Lula.
A novidade aí parece ser a substituição da Veja pela Época na repercussão dos sábados à noite do Jornal Nacional.
Nem para isso mais a Veja serve. Nem para servir de alavanca para o Jornal Nacional. É uma agonia miserável e solitária a da revista dos Civitas.
Lula, em seus anos no Planalto, nada fe para enfrentar a concentração de mídia da Globo, algo que é um câncer para a sociedade pelo potencial de manipulação da opinião pública.
E agora paga o preço por isso.
Verdade que, acertadamente, ele decidiu não ficar “parado”. Pássaro parado, disse Lula, é mais fácil de ser abatido.
E então Lula decidiu reagir.
Pelo site do Instituto Lula, ele tem rebatido as agressões dos Marinhos, minuciosamente.
E tem anunciado processos quando se sente injustiçado – um passo fundamental para colocar alguma pressão nos caluniadores e, também, nos juízes complacentes.
Há um tributo involuntário no movimento anti-Lula da Globo. É um reconhecimento, oblíquo que seja, de sua força.
É assim que o quadro deve ser entendido.
Quem pode ser o anti-Lula em 2018? Aécio, Alckmin e Serra, os nomes do PSDB, seriam provavelmente destruídos ainda no primeiro turno.
Imagine Lula debatendo com cada um deles.
Fora do PSDB, é um deserto ainda maior. De Marina a Bolsonaro, os potenciais adversários de Lula equivalem ao Vasco da Gama no Brasileirão.
Neste sentido, o boneco de Lula, o Lulão, surge mais como desespero da oposição do que como uma gesto criativo dos analfabetos políticos de movimentos como o Brasil Livre de Kim Kataguiri.
A Globo vem dando um destaque de superstar ao Lulão, como parte de sua operação de guerra.
E Lula tem respondido como jamais fez. No desmentido da capa da edição do final de semana da Época, ele citou um aporte milionário de 361 milhões de reais do BNDES na Globo, em 2001, no governo FHC.
Ali se revelou outra face dos sistemáticos assaltos da Globo ao dinheiro público: o caminho do BNDES. Não são apenas os 500 milhões de reais em média, ao ano, de propaganda federal. São também outros canais, como o BNDES.
Não é exagero dizer que a Globo, como a conhecemos (não como o jornaleco de província a que se resumiu por décadas) é fruto do dinheiro público.
Como Lula, caso volte à presidência em 2018, tratará a Globo?
É essa pergunta que atormenta os Marinhos, já suficientemente atordoados com o florescimento da internet em oposição à decadência da tevê.
E é isso que explica a heroica valentia patronal dos jornalistas da Globo.