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Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.
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domingo, 16 de março de 2025

Os velhos e velhacos das facções que atacam Lula

Copiei do indispensável DCM

Publicado por Moisés Mendes 

Atualizado em 16 de março de 2025 às 7:45


Direita e extrema direita acrescentaram um agravante aos defeitos que identificam em Lula. Diziam que não ele tinha diploma e não tinha um dedo e agora repetem todos os dias que Lula está velho.

O Estadão publicou esses dias essa chamada de capa, de texto assinado pelo economista Luis Eduardo Assis:

“Economia não é suficiente para explicar colapso de popularidade: Lula e PT envelheceram”.

Carimbam o partido e seu líder como velhos, repetindo uma tática disseminada como prioridade nesse início de ano pelo velho conservadorismo e pelo novo fascismo.

O velho a que se referem é mais do que o antigo ou desatualizado ou fora do tempo. Chamar de velho, nessas situações, é o jeito desqualificador de definir alguém como superado por ser imprestável, traste sem força ou caindo aos pedaços.

E esse é um cerco articulado por velhos que atuam no jornalismo, no que chamam de ciência política e no pensamento econômico. Lula é chamado de velho, aos 79 anos, por facções formadas por velhos.

Envelheceram e continuam ativos os principais líderes dos pensadores do antilulismo, do anticomunismo e do antipetismo, nas mais diversas áreas, principalmente nos jornalões e seus derivados.

JR Guzzo, o colunista preferido dos fascistas, está com 81 anos. Alexandre Garcia tem 84 anos. William Waack, 72 anos; Merval Pereira, 75 anos; Augusto Nunes, 75 anos; Eliane Cantanhêde, 72 anos; Dora Kramer, 70 anos; Carlos Alberto Sardenberg, 78 anos.

Luis Eduardo Assis, o autor do artigo do Estadão citado acima, é economista e ex-diretor de Política Monetária do Banco Central e tem 67 anos. Pode andar de ônibus de graça e pagar meia entrada no cinema.

Assis é protegido desde os 60 anos pelo Estatuto do Idoso. Pela linguagem que eles usam para atacar os velhos, é alguém que está, ainda no gerúndio, ficando velho.

O ídolo de quase todos eles, mesmo dos que não assumem a idolatria, foi ou ainda é Olavo de Carvalho, que morreu com 74 anos e na ativa. Donald Trump, em quem votariam antes do arrependimento agora contido, tem 78 anos. Bolsonaro chegou aos 70 anos.

Steve Bannon, gênio das lições do marketing do ódio da base política que sustenta essa gente, chegou aos 71 anos. O orientador religioso de boa parte do contingente que acompanha esses velhos pensadores da extrema direita, com Deus acima de tudo, chama-se Edir Macedo. Está com 80 anos.

É uma velharada intelectualmente musculosa e atuante, dedicada ao esforço de atacar Lula, o PT, as esquerdas e todas as possibilidades ao redor do lulismo, mesmo as de centro.

Por que atacam? A velharia de direita não se acha velha? Sabe que é velha, sente-se velha, vive como velha, pensa como velha, mas finge não ser velha. São velhos vivendo, na última etapa da vida, a pior experiência da velhice, a da subserviência aos poderosos.

E todos eles, quase figuras bíblicas da direita e da extrema direita brasileiras, sabem quais são essas ideias. Mas não se sentem culpados e dormem bem. Porque vivem do conforto oferecido aos bons subservientes.

Eles e outros do entorno poderão dizer que este texto contém etarismo por atacar os etaristas aliados do fascismo e chamá-los de velhos, e não de idosos. Não tem problema.

Podem dizer o que quiserem. Mantenho o que escrevi e faço uma ressalva. Estou exaltando aqui a vida ativa e produtiva de velhos que combinam suas falas com ideias e ações não só do conservadorismo, mas do fascismo. É quase um elogio a quem continua atuante como linha auxiliar da extrema direita.

Acrescento que o autor deste texto tem 71 anos e se esforça para não ser chamado de idoso neutro e se distanciar de velhos e velhacos a serviço de golpistas, da Faria Lima, de grileiros e milicianos.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

The Guardian recomenda livro sobre ‘o presidente mais popular da história do Brasil e talvez do mundo’

 Copiei do Blog de Um Sem Mídia 

   


‘LULA e sua política de astúcia: de metalúrgico a presidente do Brasil‘, de John D. French, é indicado por escritores do tradicional jornal inglês como uma leitura indispensável que faz parte de uma lista de obras que ‘explicam o mundo‘


O tradicional ducentenário jornal inglês The Guardian incluiu, nesta quarta-feira (15/12) um livro sobre a vida do ex-presidente Luiz Inácio LULA da Silva, escrito pelo pesquisador e historiador doutor John D. French, da Duke University, como uma das literaturas indispensáveis para ajudar a entender o mundo.

‘LULA e sua política de astúcia: de metalúrgico a presidente do Brasil‘ foi lançado em 2020. O autor se refere ao ex-presidente como ‘o presidente mais popular da história do Brasil e talvez do mundo‘. O pesquisador é um estudioso das classes sociais, raças e política do Brasil.

O Guardian diz, de acordo com o trecho da matéria que recomenda outros autores de vários temas distintos, que, à primeira vista, LULA e sua política da astúcia parece um livro sobre o passado do Brasil: a história de um líder sindical perspicaz que se tornou “o presidente mais popular da história do Brasil e talvez do mundo”.

O jornal lembra a viagem do ex-presidente à Europa e, em especial, sua passagem “magistral” pela França, onde relatou sua origem na pobreza até chegar à Presidência do Brasil, além de sua queda, que conhecemos como o golpe que o tirou das eleições de 2018. Mas, de acordo com o autor, lembra a redação do The Guardian, “a história ainda não acabou”, conforme escreveu o autor da obra, o doutor French, sobre “o protagonista de 76 anos, que parece prestes a um retorno político sensacional nas eleições presidenciais do próximo ano.

“O confronto iminente entre o esquerdista LULA e seu arquirrival de extrema direita, Jair Bolsonaro – eleito em 2018 depois que o ex-presidente foi preso por um juiz que passou a trabalhar para Bolsonaro – paira sobre a biografia de French“, diz o TG. 

“O desprezo do autor pelo atual presidente – a quem ele chama de “fascista de extrema direita” – também é claro“, escreve a redação do Guardian.

“Mas a estrela do show é a coragem e a sagacidade de um político que uma vez se comparou a uma jararaca“, diz o jornal.

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O Ornitorrinco Destrambelhado sabe muito bem que o jornal The Guardian foi comprado secretamente pelo PT, em operação comandada por um certo Vaulo Joberto Fequinel, em 2012, quando o sicário morava em Antonina.
Vaulo, conhecido apreciador de goiabas e balas de banana, utilizou grana de origem cubana (via Banco Central Barbudón), da Venezuela (via Banco Obrero del Orinoco) e da Coréia do Norte (Banco Central Park Kim Jung - 중앙은행 박김정
).

sexta-feira, 1 de março de 2019

Força, Presidente Lula!

Eu e Sonia, nossos filhos e oito netos, abraçamos sua dor infinita, presidente.
É o que podemos fazer.



sexta-feira, 27 de abril de 2018

POEMA 1236 PARA LULA

(quantos eu já fiz?)

penduro-me no sonho precário
na esperança meio esfarrapada
as poucas certezas não me aquecem
mas as dúvidas me protegem
nenhuma rede lá embaixo
mas decido avoar
e lá de cima proclamo
lula inocente
lula livre
lula presidente

domingo, 31 de dezembro de 2017

Lula, a Esfinge

Copiei do FB de Gustavo Conde

Dia pródigo para falar de Lula. Todo mundo só pensa em Lula, seja para odiar, seja para amar. Eu tento pensá-lo como um homem, um político, um estrategista, um formulador, um ex-presidente. Sem ele, não existe história do Brasil de 1978 para cá.

Odiar Lula é um grande e infame exercício de nulidade mental, preguiça intelectual, má fé existencial e mau-caratismo eleitoral. Critique Lula, mas argumente. Não deixa a baba escorrer pelo canto da boca.

Algo muito singelo que posso prospectar da leitura burra que se faz de Lula desde os anos 2000 é que muita gente acha que ele é socialista. A esses, eu só posso lançar um olhar de comiseração. Até a resposta retórica de Lula os ofendia: "sou metalúrgico" (e eles continuavam não entendendo). Chato explicar. Chato desenhar.

Basta dizer que a origem política de Lula é o sindicato. Não tem nada de romântico, nem de intelectual, nem de salvacionismo, nem de utopia. O socialismo é que foi atrás de Lula, porque Lula o aceitou e o compreendeu melhor que os próprios socialistas.

Qual socialista no mundo produziu uma política pública como a do bolsa-família (que, mais do que sua função ética de levar comida na mesa do pobre, ainda incendiou a economia, fazendo o país sair daquele marasmo econômico da era FHC)?

Qual socialista no mundo foi tão absurdamente democrático, perdendo três eleições majoritárias e, ainda assim, submeteu-se a mais um processo eleitoral?

Qual socialista no mundo teve 258.823.579 de votos ao longo de 30 anos de vida pública (e, pasmem, continua liderando pesquisas de opinião)?

Qual socialista no mundo foi tão perseguido pela imprensa, pela elite, pelo racismo, pela justiça e pelo ódio?

Qual socialista no mundo dialogou com tantas forças do tecido democrático com tanta desenvoltura e resultados: empresariado, movimentos sociais, entidades religiosas, sindicatos, imprensa, organizações não governamentais, sociedade civil, estudantes?

Qual socialista no mundo acumulou 300 bilhões de dólares de reservas internacionais?

Qual socialista no mundo pagou uma das maiores dívidas externas do planeta?

Qual socialista no mundo emprestou dinheiro ao FMI?

Qual socialista no mundo criou um banco para fazer frente ao FMI?

Qual socialista no mundo teve um Celso Amorim como chanceler?

Não se trata de colocar o socialismo em xeque, mas apenas de restituir alguma cifra de realidade ao argumento. Todo intelectual sério sabe que Lula nunca foi socialista e que isso é um dado fantástico: não é preciso ser socialista para lutar pela igualdade e pela democracia.

Lula é a prova de que a gestão pública não aceita a burocracia do pensamento acadêmico como elemento irradiador de políticas. Isso não é o papel de um líder histórico. Um acadêmico no poder é um desastre da natureza.

Cargos da dimensão de uma presidência de um país continental em desenvolvimento não é um trampolim carreirista qualquer: é uma responsabilidade que transcende as ambições mesquinhas de toda e qualquer classe média semi letrada. Compreender essa dimensão é tarefa hercúlea para a classe média, cognitivamente falando.

Essa faixa 'pequeno-burquesa' - só para evocar e agradar os socialistas remanescentes - ainda fantasia que Lula deveria ter sido um Fidel Castro. Ele deveria ter "eliminado" seus adversários políticos.

Ora, ora, ora. Curioso ver como o caudilho autoritário não está em Lula, mas em seus críticos. Reclamam que Lula fez alianças com coronéis, mas o que afinal eles queriam? Que Lula matasse os coronéis? Os coronéis do PMDB?

Sim, era o que eles achavam razoável. A solução dessa turma para os adversários é ELIMINAR o adversário. É a sofisticação estratégica deles. É por isso que a democracia não é para fracos. É por isso que a democracia exige coragem e humildade ao mesmo tempo. É por isso que eles não entendem a democracia.

Lula é uma esfinge para esses anti-analistas, mestres da não argumentação. Para eles, tudo é rótulo, tudo é estereótipo, tudo é frase feita, tudo é comunismo. Eles mal conseguem entender o que é racismo, quanto mais o que é política.

Pena que a história não seja uma donzela recatada e do lar. Ela não segue a lógica primitiva dos seres não argumentativos. A história gosta de conteúdo.

Para a história, o golpe é só um elemento narrativo extremamente poderoso. Um antissujeito, uma perturbação, um "tranco" semiótico que prepara a retomada da progressão e dos protagonismos das personagens principais.

E uma personagem de narrativa histórica que se preze não pode ser "transparente", visível a todo e qualquer leitor. Ela exige uma face enigmática, esfíngica, caso contrário anula-se o elemento de suspense.

Tudo isso só para dizer o seguinte: continuem não compreendendo o Lula. Ele se alimenta da não compreensão de vocês.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

A elite persegue Lula, mas o sentido de Lula persegue a elite

De Gustavo Conde, via Tijolaço

A elite brasileira – e incluo nela boa parte de seus ditos intelectuais que não aderem à ideia que compreender o mundo não se separa de transformá-lo  – tem um fantasma que a assombra, a cada dia, a cada ato, a cada segundo: Lula.

Não pelo que Lula, o velho homem de 71 anos, é , em si. Mas porque, neste final de século 20, início do 21, passou a ser o signo de um significante que habitou sempre, à procura de formas, de um povo em formação, de uma Nação que não tem outro caminho, pelo seu tamanho e riqueza, senão o de construir-se como tal.

Foi assim com todas elas: os EUA, a Rússia, a China, a Índia…

Recebo, pelo Facebook, o ótimo texto de um jovem, Gustavo Conde, que traduz muito bem este processo de onipresença de Lula na vida brasileira e o transcrevo, porque, façam o que fizerem, construíram uma lenda e lendas, é só olhar para trás, vivem muito mais e mais fortes que os meros fatos no imaginário coletivo que, afinal, é o faz uma nação:


"Eu não queria dizer isso. Pode ferir sensibilidades, desmanchar castelos de areia, coisa e tal. Mas, que se dane. O fato, nu e cru, é que Lula vai sendo canonizado, imortalizado e santificado no altar máximo da glorificação histórica. Nem Che Guevara, nem Fidel Castro, nem Nelson Mandela chegaram perto dessa dimensão.

E essa consagração é insuspeita: não há maior prêmio nem maior insígnia do que ser perseguido e caçado com este nível de violência pelo aparelhamento judicial e financeiro em uníssono, com o auxílio de toda a imprensa e dos serviços de “inteligência” nacionais e estrangeiros. É o maior reconhecimento de uma vida que teve um sentido maior, léguas de distância do que a maioria de nós poderia sonhar.

Nem todos os títulos honoris causa do mundo juntos equivalem a essa deferência: ser perseguido por gente do sistema, por representantes máximos do capital, da normatização social e da covardia intelectual, gente que pertence ao lado fascista da história.

Não há Prêmio Nobel que possa simbolizar a atuação democrática de Lula no mundo, nem todos os prêmios que Lula de fato ganhou ou recusou (a lista é imensa, uma das maiores do mundo). Porque a honraria mesmo que se desenha é esta em curso: ser o alvo máximo do ódio de classe e o alvo máximo do pânico democrático que tem fobia a voto.

Habitar 24 horas por dia a mente desértica dos inimigos da democracia e povoar quase a totalidade do noticiário político de um país durante 40 anos, dando significado a toda e qualquer movimentação social na direção de mais direitos e mais soberania, acreditem, não é pouco.

Talvez, não haja prêmio maior no mundo porque Lula é, ele mesmo, o prêmio. É ele que todos querem, para o bem ou para o mal. É o líder-fetiche, a rocha que ninguém quebra, o troféu, a origem, a voz inaugural, rouca, que carrega as marcas da história no timbre e na gramática.

Há de se agradecer essa grande homenagem histórica que o Brasil vem fazendo com extremo esmero a este cidadão do mundo. Ele poderia ter sido esquecido, como FHC. Mas, não. Caminha para a eternidade, para o Olimpo, não dos mártires, mas dos homens que lutaram e fizeram valer uma vida em toda a sua dimensão espiritual e humana.

A esquerda brasileira, de forte inspiração católica, costuma confundir santidade com pureza. No fundo, alguns como os microcéfalos de extrema direita, confundem mito – que é falso e frágil como o indivíduo – com lenda, que traduz uma história coletiva.

Tal como acreditam que possa existir paraíso, do qual depois de cruzados os umbrais, verdes e flores nos aguardam. Não, lamento, existe uma batalha que não cessa e batalhas precisam de bandeiras.

É isso o que os pretensiosos não compreendem. Que Lula pode ser e é um ser humano, com defeitos, dores, cansaços, erros, limitações.  Mas transcende tudo isso porque tem mais que um significado racional para cada brasileiro.

É um significante, algo que nos vem à mente quando pensamos que este país tem de ser o que é: grande, enorme, e dos brasileiros.

E por isso desponta gigantesco quando olhamos, desolados, o oceano de mediocridade que encobre a vida brasileira."

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Caso Odebrecht: Por que voltam a atacar Lula e sua biografia

Copiei de Lula
  

O ex-presidente Lula está mais uma vez no centro de intenso bombardeio midiático. Na liderança do ataque, o Jornal Nacional da Rede Globo divulgou 40 minutos de noticiário negativo em apenas 4 edições. Como vem ocorrendo há mais de dois anos, Lula é alvo de acusações frívolas e ilações que, apesar da virulência dos acusadores, não apontam qualquer conduta ilegal ou amparada em provas. Desta vez, no entanto, além de tentar incriminar Lula à força, há um esforço deliberado de reescrever a biografia do maior líder popular da história do Brasil.

Os depoimentos negociados pelos donos e executivos da Odebrecht – em troca da redução de penas pelos crimes que confessaram – estão sendo manipulados para falsificar a história do governo Lula. Insistem em tratar como crime, ou favorecimento, políticas públicas de governo voltadas para o desenvolvimento do país e aprovadas pela população em quatro eleições presidenciais.

São políticas públicas transparentes que beneficiaram o Brasil como um todo – não apenas esta ou aquela empresa – como a adoção de conteúdo nacional nas compras da Petrobras, a construção de usinas e integração do sistema elétrico, o financiamento da agricultura, o apoio às regiões Norte e Nordeste, a ampliação do crédito a valorização do salário e as transferências de renda que promoveram o consumo e dinamizaram a economia, multiplicando por quatro o PIB do país.

Estas políticas não foram adotadas em troca de supostos benefícios pessoais, como querem os falsificadores da história. Elas resultaram do compromisso do ex-presidente Lula de proporcionar uma vida mais digna a milhões de brasileiros.

Por isso Lula deixou o governo com 87% de aprovação e é apontado pela grade maioria como o melhor presidente de todos os tempos. É contra esse reconhecimento popular que tentam criar um falso Lula, apelando para o preconceito e até para supostas opiniões de quem chefiou a ditadura, de quem mandou prender Lula por lutar pela democracia e pelos direitos dos trabalhadores.

No verdadeiro frenesi provocado pela edição dos depoimentos da Odebrecht, é preciso lembrar que estes e outros delatores da Lava Jato foram pressionados a apresentar versões que comprometessem Lula. Mas tudo o que apresentaram, antes e agora, são ilações sem provas.

E é preciso lembrar também que essa teia de mentiras está sendo lançada contra Lula às vésperas do julgamento de uma ação na Vara da Lava Jato que pretende condená-lo não apenas sem provas, mas contra todas as provas testemunhais e documentais de sua inocência.

E lembrar ainda que o novo bombardeio de mídia foi deflagrado no momento em que, mesmo não sendo candidato, Lula é apontado crescentemente nas pesquisas como o favorito para as eleições presidenciais.

Por tudo isso, é necessário analisar cada uma das ilações apresentadas, para desfazer cada fio dessa a teia de mentiras.

Há algum ato ilegal de Lula relatado na delação da Odebrecht?

Não há. Delações não são provas, mas informações prestadas por réus confessos que apenas podem dar origem a uma investigação. A legislação brasileira proíbe expressamente condenações baseadas somente em delações, negociadas em troca da obtenção de benefícios penais por réus confessos. As delações devem ser investigadas e os depoimentos de delatores expostos ao questionamento dos advogados de defesa. Por enquanto, o que existe, são depoimentos feitos aos procuradores, a acusação, divulgados de forma espetacular antes dos advogados terem acesso a eles. 

No passado, depoimentos divulgados de forma semelhante - como os de Paulo Roberto da Costa, Nestor Cerveró e Delcídio do Amaral - quando confrontados com depoimentos em juízo dos mesmos colaboradores não revelaram qualquer crime ou prova contra o ex-presidente Lula.

É parte da estratégia de lawfare e uso da opinião pública da Lava Jato, teorizada por Sérgio Moro em artigo de 2004, "deslegitimar o sistema político" usando a mídia, e destruir a imagem pública dos seus alvos para substituir o devido processo legal pela difamação midiática.

Sítio em Atibaia

Há mais de um ano a Lava Jato investiga um sítio no interior de São Paulo. Os proprietários do sítio, que não é do ex-presidente Lula, já provaram a propriedade e a origem dos recursos para a compra do sítio. Mesmo o relato de Emílio Odebrecht e Alexandrino Alencar indicam que eles desconhecem de quem é a propriedade, além do que ouviram em boatos, e de que a reforma de tal sítio seria uma surpresa para o ex-presidente, dentro de uma ação que não o envolveu em uma propriedade que não é sua. É estranho nesse contexto que Emílio Odebrecht diga que na véspera do fim do mandato tenha "avisado" Lula da obra. E é inadmissível que o silêncio de Lula, diante do suposto aviso, seja interpretado como evidência. O sítio não é do ex-presidente, não há nenhum ato dele em relação ao sítio, nem vantagem indevida, patrimônio oculto ou contrapartida.

"Terreno"  e doações ao Instituto Lula

Como já foi repetido várias vezes e comprovado nos depoimentos e documentos, o Instituto Lula jamais recebeu qualquer terreno da Odebrecht. Ele funciona em um sobrado adquirido em 1991. O tal terreno foi recusado. E foi recusado porque sequer havia sido solicitado pelo Instituto ou por Lula. É prova do lawfare e perseguição a Lula que um terreno recusado seja objeto de uma ação penal.

O Instituto recebeu doações de dezenas de empresas e indivíduos diferentes. Todas registradas. As doações da Odebrecht não representam nem 15% do valor total arrecadado pelo Instituto antes do início de uma perseguição judicial. Todas as doações foram encaminhadas por meio de diretores com o devido registro fiscal. Jamais houve envolvimento de Antonio Palocci ou de qualquer intermediário nos pedidos de doação ao Instituto. Os depoimentos de delatores Alexandrino Alencar e Marcelo Odebrecht inclusive se contradizem sobre esse assunto.

“Conta amigo”, os milhões virtuais que Lula nunca recebeu

Esta é a mais absurda de todas as ilações no depoimento de Marcelo Odebrecht. Ele disse que Lula teria uma "conta corrente" na empresa. Ora diz que essa conta seria de 35 milhões, ora seria de 40 milhões, mas ressalva que jamais conversou com Lula sobre essa conta. Narra uma confusa movimentação de saída e entrada de recursos, citando a compra de um terreno (depois devolvido), uma doação ao Instituto Lula e supostas entregas em dinheiro vivo a Branislav Kontic, totalizando R$ 13 milhões. Diz ainda que parte da reserva continuou na tal conta.

Se for verdadeiro o depoimento, Marcelo Odebrecht teria feito, na verdade, um aprovisionamento em sua contabilidade para eventuais e futuros transferências ou pagamentos. Isso é muito diferente de dizer que havia uma “conta Lula” na Odebrecht, como reproduzem as manchetes levianas. A ser verdadeira, trata-se, como está claro, de uma decisão interna da empresa. Uma “conta” meramente virtual, que nunca foi transferida, nem no todo nem em parte, que nunca se materializou em benefícios diretos ou indiretos para Lula.

O fato é que Lula nunca pediu, autorizou ou sequer teve conhecimento do suposto aprovisionamento.

As três supostas evidências apresentadas sobre a conta virtual desmoronam diante da realidade, a saber: a) o terreno comprado supostamente para o Instituto Lula nunca foi entregue, porque nunca foi pedido por quem de direito; b) as doações da Odebrecht para o Instituto Lula foram feitas às claras, em valores contabilizados na origem e no destino, e informadas à Receita Federal, em transação transparente; c) a defesa de Branislav Kontic negou, em nota ao Jornal Nacional, que seu cliente tenha praticado as ações citadas pelos delatores.

Todos os sigilos de Lula e sua família - bancários, fiscal, telefônico - foram quebrados. O Ministério Público sabe a origem de todos os recursos recebidos por Lula, o destino de cada centavo ganho pelo ex-presidente com palestras e que Lula vive em um apartamento em São Bernardo do Campo desde a década de 1990. Onde estão os R$ 40 milhões?

Palestras

Após deixar a presidência da República, com aprovação de 87% e reconhecimento mundial, Lula fez 72 palestras para mais de 40 empresas. Entre elas Pirelli, Itaú e Infoglobo. Em todas as palestras foram cobrados os mesmos valores. Todas foram realizadas, e a comprovação de tudo relacionado as palestras já está na mão do Ministério Público do Distrito Federal e do Paraná. A imprensa deu a entender que a Odebrecht teria "inventado" essas palestras. Isso não foi dito de forma alguma mesmo nos depoimentos, que indicaram que as palestras eram lícitas e legítimas. E a Odebercht não foi a primeira empresa, nem a segunda, nem a terceira a contratar palestras de Lula. Microsoft, LG e Ambev, por exemplo, contrataram palestras pelos mesmos valores ANTES da Odebrecht. Segue a relação completa de paletsras entre 2011 e 2015 (aqui).

A legislação brasileira não impede que ex-presidentes deem palestras. Não impediria que eles fossem diretores de empresa, o que Lula nunca foi. 

Ajuda ao filho

Após deixar a presidência Lula não é mais funcionário público. Mesmo considerando real o relato de delatores que precisam de provas, Emílio Odebrecht e Alexandrino Alencar relatam que a ajuda para o filho de Lula iniciar um campeonato de futebol americano foi voluntária e após diversas conversas e análises do projeto. A expressão inserida em depoimento de "contrapartida"  de melhorar as relações entre Dilma e Marcelo Odebrecht  é genérica e de novo, mesmo que fosse real, não incide em nenhuma infração penal. Em 2011, anos dos relatos, Lula não ocupava nenhuma função pública. 

A liga de futebol americano existiu e não teve a participação ou sequer o acompanhamento de Lula. Os filhos do ex-presidente são vítimas há anos de boatos na internet de que seriam bilionários. Tiveram suas contas quebradas e atividades analisadas. E não são nem bilionários, nem donos de fazendas ou da Friboi.            

Frei Chico

De novo, mesmo considerando o relato dos delatores, que necessitam de provas, eventual relação entre a Odebrecht e o irmão de Lula eram relações privadas. Lula não tem tutela sobre seu irmão mais velho e não solicitou ajuda a ele, nem cuidava de sua vida. Não há relato de infração, nem de contrapartida, nem de que tenha sido o ex-presidente que tenha solicitado qualquer ajuda ao irmão.

Carta Capital

A breve menção a revista indica que Lula falou para Emílio Odebrecht ver o que poderia fazer e se poderia fazer algo para ajudar a revista, novamente após ter deixado a presidência da República. A relação entre dois outros entes privados  (Carta Capital e Odebrecht) não tem qualquer contato com Lula a partir disso e o pedido de verificação se poderiam anunciar na revista não implica em nenhum ilícito. Os executivos da Odebrecht mencionaram que o grupo prestou ajuda a diversos outros veículos de imprensa, podendo ser citado como exemplo o jornal O Estado de S.Paulo.

Angola

O depoimento de Emílio Odebrecht indica que os serviços contratados da empresa Exergia, para prestar serviços em Angola, foram efetivamente prestados. A Exergia tem como um dos seus sócios Taiguara dos Santos, filho do irmão da primeira esposa de Lula. Se posteriormente a queda de serviços em Angola houve um adiantamento de recursos entre as duas partes privadas, ele não teve qualquer envolvimento do já ex-presidente, nem isso é mencionado nos depoimentos. Lula jamais recebeu qualquer recurso da empresa Exergia ou de Taiguara, e isso já foi objeto de investigação da Polícia Federal, que não achou nenhum recurso dessa empresa nas contas de Lula.

Esse caso já é analisado em uma ação penal na Justiça Federal de Brasília. Comprovando-se a verdade dos depoimentos dos delatores, a tese da ação penal se mostra improcedente, a acusação de que não houve prestação de serviços e que eles seriam algum tipo de propina ou lavagem cai por terra. Ou seja, nesse caso os depoimentos não só não indicam qualquer crime como inocentam Lula nessa ação penal.

Doações eleitorais

O depoimento de Emílio Odebrecht é explícito ao dizer que nunca discutiu valores ou forma de doações eleitorais com o ex-presidente Lula. Lula não cuidava das finanças de campanha ou partidárias.

O PT e o ex-presidente sempre defenderam o fim de qualquer financiamento privado de campanhas eleitorais. Mas o Supremo Tribunal Federal só determinou o fim de contribuição de pessoas jurídicas em 2015.

O ex-presidente nunca autorizou ninguém a pedir doações de qualquer tipo em contrapartida de atos governamentais de qualquer tipo.

Estádio do Corinthians

Mesmo tomando como verdade os relatos de delatores, não há nenhum ato ilegal relatado do ex-presidente em relação ao Estádio Privado do Sport Club Corinthians. Em 2011 havia o risco de São Paulo ficar fora da Copa do Mundo. O ex-presidente sempre defendeu o uso do Estádio do Morumbi, como registrou publicamente o falecido presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio, mas em 2011 esse estádio foi vetado pela FIFA.O estádio do Corinthians de fato era um projeto menor. Com a possibilidade de sediar a abertura da Copa, o Corinthians construiu um estádio maior. O estádio, e isso é óbvio, não é do Lula, mas do Corinthians. Não só tem público lotado constantemente como a Rede Globo, empresa privada com fins lucrativos, já até usou o estádio vazio como estúdio dos seus programas de TV. 

Lula e a presidência

Lula é considerado em todas as pesquisas o melhor presidente brasileiro de todos os tempos, mesmo com a intensa campanha midiática contra ele. Lula também é o único presidente da história da República de origem na classe trabalhadora, nascido na miséria do sertão nordestino, migrante criado pela mãe. O único que superou todas essas condições adversas para ser o presidente que mais elevou o nome do Brasil no mundo.

Lula sempre agiu dentro da lei e a favor do Brasil antes, durante e depois da presidência, quando voltou para o mesmo apartamento que residia em São Bernardo do Campo antes de ir para Brasília.

Não foi só a Odebrecht que cresceu durante o governo Lula. A grande maioria das empresas brasileiras, pequenas, médias e grandes, cresceram no período. Milhões de empregos foram gerados e a pobreza e fome reduzidas de forma inédita no país. Foi todo o Brasil que cresceu no período de maior prosperidade econômica da democracia brasileira.

É hora de perguntar a quem interessa destruir Lula, quando o ex-presidente se posiciona contra o fim dos direitos trabalhistas e previdenciários. A quem interessa destruir Lula, quando o patrimônio brasileiro - reservas minerais na Amazônia, o pré-sal, estatais - são colocados a venda a preço de banana? A quem interessa reescrever a biografia do maior líder popular do país?

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Lula, 18/01/2017: a sombra do estado de exceção se ergue sobre nós

Copiei do FB de Denise Rohloff

Do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, hoje, na Folha:

Em mais de 40 anos de atuação pública, minha vida pessoal foi permanentemente vasculhada -pelos órgãos de segurança, pelos adversários políticos, pela imprensa. Por lutar pela liberdade de organização dos trabalhadores, cheguei a ser preso, condenado como subversivo pela infame Lei de Segurança Nacional da ditadura. Mas jamais encontraram um ato desonesto de minha parte.
Sei o que fiz antes, durante e depois de ter sido presidente. Nunca fiz nada ilegal, nada que pudesse manchar a minha história. Governei o Brasil com seriedade e dedicação, porque sabia que um trabalhador não podia falhar na Presidência. As falsas acusações que me lançaram não visavam exatamente a minha pessoa, mas o projeto político que sempre representei: de um Brasil mais justo, com oportunidades para todos.
Às vésperas de completar 71 anos, vejo meu nome no centro de uma verdadeira caçada judicial. Devassaram minhas contas pessoais, as de minha esposa e de meus filhos; grampearam meus telefonemas e divulgaram o conteúdo; invadiram minha casa e conduziram-me à força para depor, sem motivo razoável e sem base legal. Estão à procura de um crime, para me acusar, mas não encontraram e nem vão encontrar.
Desde que essa caçada começou, na campanha presidencial de 2014, percorro os caminhos da Justiça sem abrir mão de minha agenda. Continuo viajando pelo país, ao encontro dos sindicatos, dos movimentos sociais, dos partidos, para debater e defender o projeto de transformação do Brasil. Não parei para me lamentar e nem desisti da luta por igualdade e justiça social.
Nestes encontros renovo minha fé no povo brasileiro e no futuro do país. Constato que está viva na memória de nossa gente cada conquista alcançada nos governos do PT: o Bolsa Família, o Luz Para Todos, o Minha Casa, Minha Vida, o novo Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), o Programa de Aquisição de Alimentos, a valorização dos salários -em conjunto, proporcionaram a maior ascensão social de todos os tempos.
Nossa gente não esquecerá dos milhões de jovens pobres e negros que tiveram acesso ao ensino superior. Vai resistir aos retrocessos porque o Brasil quer mais, e não menos direitos.
Não posso me calar, porém, diante dos abusos cometidos por agentes do Estado que usam a lei como instrumento de perseguição política. Basta observar a reta final das eleições municipais para constatar a caçada ao PT: a aceitação de uma denúncia contra mim, cinco dias depois de apresentada, e a prisão de dois ex-ministros de meu governo foram episódios espetaculosos que certamente interferiram no resultado do pleito.
Jamais pratiquei, autorizei ou me beneficiei de atos ilícitos na Petrobras ou em qualquer outro setor do governo. Desde a campanha eleitoral de 2014, trabalha-se a narrativa de ser o PT não mais partido, mas uma “organização criminosa”, e eu o chefe dessa organização. Essa ideia foi martelada sem descanso por manchetes, capas de revista, rádio e televisão. Precisa ser provada à força, já que “não há fatos, mas convicções”.
Não descarto que meus acusadores acreditem nessa tese maliciosa, talvez julgando os demais por seu próprio código moral. Mas salta aos olhos até mesmo a desproporção entre os bilionários desvios investigados e o que apontam como suposto butim do “chefe”, evidenciando a falácia do enredo.
Percebo, também, uma perigosa ignorância de agentes da lei quanto ao funcionamento do governo e das instituições. Cheguei a essa conclusão nos depoimentos que prestei a delegados e promotores que não sabiam como funciona um governo de coalizão, como tramita uma medida provisória, como se procede numa licitação, como se dá a análise e aprovação, colegiada e técnica, de financiamentos em um banco público, como o BNDES.
De resto, nesses depoimentos, nada se perguntou de objetivo sobre as hipóteses da acusação. Tenho mesmo a impressão de que não passaram de ritos burocráticos vazios, para cumprir etapas e atender às formalidades do processo. Definitivamente, não serviram ao exercício concreto do direito de defesa.
Passados dois anos de operações, sempre vazadas com estardalhaço, não conseguiram encontrar nada capaz de vincular meu nome aos desvios investigados. Nenhum centavo não declarado em minhas contas, nenhuma empresa de fachada, nenhuma conta secreta.
Há 20 anos moro no mesmo apartamento em São Bernardo. Entre as dezenas de réus delatores, nenhum disse que tratou de algo ilegal ou desonesto comigo, a despeito da insistência dos agentes públicos para que o façam, até mesmo como condição para obter benefícios.
A leviandade, a desproporção e a falta de base legal das denúncias surpreendem e causam indignação, bem como a sofreguidão com que são processadas em juízo. Não mais se importam com fatos, provas, normas do processo. Denunciam e processam por mera convicção -é grave que as instâncias superiores e os órgãos de controle funcional não tomem providências contra os abusos.
Acusam-me, por exemplo, de ter ganho ilicitamente um apartamento que nunca me pertenceu -e não pertenceu pela simples razão de que não quis comprá-lo quando me foi oferecida a oportunidade, nem mesmo depois das reformas que, obviamente, seriam acrescentadas ao preço. Como é impossível demonstrar que a propriedade seria minha, pois nunca foi, acusam-me então de ocultá-la, num enredo surreal.
Acusam-me de corrupção por ter proferido palestras para empresas investigadas na Operação Lava Jato. Como posso ser acusado de corrupção, se não sou mais agente público desde 2011, quando comecei a dar palestras? E que relação pode haver entre os desvios da Petrobras e as apresentações, todas documentadas, que fiz para 42 empresas e organizações de diversos setores, não apenas as cinco investigadas, cobrando preço fixo e recolhendo impostos?
Meus acusadores sabem que não roubei, não fui corrompido nem tentei obstruir a Justiça, mas não podem admitir. Não podem recuar depois do massacre que promoveram na mídia. Tornaram-se prisioneiros das mentiras que criaram, na maioria das vezes a partir de reportagens facciosas e mal apuradas. Estão condenados a condenar e devem avaliar que, se não me prenderem, serão eles os desmoralizados perante a opinião pública.
Tento compreender esta caçada como parte da disputa política, muito embora seja um método repugnante de luta. Não é o Lula que pretendem condenar: é o projeto político que represento junto com milhões de brasileiros. Na tentativa de destruir uma corrente de pensamento, estão destruindo os fundamentos da democracia no Brasil.
É necessário frisar que nós, do PT, sempre apoiamos a investigação, o julgamento e a punição de quem desvia dinheiro do povo. Não é uma afirmação retórica: nós combatemos a corrupção na prática.
Ninguém atuou tanto para criar mecanismos de transparência e controle de verbas públicas, para fortalecer a Polícia Federal, a Receita e o Ministério Público, para aprovar no Congresso leis mais eficazes contra a corrupção e o crime organizado. Isso é reconhecido até mesmo pelos procuradores que nos acusam.
Tenho a consciência tranquila e o reconhecimento do povo. Confio que cedo ou tarde a Justiça e a verdade prevalecerão, nem que seja nos livros de história. O que me preocupa, e a todos os democratas, são as contínuas violações ao Estado de Direito. É a sombra do estado de exceção que vem se erguendo sobre o país.

domingo, 17 de julho de 2016

Sou Lula e não abro


Quase nenhum relincho político me decepciona tanto quanto ler ou ouvir críticas infundadas a Lula.

É evidente que ele não está livre de avaliações negativas; ninguém está. Eu mesmo já o censurei ferozmente por diversas ações que julgo equivocadas, pela malfadada "carta ao povo brasileiro", por promover alianças espúrias com a direita, por leniência com poderosos, pelos enormes tropeços de seu partido, etc, etc. 

Todavia tratar Lula como bandido e ladrão sem nenhuma prova efetiva é exercício explícito de ignorância, de preconceito e de ódio de classe.

Lula é nosso maior estadista, o presidente que tirou o Brasil do mapa da fome, o brasileiro que teve a ousadia de pensar efetivamente nos menos favorecidos e que em meros 8 anos transformou nosso país em um lugar (muito) melhor do que era antes; o homem que é visto em todo o mundo como o maior líder da América do sul nos últimos 50 anos e que, portanto, mereceria no mínimo respeito republicano até de seus adversários mais ferrenhos.

Mas nossa fétida burguesia, sua caricatura mal feita que responde por classe média e relevante parcela de gente pobre alienada só alimentam respeito e admiração por "homens de bem" - na acepção mais sectarista que esse termo pode carregar.

Luis Inácio é nordestino, é retirante, foi torneiro mecânico, foi líder sindical e mesmo presidente teve a petulância de manter seus hábitos simples - até em grampos ilegais ouve-se ele pedindo esfihas para um final de semana! Sendo e agindo assim só poderia mesmo causar meritocrática inveja e raiva por parte da fatia do Brasil que apenas valoriza classe social, carros de luxo, viagens a Miami, carros esportivos, aparecer na TV aberta e cor da pele.

Mais que decepção, no fundo tenho é pena dessa gente; serão ridicularizados pela história como a parcela imbecil do Brasil que xingou, avacalhou e endereçou ódio a um dos maiores filhos dessa nação.

Sou Lula e não abro.

Azar eterno dos que o defenestram.


domingo, 31 de janeiro de 2016

Lula não presta como todos nós, povo brasileiro

Copiei de Malu Aires

O que a gente tá assistindo, estes últimos instantes de agonia dessa imprensa ridícula, tá me revoltando um tanto que vocês nem imaginam como anda esse meu pobre coração.

O barco do Lula, uma embarcação pra pescar tilápia no lago, de alumínio (imagina encostar naquilo depois de exposto no sol quente), ser motivo pra essa insanidade vendida em primeira página...

A gente sabe que pra estes 1%, o melhor seria que Lula tivesse morrido daquele câncer na garganta. Proibido até de proferir suas últimas palavras, antes de morto... É tanto ódio que chega a ser crime.

Dona Marisa, Primeira-Dama, no dia da posse, estes mesmos canalhas lançavam manchetes ridicularizando sua simplicidade. Criticando até o fato dela ter usado um cabeleireiro pra ocasião. Seus filhos não podem trabalhar. Fossem traficantes, seriam glamourizados. Nem seus netos são respeitados pelos abutres.

Onde estão os donos e herdeiros da grande mídia, hoje? Seus simples empregados, vendedores de preconceitos e vilanias mil? Em espaçosas coberturas de frente pra cartões-postais. Em iates que consomem milhares de reais em diesel para pequenos passeios em Angra. Em casas cinematográficas irregularmente construídas no meio de reservas ambientais. Cercados de seguranças armados que transformam qualquer espaço público em privado.

Os que atacam Lula hoje e sempre, são os mesmos personagens que enriqueceram com a miséria do nosso povo. Que se fartaram de tudo o que o Brasil produzia, em troca do abandono do nosso povo, do analfabetismo do nosso povo, da pobreza extrema do nosso povo. São os que recebiam prêmios no exterior por reportagens da miséria, da fome, do descaso, da morte. São os que se entopem de cocaína pra fazerem cobertura de troca de tiros entre traficantes e a polícia. São os que contratam pedófilos pras suas emissoras. Os que dão prêmios às propagandas mais machistas. Os que produzem programas racistas. Novelas autodepreciativas. São os promotores do nosso atraso, da nossa esculhambação, de todos os preconceitos na nossa sociedade e são os porta-vozes do escárnio ao Brasil.

Lula não presta como todos nós, povo brasileiro, também não prestamos pra eles. Lula não pode ter apartamento numa praia poluída de SP, assim como os negros não podem frequentar universidades, assim como mulheres não podem ser empoderadas a quilômetros do fogão. Lula não pode ter um barco, nem a remo, assim como os pobres não podem ter carros. Assim como os índios não podem ter terra e água pra pescar e plantar mandioca, assim como, aos camponeses e seus filhos, só o tiro certeiro que os espere desprevenidos. Lula não pode dar palestras, assim como gays e lésbicas não podem exigir respeito, segurança e direito à vida. Lula não pode viajar pelo mundo e receber prêmios pelo combate à fome, assim como crianças pobres não podem ter comida na mesa, assim como pobres não podem andar de avião. Lula não pode ser visto ao lado de gente rica ou que tenha um sítio em Atibaia, assim como os meninos da periferia não podem ir ao shopping ou praia da Zona Sul.

A perseguição ao Lula simboliza a perseguição ao povo brasileiro e suas famílias que hoje podem exercer as mesmas conquistas de diploma, casa própria, carro do ano e viagens pra fora do país. A banalização de privilégios, responsáveis pelo abismo social que fazia de nós 3º mundo no século XVIII, interrompeu os planos da elite que queria deixar o Brasil entrar no século XX, só daqui 500 anos.

"Cortem as cabeças de quem pensa!"

"Cortem as mãos de quem produz!"

"Cortem as pernas de quem deu um passo à frente na vida!"

Ao Lula, nada. Aos pobres, nada. Aos nordestinos, fome e seca. Às mulheres, estupro e culpa. Aos negros, a marginalização eterna. Aos índios, a extinção. Aos brasileiros, a vergonha.

Este é o presente da mídia ao povo brasileiro - perseguição, escárnio, ódio e preconceito.

Lula, não os perdoe porque eles sabem muito bem o que estão fazendo.

sábado, 31 de outubro de 2015

O responsável pela capa infame da Veja tem nome e sobrenome: Giancarlo Civita


Inepto  
Este é o jaguara

O responsável pela capa criminosa da Veja desta semana tem nome e sobrenome: Giancarlo Civita.

Se Lula decidir processar alguém, é Gianca.

Num mundo menos imperfeito, Gianca pagaria por seu crime com uma temporada na cadeia.

Mas o Brasil é, infelizmente, muito imperfeito quando se trata de julgar plutocratas como ele.

Mesmo o diretor de redação da Veja, Eurípedes Alcântara, é um peão diante de Gianca. Eurípedes fazia o que Roberto Civita mandava e, morto este, faz o que Gianca manda.

Trabalhei com Gianca.

Gianca é aquele cara que não sabe fazer nada. Boa praça, no dia a dia, mas incompetente na plenitude.

Seu pai tem responsabilidade aí. Nunca treinou Gianca. Nunca deu a Gianca uma posição decente na Abril. Nunca acreditou em Gianca.

Excluído na Abril sob o pai, Gianca tentou alguns empreendimentos sozinho. Num deles, vendia revistas da Abril que comprava a preços de pai para filho.

Nunca acertou em nada.

Seu pai achava-o bonzinho demais para funcionar como executivo. “Sweet Gianca”, falava, depreciativamente.

Gianca sempre teve profundos problemas psicológicos e de afirmação. Uma vez, me disse que detestava revistas. “Meu pai sempre deu muito mais atenção a elas que a mim”, explicou.

Não as lia, e nem lia nada, muito menos livros. (Nunca vi um Civita com um livro na mão, aliás.) Gostava de ficar horas vendo desenhos no Cartoon Network.

A capa criminosa 
A aparência era talvez sua maior preocupação. Gianca sempre foi vaidoso. Alguns anos atrás, sumiu da empresa por alguns dias. Voltou cabeludo. Fizera um implante.

Parece que Gianca decidiu descontar seu complexo de inferioridade em Lula.

Ninguém nunca o levou a sério na Abril até que a natureza o fez assumir as rédeas, como primogênito de Roberto.

Roberto, como seu xará Marinho da Globo, não estava preparado para a hipótese de morrer. E por isso jamais preparou Gianca e nem seus outros dois filhos, Victor e Roberta.

Quando deu entrada no Sírio Líbanês, achava que era uma banalidade. Tinha uma cirurgia na segunda, e manteve na agenda reuniões de trabalho para a quinta, certo de que já estaria de volta à Abril.

Um imprevisto na cirurgia acabaria matando-o depois de uma prolongada temporada no hospital que custou 6 milhões de reais aos Civitas.

Nos últimos anos do pai, Gianca estava muito mais preocupado com o dinheiro que ele achava estar migrando para a terceira mulher de Roberto Civita, Maria Antônia, do que com os negócios.

Queria ter certeza de que a sua herança e a dos irmãos seria preservada.

Gianca, morto o pai, virou presidente executivo da Abril sem saber coisa nenhuma de administração e, muito menos, de jornalismo.

É a maldição das empresas familiares.

Sem saber fazer uma legenda, preside o Conselho Editorial da Abril, ao qual a Veja responde.

Dali, comanda a corrente de ódio que a Veja despeja sobre os brasileiros todos os dias e todas as horas.

É uma situação absurda e injusta. Os Civitas eram remediados quando se instalaram no Brasil, nos anos 1950.

Graças ao Brasil, a família se tornou riquíssima.

E a resposta de Gianca é esta: cuspir no Brasil. Levar os brasileiros a acharem que são o pior povo do mundo.

Uma família que recebeu tanto dos brasileiros age como se fosse credora, numa aberração sem precedentes.

Os Civitas se valem de uma estrutura jurídica feita para proteger gangsteres editoriais como eles.

Repito.

Num mundo menos imperfeito, esta capa da Veja conduziria Gianca a um lugar: a cadeia.



segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Por que a Globo está atacando Lula com tanta fúria

Copiei do DCM
Por Paulo Nogueira

Valentemente, assim que os donos determinaram, os jornalistas da Globo pararam de falar no impeachment de Dilma.
Um deles, Erick Bretas, tratou até de trocar a foto de perfil de seu Facebook. Ele tinha colocado a inscrição “gave over” (fim de jogo), por ocasião de uma manifestação anti-Dilma, para a qual conclamara seus seguidores.
Trocou-a, com a nova orientação patronal, por uma bandeira do Brasil.
Agora, com a mesma valentia com que recuaram instantaneamente, os editores, colunistas e comentaristas da Globo avançam, novamente sob ordens patronais, contra Lula.
Todas as mídias da Globo vêm sendo usadas para investir contra Lula, por conta, naturalmente, de 2018.
Tevê, jornal, rádio, internet – são os Marinhos e seus porta-vozes contra Lula.
A novidade aí parece ser a substituição da Veja pela Época na repercussão dos sábados à noite do Jornal Nacional.
Nem para isso mais a Veja serve. Nem para servir de alavanca para o Jornal Nacional. É uma agonia miserável e solitária a da revista dos Civitas.
Lula, em seus anos no Planalto, nada fe para enfrentar a concentração de mídia da Globo, algo que é um câncer para a sociedade pelo potencial de manipulação da opinião pública.
E agora paga o preço por isso.
Verdade que, acertadamente, ele decidiu não ficar “parado”. Pássaro parado, disse Lula, é mais fácil de ser abatido.
E então Lula decidiu reagir.
Pelo site do Instituto Lula, ele tem rebatido as agressões dos Marinhos, minuciosamente.
E tem anunciado processos quando se sente injustiçado – um passo fundamental para colocar alguma pressão nos caluniadores e, também, nos juízes complacentes.
Há um tributo involuntário no movimento anti-Lula da Globo. É um reconhecimento, oblíquo que seja, de sua força.
É assim que o quadro deve ser entendido.
Quem pode ser o anti-Lula em 2018? Aécio, Alckmin e Serra, os nomes do PSDB, seriam provavelmente destruídos ainda no primeiro turno.
Imagine Lula debatendo com cada um deles.
Fora do PSDB, é um deserto ainda maior. De Marina a Bolsonaro, os potenciais adversários de Lula equivalem ao Vasco da Gama no Brasileirão.
Neste sentido, o boneco de Lula, o Lulão, surge mais como desespero da oposição do que como uma gesto criativo dos analfabetos políticos de movimentos como o Brasil Livre de Kim Kataguiri.
A Globo vem dando um destaque de superstar ao Lulão, como parte de sua operação de guerra.
E Lula tem respondido como jamais fez. No desmentido da capa da edição do final de semana da Época, ele citou um aporte milionário de 361 milhões de reais do BNDES na Globo, em 2001, no governo FHC.
Ali se revelou outra face dos sistemáticos assaltos da Globo ao dinheiro público: o caminho do BNDES. Não são apenas os 500 milhões de reais em média, ao ano, de propaganda federal. São também outros canais, como o BNDES.
Não é exagero dizer que a Globo, como a conhecemos (não como o jornaleco de província a que se resumiu por décadas) é fruto do dinheiro público.
Como Lula, caso volte à presidência em 2018, tratará a Globo?
É essa pergunta que atormenta os Marinhos, já suficientemente atordoados com o florescimento da internet em oposição à decadência da tevê.
E é isso que explica a heroica valentia patronal dos jornalistas da Globo.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Resta, pois, que Ronaldo Caiado é, por herança genética, um pulha absoluto

Copiei a imagem de Goiás24Horas 
ronaldo-caiado
Ronaldo Caiado: pulha absoluto por herança genética

Estou a ler 'LUÍS CARLOS PRESTES - Um revolucionário entre dois mundos", de Daniel Aarão Reis, Companhia das Letras e, ao saber que este pulha absoluto chamou Lula de "bandido" (vejam aqui), lembrei-me deste trecho (fls. 78) que, ao relatar que forças combatiam a lendária Coluna Prestes, faz referência direta a TOTÓ CAIADO, certamente parente de Ronaldo Caiado, que não passa de um jagunção vestido com ternos bem cortados. Vejam, pois, quem de fato é bandido, geração após geração (Meus destaques):

"Constituídas quase sempre pelas forças públicas, ou por tropas arregimentadas pelos senhores de terra - compostas pelos chamados "jagunços" -, barbarizavam as populações, atribuindo seus crimes aos rebeldes. TOTÓ CAIADO, grande senhor de terra de Goiás, inauguraria um padrão que mais tarde seria retomado, em larga escala, pelos senhores do Nordeste, e da Bahia em particular, com seus "batalhões patrióticos": ROUBAVA E PILHAVA, VENDENDO DEPOIS O PRODUTO DO SAQUE EM MERCADOS LEGAIS E ILEGAIS."

De modo que, meninos e meninas, Ronaldo Caiado é, até geneticamente, um pulha absoluto.

Querem mais?

Vejam aqui suas relações com trabalho escravo; e aqui suas relações com o esquemão criminoso de Carlinhos Cachoeira. 

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Lula puxa freio de mão no começo da subida da ladeira e mina entusiasmo para enfrentar a direita

Tinha começado a escrever alguma coisa sobre o discurso de Lula, mas este texto fala tudo o que eu pretendia. É foda, meninos e meninas da estrelinha.
---xxx---
Copiei do Blog do Paulinho

Por Carlos Bandeira - Fórum

Frustração. Foi essa sensação que tomou conta dos militantes dos sindicatos, movimentos populares e organizações de juventude combativos que participaram da plenária dos movimentos sociais na quadra dos bancários.

A proposta original da plenária era animar a militância para as batalhas, discutir uma plataforma e organizar as lutas do próximo período, para enfrentar a ofensiva dos setores conservadores.

Ou seja, o momento era de organizar a tropa para encarar a guerra declarada no dia 15 de março.

O discurso do ex-presidente Lula, no entanto, foi um banho de água fria, com a defesa intransigente do governo Dilma, sem apresentar nenhuma contrapartida para as forças progressistas. Em resumo, ele disse que as pautas dos movimentos popular não serão atendidas, mas mesmo assim devem sustentar o governo.

O economia brasileira passa por um momento bastante complicado, em um quadro de crise econômica mundial. No entanto, o governo tem apresentado como remédio medidas que representam perdas para os trabalhadores.

Qual a contribuição o capital financeiro, os especuladores, as grandes indústrias e redes do setor de serviços, enfim, os milionários darão para enfrentar a crise?

Lula não deu uma palavra sobre essa questão. Pelo contrário. Afirmou que o governo quer melhorar a vida dos mais pobres sem mexer no patrimônio dos mais ricos. Até mesmo a bandeira da reforma política, a dita prioridade do PT, não apareceu no discurso do ex-presidente.

Para sustentar esse discurso, Lula leu manchetes de grandes jornais que, em 2003 e 2007, anunciavam o fracasso do seu governo. Ou seja, quem apostar contra Dilma agora errará como fizeram aqueles que agiram dessa forma antes…

Depois de 12 anos, os governos liderados pelo PT não fizeram reformas que mudassem a correlação de forças na sociedade, como a reforma política, mudanças no Poder Judiciário, a reforma tributária e a democratização dos meios de comunicação.

O problema é que nessa década os inimigos das mudanças sociais se organizaram, ganharam músculos e colocam suas artilharias contra o governo, promovendo protestos de massa, em um quadro de crise econômica sem perspectiva de retomada.

A jornada de lutas das forças progressistas no dia 13 de março demonstrou o potencial do movimento sindical, popular e organizações de juventude de crescer em um cenário de enfrentamento.

Era o início de um processo de lutas, com uma perspectiva multiplicadora a nível nacional, que poderia mudar a correlação de forças, ganhar corpo e colocar a esquerda na ofensiva no médio prazo.

No entanto, Lula puxou o freio de mão no começo da subida da ladeira, minando o entusiasmo daqueles que desejam ir além da defesa do governo e querem ir pra cima dos inimigos do povo brasileiro.

Foi no sentido contrário, inclusive, do presidente da CUT Vagner Freitas, que afirmou que não se deve admitir corte de direitos, criticou os ajustes do governo e o papel do ministro Joaquim Levy, cobrou taxação sobre fortunas e limites às remessas de lucro para o exterior.

O ex-presidente crê que será possível passar por essa violenta tempestade sem fazer enfrentamentos e anuncia de antemão que, nesses quatro anos de governo Dilma, nada será feito nesse sentido.

Os governos Lula/Dilma resistiram até agora porque a direita evitou levar a guerra até as últimas consequências, à espreita para o melhor momento do bote. Agora, ela quer.

E não se vence uma guerra sem luta. Bandeiras brancas não derrotam tanques, canhões e mísseis. Nem o George Soros, as 7 Irmãs do Petróleo, a Globo, o Gilmar Mendes e o Sérgio Moro.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Os próximos passos do esgoto midiático

Eu visito o DoLaDeLá todos os dias

Como a anunciada “solidariedade humana” da mídia é apenas da boca para fora – embora possa, sim, haver várias e honrosas exceções – existe, neste momento, um grande ponto de interrogação em seus estrategistas.
O que devem fazer?
Aproveitar-se do recesso forçado a que terá de se submeter a mais carismática figura da política brasileira e aguçar ainda mais os ataques ao Governo? Ou acreditar que a notícia do problema de Lula causou um estado de espírito na população que torna um acirramento de sua ofensiva de ataques um elemento de evidenciação de seus propósitos e de seu inconformismo com os resultados das eleições?
É provável que nossa mídia siga sua vocação de escorpião e recrudesça seus ataques, após alguns dias de perplexidade.
Mas, neste momento, sua capacidade de ação está limitada.
Hoje mesmo estão mandando suas pesquisas à rua – duvidam? – para saber o impacto da notícia.
A causa da direita brasileira é muito ruim, é indefensável.

De início, seu projeto manter o Brasil colonizado, com uma elite incapaz de um projeto próprio de país e uma classe média-alta que se compraz da pobreza geral, como forma de achar-se especial, com um “cosmopolitismo-provinciano” já se mostrou inviável ao primeiro sopro de progresso havido no Brasil.
Trilhou-se, nos últimos anos, um caminho sem volta, porque dissolveu-se o fatalismo da pobreza e do atraso nacionais.
Depois, por falta de projeto confessável para o país, ela está sem projeto político e, como não o tem, só lhe resta apontar o dedo para os governos progressistas e, não importando se verdadeiros ou falsos, apontar-lhes os malfeitos.
Como a UDN fazia, nos anos 50 e 60, mas sem um ingrediente que alimentava a velha direita, que era a polarização da Guerra Fria e o pavor ao “comunismo ateu e apátrida”. E sem a esperança que ela nutria – e, afinal, conseguiu – de rondar os quartéis.
Ainda assim, vão tentar atacar pela via que lhes resta. E contar com que, atacado, o Governo não possa contar com seu grande fiador: Lula.
Limitados como são, talvez não percebam que Lula, forçadamente calado, fala muito alto com a consciência dos brasileiros.
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O Ornitorrinco Petista, Ateu e Abortivo avisa, alto e bom som: não ousem desrespeitar Lula, viuvinhas, não ousem. Aqui, como sempre, bateu, leva nas fuças, corja golpista!