SOBRE O BLOGUEIRO

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Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.

domingo, 18 de março de 2018

Brasil nunca esteve preparado para a criminalização das drogas

Copiei do Justificando

Como se vê, Luis Carlos Valois é um
dos mais horrrorrrozzzos
juízes brasileiros!

Uma das alegações mais estranhas de quem teima em se colocar contra a legalização e consequente regulamentação das drogas, é a de que o Brasil não está preparado para a descriminalização. É como se o Brasil tivesse estado preparado para a criminalização, que é muito mais grave e prejudicial às liberdades, à vida, e aos demais direitos das pessoas.

Aliás, o Brasil nunca se fez essa pergunta, se estava preparado para criminalizar. Criminalizou tais drogas, que antes vendiam na farmácia, a mando dos EUA, submisso como em muitas outras áreas.

A história do Brasil nos congressos e convenções sobre drogas é de total vassalagem, aceitando a proibição mesmo sem qualquer estudo científico indicando esse caminho como o correto, e procurei demonstrar isso no meu livro “O direito penal da guerra às drogas” (2016).

Mas voltemos ao argumento de que o Brasil não está preparado para a proibição. Argumento estranho, que parece indicar que a descriminalização irá ocasionar o aumento do consumo.

Ora, será que alguém, sinceramente falando, conhece alguma pessoa que está esperando a descriminalização das drogas para fumar um baseado? O consumo aumentou justamente depois da proibição.

A saúde pública arca com os danos do cigarro, do álcool e das demais drogas, mas não é a proibição ou a descriminalização que vai diminuir isso, mas a educação, a orientação e o fim da hipocrisia, que a proibição enaltece, favorece e fortalece.

Aliás, os danos causados pelas drogas proibidas são causados principalmente pela proibição, que permite tais drogas sejam vendidas misturadas com qualquer sujeira, sem informação do conteúdo, do nível e da intensidade da substância a ser consumida.

Vários casos de overdose se dão simplesmente porque o usuário troca de traficante, principalmente porque o anterior foi preso ou morreu, e o novo, querendo ganhar mercado, aumenta a dose do produto sem informar.

Sempre vai haver drogas
Se levarmos em consideração que sempre vai haver drogas no mundo, e que não há uma solução definitiva para os problemas causáveis pelo uso indevido de algumas, talvez o Brasil esteja muito mais preparado – apesar de não estar preparado para quase nada – para a descriminalização do que para manter essa criminalização hipócrita e irracional. Nesse campo então, no campo da irracionalidade, somos campeões.

A prisão, onde se coloca o comerciante dessas substâncias – que chamamos de traficante para não percebermos a semelhança entre os seus comércios e os pontos de venda da Ambev ou da Souza Cruz, por exemplo – a prisão onde colocamos essas varejistas está cheia de drogas.

Sim, a prisão está cheia de drogas
E não adianta dizer que é a prisão brasileira, que há droga porque é ruim a administração. Drogas estão em todos os cantos, esquinas, escritórios, consultórios, gabinetes, corredores, salas, drogas estão também nas celas. 

A hipocrisia tem como base a cegueira seletiva e prazerosa de não ver o que não agrada ao hipócrita.

No Canadá, estudos da década de 1990 indicavam que 40% dos presos faziam uso de drogas nas prisões, com 11 % fazendo uso de drogas injetáveis. Na Austrália, na mesma época, 75% dos presos reportavam já ter feito uso de drogas injetáveis pelo menos uma vez enquanto encarcerados (JÜRGENS, 2000, p. 3).

Na Áustria, 20% dos presos estariam fazendo uso de drogas injetáveis na prisão (SPIRIG, 2002, p. 24). Para a ONU, no ano de 2013, na Europa, o uso de drogas entre presos, injetáveis e não injetáveis, variou entre 4 a 56% da população carcerária, com 11 países reportando o uso acima de 20%. (United Nations Office on Drugs and Crime. Word Drug Report, 2014, p. 13).

Todos os dados apenas ilustrativos, visto que qualquer estudo sobre drogas em prisões se dá sobre um objeto de pesquisa clandestino, passível de punição o usuário e dificilmente reconhecido pela administração, mesmo que seja a própria administração a facilitar a entrada dessas drogas.

Aliás, muitas pessoas chegam na prisão sem nunca terem usado drogas e na prisão têm o primeiro contato.

Na Rússia, um estudo indicou que 13% dos presos que fazem uso de drogas injetáveis começou a prática justamente na prisão. Na Europa como um todo, a porcentagem de presos que iniciam esse tipo de uso de droga na prisão gira em torno de 2 a 24% (STERN, 2006, p. 142).

Sobre tais fatos, acho que, no Brasil, não há necessidade de convencer as pessoas que pensam não estar preparado o país para a descriminalização por causa dos hospitais, pois elas devem saber que nossas prisões também não estão – nem nunca estiveram – preparadas para muita coisa.

Nem falarei da minha experiência de encontrar drogas nas prisões. Deixo com Dráuzio Varella, que nos conta a experiência de ter conhecido usuários de álcool, maconha, cocaína e crack no interior das prisões brasileiras, além de ter sentido, em visita a estabelecimento penal de Nova York, que presos fumavam maconha (1999, p. 136).

Conta também, o médico brasileiro, que em uma prisão-modelo de Estocolmo (vejam bem: prisão modelo de Estocolmo), vigiada por 350 funcionários, invariavelmente presos eram flagrados, nos exames de laboratório aos quais eram obrigados, tendo usado algum tipo de droga (Idem).

Assim, não pode haver maior irracionalidade do que encarcerar uma pessoa que estava vendendo uma substância em um local onde vende essa substância.

O Estado, as instituições, seus funcionários, perdem legitimidade, perdem poder – inclusive de comunicação – quando suas atividades estão baseadas na mais pura irracionalidade.

Nem falaremos da centralização e da estrutura que a reunião desses varejistas na penitenciária proporciona. O pequeno comerciante, aquele que não vai participar dessas reuniões, deve ficar assustado ao ver a droga que o levou ao cárcere sendo vendida na prisão e, pior, normalmente mais cara, devido aos custos da logística.

Luís Carlos Valois é Juiz de direito, mestre e doutor em direito penal e criminologia pela Universidade de São Paulo – USP, membro da Associação de Juízes para Democracia – AJD, e porta-voz da Law Enforcement Against Prohibition – LEAP (Agentes da Lei contra a Proibição).

JÜRGENS, Ralf. HIV/AIDS and drug use in prisons: moral and legal responsabilities of prisons, In: Drug use and prisons: an international perspective. New York, EUA: Routlegdge, 2000, p. 1-26.

SPIRIG, Harald. Drugs in prisions: the realities, 2002, p. 24

STERN, Vivien. Creatingcriminals: prisonsandpeople in a Market Society. Nova York, EUA: ZED BOOKS, 2006.

VALOIS, Luís Carlos. O direito penal da guerra às drogas. Belo Horizonte: Editora D’Plácido, 2016.

VARELA, Drauzio. Estação Carandiru. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.

ODE PARA MARIELLE

Copiei do indispensável Urublues

 

Marielle era mulher e negra a foi assassinada anteontem. Centenas de negros são assassinados no Brasil todos os dias. Muitos destes negros e negras assassinados eram policiais. Muitos cidadãos negros, muitos outros, mas que não são nem policiais nem soldados, são assassinados todos os dias.
Marielle era mulher e negra e vereadora. Foi eleita com 65.000 votos. Marielle não era só uma mulher negra: era uma delegada do povo. Ela representava milhares de pessoas, muitas pessoas mais que as que votaram nela. Marielle era um símbolo.
Marielle era negra e pobre. No entanto, venceu essas dificuldades, tornou-se socióloga, tornou-se militante. Em sua militância, conseguiu apoios e foi eleita vereadora. Uma vereadora dos pobres. Marielle era uma lutadora.
Mariele era vereadora e negra. Lutava pelos seus, os da Maré, da Rocinha, de Acari. Denunciava a morte de negros pela polícia. Denunciava a morte de policiais pelas milícias. Ajudava as famílias dos atingidos pela violência, sem distinção. Lutava contra a invasão das casas das pessoas sem mandado, contra a intervenção de Temer. Marielle era um alvo.
Marielle era vereadora e negra e mulher. Foi executada depois de denunciar as mortes que estavam ocorrendo sob a intervenção. Dois homens, cinco tiros, queima roupa. Coisa de gente que sabe do assunto. Marielle não é mais.
Marielle é uma, Marielle é muitas. Marielle é milhões.  Juntas as Marielles, de um lado e de outro da vida. A Marielle vereadora, a Marielle militante, a Marielle mulher, a Marielle lutadora. Marielle é mais.
Juntas as Marielles. Gritam seus gritos de dor e esperança. A Maré vai mudar. Marielle é um simbolo, um alvo. Marielle é mais.
Gritem todos que os direitos humanos só servem pra bandido. Quando a policia invadir sua casa, lembrem-se de Marielle.
(Jeff Picanço)

sábado, 17 de março de 2018

Marília Castro Neves, desembargadora carioca, é uma jaguara togada

Perguntei como deveria dirigir-me à desembargadora carioca Marilia Castro Neves, que fez calúnias contra Marielle Franco, e considera o bosta do sergio moro um "juiz templário", e meu primo bocudo e escatológico, Xaulo Foberto Tequinel, advogado virtual do qual mantenho prudente distanciamento, produziu o seguinte parecer: 

"vossa excrescência adotará a posição facilitadora que melhor lhe convier, livrando-se da toga esvoaçante e inútil e, depois de devidamente untado pela gosma da sua odiosa e inacreditável ignorância, introduzirá firmemente o dedão no seu meritíssimo e fedido reto; depois de respirar fundo, de inopino realizará movimento que resultará na completa rasgadura do seu orifício anal.
Publique-se. Intime-se. Cumpra-se. E sem um único pio ou muxoxo."

Entendem por que mantenho distância desse sujeito?

quinta-feira, 15 de março de 2018

Poema para Marielle Franco

(mais um poema inútil)

Marielle Franco
Vereadora do PSOL
Está morta
Anderson Gomes
Seu motorista
Está morto
Executados a tiros
Nem sabia de você Marielle
Soube hoje agora
Poderia dizer que a metralha 
Me atingiu
Metáfora confortável
Mas estou vivo
E é tão sem conforto
Essa minha vida
Que me resta apenas
Esta merda de poema inútil 
Recebam meu abraço
Apertado fraterno e inútil

domingo, 28 de janeiro de 2018

Sr. Desembargador, por que a surpresa?

Copiei do FB de Tania Mandarino

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Em decisão exarada na tarde dessa sexta-feira (26), o desembargador João Pedro Gebran Neto se mostrou surpreso com as três petições, que quatro inexperientes advogados atravessaram no processo do triplex, pedindo que Lula tivesse seu passaporte recolhido, sob risco de viajar para a Etiópia e não voltar.

Os garotos, dando prova de seu mais absoluto desconhecimento em relação à legitimidade constitucional para realizar esse tipo de pedido, se auto intitulavam “representantes da sociedade brasileira” e fundamentavam seu pedido na ausência de tratado de extradição entre os dois países, afirmando que Lula pediria asilo político, demonstrando, também, o mais absoluto desconhecimento a respeito da coragem de Lula.

Noutro trecho diziam temer que a manutenção do discurso de golpe armado pelo judiciário com a ajuda de setores da mídia como a Rede Globo, bem como o se igualar a Nelson Mandela e Tiradentes, demonstravam a intenção de Lula e de seu partido de incitarem a população e seus militantes à luta armada, de serem vítimas e de procurarem com isso o apoio internacional esquerdista.

Dois dos peticionários são sócios num escritório de advocacia em Maringá e atendem a rede de supermercados Super Muffato e a Nowax Petróleo do Brasil Ltda. Os outros dois são de Curitiba e São Paulo.

Em sua decisão Gebran relata que “os advogados Carlos Alexandre Klomfahs (OAB/SP 346.140), Rafael Costa Monteiro (OAB/PR 26.765), Diego Gonçalves Londero (OAB/PR) e Tuareg Nakamura Muniz (OAB/PR 61.856), não cadastrados no processo e sem representação de qualquer das partes, juntaram pedido para que o réu LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA seja impedido de ausentar-se do país e para que entregue o seu passaporte, argumentando que há risco de fuga e de aplicação da lei penal”.

Na parte dispositiva de sua decisão, o julgador concluiu que “a pretensão é despropositada, haja vista que os legitimados para requerer medidas da espécie estão expressamente indicados no art. 311 do Código de Processo Penal” e que, “nem mesmo sob a ótica do inusitado pedido para estabelecimento de ofício da restrição, ou mesmo da invocada representação em nome da sociedade brasileira”, não havia como dar trânsito ao pedido.

Não conhecendo dos pedidos, determinou o “imediato desentranhamento” das três petições dos autos do processo eletrônico.

Mas, vamos falar francamente, com o devido respeito, me dirijo diretamente a Vossa Excelência para anotar que há outras coisas bem mais estranhas que devem ser desentranhadas dos autos antes, Senhor Desembargador!

As petições dos quatro advogados aventureiros não nos causam espanto algum. O que nos espanta é a sua surpresa, isso sim nos deixa em estado de absoluta perplexidade!

Há tempos que a jurisprudência criada nos porões da 13ª vara federal criminal de Curitiba, e confirmada pelos senhores na última quarta-feira (24) em Porto Alegre, autoriza caveiras de burro processuais.

Vossa Excelência ainda não havia se dado conta disso?

Qual o impedimento para malucos não cadastrados no processo e sem representação de qualquer das partes atuarem num processo onde todo tipo de sujeira já foi, e continua sendo, praticada?

Qual a sua surpresa diante de um pedido de gente doida, que se pretende representante da sociedade brasileira, ser atravessado num processo todo enlameado e fedorento?

Acaso o Senhor não se deu conta de que, muito antes dos quatro meninos aloprados cometerem irregularidades processuais, um juiz de primeiro grau já mandara interceptar e vazar conversas telefônicas da Presidenta da República deste País? De que determinara conduções coercitivas a testemunhas que sequer tinham recebido intimação para depor?

Não percebeu as Prisões preventivas decretadas à revelia dos pressupostos do artigo 312 do CPP e da subsidiariedade da medida?

E o uso de prova ilícita, heim? O Senhor não viu que é abundante nos autos do mesmo processo em que o quarteto fantástico sedizente representante da sociedade brasileira peticionou?

Diga-nos, com sinceridade: as infindáveis ofensas à imparcialidade do juiz e ao devido processo legal, praticadas nos mesmos autos, o Senhor não viu mesmo?

Não percebeu quantas vezes Moro extrapolou sua competência na Lava Jato, invadindo a competência de Tribunais Superiores e ferindo de morte o Princípio do Juiz Natural?

Onde o Senhor estava quando as regras de conexão previstas no artigo 76 do Código de Processo Penal foram violadas por Sérgio Moro?

Quando o juiz de primeiro grau determinou que fossem grampeados telefones dos advogados de defesa de Lula, ferindo de morte as prerrogativas profissionais dos advogados da defesa, Vossa Excelência não se atentou para as violações dos artigos 5º, XII e 133 da Constituição Federal e 7º do Estatuto da OAB?

Vossa Excelência não prestou atenção na participação ativa do juiz Sérgio Moro nos acordos de delação premiada, fazendo as vezes de parte acusatória, em violação escancarada a ao Princípio da Imparcialidade do Juiz e ao artigo 4º, par. 6º da Lei 12.850/2013?

No julgamento da última quarta-feira (24), seus pares disseram por várias vezes que “a Lei é para todos”. Isso não o fez lembrar da permissão ilegal de vazamento de imagens de Lula para produção cinematográfica com título de mesmo nome, patrocinada sabe-se lá Deus por quem?

A flagrante partidarização e espetacularização do processo da Lava Jato. Vossa Excelência não percebeu? Fotos do juiz com o tucano Aécio Neves, também Não?

Não é incrível que, no julgamento da última quarta-feira em Porto Alegre, seu voto tenha mantido uma sentença de convencimento formado a partir de tantos vícios e ilegalidades processuais?

E o que dizer do aumento da pena para Luís Inácio Lula da Silva, proposto em seu voto e acatado pelos outros dois julgadores que, como Vossa Excelência, julgavam de cabeça baixa?

Depois disso, como pode o Senhor demonstrar qualquer surpresa diante da petição dos meninos, atravessada no processo como se fosse uma postagem de facebook? Acaso não consegue perceber que foi o Senhor quem os autorizou a isso quando renegou todas as regras processuais naquela quarta-feira, em Porto Alegre, juntamente com seus cabisbaixos pares?

Não se surpreenda, Senhor Desembargador!

Tampouco chame a atitude dos quatro garotos de inusitada!

Inusitada foi a decisão tomada pela sua Turma na última quarta-feira. Tudo o mais agora está autorizado em direito. Ou melhor, na ausência dele.

Mantenha aquelas três petições nos autos, é o meu pedido. Elas estão em perfeita sintonia com todo o andamento processual até aqui. Não as desentranhe! Elas são a cereja do seu bolo, Senhor Gebran! São seu espelho; olhem para elas diariamente, o Senhor e sua Turma. Deixe-as ali para lembra-los de que há um cadáver no armário. E esse cadáver é o Estado de Direito.

E não se mostre surpreso. Sua surpresa é que nos surpreende, e não aquelas três petições.

Tânia Mandarino, advogada.

sábado, 27 de janeiro de 2018

Lula precisa morrer

Copiei do FB de Fernando Horta

A classe média brasileira já decidiu isto. Se a morte for real tanto melhor, mas a morte política deve ser levada a efeito. E isto porque Lula é um arquivo ambulante. Lula é uma ofensa que anda e fala para este grupo.
Lula é a prova que a classe média brasileira não consegue melhorar de vida sem auxílio do governo. Uma classe média que só tem carro por programa de redução de impostos e concessão de crédito via bancos públicos. Uma classe média que só tem seus filhos na universidade por causa do ProUni e Fies. Uma classe média que só financiou casa pela abertura de linhas de crédito com juros subsidiados. Que só tem um emprego melhor por causa de um governo que distribuiu riqueza. 
O bar que vive majoritariamente de vender víveres para o dinheiro do bolsa família. A lojinha de celular que vive de atender demanda da classe baixa com dinheiro, graças ao pleno emprego e à programas sociais. O salão de beleza que aumentou a freguesia e recebe pessoas cujo emprego foi garantido pelo aquecimento das linhas de produção da construção civil, estaleiros, petróleo e etc.. A revenda de carro que só aumentou suas vendas quando os mais pobres puderam colocar seus filhos em universidades financiadas pelo governo.
Para esta gente, Lula é a testemunha do fracasso da sua meritocracia. Tudo o que ganharam nos últimos anos - e não o tinham feito no tempo de Collor ou FHC - depõe contra sua auto-estima. Não foi Deus, não foi o seu "esforço" ... não, não foi. Foram programas de governo de um metalúrgico que cresceu - este sim - por si só.
É a vergonha do "meritocrata" que monta negócio com linha de financiamento especial para pequena empresa criada pelo metalúrgico, que leva ao ódio. Aquele que não aceita e esconde que sua melhora de vida não é fruto majoritário do seu trabalho. Se assim o fosse, como ele sempre trabalhou, porque a melhora seria só nos últimos anos? Lula é o símbolo de que tudo o que esta gente sempre falou e se conveceu é uma mentira.
Cada vez que Lula fala, a classe média reconhece sua mediocridade. Cada palara é uma lembrança de que ela, classe média, só é hoje mais rica por causa do "analfabeto" que gerenciou um país.
O ódio a Lula é um misto de inveja, vergonha, baixa auto-estima uma grande dose de ignorância. A casa da praia é financiada pelas linhas da Caixa, o carro pelo Banco do Brasil com redução de imposto, o filho está na universidade com financiamento do governo e o emprego era por causa das desonerações e programas de incentivo do governo. Mas Lula e Dilma nunca fizeram nada. Foi Deus. Deus e o trabalho de quem parece que não trabalhou antes de 2003 e já está vendo que seu trabalho sozinho não sustenta seus sonhos. Mas não foi Lula ...

domingo, 31 de dezembro de 2017

Lula, a Esfinge

Copiei do FB de Gustavo Conde

Dia pródigo para falar de Lula. Todo mundo só pensa em Lula, seja para odiar, seja para amar. Eu tento pensá-lo como um homem, um político, um estrategista, um formulador, um ex-presidente. Sem ele, não existe história do Brasil de 1978 para cá.

Odiar Lula é um grande e infame exercício de nulidade mental, preguiça intelectual, má fé existencial e mau-caratismo eleitoral. Critique Lula, mas argumente. Não deixa a baba escorrer pelo canto da boca.

Algo muito singelo que posso prospectar da leitura burra que se faz de Lula desde os anos 2000 é que muita gente acha que ele é socialista. A esses, eu só posso lançar um olhar de comiseração. Até a resposta retórica de Lula os ofendia: "sou metalúrgico" (e eles continuavam não entendendo). Chato explicar. Chato desenhar.

Basta dizer que a origem política de Lula é o sindicato. Não tem nada de romântico, nem de intelectual, nem de salvacionismo, nem de utopia. O socialismo é que foi atrás de Lula, porque Lula o aceitou e o compreendeu melhor que os próprios socialistas.

Qual socialista no mundo produziu uma política pública como a do bolsa-família (que, mais do que sua função ética de levar comida na mesa do pobre, ainda incendiou a economia, fazendo o país sair daquele marasmo econômico da era FHC)?

Qual socialista no mundo foi tão absurdamente democrático, perdendo três eleições majoritárias e, ainda assim, submeteu-se a mais um processo eleitoral?

Qual socialista no mundo teve 258.823.579 de votos ao longo de 30 anos de vida pública (e, pasmem, continua liderando pesquisas de opinião)?

Qual socialista no mundo foi tão perseguido pela imprensa, pela elite, pelo racismo, pela justiça e pelo ódio?

Qual socialista no mundo dialogou com tantas forças do tecido democrático com tanta desenvoltura e resultados: empresariado, movimentos sociais, entidades religiosas, sindicatos, imprensa, organizações não governamentais, sociedade civil, estudantes?

Qual socialista no mundo acumulou 300 bilhões de dólares de reservas internacionais?

Qual socialista no mundo pagou uma das maiores dívidas externas do planeta?

Qual socialista no mundo emprestou dinheiro ao FMI?

Qual socialista no mundo criou um banco para fazer frente ao FMI?

Qual socialista no mundo teve um Celso Amorim como chanceler?

Não se trata de colocar o socialismo em xeque, mas apenas de restituir alguma cifra de realidade ao argumento. Todo intelectual sério sabe que Lula nunca foi socialista e que isso é um dado fantástico: não é preciso ser socialista para lutar pela igualdade e pela democracia.

Lula é a prova de que a gestão pública não aceita a burocracia do pensamento acadêmico como elemento irradiador de políticas. Isso não é o papel de um líder histórico. Um acadêmico no poder é um desastre da natureza.

Cargos da dimensão de uma presidência de um país continental em desenvolvimento não é um trampolim carreirista qualquer: é uma responsabilidade que transcende as ambições mesquinhas de toda e qualquer classe média semi letrada. Compreender essa dimensão é tarefa hercúlea para a classe média, cognitivamente falando.

Essa faixa 'pequeno-burquesa' - só para evocar e agradar os socialistas remanescentes - ainda fantasia que Lula deveria ter sido um Fidel Castro. Ele deveria ter "eliminado" seus adversários políticos.

Ora, ora, ora. Curioso ver como o caudilho autoritário não está em Lula, mas em seus críticos. Reclamam que Lula fez alianças com coronéis, mas o que afinal eles queriam? Que Lula matasse os coronéis? Os coronéis do PMDB?

Sim, era o que eles achavam razoável. A solução dessa turma para os adversários é ELIMINAR o adversário. É a sofisticação estratégica deles. É por isso que a democracia não é para fracos. É por isso que a democracia exige coragem e humildade ao mesmo tempo. É por isso que eles não entendem a democracia.

Lula é uma esfinge para esses anti-analistas, mestres da não argumentação. Para eles, tudo é rótulo, tudo é estereótipo, tudo é frase feita, tudo é comunismo. Eles mal conseguem entender o que é racismo, quanto mais o que é política.

Pena que a história não seja uma donzela recatada e do lar. Ela não segue a lógica primitiva dos seres não argumentativos. A história gosta de conteúdo.

Para a história, o golpe é só um elemento narrativo extremamente poderoso. Um antissujeito, uma perturbação, um "tranco" semiótico que prepara a retomada da progressão e dos protagonismos das personagens principais.

E uma personagem de narrativa histórica que se preze não pode ser "transparente", visível a todo e qualquer leitor. Ela exige uma face enigmática, esfíngica, caso contrário anula-se o elemento de suspense.

Tudo isso só para dizer o seguinte: continuem não compreendendo o Lula. Ele se alimenta da não compreensão de vocês.

sábado, 30 de dezembro de 2017

PROMESSAS PARA 2018

1. Praticarei, talvez, exercícios físicos e, com certeza, piruetas sentimentais, sem rede alguma, exceto pela presença indispensável e segura de Sonia.

2. Continuarei tomando meus vinhotes.

3. Curtirei meus 8 netos, todos eles, do jeito que for possível.

4. Regredirei politicamente, sendo que o fui nos anos iniciais do PT - um udenista de macacão (valeu, brizola!!!) - e tornar-me-ei um psolista iracundo, e buscarei ser amigo virtual da paula lavigne, essa insígne intelectual que orienta as decisões do freixo, aquele um que considera não ser hora da união das esquerdas.

5. Defenderei, então, que o PT - o maior e mais importante partido de esquerda do Brasil, e por muito mais tempo - num domingão do faustão-auto-de-fé, ajoelhe-se em contrição e auto-crítica judaico-cristã e, reconhecendo todos os seus erros medonhos, dissolva-se melancolicamente para que os revolucionários do psol e do pstu herdem sua base social.

6. Ocorre que, dissolvido o PT, psol e pstu não conseguirão, antes, entender-se sobre a divisão do espólio, estabelecendo critérios rígidos para aceitação de ex-petistas, o que resultará que mais 90% não serão admitidos nas fileiras xaltitantes e, depois, perderão tudo, permanecendo do mesmo e (diminuto) tamanho político e social que sempre tiveram.

7. O Ano Novo é meu e faço dele o que eu decidir fazer.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

FUGA EM DÓ MAIOR

Como sabemos
Eu, german e jean
Sonia foge
As vezes pra espanha
Outras pra minas
Está agora na bahia
O que esperamos
É que volte sempre 
Para as modestas possibilidades
Do capão raso

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

OS VERMES FELIZES

Copiei do indispensável Urublues

As chuvas estão cada vez mais intensas. Os temporais se avolumam, felizmente sem muito vento. Faz até um tempo mais fresco e agradável. No interior de Goiás, quando esse tempo começava, o pessoal dizia, com o acento característico: “invernô baum”.
O solo ainda não está encharcado, e as frutas “da água” começam a dar suas flores: nosso pé de acerola já começou a dar umas florzinhas tímidas e azuladas. Os passarinhos felizes saem a procurar alimento. Pardais vasculham a grama a procura de minhocas.
Os insetos zunem felizes com o calor e a umidade. Ficamos preocupados com os mosquitos: já houve um caso de chukungunha no bairro. Potes, vasos e utensílios domésticos devem ser virados pra baixo, pra não deixar a agua acumular.
De todos os animais do jardim, os mais felizes, entretanto, são os vermes da composteira. Cada vez que vou jogar alguma coisa por lá eu vejo que eles aumentaram em quantidade. Eles vivem numa superabundância. O calor, a umidade e a oferta contínua de alimento fazem vermes gordos e felizes. Restos de mangas e coisas moles e doces são as primeiras coisas a serem atacadas. É uma comilança feliz.
Estes dias, ao voltar da composteira, pensei nos projetos do governo golpista. O paralelo é claro. Estamos num momento em que tudo é feito com a maior desfaçatez. Milhões são aprovados em renúncias fiscais, em liberação de verbas parlamentares, em distribuição de cargos. Tudo em superabundância, como os vermes da composteira.
Nós, do outro lado, estamos em contenção de despesas, contingenciamento, penúria e escassez. Sem falar dos milhões de desempregados. A chuva e o calor ainda não chegaram.
Os vermes felizes e protegidos. Semana passada, ao tomar posse, o superintendente da Policia Federal fez um discurso obsceno sobre malas e provas. Mas ninguém prestou atenção. No máximo, umas figurinhas de “grr” no facebook.
Índios e pequenos posseiros continuam ameaçados por grileiros e capangas dos fazendeiros. Não há mais proteção, não há mais pudor. O sangue escorre dos grotões.
Nas cidades, pipocam aqui e ali os projetos da grife “Escola sem partido”. Com o discurso da moralidade, a censura ameaça as escolas e os professores. Só falta começar abertamente a caça às bruxas.
Faz calor, o mormaço se instala. O ar fica mais “pesado”, os insetos se agitam. O céu escurece. Vai chover. Os vermes, felizes, prosseguem sua faina de comer e comer e comer.
Parece que nada detém os vermes. As pessoas que diziam combater a corrupção estão felizes. O governo popular que os incomodava está por ora afastado. Os deputados e o presidente golpista estão perto de cercear a Policia Federal: uma mala cheia de dinheiro não prova nada.
Os tais dos meninos liberais estão assumindo sua cara de ogro e provando que o liberalismo brasileiro não é tão liberal assim. Os liberais de 64 aplaudiram a deposição de João Goulart, assim como os liberais da República Velha eram coronéis mandões e os do império não se opuseram a principio contra a escravidão. A perseguição moralista e censuradora que os jovens liberais fazem aos artistas e à liberdade artística está de acordo com as ideias autoritárias dos que querem a volta do autoritarismo militar. Tudo certo.
Os vermes continuam. A “suruba” dos vermes não para.
A primavera se desmancha em calor e umidade. Nuvens negras passeiam livremente pelo céu. Céu roxo, cinza chumbo, como diria o poeta. O pais assiste mudo à catástrofe que se aproxima.
Vamos permitir?
Os vermes – e só os vermes – estão felizes.