Era um gay qualquer ou nenhum
Um índio inútil
Um sem terra invasor
Que precisava saber-se submissa
Era um preto suspeito
Uma preta de cabelo ruim
Não era meu vizinho de condomínio
Não era aquele branquelo racista
Não era para que eu me preocupasse
Nas estufas, pássaros pipilam e fazem seus cocozinhos no canto adequado.
Sinos bimbalham nas estufas e são lindos os sons dos sinos.
E vicejam as teorias floridas e as consignas descoladas.
Tudo sob controle: temperatura e umidade, insolação e aeração, em níveis sempre adequados.
Não há erros nas estufas, teorias e consignas estão sempre cheirosas, limpas e apresentáveis, e como são revolucionárias!
Logo ali adiante, nas quebradas, cimento sujo, esgoto a céu aberto, telhas quebradas, o vento uivando, o pó entrando.
As teorias floridas e as consignas descoladas, antes tão cheirosas, empacam seus costados na aridez da realidade, na sordidez da realidade, na fedorenta realidade.
Passam fome as teorias floridas e as consignas descoladas, a água é turva e a comida é meio rala e, no mais da vezes, morrem de espanto.
Há quem aprenda com a sujeira dos erros, com o fedor dos recuos, com a aspereza da vida, e permita que as teorias perfeitas e as consignas sedutoras sejam, afinal, contaminadas pela vida.
Teorias devem ver-se assim, ou deveriam ver-se assim e há quem permita que teorias perfeitas sejam lambuzadas pela porra da vida.
Mas há quem insista em viver debaixo de estufas.
Eis-me aqui admitindo meus erros, eis-me aqui vivo, cabeça erguida, eis-me aqui encarando, olho no olho, meus filhos e netos.
Não é muita coisa minha modesta militância, mas é o que tenho, e os que vivem nas estufas terão sempre acolhida aqui em casa, mesmo que não me queiram nas suas.
Copiei do indispensável Tijolaço,
que visito todos os dias
Agora vai, merval pereira, agora a coisa da tal terceira via deslancha.
Depois de filiar-se ao phodemos, sergio moro, juiz ladrão e presidenciável, vê sua candidatura deslanchar por conta dos notáveis apoios que estão sendo anunciados, um após o outro, para gáudio e alegria dos jaguarinhas da globonews.
O primeiro, na semana passada, foi o deputado estadual por são paulo, arthur do val, o "mamãe falei".
Um passarinho boquirroto e comunista da linha búlgaro-abortiva, pousou em minha varanda gourmet e me garantiu que os próximos apoios entusiásticos serão de "papai deixou" (vereador arthur do vil, de santa rita do deus me livre), "titio não sabe" (arthur do pilar do vul, suplente de vereador de antonina do cacete a quatro), "vovó não viu nada" (vereador jaulo coberto requinel, de capão raso sur-lá-mèr), dentre outros mais ou menos votados.
A onda de novos apoios provocou frouxos de riso nos dirigentes do phodemos, menos em álvaro esticadinho dias que, depois de 18 operações no joelho direito (todas nos istaites), tem a cara sorridente e plastificada do coringa.
É ou não é, meninas e meninos que esperam, em êxtase gozozo, a consolidação da porra da terceira via?
Copiei do Blog de Um Sem Mídia
Pois andré mendonça, pastor de merda e jurista bíblico de escol, indicado por bolsonaro para o STF por ser "terrivelmente evangélico", foi afinal aprovado pelo senado federal como ministro da suprema corte, onde ficará por quase 30 anos, fodendo o estado laico, apagando luzes, fechando portas e janelas e merdas assemelhadas.
Horror absoluto, meninos e meninas, vez que o sujeito é parte da escória evangélica, do chorume neopentecostal.
"Credo cequinel, você é tão intolerante, é tão pouco educado!" dirão os néscios bonzinhos.
Fodam-se todos, seus merdas, o sujeito será sempre uma ameaça à democracia, ao futuro, ao brasil, aos nossos filhos e nossas filhas, aos povos originários, aos quilombolas, ao povo lgbt+, às mulheres, às religiões de matriz africana, aos sindicatos e organizações populares, o patife é uma ameaça concreta e direta à vida.
Tenho nojo derramado e definitivo de religiões, todas elas, sem nenhuma exceção, mesmo respeitando o direito estabelecido na nossa constituição de 88.
Aqui perto de casa tem um templo de uma igreja quadrangular e, para minha completa surpresa, na parede frontal e nos portões tem placas de uma empresa de segurança, Oliveira Martins - Proteção 24 horas.
E eu, inocente puro e besta, sempre considerei que o inexistente patifão esfumaçado que vive nas nuvens, onisciente e onipresente, é que cuidava da segurança dos templos e igrejas, além da fazer um suflê chuchu matador, dizem.
Assim sendo, proclamo mais uma vez minha fé incondicional em Tlazolteotl, a formidável Deusa Asteca Comedora de Imundícies.
Copiei do indispensável Viomundo
O SACO DO PAPAI NOEL
Por Lelê Teles, especial para o Viomundo
Solstício de inverno.
Do céu, gotejam levíssimos flocos de neve, encanecendo a copa dos pinheiros; um esquilo, esquálido, rouba uma noz da natureza e emburaca-se numa frincha de árvore, sorrateiro.
No dia mais curto do ano, o sol se encolhe e se esconde como se fosse a piroquinha de uma criança em manhãs muito frias.
Nessa mesmíssima data, os barbas ruivas da Europa do norte celebram, desde tempos remotos, seguindo uma tradição pagã, os dias vindouros que serão mais longos naquelas gélidas paragens.
Mas essa não era uma manhã como todas as nórdicas manhãs manhosas e friorentas.
Em algum lugar, alguém acendeu uma lareira para manter o coração aquecido.
Como se enxergasse e interpretasse o sinal de fumaça, lá na Lapônia, Papai Noel, triplamente vacinado, deu um suspiro de alegria, beijou um envelope de cartas, de olhos fechados, calçou as luvas, ajeitou o gorro, checou a mecânica do trenó, botou o saco no porta-sacos, meteu a cangalha nas renas e zarpou, veloz, em uma intrigante euforia.
Ho, ho, ho… cantava o bom velhinho, sob um céu colorido pela aurora boreal.
Lépidos e fagueiros, os veadinhos voavam, deixando atrás de si um rastro cintilante.
Na Noruega, depois de um longo dia de trabalho por toda a Escandinávia, Noel tirou a farda, assobiando.
Meteu um baraço na carruagem sem rodas e a amarrou num pinheiro, encheu um cocho com feno para alimentar os galhadinhos, passou uma loção na barba e borrifou perfume amadeirado no cangote, ajeitando a gola da camisa de flanela.
“Esperem um pouquinho que o vovô já volta”.
Rudolph, veado livre e vagalúmico, acendeu o narizinho vermelho e piscou para o patrão que, bochechas enrubescidas, sacou que o amiguinho havia sacado.
Findo o expediente e vestido à paisana, Noel dirigiu-se à casa de um homem de meia idade que havia lhe escrito umas cartas cheias de paixão e encharcadas de lágrimas quentes.
Noel chegou de surpresa ao endereço do infeliz solitário e, como se tivesse saído de dentro de um saco vermelho era, ele próprio, Noel, o presente com o qual o cabra esperava ser presenteado.
Duas taças rubras os aguardavam; brindaram, brincaram, trocaram olhares e mudas insinuações.
Até que uma flecha invisível atravessou seus corpos, desencadeando processos químicos que provocavam euforia, sudorese e um prazeroso estado de inebriamento felicitivo.
Deram-se as mãos e dançaram, crianças felizes, um gangar, uma polca, uma valsa e um slaater.
Amor à primeira vista, os dois se congelaram, frente a frente, saco com saco, e se deram um longo, quente e prazeroso beijo.
Ah, quem diria que aquele velho rechonchudo, encanecido, chamuscado e cansado de entrar e sair de lareiras, um dia encontraria o amor de sua vida…
Finalmente ele encontrou um pé que cabia naquela meia que deixam nas janelas.
Um romantismo capaz de fazer suspirar qualquer velhinha viúva e de lubrificar as mais assanhadas tias solteironas.
Indiferentes ao frio que faz lá fora, corpos em brasa, o casal segue o ritual do pré-acasalamento, frenéticos tateares, línguas nervosas, trocas de salivas…
A câmera lhes permite a privacidade, se afasta, saindo pela janela, trenóicamente.
Entra a assinatura de uma empresa de serviços postais que, com esse filme, celebrava meio século de efetiva liberdade afetiva naquele país, onde o velho Santa pode beijar quem ele bem entender.
Por muito tempo, confesso, fiz mau juízo de Noel, julguei que esse velhote fosse um pedófilo embusteiro; nunca engoli aquele lance de ficar botando crianças sentadas em seu colo.
E pensava assim porque sei que, geralmente, o bom velhinho nem é bom e nem é velhinho.
No Brasil, por baixo daquela fantasia de Papai Noel de shopping, geralmente tem um PM fazendo bico, um desempregado desesperado ou um ex-empreendedor uberizado que faliu por conta do aumento dos combustíveis.
Como disse o sábio Augustinho Carrara, se eu sou meu próprio patrão, eu também sou meu empregado, sendo assim, posso demitir-me quando a coisa apertar, fica bom pros dois.
Como se vê, são muitas as razões que levam um homem empobrecido a papainoar.
A sacanagem pode ser uma delas.
Note que esses noéis de shopping raramente são velhinhos, a barriga é postiça, a barba é postiça, o saco fica nas costas…
Uma fraude, em suma.
Há também quem considere que o Papai Noel é, em verdade, um papa anjo, porque as Mamães Noéis são sempre jovens e sempre surgem metidas em vestidos curtos, com as canelas de fora, as botas longas, como se fossem uma daquelas funkeiras que não sentem frio.
Mas esse é o Papai Noel brazuca.
O Noel que o noruego encontrou era um autêntico lapão; barbudo, velho e gordo, mesmo sem a farda.
E o comercial é bom porque também fala sobre afeto e carinho entre pessoas idosas.
O diabo é que a coisa não caiu bem em terras tupiniquins, temem, os fiscais do saco alheio, que Noel, além de encantar crianças ingênuas e senhoras assanhadas, agora revelado homoerótico, possa se converter em um fetiche para os homens de meia idade.
Vovôs, temem os temerosos, passarão a levar seus netinhos para o shopping numa ardilosa armação para flertar com o sacudo.
Rui Costa Pimenta e Aldo Rebelo também não enxergaram nenhuma poesia na cena. Não confundam renas com veados, ensinou Pimenta.
Acreditam, Rebelo e Pimenta, que o Papai Noel gay dos noruegos é um cavalo de troia.
Para eles, os serviços postais noruegueses usam essa peça de propaganda para entreter e alienar a juventude que, uma vez imbuída em defender o inusitado casal, esquece-se da luta de classes, embarcando nas malditas causas identitárias.
O povo deve seguir um único barbudo, Marx, parece dizer a dupla cringe.
O Governo Federal (do Brasil!), também se manifestou.
O secretário de fomento à cultura, senhor André Porciuncula, ameaçou:
“Estou verificando cada veículo de mídia que divulgou a cena do São Nicolau (Papai Noel). O santo é parte integrante da fé cristã, e, até onde eu sei, desrespeitar a fé alheia ainda é crime. Farei uma notícia-crime contra os envolvidos”, afirmou.
Ainda de acordo com o secretário, a mídia tem que respeitar a fé cristã.
O bu(r)rocrata só não soube dizer o que o Santa Clauss tem a ver com a fé cristã.
Imagina você, um santo tomando Coca-Cola, ao lado de um urso polar, fazendo propaganda de preservativos, lanchas, energéticos e vaporizadores.
“Pare de fumar fumando; ho ho ho”, e dá uma baforada no vape.
Santa nunca foi santo, é um personagem criado por um artista estadunidense que o vendeu à Coca-Cola.
Nada tem a ver com o arcebispo turco de nome Nicolau.
Tanto é que o velho Santa não frequenta igrejas, só é visto em shoppings e em festinhas de crianças ricas, “presenteia os ricos e cospe nos pobres”, como disseram os Garotos Podres.
Sim, é preciso focar as atenções na fome, no desemprego, nas barcaças que inundam o Rio Madeira de bandidos inescrupulosos que estão dispostos a tudo para poderem escarafuncharem o leito do rio, em busca de ouro.
No entanto, paralelo a isso, é preciso também tratar de outras fomes, igualmente urgentes, como o genocídio dos jovens negros, o feminicídio, o ecocído e o etnocídio, a brutalidade contra travestis e transexuais…
Quando se afirma que as causas identitárias são estruturais, está se contestando a estrutura; o sistema, portanto.
Elementar, diria o Sherlock.
Hoje mesmo, quando aqueles piscantes caminhões da Coca-Cola passarem na minha rua, com Noel, renas e um urso polar gigante tomando um refri, eu mandarei um beijo ao Santa, seguido de uma maliciosa piscadela.
De agora em diante, o saco do Papai Noel virou, ele mesmo, um presente.
Palavra da salvação.
*Lelê Teles é jornalista, publicitário e roteirista.
Copiei do indispensável DCM
(o título desta postagem é meu)
CARTA ABERTA AO SR. SERGIO MORO
(Des)prezado Sr. Moro,
Fiquei sabendo que o senhor vai se filiar ao partido Podemos, aquele mesmo, cheio de processos por corrupção, para se candidatar ao Senado Federal ou à presidência da República, prometendo combater, o quê? A corrupção!
O senhor não deve ser bom de debates, porque em sua vida pública nunca nos pareceu que desse ouvidos para as duas partes ou mesmo para o contraditório, como se espera de um juiz (eu ia dizer “de um juiz imparcial”, mas “juiz” e “imparcial” é, ou deveria ser, pleonasmo).
Desfaçatez não lhe falta, sabemos todos, mas ver o senhor cara a cara com o ex-presidente Lula, que o senhor tirou do páreo para se tornar ministro do seu principal oponente, seria sonhar alto demais.
Então, como cidadã comum e eleitora, venho lhe fazer um convite: me chame para um debate; uma conversa, que seja! Sou professora de Economia e gostaria de saber quais são seus planos nessa área.
Porque quebrar a Petrobras e as empreiteiras e jogar mais de 15 milhões de brasileiros na vala do desemprego, o senhor soube fazer. Quero ver, caso eleito, como o senhor procederia para conseguir o efeito contrário.
Ah, escrevi vários livros didáticos de Economia, ensinando desde o bê-á-bá até os modelos econômicos mais complexos, mas sei que o senhor não gosta de ler… Mesmo porque, se gostasse, lhe enviaria o meu mais recente livro, “Era só para envolver o Lula na Zelotes”, para podermos discutir o lawfare praticado e disseminado pelo senhor e pela Lava Jato, em pé de igualdade.
Fica então o convite.
Aguardo o retorno.
Sem mais,
Maura Montella
(Professora de Economia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e autoria do livro Operação Zelotes)
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O Ornitorrinco Bocudo pede a palavra para dizer que sempre considerou esse patife do sergio moro um completo e acabado jaguara togado, muito antes de o STF declará-lo juiz ladrão.
Vejam aqui, aqui, aqui,aqui,e chega, que tem muito mais.