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Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.

segunda-feira, 27 de maio de 2024

A humanidade precisa parar “israel” como parou o nazismo: pelas armas

Copiei do indispensável VIOMUNDO

NOTA PÚBLICA

FEPAL 

Federação Árabe Palestina do Brasil


Os horrores testemunhados pela humanidade hoje, em Rafah, extremidade sul de Gaza, um sexto de seu minúsculo território, onde se acumulam mais de 2 milhões de palestinos em tendas, devido a mais ataques indiscriminados de “israel”, com dezenas de carbonizados, quase todos crianças e mulheres, são desafio à raça humana maior que foi o nazismo.

Se é assim, “israel” e o sionismo, ideologia supremacista idêntica ao nazismo e demais supremacismos coloniais, devem ser parados pela força das armas, como foi parada a Alemanha nazista.

Já são, considerando desaparecidos sob os escombros, mais de 46 mil civis palestinos exterminados em 233 dias, mais de 2% da população de Gaza. Seriam mais de 4 milhões no Brasil e mais de 15 milhões na Europa, no espaço da segunda guerra mundial.

As crianças assassinadas já passam de 20 mil, 45% do total de assassinados. São mais de 9 mil por milhão, superando as 2.800 por milhão mortas no período nazista, em 6 anos.

As mulheres assassinadas já passam de 11 mil, 25% do total de exterminados, com pelo mil mortas grávidas. São as maiores matanças de crianças e mulheres da história!

A destruição de Gaza já passa dos 80%, superando a das cidades mais arrasadas na segunda Guerra Mundial. Detalhe: em Gaza em 233 dias, contra 6 anos no período nazista.

Todos os lugares definidos por “israel” como seguros foram atacados e milhares dos que neles estavam abrigados perderam suas vidas.

“israel” perseguiu os palestinos em todos os seus abrigos para assassiná-los em massa.

Os assassinatos de médicos, jornalistas, funcionários da ONU, da defesa civil e de ONGs humanitárias não têm paralelo na história das guerras e dos genocídios.

Os feridos já se aproximam de 90 mil, quase todos graves e mutilados, padecendo para morrer porque todos os hospitais foram destruídos e não há medicamentos, água ou comida.

A fome já foi tornada arma de guerra e mata centenas, especialmente crianças e mulheres, além dos doentes e anciãos.

A ordem para parar o genocídio emitida pela Corte Internacional de Justiça em 26 de janeiro ainda não foi obedecida, tal qual a de cessar-fogo do Conselho de Segurança da ONU. Desde estas ordens, mais de 20 mil palestinos foram exterminados.

O mundo declarou guerra à Alemanha nazista ainda em 1939, quando a máquina nazista fizera muito menos do que “israel” promove desde 7 de outubro na Palestina. O mundo não pode seguir assistindo calado ao maior genocídio da história.

Passou da hora da humanidade frear a máquina genocida de “israel”, que é pior que a nazista também por ser nuclear, isto é, ameaçar o fim da existência humana.

“israel” e seu genocídio só serão parados pela humanidade pegando em armas. Foi assim que o nazismo foi parado; será assim com o regime supremacista e genocida de “israel”.

Clamamos ao Brasil e ao mundo que parem o extermínio do povo palestino.

Que seja construída uma força internacional de paz, com força bélica suficiente para colocar freio à máquina assassina de “israel”. Para impor imediato cessar-fogo. Para encarcerar todos os implicados no genocídio palestino.

Precisa ser agora, antes que seja tarde demais, com “israel” tendo alcançado seu único objetivo, perseguido pelo sionismo desde 1897, quando do 1° Congresso Sionista, e desde dezembro de 1947, quando fascistas sionistas armados iniciam a limpeza étnica da Palestina, a maior da história.

Basta! A humanidade precisa parar “israel” como parou o nazismo: pelas armas

Palestina Livre do genocídio e do apartheid a partir do Brasil, 26 de maio de 2024, 77° ano da Nakba.

segunda-feira, 13 de maio de 2024

Carrascos voluntários de Israel

Copiei do indispensável BRASIL 247 

Centenas de milhares de pessoas estão sendo forçadas a fugir depois que mais da metade da população de Gaza se refugiou na cidade fronteiriça de Rafah.

13 de maio de 2024, 16:41 h

Corram, exigem os israelenses, corram por suas vidas. Corram de Rafah da mesma maneira que correram de Gaza City, da mesma maneira que correram de Jabalia, da mesma maneira que correram de Deir al-Balah, da mesma maneira que correram de Beit Hanoun, da mesma maneira que correram de Bani Suheila, da mesma maneira que correram de Khan Yunis. Corram ou nós vamos matá-los. Vamos lançar bombas de 2.000 libras sobre seus acampamentos de barracas. Vamos pulverizá-los com balas de nossos drones equipados com metralhadoras. Vamos bombardeá-los com artilharia e tiros de tanque. Vamos derrubá-los com atiradores de elite. Vamos dizimar suas barracas, seus campos de refugiados, suas cidades e vilas, suas casas, suas escolas, seus hospitais e suas estações de purificação de água. Vamos fazer chover morte do céu.

Corram por suas vidas. Novamente e novamente. Arrumem as poucas e patéticas coisas que restaram. Cobertores. Alguns potes. Algumas roupas. Não nos importamos com o quanto vocês estão exaustos, com fome, aterrorizados, doentes, sejam velhos ou jovens. Corram. Corram. Corram. E quando vocês correrem aterrorizados para uma parte de Gaza, vamos fazer vocês darem meia volta e correrem para outra. Presos num labirinto de morte. Para frente e para trás. Para cima e para baixo. De um lado para outro. Seis. Sete. Oito vezes. Nós brincamos com vocês como ratos numa armadilha. Depois os deportamos para que jamais possam retornar. Ou os matamos.

Deixe o mundo denunciar o nosso genocídio. O que nos importa? Os bilhões em ajuda militar fluem sem controle do nosso aliado americano. Os jatos de combate. As cargas de artilharia. Os tanques. As bombas. Um suprimento interminável. Nós matamos crianças aos milhares. Matamos mulheres e idosos aos milhares. Os doentes e feridos, sem medicamentos e hospitais, morrem. Nós envenenamos a água. Cortamos o alimento. Fazemos vocês passarem fome. Nós criamos esse inferno. Nós somos os mestres. A lei. O dever. Um código de conduta. Eles não existem para nós.

Mas primeiro nós brincamos com vocês. Nós os humilhamos. Nós os aterrorizamos. Nos divertimos com o seu medo. Nos divertimos com as suas tentativas patéticas de sobrevivência. Vocês não são humanos. São criaturas. Untermenschen [sub-humanos]. Nós nos divertimos com nosso libido dominandi - nosso desejo de dominação. Vejam nossas postagens nas redes sociais. Elas se tornaram virais. Uma mostra soldados sorrindo numa casa palestina com os proprietários amarrados e vendados ao fundo. Nós saqueamos. Tapetes. Cosméticos. Motocicletas. Joias. Relógios. Dinheiro. Ouro. Antiguidades. Nós rimos da sua miséria. Nós aplaudimos a sua morte. Nós celebramos a nossa religião, a nossa nação, a nossa identidade, a nossa superioridade, negando e apagando a de vocês.

A depravação é moral. A atrocidade é heroísmo. O genocídio é redenção.

Jean Améry, que estava na resistência belga durante a Segunda Guerra Mundial e foi capturado e torturado pela Gestapo em 1943, define sadismo "como a negação radical do outro, a negação simultânea do princípio social e do princípio da realidade. No mundo do sádico, a tortura, a destruição e a morte triunfam: e tal mundo claramente não tem esperança de sobrevivência. Pelo contrário, ele deseja transcender o mundo, alcançar soberania total negando os semelhantes humanos - que ele vê como representando um tipo específico de 'inferno'."

De volta a Tel Aviv, Jerusalém, Haifa, Netanya, Ramat Gan, Petah Tikva, quem somos nós? Lavadores de pratos e mecânicos. Operários de fábrica, coletores de impostos e taxistas. Coletores de lixo e funcionários de escritório. Mas em Gaza nós somos semideuses. Podemos matar um palestino que não se despe até à roupa de baixo, caia de joelhos, suplique por misericórdia com as mãos amarradas atrás das costas. Podemos fazer isso com crianças tão jovens quanto 12 anos e homens tão velhos quanto 70 anos de idade.

Não há restrições legais. Não há código moral. Só há o êxtase intoxicante de exigir formas cada vez maiores de submissão e formas cada vez mais abjetas de humilhação.

Podemos nos sentir insignificantes em Israel, mas aqui, em Gaza, somos King Kong, um pequeno tirano em um pequeno trono. Percorremos os escombros de Gaza, cercados pelo poder de armas industriais, capazes de pulverizar em um instante blocos de apartamentos inteiros e bairros, e dizemos, como Vishnu, "agora me tornei a morte, a destruidora de mundos".

Mas não estamos satisfeitos apenas com matar. Queremos que os mortos vivos prestem homenagem à nossa divindade.

Este é o jogo jogado em Gaza. Foi o jogo jogado durante a Guerra Suja na Argentina, quando a junta militar "desapareceu" 30.000 de seus próprios cidadãos. Os "desaparecidos" foram submetidos à tortura - quem não pode chamar o que está acontecendo com os palestinos em Gaza de tortura? - e humilhados antes de serem assassinados. Foi o jogo jogado nos centros de tortura clandestinos e prisões em El Salvador e no Iraque. É o que caracterizou a guerra na Bósnia nos campos de concentração sérvios.

Essa doença esmagadora da alma nos percorre como uma corrente elétrica. Infecta cada crime em Gaza. Infecta cada palavra que sai das  nossas bocas. Nós, os vitoriosos, somos gloriosos. Os palestinos não são nada. São vermes. Eles serão esquecidos.

O jornalista israelense Yinon Magal no programa "Hapatriotim" no Canal 14 de Israel, brincou que a linha vermelha de Joe Biden era a morte de 30.000 palestinos. O cantor Kobi Peretz perguntou se esse era o número de mortos por dia. A plateia irrompeu em aplausos e risos.

Colocamos latas "armadilhadas" que se assemelham a latas de comida nos escombros. Palestinos famintos são feridos ou mortos quando as abrem. Transmitimos os sons de mulheres gritando e bebês chorando de drones para atrair palestinos para fora para que possamos atirar neles. Anunciamos pontos de distribuição de alimentos e usamos artilharia e atiradores para realizar massacres.

Nós somos a orquestra neste baile da morte.

No conto de Joseph Conrad "Um Posto Avançado do Progresso", ele escreve sobre dois comerciantes brancos e europeus, Carlier e Kayerts. Eles são enviados para uma estação de comércio remota no Congo. A missão espalhará a "civilização" europeia para a África. Mas o tédio e a falta de restrições rapidamente transformam os dois homens em bestas. Eles trocam escravos por marfim. Eles se envolvem em uma disputa por suprimentos de comida em diminuição. Kayerts atira e mata seu companheiro desarmado Carlier.

"Eles eram dois indivíduos perfeitamente insignificantes e incapazes", escreve Conrad sobre Kayerts e Carlier: ... cuja existência só é tornada possível através da alta organização das multidões civilizadas. Poucos homens percebem que a sua vida, a própria essência de seu caráter, suas capacidades e suas audácias, são apenas a expressão de sua crença na segurança de seu ambiente. A coragem, a compostura, a confiança; as emoções e os princípios; todo grande e todo insignificante pensamento pertence não ao indivíduo, mas à multidão; à multidão que acredita cegamente na força irresistível de suas instituições e de seus costumes, no poder de sua polícia e de sua opinião. Mas o contato com a pura e desmitigada selvageria, com a natureza primitiva e o homem primitivo, traz um problema súbito e profundo ao coração. Traz o sentimento de ser o único do seu tipo, à percepção clara da solidão de seus pensamentos, de suas sensações - à negação do habitual, que é seguro, é acrescentada a afirmação do incomum, que é perigoso; uma sugestão de coisas vagas, incontroláveis e repulsivas, cuja intrusão que se descompõe excita a imaginação e testa os nervos civilizados dos tolos e dos sábios.

Rafah é o prêmio no final da estrada. Rafah é o grande campo de matança onde vamos matar palestinos em uma escala nunca vista neste genocídio. Nos observe. Será uma orgia de sangue e morte. Será de proporções bíblicas. Ninguém vai nos parar. Matamos em paroxismos de excitação. Somos deuses.

Chris Hedges (Jornalista vencedor do Pulitzer Prize (maior prêmio do jornalismo nos EUA), foi correspondente estrangeiro do New York Times, trabalhou para o The Dallas Morning News, The Christian Science Monitor e NPR).