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Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

A elite persegue Lula, mas o sentido de Lula persegue a elite

De Gustavo Conde, via Tijolaço

A elite brasileira – e incluo nela boa parte de seus ditos intelectuais que não aderem à ideia que compreender o mundo não se separa de transformá-lo  – tem um fantasma que a assombra, a cada dia, a cada ato, a cada segundo: Lula.

Não pelo que Lula, o velho homem de 71 anos, é , em si. Mas porque, neste final de século 20, início do 21, passou a ser o signo de um significante que habitou sempre, à procura de formas, de um povo em formação, de uma Nação que não tem outro caminho, pelo seu tamanho e riqueza, senão o de construir-se como tal.

Foi assim com todas elas: os EUA, a Rússia, a China, a Índia…

Recebo, pelo Facebook, o ótimo texto de um jovem, Gustavo Conde, que traduz muito bem este processo de onipresença de Lula na vida brasileira e o transcrevo, porque, façam o que fizerem, construíram uma lenda e lendas, é só olhar para trás, vivem muito mais e mais fortes que os meros fatos no imaginário coletivo que, afinal, é o faz uma nação:


"Eu não queria dizer isso. Pode ferir sensibilidades, desmanchar castelos de areia, coisa e tal. Mas, que se dane. O fato, nu e cru, é que Lula vai sendo canonizado, imortalizado e santificado no altar máximo da glorificação histórica. Nem Che Guevara, nem Fidel Castro, nem Nelson Mandela chegaram perto dessa dimensão.

E essa consagração é insuspeita: não há maior prêmio nem maior insígnia do que ser perseguido e caçado com este nível de violência pelo aparelhamento judicial e financeiro em uníssono, com o auxílio de toda a imprensa e dos serviços de “inteligência” nacionais e estrangeiros. É o maior reconhecimento de uma vida que teve um sentido maior, léguas de distância do que a maioria de nós poderia sonhar.

Nem todos os títulos honoris causa do mundo juntos equivalem a essa deferência: ser perseguido por gente do sistema, por representantes máximos do capital, da normatização social e da covardia intelectual, gente que pertence ao lado fascista da história.

Não há Prêmio Nobel que possa simbolizar a atuação democrática de Lula no mundo, nem todos os prêmios que Lula de fato ganhou ou recusou (a lista é imensa, uma das maiores do mundo). Porque a honraria mesmo que se desenha é esta em curso: ser o alvo máximo do ódio de classe e o alvo máximo do pânico democrático que tem fobia a voto.

Habitar 24 horas por dia a mente desértica dos inimigos da democracia e povoar quase a totalidade do noticiário político de um país durante 40 anos, dando significado a toda e qualquer movimentação social na direção de mais direitos e mais soberania, acreditem, não é pouco.

Talvez, não haja prêmio maior no mundo porque Lula é, ele mesmo, o prêmio. É ele que todos querem, para o bem ou para o mal. É o líder-fetiche, a rocha que ninguém quebra, o troféu, a origem, a voz inaugural, rouca, que carrega as marcas da história no timbre e na gramática.

Há de se agradecer essa grande homenagem histórica que o Brasil vem fazendo com extremo esmero a este cidadão do mundo. Ele poderia ter sido esquecido, como FHC. Mas, não. Caminha para a eternidade, para o Olimpo, não dos mártires, mas dos homens que lutaram e fizeram valer uma vida em toda a sua dimensão espiritual e humana.

A esquerda brasileira, de forte inspiração católica, costuma confundir santidade com pureza. No fundo, alguns como os microcéfalos de extrema direita, confundem mito – que é falso e frágil como o indivíduo – com lenda, que traduz uma história coletiva.

Tal como acreditam que possa existir paraíso, do qual depois de cruzados os umbrais, verdes e flores nos aguardam. Não, lamento, existe uma batalha que não cessa e batalhas precisam de bandeiras.

É isso o que os pretensiosos não compreendem. Que Lula pode ser e é um ser humano, com defeitos, dores, cansaços, erros, limitações.  Mas transcende tudo isso porque tem mais que um significado racional para cada brasileiro.

É um significante, algo que nos vem à mente quando pensamos que este país tem de ser o que é: grande, enorme, e dos brasileiros.

E por isso desponta gigantesco quando olhamos, desolados, o oceano de mediocridade que encobre a vida brasileira."

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

O PT, os Beatles, eu e German

German nasceu em 2004 e vive comigo desde então, é meio filho e meio neto, e ocorre que o piazote sabe tudo dos Beatles. 

Vale dizer que, nascido 34 anos depois do fim da banda, German é, aos 13 anos, alcançado pelas musicas geniais dos caras.

O PT, a geni disponível para receber bosta de tudo quanto é lado - incluindo da esquerda purinha e virginal - é meio que uma banda que não toca mais nas paradas oficiais de sucesso mas que - oh, que horror! - permanece sendo ouvido nas quebradas, e muito respeitosamente, porque foi além das teorias perfumosas e tascou o sambão da melhoria concreta da vida das pessoas, coisa que a esquerda-sândalo denuncia como mero "melhorismo".

De modo que cantem comigo, please, dando pulinhos e batendo as mãos em elevado extase revolucionário:

- Don't let me down, tiramos o brasil do mapa da fome, you say yes, I say vai votar na luciana genro, yesterday eu fiz teorias que nunca foram testadas, all my troubles was escolher o sabor da porra do iogurte. 

Não sei o que German fará da sua vida, mas tem sido uma aventura mágica viver e aprender com ele, come together, i wanna hold your hand!

Viva o PT! 

Viva a CUT!

domingo, 15 de outubro de 2017

Je suis a puta imperialista que os pariu!

Je suis Amazônia!
Mas, quando liquidam a CLT,
Je suis porra nenhuma.
Je suis Somalia, ou não?
Je suis aqueles negros mortos?
Je suis porra nenhuma!
Ou je suis qualquer merda 
Quando brancos europeus são atingidos
Je suis a puta imperialista que os pariu!

sábado, 14 de outubro de 2017

POEMINHA Nº 1 PARA MIGUEL

dois oceanos nos seus olhos
um, pacífico inteiro
outro, atlântico de tormentas
tem riso desatado do meu menino
não viverei muito mais
mas tua presença
agora e hoje
justifica-me pleno
sou seu avô invencível
(miguel, 8 meses, tem agora um poeminha do avô)

domingo, 8 de outubro de 2017

A classe média apoia Bolsonaro

Copiei do FB de Miguel Rios

A força eleitoral de Bolsonaro está na classe média.

É homem, tem carro divido no carnê a perder de vista, curso superior e mora em prédio com brinquedoteca, churrasqueira e piscina na cobertura.

É o cara que odeia o PT e a esquerda porque acha que cota racial e bolsa família trouxeram o comunismo bolivariano para o Brasil.

É o cara que tem amigos gays, mas desde que não levantem bandeiras e saibam que ele é que sabe o que é homofobia e o que não é.

É o cara que não é racista porque diz que a empregada doméstica é da família.

É o cara que tem trocentos grupos no WhatsApp para se informar sobre a política nacional e compartilhar notícias-memes sobre Jean Wyllys.

É o cara a favor do armamento para matar bandido, que se julga um kingsman, de pontaria infalível e jura inexistir a possibilidade de apontá-la em discussões de trânsito ou nas reuniões de condomínio.

É o cara que ensina menino a ser o bodinho solto atrás das cabritas é menina a ser recatada princesa Disney, mas combate ideologia de gênero nas escolas para não sexualizar as crianças.

É o cara que vê doutrinação nas ciências sociais, nos livros, nos museus, nas galerias de arte e fará boicote ao que nunca daria audiência mesmo.

É o cara que reclamava de tudo ser homofobia e racismo, mas que agora vê pedofilia em tudo.

É o cara que se fez altamente presente no Fora Dilma é completamente ausente no Fora Temer, mas que se diz totalmente combativo à corrupção.

Conhece esse cara? Ele te dá bom dia no elevador, publica selfies exibindo privilégios, aparece nas TLs pra ficar sempre do lado oposto às pautas dos movimentos sociais e não larga de ficar preso em engarrafamento só pra exibir o status de ter carro do ano.

sábado, 7 de outubro de 2017

A BOSTA NA GENI VAI SOBRAR PARA TODOS

Copiei do FB de Ademir Assunção

A imagem pode conter: atividades ao ar livre

Não quero mais voltar ao assunto. Porque já me baixou o astral demais. Porque tenho achado inútil. Minha vontade, neste momento, é ir-me embora daqui. Gastar os anos que me restam em um lugar onde a dedicação de uma vida inteira ao pensamento, à reflexão, à curtição, à linguagem artística, seja um pouco mais respeitada. E, principalmente, porque o cenário que está se montando é terrível. E a reação a isso será débil.
Não quero mais voltar ao assunto, mas me espanta ver pessoas, que considerava referencias importantes, ainda insistirem na ideia de que os escândalos de corrupção foram o motivo da queda da coligação de esquerda.
Me espanta, neste momento, ver pessoas que considerava referencias importantes lançarem toda a culpa na coligação de esquerda por não ter demarcado mais terras indígenas, não ter enfrentado com mais vigor os rentistas, não ter feito a reforma agrária.
Como se fosse isso que a tivesse derrubado.
Não consigo entender como essas pessoas não conseguem enxergar que a coligação de esquerda foi derrubada não pelo que não fez, mas pelo que fez.
Não consigo entender como essas pessoas não conseguem enxergar que a coligação de esquerda foi derrubada por ter profissionalizado o trabalho das empregadas domésticas, por ter colocado negros nas universidades públicas, inclusive nos cursos de medicina, por ter possibilitado que pobres viajassem de avião, inclusive para o exterior, por ter criado mecanismos para que pobres, negros, gays, mulheres, tivessem seus direitos mais respeitados, por ter criado 12 novas universidades federais, por ter criado políticas culturais que chegaram em periferias onde jamais chegaram, por ter tentado, ao menos, discutir um modelo mais democrático de comunicação de massas. E, finalmente, por ter fortalecido os mecanismos de investigação da corrupção.
Foi contra isso que a medíocre e mesquinha classe dominante do Brasil se rebelou, com o apoio dos medíocres que se espalham em todas as classes sociais.
Foi esse o motivo de todo o ódio.
Foi isso o que derrubou a coligação de esquerda. Ou você acha que esses cidadãos de bem que já votaram a reforma trabalhista, que vão votar a reforma da previdência, que vão implantar o modelo da escola sem-partido, mas com religião, que já fecharam exposições, que vão queimar livros, que vão vender para os gringos tudo o que puderem, querem realmente um novo país, livre, soberano e Incorruptível?
Alguém ainda se lembra o motivo da derrubada de Dilma Rousseff? Pois eu lembro: pedaladas fiscais. Prosaicas pedaladas fiscais.
Os cidadãos de bem que se insurgiram contra as pedaladas fiscais vão roubar mais terras indígenas, vão matar mais indígenas e pequenos agricultores, vão concentrar mais rendas, mais terras, vão sufocar mais os escravos, vão acabar com qualquer indício de inteligência e liberdade.
Vão, não. Já estão fazendo isso.
Não era melhor manter o pacto democrático, ainda que débil, pressionar e fortalecer a coligação de esquerda, ainda que cheia de tranqueiras, para que avançasse mais, para que enfrentasse com mais vigor os seculares problemas dessa sociedade podre e desigual, que prendesse os corruptos e os corruptores, que acumulasse forças para repartir melhor os meios de difusão do conhecimento?
Eram dias perfeitos? Óbvio que não. Havia um monte de tranqueiras? Óbvio que sim. Cagadas homéricas. Por supuesto que sí.
Mas era a Geni possível. Era a Geni que foi ter com o capitão do Zepelim. E ao jogar bosta na Geni, entregaram de bandeja o país ao prefeito de joelhos, ao bispo de olhos vermelhos e ao banqueiro com um bilhão.
Agora estamos vendo cada vez mais a volta da sombra do Zepelim Prateado crescendo sobre as cidades.
E ainda escuto o coro nas alcovas da grande rede social: maldita Geni!

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

DECISÕES

Vou-me embora pro psol
Lá baterei no PT
Dia sim outro também
Lá no psol
Cheirarei teses gourmet
E socarei o PT
Dia sim outro também
Lá provarei
Que o PT
E o lulo petismo
São e sempre foram
As verdadeiras ameaças
Aos trabalhadores
Vou-me embora pro psol
Lá serei limpinho virginal
E jamais errarrei
Lá serei revolucionário luminoso
E beberei teses gourmet
Vou-me embora pro psol
Mas estarei de olho
Numa vaguinha no pstu
Que igualmente soca o PT
Dia sim outro também
Mas soca a esquerda toda
E é contra Fidel e Maduro
E foi contra Allende e os sandinistas
Fico assim, pois
Vou-me embora pro psol
Mas com um ticket to ride
Direto pro pstu

Cemitérios

Anjos de cemitério
São tão sérios
Sofrem em silêncio
Sempre e forever
Parecem militantes
De certas esquerdas
Que sofrem todos os dias
E que precisam fazer
Autos de fé
Cultos de auto-crítica
Anjos de cemitério
São a cara de certa esquerda
Que nunca avança
Travada por suas culpas
Derivadas das suas teses perfeitas
Teses que a realidade jamais toca
E que quando tocadas pelos esgotos fedidos
Escoam pelo ralo

Sou vanguarda porra nenhuma

No século passado me considerava parte da vanguarda revolucionária que conduziria a classe operária rumo ao paraíso socialista, logo eu, classe média, três refeições diárias sempre asseguradas, salários pagos nos dias 10 e 25 de cada mês, etc.
Vi hoje, no Canal Brasil, Cabra Marcado Pra Morrer, documentário que juntou partes do filme que começou em 64, foi interrompido pela milicada golpista, e foi retomado em 1981/82.
Nós, classe média bem posta na vida, vanguarda?
Vão lá e aprendam com a verdadeira vanguarda, desprovida de teorias, a vanguarda movida pelo suor da luta meio intuitiva - mas absolutamente concreta e mortal - contra o latifúndio.
Sou vanguarda porra nenhuma.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Hortografia

No final de semana visitarei a hortografia que meu pai mantem com crapicho em seu sítio e quero colher:
1. baldes de crases da groelândia;
2. maços generosos de hipérboles do bigorrilho;
3. ramos de tomilho revolucionário, cultivado exatamente como em fazendas orgânicas da ultra esquerda vegana e virginal;
4. mancheias de teses fosforescentes e hidropônicas que, cultivadas em condições ideiais de temperatura e pressão, jamais são alcançadas pelas durezas reais da vida; 
5. mandiocas de leveza saltitante;
6. goiabas anacrônicas de origem grega;
7. feijão budista, tão perfeito que jamais provoca flatulência reformista;
8. agrião do himalaia, curtido em sal rosa e nas teorias das ligas bolcheviques das universidades;
9. chuchu sem gluten e lactose, muito apreciado pelos ambientalistas de prédio, os mais radicais, aliás;
10. ramas de delações premiadas não apenas estéreis, mas, histéricas.
E venderei tudo por 1,99, menos as teses hidropônicas e fosforescentes, que dou de graça.