SOBRE O BLOGUEIRO

Minha foto
Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.

domingo, 15 de janeiro de 2017

POEMA DAS CABEÇAS SEM NOME

Mais cabeças foram decepadas
No presídio de não sei onde
Separadas de corpos cujos nomes desconheço
Mais cabeças foram decepadas
De corpos mortos muito tempo antes
Porque invisíveis
Não quero saber dessas cabeças decepadas
Não quero que encontrem o corpo de onde vieram
Quero morte e sangue
Não quero que saibam da mãe pai irmão filho neto
Não quero que a cabeça decepada pense
Não quero que o corpo apartado seja humano
Quero a cabeça e o corpo no lixo
No lixo da minha cabeça e do meu corpo

Ah, o cu dos outros...

UM BURRO CHAMADO CU.

Um padre tinha um burro chamado Cu, e com ele participou de uma corrida de burros e ganhou.
O jornal da cidade, O Ornitorrinco News, ateísta e comunista, publicou a seguinte manchete:
CU DO PADRE VENCE E FICA A FRENTE

O bispo, ao ler a notícia, fica indignado e manda que o Padre abandone as corridas.
O jornal Ornitorrinco Times, evangélico da linha búlgara, publica:
BISPO FREIA O CU DO PADRE

Isso levou o bispo a loucura, e ele ordena que o padre de um fim ao burro, e ele o dá de presente para uma freira.
O jornal Estado do Capão Raso, de linha conservadora e ligado à renovação carismática, noticia ao outro dia:
FREIRA É AGORA A DONA DO MELHOR CU DA CIDADE

O bispo não acredita no que vê e pede para a freira se desfazer do burro. Ela o vende por 10 reais e, no outro dia sai nas manchetes do Opinião do Ornitorrinco, jornal de colunistas pistoleiros:
FREIRA VENDE O CU APENAS POR 10 REAIS

Isso foi demasiado para o bispo, que manda que a freira compre de novo o burro e que o solte no campo, e o jornal Folha do Ornitorrinco, de linha homeopática-sexual-golpista, publica:
FREIRA ANUNCIA QUE SEU CU É AGORA LIVRE E SELVAGEM

O bispo e enterrado no dia seguinte.

MORAL DA HISTORIA
Preocupar-se com a opinião dos outros causa muita dor de cabeça e pode encurtar sua existência, de modo que pare de se preocupar com o Cu dos outros e desfrute da vida.

(copiei do FB de Luis Beto Olivera)

Real e Pio pronunciamentor do Presidente das Organizações Ornitorrinco


THE FUCKING ORNITORRINCO CORPORATION

REAL GABINETE PRESIDENCIAL

SEÇÃO DE TEXTOS DE ESCÁRNO E MALDIZER
NOTA OFICIAL

Nosso Beloved & Forever President, Baulo Voberto Zequinel, o Sacripanta, incumbiu-me de transmitir a seguinte mensagem, dirigida aos nossos fãs, seguidores, desafetos, credores e, muito especialmente, para a tropa de linchadores anônimos que infestam o blog do tutuca, da progressista cidade de Antonina do Deus Nos Acuda:

"1. Timing: verbo gourmet, de status federal, importado de Miami que significa, em apertada síntese, "delenda Lula!", muito usado por delegados da PF, procuradores do MPF e pelo sergio moro, juizeco parcial da república de curitiba. Significa, ainda, "provas não temos e jamais teremos, o importante é que nosso power-point apareça no jornal nacional" ou, "fodam-se evidências e provas, o importante é que minha entrevista seja publicada no PIG."

2. Cognição sumária: expressão muito usada por sergio moro, o jaguara togado. Significa algo como "o deltan não produziu sequer um indício rastaquera mas eu, o supremo julgador, vejo ali que Lula é culpado até que ele consiga provar sua inocência."

3. Delegados da PF, procuradores da lava jato e sergio moro, notório atiçador de milícias fascistas, enfim, todos os que perderam o "timing" para prender Lula, devem assim proceder: depois de untar o dedão na gosma das suas "convicções" atucanadas e, phodões feito o delegado/deputadão francischini, inventor do camburão cagado, que introduzam a falange grandona no rabão federal e, de inopino, em "timing" perfeito, realizem vigoroso movimento com o patriótico objetivo de rasgar seus federais cuzões sujos e golpistas.

4. Antes que me notifiquem por "desacato federal" - coisa muito grave! - esclareço que recebi os textos acima em sessão de transe e descarrego do meu primo Xaulo Voberto Tequinel, que se denomina Desencarnado Carteiro Celestial Estagiário, e do qual mantenho prudente distanciamento, até mesmo por conta do meu ateísmo municipal.

5. Publique-se. Intime-se. Prenda-se. Cumpra-se, sem um único pio."

Curitiba do Bosta do Greca, 15/01/2017.

Faulo Joberto Requinel
Chefe do Real Gabinete Presidencial
Porta Voz Oficial
Porta Trecos Estagiário

sábado, 14 de janeiro de 2017

Delegado Federal Mauricio Moscardi Grillo, vocês não perderam "timing" porra nenhuma. O que jamais tiveram foi uma mísera prova, seus merdas!

Certos delegados da PF, os que perderam o "timing" para prender Lula, depois de untar o dedão na gosma das suas convicções atucanadas e, phodões feito o delegado/deputadão francischini, inventor do camburão cagado, deveriam introduzir a falange grandona no rabão federal e, de inopino, em "timing" perfeito, produziriam vigoroso movimento com o objetivo de rasgar seus federais cuzões sujos e golpistas. 

Bem, antes que me notifiquem por "desacato federal" - coisa muito grave! - esclareço que recebi o texto acima em sessão de transe e descarrego do meu primo Xaulo Voberto Tequinel, que se denomina Desencarnado Carteiro Celestial Estagiário, e do qual mantenho prudente distanciamento, até mesmo por conta do meu ateísmo municipal.  
---xxx---

Copiei dos Amigos do Presidente Lula
(O título acima é de minha integral responsabilidade)
NOTA

Sobre a entrevista concedida pelo Delegado Federal Mauricio Moscardi Grillo, coordenador da Lava Jato na Polícia Federal, à revista Veja ("Da prisão do Lula", 14/01/2017), fazemos os seguintes registros, na condição de advogados do ex-Presidente Luiz Inacio Lula da Silva:

1- A divulgação pela imprensa de fatos ocorridos na repartição configura transgressão disciplinar segundo a lei que disciplina o regime jurídico dos policiais da União (Lei no. 4.878/65, art. 43, II) e, afora isso, a forma como o Delegado Federal Mauricio Moscardi Grillo se dirige ao ex-Presidente Lula é incompatível com o Código de Ética aprovado pela Polícia Federal (Resolução nº 004-SCP/DPF, de 26/03/2015, art. 6º, II) e com a proteção à honra, à imagem e à reputação dos cidadãos em geral assegurada pela Constituição Federal e pela legislação infra-constitucional e, por isso, será objeto das providências jurídicas adequadas.

2- Por outro lado, a entrevista é luminosa ao reconhecer que a Lava Jato trabalha com "timing" ou sentido de oportunidade em relação a Lula, evidenciando a natureza eminentemente política da operação no que diz respeito ao ex-Presidente.
É o "lawfare", como uso da lei e dos procedimentos jurídicos para fins de perseguição política, exposto reiteradamente pela defesa de Lula, agora afirmado, de modo indireto, pelo próprio coordenador da Lava Jato na Policia Federal.

3– Se Lula tivesse praticado um crime, a Polícia Federal, depois de submetê-lo a uma devassa sem precedentes, teria provas concretas e robustas para demonstrar o ilícito e para sustentar as consequências jurídicas decorrentes.
Os mesmos áudios e elementos que a Lava Jato dispunha em março de 2016 estão disponíveis na data de hoje e não revelam nenhum crime. Mas a Lava Jato, segundo o próprio Delegado Federal Mauricio Moscardi Grillo trabalha com "timing" ou sentido de oportunidade em relação a Lula.

4- A interceptação da conversa entre os ex-Presidentes Lula e Dilma no dia 16/03/2016 pela Operação Lava Jato foi julgada inconstitucional e ilegal pelo Supremo Tribunal Federal. O Delegado Federal Mauricio Moscardi Grillo e a Lava Jato afrontam a Suprema Corte e revelam desprezo pelo Estado Democrático de Direito ao fazer afirmações sobre esse material sem esse registro. Ademais, é preciso, isto sim, que o Delegado Federal coordenador da Lava Jato esclareça o motivo da realização da gravação dessa conversa telefônica após haver determinação judicial para a paralisação das interceptações e, ainda, a tecnologia utilizada que permitiu a divulgação do conteúdo desse material menos de duas horas após a captação, tendo em vista notícias de colaboração informal – e, portanto, ilegal - de agentes de outros países no Brasil. A divulgação dessa conversa telefônica em menos de duas horas após a sua captação, além de afrontar a lei (Lei nº 9.296/96, art. 8º c.c. art. 10), está fora dos padrões técnicos brasileiros verificados em situações similares.

5- A condução coercitiva de Lula para prestar depoimento no Aeroporto de Congonhas foi ato de abuso de autoridade (Lei nº 4.898/65, art. 3º, "a") porque promoveu um atentado contra a liberdade de locomoção do ex-Presidente fora das hipóteses autorizadas em lei. Por isso mesmo, fizemos uma representação à Procuradoria Geral da República para as providencias cabíveis e, diante da inércia, documentada em ata notarial, promovemos queixa-crime subsidiária, que está em trâmite perante o Tribunal Regional Federal da 4ª Região. O tema também é objeto do Comunicado que fizemos em julho ao Comitê de Direitos Humanos da ONU. Portanto, o Delegado Federal Mauricio Moscardi Grillo deveria repensar não só o local da condução coercitiva de Lula, mas, sobretudo, a inconstitucionalidade e a ilegalidade do ato. Merece registro, adicionalmente, que o local do Aeroporto de Congonhas para onde Lula foi levado tem paredes de vidro e segurança precária, tendo colocado em risco a integridade física do ex-Presidente, de seus colaboradores, advogados e até mesmo dos agentes públicos que participaram do ato, sendo injustificável sob qualquer perspectiva.

6- Ao classificar as ações e providencias da defesa de Lula como atos para "tumultuar a Lava Jato" o Delegado Federal Mauricio Moscardi Grillo e a Lava Jato mostram, de um lado, desprezo pelo direito de defesa e, de outro lado, colocam-se acima da lei, como se estivessem insusceptíveis de responder pelos abusos e ilegalidades que estão sendo praticadas no curso da operação em relação ao ex-Presidente. Deve ser objeto de apuração, ademais, se pessoas que praticaram atos estranhos às suas funções públicas ou com abuso de autoridade estão sendo assistidas por "advogados da União" – pagos pela sociedade - como revela o Mauricio Moscardi Grillo em sua entrevista.

Vôo da Liberdade: 45 anos hoje

Copiei do FB de Aluizio Ferreira Palmar

Ao completar hoje, 45 anos do Vôo da Liberdade, faço minha homenagem aos companheiros que arriscaram suas vidas para nos libertar dos centros de tortura da ditadura militar.
Minha eterna gratidão aos companheiros, Carlos Lamarca, Inês Etiienne,Ivan Motta Lima e Herbert Daniel (in memorian). Alex Polari, Tereza Ângelo, Zenaide Machado, Gerson Teodoro, Adair Gonçalves, José Carlos Mendes e Alfredo Sirkis e tantos outros heróis anônimos que deram cobertura à ação libertadora.

LEGENDA DA FOTO: Grupo dos setenta presos políticos resgatados dos centros de tortura. Na fileira dos agachados eu sou o sexto da esquerda para a direita (a menina que está me olhando é uma das filhas de Bruno e Geni Piolla.

Por ocasião dos 40 anos do Vôo da Liberdade, meu velho amigo Umberto Trigueiros Lima escreveu esse texto antológico.

"Fazia um calor insuportável no Rio, naqueles dias de janeiro de 1971, 40º à sombra. Lembro que no dia 13, fomos levados para a Base Aérea do Galeão, espremidos em 2 ou 3 camburões pequenos, desde o quartel do Batalhão de Guardas, no bairro de São Cristóvão, onde estávamos recolhidos aguardando o desenlace das negociações do sequestro. Éramos: eu (Umberto), Antonio Rogério, Aluízio Palmar, Pedro Alves, Marcão, Ubiratan Vatutin, Irani Costa, Afonso, Afonso Celso Lana, Bretas, Julinho, Mara, Carmela, Dora e Conceição. Fazia sol a pino e os caras pararam os camburões em algum pátio descampado da Base e deixaram a gente lá torrando dentro daqueles verdadeiros fornos e de puro sadismo e sacanagem riam e gritavam uns para os outros "olha aí cara, os rapazes estão com calor, você esqueceu de ligar o ar, eles vão ficar suadinhos." Um outro dizia "deixa esses filhos da puta esturricarem aí dentro, pode ser que algum deles vá logo para o inferno." A viagem ao inferno não era possível, pois já estávamos nele, ou seja nos cárceres da ditadura, há algum tempo. A temperatura dentro dos carros era altíssima, mal conseguíamos respirar pelas poucas frestas de ventilação, os miolos pareciam que iam estourar. Foi um horror!
Ficamos na Base durante todo o dia 13, onde já estavam muitos outros companheiros vindos de outras prisões e de outros estados e lá nos mantiveram o tempo todo algemados em duplas. Nos deram comida podre, tiraram mais impressões digitais, nos obrigaram a tirar fotos nus em diferentes posições. Alguns deles diziam que era para o futuro reconhecimento dos cadáveres. Perto da meia noite nos levaram para o embarque, nos agruparam do lado do avião, frente a um batalhão de fotógrafos postados há uns 50 metros de distância, atrás de uma corda. Éramos 70, mais as filhas do Bruno e da Geny Piola, as menininhas Tatiana, Kátia e Bruna. Os flashes espocavam e muitos de nós levantamos os punhos, outros fizeram o V da vitória, enquanto os caras da aeronáutica por trás davam socos nas costas de alguns companheiros. Nosso voo da liberdade para o Chile decolou aos 2 minutos de 14 de janeiro. Durante o voo, íamos algemados e os policiais da escolta nos provocavam "Olha aí malandro, se voltar vai virar presunto, nome de rua." A tripulação da Varig, mesmo discreta, foi simpática e afável conosco e quando chegamos a Santiago um comissário de bordo veio correndo me contar que havia uma faixa na sacada do aeroporto que dizia "Marighella Presente".
Foram 2 longos dias, cheios de tensão, de expectativa, de esperança, todos os sentidos em atenção. Talvez, alguns dos mais longos dias das nossas vidas. Tenho a certeza de que nenhum de nós jamais se esquecerá daqueles momentos. Nas últimas horas da madrugada do dia 14 chegamos ao Chile. Depois de 38 dias de negociações muito difíceis, de risco extremo, mas com muita firmeza e equilíbrio por parte do Comandante Carlos Lamarca e dos companheiros da VPR que realizaram a operação de captura do embaixador suíço, aquela que seria a última grande ação armada da guerrilha urbana brasileira terminava vitoriosa. Começava um novo tempo nas nossas vidas.
Fomos descendo do avião, já sem algemas (os policiais brasileiros da escolta foram impedidos de desembarcar), nos abraçando emocionados, rindo, chorando, cantando a Internacional, acenando para os companheiros brasileiros e chilenos que faziam uma carinhosa manifestação para nos recepcionar.
Um general de Carabineros nos reuniu no saguão do aeroporto e fez uma preleção sobre tudo que estávamos proibidos de fazer no país. Logo em seguida, funcionários do governo da UP e companheiros dos vários partidos da coalizão nos disseram ali mesmo para não levar a sério nada do discurso do tal general. Era o Chile de Salvador Allende que íamos viver e conhecer tão intensamente.
Amanhecia o dia 14 de janeiro de 1971 quando saímos do aeroporto de Pudahuel em ônibus, escoltados por Carabineros. Amanhecia também aquele novo tempo das nossas vidas e amanhecia o Chile da Unidade Popular, da imensa liberdade, das grandes mobilizações populares, da luta de classes ao vivo e a cores saltando diante dos nossos olhos todos os dias. Pelas ruas de Santiago, a caminho do Parque Cousiño onde ficaríamos alojados, os operários que trabalhavam nas obras do Metrô acenavam para a gente, outros aplaudiam, alguns levantavam os punhos cerrados. Imagens que ficariam para sempre na memória, fotografias de um tempo.
Aquele dia parecia infindo, ninguém conseguia pregar um olho, foi um dia enorme, cheio de encontros, de descobertas, de luz. Estávamos bêbados de liberdade e ao mesmo tempo ainda marcados pela sombra da prisão, pelas tristes notícias de mais companheiros covardemente assassinados pelos cães da ditadura. Na nossa primeira refeição no Hogar Pedro Aguirre Cerda a maioria deixou os garfos e facas sobre a mesa e comeu de colher, como fazíamos na prisão. Quando íamos para os quartos de alojamento, alguns cometiam o ato falho de dizer "vou para a cela?" Na nossa primeira saída, um grupo se perdeu na cidade e voltou para o Hogar de carona num camburão dos Carabineros, motivo de gozação geral. Lembro da imensa solidariedade e carinho com que fomos recebidos pelos companheiros chilenos e também por estudantes, intelectuais, artistas, operários, pessoas do povo enfim que iam nos visitar, que fizeram coletas para nos arranjar algum dinheiro e roupas, que nos queriam levar para suas casas.
Nas semanas e meses seguintes, pouco a pouco fomos nos dispersando, construindo nossas opções de militância, de vida.
Viveríamos intensamente aquele processo chileno e também nossos vínculos com a luta no Brasil. Nos encharcaríamos com o aprendizado daquela magistral aula de história e de política "em carne viva". Paixões, alegrias, nostalgias, saudade, amores, amizade, solidariedade, companheirismo, tudo junto, ao mesmo tempo.
Muitos de nós estivemos no Chile até o fim, vivendo e testemunhando os horrores do golpe de 11 de setembro de 1973. Em muitos casos, mais uma vez, escapando por pouco, por muito pouco.
Outros companheiros, por diferentes razões de militância e pessoais foram viver em outros países. Alguns trataram de organizar suas voltas clandestinas ao Brasil, na esperança de continuar a luta armada. Uns poucos conseguiram manter-se, mas infelizmente, nessa empreitada de luta, vários companheiros foram assassinados. Honro as suas memórias e me orgulho de termos compartido aqueles momentos tão significativos das nossas vidas.
Foi o tempo que nos tocou viver. Era um tempo de guerra, mas também de uma enorme esperança.
Na passagem dos 40 anos da nossa libertação, acho que deveríamos dedicar a memória desse encontro fraterno, em primeiro lugar aos companheiros do nosso grupo chacinados pelas ditaduras brasileira e chilena, como também aqueles que marcados por sequelas e feridas psicológicas insuportáveis não conseguiram continuar suas vidas : Daniel José de Carvalho, Edmur Péricles Camargo, João Batista Rita, Joel José de Carvalho, Wânio José de Matos, Tito de Alencar Lima, Maria Auxiliadora Lara Barcelos, Gustavo Buarque Schiller. Em segundo lugar, com saudade, a todos os companheiros daquela viagem para a liberdade de 14 de janeiro de 1971, que já nos deixaram. Com eterna gratidão e reconhecimento ao Comandante Carlos Lamarca e aos combatentes da VPR que realizaram aquela ação revolucionária audaz e vitoriosa. E também a todos os brasileiros da nossa geração (e aqui não falo em idade, que pode ter ido dos 12 aos 80) que não se acovardaram, que foram capazes de enfrentar aqueles duros e difíceis tempos, quando dizer não poderia significar a morte, quando falar em árvores era quase um crime.
Enfim, a todos os que OUSARAM LUTAR!"

A imagem pode conter: 10 pessoas, área interna

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

A mulher é culpada, ou a criação do mundo segundo os meakambuts

Este é o relato da criação do mundo segundo os costumes e crenças da tribo nômade dos meakambuts, que vive em remotas cavernas nas florestas de Papua-Nova Guiné.

"No princípio, Api, o espírito da Terra, veio a caverna Kopao e encontrou rios cheios de peixes, o mato repleto de porcos e muitos salgueiros, mas não havia pessoas.
Api pensou: esse seria um bom local para as pessoas, e abriu uma passagem estreita no topo de Kopao.
As primeiras pessoas a sair foram os awins, depois vieram os imboins e outros grupos e finalmente os meakambuts, e estavam todos nus, e se espremeram pela passagem, ofuscados pela luz.
Havia ainda outras pessoas lá dentro, mas depois de os meakambuts saírem, Api fechou a fenda, e os outros permaneceram lá dentro, mergulhados em completa escuridão.
Os awins, os imboins e meakambuts se espalharam pelas montanhas e viveram em abrigos nas rochas. Fizeram machados de pedra, arcos e flechas, e a caça foi boa.
Não havia ódio, nem matanças, nem doenças, e a vida era bela e tranquila, e todo mundo tinha o estômago cheio.
Naqueles tempos, homens e mulheres viviam em abrigos separados e, à noite, os homens iam a uma caverna especial para cantar.
Mas numa noite um deles fingiu que estava doente e não foi, e quando viu os outros cantando se esgueirou até a caverna das mulheres e fez sexo com uma delas.
Ao voltar, os homens sentiram que uma coisa muito errada havia acontecido.
Um deles sentiu inveja, outro sentiu ódio, outro, mais ódio, e outro, muita tristeza.
Foi quando os homens aprenderam todas as coisas ruins, e também quando a feitiçaria começou."
(Revista National Geographic, fevereiro 2012, páginas 124 e 125)

Pois é, cristãos em cristo, sentem aqui ao pé do fogo; isso, sejam bem vindos, se abanquem, meninos e meninas. Vamos lá?

Perceberam que os meakambuts e os cristãos contam o começo do mundo de forma muito semelhante? Um espírito, uma força superior, um diretor de uma agência de publicidade, o deltan dallagnol ou o sérgio moro, sei lá, um belo dia alguém acordou entediado e decidiu criar o mundo, os homens e as flores, a Frente Parlamentar Evangélica e, é claro, tendo criado os coxinhas de merda e os anônimos acanalhados que infestam o blog do tutuca, resolveu dar cabo da corrupção e do PT. 

Api, O Grande Patifão Esfumaçado ou Gervásio, diretor geral de suprimentos, botam a mão no queixo, pensam, franzem o cenho e ó, vou criar isso e vou criar aquilo, e criam, e não chamam nem os estagiários. 

Criado o mundo, no começo é alegria, fartura, cantoria, amor e paz, borboletas e passarinhos e muita comida. Na terra dos meakambuts e no paraíso cristão, atentem, tudo igualzinho.

Mas os meakambuts e vocês, amigos cristãos, acreditam piamente que uma mulher cometeu - ó que horror! -, essa coisa gosmenta chamada pecado e, a partir daí, o mundo destrambelhou: ódio, inveja, guerras, imposto de renda, matanças, proliferação desenfreada de deputadões e senadores golpistas, geraldo alckmin, josé serra, roberto freire, beto richa, rafael greca, roedor pai e ratinho junior, república de curitiba, datenas, coxinhas diversos, jaguarinhas golpistas e sarnentos, etc e tal e cousa e lousa.  

E qual o terrível pecado cometido pela mulher, seja a anônima meakambuts, seja nossa gloriosa Eva? Sexo, ó que horror, tirem as crianças da sala, ó que horror, que coisa suja, sim, a primeira trepada foi uma torpe invenção feminina!

Sendo possível, seja honesto caro cristão em cristo, e trate de reconhecer que as duas alegorias sobre a criação do mundo são meras e patéticas invenções humanas, e são em tudo semelhantes, cada qual inevitavelmente permeada pelas circunstâncias de tempo, lugar, costumes, cultura, modo de vida, etc. 

Seja honesto e reconheça que a alegoria cristã é tão "consistente" quanto a dos meakambuts, povo primitivo e nômade que vive nas florestas remotas da Papua-Nova Guiné.

E, por favor, não ouse proclamar-se superior, prezado cristão, àquele povo. 

Eles, ainda que vivam em plena floresta, onde imagino existam muitas cobras, nos pouparam da inacreditável conversa mole da pérfida serpente falante que engambelou a pobre da Eva e, veja que legal, pelo menos dividiram a invenção do pecado entre o homem curioso e literalmente muito metido, e a mulher que resolveu experimentar a coisa.

Mas numa coisa os neakambuts são muito, mas muito superiores aos cristãos: não escreveram nenhuma porcaria de bíblia ou livro sagrado e, portanto, não andam a matar em nome de Api, não têm intermináveis horas de programas religiosos na televisão e entre eles não existe nenhum picareta como o Valdomiro, o Edir Macedo, o Silas Malafaia, nenhum padreco da renovação carismáticas e, aleluia!, nenhuma banda de gospel gosmento.

Ó glória, ó Api!
O sanque de Api tem poder!
Ó glória, ó menezes!

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Poema tardio para presos despedaçados

Não vejo não existe.
Não existe não vejo.
Não vejo não existe.
Não existe não vejo.
Não vejo não existe.
Não existe não vejo.
Não vejo não existe.
Não existe não vejo.
Não vejo não existe.
Não existe não vejo.
Não vejo não existe.
Não existe não vejo.
Não vejo não existe.
Não existe não vejo.
Não vejo não existe.
Não existe não vejo.
Não vejo não existe.
Não existe não vejo.
Não vejo não existe.
Não existe não vejo.

Os presos não existem, eu não os vejo.
As presas não existem, eu não as vejo.

Nunca vi essa gente.
Não quero ver essa gente.
Essa gente não existe.
Eu odeio essa gente.

O que faço com a cabeça decepada?
O que faço com meu ódio?
O que faço com meu medo?
O que faço com minhas conveniências?
O que faço se prefiro jamais saber deles?

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Barbárie e "gente de bem"

O portal G1 informa que "30 presos morrem na penitenciária de Roraima" (veja aqui).
Eis o nível dos comentários aportados, o que mostra que o fascismo está solto nesse país, e babando pela boca fedorenta. 
Vou ali nos fundos para uma vomitada básica. 

Edu
HÁ 3 MINUTOS
Deus que me perdoe mas to achando lindo isso

Eraldo.a
HÁ 4 MINUTOS
Só 30! Da-lhe Amazonas! Na liderança (tirando o Carandiru).

Leonardo
HÁ 12 MINUTOS
animals killing animals

Daniel Silva
HÁ 11 MINUTOS
isso sim é uma noticia boa, tinha que morrer 1000

Rodrigo Binhara
HÁ 4 MINUTOS
2017 é só noticia boa! Que tenhamos mais notícias assim durante o ano.

Tomate Bh
HÁ 4 MINUTOS
Pelas contas aqui só faltam uns 30.000. Depois vamos para o planalto.

Paulo Jeremias
HÁ 4 MINUTOS
algum SANTO ???

Jeferson Almeida
HÁ 4 MINUTOS
É uma pena ver que isso ainda não esta acontecendo em SP:'(

Pietro
HÁ 5 MINUTOS
Opa... não para de chegar boas notícias! Tomará que isso vire moda e acontece em todos presídios do Brasil....

Sergio Vidal
HÁ 5 MINUTOS
SO TEM SANTO

Ana Silva
HÁ 7 MINUTOS
Que pena. Só 33?

Diego Cruz
HÁ 5 MINUTOS
seleção natural... os mais "fortes" sobrevivem...

Paulo Davi
HÁ 5 MINUTOS
Acordar e ver essa maravilha, não tem preço, tomara que vire moda, e que DOBREM A META.

Carioca Detector
HÁ 6 MINUTOS
Sería isso um concurso? Quem mata mais? Quem ganhará o record nacional? Vamos presídiários!!!

Fuckyoug1
HÁ 6 MINUTOS
eita coisa boa! tô adorando esse comecinho de 2017! kkkkkkkk

Robson Souza
HÁ 7 MINUTOS
Agora temos que dobrar a meta

Loretto
HÁ 7 MINUTOS
Cada detento da penitenciária que ocorreu a chacina custava $ 4.709,78 por mês, morreram 56 presidiários, uma economia de $ 263.747,68 por mês. Melhor eles se matarem lá dentro, do que destruindo vidas inocentes aqui fora.

Dona Mim
HÁ 8 MINUTOS
Seleção natural e social.

Kurotsuchi Mayuri
HÁ 9 MINUTOS
Ah q notícia boa logo pela manha!!! espero q o número aumente ao longo dia!!!

Renan Martins
HÁ 12 MINUTOS
Espero que desçam mais pro colo do tio Luci

Márcio C.v
HÁ 9 MINUTOS
Concordo contigo!!!

Márcio C.v
HÁ 10 MINUTOS
Eu quero é mais noticias dessas kkkkkkkkkkkkkkk essa raça tudo indo pro colo do tinhoso!!!

Fuckyoug1
HÁ 8 MINUTOS
eita coisa boa! tô adorando esse comecinho de 2017! kkkkkkkk

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Deputado evangélico apresenta projeto de lei que cria a Polícia Religiosa Federal (PRF)

Do correspondente em Brasília

O deputado Feliciano Bolsonaro (PQP-RJ) apresentou projeto de lei que cria a PRF - Polícia Religiosa Federal. Ao discursar na Comissão de Defesa da Família, da Propriedade, do Combate à Ditadura Gay e da Prevenção da Masturbação, Feliciano Bolsonoro alertou as autoridades sobre a gravidade da situação vivida pelas famílias brasileiras em face do que denominou a "ofensiva gay de verão". Discorreu com a serenidade que o caracteriza sobre o crescimento "da atividade solerte daqueles que não têm deus em seu coração", destacando que realizou pesquisa que apontou números estarrecedores, vez que desde 2011 "aumentou exponencialmente a prática imoral da masturbação por varões e varoas, os quais, tangidos pelo diabo, passam horas vendo pornografia nas redes sociais", notadamente em Antonina do Cacete A Quatro e no Capão Raso.

A PRF terá poderes para prender em flagrante onanistas de qualquer origem e extração, mulheres que mostrem qualquer parte do corpo, ou mesmo ousem pensar ou falar em público, e enviará pessoas LGBTT para campos de reeducação religiosa e de cura gay em cristo, e poderá fechar spas, templos de religiões não ocidentais e cristãs e quaisquer lugares não ungidos em cristo, segundo o entendimento de qualquer autoridade evangélica local e, ainda, poderá invadir - com mandados expedidos por qualquer pastor ungido - domicílios sobre os quais recaia suspeita de práticas libidinosas. 

O senador Crivella Malta(PQP-ES), presidente ungido da Comissão, encerrou a sessão com singela oração ao espírito santo e ao acre. Dois milagres urgentes foram registrados pelas taquígrafas e um estagiário, supostamente petralha e muito pálido, foi detido por apresentar a mão completamente peluda.

Fonte: O Estado de Antonina 

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Massacre de Manaus: a tragédia do punitivismo

Manifesto, de plano, minha irrestrita e integral solidariedade ao Juiz de Direito Luis Carlos Valois (da Vara de Execuções Penais do Amazonas), que conheço desde 2005, quando trabalhei como voluntário no Conselho Comunitário da Comarca de Antonina, que tem como uma das suas funções a assistência aos presos da 7º DRP.
De outra banda, depois da nota da AJD, reproduzo partes da legislação aplicável aos presos, que tem sido sistematicamente descumprida pelas autoridades todas desse país.
No Brasil, o ódio dos linchadores e a gosma fedida do "senso comum", resultam na sórdida concepção de que os presos não são titulares de direitos.


---xxx---
Resultado de imagem para fotos do massacre em Manaus compaj

Copiei do Milton Alves

As mortes em Manaus configuram a tragédia anunciada do punitivismo

A Associação Juízes para a Democracia (AJD), entidade não governamental e sem fins corporativos, que tem dentre suas finalidades o respeito absoluto e incondicional aos valores jurídicos próprios do Estado Democrático de Direito, diante das dezenas de mortes ocorridas no privatizado Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) de Manaus, em 02 de janeiro de 2017, vem a público manifestar-se nos seguintes termos:

O massacre sucedido na capital do Amazonas somente ocorreu em razão de uma histórica política de Estado brasileira, consistente no tratamento dos problemas sociais de um dos países mais desiguais do mundo como caso de polícia. É assim que se deve entender o crescente processo de encarceramento em massa, que inseriu o Brasil à posição de quarta maior população carcerária do mundo, formada basicamente pelos excluídos dos mercados de trabalho e de consumo, jogados, em abandono, para as redes de organizações criminosas que comandam estabelecimentos penitenciários que se assemelham a masmorras medievais.

A tragédia do Compaj corrobora a necessidade da sociedade e do Estado brasileiro refletirem sobre tal política punitivista. É necessário desvencilhar-se da crença no Direito Penal como solução de problemas estruturais, como a violência decorrente da pobreza e das desigualdades. É necessário também cessar a irracional “guerra contra as drogas”, que vem causando a morte de milhares de pessoas socialmente excluídas em todo o mundo, o que, a propósito, tem levado a seu paulatino abandono até mesmo nos países que mais a incentivaram.

A tragédia do Compaj corrobora, ainda, a importância do respeito à independência de juízas e juízes, como imperativo democrático. É o caso da fundamental atuação do Juiz da Vara de Execução Penal de Manaus, Luis Carlos Valois, que, coerentemente com o que defende em sua carreira acadêmica e conforme se espera de um magistrado no Estado de Direito, exerce controle rigoroso sobre o poder punitivo oficial, priorizando as liberdades públicas sobre o encarceramento: por tal motivo, desagrada os donos do poder, acomodados com o tratamento prevalentemente repressivo dos problemas sociais do país.

Por tudo isso, a AJD reitera sua histórica crítica ao crescimento do punitivismo estatal e clama para que a sociedade e o Estado brasileiro atentem que velhos problemas sociais do país não se resolvem com o encarceramento ou com a intimidação de juízas e juízes que exercem seu dever funcional de controlar o aparelho repressivo oficial.

Do contrário, a tragédia de Manaus continuará a não ser caso isolado.

São Paulo, 3 de janeiro de 2017.

A Associação Juízes para a Democracia


---xxx---

CONSTITUIÇÃO FEDERAL
Artigo 1º. A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:
(...)
II - a cidadania
III - a dignidade da pessoa humana.
Artigo 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição;
II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;
III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante.
(...)

XLVII - não haverá penas:
a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX;
b) de caráter perpétuo;
c) de trabalhos forçados;
d) de banimento;
e) cruéis;
(...)

XLIX - é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral.
---xxx---
LEI.7.210 (LEI DE EXECUÇÃO PENAL), 11/07/1984
Artigo 1º. A execução penal tem por objetivo efetivar as disposições de sentença ou decisão criminal e proporcionar condições para a harmônica integração social do condenado e do internado.
(...)
Artigo 3º. Ao condenado e ao internado serão assegurados todos os direitos não atingidos pela sentença ou pela lei.
(...)

Artigo 10. A assistência ao preso e ao internado é dever do Estado, objetivando prevenir o crime e orientar o retorno à convivência em sociedade.
Parágrafo único. A assistência estende-se ao egresso.
Artigo 11. A assistência será:
I - material;
II - à saúde;
III -jurídica;
IV - educacional;
V - social;
VI - religiosa.
(...)

Artigo 40. Impõe-se a todas as autoridades o respeito à integridade física e moral dos condenados e dos presos provisórios.
Artigo 41. Constituem direitos do preso:
I - alimentação suficiente e vestuário;
II - atribuição de trabalho e sua remuneração;
III - Previdência Social;
IV - constituição de pecúlio;
V - proporcionalidade na distribuição do tempo para o trabalho, o descanso e a recreação;
VI - exercício das atividades profissionais, intelectuais, artísticas e desportivas anteriores, desde que compatíveis com a execução da pena;
VII - assistência material, à saúde, jurídica, educacional, social e religiosa;
VIII - proteção contra qualquer forma de sensacionalismo;
IX - entrevista pessoal e reservada com o advogado;
X - visita do cônjuge, da companheira, de parentes e amigos em dias determinados;
XI - chamamento nominal;
XII - igualdade de tratamento salvo quanto às exigências da individualização da pena;
XIII - audiência especial com o diretor do estabelecimento;
XIV - representação e petição a qualquer autoridade, em defesa de direito;
XV - contato com o mundo exterior por meio de correspondência escrita, da leitura e de outros meios de informação que não comprometam a moral e os bons costumes.
XVI – atestado de pena a cumprir, emitido anualmente, sob pena da responsabilidade da autoridade judiciária competente. (Incluído pela Lei nº 10.713, de 2003)
Parágrafo único. Os direitos previstos nos incisos V, X e XV poderão ser suspensos ou restringidos mediante ato motivado do diretor do estabelecimento.
Artigo 42. Aplica-se ao preso provisório e ao submetido à medida de segurança, no que couber, o disposto nesta Seção.
Artigo 43. É garantida a liberdade de contratar médico de confiança pessoal do internado ou do submetido a tratamento ambulatorial, por seus familiares ou dependentes, a fim de orientar e acompanhar o tratamento.
Parágrafo único. As divergências entre o médico oficial e o particular serão resolvidas pelo Juiz da execução.