SOBRE O BLOGUEIRO

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Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.

sábado, 27 de maio de 2017

Para quem considera que as jornadas de junho de 2013 foram ocodoborogodó revolucionário, eis que publiquei aqui mesmo em 21 de junho de 2013

Sexta-feira, 21 de junho de 2013

Então, que maravilha, você "acordou" e descobriu que o Brasil não está pronto, que temos um monte de problemas, e você está justamente puto dentro das calças, e tem meu apoio mas, velhote encardido que sou e, reconheço desde logo, dotado de precárias e bruxuleantes luzes cerebrais, considerando que partidos políticos não o representam, que centrais sindicais e sindicatos não o representam, que os políticos (todos eles) não o representam, que o síndico do seu prédio não o representa, que sua mãe e seu pai não o representam, que ninguém o representa, pergunto:
Derrubado o governo Dilma e presos todos os petralhas, os comunistas, os quase-comunistas, os ex-comunistas e os futuros comunistas, os reformistas quase petistas, os petistas quase reformistas, os trotsquistas e quaisquer outras gentes estranhas, estabelecida a censura à imprensa, o que você, sujeito assim tão imensamente não-representável fará se, luminoso e fodidão, dirigir-se à Câmara Municipal da sua cidade para auto-representar-se e descobrir que ela está fechada? 
Ou até a Assembleia Legislativa do seu estado, ou para o Congresso Nacional e tudo estiver lacrado pelas forças da lei e da ordem que você não queria chamar mas vieram muito bem organizadas?
O que você fará quando seu salário for arrochado, quando seus direitos forem não apenas desrespeitados, mas diminuídos e você descobrir que o seu sindicato está fechado e não pode funcionar?
Permita-me sugerir respeitosamente: em algum canto haverá militantes de esquerda - lembra daquela gente estranha? - lutando e resistindo contra a opressão que você - que se acha o centro da porra do mundo - ajudou a implantar.
Você, seu fascistinha classe média de merda, não tem o bizarro "direito" de achar que pode interditar as ruas e as praças deste Brasil para os partidos de esquerda.
Vá lamber as pernas peludas da puta ianque que te pariu.

terça-feira, 23 de maio de 2017

TEMPO DE POESIA?

É mesmo tempo de poesia?

É possível poesia hoje?

Sempre haverá poesia

E tempo para poesia e poetas

Os que escrevem
Cantam Pintam
Avoam Alumiam
Ou, por necessário,
Quebram a porra toda

E para quem luta
Poesia de berros
Consignas Invasões
Porradas Palavrões

Somos poetas inteiros
Homens Mulheres
Luta de poesia
Poesia que não aceita
O que está posto
Poesia que não se rende
Não se entrega
Poesia derramada
Como a nossa luta

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Selvino Heck para Gilberto Carvalho: Um testemunho de companheiro e irmão

Copiei do FB de José Vermolhlen

UM TESTEMUNHO DE COMPANHEIRO E IRMÃO

Nunca pensei que um dia precisasse prestar esse depoimento, dado, diga-se de passagem, por livre e espontânea decisão. Mas chegam momentos na vida em que é preciso enfrentar a mentira de peito aberto, a verdade precisa ser dita, sem medo de que ela possa parecer meramente laudatória, com a firmeza de quem sabe o que diz, de quem viveu o que viveu, de quem compartilhou a convivência, para que a ninguém assaltem eventuais dúvidas sobre a coerência, a firmeza de compromissos, a fé autêntica, a retidão e a coragem do sujeito do depoimento. Não se pode vacilar, titubear ou ter medo nesta quadra da história, ainda mais depois dos últimos acontecimentos, quando a democracia está em jogo, quando a Justiça, com ‘j’ maiúsculo, precisa ser afirmada, assim como preservadas vidas e histórias de pessoas decentes e honestas.
Meu testemunho é sobre Gilberto Carvalho.
Conheci Gilberto no final dos anos 1970, início dos anos 1980, ele fazendo a travessia da vida de Seminário para o mundo da luta e da política, eu fazendo o mesmo na vida de frade franciscano. Não lembro exatamente quando e onde nos conhecemos, mas visitei-o morando num bairro popular de Curitiba, aos tempos em que eu morava na Lomba do Pinheiro, bairro popular de Porto Alegre e Viamão. Atuávamos ambos nas CEBs (Comunidades Eclesiais de Base) e pastorais sociais, entramos juntos na Pastoral Operária (PO), ele que fora por um tempo metalúrgico, eu que atuava especialmente com os trabalhadores da construção civil, que fizeram uma grande greve em 1979 na Região Metropolitana de Porto Alegre, mesmo período das greves do ABC.
Quando, instados pelo saudoso Pe. Agostinho Pretto e Coordenação Nacional da Pastoral Operária, a alguém ir assumir tarefas nacionais na PO, eu declinei do convite ou da possibilidade, ele não se fez de rogado. Com família e tudo, foi morar na Baixada Fluminense, viajar pelo Brasil, articulando os grupos de Pastoral Operária, apoiando as Oposições Sindicais, ligando a fé à vida e ao compromisso de transformação social.
Em 1986, fomos ambos candidatos a deputado constituinte, ele a federal no Paraná, eu a estadual no Rio Grande do Sul. Ele foi o candidato mais votado do PT paranaense, não se elegendo porque o partido não atingiu o quociente mínimo necessário, eu me elegi deputado estadual gaúcho, junto com Adão Pretto, Raul Pont, José Fortunati, e os federais Olívio Dutra e Paulo Paim.
No engajamento na política, nunca deixamos de ser cristãos militantes, vivendo nossa fé na política. Junto com companheiros e companheiras de todo Brasil, Frei Betto, Leonardo Boff, Pedro Ribeiro de Oliveira, Teresinha Toledo, Cláudio Vereza, Benedita da Silva, outras muitas e outros muitos, criamos em 1989 o Movimento Fé e Política. 
Gilberto, fruto de sua experiência nacional na Pastoral Operária, mudou-se para São Paulo, assumindo tarefas em plano estadual em São Paulo e nacionais. Nos anos 1990, em função das histórias de cada um, estivemos mais distantes fisicamente, embora militantes permanentes do Movimento Fé e Política.
Lula é eleito presidente da República, Gilberto torna-se seu Chefe de Gabinete e Frei Betto Assessor Especial do Presidente. Sou convidado a integrar a equipe do TALHER, para atuar no Fome Zero. Mais tarde, saindo Frei Betto do governo, com apoio decisivo de Gilberto, sou convidado a ser Assessor Especial, até o final do segundo governo Lula, coordenando a Rede de Educação Cidadã, RECID. No governo Dilma, Gilberto torna-se Ministro Chefe da Secretaria Geral da Presidência, eu, por sua deferência e confiança, sou Assessor Especial, participante privilegiado de todos os debates e ações da Secretaria Geral, a relação com os movimentos sociais, o lançamento da Política e Sistema Nacional de Participação Social e a formulação de uma Política Nacional de Educação Popular, tendo como ator central a Rede de Educação Cidadã, ampliando a relação com a sociedade e os movimentos sociais e a construção de políticas públicas com participação social.
No mesmo sentido, fui convidado a ser o primeiro Secretário Executivo da Comissão Nacional de Agroecologia e Produção orgânica (CNAPO), embora eu mesmo duvidasse ser a pessoa certa na função certa. Gilberto era a favor e entusiasta da construção de uma Política e de um Plano nacional de Agroecologia e Produção Orgânica, lançados no Auditório do Anexo do Palácio do Planalto, com a presença de 4 ministros, inclusive o da Agricultura, dos movimentos e organizações sociais, Política e Plano enaltecidos em diferentes solenidades pela presidenta Dilma.
Em Brasília, Gilberto ajudou a criar um Grupo de Oração, que se reúne, com apoio de Marcelo Barros, para orar, repartir as dificuldades da vida e, principalmente, expressar e reafirmar a fé, jamais perder a perspectiva de vida e os compromissos com os mais pobres e trabalhadores, naquele mundo difícil que é Brasília e tudo que envolve o governo federal.
Conto tudo isso para dizer que sei do que e, especialmente, de quem estou falando e sobre quem presto testemunho.
Gilberto é um desprendido, eu diria, um obstinado pelos mais lascados e oprimidos, seja eles quem forem e onde estiverem. Foi a favor a vida inteira por políticas que tornassem os pobres e trabalhadores donos de seu nariz, protagonistas, com direitos assegurados, com pão na mesa, educação, vida digna. E consciência cidadã. Sempre foi, nos governos Lula e Dilma, quem mais se empenhou em promover as políticas sociais, a preocupar-se, por exemplo, com os catadores e recicladores, com a população em situação de rua, com as pessoas com deficiência, com os que passavam fome ou estavam desempregados, com os sem terra e os sem teto . Também em situações particulares, no dia a dia, como, por exemplo, com Lucas Neres (recentemente falecido, ver meu artigo A VIDA E A LUTA POR VIDA), entre outros tantos, que ele ajudou em tudo que era possível. Certo Natal, de última hora, soube que eu estava sozinho em Brasília, convidou-me amorosamente para partilhar a ceia com sua família e orar em sua casa, para aplacar minha solidão.
Este é Gilberto Carvalho, sempre cuidando mais dos outros que de si, sempre disponível, amigo dos amigos, companheiro dos companheiros, sempre junto de quem mais precisasse. Sempre olhou primeiro para os outros, dedicou seu olhar amoroso para os que mais precisassem de sua mão, de seu amparo, de seu gesto bondoso e amigo. Quem o conhece mais de perto, e mesmo quem o conhece mais de longe, sabe dessas suas virtudes e qualidades, desse jeito de ser e agir, difíceis de encontrar em tal grau em qualquer ser humano. 
É, pois, com justa indignação que quem o conhece recebe as mais recentes denúncias. A vida e a história, a Justiça, se for Justiça, haverão de repor a verdade, que triunfará sobre a mentira, as calúnias e a injustiça. Que se apurem os fatos e a corrupção, sim, mas em toda sua extensão, e de todos, e com o mesmo rigor, e não se atirem na lama os nomes e condenem previamente inocentes como se criminosos fossem, enquanto os que encheram os bolsos com milhões e bilhões surgem faceiros em suas mansões, zombando dos pobres e dos que vivem do seu ganho e salário.
É meu testemunho sobre um amigo, um companheiro, um irmão.
Selvino Heck
Deputado estadual constituinte do Rio Grande do Sul (1987-1990)
Em dezenove de maio de dois mil e dezessete

quinta-feira, 18 de maio de 2017

POEMA FRIGORÍFICO

Bois mugem 
múúúú

Temer cacareja 
cócóricó

Os globais golpistas 
ga-ga-gue-jam

O STF rodopia debaixo das togas
em frenético mambo golpista 

A democracia estuprada
Pede ajuda ali na esquina
Muita gente passa por ela
E desvia o olhar

A democracia não existe
Agoniza na calçada 

quarta-feira, 17 de maio de 2017

O pouso do poema

POEMA DO DIA 16 DE MAIO

Se bem que um poema
Sempre pode pousar aqui
Como uma borboleta distraída

Uma palavra de asas
Avoa alumiada
Uma palavra flutua
No poema incerto
Nos versos inacabados

Mas o poema
Bem ou mal
Desce e se estatela
No fim da pista
Não há sobreviventes

terça-feira, 16 de maio de 2017

Em defesa do companheiro Gilberto Carvalho

PARA GILBERTO CARVALHO

Primeiro, companheiro Gil, receba abraço fraterno, apertado e incondicional.

Segundo, apresento aqui minha exigência absoluta de que todos os companheiros e todas as companheiras do PT PR, de todos nós que convivemos com Gilberto por aqui nos anos 80/90, e para quem fez parte da construção do PT por aqui, exijo sem conversa mole, sem isso e aquilo, sem mimimi, manifestação clara e limpa de apoio e de carinho derramado.

Permitam-me dura franqueza: petista paranaense que ousar duvidar da retidão de caráter de Gilberto Carvalho não passa de jaguara sarnento.

Embora não valha muita coisa, tenho dito.

---XXX---

Car@s amig@s,

Recebi com surpresa e absoluta indignação a notícia do meu indiciamento, assim como do Presidente Lula neste processo da Operação Zelotes. Só a decisão premeditada de fazer valer tudo nessa guerra jurídica e política pode ter levado membros da PF a tomar esta iniciativa. Só o ódio que cega pode ter levado funcionários públicos que deveriam zelar pela respeitabilidade de sua Instituição a praticar tamanho absurdo. Tive a honra de servir por oito anos ao Presidente Lula e acompanhar seu zelo em fazer crescer nossa economia, a distribuição da renda e o estímulo à produção automobilística. As medidas provisórias de estímulo à descentralização da produção visavam unicamente a estes objetivos, de fazer o desenvolvimento se espalhar por regiões como o Nordeste e o Centro Oeste.

Os delegados que nos interrogaram sabem disso. Leram nos nossos olhos e na nossa emoção indignada esta verdade. Se agentes bandidos e parlamentares que apoiaram o golpe se envolveram em negociatas com as empresas, que sejam eles punidos, e não nós que só fizemos lutar por este País. Não é justo que sejamos perseguidos por um ódio que não cultivamos, pelo simples fato de contradizermos interesses de um projeto que agora destrói o País.

Não posso ser condenado porque um lobista anotou meu nome para uma reunião que nunca existiu. Espero que o Ministério Público analise com o devido cuidado esta denúncia infundada e não aceite mais esta demonstração clara de perseguição política por parte de membros de um órgão do Estado brasileiro. Vou lutar até às últimas consequências para defender a única riqueza real que possuo: a minha honra!

Gilberto Carvalho

16/05/2017

domingo, 14 de maio de 2017

Eu não votarei em Ciro Gomes, nem em eventual segundo turno. Trata-se de um completo jaguara

Veja o inteiro teor da entrevista na BBC Brasil  

Vamos por partes, como nos ensina o magistério cirúrgico de Jack, o Estripador.

1. Li hoje, na BBC Brasil, a entrevista de Ciro Gomes.

2. Sempre o considerei um fanfarrão boquirroto, um leão-de-chácara de bailão de beira de estrada, mas, ainda assim, nele votaria em eventual segundo turno, especialmente se o PT e Lula o apoiassem.

3. Não votarei jamais nesse jaguara, acabou.

4. Não há contexto que explique as seguintes afirmações.

5. "Lula é o grande responsável por este momento político trágico que o Brasil está vivendo".

6. "Dito isso, tenho dito que não gostaria de ser candidato se o Lula for. Por quê? Não é propriamente uma homenagem a ele, é porque na hora em que for candidato ele racha o país em bases odientas, rancorosas, violentas, como nós estamos assistindo aos lulistas e antilulistas".

7. Trata-se, a meu definitivo juízo, de um completo filho da puta e nele não votarei.

8. E espero que ele não peça desculpas, eu não as aceito.

9. Hipocrisia por hipocrisia, fico com a minha.

10. E tenho, modestamente, dito.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Poema para os netos e netas

(Hiago, Luna, German, João, 
Catarina, Mariana, Chico e Miguel)

Corpo de luta
De vitórias derrotas
De tudo na vida
Doem as juntas
Certeza tímida ali no canto
Ninguém nota
Dúvidas ousadas
E sem importância
Quase ninguém sabe delas
Doem as juntas
A jaguara próstata apertada
Não me permite
Afastar-me de banheiros
Sou corpo de luta
De uma única certeza
O mundo tal qual o vejo
Está sempre foi canceroso
Tumor metástase do capitalismo
Sou corpo de muitas incertezas 
Que não sabe direito o que fazer
Mas fiz um pouco quase nada
Eu não mudei o mundo
Espero que vocês não desistam
Meninos e meninas

Vô Paulo, 8 de maio de 2017

domingo, 7 de maio de 2017

Poema das togas esvoaçantes

Sou juiz de direito
Recebo muito acima do teto
Duas vezes mais
Três vezes mais
Dez vezes mais
Mas todos os juízes recebem
Juízes de togas estaduais 
Juízes de togas federais
Todos recebemos
Pobres de nós
Até mesmo auxílio-moradia
Juízes coitados
Morreriam de fome
Se mantidos sob o teto devido
Quantos juízes
Entretanto
Federais ou estaduais
Fazem justiça
Duas vezes mais
Três vezes mais
Dez vezes mais
Qual o piso vagabundo
Que a justiça rasteira
A justiça rastejante
Jamais oferece
Nem mesmo isso
Mesmo que só um pouco
A quem precisa?
Eu sou um juiz de direito
E sei a porra do latim todo

Poema dominical levemente etílico e inútil

Eu moro
Tu deltan
Ele gilmar
Nós fascistas
Vós bolsonaros
Eles milícias