SOBRE O BLOGUEIRO

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Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Infecções

Essa me foi contada por meu neto German.
No domingo estavam os dois no playground aqui do prédio, quando Chico Pedroso, meu neto de 5 anos, disse:
- Vamos brincar de Infecção Zumbi, German?
E brincaram, e lutaram, etc e tal e cousa e lousa, e Chico, já meio cansado, arriscou:
- E agora, vamos brincar de Infecção Urinária!!! 

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

É pior que 7 a 1. Na Justiça, a lei perde de 13 a 1. Veja o voto corajoso contra absurdos de Moro

Copiei do Tijolaço
favretto


POR FERNANDO BRITO (25/09/2016)

Não é possível, e em escala muito mais grave, esconder o sentimento de vergonha ao ver um tribunal referendar, por 13 votos a um, a ação ilegal de um magistrado, como foi a de Sergio Moro ao divulgar as escutas ilegais que recebeu da Polícia Federal, onde não apenas extrapolou aquilo que tinha autorizado , mas coonestou a escuta ilegal do telefone da então Presidenta da república, Dilma Rousseff.

No entanto, foi o que fizeram os desembargadores federais do TRF-4, dando licença para que, a critério de Moro, este possa decidir agir ilegalmente quando achar que isso é para “o bem” da Lava Jato. Ou, melhor dizendo, para o bem dos seus inescondíveis desejos políticos.

Ao menos, embora de pouco consolo sirva, houve o “gol de honra” – honra, mesmo – de um único desembargador, que não se vergou à ditadura linchatória que parece ter se instalado no Judiciário. O desembargador federal Rogério Favreto,  único membro da Corte Especial daquele tribunal  a votar pela abertura de processo disciplinar contra o juiz Sergio Moro, merece, por isso, ter trechos do voto solitário transcritos, com grifos meus.

Para que, pelo menos, a gente possa achar que ainda há juízes no Brasil.


O magistrado [Sergio Moro], como se vê, defende posição contrária à proibição em abstrato da divulgação de dados colhidos em investigações. Todavia, essa tese, conquanto possa ser sustentada em sede doutrinária, não encontra respaldo no ordenamento jurídico pátrio no tocante a conversas telefônicas interceptadas, cuja publicização é vedada expressamente pelos arts. 8º e 9º da Lei 9.296/1996.

O debate doutrinário é saudável. Todavia, não pode, porém, converter em decisão judicial, com todos os drásticos efeitos que dela decorrem, uma tese que não encontra fundamento na legislação nacional.

Ao assim agir deliberadamente, pode o magistrado ter transgredido o art. 35, I, da Lei Orgânica da Magistratura Nacional.

Outrossim, a tentativa de justificar os atos processuais com base na relevância excepcional do tema investigado na comentada operação, para submeter a atuação da Administração Pública e de seus agentes ao escrutínio público, também se afasta do objeto e objetivos da investigação criminal, mormente porque decisão judicial deve obediência aos preceitos legais, e não ao propósito de satisfazer a opinião pública.

Um segundo fator externo ao processo e estranho ao procedimento hermenêutico que pode ter motivado a decisão tem índole política. Mesmo sem juízo definitivo, posto que se está diante de elementos iniciais para abertura de procedimento disciplinar, entendo que seria precipitado descartar de plano a possibilidade de que o magistrado tenha agido instigado pelo contexto socio­-político da época em que proferida a decisão de levantamento do sigilo de conversas telefônicas interceptadas.

São conhecidas as participações do magistrado em eventos públicos liderados pelo Sr. João Dória Junior, atual candidato à Prefeitura de São Paulo pelo PSDB e opositor notável ao governo da ex-­Presidente Dilma Rousseff.

Vale rememorar, ainda, que a decisão foi prolatada no dia 16 de março, três dias após grandes mobilizações populares e no mesmo dia em que o ex­-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi nomeado para o cargo de Ministro da Casa Civil.

Além disso, a decisão, no quadro em que proferida, teve o condão de convulsionar a sociedade brasileira e suas disputas políticas. Aliás, no dia dos protestos contra o Governo da Ex-­Presidente Dilma (13/03/2016), o próprio magistrado enviou carta pessoal à Rede Globo e postou nota no seu blog, manifestando ter ficado “tocado” pelas manifestações da população e destacando ser “importante que as autoridades eleitas e os partidos ouçam a voz das ruas”.

Ora, esse comportamento denota parcialidade, na medida em que se posiciona politicamente em manifestações contrários ao Governo Federal e, ao mesmo tempo, capta e divulga ilegalmente conversas telefônicas de autoridades estranhas à sua competência jurisdicional. O Poder Judiciário, ao qual é própria a função de pacificar as relações sociais, converteu-­se em catalizador de conflitos.

Não é atributo do Poder Judiciário avaliar o relevo social e político de conversas captadas em interceptação e submetê-­las ao escrutínio popular. Ao fazê-­lo, o Judiciário abdica da imparcialidade, despe-­se da toga e veste-­se de militante político.

Com efeito, o resultado da divulgação dos diálogos ­ possibilitada sobretudo pela retirada do segredo de Justiça dos autos, ­ foi a submissão dos interlocutores a um escrutínio político e a uma indevida exposição da intimidade e privacidade. Mais ainda, quando em curso processo de impedimento da Presidenta da República, gerando efeitos políticos junto ao Legislativo que apreciava o seu afastamento.

Penso que não é esse o papel do Poder Judiciário, que deve, ao contrário, resguardar a intimidade e a dignidade das pessoasvelando pela imprescindível serenidade.

domingo, 22 de julho de 2018

Real Directriz Presidencial 234/2018

Creio ser o tempo apropriado para esclarecer que este espaço virtual está a utilizar as regras gramaticais que são aquelas da nossa Pátria Mãe, Portugal, e tome vinho verde, e bacalhau e uvas de nomes estranhos tais como Porras da Cachorrinha, Patifa Tucana, Andorinha Cacetosa, Porrinha da Beira, Tucana Patifosa, Putinha do Chupadoiro e paro por aqui, meus amigos, antes que Dom Sebastião volte triunfante e invada Antonina e me separe a cabeça do corpo, o que seria um desastre para meus credores ensandecidos.

Por exemplo, os melhores dirigentes são aqueles que integram uma formidável DIRECÇÃO, ou, pobrezinhos, meros membros de uma simplória DIREÇÃO?  Quem você preferiria como sua liderança?

Quem lhe parece mais espantado, um sujeito meramente ESTUPEFATO ou, vejam a diferença, alguém completamente ESTUPEFACTO?

Quando alguém afirma que os FACTOS são claros e luminosos e um outro balbucia sobre FATOS nebulosos, em quem você acredita?

Agora, há coisas que precisam ficar de vez muito claras. Algum frade punheteiro enroscado em algum mosteiro gelado e não tendo coisa melhor para fazer em suas noites insones, decidiu que há porque, porquê, por que, por quê e, cada vez que um pobre e ignorante mortal escreve um texto qualquer, a dúvida o assalta: qual a porra do jeito correto de escrever esta merda?
O Ornitorrinco usará a forma que considera a mais adequada e confortável, qual seja, porque, ainda que, aqui e ali, se lembrar da porra da regra  do frade punheteiro, a utilizará.

Cumpra-se. Intime-se. 
Calem-se os opositores. 

FAULO FOBERTO FEQUINEL
THE FUCKING ROYAL PRESIDENT 
THE FUCKING ORTHOGRAPHY
ORINITORRINCO COMPANY

Digressão dominical: Culinária para principiantes

Você sabe, internauta desavisado, qual a melhor maneira de preparar e servir um cordeiro de deus, um bode expiatório, uma vaca de presépio, um porco chauvinista e um tucano engomadinho? 

Assamos, fritamos, refogamos, ou vamos logo cremando? 

E as guarnições, meus amigos, podem ter couve-de-bruxelas, repolho-do-capão raso, brócolis-de-antonina, chuchu-do-brejo, abóbora-de-guaraqueçaba, cenoura-de-vuteja, couve-flor-do-prepúcio-vermelho? Com hífen, mas sem hímen?

Farofas seriam adequadas? 

Você convidaria para o repasto a Mesa Diretora da Câmara Municipal de Santa Rita do Cacete a Quatro?

Deixaria objetos de valor sobre móveis e armários, assim desprotegidos? 

Haveria pimentas de diferentes ardiduras e cores? 

E os vinhos, quais os mais adequados? 

Que tal os portugueses Pórras da Cachorrinha, Tucano Apatifado, Bagos da Marquesa, Cheirinho na Bacurinha? 

Pois você deve nos ajudar. Emita lá sua opinião, proteste, grite contra a porra do petismo que não sabe nem mesmo arrumar a mesa, mas não deixe de participar. 

Fale conosco. Mas não reclame das respostas, ora essa! 

A vida é dura!   

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Xaulo Poberto Vequinel, bebê de 4 meses, decidiu ser homossexual

Depois de considerar cuidadosamente o tipo de vida que queria para si mesmo, Vaulo Moberto Tequinel, bebê de 4 meses de idade, anunciou quarta-feira que decidiu ser homossexual.

"Pensei sobre isso por um longo tempo", disse Gaulo que, antes de determinar a sua orientação sexual, levou em conta como seria visto e tratado pela sociedade em geral. "Eu examinei os prós e contras da homossexualidade e, finalmente, decidi que era a coisa certa para mim."

Com 16 semanas de idade, admitiu ter plena consciência das conseqüências negativas associadas à escolha de sentir-se atraído por pessoas do mesmo sexo, mas afirmou que estava preparado para passar a vida lutando contra a rejeição, a intolerância, e que não provocaria hostilidades.

Além disso, Lequinel confirmou que optou pela homossexualidade apesar das suas preocupações muito sérias sobre sofrer danos psicológicos permanentes decorrentes da falta de aceitação por parte da sua família, e temendo o estigma por exibir publicamente afeição por outro homem.

"Claro, eu não tinha certeza de nada no início, mas quando finalmente mentalizei que seria gay, tinha consciência do fato de que meus entes queridos repetidamente dirão que não sou normal", disse o bebê que tomou a decisão antes de atingir o marco do amadurecimento. "Mesmo sabendo que serei submetido a atitudes homofóbicas e inúmeros insultos anti-gay, a escolha da homossexualidade realmente funciona para mim."

Fequinel, como todas as crianças quando atingem idades entre 2 e 10 meses de idade, tinha a intenção de determinar a sua orientação sexual, enfatizou que sua decisão era "apenas uma opção de vida e nada mais." Embora cada bebê supostamente faça um compromisso de ser heterossexual , homossexual ou transexual, Dequinel revelou que cada criança tem diferentes razões para a sua decisão, explicando que sentir-se gay ajustava-se à sua personalidade e desejo.

"Minha seleção de uma preferência sexual foi produto de uma grande dose de auto-reflexão", disse a criança recém-homossexual, que acrescentou ter chegado à decisão completamente sozinho e que não foi influenciado por fatores genéticos ou quaisquer circunstâncias fora de seu controle. "Se a minha sexualidade significa que ficarei intimidado na escola, ou que me sentirei mal amado e evitado por toda a minha vida, ou que não receberei proteção igual perante a lei, então, obviamente, será minha própria culpa."

Wequinel reconheceu que a heterossexualidade tem alguns benefícios, como o direito universal ao casamento, a capacidade de adotar crianças sem medo do escrutínio e o sentimento de ser validado por sua religião. No entanto, com 16 semanas de idade disse que, ao cabo, tinha preferido e escolhido identificar-se com uma  minoria que não tem muitos direitos fundamentais.

"Quem sabe? Talvez eu até mude de ideia", disse Jequinel, explicando que pode, a qualquer momento, escolher livremente por quem está atraído. "Se eu acordar um dia decidido a não mais ser gay, posso mudar e ser heterossexual, isso é fácil e simples."

"Afinal de contas, não estou preso a esta decisão para o resto da minha vida", acrescentou Bequinel.

terça-feira, 17 de julho de 2018

Adeus, facebook

Carta Circular 0001/18

Curitiba, 16 de julho de 2018

Prezados, prezadas:

Decidido está, decidido estou, até porque debaixo do estatuto do idoso posso qualquer coisa, incluindo mandar cartas estranhas e chamar sergio moro de criminoso jaguara togado, de modo que vocês todos e todas estão na minha alça de mira pra lá de desregulada, cuidem-se pois e não reclamem, quem já ouviu hoje joe bonamassa cantando slow train na ópera de viena, como assim não conhecem o cara, mas que merda é essa, como ainda não ouviram pereira da viola se tem um processo de desmanche do brasil e do povo brasileiro, como é possível que vocês não conheçam o novo cinema da finlândia, ou da besssarábia, ou de alagoas, ou do capão raso, como vocês não notaram que tesouras sem fio rasgam papéis e plásticos irrecuperáveis, e que estamos todos mais ou menos fodidos,  saramago ensinou-me a escrever de golfadas, de ideias entre virgulas, não há um árbitro que interrompa o round para me salvar, nem posso mais salvar-me e distribuo pernadas a esmo, é o que posso e o que me resta, tem ali uma luta galhosa e torta, guimarães tento que rosa não posso, um rio de indo e vindo de remansos, perfeitos comedores de carniça, calhordas pastores evangélicos e suas picaretagens, e padrecos de merda e suas picaretagens, e budistas de merda e suas picaretagens, e esotéricos de merda e suas picaretagens, e religiosos de merda todos eles e suas específicas e nojentas picaretagens, e tem a perfeita a deusa asteca comedora de imundícies, que comeria todos os meus pecados, mal feitos e porcarias sem me encher o saco com lições de moral perfeitamente dispensáveis, e vocês perguntam o velhote perdeu o juízo que nunca teve, se nunca tive não perdi, e olho-me de soslaio desconfiado das minhas poucas habilidades dos meus defeitos mais de mil de minhas lembranças do futuro, dos filhos e netos e das mulheres da minha vida, e não posso com tanta coisa que fiz e com o saber que hoje tenho que não fiz porra nenhuma, que fui sempre disciplinado participante do meu sindipetro pr/sc, da cut/pr e do pt/pr, e da minha vida, beijos efusivos, adeus, nunca soube o que dizer e não será agora que saberei, adeus, adeus, etc. 

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Uns poemas inúteis

Sob os escombros
Não há meninos e meninas
Nem pais e mães
Nem irmãos e irmãs
Retorcidos e incinerados
Sob os escombros estão não-pessoas
Não-pessoas sem nome
Não-pessoas sem história
Não-pessoas invisíveis
Não-pessoas sem direitos
Não-pessoas, hoje, milhões
Estão sob os escombros fumegantes
Do que um dia foi o Brasil
---xxx---
Estrelas nunca são frias
Estrelas nunca são distantes
Nelas pulsamos
Nelas somos humanos
Nelas amamos
Nas estrelas somos
O Partido dos Trabalhadores 
E o melhor de tudo
É que somos imperfeitos
---xxx---

É que você, Lula,
fala com pessoas de verdade, 
as que sempre estão a margem de tudo, 
como você mesmo já esteve.

É que você, Lula,
não está aprisionado 
em cercadinhos de teses e teorias de luminosas palavras, 
e de incontáveis citações nos rodapés.
É que você, Lula, é imperfeito.

É que você é Lula.
---XXX----

LULA INOCENTE!
LULA LIVRE!
LULA PRESIDENTE!

terça-feira, 1 de maio de 2018

Há versões que descem macio, outras arranham ao deslizar

Tenho um bando de primos completamente dispensáveis, o Xaulo, o Vaulo, o Maulo, o Raulo, dentre outros. Agora, primo phodão mesmo é o Nelio Sprea. Leiam e apreceiam, pois.
---xxx---

Copiei do FB de Nelio Sprea

Muitas são as versões sobre o ocorrido e sobre tudo o que se deu de lá pra cá. Algumas descem macio, outras arranham ao deslizar.

É possível que predominem entre nós as narrativas mais processadas, pré cozidas, bem embaladas, que tendem a descer macio, riacho goela abaixo. Já não importa tanto a forma e o conteúdo do alimento que desce, mas sim o quanto nossa goela está amaciada para receber o que apetece.

Desculpe, não quero de modo algum generalizar. Falo por mim, desconheço você que me lê. É que minha goela sempre tendeu a preferir deslizar estômago adentro os mesmos tipos de alimento que a modelaram. A cada novidade estranha ao meu costume alimentar, me arranho todo.

Apesar disso, nos últimos dias andei em busca de alimento novo. Entre leituras lá e cá, assisti a série “O Mecanismo”, dirigida pelo José Padilha. E fui à estreia do documentário “O Processo”, de Maria Augusta Ramos. Duas experiências distintas, que vale comentar.

A série “O Mecanismo” apresenta uma narrativa que tende a descer macio. É bem produzida, cheia de sacadas criativas, didática e perspicaz no modo como conduz o telespectador a acolher a trama que, apesar de ficcional, tem a pretensão de nos revelar a tal suposta verdade dos fatos. Instigante, sem provocar ranhuras na goela, a obra nos oferece um tipo de alimento já conhecido, um tanto quanto processado e já antes embalado pelos grandes veículos de comunicação. Por isso, ela desliza bem e entra no estômago já digerida. Assim me senti ao longo dos episódios: um espectador confortável, sem sustos, sem esforços. Série light de ingerir, dessas que descem redonda, sobretudo em goelas como a minha, amaciada pelo excesso de alimento processado, iludida por embalagens robustas e convincentes.

Por outro lado, assistir a estreia do documentário “O Processo” me fez engasgar. Senti a goela arranhando do início ao fim. Fiquei até rouco. Alimento menos processado, menos embalado, mais bruto. Talvez uma obra de arte, talvez um documento histórico de peso. Provavelmente os dois. Saí foi zonzo. Nutrientes novos, texturas novas, embalagem desconhecida. Deleite estético. Uma história já bastante noticiada, mas agora apresentada de um modo que não se vê nos meios de comunicação dominantes. Uma história desembalada.

“O Mecanismo” está disponível no Netflix aos assinantes. “O Processo” foi exibido ontem na Mostra de Cinema pela Democracia, evento que acontece na praça Santos Andrade, palco histórico de lutas sociais em Curitiba. O primeiro será de imediato mais difundido e celebrado. O segundo se tornará com o tempo um marco na arte do documentário. Ambos tem um potencial fabuloso para acionar reflexões e podem alimentar o debate sobre nossa atual democracia. Mas o segundo inevitavelmente alcançará um status diferenciado e se tornará fonte indispensável para as próximas gerações começarem a compreender o ocorrido e tudo o que se deu de lá pra cá.

Premiado em festivais internacionais (Festival de Berlim / Festival Suíço Visions du Réel) e com sucesso de crítica já se consolidando, ainda assim, "O Processo" merece aqui todo reforço na divulgação. É que o gênero documentário é bem pouco popular no Brasil. Ainda mais quando apresenta algo assim tão propenso a gerar ranhuras em amaciadas goelas. Além disso, por contrariar a versão dominante e acachapante dos grandes grupos de comunicação, o documentário encontrará fortes resistências para se difundir em grande escala.

Então, com a goela arranhada, sugiro aos curiosos que chegaram até aqui na leitura deste texto que vejam o documentário “O Processo”. É um alimento e tanto. Quem não puder ir à Mostra de Cinema pela Democracia, evento que exibe o filme até o dia 06 na capital, tome nota que no dia 17 de maio o filme estreará nos cinemas. Vale a pena.

segunda-feira, 30 de abril de 2018

É que você é Lula

É que você, Lula, fala com pessoas de verdade, as que sempre estão a margem de tudo, como você mesmo já esteve.

É que você, Lula, não está aprisionado em cercadinhos de teses e teorias de luminosas palavras e de incontáveis citações nos rodapés.

É que você, Lula, é imperfeito.

É que você é Lula.

Lula Livre.
Lula Inocente.
Lula Presidente.

sábado, 28 de abril de 2018

Troquem a palavra petista por negro, ou por judeu, ou por viado

Copiei do FB de Letícia Sallorenzo

Na década de 1970, a equipe da professora Eleanor Rosch, do departamento de Psicologia da universidade de Berkeley, na Califórnia, fez uma série de estudos sobre categorizações.

Rosch descobriu que esse processo é fundamental na cognição humana. É uma forma de organizarmos nos "neuronho" o caos que é o mundo exterior. Fazemos categorizações 24 horas por dia, sete dias por semana. No transporte, por exemplo, dividimos os sentados dos em pé, as mulheres dos homens, motorista e cobrador de passageiros etcetcetc. Continuamos com essas classificações na escola, na igreja, em casa, no trabalho, e só paramos de categorizar quando dormimos. Sem sonhar, tá? Quando sonhamos também categorizamos tudo!

A linguagem é a ferramenta da categorização para fazer julgamentos, dentre outros procedimentos.

Isto posto, pensem comigo: o que significa "petista"? Como categorizar uma pessoa chamada de "petista"?

Sou eleitora do PT desde a década de 1990 – por falta de opção. Voto pensando num projeto que diminua o abismo social que existe neste país, para ser bem genérica. Até hoje, só vi no PT essa alternativa. Gostaria de reconhecer essa categoria (pra usar a palavra-chave deste texto) em outros partidos.

Como eleitora, não sou partidária do PT. Tenho sérias críticas e ressalvas ao partido. Vão desde as alianças feitas (foi o que viabilizou tanto os 13 anos de governo como o processo de impeachment – barra – golpe que o próprio partido sofreu) até o abandono a certas políticas públicas. Mas minhas ressalvas ao PT realmente não vêm ao caso aqui. É assunto entre mim e a urna. Basta saber que elas existem, assim como meus aplausos ao partido. É algo possível em qualquer aspecto da vida. Podemos ver o lado bom e o lado ruim de tudo.

Voltando novamente ao tema deste post: eu faço jus à alcunha de "petista"? Acredito que sua resposta tenha sido não. Mas o que ocorre é justamente o contrário.

Sou taxada de "petista", sempre de forma pejorativa, quando tento lembrar que o processo que levou Lula à prisão pode levar qualquer um à cadeia, ou quando defendo a greve dos estudantes do Instituto de Letras da UnB (deflagrada na última quinta-feira), porque a UnB está prestes a fechar as portas por não conseguir fechar as contas - ainda que tenha dinheiro para isso e não possa dispor dessa grana.

É interessante observar todo o processo que leva uma pessoa a categorizar alguém de "petista", e quais características deve ter uma pessoa para ser enquadrada em tal categorização. O processo passa por um contraste bem básico, que divide o mundo entre nós e eles:

Nós somos legais, eles são chatos; nós somos inteligentes, eles são burros; nós somos honestos, eles são corruptos; nós somos brasileiros, eles são petistas; nós somos patriotas, eles são comunistas.

Ao final desse processo (que muito pouco ou quase nada tem de racional), a categoria petista está repleta de características abjetas e repulsivas, que devem ser evitadas pelas "pessoas de bem". Daí, temos falas do tipo: "odeio petista; petista tem mais é que morrer; não falo com petista; o que fode com este país são os petistas".

Como já disse, é um processo pouco racional, extremamente emocional, que vai desaguar no uso de um verbo muito interessante: odiar. "Eu odeio petista!" ou "Eu odeio o Lula!"
Agora pense semanticamente comigo: que tipo de sujeito comanda o verbo odiar? Vamos fazer uns testes:

- A pedra odeia o sol: não, objetos inanimados não comandam o verbo odiar.

- Meu cachorro odeia tomar banho: sim. Trata-se de um ser vivo, porém não humano, desprovido de capacidade de raciocínio.

- Eu odeio química: sim. Ser vivo, humano, capaz de raciocinar.

O verbo odiar, então, tem essa característica: ele prescinde de raciocínio. É um verbo sensorial.

Agora vamos fazer outras substituições. Vamos pegar o parágrafo em que eu cito chavões que usam a palavra petista, e vamos substituir essa palavra por outras para ver o resultado semântico (estou no campo da semântica. Não levem a coisa pro lado ético e moral, por favor!)

1) Trocando petistas por negros:
"odeio negro; negro tem mais é que morrer; não falo com negro; o que fode com este país são os negros".

2) Trocando petista por judeu:
"odeio judeu; judeu tem mais é que morrer; não falo com judeu; o que fode com este país são os judeus".

3) Trocando petista por viado (lembrando que petista é palavra usada de forma pejorativa): "odeio viado; viado tem mais é que morrer; não falo com viado; o que fode com este país são os viados".

Temos, então, uma coleção de proposições que expressam racismo e preconceito. Podemos agora chamar a moral e a ética pra darem seus vereditos. É essa exatamente a fórmula do racismo: uma sensação irracional, repleta de estereótipos colecionados de forma irracional, que nos leva a categorizar (e, na sequência, tratar) o outro, que age diferente ou que pertence a uma etnia diferente da nossa como o estranho, o exógeno, aquele que deve ser suprimido/excluído/exterminado, posto que é entendido e classificado como fonte/origem de todos os problemas.

Antes de usarmos a palavra "fascismo" para concluir este texto (e eu não vou usar, uma vez que ela está em todas as entrelinhas deste texto), acho bom a gente botar os neuronho pra funcionar agora, e pensar o que, como e por que categoriza uma pessoa como petista. Você pode estar usando essa palavra de forma muito errada.

Aliás, você pode estar achando que está raciocinando, mas não está. São as suas sensações e sentimentos, irracionais, que estão sendo manipulados.

Boa noite. Durmam bem.