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Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Estamos sim, sendo caçados!


Desde que meu filho anunciou urbi et orbi que viveria sua sexualidade sem anular-se ou esconder-se, o que me remete ao dever incontornável de protege-lo, venho repetindo que há, sim, um processo alucinado de violência contra o povo LGBTT. 
Li que neste mes de janeiro o saldo é de 36 mortos, alguns com extremada crueldade. 
Este texto, da lavra do ativista Julio Marinho, do Blog Nossos Tons, é perfeito e reflete minhas próprias angústias e minhas preocupações com o meu filho.
Exagero? Então vá lá dizer isso para as famílias alcançadas pela tragédia da violência LGBTT-fóbica, vai lá e pede paciência, vai lá e pede que aceitem a intolerância de origem religiosa, vai lá.
Não ousem ofender, humilhar, constranger ou discriminar meu filho: enquanto eu puder, homofobia eu trato a pontapés.
Estejam, pois, avisados.


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Copiei do indispensável Nossos Tons


Estamos sim, sendo caçados!

Sim, há medo espalhado no ar. E, a pergunta que não quer calar é: qual será a próxima vítima? Qual de nós será o próximo a levar uma lâmpadada na cara, ter uma orelha arrancada, ou uma estaca enfiada no ânus, por ser - ou "parecer ser" - gay? Até quando seremos tão vulneráveis? Estamos diante de um massacre, uma onda de extermínio em massa que, de mãos dadas com uma teocracia emergente, nos empurra de volta pros armários da vida. Os mesmos que lutamos tanto para sair.

Ou fazemos algo já, ou estaremos fadados, em breve, a queimar em plena praça pública. Exagerado eu? Pode ser, mas como não sê-lo, diante das centenas de cidadãos LGBTs desse país(?), que morrem continuamente, apenas porque ousaram assumir que amaram/amam alguém do mesmo sexo?

Somos sim, as novas bruxas do pedaço. Estamos sim, sendo caçados, e não apenas metaforicamente, mas no sentido literal mesmo. É verdade que os números que comprovam isso não são assim tão precisos, visto que são coletados de forma precária, mas nem por isso deixam de ser sintomáticos. Vale destacar a corajosa e elogiosa iniciativa do GGB (Grupo Gay da Bahia) que coleta esses dados, mesmo que os métodos não sejam considerados oficiais. Além disso,
por vergonha e preconceito, ao prestar seus depoimentos algumas famílias deixam de relatar que seus parentes eram homossexuais. Se isso não acontecesse, os números seriam ainda mais alarmantes.

Isso tudo me assusta, e muito. Me assusta o fato de que algumas entidades religiosas queiram legislar sobre o país e nossas vidas. Eu até acho razoável que alguns escolham pautar suas vidas pelo aspecto religioso, mas o problema é quando transferem isso para o campo jurídico. O recado é claro: ou você vive de acordo com os ditames e dogmas cristãos, ou você estará sujeito as sanções imposta pelos mesmos. Eles, os fanáticos religiosos, estão tão preocupados com a "moral e os bons costumes", que acabam usando isso como desculpa para incitar o ódio e propagar a homofobia. Para esses, a religião virou salvo-conduto para toda sorte de arbitrariedade e barbárie.

Nos últimos dois dias fui obrigado a escrever sobre dois assassinatos e um estupro. Todos justificados por conta da homossexualidade das vítimas. Enquanto isso, em todo o mundo, vários adolescentes dão cabo de suas próprias vidas, por não suportarem tanto assédio moral. Talvez façam isso por preverem o futuro que lhes reserva essa sociedade cruel e hipócrita, onde se julga a sexualidade, não o caráter. Mundo estranho esse, onde pessoas são mortas por amar, e amadas por matar!

Além desses gravíssimos casos de violência explícita, existem aqueles casos mais velados, onde cidadãos LGBTs são recusados numa vaga de emprego, são impedidos de receberem uma promoção, são atendidos em locais públicos (comércios, repartições públicas e hospitais), de forma "diferenciada", são retratados de forma caricata pela mídia em geral, aumentando assim ainda mais os estigmas que já carregam.

Mas, quero deixar bem claro que, nós não vamos nos calar, não mesmo. Não vamos fazer como o governo brasileiro que finge que nada está acontecendo. Nem vamos compactuar com os imbecis que insistem em jogar a culpa nas vítimas. Nós vamos continuar denunciando, gritando e escrevendo enquanto pudermos. Vamos a luta, sempre!

5 comentários:

Julio Marinho disse...

Muito obrigado Paulo por repostar esse texto e pelos elogios tão gentis.Você certamente é um homem muito generoso, e essa é uma das qualidades que mais aprecio. Grato Meu querido.

PAULO R. CEQUINEL disse...

Prezado amigo:

Ainda bem que a partir de segunda, quando completo 60 anos, estarei protegido pelo Estatuto do Idoso.
Assim, sempre que trocar palavras e nomes, ó, chamo meu advogado e proclamo: nos terrmos do Inciso 6º, § 7º do Artigo 176, sou inimputável.
Correção providenciada.
Abraços,
Cequinel

Gabriel Antonio disse...

Obrigado, Julio Marinho! Pelo maravilhoso texto, e mais que isso, pelo excepcional Nossos Tons. Obrigado Paulo! Por compartilhar esse tão belo e urgente texto!
Pois estamos sim na berlinda LGBTT-fóbica, e sabemos, que não é exagero de modo nenhum a luta contra a imposição de uma teocracia, sabemos todos, quanta desigualdade traz um projeto de lei ou emenda constitucional que fere a laicidade do estado.
A luta contra a homofobia é algo urgente e depende não só da LGBTT, mas de todos os cidadãos, que devem entender que ninguém está livre de ter um filho ou filha LGBTs, e nos dias de hoje, ninguém está livre de ter um filho ou filha LGBTs assassinado brutalmente.

Amigos do Jekiti disse...

Tamo junto, meu amigo.

Jeff Picanço disse...

Muito legal o post, e, mais ainda, a sua luta. no que precisar, conte com nóis, ainda que no (gostoso) exílio de Barão Geraldo. Forte abraço.