SOBRE O BLOGUEIRO

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Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Carta aberta a Aluízio Mercadante, Ministro da Educação que se borra de medo da imundície da Bancada LGBTT-fóbica Evangélica

De: prcequinel@yahoo.com.br
Para: acsgabinete@mec.gov.br
Aluizio Mercadante - Ministro da Educação
A/C Nunzio Briguglio Filho
(Assessoria de Comunicação Social)
(Enviado às 18:53 horas)

Li, coisa de uns dez dias, esta inacreditável declaração do Ministro Aluízio Mercadante: 

“Precisamos fazer uma pesquisa mais aprofundada e cuidadosa sobre como construir um diálogo que respeite a diversidade em todas as suas formas, a pluralidade. Vamos ter que estudar mais a fundo a homofobia e como dialogar [com os setores da sociedade], porque o enfrentamento direto, eu acho que não vai ajudar. Simplesmente lançar um material didático, produzir um vídeo e lançar na escola, isso não vai resolver”. 

Quer pesquisas, ministro?

Mande um dos seus assessores que pesquise e lhe apresente os números mais recentes e constate que todos os dias, religiosamente (se me permite a ironia), um integrante do povo LGBTT é assassinado, no mais das vezes com requintes de extrema crueldade.

Quer diálogo, ministro?

Eu também gostaria de conversar com as imundícies que se reúnem na frente parlamentar do ódio religioso, inclusive e especialmente com os petistas, para entender porque meu filho mais novo, que é gay e decidiu viver sua sexualidade aberta e publicamente, constitui ameaça às famílias e mesmo à nossa existência, mas não há tempo para sentar-me com quem não quer dialogar, ministro: meu menino pode ser alcançado pelo ódio de origem religiosa a qualquer momento.

Quer estudar mais a fundo e compreender a homofobia, ministro?

Pois eu não tenho nem tempo e muito menos paciência para aprender o que já sei: o ódio de origem religiosa está a discriminar, humilhar, ameaçar e a matar o povo LGBTT, e no Brasil a matança é diária, e eu tenho o dever incontornável de amar e defender meu filho.

Quer mesmo saber mais sobre homofobia, ministro?

É simples, basta chamar as famílias atingidas pela tragédia da violência LGBTT-fóbica, as entidades e militantes LGBTTs e meninos e meninas adolescentes que abandonaram a escola por conta da intolerância e do preconceito.

Se um governo do PT é incapaz de enfrentar a bancada do ódio religioso, se o governo que ajudei a eleger se borra de medo diante dos arreganhos de imundícies como Garotinho, Marco Feliciano e João Campos, trate, ministro, de chamar a CUT, as bases do PT, a militância LGBTT de esquerda, convoque as famílias atingidas pela violência endêmica praticada contra o povo LGBTT, chame homens e mulheres de fé e de boa vontade que não são intolerantes: nós os enfrentaremos, ministro.

Eles é que devem envergonhar-se do que pregam e fazem, eles é que devem ficar acuados, eles é que devem temer a lei, a justiça e a nossa luta, mas permita-me a dura e necessária franqueza, ministro: o governo que ajudamos a eleger tem o dever de levantar-se e encarar essa gente obtusa. De frente!

Eles são muitos? Nós somos o mundo!

Paulo Roberto Cequinel

(Para Jean, meu filho. Sou seu pai, menino, incondicionalmente. Amo você.)

7 comentários:

Rosangela Basso disse...

Pronto, tasquei na boca de Matilde, ou seja, publiquei no Twitter. Vergonha absoluta desse povo que abre mão da dignidade da vida dos outros para ter o poderzinho de merda.

Rosangela Basso disse...

Ó! Replicaram, vai lá, ficou bacana http://flavialages.pro.br/

Chico disse...

De que adianta fazer essa defesa apaixonada do filho enquanto defende a desgraçada que escolheu se aliar ao lixo evangélico e tratar homossexuais como lixo? De que adianta dizer que defende os LGBTs quando defende a "honra da Dilminha" que faz questão de tratar os LGBTs como lixo? (Isso foi pra outra que faz questão de fingir que defende os direitos civis dos LGBTs enquanto defende a honra da vadia miserável que nomeou Crivella ministro)

Rosangela Basso disse...

Coisa chata certo comentário.

PAULO R. CEQUINEL disse...

Prezado Chico:
1. A defesa apaixonada dos meus filhos e das minhas ideias mantem minha sanidade. Quando nem isso eu puder mais, interditem-me!
2. Que fique muito claro: conheço Rosangela Basso desde os anos 80 e ela não finge defender isso ou aquilo: é uma lutadora do povo brasileiro.
3. Dilma Rousseff não é uma vadia miserável. Ao contrário, tem uma história de vida, de luta e de dignidade que, apesar dos recuos e dos erros - especialmente no que diz respeito aos direitos LGBTTs - a tornam merecedora de crédito e de esperança.
4. Aliás, notável sua paixão na defesa das suas ideias e conceitos. Pensa que só você pode?

Julio Marinho disse...

Ahhh Paulo, quem dera todos os pais fossem iguais a você! Mães que defendem um filho homossexual, até vemos com bastante frequência, mas pais, nesse mundo machista? Certamente você é uma raridade meu querido!

Obs.: tive a ousadia de publicar essa carta no Nossos Tons (citando a fonte, é claro), espero que não se ofenda.

ORRAIO disse...

O PT era PT mesmo quando em mangas de camisa.
Agora essa trupe de mauricinhos se caga diante de qualquer ameaça de barraco por parte dessa corja papahostista.
Tenho nojo do PT de hoje.
E olha que já passei sacolinha pró-greve em São Bernardo na década de 1970.
E a moça tem um bocadito de razão: a Dilma devia peitar mais essa raça!!!