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Antonina, Litoral do Paraná, Palestine
Petroleiro aposentado e petista no exílio, usuário dos óculos de pangloss, da gloriosa pomada belladona, da emulsão scott e das pílulas do doutor ross, considero o suflê de chuchu apenas vã tentativa de assar o ar e, erguido em retumbante sucesso físico, descobri que uma batata distraída não passa de um tubérculo desatento. Entre sinos bimbalhantes, pássaros pipilantes, vereadores esotéricos, profetas do passado e áulicos feitos na china, persigo o consenso alegórico e meus dias escorrem em relativo sossego. Comendo minhas goiabinhas regulamentares, busco a tranqüilidade siamesa e quero ser presidente por um dia para assim entender as aflições das camadas menos favorecidas pelas propinas democráticas.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Bolinhos de Jesus, paletas mexicanas e apropriações culturais

Imagens copiadas daqui e daqui
  



Copiei do Alexey Dodsworth Magnavita

Eu compreendo que há razões concretas para se preocupar com apropriações culturais. Um bom exemplo é o da suástica: símbolo sagrado de muitas culturas, é agora mais conhecido por ser o símbolo do nazismo. Outro exemplo é o que algumas crentes fervorosas andam fazendo em Salvador, vendendo acarajé com o nome de BOLINHO DE JESUS, com o intuito claro e assumido de deletar o nome "acarajé" do mundo, porque é da cultura africana e, portanto, do Tinhoso. Jamais comprarei um bolinho de Jesus.

O problema é que muita gente se apropria do conceito de "apropriação cultural" sem estudar devidamente a parada, e sai por aí fazendo alarde que expõe apenas a própria ignorância.

Exemplo: nos últimos dias, li uma pessoa se queixando das PALETAS MEXICANAS RECHEADAS, como sendo APROPRIAÇÃO CULTURAL de um REPASTO MEXICANO. Haja drogas, manolo! Paleta mexicana recheada não existe no México.

Repitam comigo:
Paleta mexicana recheada não existe no México.
Paleta mexicana recheada não existe no México.
Paleta mexicana recheada não existe no México.
Paleta mexicana recheada não existe no México.
Paleta mexicana recehada não existe no México.

O que existe são picolés de frutas, iguaizinhos aos nossos, tais quais são encontrados nas praias de Salvador: o picolé Capelinha. Sempre de frutas, e sem recheios pomposos e pompoaristas.

Deste modo, não há apropriação cultural alguma. O que há é a GOURMETIZAÇÃO do bom e velho picolé. Mais ou menos assim:

Picolé Capelinha em Salvador, sabor amendoim [delicioso]: 4 real.
**** raio gourmetizador ****
Paleta Mexicana de Maní com recheio de Xuca de Chocolate: 20 real.

E mesmo que a PALETA MEXICANA fosse um prato típico mexicano, dificilmente seria um símbolo religioso, ou um símbolo de resistência de um povo oprimido ou bla bla bla.

Pense nisso sempre que você - que reclama de "apropriações" - tomar saquê gelado e comer sushi com queijo derretido, duas heresias para os japoneses. Ou quando tacar azeite balsâmico na salada [a maneira mais fácil de conduzir um italiano ao colapso nervoso].
Azeite balsâmico se põe no SORVETE DE COCO. Se põe na CARNE.

Mas colocar na salada não é "apropriação cultural". É apenas assassinato do gosto dos vegetais. E, como somos livres, por mim vocês desperdiçam o azeite balsâmico onde quiserem e bem entenderem.

Só não façam isso com o tradicional di Modena, vos imploro.

Um comentário:

Sylvia Rodrigues disse...

Sem vomitar, adorei!!!!!