Eu visito o Urublues todos os dias
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Diz-se
por ai que a crônica é um gênero literário leve, despretensioso e
menor. É verdade e não é, acredito eu. Alguns, os mestres do gênero,
faziam da crônica até a não crônica. Rubem Braga, por exemplo. Ele ia
desenvolvendo um assunto como não queria nada – às vezes não queria
mesmo! – escrevia, colocava uma flor aqui, um livro ali, uma observação
acolá, e um final que nos deixava boquiabertos: havia nos enrolado
direitinho, nos fazendo ler até o fim aquele monte de nadas que ele ia
tecendo com sua Remington, tipo por tipo. Genial. Outros que adoro:
adoro ler o Cony e o Ruy Castro, na Folha, assim como adoro ler o
Veríssimo, um craque do gênero.
Antigamente, tinha o Carlos Drummond de Andrade, que riqueza! Tinha também o Lourenço Diaféria, no Estadão. Adorava ler o Mauro Santayanna, que escrevia antigamente na folha de São Paulo. Tempos atrás, tive a oportunidade de dizer isso pessoalmente a ele, num avião que pegamos de Brasília para BH. No começo ele até ficou assustado com meu assédio, depois abriu um sorriso simpático e me deu um aperto de mão. Ganhei meu dia.
E os cronistas políticos? Lia sempre, sem entender nada, o Carlos Castelo Branco, o Claudio Abramo, e outros. Quando era bom, lia o texto do cara, mesmo não concordando com ele. Era o caso do Paulo Francis, que adorávamos odiar. Cuidado com ex-trotskistas, como disse estes tempos Daulo Toberto Nequinel, da boquirrota Ornitorrinco Corporation, ele mesmo se definindo um trotskista moderado (Que quer dizer isso mesmo, Gequinel?). Bom, como já dizia, cuidado com ex-trostskistas. Eles são capazes de tudo, até escrever certo por linhas erradas. Paulo Francis era um desses.
Antigamente, tinha o Carlos Drummond de Andrade, que riqueza! Tinha também o Lourenço Diaféria, no Estadão. Adorava ler o Mauro Santayanna, que escrevia antigamente na folha de São Paulo. Tempos atrás, tive a oportunidade de dizer isso pessoalmente a ele, num avião que pegamos de Brasília para BH. No começo ele até ficou assustado com meu assédio, depois abriu um sorriso simpático e me deu um aperto de mão. Ganhei meu dia.
E os cronistas políticos? Lia sempre, sem entender nada, o Carlos Castelo Branco, o Claudio Abramo, e outros. Quando era bom, lia o texto do cara, mesmo não concordando com ele. Era o caso do Paulo Francis, que adorávamos odiar. Cuidado com ex-trotskistas, como disse estes tempos Daulo Toberto Nequinel, da boquirrota Ornitorrinco Corporation, ele mesmo se definindo um trotskista moderado (Que quer dizer isso mesmo, Gequinel?). Bom, como já dizia, cuidado com ex-trostskistas. Eles são capazes de tudo, até escrever certo por linhas erradas. Paulo Francis era um desses.
Na
crônica esportiva, adorava, na Gazeta Do Povo, o Carneiro Neto, por
razões quase óbvias (aliás, faltam 39 pontos pra alcançar 47 e fugirmos
do rebaixamento este ano, moçada!!). Hoje, curto muito o José Roberto
Torero e o Xico Sá, da Folha, embora ambos tenham uma paixão clubística
por certo piscídeo da Baixada Santista. O Juca Kfuri, com seu sambe de
uma nota só contra a corrupção no futebol é leitura obrigatória de quem
gosta dos temas de bola no pé.
Quando a blogosfera antoninense surgiu, eu lia com muito interesse os textos do meu querido Nerval Pires, que conheço desde os tempos de guri, quando ele tinha um programa na Rádio. Até hoje, não perco os textos do Bó, nosso decano-mor da blogosfera, conosco desde os tempos do jornalzinho de stencil. Também eram interessantes os textos de nosso querido Guardião Do Portinho. Onde andará nosso cavaleiro solitário? Será que ele foi desalojado na tragédia de março?
Tudo isso pra dizer que estou achando nossa blogosfera, inclusive o Bacucu com Farinha, do indômito Neutinho Pires, e o meu Urublues, um tanto sem sal. Tem cerca de 15 blogs dos mais diversos assuntos e interesses, dos mais diversos matizes ideológicos e religiosos e clubísticos, mas o clima está meio assim-assim, de marasmo, de esperar-como-está-pra-ver-como-fica. Ninguém se arrisca a um movimento, ninguém sai da intermediária. Será que, tirando o incansável Bó, nós outros cansamos? Será que está todo mundo esperando a procissão do dia 15? Será que estão esperando pra definir os candidatos nas eleições do ano que vem?
Quando a blogosfera antoninense surgiu, eu lia com muito interesse os textos do meu querido Nerval Pires, que conheço desde os tempos de guri, quando ele tinha um programa na Rádio. Até hoje, não perco os textos do Bó, nosso decano-mor da blogosfera, conosco desde os tempos do jornalzinho de stencil. Também eram interessantes os textos de nosso querido Guardião Do Portinho. Onde andará nosso cavaleiro solitário? Será que ele foi desalojado na tragédia de março?
Tudo isso pra dizer que estou achando nossa blogosfera, inclusive o Bacucu com Farinha, do indômito Neutinho Pires, e o meu Urublues, um tanto sem sal. Tem cerca de 15 blogs dos mais diversos assuntos e interesses, dos mais diversos matizes ideológicos e religiosos e clubísticos, mas o clima está meio assim-assim, de marasmo, de esperar-como-está-pra-ver-como-fica. Ninguém se arrisca a um movimento, ninguém sai da intermediária. Será que, tirando o incansável Bó, nós outros cansamos? Será que está todo mundo esperando a procissão do dia 15? Será que estão esperando pra definir os candidatos nas eleições do ano que vem?
Bagre que dorme a onda leva...
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O Ornitorrinco Hipertenso pede a palavra para, ao dizer-se envaidecido, registrar: nada mal para este bloguezinho de alcance municipal - quando o tempo está bom, destaco -, ser citado no Urublues.
Este belo texto de Jeff Picanço toca em questões pra lá de pertinentes, a começar pelos cronistas citados, todos de leitura obrigatória, inclusive o Santayanna, que está a escrever na Carta Capital. Realmente, adorávamos odiar o Paulo Francis: lembro dele falando (mal) do senador Suplicy e eu, ao mesmo tempo que ria um pouco, o odiava honestamente.
Não, prezado Jeff, nem mesmo um trotskysta moderado eu consigo ser. Sempre fui, e olhe lá, algo como um socialista intuitivo, embora hoje muita gente me considere apenas um socialista barrigudo, ou um mero esquerdista genérico, e isso quando o tempo está ensolarado.
Este belo texto de Jeff Picanço toca em questões pra lá de pertinentes, a começar pelos cronistas citados, todos de leitura obrigatória, inclusive o Santayanna, que está a escrever na Carta Capital. Realmente, adorávamos odiar o Paulo Francis: lembro dele falando (mal) do senador Suplicy e eu, ao mesmo tempo que ria um pouco, o odiava honestamente.
Não, prezado Jeff, nem mesmo um trotskysta moderado eu consigo ser. Sempre fui, e olhe lá, algo como um socialista intuitivo, embora hoje muita gente me considere apenas um socialista barrigudo, ou um mero esquerdista genérico, e isso quando o tempo está ensolarado.
Você fala em quinze blogs, mas Antonina tem mais de 40, meu caro, um para cada 500 habitantes, mais ou menos, o que nos torna, proporcionalmente o lugar com a maior quantidade de blogs no Brasil, creio.
Não sei sobre os outros blogs mas, por recomendação médica, O Ornitorrinco diminuiu drásticamente o sal, por conta da sua escatológica hipertensão, de modo que estamos meio insípidos, inodoros e, pior de tudo, sempre fazemos cocô na caixinha de areia. Um horror, meu caro, um horror.
De fato, esperando a procissão e a inefável marcha para jesus, estou a tocar a pelota na intermediária, e a torcida ó, nem consegue vaiar, pois já dorme entediada. Tomar um gol agora, com o time ainda desentrosado, não é mesmo recomendável.


